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17 de ago. de 2010

O novo mapa do mundo, o País está maior




 Há sete anos, quando se falava na necessidade de mudanças na geografia econômica mundial ou se dizia que o Brasil e outros países já deveriam desempenhar papel mais relevante na OMC ou integrar de modo permanente o Conselho de Segurança da ONU, muitos reagiam com ceticismo. O mundo e o Brasil têm mudado a uma velocidade acelerada, e algumas supostas "verdades" do passado vão se rendendo à evidências dos fatos. O diferencial de crescimento econômico em relação ao mundo desenvolvido tornou os países em desenvolvimento atores centrais na economia mundial.
A maior capacidade de articulação Sul-Sul - na OMC, no FMI, na ONU e em novas coalizões, como o BRIC - eleva a voz de países antes relegados a uma posição secundária. Quanto mais os países em desenvolvimento falam e cooperam entre si, mais são ouvidos pelos ricos. A recente crise financeira tornou ainda mais patente o fato de que o mundo não pode mais ser governado por um condomínio de poucos.
O Brasil tem procurado, de forma desassombrada, desempenhar seu papel neste novo quadro. Completados sete anos e meio do governo do Presidente Lula, a visão que se tem do País no exterior é outra. Já não precisamos ouvir os líderes mundiais e a imprensa internacional para sabermos que o Brasil tem um peso cada vez maior na discussão dos principais temas da agenda internacional, de mudança do clima a comércio, de finanças a paz e segurança.
Países como Brasil, China, Índia, África do Sul, Turquia e tantos outros trazem uma maneira nova de olhar os problemas do mundo e contribuem para um novo equilíbrio internacional.
No caso do Brasil, essa mudança de percepção deveu-se, em primeiro lugar, à transformação da realidade econômica, social e política do País. Avanços nos mais variados domínios - do equilíbrio macroeconômico ao resgate da dívida social - tornaram o Brasil mais estável e menos injusto. As qualidades pessoais e o envolvimento direto do presidente Lula com temas internacionais ajudaram a alçar o Brasil à condição de interlocutor indispensável nos principais debates da agenda internacional.
Foi nesse contexto que o Brasil desenvolveu uma política externa abrangente e pró-ativa. Construímos coalizões que foram além das alianças e relações tradicionais, as quais tratamos de manter e aprofundar, como no estabelecimento da Parceria Estratégica com a União Europeia ou do Diálogo de Parceria Global com os Estados Unidos.
O crescimento expressivo de nossas exportações para os países em desenvolvimento e a criação de mecanismos de diálogo e concertação, como a Unasul, o G-20 na OMC, o Fórum IBAS (Índia-Brasil-África do Sul) e o grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) refletiram essa orientação de uma política externa universalista e livre de visões acanhadas sobre o que pode e deve ser a atuação externa do Brasil.
A base dessa nova política externa foi o aprofundamento da integração sul-americana. Um dos grandes ativos de que o Brasil dispõe no cenário internacional é a convivência harmoniosa com sua vizinhança. O governo do presidente Lula empenhou-se, desde o primeiro dia, em integrar o continente sul-americano por meio do comércio, da infraestrutura e do diálogo político.
O Acordo Mercosul-Comunidade Andina criou, na prática, uma zona de livre comércio abrangendo toda a América do Sul. A integração física do continente avançou de forma notável, inclusive com a ligação entre o Atlântico e o Pacífico. Nossos esforços para a criação de uma comunidade sul-americana (CASA) resultaram na fundação de uma nova entidade - a União das Nações Sul-Americanas (Unasul).
Sobre as bases de uma América do Sul mais integrada, o Brasil ajudou a estabelecer mecanismos de diálogo e cooperação com países de outras regiões, fundados na percepção de que a realidade internacional já não comporta a marginalização do mundo em desenvolvimento. A formação do G-20 da OMC, na Reunião Ministerial de Cancún, em 2003, marcou a maioridade dos países do Sul, mudando de forma definitiva o padrão decisório nas negociações comerciais.
O IBAS respondeu aos anseios de concertação entre três grandes democracias multi-étnicas e multiculturais, que têm muito a dizer ao mundo em termos de afirmação da tolerância e de conciliação entre desenvolvimento e democracia. Além da concertação política e da cooperação entre os três países, o IBAS tornou-se um modelo em projetos em favor dos países mais pobres, demonstrando, na prática, que a solidariedade não é um apanágio dos ricos.
Também lançamos as cúpulas dos países sul-americanos com os países africanos (ASA) e com os países árabes (ASPA). Construímos pontes e políticas entre regiões que vivem distantes umas das outras, em que pesem as complementaridades naturais. Essa aproximação política resultou em notáveis avanços nas relações econômicas. O comércio do Brasil com países árabes quadruplicou em sete anos. Com a África, foi multiplicado por cinco e chegou a mais de US$ 26 bilhões, cifra superior à do intercâmbio com parceiros tradicionais como a Alemanha e o Japão.
Essas novas coalizões estão ajudando a mudar o mundo. No campo econômico, a substituição do G-7 pelo G-20 como principal instância de deliberação sobre os rumos da produção e das finanças internacionais é o reconhecimento de que as decisões sobre a economia mundial careciam de legitimidade e eficácia sem a participação dos países emergentes.
Também no campo da segurança internacional, quando o Brasil e a Turquia convenceram o Irã a assumir os compromissos previstos na Declaração de Teerã demonstraram que novas visões e formas de agir são necessárias para lidar com temas antes tratados exclusivamente pelos atuais membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Apesar dos ciúmes e resistências iniciais a uma iniciativa que nasceu fora do clube fechado das potências nucleares, estamos seguros de que a direção do diálogo ali apontada servirá de base para as negociações futuras e para a eventual solução da questão.
Uma boa política externa exige prudência. Mas exige também ousadia. Não pode fundar-se na timidez ou no complexo de inferioridade. É comum ouvirmos que os países devem atuar de acordo com seus meios, o que é quase uma obviedade. Mas o maior erro é subestimá-los.
Ao longo desses quase oito anos, o Brasil atuou com desassombro e mudou seu lugar no mundo. O Brasil é visto hoje, mesmo pelos críticos eventuais, como um país ao qual cabem responsabilidades crescentes e um papel cada vez mais central nas decisões que afetam os destinos do planeta.

Celso Amorim é ministro das Relações Exteriores

Do site do Deputado João Paulo - 10.08.2010

12 de jul. de 2009

A conquista do mundo - Prêmio e elogios dão a Lula vantagem para vislumbrar carreira internacional

Claudio Dantas Sequeira - Isto é - 11.07.09
FOTOS: BERTRAND GUAY/AFP; MICHEL EULER/AP
CARISMA Lula, sob aplausos: de olho no Nobel da Paz

Vários presidentes sonham com uma carreira internacional ao final de seus mandatos. No Brasil, nenhum deles conseguiu realizar a façanha. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nunca manifestou interesse em seguir este caminho e repete sempre que pretende voltar para São Bernardo do Campo, tem tudo para conquistar o mundo. Na terça-feira 7, ele recebeu da Unesco o prêmio Félix Houphouët-Boigny por sua gestão a favor da paz e da justiça social. Durante a cerimônia de premiação, em Paris, ganhava força nas rodas de conversas a indicação de Lula ao Nobel da Paz. Embora a candidatura já tenha sido cogitada em outras ocasiões, é a primeira vez que o nome do presidente surge acompanhado de uma estatística: cerca de um terço dos homenageados com o "Félix" levou para casa meses depois o Nobel, como ocorreu com Nelson Mandela, Yitzhak Rabin e Yasser Arafat. Mas esta não é a única indicação da possibilidade de uma carreira no Exterior para Lula. Junto com a medalha e os US$ 150 mil do prêmio, o presidente colheu também elogios dos homens que realmente decidem quem ocupa os cargos importantes nos organismos internacionais.

FOTOS: BERTRAND GUAY/AFP; MICHEL EULER/AP
FUTEBOL No Exterior, Lula sabe explorar os trunfos do País

"A crise econômica abriu uma agen da internacional que não estava nos planos do presidente", disse um ministro brasileiro à ISTOÉ. "Agora a decisão dele é aproveitar esse espaço porque ele projeta o Brasil lá fora e traz retorno político e econômico." Depois de ser chamado de "o cara" pelo presidente americano Barack Obama e do apoio explícito do francês Nicolas Sarkozy, vários outros líderes e chefes de Estado passaram a elogiar Lula. Presente à cerimônia da Unesco, o primeiroministro português, José Sócrates, al çou Lula ao rol dos estadistas. "Uma das personalidades mais admiradas e respeitadas do mundo", disse. Para Só crates, o brasileiro se destaca por uma "obra concreta", e citou os programas Fome Zero e Bolsa Família.

Antigos rivais também se transformaram em aliados. O americano Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, resolveu apoiar a ideia de Lula de fortalecer a instituição dando mais poder aos países emergentes. Logo Zoellick, que, numa reunião da OMC em 2003, pediu aos países pobres que não fizessem discursos longos. Lula aproveita o assédio para emplacar o debate sobre a reforma das organizações internacionais e do sistema financeiro. Um aliado de primeira hora nessa empreitada é Sarkozy. Os dois se reuniram na quartafeira 8, em Paris. Conversaram sobre a parceria estratégica na área de defesa e acertaram uma posição comum para o encontro do G-8, no dia seguinte, em L' Áquila, na Itália.

Na discussão entre os presidentes, Lula disse que o G-8 já não tem legitimidade e que é preciso ampliá-lo. Ao que Obama respondeu com um tom conservador, alegando ser difícil convencer os demais países desenvolvidos a ceder espaço aos emergentes. Sarkozy então pediu a palavra: "Caro Obama, entendo perfeitamente que tenhamos dificuldade para mudar, pois não sabemos ainda o melhor formato. Mas acredito que seja bom começar com a inclusão de 2,5 bilhões de pessoas." O presidente francês se referia ao total da população do G-5, formado por China, Índia, Brasil, México e África do Sul.

Recentemente, durante a reunião da OEA, que decidiu pela reintegração de Cuba, Obama ligou para Lula para se aconselhar. Na quinta-feira 9, Lula presenteou Obama com uma camisa da Seleção Brasileira e falou sobre a partida em que o Brasil venceu os EUA por 3x2. Disse que, diante do risco de derrota, repetiu várias vezes o slogan da campanha de Obama: "Sim, nós podemos." E o jogo acabou virando. "Vamos dar o troco", rebateu o americano.

FOTOS: BERTRAND GUAY/AFP; MICHEL EULER/AP

Lula também mantém uma relação amistosa com o premiê britânico, Gordon Brown. Dentre os emergentes, tem grande simpatia pelo indiano Manmohan Singh e pelo chinês Hu Jintao. "Quando está com Hu, Lula o pega pelo braço e o trata como se fosse um velho amigo", diz um assessor. Para Alcidez Costa Vaz, professor do Instituto de Relações Internacionais da UnB, a popularidade de Lula é resultado de uma agenda ajustada à nova dinâmica internacional, além do carisma e de uma diplomacia presidencial ativa.

"Quando deixar a Presidência, Lula deve levar consigo boa parte desse crédito", afirma Vaz.

7 de jul. de 2009

A UNESCO premia Lula pela Paz, em PARIS - Lição para os golpistas. Somente um grande mestre para receber este prêmio. Leia mais.

Erika Kokay

A Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) premiará, no próximo dia 7 de julho, em Paris, na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vencedor da edição de 2008 do Prêmio pela Paz Félix Houphouët-Boigny.

Segundo a Unesco, foi o escolhido pelo júri "por suas ações em busca da paz, diálogo, democracia, justiça social, igualdade de direitos, assim como por sua contribuição para a erradicação da pobreza e proteção das minorias". O prêmio, criado em 1989 e que leva o nome do ex-deputado marfinense na França e depois presidente da Costa do Marfim, é concedido todos os anos a pessoas, organizações e instituições que contribuíram de modo significativo para a promoção, preservação ou manutenção da paz. Entre os vencedores de outras edições estão Nelson Mandela, Yitzhak Rabin, Shimon Peres, Yasser Arafat, o rei Juan Carlos da Espanha e o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter.

Essa premiação é mais que justa, pois reconhece não só a liderança internacional do presidente Lula, no diálogo com as nações do mundo pobre e em desenvolvimento e propostas junto ao mundo desenvolvido para o enfrentamento da pobreza e da fome no mundo, mas, sobretudo, pelas transformações ocorridas no Brasil, desde a sua posse como Presidente da República, em 2003.

Essas transformações, econômicas, sociais e políticas, ocorreram com participação social, desde a prioridade em desenvolver o país com distribuição de renda até o combate às desigualdades e discriminações, seja de renda, região, cor, raça, etnia, gênero, orientação sexual, idade, deficiência, religião ou convicção ideológica.

No início do seu governo, explicitando o seu compromisso com os direitos das minorias criou, junto à Presidência da República, as Secretarias Especiais de Direitos Humanos, Políticas para as Mulheres e de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, além de criar o Programa Fome Zero, um conjunto de ações governamentais e não governamentais voltadas para o combate à fome no Brasil. Foi no seu governo, a aprovação do Estatuto do Idoso e da Lei Maria da Penha.

Ao lado da garantia do equilíbrio macroeconômico, da política externa cooperativa e soberana, da ampliação dos empregos com carteira assinada e do aumento real do salário mínimo, as políticas sociais adotadas constituem legado republicano do Governo Lula, com efeitos positivos não só no presente, mas no futuro da Nação.

A criação, em 2003, do Programa Bolsa Família mostrou o compromisso social com os excluídos, combatendo a pobreza, a fome e a evasão escolar de crianças e adolescentes. Hoje, são 12 milhões de famílias atendidas em todos os municípios e, até o final deste ano, serão mais 1,3 milhões de famílias beneficiadas em todo o país.

A implantação, em 2005, do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) transformou a Assistência Social em política pública continuada e garantidora de direitos da cidadania. A Política de Segurança Alimentar e Nutricional garantiu à população brasileira a alimentação como direito fundamental.

Na educação, a criação do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação), ampliou o apoio à educação para além do ensino fundamental, financiando também o ensino infantil e o ensino médio. Além disso, criou o Prouni, garantindo o ingresso gratuito de jovens pobres no ensino superior e aprovou o Piso Salarial Nacional dos Professores, valorizando a categoria em todo o território nacional.

Na saúde, fortaleceu o Sistema Único de Saúde (SUS), com mais investimentos federais junto a estados e municípios, criando e ampliando programas de atenção básica à saúde, como, entre outros, o Saúde da Família, as Farmácias Populares, o Sistema de Atendimento Médico de Urgência (SAMU).

No campo, ampliou o financiamento da agricultura familiar através do Pronaf, que saltou de pouco mais de R$ 2 bilhões, na safra 2002-2003, para R$ 13 bilhões, na safra 2008-2009. Os programas Luz para Todos, Assentamento de Trabalhadores Rurais, Construção de Cisternas no Semi-Árido e Aquisição de Alimentos (PAA), juntamente com os programas sociais, alteraram o panorama rural brasileiro, melhorando a qualidade de vida da população do campo.

Na economia, em articulação com os estado, municípios e o Distrito Federal, sem qualquer tipo de discriminação política ou regional, o Governo Lula lançou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), retomando os investimentos públicos geradores de emprego. Na habitação, o governo federal acaba de lançar o Programa Minha Casa, Minha Vida, que garantirá o financiamento de 1 milhão de casas para a população de baixa renda no país.

Nestes quase sete anos de Governo Lula, o Brasil reduziu as desigualdades e a pobreza e está vencendo a guerra contra a fome. Temos mais democracia e mais justiça social. O Brasil é mais respeitado entre os povos do mundo. O Brasil mudou.

Assim, o presidente Lula, o primeiro presidente operário eleito na história do País, do Partido dos Trabalhadores, com a sua credibilidade junto à população brasileira e a sua respeitabilidade mundial, é plenamente merecedor do Prêmio pela Paz, da Unesco, o que enche de orgulho todos nós da Nação Brasileira, orgulho de mulheres, homens, de todas as idades, cores, regiões e de todas as tribos do Brasil.

Nesse sentido, propusemos e foi aprovada pela Câmara Legislativa do Distrito Federal Moção de Louvor ao Presidente Lula, na certeza de estar expressando o sentimento de reconhecimento e orgulho da população de Brasília, capital do Brasil.

Erika Kokay, deputada distrital, líder da Bancada do PT na Câmara Legislativa do DF

Por Terror do Nordeste - 02.07.09