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2 de dez. de 2012

O desequilíbrio ao Governo Dilma e à imagem do Lula, e os interesses internacionais.

Dilma e Lula ascenderam mais de 32 milhões de brasileiros da extrema pobreza para a classe média, a direita não está satisfeita. Imagem: Ag/Br


Sempre acreditei que a direita e a própria base aliada, dos governos Lula e Dilma, tentaram desgastar o governo Petista unindo forças aos interesses internacionais, para quê? Voltar aos tempos de FHC, continuar a exploração capital e trabalhista, continuidade da desigualdade social, voltar a ser um país endividado e enfraquecido. Contudo, a direita desequilibra o governo federal.  O Eduardo Guimarães cita muito bem no texto abaixo que a "base aliada ao governo Dilma atua ora como governista, ora como oposicionista".

28 de nov. de 2012

A virtude e o porteiro de Lula

Danuza Leão, que foi esposa de Samuel Wainer, criador do Última Hora - o principal veículo de resistência ao cerco udenista contra Vargas nos anos 50, lamenta a ascensão do consumo de massa no Brasil. Não por ter restrições ao consumo. Mas porque ficou difícil 'ser especial' nesses tempos em que 'todos têm acesso a absolutamente tudo, pagando módicas prestações mensais', explica na coluna que assina na Folha.

16 de jun. de 2012

Cúpula dos Povos começa como contraponto à Rio+20



Mobilização e manifestação: evento da sociedade civil discute problemas ambientais, econômicos, sociais, religiosos e raciais 

A Cúpula dos Povos foi aberta nesta sexta-feira (15) no Rio como um contraponto às discussões oficiais da Rio+20.

Rio + 20, veja os locais da Conferência

BARRA DA TIJUCA

 Riocentro

O Riocentro será, durante a Rio+20, perímetro das Nações Unidas. No local, serão realizadas as sessões plenárias e negociações oficiais da Conferência. Ademais, lá serão realizados os “Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável”, série de debates em que a sociedade civil discutirá temas prioritários da agenda internacional para o desenvolvimento sustentável. Haverá ainda espaços para eventos paralelos da sociedade civil durante o período de negociações oficiais. O acesso ao local depende de credenciamento junto à ONU, responsável pela coordenação dos eventos oficiais da Conferência.

Avenida Salvador Allende, 6555. Barra da Tijuca.

25 de jan. de 2012

São José dos Campos, o que a grande imprensa não mostra.


Veja abaixo o vídeo que mostra a realidade no dia 22.01.12

Por Felipe Milanez e Maíra Kubík Mano - Carta Capital - 23.01.12

"Não deu tempo de pegar nada. Eles disseram: deixa tudo aí, depois vai voltar para buscar. Peguei o que deu", relata moradora

26 de jun. de 2011

Graziano da Silva é eleito diretor-geral da FAO

Presidenta Dilma Rousseff e o candidato brasileiro eleito diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva. A eleição aconteceu neste domingo (26/6), em Roma, Itália. Foto: Roberto Stuckert Filho

O ex-ministro José Graziano da Silva foi eleito para o cargo de diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Graziano ganhou a disputa na segunda rodada com 92 votos contra 88 do candidato espanhol Miguel Ángel Moratinos. O candidato brasileiro recebeu apoio dos países africanos e reforçou o sucesso do Brasil no combate à fome e à exclusão social. No primeiro discurso, ele destacou a importância do Brasil no cenário internacional, em especial, como potência agrícola, e agradeceu também o apoio da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula.

12 de fev. de 2011

Egito livre?

 
A sucessão de fatos que desembocou na renúncia de Mubaraki pode ser considerada uma vitoria do povo egípcio.
Mas, afinal, Mubaraki caiu ou renunciou?
Porque a imprensa não decide o enforque sobre estes fatos, a nomenclatura do ato final?
Se caiu foi o povo e sua revolta, intermitente ao longo de 18 dias, desafiando o aparato repressivo do Estado, quem forçou, no sentido mais incisivo da palavra, a queda do ditador, aliado dos americanos, preposto dos israelenses.
Se Mubaraki renunciou, o povo também contribuiu para sua renúncia, mas este ato deixa claro que Mubaraki saiu pela incapaz sustentabilidade de se manter um governo com seu nome a frente, mas preservando todos os demais personagens que o próprio Mubaraki nomeou.  Aí pode-se considerar um 'empate técnico" de israelenses e norte americanos.

De qualquer forma a queda de Mubaraki, por renúncia ou deposição popular, revela a fragilidade dos governos autoritários do oriente médio, sustentados unicamente  na ação repressiva de governos que não respeitam os anseios populares e impõe suas vontades pela força, ignorando os mais básicos direitos humanos e sem serem importunados pela ONU, EUA e a grande imprensa mundial, inclusive pela filial brasileira desta corporação, que ao longo de 30 anos dedicou pouco ou quase nada de suas edições para condenar o regime egípcio.

A saída de cena de Mubaraki encerra mais um ato triste e arrastado, por 30 anos, de uma ditadura não incomodada por aliados que, sem legitimidade moral e ética, bradam mundo afora pela "defesa da liberdade e democracia", mas que afagam ditaduras fantoches em benefícios próprios.

A vitória do povo egípcio é a vitória da democracia, da liberdade e da soberania dos povos, que contamine toda a região e incomode regimes fechados como os da Arábia Saudita e Jordânia.

Livre mesmo?
Mas a pergunta final que se faz indispensável ao momento: estará o Egito livre? Se quem assume o poder com a queda (ou renúncia) de Mubaraki é o ex-chefe de sua guarda presidencial, O marechal Mohamed Hussein Tantawi, de 79 anos, que comandará o processo de transição no Egito.

Durante a crise das últimas semanas, Tantawi tem sido um dos principais contatos do governo egípcio com os Estados Unidos. Ele já foi visto pelos norte-americanos como um homem resistente às reformas política e econômica. 

Apesar da aparente perda do chefe das "sesmarias egípcias" os EUA mudam o longevo comandante para continuar o controle com a liderança do processo de escolha do futuro governo.

O resultado final ainda pode ser um duro golpe nos interesses de Washington, mas o povo também teve sua parcela de conquista, derrubou o chefe de estado e poderá impor suas escolhas nas eleições de setembro, aprofundando ainda mais o fosso que separa as aspirações populares do povo egípcio, dos interesses genuinamente estrangeiros.

Por enquanto o sabor das mudanças, mesmo que moderadamente, toma conta do mundo livre e democrata.

Com informações da
Agência Brasil
 
Por Claudio Ribeiro - Palavras Diversas - 11.02.2011

18 de dez. de 2010

PORQUE MICHAEL MOORE CONTRIBUI COM DINHEIRO PARA ASSANGE

Michael Moore paga fiança de Assange, dono do Wikileaks - 15.12.2010

Julian Assange e Michael Moore

Artigo do cineasta estadunidense Michael Moore, intitulado “Porque estou dando dinheiro para pagar fiança de Julian Assange”. 

O texto foi traduzido Miguel Leite, do blog “Te bloga!”:

Ontem, no Tribunal de Magistrados de Westminster, em Londres, os advogados de Julian Assange, co-fundador da WikiLeaks, apresentaram ao juiz um documento informando que eu paguei 20.000 dólares de meu próprio dinheiro para ajudar a resgatar Assange da cadeia.
Além disso, estou oferecendo publicamente o apoio do meu site, meus servidores, meus nomes de domínio e qualquer outra coisa que possa fazer para manter viva e próspera a WikiLeaks enquanto continuar seu trabalho para expor os crimes que eram preparados em segredo e realizados em nosso nome (cidadãos americanos) e com dinheiro de nossos impostos.
Fomos levados à guerra do Iraque por uma mentira. Centenas de milhares estão mortos. Imaginem se os homens que planejaram esse crime de guerra em 2002 tivessem um WikiLeaks para lidar com eles. Eles poderiam não ter sido capazes de consumá-lo. A única razão que os levava a pensar que poderiam fugir da verdade era porque tinham um manto de sigilo garantido. Esse manto foi rasgado, e eu espero que eles nunca sejam capazes de operar em segredo novamente.
Então, porque WikiLeaks, após a realização de um serviço público tão importante, sob tal ataque vicioso? Porque eles têm denunciado e envergonhado aqueles que encobriram a verdade. O ataque que têm sofrido vem do topo:
* Senador Joe Lieberman diz que WikiLeaks “violou a Lei da Espionagem”.
* George, da The New Yorker Packer, Assange chamadas “super-espião, de pele fina, [e] megalomaníaco.”
* Sarah Palin diz ser “um agente anti-americano com sangue nas mãos” a quem devemos perseguir “com a mesma urgência com que buscamos a Al Qaeda e líderes do Taliban”.
* Democrata Bob Beckel (gerente de campanha de Walter Mondale em 1984) disse sobre Assange na Fox: “Um homem morto não pode vazar coisas … só há uma maneira de fazê-lo:. Ilegalmente atirar no filho da puta”.
* Mary Matalin, republicano, diz que “ele é um psicopata, um sociopata … Ele é um terrorista”.
* Rep. Peter A. King chama WikiLeaks uma “organização terrorista”.
E de fato eles são! Eles existem para aterrorizar os mentirosos e belicistas que trouxeram a ruína de nossa nação e para os outros. Talvez a próxima guerra não seja tão fácil, porque as regras foram mudadas – e agora é Big Brother que está sendo vigiado… por nós!
WikiLeaks merece os nossos agradecimentos e que se jogue luz sobre tudo isso. Mas alguns na imprensa hegemônica têm rejeitado a importância do WikiLeaks (“eles já lançaram pouco que há de novo!”). Ou os está pintando como simples anarquistas (“WikiLeaks libera tudo, sem qualquer controle editorial!”).
WikiLeaks existe, em parte, porque a grande mídia não conseguiu fazer jus à sua responsabilidade. Os donos das empresas têm dizimado redações, tornando impossível para bons jornalistas fazerem seu trabalho. Não há mais tempo ou dinheiro para o jornalismo investigativo. Simplificando, os investidores não querem essas histórias expostas. Eles gostam de seus segredos… como segredos.
Peço-lhe para imaginar o quanto o nosso mundo diferente seria se WikiLeaks existisse a 10 anos atrás. Dê uma olhada na foto. Este é o Sr. Bush prestes a receber um documento “secreto” em 6 de agosto de 2001. Seu título dizia: “Bin Laden determinado em atacar nos EUA”. E nessas páginas disse que o FBI descobriu “os padrões de atividade suspeita neste país em conformidade com os preparativos para atentados.” Bush decidiu ignorá-la e foi pescar pelas próximas quatro semanas.
Mas se esse documento houvesse vazado, como você ou eu teríamos reagido? O que o Congresso ou as FAA teriam feito? Não seria uma grande chance de que alguém, em algum lugar tivesse feito alguma coisa, se todos nós soubéssemos sobre Bin Laden, ataque iminente, usando aviões sequestrados?
Mas as pessoas na época tinham pouco acesso a esse documento. Porque o segredo foi mantido, um instrutor da escola de voo em San Diego, que percebeu que dois alunos da Arábia tinham interesse em decolagens ou pousos, não fez nada. Se ele tivesse lido sobre a ameaça de Bin Laden, ele poderia ter chamado o FBI? (Por favor, leia este ensaio pelo ex-agente do FBI Coleen Rowley, 2002 Time co-Person of the Year, sobre sua crença de que com WikiLeaks 2001, 11/09 poderia ter sido evitado.)
Ou se o público, em 2003, tivesse lido o “segredo” dos memorandos de Dick Cheney e de como ele pressionou a CIA a dar-lhe os “fatos” que ele queria, a fim de construir o seu caso falso para a guerra? Se WikiLeaks houvesse revelado na época que não havia, de fato, nenhuma arma de destruição em massa, você acha que a guerra teria sido lançada – ou melhor, não teria havido apelos para detenção de Cheney?
A abertura, transparência – estas estão entre as poucas armas dos cidadãos para se protegerem dos poderosos e dos corruptos. E se dentro poucos dias depois de 04 de agosto de 1964 – após o Pentágono mentir que nosso navio foi atacado pelos norte-vietnamitas no Golfo de Tonkin – tivesse havido um WikiLeaks para dizer ao povo americano que a coisa toda era armação? Eu acho que 58 mil dos nossos soldados (e 2 milhões de vietnamitas) poderiam estar vivos hoje.
Em vez disso, segredos mataram.
Para aqueles de vocês que pensam que é errado apoiar Julian Assange devido às alegações de abuso sexual, tudo que eu peço é que você não sejam ingênuos sobre como o governo funciona quando ele decide ir atrás de suas presas. Por favor – nunca, jamais, acreditem na “história oficial”. E, independentemente de culpa ou inocência Assange, este homem tem o direito de ter paga fiança e se defender. Eu me juntei com os cineastas Ken Loach e John Pilger e escritor Jemima Khan para pagar o dinheiro da fiança – e esperamos que o juiz aceite isso e se pronuncie hoje.
Poderia WikiLeaks causar alguns danos não intencionais às negociações diplomáticas e os interesses dos EUA no mundo? Talvez. Mas esse é o preço que você paga quando você e o seu governo nos leva a uma guerra baseada numa mentira. Sua punição por mau comportamento é que alguém acenda todas as luzes da sala para que possamos ver o que você e ele estão fazendo. Você simplesmente não pode ser confiável. Então, cada transmissão, cada e-mail que você escreve agora é o jogo aberto. Desculpe, mas vocês pediram isto para si mesmos. Ninguém pode esconder a verdade agora. Ninguém pode traçar o próximo Big Lie (grande mentira) se eles sabem que podem ficar expostos.
E essa é a melhor coisa que o site fez. WikiLeaks, Deus os abençoe, vai salvar vidas, como resultado de suas ações. E qualquer um de vocês que me acompanhem ao apoiá-los estarão cometendo um verdadeiro ato de patriotismo.
Eu estou hoje em solidariedade a Julian Assange em Londres, pedindo ao juiz que conceda a sua libertação. Estou disposto a garantir o seu regresso o dinheiro da fiança determinado pela corte. Eu não permitirei que esta injustiça possa continuar incontestada.
P.S. Você pode ler a declaração que apresentou hoje no tribunal de Londres aqui.
P.P.S. Se você está lendo isso em Londres, por favor, vá apoiar Julian Assange e WikiLeaks em uma demonstração em um PM hoje, terça-feira dia 14, em frente ao tribunal de Westminster.

Do Te Bloga - 15.12.2010

11 de set. de 2010

O bélico mundo de Bush pós 11 de setembro





O mundo ficou extremamente perigoso a partir do dia 11 de setembro de 2001, a xenofobia explodiu nos EUA e na Europa, qualquer cidadão árabe ou qualquer pessoa com sobrenome árabe passou a ser olhado com desconfiança.  O ataque terrorista aos EUA, culminando com a queda das torres gêmeas e os sérios danos causados ao Pentágono, iniciou um período violento de combate ao terror por parte do governo de George W. Bush mundo afora.
Cerca de 3000 vidas inocentes pereceram naquele dia, em Nova Iorque e Washington, levarando o terror ao coração do Estado americano, pasmaram o mundo, pessoas sem saber o que havia de fato ocorrido.

Lembro-me estar na rua nesse dia e ouvir os comentários desencontrados das pessoas.  Um senhor de uma banca de jornal me respondeu dizendo que os EUA haviam sido atacados.  Não era crível, fui para casa acompanhar o desenrolar pela TV, a História acontecendo aos olhos do mundo inteiro, ao vivo.

O fato é que o terror atingiu em cheio o orgulho da nação mais poderosa do mundo.
George W. Bush, eleito cerca de um ano antes em eleições suspeitas de fraudes, um político visto com desconfiança pelos americanos e pelo mundo, soube usar o fato estapafúrdio para se consolidar como liderança política nacional.  O discurso do medo e da necessidade do uso da força, com "ataques preventivos cirúrgicos" contra nações suspeitas de abrigarem o terrorismo, tomaram conta da agenda política e social daquele país, logo exportada para a Europa, via Tony Blair, maior aliado de Bush no velho continente.

Com o mote da segurança nacional, o governo americano soube catalizar (e estimular) o desejo de vingança da maioria de seu povo.  Bush conseguiu aprovar, sustentado pela opinião pública, todas as ações belicistas que propôs sob o pretexto de caçar Bin Laden e a AL Qaeda.  Invadiu o Afeganistão em 2001, sem o aval da ONU, derrubando o governo daquele país, invadiu o Iraque, sob o falso pretexto de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa, aprovou no congresso bilionários orçamentos de guerra, construiu sólida maioria parlamentar, se reelegeu em 2004.  Conseguiu todas essas vitórias explorando o fato tenebroso de 11 de setembro, amedrontando o povo de seu país, para justificar a necessidade de pôr em prática todas as políticas de combate ao terror que propôs, levando a reboque muitas outras questões bélicas, como o bizarro projeto da construção de um escudo antimísseis na "porta" da Rússia, que depois acabou não prosperando.

O discurso do medo sustentou seus dois governos, mas nunca lhe deu popularidade maciça, exceto em um próximo período no pós 11 de setembro.  O seu segundo mandato aprofundou os gastos militares, destruiu a economia americana e seu governo foi diluído pela maior crise econômica desde 1929, devido a inépcia de sua equipe e a incapacidade em lidar com questões reais da economia e sociedade americanas.

O 11 de setembro vai muito além da queda das torres gêmeas do World Trade Center, o enfrentamento proposto pelos Republicanos de Bush visavam o controle do mundo livre, via ações bélicas, justificadas como necessárias para manter o mundo em paz: nunca a indústria da guerra faturou tanto em tão curto espaço de tempo.

O cheque em branco e o saldo final
O "cheque em branco" que o povo americano deu ao presidente Bush, permitiu-lhe enfrentar a opinião pública mundial e provocar ações sangrentas no Afeganistão e Iraque.

Estima-se que que nestes países centenas de milhares de civis tenham sido vítimas fatais, além de cerca de 1 milhão de pessoas vivem hoje o drama da fome no Afeganistão devido ao esfacelamento do Estado e de sua economia provocados pela guerra de ocupação e pelas insurgências não controladas pelas tropas de paz.  No Iraque o cenário não é diferente e os dramas se repetem.  O custo de toda a política de "segurança nacional" e de relações exteriores dos EUA foram demasiadamente altos para os resultados hoje alcançados.

O 11 de setembro é um marco da história recente da humanidade, mas visto apenas pela imagem da queda dos prédios do WTC, não representa, em sua plenitude, o que representou para o mundo e suas instituições, além da dor de um povo que viu pessoas inocentes serem mortas pelos insanos ataques terroristas, também presenciou, por alguns momentos, Bush vislumbrar-se liderança maior de um planeta de uma única superpotência, os riscos foram grandes.


Do Blog Palavras Diversas

17 de ago. de 2010

O novo mapa do mundo, o País está maior




 Há sete anos, quando se falava na necessidade de mudanças na geografia econômica mundial ou se dizia que o Brasil e outros países já deveriam desempenhar papel mais relevante na OMC ou integrar de modo permanente o Conselho de Segurança da ONU, muitos reagiam com ceticismo. O mundo e o Brasil têm mudado a uma velocidade acelerada, e algumas supostas "verdades" do passado vão se rendendo à evidências dos fatos. O diferencial de crescimento econômico em relação ao mundo desenvolvido tornou os países em desenvolvimento atores centrais na economia mundial.
A maior capacidade de articulação Sul-Sul - na OMC, no FMI, na ONU e em novas coalizões, como o BRIC - eleva a voz de países antes relegados a uma posição secundária. Quanto mais os países em desenvolvimento falam e cooperam entre si, mais são ouvidos pelos ricos. A recente crise financeira tornou ainda mais patente o fato de que o mundo não pode mais ser governado por um condomínio de poucos.
O Brasil tem procurado, de forma desassombrada, desempenhar seu papel neste novo quadro. Completados sete anos e meio do governo do Presidente Lula, a visão que se tem do País no exterior é outra. Já não precisamos ouvir os líderes mundiais e a imprensa internacional para sabermos que o Brasil tem um peso cada vez maior na discussão dos principais temas da agenda internacional, de mudança do clima a comércio, de finanças a paz e segurança.
Países como Brasil, China, Índia, África do Sul, Turquia e tantos outros trazem uma maneira nova de olhar os problemas do mundo e contribuem para um novo equilíbrio internacional.
No caso do Brasil, essa mudança de percepção deveu-se, em primeiro lugar, à transformação da realidade econômica, social e política do País. Avanços nos mais variados domínios - do equilíbrio macroeconômico ao resgate da dívida social - tornaram o Brasil mais estável e menos injusto. As qualidades pessoais e o envolvimento direto do presidente Lula com temas internacionais ajudaram a alçar o Brasil à condição de interlocutor indispensável nos principais debates da agenda internacional.
Foi nesse contexto que o Brasil desenvolveu uma política externa abrangente e pró-ativa. Construímos coalizões que foram além das alianças e relações tradicionais, as quais tratamos de manter e aprofundar, como no estabelecimento da Parceria Estratégica com a União Europeia ou do Diálogo de Parceria Global com os Estados Unidos.
O crescimento expressivo de nossas exportações para os países em desenvolvimento e a criação de mecanismos de diálogo e concertação, como a Unasul, o G-20 na OMC, o Fórum IBAS (Índia-Brasil-África do Sul) e o grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) refletiram essa orientação de uma política externa universalista e livre de visões acanhadas sobre o que pode e deve ser a atuação externa do Brasil.
A base dessa nova política externa foi o aprofundamento da integração sul-americana. Um dos grandes ativos de que o Brasil dispõe no cenário internacional é a convivência harmoniosa com sua vizinhança. O governo do presidente Lula empenhou-se, desde o primeiro dia, em integrar o continente sul-americano por meio do comércio, da infraestrutura e do diálogo político.
O Acordo Mercosul-Comunidade Andina criou, na prática, uma zona de livre comércio abrangendo toda a América do Sul. A integração física do continente avançou de forma notável, inclusive com a ligação entre o Atlântico e o Pacífico. Nossos esforços para a criação de uma comunidade sul-americana (CASA) resultaram na fundação de uma nova entidade - a União das Nações Sul-Americanas (Unasul).
Sobre as bases de uma América do Sul mais integrada, o Brasil ajudou a estabelecer mecanismos de diálogo e cooperação com países de outras regiões, fundados na percepção de que a realidade internacional já não comporta a marginalização do mundo em desenvolvimento. A formação do G-20 da OMC, na Reunião Ministerial de Cancún, em 2003, marcou a maioridade dos países do Sul, mudando de forma definitiva o padrão decisório nas negociações comerciais.
O IBAS respondeu aos anseios de concertação entre três grandes democracias multi-étnicas e multiculturais, que têm muito a dizer ao mundo em termos de afirmação da tolerância e de conciliação entre desenvolvimento e democracia. Além da concertação política e da cooperação entre os três países, o IBAS tornou-se um modelo em projetos em favor dos países mais pobres, demonstrando, na prática, que a solidariedade não é um apanágio dos ricos.
Também lançamos as cúpulas dos países sul-americanos com os países africanos (ASA) e com os países árabes (ASPA). Construímos pontes e políticas entre regiões que vivem distantes umas das outras, em que pesem as complementaridades naturais. Essa aproximação política resultou em notáveis avanços nas relações econômicas. O comércio do Brasil com países árabes quadruplicou em sete anos. Com a África, foi multiplicado por cinco e chegou a mais de US$ 26 bilhões, cifra superior à do intercâmbio com parceiros tradicionais como a Alemanha e o Japão.
Essas novas coalizões estão ajudando a mudar o mundo. No campo econômico, a substituição do G-7 pelo G-20 como principal instância de deliberação sobre os rumos da produção e das finanças internacionais é o reconhecimento de que as decisões sobre a economia mundial careciam de legitimidade e eficácia sem a participação dos países emergentes.
Também no campo da segurança internacional, quando o Brasil e a Turquia convenceram o Irã a assumir os compromissos previstos na Declaração de Teerã demonstraram que novas visões e formas de agir são necessárias para lidar com temas antes tratados exclusivamente pelos atuais membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Apesar dos ciúmes e resistências iniciais a uma iniciativa que nasceu fora do clube fechado das potências nucleares, estamos seguros de que a direção do diálogo ali apontada servirá de base para as negociações futuras e para a eventual solução da questão.
Uma boa política externa exige prudência. Mas exige também ousadia. Não pode fundar-se na timidez ou no complexo de inferioridade. É comum ouvirmos que os países devem atuar de acordo com seus meios, o que é quase uma obviedade. Mas o maior erro é subestimá-los.
Ao longo desses quase oito anos, o Brasil atuou com desassombro e mudou seu lugar no mundo. O Brasil é visto hoje, mesmo pelos críticos eventuais, como um país ao qual cabem responsabilidades crescentes e um papel cada vez mais central nas decisões que afetam os destinos do planeta.

Celso Amorim é ministro das Relações Exteriores

Do site do Deputado João Paulo - 10.08.2010

12 de jun. de 2010

CELSO AMORIM E A POSIÇÃO DO BRASIL NO CENÁRIO INTERNACIONAL

Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim

...ficar apenas dizendo 'sim' para uma potência hegemônica também não tem sentido, sinceramente...

Rodrigo Rotzsch [Editor do caderno Mundo, do jornal Folha de S. Paulo] - Ministro, na esteira desse acordo, a Secretária de Estado americano Hillary Clinton [...] disse que os Estados Unidos e o Brasil têm discordâncias muito sérias em relação à abordagem da questão do programa nuclear iraniano e que esse acordo torna o mundo mais perigosos ao esvaziar a unanimidade internacional que haveria para condenar o programa nuclear do Irã. Como o sr. vê essa manifestação americana?

Celso Amorim - Primeiro que o Brasil não tem poder de veto. Nem o Brasil, nem a Turquia. Então não é o Brasil ou a Turquia que vão impedir que se adote uma resolução. Segundo que nós achamos que o que torna o mundo mais perigoso é o uso e o abuso de sanções [...] medidas coercitiva e o isolamento. Isolamento é o que torna os países que são objeto de isolamento mais radicais; é isso que dá força aos grupos mais duros dentro desses países; é isso que prejudica a possibilidade de paz. Então nós achamos que o diálogo... E nós provamos que o diálogo é possível... Porque quando todos nos disseram... Veja bem, antes de nós irmos para o Irã... Eu digo "nós" porque eu fui com o presidente Lula, eu fui várias vezes antes, mas antes de nós irmos para o Irã o que que nos diziam... Ninguém dizia: "Ah, mas o enrequecimento a 20% e o estoque acumulado...?" Não era essa a pergunta: "Mas vocês vão lá, mas vocês não acreditam que vão conseguir nada". Mas como nós conseguimos, o parâmetro passou a ser outro. [...]

Roberto Lameirinhas [Editor de internacional, do jornal Folha de S. Paulo] - Ministro, só pra gente não perder essa esteira das divergências aqui, o sr. acha que essas divergências com Washington... Elas podem comprometer o projeto da diplomacia brasileira de conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU?

Celso Amorim - Eu acho essa pergunta muito interessante porque até pouco tempo a mídia brasileira, sobretudo... Acho que até o jornal no qual você está sempre dizia que querer um lugar pernamente no Conselho de Segurança era uma obsessão do Itamarati ou era uma obsessão do Lula... Aliás, injusto até com outros presidentes, porque isso também ocorreu durante outras presidências... Mas que era uma obsessão da diplomacia brasileira. Agora que você está discutindo a questão do Irã [...] essa questão que era uma obsessão e que não devia ser levada em conta passa a ser um objetivo. É claro que continua a ser um objetivo do Brasil reformar o Conselho de Segurança, torná-lo mais representativo e levar nossa voz também... Agora, veja bem: só vale a pena você estar presente lá se você pode dar sua opinião, se você pode usar o seu julgamento. Se você vai para lá para ficar apenas dizendo "sim" a uma potência hegemônica também não tem sentido, sinceramente...

*Trechos da entrevista do Ministro Celso Amorim para o Roda Viva (07.junho.2010). Transcrição de áudio da editoria-geral do Terra Brasilis.

Do Blog do Saraiva - 11.06.2010

2 de jun. de 2010

Iara Lee: ‘Eles entraram atirando’


Ativista de direitos humanos desde 2006, quando morou no Líbano e presenciou bombardeio de 34 dias ao país pelas tropas israelenses, e também cineasta instalada em Nova York, a brasileira Iara Lee, de 44 anos, relatou na tarde de ontem os momentos de terror que viveu quando militares da marinha israelense invadiram, na madrugada de segunda-feira, a autodenominada “Frota da Liberdade”, formada por seis embarcações que transportavam dez mil toneladas em ajuda para Gaza e cerca de 700 pessoas de países como Dinamarca, Espanha,

França, Grécia e, principalmente, Turquia, de onde saiu metade dos passageiros.



“Foi uma coisa surpreendente porque foi no meio da noite, na escuridão, em águas internacionais. A gente sabia que haveria uma confrontação, mas não em águas internacionais”, disse Iara, por telefone da prisão de Beer Sheva.


Iara (foto), que tem passaportes brasileiro e americano, ainda aguardava ser libertada. Disse que quando isso acontecer, virá primeiro para o Brasil e só depois voltará a Nova York, onde é proprietária da produtora
Caipirinha Productions, junto com seu marido, o também cineasta americano George Gund. “Do Brasil vou para os Estados Unidos e continuarei as mobilizações. A Justiça não será atingida de maneira brusca, e temos que continuar trabalhando.”


Descendente de coreanos, a cineasta nasceu no estado de São Paulo, assim como as irmãs, Jupira e Jussara. Sempre foi muito ligada ao cinema. Em 1984, aos 19 anos, desistiu do curso de cinema da Universidade de São Paulo (USP), que, segundo ela, contava com baixo investimento. Passou a trabalhar, até 1989, como produtora da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, junto com o cineasta e então marido Leon Cakoff.


Após o término da relação, seguiu o caminho das irmãs, foi para Nova York e voltou a cursar cinema. Jupira estava no país desde 1988, onde fez oceanografia e administração e depois abriu um restaurante de comida brasileira. Jussara chegou seis meses depois, estudou moda e se tornou uma renomada estilista.


Em Nova York, Iara conheceu seu o atual marido, com ele fundou a produtora e fez filmes como os documentários Synthetic Pleasures (Prazeres Sintéticos, 1995) sobre os efeitos da tecnologia, Modulations (1998), sobre música eletrônica, e Cultures of Resistance (Cultura de Resistência), sobre artistas do mundo todo que se mobilizam para prevenir conflitos pelo planeta e que se transformou em uma organização com os mesmos fins.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou, por meio de nota que Iara “está bem de saúde e confirmou dispor, na prisão, de alimentos e vestimentas adequadas”. Ela “queixou-se de que as autoridades israelenses não permitiram, (anteontem), que entrasse em contato com a Embaixada do Brasil e afirmou que bagagem e passaportes estavam retidos”.

Ainda segundo o Ministério das Relações Exteriores, “a cidadã brasileira explicou que as autoridades israelenses exigiram, como condição para a sua libertação, que assinasse termo declarando ter entrado ilegalmente em Israel. Iara informou que não pretende assinar o documento, uma vez que foi presa em águas internacionais.”


‘Voltarei e continuarei as mobilizações’

Em entrevista, Iara Lee contou o que ocorreu durante a invasão israelense. “Foi uma coisa surpreendente, porque estava no meio da noite, numa escuridão, em águas internacionais. A gente sabia que ia haver uma confrontação, mas não nas águas internacionais. Na hora em que começaram a invadir, mandaram todas as mulheres para parte de baixo. Então o máximo que eu presenciei em primeira mão, foram os tiros que eu ouvi, eles entraram e começaram a atirar nas pessoas. A primeira tática deles foi cortar todas nossas comunicações por satélite, aí eles atacaram. Disseram que éramos terroristas, uma coisa absurda. Eles entraram na parte das mulheres, eram muitos, muitos. Confiscaram todos nossos telefones, nossas malas que estavam no navio e ainda tiraram todo os conteúdo das malas e colocaram no chão. Voltarei ao Brasil e voltarei aos EUA e continuarei as mobilizações, porque a verdade que é a justiça não será atingida de maneira brusca e temos que continuar trabalhando.”



Governo israelense vai deportar todos os presos até amanhã

Depois que Brasil, China, México, União Europeia e outros países condenaram Israel pela iniciativa de abrir fogo em águas internacionais contra embarcação com fins humanitários, o governo israelense determinou a libertação e a deportação em até 48 horas (até amanhã) das cerca de 700 pessoas presas quando se dirigiam para a Faixa de Gaza transportando declaradas 10 mil toneladas em produtos para assistência social.


O governo brasileiro havia exigido a libertação “pronta e incondicional” da cineasta brasileira Iara Lee e chamou o embaixador israelense em Brasília, Giora Becher, para expressar “indignação”.

Em São Bernardo do Campo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva censurou o ataque de soldados israelenses. Para Lula, não é com ataques dessa natureza que se alcança a paz no Oriente Médio e sim com o diálogo.

Antes de criticar Israel, Lula se referiu ao acordo alcançado por Brasil e Turquia com o Irã em maio.

“Aquilo que os americanos não estavam conquistando há 31 anos, nós conseguimos em 18 horas de conversa, e o Irã resolveu sentar na mesa para negociar numa demonstração de que o diálogo é a melhor forma de resolver os conflitos, não atirando como Israel atirou ontem num barco que ia levar comida para a Faixa de Gaza”.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, voltou a pedir que o bloqueio a Gaza seja suspenso. A marinha israelense, no entanto, informa estar preparada para interceptar outra embarcação que estaria se dirigindo à região.

Os ativistas presos contaram sua versão da história ao começarem a ser libertados. “Não colocamos qualquer resistência, nem se quiséssemos poderíamos. O que poderíamos ter feito contra os comandos que escalaram o convés?”, disse Mihalis Grigoropoulos, que estava a bordo do navio Mavi Marmara, onde a maior parte da violência aconteceu.

“Eles dispararam balas de plástico e ficamos desorientados por causa do uso de dispositivos elétricos”, disse o ativista no aeroporto de Atenas.


Fonte: DSP - 01.06.2010

24 de set. de 2009

A tradução da entrevista de Lula à Newsweek

Por Azenha - 24.09.09

No Vermelho, a tradução da entrevista de Lula à revista Newsweek:

23.09.09

O que disse 'o político mais popular da Terra', na Newsweek?

O original, em inglês, está aqui

A mídia brasileira deu grande repercussão à reportagem da revista americana Newsweek sobre o presidente Lula, sob o título O político mais popular da Terra. O Google Notícias, na noite desta quarta-feira (23), indicava 540 conteúdos sobre o tema. Mas por que ninguém mostrou o longo duelo que foi a entrevista de Lula à Newsweek? Veja aqui a entrevista e tire suas conclusões.

A revista, que publicou a entrevista no seu site, desmancha-se em elogios ao "espetacular trabalho" do presidente do Brasil. Não faltam as referências de costume ao pobre menino nordestino que até os sete anos não sabia o que era um pão.

O título é tirado da hoje famosa tirada do presidente Barack Obama numa reunião do G20 em abril, em que o chefe da Casa Branca chamou Lula de "o cara". O "gancho" foi a presença do governante brasileiro em Nova York, onde ele abriu a Assembléia Geral da ONU.

Porém a revista, que serviu de modelo para Victor Civita criar a Veja no Brasil, não está mudando de "lado", para usar uma expressão cara a Lula. Basta ler a entrevista, a cargo do premiado jornalista Mac Margolis, correpondente da Newsweek no Rio de Janeiro, escalado para espremer "o cara" com perguntas espinhosas, em busca de respostas de cedência ou pelo menos de contemporização.

Lula foi inquirido sobre os méritos do mercado na crise econômica, as excelências das privatizações do governo Fernando Henrique, o "controle estatal" sobre o pré-sal, os compromissos do Brasil na cúpula climática em Copenhague e, no fim, claro, o "estridente" presidente venezuelano Hugo Chávez, acusado de inimigo da democracia ligado a gangs de vândalos.

Veja a íntegra da entrevista publicada. Julgue as perguntas. E confira como foi que Lula se saiu.

Newsweek: Quando o senhor tomou posse, o Brasil era enxergado como uma promessa não realizada, e a última das nações do Bric. Agora o Brasil é considerado uma estrela entre os mercados emergentes. O que aconteceu?


Luiz Inácio Lula da Silva: Ninguém respeita ninguém que não respeita a si mesmo. E o Brasil sempre se comportou como um país de segunda classe. N ós sempre dissemos a nós mesmos que éramos o país do futuro e o celeiro do mundo. Mas nós nunca transformamos essas qualidades em algo concreto. Em um mundo globalizado você não pode ficar parado. Tem que pegar a estrada e vender o seu país.

Então nós decidimos fazer do fortalecimento do Mercosul (o bloco comercial sul-americano) uma prioridade, e aprofundamos nossas relações com a América Latina em geral. Priorizamos o comércio com a África e entramos agressivamente no Oriente Médio. Hoje nossa balança comercial é altamente diversificada.

Isso nos ajudou a amortecer o impacto da crise econômica. Sofremos bem menos que todos esses países que concentraram todo o seu comércio em um ou outro bloco econômico. Tudo isso criou um laço entre o Brasil e outros países e hoje estamos em pé de iigualdade nas relações internacionais. Ao mesmo tempo eu acredito qu e as nações desenvolvidas começaram a entender que a situação mundial era tão séria que elas não seriam capazes de resolver todos os problemas sozinhas. O Brasil foi convidado pela primeira vez para o G8 (o grupo dos países ricos) em 2003. Agora estas são relações instituídas. Estamos pedindo uma reforma do Conselho de Segurança da ONU. Isto nós ainda não conseguimos, mas vamos conseguir.

Newsweek: O sucesso do Brasil em pilotar a crise econômica mudou o enfoque dos investidores?


Lula: Eu vou lhe dar um exemplo. No início da crise, as matrizes da indústria automobilística mandaram todo mundo reduzir a produção, reduzir os estoques e remeter recursos. Mais tarde eles chamaram os brasileiros para que explicassem que milagre eles haviam realizado, ao recuperar tão depressa os seus mercados.

Não houve milagre. Tínhamos um mercado interno forte. Tínhamos consumidores que queriam comprar carros. Reduzi mos parte dos impostos sobre as vendas e pedimos Pas empresas que oferecessem crédito em condições favoráveis. O resultado é que estamos batendo recorde atrás de recorde em vendas de carros no Brasil.

O mesmo acontece com geladeiras, fogões, máquinas de lavar, e com computadores e a construção de moradia. Se todos os países tivessem feito isso tão rápido como o Brasil e a China fizeram, certamente o mundo poderia emergir da crise mais depressa. Já estamos começando a ver sinais de recuperação. Se eu lhe disser que este ano vamos gerar um milhão de empregos você provavelmente não vai acreditar. Mas espere só os números em dezembro sobre quantos empregos vamos criar no setor formal.

Newsweek: Quais são as lições para outros países?

Lula: A grande lição para todos é que o Estado tem um importante papel a jogar, e tem grande responsabilidade. Não queremos o Estado para gerir negócios. Mas ele pode ser um indutor do crescimento e pode trabalhar em harmonia com a sociedade. No Brasil, graças a Deus, temos um sistema financeiro sólido e bancos públicos com um importante papel na oferta de crédito. Estes foram os bancos que garantiram que a crise não fosse tão ruim quanto foi em outros países.

Newsweek: Não foi também porque o mercado brasileiro era forte?

Lula: Foi um mérito do trabalho duro, por parte do setor privado e do governo. Eu não aceito a ideia de que quando as coisas vão bem o mérito vai para o setor privado e quando as coisas vão mal a culpa é do governo. Ninguém neste país teve um papel mais ativo que eu tive em vender produtos prasileiros. Ninguém impulsionou as empresas brasileiras mais do que eu impulsionei. É assim que construimos uma grande nação.

Newsweek: O senhor frequentemente critica o processo de privatização. Porém graças à venda das empresas estatais até os brasileiros mais pobres têm celulares, e as ex-estatais como a Vale se tornaram vencedoras sob propriedade privada.


Lula: Mas o Estado poderia ter feito a mesma coisa.

Newsweek: Só que não fez.


Lula: Não fez porque a elite brasileira usava as empresas públicas para seus próprios fins. Quando você faz assim, qualquer companhia quebra, em qualquer lugar do mundo. Eu penso que as privatizações foram um erro. Antes de eu tomar posse, a Petrobras estava investindo R$ 250 milhões (US$ 139 milhões) em prospecção. Hoje estamos investindo cerca de US$ 560 bilhões. A descoberta de petróleo na camada do pré-sal , nas águas profundas do oceano, não foi um golpe de sorte. Foi o resultado de investimento. Só foi preciso investir corretamente.

Mas eu não sou de ficar remoendo o passado. Você nunca vai me ou vir falar em reestatizar uma empresa. O que está feito está feito e vamos seguir adiante.

Newsweek: O Brasil consegue manter seu compromisso com uma energia limpa, com todos os pesados investimentos necessários para extrair o petróleo do pré-sal?

Lula: Iremos usar o dinheiro do petróleo para ajudar a explorar energia limpa. As duas (a petrolífera e a renovável) não são incompatíveis.

O Brasil é um dos poucos países com um enorme potencial de energia limpa, renovável. A Petrobras no ano passado criou uma empresa de biodiesel. Estamos trabalhando no desenvolvimento de plataformas hidreléticas que irão simplesmente usar o fluxo do rio para gerar energia. Os trabalhadores irão de helicóptero para a estação geradora, como vão para uma plataforma petrolífera no mar. As plataformas serão rodeadas pela floresta, para reduzir o impacto ambiental. O Brasil tem a responsabilidade de mostrar ao mundo que é cad a vez mais viável usar uma energia que não polui o mundo. Nossa matriz energética vai se tornar firmemente mais limpa.

Newsweek: O Brasil concorda com reduções na emissão de gases do efeito estufa na próxima rodada da mudança climática, em Copenhague?

Lula: Queremos construir com outros países uma proposta que seja compatível com a capacidade de cada um, encontrar compromissos apropriados a cada país. O Brasil apoiará a criação de um fundo para estimular o sequestro de carbono pelas nações mais pobres, mas o Brasil também vai querer que o mundo rico reduza suas emissões de gases do feito estufa. Precisamos medir as emissões históricas de cada nação, para que cada um de nós pague de acordo com sua própria responsabilidade.

New sweek: Mas o Brasil vai se comprometer com metas de redução?

Lula: O Brasil vai se comprometer a alcançar um amplo acordo, e se esse acordo contiver metas de emissão o Brasil deseja cumprir. Mas quer ver se as outras nações vão também encontrar as suas metas de redução.

Newsweek: Por que o senhor deseja aumentar o controle estatal na indústria petrolífera, quando o atual sistema de concessões ao setor privado está funcionando?

Lula: Este novo modelo de partilha de produção que estamos propondo ao Congresso é o sistema dominante no mundo de hoje. A única razão para manter o sistema de concessões, que é um tipo de contrato de risco, é quando um país não tem certeza de que vai se achar petróleo e quer partilhar o risco (da prospecção). Mas quando sabemos que o petróleo está ali, e esse óleo é um recurso estatal, por que iríamos entregar concessões (às empresas estrangeiras)? Mas pode apostar que as maiores empresas petrolíferas do mundo vão se interessar em investir nos projetos do pré-sal no Brasil, sob estas novas normas.

Newsweek: O bloco comercial do Mercosul, que o Brasil lidera, só admite como membros democracias plenas, que respeitem os desejos humanos. A Venezuela está qualificada?

Lula: Dê-me um exemplo em que a Venezuela seja antidemocrática.

Newsweek: Trinta e quatro estações de rádio fechadas pelo governo em um fim de semana. Repressão a sindicatos independentes e perseguição do governo a rivais políticos. Gangs ligadas ao governo de Hugo Chávez vandalizando a única rede de TV independente.


Lula: Esta não é a versão do governo.

Newsweek: Existe alguma dúvida?

Lula:Vamos ser francos sobre uma questão. Primeiro, cada paí s estabelece o regime democrático que convém a seu povo. Isto é uma decisão soberana de qualquer nação. Eu nunca questionei o fato de que, num sistema parlamentarista, o primeiro ministro pode ficar no poder por 15 ou 18 anos. Agora [Álvaro] Uribe está apoiando [uma emenda constitucional para permitir] um terceiro mandato. Eu não ouvi ninguém criticar a Colômbia por isso.

Por que eu não quero um terceiro mandato? Porque o que vale para mim vale para meus opositores. Se agora eu quero três mandatos, amanhã eles vão querer quatro. Por isso eu digo que você não pode brincar com a democracia. Dois mandatos e oito anos é um tempo razoável para se governar um país.

E vamos ser honestos: a elite venezuelana não era exatamente um jardim de flores. Lembre que Chávez foi vítima de um golpe. Você não pode esperar que ele esqueça disso tão cedo. Eles sequestraram o homem exatamente como sequestraram [o presidente hondurenho, Manuel] Zel aya. Não podemos deixar que isso continue a acontecer na América Latina. Chávez terá de se submeter às regras do Mercosul. O Mercosul tem normas definidas.

Newsweek: Sim, mas as normas do Mercosul dizem que para um país ingressar no mercado comum precisa respeitar as regras da democracia e dos direitos humanos.


Lula: Chávez foi testado em quatro eleições nos dez últimos anos, e o povo venezuelano está aprendendo. Nós somos um continente colonizado. A maioria dos países da região passaram o século 20 na pobreza. O petróleo da Venezuela enriqueceu meia dúzia de pessoas enquanto o resto do povo continuava pobre. Esta é a primeira vez que este [dinheiro do] petróleo está sendo usado para aumentar a participação do povo. Se está certo ou errado, o povo venezuelano vai julgar.

Newsweek: A democracia é só eleições?


Lula: Eleições são um grande indicativo de democracia . A democracia na prática significa instituições que funcionam devidamente, e estou trabalhando para defender a democracia brasileira. Cada país tem de construir a democracia que quer. Eu não tenho dúvida de que os latino-americanos estão em um dos mais ricos momentos da gestão democrática em nossa história.

Newsweek: Com o Brasil assumindo um maior papel internacional, muita gente se pergunta por que o país permanece tão silencioso em relação a países cujos regimes não são democráticos...

Lula: Se oilharmos para os direitos humanos literalmente, então todas as nações cometem erros, inclusive os Estados Unidos. Onde estão os direitos humanos em Guantânamo? Todos os países têm problemas. Só a paz e a democracia serão capazes de garantir o crescimento econômico necessário a uma vida melhor para a maioria.

De vez em quan do as pessoas me perguntam: Lula, você é o líder da América Latina? Eu digo que não. Ninguém me escolheu para ser líder. Mas estou absolutamente convencido de que as relações do Brasil com a América Latina nunca foram tão claras, transparentes e honestas como hoje. Quando o Paraguai fica nervoso com o Brasil, eu tenho que compreender o Paraguai. Não posso ser agressivo se o Paraguai grita comigo. O Brasil tem muito mais poder e recursos. É como a relação entre pai e filho. Um pai não bate no seu filho toda vez que o menino grita. Ele tenta argumentar. É assim que os países grandes devem agir.

Fonte: Newsweek

Pedido de ajuda por companheiros que sofrem tortura como prisioneiros em #Honduras.

Por Cida - 23.09.09

Enviado por Médico sanitarista comprometido com a saúde pública e o SUS, ele está nos EUA. A sua esposa trabalha na OMS.

Amigos, divulguem para todos. Muitos da blogosfera tem acompanhado o desfecho terrível e estão antenados com as fontes principais, mas este é somente mais uma voz de desespero.

Car@s,

Acabo de receber esta msg de um companheiro de Honduras.

Desde ontem ha pelo menos 16 mortos e dezenas de hospitalizados. Esta montado um campo de concentracao, em um estadio, com centenas de presos. Militantes da da Frente Nacional de Resistência estão sendo seletivamente presos e diversos tiveram braços e pernas fraturados por torturadores, alem de serem acusados de incêndios a casas e carros feitos por provocadores ligados ao golpe. Dada a gravidade da situação e à necessidade de respostas rápidas, leiam e se possíivel divulguem em suas listas, blogs e para jornalistas críticos, ou para os poucos que sobraram.

Saudacoes.



Estimados compañeros de la (...)

(...)

Aprovecho la oportunidad para informarles sobre la situación actual de mi país:

1. Desde hace 4 meses en que se dio el golpe de estado militar, se organizó el Frente Nacional de Resistencia, el cual se manifiesta en forma pacífica en caserías, aldeas, pueblos y ciudades en protesta contra el golpe de estado y por la reinstalación del estado de derecho, estas manifestaciones se realizan todos los días en todas las ciudades de Honduras.

2. Todas las manifestaciones que son pacíficas pero son reprimidas por el ejercito conjuntamente con la policía, estos organismos militares infiltran manifestaciones para crear desórdenes y actos vandálicos por ejemplo el incendio de edificios, ruptura de ventanales y puertas, daño a automóviles, etc. Luego culpan a los manifestantes a través de los medios de información por radio o televisión que controlan los golpistas po r ser los dueños de los mismos, la información es manipulada y tergiversada. En Honduras solo hay dos medios de información radial y televisiva que no pertenecen a los empresarios y son los únicos que dan información no tergiversada, sin embargo les hacen boicot las censuran e incluso les ha destruido las instalaciones e instrumentos electrónicos.

3. Ayer 22 de septiembre de 2009 ingresó sorpresivamente el Presidente Manuel Zelaya Rosales que fue expulsado por los militares y se refugió en la Embajada de Brasil. Zelaya dio una conferencia de prensa expresando que venía a negociar con sus opositores e hizo un llamado a sus simpatizantes a no usar ningún acto de violencia. Inmediatamente los miembros de la Resistencia se hicieron presentes en la embajada para dar protección al presidente Zelaya, el número de personas se aproxima a los 60,000.00. Ese mismo día los manifestantes fueron rodeados por miles de policías y militares, en ese momento comenzó l a represión de las fuerzas de los elementos armados con el apoyo del presidente de facto Roberto Michelétti, quien decretó estado de sitio a partir de las 4:00 PM de ese mismo día con duración indefinida, de tal manera que toda la población del país se encuentra prisionera en sus casas en todo el país. Con esta medida y la cancelación de los medios de comunicación que daban cobertura a los hechos los uniformados comenzaron a capturar en forma selectiva a los dirigentes, luego a cualquier persona ya sea niño menor de edad o mujer embarazada, incendiaron varios automóviles de los miembros de la resistencia y en vez de guardar el orden se están dedicando a robo y saqueo de hogares aduciendo le realización de cateos.

4. A esta hora 1:00 PM tenemos información de hay 280 prisioneros ubicados en un estadio, estilo campo de concentración, con la prohibición de que se les proporcione atención médica, agua o alimentos. Igualmente la embajada de Brasil la tienen sin energía eléctrica, sin agua y no permiten el ingreso de alimentos. Dicha embajada está sitiada por los uniformados, quienes ya tienen planes para tomarla por asalto para capturar o asesinar al presidente Zelaya. El presidente de Brasil Lula Da Silva advirtió al gobierno de facto de Honduras que si lo hacen será considerado una situación de guerra.

5. Los uniformados ya han asesinado 16 personas, más de 60 golpeados (hospitalizados) y están usando métodos de tortura sumamente cueles entre ellos provocar fracturas en los miembros superiores e inferiores, golpes con tubos metálicos o con garrotes que tienen clavos para que penetren en los tejidos de la víctima

6. No permiten los filmados a la prensa nacional e internacional ni a personas con cámaras personales so pena de ser golpeados o capturados y acusados de delincuentes, con ello logran evitar las evidencias de lo que están haciendo.

7. La represión es tan intensa que ya la población se cansó de aguantar palos desde hace 4 meses, por lo cual se están organizando en barrios y colonias al nivel nacional para hacer frente a los uniformados y a militares sin uniforme que usando pasamontañas ametrallan automóviles o personas. Ante esta situación tengo la impresión que se está iniciando una revolución con lucha armada.

8. La ONU, OEA y El Departamento de Estado de USA, están preparando acciones para encontrar una salida negociada y controlar la violación a los derechos humanos, los toques de queda que son ilegales y la censura de la información nacional e internacional.

Saludos cordiales, estimados compañeros y compañeras

(por razoes de segurança foi omitido o nome do rementente)