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18 de nov. de 2012

Políticas de austeridade não são a melhor resposta para enfrentar a crise, afirma Dilma


A presidenta Dilma Rousseff afirmou neste sábado (17), em Cádiz, na Espanha, na primeira sessão plenária da XXII Cúpula Ibero-americana, que as políticas de austeridade implementadas por alguns países europeus não são a melhor resposta para enfrentar a crise.

8 de jul. de 2012

Sopão - Pelo direito de ajudar


Protesto Pró-Sopão em SP.
Foto: Fora do Eixo/Flickr

São Paulo – Um grupo de manifestantes distribuiu na noite de sexta-feira 6 cerca de 50 quilos de sopa na Praça da Sé, no centro da capital paulista. Eles protestaram contra as declarações do secretário municipal de Segurança Urbana, Edsom Ortega, publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo de que iria punir organizações não governamentais (ONGs) e entidades assistenciais que insistissem em dar sopão a moradores de rua.

4 de jun. de 2012

O dedo do Lula

 
Emir Sader - Carta Maior 
 
A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia.

17 de mai. de 2012

Eric Hobsbawn: Ninguém fez tanto pelos pobres...

por Martin Granovsky (*)

Em junho ele completa 92 anos. Lúcido e ativo, o historiador que escreveu "Rebeldes Primitivos", "A Era da Revolução" e a "História do Século XX", entre outros livros, aceitou falar de sua própria vida, da crise de 30, do fascismo e do antifascismo e da crise atual. Segundo ele, uma crise da economia do fundamentalismo de mercado é o que a queda do Muro de Berlim foi para a lógica soviética do socialismo.

20 de abr. de 2012

Lula recebe Márcio Pochmann e Edinho Silva

Lula com Márcio Pochmann (*), pré-candidato a Prefeito pelo PT em São Paulo

O encontro durou cerca de uma hora e aconteceu na sede do Instituto Lula, em São Paulo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou na tarde da quinta-feira (19) com o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pré-candidato do PT à prefeitura de Campinas Márcio Pochmann e com o presidente do PT de São Paulo, o deputado estadual Edinho Silva.

31 de out. de 2010

“Quem cuida dos pobres em São Paulo é o governo federal”, disse Dilma

Dilma mostrou que é a mais preparada para governar. “Quem cuida dos pobres em São Paulo é o governo federal”.

Com propostas claras e sinceras, Dilma Rousseff teve um desempenho vitorioso no último debate das eleições realizado ontem pela TV Globo. Aos 80 eleitores indecisos selecionados pela emissora, ela demonstrou que está verdadeiramente preocupada com as demandas do país e tem as melhores propostas para fazer o Brasil continuar crescendo e distribuindo renda.
Em todos os 12 temas abordados pelos eleitores, Dilma apontou soluções, diferentemente do adversário tucano, José Serra, que por vezes enrolou e não respondeu aos eleitores, atitude típica adotada por políticos antigos quando não têm propostas.
Em relação a área social, por exemplo, Serra não tinha nada para apresentar. Ao responder o questionamento do eleitor Pedro Belém, 31, ele não disse qual sua proposta para fazer com que os programas sociais ajudem as pessoas a recuperarem sua cidadania.

Erradicação de miséria

Dilma foi direta e lembrou que o ponto fraco dos tucanos é cuidar de que mais necessita. “Quem cuida dos pobres em São Paulo é o governo federal. São Paulo tem 1,4 milhão de famílias que precisam do Bolsa Família. Atendemos apenas 1,1 milhão. E essas 300 mil não atendemos porque o município e o estado não fazem cadastro”, disse.
Ela acrescentou que o governo federal agiu também para aumentar a geração de empregos, abrindo espaço para aqueles que antes nem tinham três refeições diárias no mercado de trabalho.

Saúde

Sempre sincera, Dilma disse que reconhece a dificuldade no atendimento de saúde no Brasil e novamente, sem enrolar, afirmou que aumentará o volume de investimentos no setor e completará o Sistema Único de Saúde (SUS) com as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e as policlínicas para atender as especialidades médicas.
Com isso, as filas nos hospitais ficarão menores. Ela também salientou sua proposta de criar a Rede Cegonha, um serviço de saúde para cuidar especialmente das gestantes e das crianças até um ano de idade.

Economia

Na área econômica, a petista defendeu com garra sua ideia de zerar os impostos sobre investimentos, reduzir o volume de tributos cobrados sobre a folha de pagamento, facilitando as contratações formais, e a redução de impostos para serviços de massa como transporte e energia elétrica.
Ela também foi muito contundente ao se comprometer com a redução do desmatamento, da emissão de gases tóxicos na atmosfera e o reforço na fiscalização das áreas de proteção ambiental, dando mais capacidade ao Ibama. “Nós temos que dar alternativa de vida para os mais de 20 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia”, disse.

Debate

Ao final do debate, Dilma concedeu deu uma breve declaração à imprensa e elogiou o formato do debate por permitir o contato direto dos candidatos com os eleitores indecisos. Pouco antes, ainda nos estúdios da TV Globo, a candidata foi muito assediada pelos eleitores convidados pela emissora para tirar fotos e distribuir autógrafos.
“Eu achei o debate, nesse formato, muito interessante porque os problemas que nós debatemos saem da vida real vivida pelas pessoas. Então, as discussões e os temas, por exemplo, saúde, educação, e impostos, encorpam, ganham carne osso e sentimentos. E eu acho que isso é muito importante porque um presidente da República tem que tratar da vida real e concreta das pessoas e não de números ou entidades abstratas que não dizem respeito ao cotidiano”, analisou.

Fonte: blog oficial da Dilma

3 de ago. de 2010

NÃO SOU EU QUE DIGO!

Com isenção de ânimo e sem paixões políticas, é bom conhecer os indicadores sociais e econômicos publicados pelo Jornal “The Economist”, comparando os Governos FHC e Lula. A diferença é muito grande... É importante, lembrar!

LEIAM O QUE FOI PUBLICADO NO JORNAL "THE ECONOMIST"


The Economist publicou!

Situação do Brasil antes e depois: Itens

Nos tempos de FHC

Nos tempos de LULA


Risco Brasil

2.700 pontos

200 pontos


Salário Mínimo

78 dólares

210 dólares


Dólar

Rs$ 3,00

Rs$ 1,78


Dívida FMI

Não mexeu

Pagou


Indústria naval

Não mexeu

Reconstruiu


Universidades Federais Novas

Nenhuma

10


Extensões Universitárias

Nenhuma

45


Escolas Técnicas

Nenhuma

214


Valores e Reservas do Tesouro Nacional

185 Bilhões de Dólares Negativos

160 Bilhões de Dólares Positivos


Créditos para o povo/PIB

14%

34%


Estradas de Ferro

Nenhuma

3 em andamento


Estradas Rodoviárias

90% danificadas

70% recuperadas


Industria Automobilística

Em baixa, 20%

Em alta, 30%


Crises internacionais

4, arrasando o país

Nenhuma, pelas reservas acumuladas.


Cambio

Fixo, estourando o Tesouro Nacional.

Flutuante: com ligeiras intervenções do Banco Central


Taxas de Juros SELIC

27%

11%


Mobilidade Social

2 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza

23 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza


Empregos

780 mil

11 milhões


Investimentos em infraestrutura

Nenhum

504 Bilhões de reais previstos até 2010


Mercado internacional

Brasil sem crédito

Brasil reconhecido como investimento grande


Vais repassar este e-mail também, né?

- Que este e-mail circule pelo Brasil inteiro.


- ESSE TEXTO DEVE-SE TRANSFORMAR NA MAIOR CORRENTE QUE A INTERNET JÁ VIU!!!


ACORDA BRASIL!

PSDB OUTRA VEZ NÃO, PELO AMOR DE DEUS!


Alckmin outra vez não.

Por Enéas

9 de jul. de 2010

Um Brasil sem analfabetos


Por Emir Sader - ContraPontoPIG - 09.07.2010

O Brasil teve uma expansão significativa dos direitos sociais da grande maioria da sua população nos últimos anos, extensão do sistema educacional, porém persistem entre 10 e 13 milhões de analfabetos – sobretudo de terceira idade – e grande quantidade de analfabetos funcionais – que aprenderam a ler mas que, sem prática posterior, são incapazes de ler e responder uma carta.

E, ao mesmo tempo, dispomos do melhor método de alfabetização – o método Paulo Freire - que, ao mesmo tempo que permite o aprendizado da leitura e da escrita, favorece a consciência social das pessoas.

Até mesmo países de nível de renda muito mais baixo do que o nosso, como a Bolívia, valendo-se de um método muito eficaz, mas menos elaborado, como o método cubano, terminaram com o analfabetismo, segundo constatação da Unesco. A Bolívia, que tem uma grande complexidade cultural e lingüística, porque a massa da população fala aymara, quéchua, guarani, castelhano e outros muitos dialetos.

Não podemos permitir que milhões de brasileiros não saibam ler e, não apenas, estejam impedidos de orientar-se minimamente como um cidadão deve fazê-lo para informações básicas, mas também impedidos de conhecer a cultura brasileira – aquilo que o Brasil produz de melhor. Impedidos de conhecer Jorge Amado, Graciliano Ramos, Machado de Assis, Lima Barreto, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Morais, Guimarães Rosa – apenas para citar alguns. Todos têm todo o direito de não gostar de autores, mas devem ter todo o direito de conhecer, de ter acesso ao que de melhor o Brasil produz.

Um mutirão, organizado pelo Ministério da Educação, de que participem ativamente as entidades estudantis, as centrais sindicais, os movimentos sociais e culturais, que comece pela elaboração de método adequado aos da terceira idade e que mobilize centenas de milhares de jovens e militantes de todos os setores da população, poderá elevar o Brasil nos próximos quatro a anos a “país livre do analfabetismo”. Seremos um pouco mais democráticos, menos injustos, mais cultos. Além de preparar-nos melhor para produzir uma cultura muito mais plural, diversificada, reflexo da sociedade brasileira realmente existente e não produto do país que as elites gostariam que o Brasil continuasse sendo. Um Brasil para todos significa um Brasil sem analfabetismo.

*Emir Sader . Sociólogo e cientista político

11 de jun. de 2010

Lula em Fortaleza: “Quero que vocês tenham a oportunidade que eu não tive”


Depois de receber jovens de todo o país durante o Festival das Juventudes, a cidade de Fortaleza, foi palco da aula inaugural do ProJovem Urbano, ministrada pelo presidente Lula, nesta terça-feira (8).

Cerca de 10 mil alunos do programa participaram do evento. No Ceará, mais de 25 mil jovens estão matriculados no ProJovem Urbano, destes 13 mil só na capital, governada pela prefeita petista, Luizianne Lins.

O discurso do presidente foi antecedido pelas histórias de Antonio Fábio da Silva e de Maria Eliane de Oliveira. Segundo filho de uma família de sete crianças, Antonio Fabio nasceu em Quixeramobim, município situado a 211 quilômetros de Fortaleza, no interior do Ceará. O pai abandonou a família quando ele ainda era pequeno e sua mãe teve que lutar muito para garantir o sustento da família.

“Ela teve que batalhar muito para colocar a comida na mesa. É por este motivo que estou aqui para mostrar para ela que o seu esforço não foi em vão. O filho dela vai vencer na vida”, disse ele, que considera o ProJovem a oportunidade que precisava para conseguir um emprego melhor e dar qualidade de vida à sua mãe, aos irmãos e ao filho que em breve nascerá. “Se a gente quiser, a gente consegue.”

Já a história de Maria Eliane abriu o discurso do presidente Lula. Ela tem 27 anos e é mãe de quatro filhos. Parou de estudar na quinta série quando engravidou pela primeira vez, deixando a escola em segundo plano para poder cuidar do bebê e da casa. Os anos se passaram, outros filhos vieram e o retorno à escola era sempre adiado, afirmou o presidente. Quando seu marido morreu, há sete meses, começou a trabalhar como diarista para sustentar os filhos. No mês passado, após 10 anos longe de uma sala de aula, Eliane voltou a estudar, graças ao ProJovem Urbano.

Depois de ouvir os dois jovens Lula disse: “vocês do ProJovem quando tiverem dúvida se devem estudar ou não, lembrem que este País tem um presidente que nasceu numa cidade do Nordeste, Garanhuns, é de família pobre, que veio conhecer pão aos sete anos de idade. Este presidente, que não tem diploma universitário, estudou até a quarta série e fez curso do Senai, este presidente não desistiu nunca, jamais na adversidade”.

Lula prosseguiu: “quero que vocês tenham a oportunidade que eu não tive e quero que tenham a oportunidade que eu quero para os meus filhos”

ProJovem Urbano

Com duração de 18 meses, o Projovem Urbano destina-se a jovens de 18 a 29 anos que sabem ler e escrever, mas que não concluíram o ensino fundamental, e combina a iniciação profissional, práticas de cidadania e inclusão digital com a formação escolar. O aluno também recebe um auxílio mensal de R$ 100,00, que é pago mediante a entrega dos trabalhos escolares e frequência de 75% às aulas.

A iniciativa é uma das quatro modalidades do Projovem Integrado, que foi lançado em 2007, e atua também com o ProJovem Adolescente, ProJovem Campo e ProJovem Trabalhador. Desde o início do Programa até o final de 2010, as quatro modalidades devem atender, juntas, pelo menos 1,5 milhão de jovens.

Do Site Thiago Fernandes - 09.06.2010

10 de jun. de 2010

Lula desafia adversários a comparar administrações



Agência Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafiou hoje seus adversários a comparar os dois mandatos de sua administração com as gestões passadas. Em Natal, o presidente disse que quando os oposicionistas estiverem fazendo críticas, precisam trazer a lista das "grandes obras" feitas nas gestões passadas.

"Fizemos em 8 anos o que não fizeram em 30, 40 ou 50 anos. O País era governado para 35 milhões de brasileiros e não fizeram o que era para fazer", disse o presidente.

Lula afirmou que o seu governo trouxe ganhos não apenas para empresários, mas também para os pobres. "Vão ter que entender que governar o País é olhar também para parte pobre do País. Podem perguntar aos grandes empresários e grandes banqueiros, eles nunca ganharam tanto quanto no meu governo. O pobre ganhou o direito a cidadania, o direito de estudar", concluiu.

O presidente disse que tem orgulho em dizer que um torneiro mecânico foi quem mais criou universidades e escolas técnicas no País.

Por Gilvan Freitas - 09.06.2010

30 de mai. de 2010

Serra, desagregador, quer achar inimigo externo?




Por
Rodrigo Vianna

O MERCOSUL é fruto de uma longa e cuidadosa construção diplomática.

A idéia de um mercado comum do Cone Sul (reunindo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai; e depois atraindo Bolívia como membro-associado, e Venezuela como candidata a membro-pleno) surgiu ainda no governo Sarney.

Collor, Itamar, FHC e Lula mantiveram a política de agregar e fortalecer o bloco.

No governo Lula, especialmente, a política de unir os países sul-americanos ganhou novos contornos, deixando de lado "apenas" o foco econômico (que estava na base do MERCOSUL), para desembocar na UNASUL (uma união mais ampla, política, e que tem a pretensão, até, de unificar os sistemas de Defesa de todos os países da América do Sul).

Faço questão de ressaltar que, mesmo durante os governos Collor e FHC (que tinham ligações mais estreitas com os modelos fabricados no Norte), ninguém ousou dinamitar o esforço de unificação dos países sul-americanos.

Trata-se de um processo fundamental para o Brasil: uma política de Estado, não de governo. Um MERCOSUL (em primeiro lugar) e uma UNASUL mais fortes significam um Brasil com mais peso internacional.

Pois bem. Serra ameaça jogar por terra todo esse esforço. O candidato tucano, nesse início de campanha, já ousou atacar o MERCOSUL (numa desastrada fala para empresários), e agora ataca frontalmente a Bolívia - um país irmão.

Serra, como se sabe, é um desagregador. O Alkcmin e o Aécio que o digam... Mas eu não imaginava que ele iria tão longe.

Serra mostra o que seria sua politica externa: desagregação, desmanche de todo o esforço feito para construir a unidade da América do Sul.

O candidato tucano diz - de forma desrespeitosa - que a Bolívia é a responsável pela cocaína consumida no Brasil. Diz que para "proteger" os jovens brasileiros é preciso pressionar a Bolívia a combater a produção de cocaína.

Pressionar, como? Ele quer mandar tropas brasieliras para a Bolívia, como os EUA fazem com a Colômbia? Serra tem um "Plano Bolívia" no bolso?

Diante da reação boliviana, o tucano faz graça (ele, de fato, se acha engraçado) e diz que as falas dos bolivianos "não valem uma nota de três" - http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4455870-EI15315,00-Em+PE+Serra+diz+que+reacao+da+Bolivia+nao+vale+nota+de+R.html

Na verdade, trata-se de desespero puro. É a velha história: quando o sujeito se sente fraco, busca um inimigo externo. A Bolívia é uma espécie de Ilhas Malvinas de Serra!

Serra precisa gerar fatos novos. Ele cai nas pesquisas, e Dilma sobe. Os estrategistas já perceberam que insistir no caminho de elogiar Lula e evitar o choque é suicídio. Pesquisas devem ter mostrado que o eleitor considera Lula muito "bonzinho" no trato com Evo (e também com Lugo, no Paraguai).

Diante disso, Serra não hesita. Se for preciso dinamitar o MERCOSUL e a UNASUL para chegar à presidência, ele o fará.

Seria um atraso gigantesco para nosso Continente. Como já mostrou Bernardo Joffily, em texto publicado aqui.

Do Brasil, mostra a sua cara -

3 de abr. de 2010

Lula no encerramento do CONAE "a democracia deve ser ampliada e aprofundada com participação popular, porque a oposição acha que democracia é um pacto de silêncio ..."

CONAE: Aclamado, Lula destaca importância da participação popular


Aos gritos de “Lula, guerreiro do povo brasileiro”, os três mil participantes da 1ª Conferência Nacional da Educação (Conae) receberam, de pé, o Presidente Lula que chegou por volta de meio-dia, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, em Brasília, nesta quinta-feira (1º), para o encerramento do evento. A plenária, que votava o documento final com quase 300 parágrafos, foi suspensa para receber o Presidente.


O presidente retribuiu a calorosa recepção, dizendo que a sociedade civil é responsável pelas mudanças ocorridas no Brasil nos últimos anos. E manifestou alegria de ver a sociedade comprometida com o debate sobre a educação. Lula disse que leria o seu discurso para evitar multas, referindo-se ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o multou por propaganda eleitoral antecipada. 

Mas, ao final do discurso, tirou o microfone do púlpito e conversou descontraidamente com os participantes, andando pelo palco. Em tom de despedida do cargo, o Presidente Lula disse que não foi o Governo dele que deu início as conferências. Elas já são realizadas desde 1941, o mérito do Governo Lula foi realizar o maior número de conferências, que resultaram na criação de 61 conselhos nacionais com participação popular. 

E, alfinetando a oposição, disse que “a democracia deve ser ampliada a aprofundada com participação popular, porque a oposição acha que democracia é um pacto de silêncio e nós achamos que é múltiplas manifestações da sociedade brasileira”, explicando porque ampliou a interlocução com a sociedade brasileira, realizando 66 conferência nacionais e mais cinco previstas para este semestre. 

“Democracia quer dizer participação da sociedade nas decisões”, enfatizou, em meios a manifestações de aprovação, aplausos e gritos de “olé/olé-olé/olá/Lula-lá/Lula-lá”. 

O Presidente Lula, como todos os demais oradores, destacou os avanços no setor de educação, citando a aprovação das emendas constitucionais que criou o Fundeb, que obriga a União a financiar a educação nos locais que não tem recursos para isso e ampliando esse financiamento da creche ao ensino médio; e o fim da desvinculação da DRU para educação, o que garante mais nove bilhões para o setor. 

Ele lembrou que não fez universidade, mas foi quem mais investiu em educação, mas diz que não se orgulha disso, tem tristeza pelos os que não fizeram. E mais uma vez disse que quer que os que vierem depois deles faça mais do que ele fez. 

No improviso, ele disse ainda que “vai quebrar a cara quem pensar que eu vou ser um ex-presidente, porque a minha luta não era só para ganhar a presidência, precisamos construir mais coisas nesse país”. E fazendo uma analogia com a travessia de um rio, disse que estamos no meio, não podemos voltar e nem morrer afogados.” 

Em meio a palavras emocionadas de despedida, disse que “chegamos aqui por causa de vocês, porque me fizeram entender que governo bom é aquele que ouve o povo e coloca em prática o que ouve em cada casa, em cada porta, em cada fábrica. Muito obrigada pelo que fizeram por mim o tempo todo”, afirmou, destacando ainda que “quando eu regressar ao meu mundo real, eu vou poder olhar na cara de cada um de vocês e chamá-los de companheiros e companheiras”. 

Correia de transmisssão 

O ministro da Educação, Fernando Haddad, que presidiu a mesa, destacou que no momento que o Presidente Lula chegou, a plenária estava votando as diretrizes e deliberações que vão nortear os trabalhos da educação no Brasil. E garantiu que a execução das propostas aprovadas vai permitir que o Brasil comemore o bicentenário da independência, em 2022, orgulhoso do seu sistema educacional. 

O Ministro disse que o papel do MEC na conferência é ser a “correia de transmissão” entre que os delegados eleitos decidirem aqui e o Congresso Nacional, eleitos também pelo povo, que vão decidir sobre o Plano Nacional de Educação 2011-2020. “Estamos a serviço dessa conferência para aprovar um plano que seja a expressão da vontade popular e coloque a educação como expoente da sociedade brasileira”, afirmou. 

Haddad disse que em seus dois mandatos, o Presidente Lula multiplicou por três o orçamento da educação, o que alterou significativamente a atuação do Ministério. “O Brasil estava acostumado com política de foco por falta de financiamento e não tinha financiamento porque não tinha vontade e compromisso político com a educação”, explicou, dizendo ainda que “”o que a cátedra tirou, a fábrica colocou”, em referência do fim da DRU para educação, que coloca em posições opostos do governo do professor Fernando Henrique Cardoso e o operário Luis Inácio Lula da Silva.

O coordenador geral da conferência, Francisco das Chagas Fernandes, destacou a participação da sociedade civil no evento, citando cada uma delas numa extensa lista, e cobrou do Congresso o compromisso de assumir as propostas aprovadas na conferência para que se tenham leis que permitam avanços na educação. 

“Depois da conferência vamos precisar atuar para que as diretrizes sejam levadas em consideração no Congresso Nacional”, alertou. 

Inclusão de todos 

Os ministros da Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Elói Araújo, e dos Direitos Humanos (SEDH), Paulo Vanucchi, que acompanharam o Presidente Lula, também falaram, saudando a conferência e as propostas aprovadas. 

O novo ministro da Seppir, repetindo a famosa frase do Presidente Lula, disse que “nunca antes na história desse país tivemos tantos negros e pardos nas universidades no Brasil”. Ele defendeu a política de cotas, que tem tido resultados extraordinários e é comemorada por toda a comunidade acadêmica, o que demonstra o acerto da proposta. E chamou atenção para a lei que inclui o ensino da cultura africana no currículo das escolas, manifestando “certeza de construção de ambiente democrático com a inclusão de todos.” 

Paulo Vanucchi pediu aos delegados que, nas horas de votação que ainda faltam, não percam a chance de consolidar todo o capítulo da chamada educação de direitos humanos. Segundo ele, a educação em direitos humanos vai permitir que a mídia e os agentes do Estado, principalmente do sistema de segurança, assumam o papel de fato na construção de uma sociedade pautada nos direitos humanos. 

O ato formal de encerramento da conferência incluiu ainda a exibição de um vídeo institucional de agradecimento a todos os que participaram. “Não vamos ensinar nada a ninguém, mas saímos daqui com a sensação de que aprendemos muito nesses cinco dias”, dizia o texto do vídeo.

Do Portal Vermelho - 01.04.2010

20 de fev. de 2010

“O Estado terá, inexoravelmente, de reforçar seu segmento executor”, disse Dilma, antes do lançamento de sua Candidatura a Presidente do Brasil em 2010, marcado para dia 20.02, hoje, às 10h.


Livro mostra que, se Dilma vencer as eleições, Estado será fortalecido

 Rodrigo Almeida, iG Rio de Janeiro - Último Segundo - 19.02.2010

O Estado será mais forte num eventual governo de Dilma Rousseff. Os detalhes do que será a economia brasileira caso a ministra vença as eleições deste ano estão no livro “Brasil, entre o passado e o futuro” (Boitempo Editorial), lançado durante o 4º Congresso Nacional do PT, que neste sábado vai selar sua candidatura à Presidência da República.

Organizado pelo cientista político Emir Sader e por Marco Aurélio Garcia, assessor especial do presidente Lula, o livro traz a entrevista da ministra e artigos que radiografam o atual governo, criticam os antecessores e miram no que poderá ser um futuro governo – do PT e de Dilma.

“O Estado terá, inexoravelmente, de reforçar seu segmento executor”, diz a ministra. O objetivo, segundo ela, é universalizar serviços de saneamento, melhorar a segurança pública, ampliar a oferta de habitação e garantir mais unidades de atendimento na saúde a partir de 2011.

Do livro, a atual chefe da Casa Civil sai como uma candidata defensora da presença mais forte do Estado, do fortalecimento de empresas públicas e de “um bem-estar social à moda brasileira”. Alguém com um olho no retrovisor – com estocadas nos oito anos de governo Fernando Henrique e nos “25 anos de estagnação da economia” – e outro no futuro de continuidade em relação aos dois mandatos do presidente Lula.

Pregadora de subsídios para os mais pobres, da universalização de serviços públicos e do que considera o “novo passo” para o País: consolidar a meritocracia entre os profissionais do Estado, avançar na área de transportes e investir em tecnologia e inovação.

Preparação para o Congresso do PT

A entrevista é uma espécie de declarações de intenções da ministra e antecipa muitos dos pontos que integrarão o discurso que fará neste sábado. “São análises que abordam diferentes temas vinculados à herança recebida pelo governo Lula, às transformações realizadas por este e às propostas para sua consolidação, aprofundamento e desdobramentos futuros”, explicam Garcia e Sader no texto de apresentação do livro.

As contribuições, eles esclarecem, “convergem no projeto de ‘um País para todos’, expresso pela ministra Dilma Rousseff” – referência a um trecho da entrevista na qual ela fala da necessidade de “seguir construindo um Brasil para 190 milhões”.

A ligação dos dois com a ministra se explica: Marco Aurélio Garcia é vice-presidente do PT e coordenador do futuro programa de governo da candidata. Um dos intelectuais próximos à ministra, Emir Sader integra o grupo de Garcia.

Além de Garcia e Sader, participou da entrevista Jorge Mattoso – o ex-presidente da Caixa Econômica Federal que foi afastado após a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

Na conversa, Dilma analisa o que considera méritos de Lula e deméritos de Fernando Henrique Cardoso. “Nós recompusemos parte da capacidade do Estado de planejar e gerir”, defende. “Felizmente, nem tudo que havia de bom no Estado brasileiro foi desmontado”, completa, afirmando que foram preservados o Itamaraty, as Forças Armadas, a Receita Federal e o Banco Central.

Ressalta que os bancos estatais enfrentaram dificuldades, “por pouco” Furnas não foi privatizada, e a Petrobras “enfrentou problemas” – mas, segundo ela, “a sociedade reagiu duramente, e esses processos foram interrompidos e arquivados”.

A ministra defende a concessão de incentivos à atividade econômica nos últimos anos e o papel do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES, “que impediram que a economia viesse a naufragar na crise e o setor privado sucumbisse”. Sempre olhando também para o passado, ataca: “Muitos diziam que só havia um jeito de as pessoas melhorarem a sua situação, era através do mercado. E que, se acreditássemos nisso, todos seríamos salvos”.

Para Dilma, o Estado tem de ser forte para ter capacidade de estimular o setor privado, abrir caminhos para a criação de novos pólos econômicos, planejar e intensificar obras de infraestrutura.

Comparação

A entrevista reforça a estratégia petista de transformar a disputa presidencial numa comparação entre os feitos de Lula e Fernando Henrique. Ao lembrar, por exemplo, que cerca de 22 milhões de brasileiros saíram da miséria e falar do surgimento de uma nova classe média, Dilma evita enquadrar esses avanços numa escala de tempo, ou reconhecer méritos de políticas iniciadas na gestão tucana.

A ministra acusa os tucanos de banir palavras como desenvolvimento e política industrial do dicionário de ações do governo. Sobre a continuidade na gestão da política econômica, ela afirma que houve uma decisão política. “Percebemos que a estabilidade é um valor funcional, no sentido de nos garantir margem de manobra”, diz. “A estabilidade para nós não é um valor em si”.

Dilma, no entanto, analisa o peso da “herança” recebida por Lula e elogia o papel de Antonio Palocci – cuja gestão à frente do Ministério da Fazenda, entre 2003 e 2005, é vista com reservas do grupo mais à esquerda do PT.

“A primeira fase da política econômica do governo, de responsabilidade do ex-ministro Antonio Palocci, foi um momento decisivo (...) porque nos deu um novo grau de liberdade”, afirma a ministra. Ela conta que, no fim de 2005, “a situação estava muito difícil. Havia praticamente zero de margem de manobra, uma ofensiva violenta contra o governo e entrando numa conjuntura eleitoral. Era o pior dos mundos”.

Segundo a pré-candidata do PT, a política de 2003, 2004 e 2005 só gerou frutos no início de 2006 e “mostrou plenamente os resultados” em 2007, ano de criação do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) – coordenado pela ministra, o programa acabou se tornando uma de suas principais vitrines.

29 de jan. de 2010

O discurso de Lula em Davos

Por Geraldo Costa

Ola Nassif,

Abaixo reproduzo o discurso do Lula para Davos, lido pelo Amorim. Há partes que emocionam. Abraços

O discurso que o presidente Lula não leu em Davos (mas que foi lido pelo chanceler Celso Amorim), conforme reprodução do Vermelho:

“Minhas senhoras e meus senhores,

Em primeiro lugar, agradeço o prêmio “Estadista Global” que vocês estão me concedendo. Nos últimos meses, tenho recebido alguns dos prêmios e títulos mais importantes da minha vida. Com toda sinceridade, sei que não é exatamente a mim que estão premiando – mas ao Brasil e ao esforço do povo brasileiro. Isso me deixa ainda mais feliz e honrado. Recebo este prêmio, portanto, em nome do Brasil e do povo do meu país. Este prêmio nos alegra, mas, especialmente, nos alerta para a grande responsabilidade que temos.

Ele aumenta minha responsabilidade como governante, e a responsabilidade do meu país como ator cada vez mais ativo e presente no cenário mundial. Tenho visto, em várias publicações internacionais, que o Brasil está na moda. Permitam-me dizer que se trata de um termo simpático, porém inapropriado.

O modismo é coisa fugaz, passageira. E o Brasil quer e será ator permanente no cenário do novo mundo. O Brasil, porém, não quer ser um destaque novo em um mundo velho. A voz brasileira quer proclamar, em alto e bom som, que é possível construir um mundo novo. O Brasil quer ajudar a construir este novo mundo, que todos nós sabemos, não apenas é possível, mas dramaticamente necessário, como ficou claro, na recente crise financeira internacional – mesmo para os que não gostam de mudanças.

Meus senhores e minhas senhoras,

O olhar do mundo hoje, para o Brasil, é muito diferente daquele, de sete anos atrás, quando estive pela primeira vez em Davos. Naquela época, sentíamos que o mundo nos olhava mais com dúvida do que esperança. O mundo temia pelo futuro do Brasil, porque não sabia o rumo exato que nosso país tomaria sob a liderança de um operário, sem diploma universitário, nascido politicamente no seio da esquerda sindical. Meu olhar para o mundo, na época, era o contrário do que o mundo tinha para o Brasil. Eu acreditava, que assim como o Brasil estava mudando, o mundo também pudesse mudar.

No meu discurso de 2003, eu disse, aqui em Davos, que o Brasil iria trabalhar para reduzir as disparidades econômicas e sociais, aprofundar a democracia política, garantir as liberdades públicas e promover, ativamente, os direitos humanos. Iria, ao mesmo tempo, lutar para acabar sua dependência das instituições internacionais de crédito e buscar uma inserção mais ativa e soberana na comunidade das nações. Frisei, entre outras coisas, a necessidade de construção de uma nova ordem econômica internacional, mais justa e democrática. E comentei que a construção desta nova ordem não seria apenas um ato de generosidade, mas, principalmente, uma atitude de inteligência política.

Ponderei ainda que a paz não era só um objetivo moral, mas um imperativo de racionalidade. E que não bastava apenas proclamar os valores do humanismo. Era necessário fazer com que eles prevalecessem, verdadeiramente, nas relações entre os países e os povos. Sete anos depois, eu posso olhar nos olhos de cada um de vocês – e, mais que isso, nos olhos do meu povo – e dizer que o Brasil, mesmo com todas as dificuldades, fez a sua parte. Fez o que prometeu. Neste período, 31 milhões de brasileiros entraram na classe média e 20 milhões saíram do estágio de pobreza absoluta. Pagamos toda nossa dívida externa e hoje, em lugar de sermos devedores, somos credores do FMI.

Nossas reservas internacionais pularam de 38 bilhões para cerca de 240 bilhões de dólares. Temos fronteiras com 10 países e não nos envolvemos em um só conflito com nossos vizinhos. Diminuímos, consideravelmente, as agressões ao meio ambiente. Temos e estamos consolidando uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, e estamos caminhando para nos tornar a quinta economia mundial. Posso dizer, com humildade e realismo, que ainda precisamos avançar muito. Mas ninguém pode negar que o Brasil melhorou.

O fato é que Brasil não apenas venceu o desafio de crescer economicamente e incluir socialmente, como provou, aos céticos, que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram apenas para um terço da população. Para eles, o resto era peso, estorvo, carga. Falavam em arrumar a casa. Mas como é possível arrumar um país deixando dois terços de sua população fora dos benefícios do progresso e da civilização?

Alguma casa fica de pé, se o pai e a mãe relegam ao abandono os filhos mais fracos, e concentram toda atenção nos filhos mais fortes e mais bem aquinhoados pela sorte? É claro que não. Uma casa assim será uma casa frágil, dividida pelo ressentimento e pela insegurança, onde os irmãos se vêem como inimigos e não como membros da mesma família. Nós concluímos o contrário: que só havia sentido em governar, se fosse governar para todos. E mostramos que aquilo que, tradicionalmente, era considerado estorvo, era, na verdade, força, reserva, energia para crescer.

Incorporar os mais fracos e os mais necessitados à economia e às políticas públicas não era apenas algo moralmente correto. Era, também, politicamente indispensável e economicamente acertado. Porque só arrumam a casa, o pai e a mãe que olham para todos, não deixam que os mais fortes esbulhem os mais fracos, nem aceitam que os mais fracos conformem-se com a submissão e com a injustiça. Uma casa só é forte quando é de todos – e nela todos encontram abrigo, oportunidades e esperanças.

Por isso, apostamos na ampliação do mercado interno e no aproveitamento de todas as nossas potencialidades. Hoje, há mais Brasil para mais brasileiros. Com isso, fortalecemos a economia, ampliamos a qualidade de vida do nosso povo, reforçamos a democracia, aumentamos nossa auto-estima e amplificamos nossa voz no mundo.

Minhas senhoras e meus senhores,

O que aconteceu com o mundo nos últimos sete anos? Podemos dizer que o mundo, igual ao Brasil, também melhorou? Não faço esta pergunta com soberba. Nem para provocar comparações vantajosas em favor do Brasil. Faço esta pergunta com humildade, como cidadão do mundo, que tem sua parcela de responsabilidade no que sucedeu – e no que possa vir a suceder com a humanidade e com o nosso planeta. Pergunto: podemos dizer que, nos últimos sete anos, o mundo caminhou no rumo da diminuição das desigualdades, das guerras, dos conflitos, das tragédias e da pobreza?

Podemos dizer que caminhou, mais vigorosamente, em direção a um modelo de respeito ao ser humano e ao meio ambiente? Podemos dizer que interrompeu a marcha da insensatez, que tantas vezes parece nos encaminhar para o abismo social, para o abismo ambiental, para o abismo político e para o abismo moral? Posso imaginar a resposta sincera que sai do coração de cada um de vocês, porque sinto a mesma perplexidade e a mesma frustração com o mundo em que vivemos. E nós todos, sem exceção, temos uma parcela de responsabilidade nisso tudo.

Nos últimos anos, continuamos sacudidos por guerras absurdas. Continuamos destruindo o meio-ambiente. Continuamos assistindo, com compaixão hipócrita, a miséria e a morte assumirem proporções dantescas na África. Continuamos vendo, passivamente, aumentar os campos de refugiados pelo mundo afora. E vimos, com susto e medo, mas sem que a lição tenha sido corretamente aprendida, para onde a especulação financeira pode nos levar.

Sim, porque continuam muitos dos terríveis efeitos da crise financeira internacional, e não vemos nenhum sinal, mais concreto, de que esta crise tenha servido para que repensássemos a ordem econômica mundial, seus métodos, sua pobre ética e seus processos anacrônicos.

Pergunto: quantas crises serão necessárias para mudarmos de atitude? Quantas hecatombes financeiras teremos condições de suportar até que decidamos fazer o óbvio e o mais correto? Quantos graus de aquecimento global, quanto degelo, quanto desmatamento e desequilíbrios ecológicos serão necessários para que tomemos a firme decisão de salvar o planeta?

Meus senhores e minhas senhoras,

Vendo os efeitos pavorosos da tragédia do Haiti, também pergunto: quantos Haitis serão necessários para que deixemos de buscar remédios tardios e soluções improvisadas, ao calor do remorso? Todos nós sabemos que a tragédia do Haiti foi causada por dois tipos de terremotos: o que sacudiu Porto Príncipe, no início deste mês, com a força de 30 bombas atômicas, e o outro, lento e silencioso, que vem corroendo suas entranhas há alguns séculos.

Para este outro terremoto, o mundo fechou os olhos e os ouvidos. Como continua de olhos e ouvidos fechados para o terremoto silencioso que destrói comunidades inteiras na África, na Ásia, na Europa Oriental e nos países mais pobres das Américas. Será necessário que o terremoto social traga seu epicentro para as grandes metrópoles européias e norte-americanas para que possamos tomar soluções mais definitivas?

Um antigo presidente brasileiro dizia, do alto de sua aristocrática arrogância, que a questão social era uma questão de polícia. Será que não é isso que, de forma sutil e sofisticada, muitos países ricos dizem até hoje, quando perseguem, reprimem e discriminam os imigrantes, quando insistem num jogo em que tantos perdem e só poucos ganham? Por que não fazermos um jogo em que todos possam ganhar, mesmo que em quantidades diversas, mas que ninguém perca no essencial?

O que existe de impossível nisso? Por que não caminharmos nessa direção, de forma consciente e deliberada e não empurrados por crises, por guerras e por tragédias? Será que a humanidade só pode aprender pelo caminho do sofrimento e do rugir de forças descontroladas? Outro mundo e outro caminho são possíveis. Basta que queiramos. E precisamos fazer isso enquanto é tempo.
Meus senhores e minhas senhoras.

Gostaria de repetir que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Esta também é uma das melhores receitas para a paz. E aprendemos, no ano passado, que é também um poderoso escudo contra crise. Esta lição que o Brasil aprendeu, vale para qualquer parte do mundo, rica ou pobre. Isso significa ampliar oportunidades, aumentar a produtividade, ampliar mercado e fortalecer a economia. Isso significa mudar as mentalidades e as relações. Isso significa criar fábricas de emprego e de cidadania.

Só fomos bem sucedidos nessas tarefas porque recuperamos o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e não nos deixamos aprisionar em armadilhas teóricas – ou políticas – equivocadas sobre o verdadeiro papel do estado. Nos últimos sete anos, o Brasil criou quase 12 milhões de empregos formais. Em 2009, quando a maioria dos países viu diminuir os postos de trabalhos, tivemos um saldo positivo de cerca de um milhão de novos empregos.

O Brasil foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair. Por que? Porque tínhamos reorganizado a economia com fundamentos sólidos, com base no crescimento, na estabilidade, na produtividade, num sistema financeiro saudável, no acesso ao crédito e na inclusão social. E quando os efeitos da crise começaram a nos alcançar, reforçamos, sem titubear, os fundamentos do nosso modelo e demos ênfase à ampliação do crédito, à redução de impostos e ao estímulo do consumo.

Na crise ficou provado, mais uma vez, que são os pequenos que estão construindo a economia de gigante do Brasil. Este talvez seja o principal motivo do sucesso do Brasil: acreditar e apoiar o povo, os mais fracos e os pequenos. Na verdade, não estamos inventando a roda. Foi com esta força motriz que Roosevelt recuperou a economia americana depois da grande crise de 1929. E foi com ela que o Brasil venceu preventivamente a última crise internacional.

Mas, nos últimos sete anos, nunca agimos de forma improvisada. A gente sabia para onde queria caminhar. Organizamos a economia sem bravatas e sem sustos, mas com um foco muito claro: crescer com estabilidade e com inclusão. Implantamos o maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família, que hoje beneficia mais de 12 milhões de famílias. E lançamos, ao mesmo tempo, o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, maior conjunto de obras simultâneas nas áreas de infra-estrutura e logística da história do país, no qual já foram investidos 213 bilhões de dólares e que alcançará, no final do ano de 2010, um montante de 343 bilhões.

Volto ao ponto central: estivemos sempre atentos às politicas macro-econômicas, mas jamais nos limitamos às grandes linhas. Tivemos a obsessão de destravar a máquina da economia, sempre olhando para os mais necessitados, aumentando o poder de compra e o acesso ao crédito da maioria dos brasileiros. Criamos, por exemplo, grandes programas de infra-estrutura social voltados exclusivamente para as camadas mais pobres. É o caso do programa Luz para Todos, que levou energia elétrica, no campo, para 12 milhões de pessoas e se mostrou um grande propulsor de bem estar e um forte ativador da economia.

Por exemplo: para levar energia elétrica a 2 milhões e 200 mil residências rurais, utilizamos 906 mil quilômetros de cabo, o suficiente para dar 21 voltas em torno do planeta Terra. Em contrapartida, estas famílias que passaram a ter energia elétrica em suas casas, compraram 1,5 milhão de televisores, 1,4 milhão de geladeiras e quantidades enormes de outros equipamentos.

As diversas linhas de microcrédito que criamos, seja para a produção, seja para o consumo, tiveram igualmente grande efeito multiplicador. E ensinaram aos capitalistas brasileiros que não existe capitalismo sem crédito. Para que vocês tenham uma idéia, apenas com a modalidade de “crédito consignado”, que tem como garantia o contracheque dos trabalhadores e aposentados, chegamos a fazer girar na economia mais 100 bilhões de reais por mês. As pessoas tomam empréstimos de 50 dólares, 80 dólares para comprar roupas, material escolar, etc, e isto ajuda ativar profundamente a economia.
Minhas senhoras e meus senhores.

Os desafios enfrentados, agora, pelo mundo são muito maiores do que os enfrentados pelo Brasil. Com mudanças de prioridades e rearranjos de modelos, o governo brasileiro está conseguindo impor um novo ritmo de desenvolvimento ao nosso país. O mundo, porém, necessita de mudanças mais profundas e mais complexas. E elas ficarão ainda mais difíceis quanto mais tempo deixarmos passar e quanto mais oportunidades jogarmos fora. O encontro do clima, em Copenhague, é um exemplo disso. Ali a humanidade perdeu uma grande oportunidade de avançar, com rapidez, em defesa do meio-ambiente.

Por isso cobramos que cheguemos com o espírito desarmado, no próximo encontro, no México, e que encontremos saídas concretas para o grave problema do aquecimento global. A crise financeira também mostrou que é preciso uma mudança profunda na ordem econômica, que privilegie a produção e não a especulação. Um modelo, como todos sabem, onde o sistema financeiro esteja a serviço do setor produtivo e onde haja regulações claras para evitar riscos absurdos e excessivos.

Mas tudo isso são sintomas de uma crise mais profunda, e da necessidade de o mundo encontrar um novo caminho, livre dos velhos modelos e das velhas ideologias. É hora de re-inventarmos o mundo e suas instituições. Por que ficarmos atrelados a modelos gestados em tempos e realidades tão diversas das que vivemos? O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar. Não podemos retardar soluções que apontam para uma melhor governança mundial, onde governos e nações trabalhem em favor de toda a humanidade.

Precisamos de um novo papel para os governos. E digo que, paradoxalmente, este novo papel é o mais antigo deles: é a recuperação do papel de governar. Nós fomos eleitos para governar e temos que governar. Mas temos que governar com criatividade e justiça. E fazer isso já, antes que seja tarde. Não sou apocalíptico, nem estou anunciando o fim do mundo. Estou lançando um brado de otimismo. E dizendo que, mais que nunca, temos nossos destinos em nossas mãos. E toda vez que mãos humanas misturam sonho, criatividade, amor, coragem e justiça elas conseguem realizar a tarefa divina de construir um novo mundo e uma nova humanidade.

Muito obrigado.”

Do Blog do Luis Nassif - 29.01.10