Mostrando postagens com marcador AI-5 Digital. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador AI-5 Digital. Mostrar todas as postagens

9 de set. de 2011

Marcha contra o #GolpismoMidiático, dia 17.09, às 14 horas.


A Revista Veja, da Editora Abril, caminha longe da Ética e da democracia, não leva o jornalismo a sério e engana a população. Processo antigo que a sociedade sofre com farsa, mentira e manipulação, também de toda a grande mídia, assim denominamos como: Mídia Golpista.

Como somos indignados com esta farsa, decidimos realizar contra o #GolpismoMidiático uma Marcha que sairá do vão livre do MASP e caminhará até a Rua da Consolaçã
o para defender a verdade, a ética e a cidadania. O evento, além de reunir o movimento contra toda a Mídia Golpista, também será uma forma de exigir a regulamentação dos Meios de Comunicação. 


Na tentativa de prejudicar a atual gestão do governo (momento em que o povo brasileiro aproveita uma economia estável e crescente no mercado de trabalho, na distribuição de renda, na educação, na produção interna, investimentos estrangeiros etc), alguns organizadores, patrocinados pela mídia golpista, mobilizaram marchas (frustradas) em algumas cidades do país, no dia 7 de setembro, Dia da Independência, e sua repercussão fracassou mediante a expectativa destas mobilizações. Como escreveu Altamiro Borges o objetivo destas marchas "visam utilizar a bandeira da ética para esconder sua frustração com a derrota nas eleições presidenciais de 2010. O intento é desgastar o governo Dilma."


Portanto, divulguem e/ou participem, vamos dizer não a mentira, a farsa e a manipulação da mídia, na marcha que começará às 14 horas, no dia 17.09, sábado. Levem seus cartazes e suas bandeiras. Acessem no facebook: http://www.facebook.com/event.php?eid=141549759272677

Obs.:
Amigos, precisamos de todo apoio. Divulguem em emails, blogs, twitters. Tentaram sabotar o evento e deletaram todos os posts aqui no facebook. Se possível, quando colocarem em suas páginas ou de amigos, destaquem no topo em comentários que o evento começará às 14h, dia 17.09, pois não sabemos o motivo pelo qual o evento sai com programação automática às 18h, aqui no facebook, estamos apurando a situação. Tentam desarticular a marcha, confundindo os horários. A velha imprensa está incomodada, porque além dos trolls que aparecem aqui mascarados dizendo inverdades, para desqualificar uma luta antiga, ela ainda pretende coibir a Liberdade de Expressão pela Democracia da Comunicação.

Leiam abaixo algumas matérias (de centenas de publicações) de sites e blogs que destacamos, pois mostram uma realidade da mídia corporativa e a luta de jornalistas, professores, estudantes, cidadãos que exigem a Democracia nos Meios de Comunicação:

https://sites.google.com/site/luisnassif02/

http://futuro9.blogspot.com/2010/01/chomsky-e-as-estrategias-de-manipulacao.html

http://namarianews.blogspot.com/2010/05/editora-abril-outros-bons-negocio-com.html

http://altamiroborges.blogspot.com/2011/09/marcha-contra-corrupcao-quem-agita.html

http://www.revistaforum.com.br/blog/2011/09/08/editora-abril-e-denunciada-por-crime-de-racismo-na-bienal-do-rio/

http://pontoecontraponto.com.br/?p=6507

http://encontrosp.blogspot.com/2011/08/ato-em-brasilia-contra-o-ai5-digital.html

http://www.blogcidadania.com.br/2011/09/quem-quer-reagir-as-marchas-do-novo-ca
nsei/
http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2011/09/07/protesto-chique-em-sp-lembra-fracasso-do-cansei/

http://altamiroborges.blogspot.com/2011/09/regulacao-da-midia-nao-e-censura.html#more

http://marciabrasileira.blogspot.com/2011/08/emiliano-jose-luta-envolvendo-internet.html

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/altamiro-borges-o-globo-e-o-ato-contra-o-golpismo-midiatico.html

http://altamiroborges.blogspot.com/search/label/M%C3%ADdia

Por Márcia Brasil

27 de ago. de 2011

Repórter da revista Veja é flagrado em atividade criminosa contra mim

Do Blog do Zé Dirceu - 26-Ago-2011

Depois de abandonar todos os critérios jornalísticos, a revista Veja, por meio de um de seus repórteres, também abriu mão da legalidade e, numa prática criminosa, tentou invadir o apartamento no qual costumeiramente me hospedo em um hotel de Brasília.

23 de ago. de 2011

Emiliano José: A luta envolvendo a internet é política


por Emiliano José, na CartaCapital via Rede Castorphoto
Está em curso no Brasil uma clara luta política, envolvendo a internet.  Que ninguém se engane: é uma luta política. Há a posição dos que acreditam, como eu e vários outros deputados e deputadas, como Paulo Teixeira, Luiza Erundina, Jean Willis, Manuela D´Avila, Paulo Pimenta  e tantos outros, que primeiro é o caso de garantir a existência de um marco civil garantidor das liberdades, uma espécie de orientação básica do direito humano de acesso à internet, hoje um instrumento fundamental para o desenvolvimento da cidadania, da cultura, da educação e da própria participação política.

Blogs são fonte de informação para 28% dos brasileiros, diz pesquisa

Pesquisa CNT/Sensus sobre popularidade do governo apura pela primeira vez o peso da blogosfera como fonte de informação. Dos entrevistados, 16% dizem recorrer a blogs de notícias "sempre" e 12%, "às vezes". "Números são muito expressivos", diz analista. Quase 20% da população pretende ter acesso à internet em até 12 meses.

Os blogs de notícias são uma fonte de informação permanente para 16% dos brasileiros, cerca de 21 milhões dos 135 milhões de eleitores que estavam aptos a votar na eleição do ano passado. Outros 12% da população recorrem à blogosfera “às vezes”, o equivalente a 16 milhões de eleitores.

Os dados fazem parte de uma pesquisa periódica sobre a popularidade do governo feita pelo instituto Sensus a pedido da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). A mais recente edição foi divulgada na última terça-feira (16/08). Foi a primeira vez que o levantamento tentou descobrir os hábitos dos brasileiros na internet.

“A blogosfera tem sido crescentemente uma fonte de informação. Vinte milhões de eleitores usando a internet para se informar sempre é muita coisa”, disse à Carta Maior o diretor do instituto Sensus, Ricardo Guedes. “Eu, por exemplo, aposentei o jornal escrito.”

A pesquisa buscou apurar também a penetração das três redes sociais mais populares no Brasil, as quais funcionam de alguma forma como fonte de informações ou meio de fazê-las circularem. Entre os entrevistados, 27% declararam que têm Orkut, 15%, que têm Facebook e 8%, Twitter.

Para Ricardo Guedes, de maneira geral, os números revelam uma penetração “muito expressiva” das redes sociais.

A CNT informou, por meio da assessoria de imprensa, que a inserção deste tipo de assunto na pesquisa não teve nenhuma razão especial. Segundo Ricardo Guedes, é importante ter a dimensão do peso da blogosfera e das redes sociais porque elas cada vez mais ajudam a formar a opinião das pessoas e dos eleitores.

De acordo com a pesquisa, 25% dos brasileiros (33 milhões de eleitores) dizem usar a internet “diariamente”, enquanto 10% utilizam “alguns dias por semana”. Há ainda 19% que disseram que não tem internet nem em casa, nem no trabalho, mas que pretendem ter nos próximos 12 meses. 

Fonte: Carta Maior

5 de jun. de 2011

O interior Paulista aquece as redes sociais na blogosfera

Imagens: Marcia Brasil //  I Encontro de Blogueiros do Alto do Tiete - POA/SP
  
Ontem (04.06), em um ato inédito no Estado de São Paulo, aconteceu o I Encontro de Blogueiros do Alto do Tietê. O evento foi muito bem elaborado com transmissões ao vivo via stream e ótima infraestrutura. A estimativa para atender os inscritos superou mais de duzentas pessoas no auditório.

Segundo os organizadores, a parcela de internautas nas cidades envolvidas pelo encontro Itaquaquecetuba, Poa, Mogi das Cruzes, Ferraz de Vasconcelos e Suzano vem crescendo a cada dia. Os participantes que direcionavam perguntas aos palestrantes, como usuários de redes sociais, contaram suas habilidades na utilização de blogs, twitters, facebook e orkut. Alguns para desenvolverem projetos, outros trabalham em entidades sociais, algumas donas de casa fazem suas intervenções em defesa da saúde e da educação.


Saulo Souza (#BlogueiroSat), Eduardo Guimaraes, Partor Dornel e Paulo Henrique Amorim
 As personalidades mais esperadas do evento Eduardo Guimarães (do blog da Cidadania) e Paulo Henrique Amorim (do Conversa Afiada), na primeira parte do evento abordaram assuntos referentes a Banda Larga e Marco Regulatório nas comunicações. Enfatizaram a ideia de que os encontros fortalecem a sociedade para que tenham acesso a uma banda larga digna. E prepararam todos que assistiam ao vivo e no auditório para o II Encontro Nacional de Blogueiros que acontecerá dias 17, 18 e 19 de junho em Brasília, com a presença de Lula e do Ministro das Comunicações Paulo Bernardo.


Ivan Valente, Leandro de Jesus e Leonardo Sakamoto.

Na segunda parte do evento, no período da tarde, Sakamoto e Ivan Valente aprofundaram temas relativos as questões da educação, da reforma agrária e de cidadania, assuntos que sempre foram abordados pelas redes sociais.
Leandro criticou as empresas de internet na região do Alto do Tietê, disse que os espaços institucionais sofrem com a telefonica no acesso a banda larga, lenta e com atendimento precário.


Rodrigo (esquerda)  e Aparecido (centro)

O advogado e professor Rodrigo Sérvulo (twitter @midiacaricata ) e o jornalista Aparecido Lima  ( twitter @cidoli), organizadores do 1º encontro de Blogueiros Estadual de São Paulo, falaram da importância de eventos voltados para as redes sociais, destacaram o avanço no interior dos estados.

Aparecido lembrou fatos que a blogosfera sofreu com os trolls (pessoas que perseguem ou dirigem palavras agressivas nas redes sociais para internautas). Chamou atenção de todos sobre a responsabilidade nas redes sociais, quando é publicado algo que possa denigrir toda luta e democracia que foi reconstruida em grandes batalhas, tanto nas redes quanto nas ruas.

Rodrigo, que tambem atua como professor na rede pública estadual do estado, lamentou que com computadores para alunos e professores e acesso a internet "as escolas tem total bloqueio às redes sociais em blogs, twitters, facebook e orkut".

Ana Maria Coelho, analista de mídia do SEBRAE, apresentou algumas orientações sobre sustentação dos blogs, orientação jurídica e fincanceira, domínios e defesa de criação de sites, ainda disse que o SEBRAE tem cursos para empreendedorismo das redes sociais.

Comissão do I Encontro Estadual de Blogueiros de SP (Aparecido Lima @cidoli Nilva Souza @nilvasader Rodrigo Sérvulo @midiacaricata Marcia Brasil @serbrasileira )
Uma parte do grupo da comissão (foto acima), presente no encontro, observou a grande receptividade e um ótimo tratamento dos organizadores do encontro. O grupo sentiu a necessidade da promoção de mais encontros de blogueiros pelo estado paulista.

O encontro apresentou alguns temas já desenvolvidos em encontros ocorridos em outros estados, a abordagem dos temas são similares, com um novo olhar. Trouxe uma outra visão do que se acreditava acontecer: o interior Paulista está com toda força, não podemos subestimar o resultado das urnas eleitorais do ano passado.

"São Paulo está fervendo nas redes sociais e a tendência é que as outras cidades nos convide para abraçarmos os eventos de blogueiros" enfatizou Aparecido.

Por Marcia Brasil  (twitter @serbrasileira ) - Brasil que eu quero -  05.06.2011

22 de mar. de 2011

Blogueiros e Tuiteiros espalhem nas redes



Por Anselmo Massad - Rede Brasil Atual - 22.03.2011

São Paulo – O primeiro Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas de São Paulo tem data definida. Ocorre de 15 a 17 de abril, na Assembleia Legislativa, como etapa preparatória para o encontro nacional, previsto para Brasília, em agosto.

A programação ainda não foi confirmada, mas entre os principais temas estão a defesa do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), com garantias de direito ao acesso à internet para todos. Deputados estaduais e federais devem prestigiar o evento, além dos autores de blogues, tuiteiros e comunicadores.

Outros temas envolvem a reforma da legislação das comunicações no país, a mídia comunitária e a relação entre educação e blogosfera.

Leia mais 

40 milhões acessam blogs no Brasil

2 de mar. de 2011

As novas regras das comunicações

João Brant*  / Imagem: A Rede


Projeto do governo cria órgão regulador da radiodifusão e encara de frente a convergência tecnológica

Por Lia Ribeiro Dias-  A Rede nº66 – janeiro/fevereiro de 2011

A proposta de projeto de lei do novo marco legal das comunicações, elaborada no final do governo Lula e entregue ao novo governo, ainda não foi tornada pública oficialmente. Mas algumas pessoas e veículos de comunicação, como a newsletter TeleSíntese. Análise tiveram acesso ao texto. Nesta entrevista, o especialista em comunicação João Brant, diretor do Coletivo Intervozes, comenta o cenário das comunicações no Brasil, avalia os resultados da 1ª Conferência de Comunicações (Confecom) e, à luz de suas recomendações, faz uma leitura, ainda parcial (pois não teve acesso à cópia do projeto para estudá-lo), de seus méritos e problemas.

Como avanço, destaca a criação de um órgão regulador com abrangência sobre a radiodifusão, e a disposição de encarar a questão da convergência tecnológica, ou seja, de que um conteúdo audiovisual, por exemplo, pode ser transmitido por diferentes plataformas, da TV ao celular, passando também pelas redes de telecomunicações fixas para chegar na casa do usuário.

O projeto procura regular o espaço de cada agente econômico e valorizar o conteúdo nacional. Também trata da garantia do respeito aos direitos humanos na TV e no rádio, estabelecendo punições para violações.

Entre as omissões da proposta percebidas por Brant, a falta de garantia efetiva de espaço para as rádios comunitárias e de mecanismos mais efetivos para a participação popular nesse serviço público. Ele critica também os limites tênues impostos à propriedade cruzada, com base apenas no número de veículos de que um grupo econômico é detentor. Brant defende que o governo faça um amplo processo de consulta pública sobre o projeto de lei, para que a proposta chegue ao Congresso Nacional com um certo grau de consolidação. Ele sabe que não haverá como evitar divergências. "Mas devem ficar claras no processo de discussão", diz.


*João Brant é formado em rádio e TV pela Universidade de São Paulo, com mestrado em Regulação e Políticas de Comunicação pela London School of Economics and Political Science (LSE). É integrante da coordenadoria executiva do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e autor, junto com outros quatro pesquisadores, do livro Comunicação digital e a construção dos commons.

***  


Quais são as demandas que levam à necessidade da formulação de um novo marco regulatório das comunicações?

João Brant – Dois tipos de demanda, uma dos setores que acreditam que é preciso democratizar a comunicação, expressão tão genérica quanto pretensiosa, mas que resume um conjunto de medidas necessárias para estabelecer um sistema de comunicação que tenha uma outra cara no Brasil. Isso passa por fortalecer o sistema público de comunicação; adotar medidas de limite à propriedade que vão além das adotadas na década de 1960, que envolvam a propriedade cruzada, que envolvam a regulamentação do artigo 220 da Constituição, do artigo 221, que trata de conteúdo, especialmente regionalização e produção independente; passa pela criação de mecanismos de participação social na definição das políticas públicas do setor e garantir que a população tenha como dialogar com aquele conteúdo.

A outra, que alguns momentos se conjuga com essa, em outros não, é a dos que percebem que esse marco regulatório já não responde a um cenário de convergência, onde as disputas empresariais são grandes. O que está em jogo é a possibilidade ou não de participação de empresas de telecomunicações no mercado de TV – o que já mudou um pouco com a resolução da Anatel. De qualquer forma, é preciso estabelecer de que maneira isso pode acontecer para que o poder econômico das teles não suplante o da radiodifusão. Aí entra a disputa empresarial pela produção de conteúdo para a telefonia móvel. Outra questão é como organizar o espectro para um cenário de convergência que não estava previsto na década de 1960, é claro, mas nem mesmo na década de 1990, quando foi aprovada a Lei Geral de Telecomunicações. São duas demandas que justificam esse momento de mudança. Um pelo lado dos que reivindicam a democratização no sistema de comunicações, outro pelo lado da convergência. Alguns atores defendem a formulação de um novo marco regulatório pelos dois motivos, alguns só pelo cenário de convergência.

A primeira iniciativa, de fato, do governo Lula, para abrir o debate em torno dessas demandas, foi a realização da 1ª Confecom, em dezembro de 2009. Que leitura você faz das resoluções da conferência?


J.B. – São 630 propostas que cobrem boa parte das questões citadas, principalmente as demandas relativas à democratização. Mas respondem ainda timidamente às demandas relativas à convergência. São debates difíceis, que contemplam questões técnicas como: qual a modalidade de serviço a ser estabelecida e, a partir da definição da modalidade de serviço, a criação de limites à propriedade horizontal, vertical e cruzada, em que os serviços se entrelaçam. Para isso, a Confecom não teve resposta, e talvez nem tivesse que ter. A Confecom foi a possibilidade de a sociedade brasileira, representada em seu conjunto e na sua diversidade, trabalhar com algum grau de tempo e grau de sistematização propostas para a mudança do cenário das comunicações. Houve problemas na sistematização das conclusões, e o resultado final não é conciso, é redundante, tem imprecisões, pois havia 15 grupos discutindo propostas diferentes. Mas a maior parte das resoluções refletem pontos de vista sobre o debate das comunicações que precisam ser considerados, pois dão resposta às questões de financiamento do sistema público, ao sistema de concessões. Há respostas bem organizadas que poderiam ser transformadas em partes do projeto de lei.

Eu gostaria de voltar a um ponto relativo à primeira pergunta. Depois da redemocratização de 1985, eu diria que poucos setores não tiveram mudanças concretas. É o caso das comunicações. Até no setor agrário, de reforma agrária, houve evoluções. Continuamos com um cenário das comunicações que é reflexo não só de um marco regulatório mas da maneira como se construiu e fortaleceu nas décadas de 1960 e 1970, inclusive com o uso de estruturas públicas para fortalecer uma rede privada forte, principalmente a rede Globo, a partir do Sistema Telebrás, em um cenário de concentração. Do final da década de 1970 até 1986, quando se aprova as mudanças no sistema de concessões, com a introdução da licitação, foi um momento de entrega de concessões como troca de favor político. A estrutura, hoje, está montada assim. Tanto as geradoras quanto as retransmissoras estão na mão dos principais grupos políticos dos estados, o que cria uma relação muito ruim de promiscuidade entre poderes, entre um poder Executivo, um Legislativo e o poder das comunicações.

A equipe do governo Lula, no final do governo, formulou um projeto de lei que dá os contornos de um novo marco regulatório das comunicações. Embora o documento não tenha sido tornado público, várias pessoas tiveram acesso a versões e o Tele.Síntese Análise divulgou recentemente um resumo da proposta. Que prevê, entre outros pontos, a transferência da Ancine, que assumiria o poder de regulação de todo o conteúdo, para o Ministério das Comunicações. Com o novo marco seria fundamentado na convergência, a LGT será extinta.

O que você acha dessa nova formulação?


J.B. – É difícil falar sobre algo que não se conhece em detalhes. Feita essa ressalva, o projeto tem méritos e problemas. Entre os méritos, está o de tentar responder aos desafios do cenário de convergência com a modelação dos serviços; o controle da verticalização do mercado, limitando a atuação das empresas a determinados segmentos de atividades; a distribuição de conteúdos pelas diferentes plataformas, não limitando o vídeo a uma delas. Parece que o projeto enfrenta o que tem de enfrentar no que se refere à convergência.

Em segundo, cria um órgão regulador (a Agência Nacional de Comunicação, que absorverá as funções da Ancine, a não ser a de fomento, que fica com o Ministério da Cultura), com abrangência sobre a radiodifusão. Hoje, a radiodifusão está por conta do Ministério das Comunicações, onde o que ocorre é a fiscalização técnica, uma vez que não há um sistema de regulação, nem critérios de regulação estabelecidos. Esse é um mérito, pois precisamos dar um passo em relação a essa tema.

O terceiro ponto é a disposição de enfrentar questões delicadas de conteúdo. Nós vivemos em um país onde uma instituição como o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade move, há seis anos, um processo contra a rede Record pelo direito de resposta por discriminação a religiões de matriz africana e não consegue. O processo já foi parar no Superior Tribunal de Justiça. O direito de resposta deveria ser um direito sumário. Temos um sistema de comunicações que ainda viola os direitos humanos em nome da liberdade de expressão, o que não tem respaldo nem nas convenções internacionais. Então, o projeto, ao enfrentar essa questão do respeito aos direitos humanos, e de como as violações pelos meios de comunicação devem ser tratadas, traz um avanço.

Em que pontos o projeto de lei é deficiente?


J.B. – Ainda não entendemos como vai ser tratada a questão da propriedade cruzada. A ideia de tratar limite de propriedade a partir simplesmente da quantidade de veículos nas mãos do mesmo grupo empresarial é ultrapassada, não é adotada em lugar nenhum do mundo. A regulação sobre propriedade cruzada na União Europeia é genérica, mas os países têm legislações mais específicas. Tanto Inglaterra quanto França cruzam, no mínimo, a quantidade de concessões com o market share de cada veículo. Outro dado que as legislações usam é o volume publicitário. Além disso, há que se pensar nas empresas coligadas. Então, a regulação de propriedade cruzada tem de levar em conta dois componentes: um econômico (que vale para qualquer setor do mercado) e outro de democracia. É importante lembrar que um país liberal como os Estados Unidos, mesmo após as revisões, mantém uma legislação rigorosa, para o nosso cenário, sobre a propriedade cruzada.

Outra questão que não consigo perceber é onde entram as rádios comunitárias nesse projeto e de que forma entram. A Argentina e o Uruguai aprovaram legislações recentes em que reservam 1/3 do espectro para entidades sem fins de lucro. Esses países não têm essa definição de estatal, público e privado, mas de sem fins de lucro, onde cabem as privadas sem fins de lucro. Nós precisamos mudar o conceito. Hoje, as rádios comunitárias no Brasil têm um grau de marginalização inaceitável. A ideia de dar a mesma frequência para dois ou três me parece manter a mesma estrutura, um erro.

O terceiro ponto que nos parece ausente se refere à participação social. Ainda com a ressalva de que não tivemos acesso direto à última versão, parece que há pouca preocupação com a dinâmica de participação da população em um serviço público de comunicação. Estou falando principalmente das questões de conteúdo, mas também de direito do consumidor. Se no caso das telecomunicações, onde o direito do consumidor é previsto, há fragilidade, no caso da radiodifusão, não são nem previstos.

Por último, outro ponto ausente, embora talvez seja ousado pensar nisso, é um tipo de regulação de conteúdo que enfrente discussões do tipo de objetividade e imparcialidade. A Inglaterra resolve isso com alguns conceitos bem interessantes que eles chamam de due imparciality, de trabalhar a multiplicidade de fontes na cobertura jornalística. Coisas que são chaves. Se se entende meios de comunicação como chaves para a democracia, do ponto de vista de circulação de ideais e valores, é preciso garantir que a acessibilidade não se dê só pela propriedade mas também pela maneira como esse conteúdo é exibido. Tem-se que criar regras de conteúdo, mesmo que não sejam a priori, mas é preciso ter essa referência. Hoje, na legislação brasileira, não há limite ao uso político dos meios de comunicação, a não ser nos três meses do período eleitoral.

Há ainda mais uma questão. Como lidar com o conteúdo religioso? Este é um espinho. A cultura brasileira se mistura com a religiosidade, mas é preciso pensar em quanto a religiosidade não é uma manifestação privada que está usando um espaço público – ainda mais quando relacionada a arrendamento de espaço televisivo, o que é indefensável, e quando está relacionada a ocupação em massa desse espaço público, que é a concessão. Quando se tem o Canal 21, do pastor Waldomiro, transmitindo 22 horas por dia programas religiosos nos parece preocupante, independentemente de qual seja a religião. O governo Lula tentou acelerar a produção do projeto de lei no segundo semestre do ano passado para que ficasse pronto até dezembro. As primeiras declarações do governo Dilma sobre o encaminhamento do tema são cautelosas.

Do ponto de vista do movimento social, qual deveria ser a agenda?


J.B. – No ano passado, houve demora no tratamento da questão, o que impediu que o processo de consulta pública fosse disparado ainda no governo Lula. Nossa avaliação é de que o governo Dilma precisa estar disposto a enfrentar o tema, não dá para trabalhar com o grau de incerteza e insegurança que o atual marco provoca no que diz respeito à convergência. Mostra uma falta de planejamento para o setor. Essa questão não pode ser adiada. Não dá para achar que se vai criar as melhores condições para depois fazer o debate, essas condições têm de ser criadas na dinâmica do processo.

É importante que o projeto de lei seja burilado pelo atual governo, que haja um grupo responsável no Ministério das Comunicações, que seja apresentado como projeto de governo e que vá a consulta pública. A consulta tem que ser extensa o suficiente para provocar debates em todo o Brasil, o governo tem de estar disposto a provocar esse debate. Não pode ser um consulta pública tímida, que o governo põe para se livrar do problema, e deixa lá 45 dias mais 45 dias. Tem de ser algo em que de fato o governo se proponha a mediar o debate público sobre o marco do setor de telecomunicações e a defender os pontos de vista contidos no projeto.

Essas consultas públicas poderão gerar a movimentação e o caldo necessário para que o projeto chegue ao Congresso com um certo grau de consolidação – ou até de polarização, mas de uma polarização já clara. O que o governo não pode é trabalhar com a ideia de criar consensos antes de lançar a consulta pública. Nossa visão é de que nesse setor não há como criar consensos. É claro que é possível aproximar posições, trabalhar com tensões, mas trata-se de um tema que tem de ser trabalhado sem a ditadura do consenso para não se chegar, ao final, a um projeto insosso, que não diz nada. Tem que fazer apostas e tornar o projeto coerente com essas apostas.

***


As propostas do projeto de lei
As mudanças que constam do texto apresentado são bastante abrangentes. Confira, abaixo, as principais propostas.

Agências reguladoras

 ** A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) permanece com sua atual estrutura e a Agência Nacional de Cinema (Ancine) é transferida do Ministério da Cultura (que ficará apenas com a parte de fomento à produção audiovisual) para o Ministério das Comunicações, passando a se chamar Agência Nacional de Comunicação (ANC).
** A ANC vai regular a produção e a programação de conteúdo audiovisual e sonoro. Terá novas atribuições, como a classificação da programação de TV, hoje vinculada ao Ministério da Justiça; e a regulação do mercado publicitário de medicamentos (hoje a cargo da Agência de Vigilância Sanitária, Anvisa).
** Não poderá haver controle prévio de conteúdo.

Licenciamento das emissoras de radiodifusão 

** Fica mantida a atual estrutura de licenciamento. As outorgas continuam submetidas ao Ministério das Comunicações e à aprovação pelo Congresso Nacional.
** Os métodos de fiscalização e de prestação de contas serão os utilizados no segmento de telecomunicações. Para isso, o projeto propõe contrato de concessão para as empresas de mídia audiovisual, maior regulação para as que detêm poder de mercado (as que são dominantes); multas e obrigações para as emissoras subordinadas a essa regulação.

** A fiscalização será feita pela ANC.
** As determinações não se aplicam à mídia impressa.
** A proposta veda a qualquer pessoa com mandato eletivo (políticos de todos os níveis, de vereadores a presidente da República) manter-se como proprietário, diretor ou representante de emissoras de rádio e TV.

Unificação dos serviços 

** São criados três grupos de serviços: Serviço de Comunicação Social, Serviço de Comunicação Eletrônica e  Serviço de Sociedade em Rede. Essas categorias passam a englobar os serviços de radiodifusão, de telecomunicações e de valor adicionado.
** O Serviço de Comunicação Social abrange a radiodifusão aberta e a TV paga, que deixa o âmbito das telecomunicações. É dividido em serviço audiovisual e sonoro linear e aberto (rádio e TV), linear e fechado (TV paga) e não linear (vídeo sob demanda).
** O Serviço de Comunicação Eletrônica abrange os serviços de telecomunicações (à exceção da TV paga), como a telefonia fixa, a celular, a comunicação de dados e a banda larga.
** O Serviço de Sociedade em Rede vai substituir os atuais serviços de valor adicionado, aqueles ligados à internet. O objetivo não é regular a internet, mas a criação dessa categoria de serviços abre a porta para a intervenção futura  em serviços como operações bancárias pela internet e redes sociais que se transformem em redes de comunicação de massa.

19 de jan. de 2011

Campus Party 2011 premiará estudantes e profissionais


Dois desafios tecnológicos serão lançados aos campuseiros na edição 2011 do Campus Party.  Um deles é o desenvolvimento de plataforma de educação financeira para TV Digital com base em software livre e outro premiará as três melhores reportagens jornalísticas para  a  Revista  Digital BB Campus Party. O encontro começou no dia 18 de janeiro e vai  até  o dia 23  de  janeiro no Centro de  Exposições Imigrantes  em  São  Paulo  (SP). 
O prêmio para a solução em educação financeira é um pacote com acompanhante para assistir aos jogos finais do Campeonato Mundial de Vôlei de Praia, que ocorrerá em Roma, Itália, de 24 a 26 de junho deste ano.  Já os autores das três melhores reportagens ganharão um pacote para acompanhar uma etapa do Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia. O resultado será divulgado no sábado (22), no estande do Banco do Brasil, no Campus Party Brasil 2011.
O Campus Party é o maior encontro nacional de tecnologia, cultura  digital  e  entretenimento  em  rede,  que   reúne  durante  uma  semana  estudantes,  jornalistas, empresários,  cientistas,   pesquisadores,   programadores   e   internautas  de vários países. O evento foi criado na Espanha. A primeira edição foi em 2002 e passou a ser realizado no Brasil desde 2007.

Por Secom - 18.01.2011 

---------------------------------------------------------------------------------
Acompanhe

15 de jan. de 2011

Rádios Comunitárias terão departamento próprio no Ministério das Comunicações

Imagem: Abraço Nacional

Por Zé Augusto - Os amigos do presidente Lula - 15.01.2010

O Ministério das Comunicações vai criar um departamento para atender as rádios comunitárias.

"A presidente Dilma Rousseff recomendou que esse tema fosse tratado com muito carinho", disse o ministro Paulo Bernardo, em entrevista a TV Brasil.

A decisão atende a resolução aprovada na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).

As rádios comunitárias sempre queixaram-se da morosidade do ministério para aprovar emissoras.

Marco regulatório das Comunicações e Banda Larga

Para quem perdeu o programa 3 a 1 da TV Brasil com a entrevista do Ministro, segue a íntegra, onde ele fala sobre temas com o Marco regulatório das Comunicações e Banda Larga:




13 de jan. de 2011

Desprivatizar a comunicação

Em debate, Comparato e Amorim destacam responsabilidade do governo Dilma para fazer a democracia avançar; IPEA lança estudo sobre setor. Escrito por: Luiz Carvalho


Amorim, Comparato e Pochmann (esq para dir) drate o encontro
A mídia no Brasil é ainda mais concentrada do que nos Estados Unidos. Enquanto lá são cinco grandes conglomerados que monopolizam a produção e o acesso à informação, aqui, são quatro, lembrou o jurista Fábio Konder Comparato durante participação em um debate no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo. Sob organização do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, o evento aconteceu na noite dessa terça-feira (11) e contou também com o jornalista Paulo Henrique Amorim e com o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA), responsável por apresentar a pesquisa “Panorama da comunicação e das telecomunicações”.
Durante a intervenção, Comparato ressaltou que apesar da Constituição brasileira proibir o monopólio e o oligopólio, apenas a Rede Globo é dona de 442 empresas no setor. “Precisamos desprivatizar a comunicação social porque a comunicação social autêntica se desenvolve em espaço público, do povo”, destacou.
Ganhar consciências – Segundo ele, as emissoras de rádio e TV, por serem concessões públicas, devem atuar sem fins lucrativos e precisam ter finalidade educativa, promover a cultura regional e respeitar os valores éticos, sob pena de cassação da licença. Para os jornais e revistas, propriedades privadas, deve haver uma lei capaz de ampliar o direito de resposta e impedir o monopólio.
Para regulamentar ambos os casos, há uma Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO), ajuizada pelo jurista em novembro do ano passado, e aguardando a manifestação da Procuradoria-Geral da República, do Congresso Nacional e da Advocacia-Geral da União (AGU). O documento trata da regulamentação de matérias presentes nos artigos 220, 221 e 223 da Constituição. Todos são referentes à comunicação e discorrem sobre a proibição de monopólio e oligopólio, versam sobre a programação e criam uma lei específica referente ao direito de resposta, pendente desde que o Superior Tribuna Federal (STF) revogou a Lei de Imprensa, em 2009.
“O objetivo das ações não é a vitória imediata, até porque sabemos que o Supremo e Procuradoria farão de tudo para empurrar com a barriga. Trata-se de ganhar a consciência pública, tornar essa discussão algo permanente na agenda política”, comentou Comparato.
Dilma e o Congresso – Perante esse embate, Paulo Henrique Amorim ressaltou a necessidade da sociedade pressionar para que os advogados da AGU acatem as ADOs e permitam o início do debate sobre uma Lei de Meios no atual governo. “Esperamos que a União não traia nossas expectativas e de quem votou em Dilma”, comentou.
O jornalista aproveitou para ler um texto publicado em seu blog comanda, o Conversa Afiada, em que critica a postura do Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. No artigo, Amorim afirma que Bernardo era o “primeiro Ministro das Comunicações desde o fim do regime militar que não tratava a Globo com mel”. Indica que “ele peitou as teles ao afirmar que faria a banda larga a R$ 30, até que se viu diante da Globo. E, aí, ele piscou. O repórter Samuel Possebon, da respeitada Teletime, revelou que Bernardo não considera um marco regulatório, ou Ley de Medios, ou como enquadrar a Globo prioritário”, publicou.
Amorim diferençou a liberdade de expressão da liberdade de imprensa: “liberdade de Imprensa nessa democracia do Ministro Bernardo é a liberdade dos filhos do Roberto Marinho. Liberdade de imprensa o Cerra (sic) tem. Liberdade de Expressão não têm os trabalhadores, os nordestinos, os homossexuais, os cadeirantes, os beneficiários do Bolsa Familia, quando os “colonistas” do PiG e da Globo os desmerecem. Liberdade de expressão foi o que faltou à Dilma, no Jornal Nacional, para responder à campanha do aborto que a Blá-blá Marina e o Cerra lançaram contra ela”, acrescenta.
Por fim, o jornalista aproveita para comentar a afirmação de Paulo Bernardo de que a prioridade é democratizar a banda larga. “Tecnologia não é o trem, é o trilho, é o meio, e por si só não é sinônimo de democracia. Eu quero banda larga universal, mas com liberdade de expressão. Se dentro do vagão vier a ditadura eu não aceito”, disse.
Fortalecer a democracia
Ao lançar os três livros que resultaram da pesquisa “Panorama da Comunicação e das Telecomunicações no Brasil”, Márcio Pochmann citou também que o IPEA pretende trabalhar na construção de um Observatório da Comunicação para acompanhar a relação do setor com a necessidade de avançar no processo democrático. “Infelizmente, não somos um país de tradição democrática. Temos 500 anos de história e apenas 25 de democracia, muito mais representativa do que prática”, avalia.
Especificamente sobre a obra, o professor destaca que a ideia foi organizar um inventário sobre as telecomunicações e a comunicação no Brasil. “Nós tínhamos estudos, mas se encontravam fragmentados e desarticulados. Essa obra apresenta uma radiografia do setor, começando pelas atividades econômicas, olhando esse segmento dentro da perspectiva do desenvolvimento nacional, com informações detalhadas sobre a forma de organização empresarial, recursos humanos e processo de formação de quadro.”
Clique para ler as partes um, dois e três da pesquisa.
Jornalista atuante
O presidente do sindicato dos jornalistas, José Augusto Camargo, o Guto, encerrou o ato, afirmando a necessidade de que os jornalistas sejam agentes mais atuantes do que estão sendo na disputa pela definição de um novo marco regulatório para as comunicações. “Mais do que ninguém, somos nós que conhecemos as entranhas dessa indústria”.
A seguir ele leu uma carta que será encaminha ao Ministério das Comunicações com eixos definidos como prioritários pelos trabalhadores para promover a livre circulação de ideias.
De acordo com o documento, é necessário um marco regulatório que garanta e incentive a pluralidade das vozes e a competitividade justa entre empresas; a integração latino americana também no campo da comunicação uma vez que vários países do continente irão partilhar do mesmo sistema de TV digital; a inclusão digital de milhões de brasileiros privados hoje desse bem por milhões de operadores que negligenciam o seu papel social; normas para funcionamento de imprensa que permita o direito de resposta aos ofendidos e promova a liberdade de expressão; regras impessoais e republicanas para renovação de outorgas. Ao final, o texto em breve disponível no site da entidade para adesão dos interessados, pede ao Ministério da Comunicação que submeta o anteprojeto de lei de comunicação eletrônica a consulta pública e solicita ao Executivo enviar o resultado desse trabalho ao Congresso Nacional.

Fonte: CUT

Por Daniel Pearl - Blog da Dilma - 12.01.2011 

20 de dez. de 2010

Noam Chomsky: 10 estratégias de manipulação midiática

Noam Chomsky *

Por Noam Chomsky - 15.12.2010
 
1. A estratégia da distração.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).

18 de dez. de 2010

PORQUE MICHAEL MOORE CONTRIBUI COM DINHEIRO PARA ASSANGE

Michael Moore paga fiança de Assange, dono do Wikileaks - 15.12.2010

Julian Assange e Michael Moore

Artigo do cineasta estadunidense Michael Moore, intitulado “Porque estou dando dinheiro para pagar fiança de Julian Assange”. 

O texto foi traduzido Miguel Leite, do blog “Te bloga!”:

Ontem, no Tribunal de Magistrados de Westminster, em Londres, os advogados de Julian Assange, co-fundador da WikiLeaks, apresentaram ao juiz um documento informando que eu paguei 20.000 dólares de meu próprio dinheiro para ajudar a resgatar Assange da cadeia.
Além disso, estou oferecendo publicamente o apoio do meu site, meus servidores, meus nomes de domínio e qualquer outra coisa que possa fazer para manter viva e próspera a WikiLeaks enquanto continuar seu trabalho para expor os crimes que eram preparados em segredo e realizados em nosso nome (cidadãos americanos) e com dinheiro de nossos impostos.
Fomos levados à guerra do Iraque por uma mentira. Centenas de milhares estão mortos. Imaginem se os homens que planejaram esse crime de guerra em 2002 tivessem um WikiLeaks para lidar com eles. Eles poderiam não ter sido capazes de consumá-lo. A única razão que os levava a pensar que poderiam fugir da verdade era porque tinham um manto de sigilo garantido. Esse manto foi rasgado, e eu espero que eles nunca sejam capazes de operar em segredo novamente.
Então, porque WikiLeaks, após a realização de um serviço público tão importante, sob tal ataque vicioso? Porque eles têm denunciado e envergonhado aqueles que encobriram a verdade. O ataque que têm sofrido vem do topo:
* Senador Joe Lieberman diz que WikiLeaks “violou a Lei da Espionagem”.
* George, da The New Yorker Packer, Assange chamadas “super-espião, de pele fina, [e] megalomaníaco.”
* Sarah Palin diz ser “um agente anti-americano com sangue nas mãos” a quem devemos perseguir “com a mesma urgência com que buscamos a Al Qaeda e líderes do Taliban”.
* Democrata Bob Beckel (gerente de campanha de Walter Mondale em 1984) disse sobre Assange na Fox: “Um homem morto não pode vazar coisas … só há uma maneira de fazê-lo:. Ilegalmente atirar no filho da puta”.
* Mary Matalin, republicano, diz que “ele é um psicopata, um sociopata … Ele é um terrorista”.
* Rep. Peter A. King chama WikiLeaks uma “organização terrorista”.
E de fato eles são! Eles existem para aterrorizar os mentirosos e belicistas que trouxeram a ruína de nossa nação e para os outros. Talvez a próxima guerra não seja tão fácil, porque as regras foram mudadas – e agora é Big Brother que está sendo vigiado… por nós!
WikiLeaks merece os nossos agradecimentos e que se jogue luz sobre tudo isso. Mas alguns na imprensa hegemônica têm rejeitado a importância do WikiLeaks (“eles já lançaram pouco que há de novo!”). Ou os está pintando como simples anarquistas (“WikiLeaks libera tudo, sem qualquer controle editorial!”).
WikiLeaks existe, em parte, porque a grande mídia não conseguiu fazer jus à sua responsabilidade. Os donos das empresas têm dizimado redações, tornando impossível para bons jornalistas fazerem seu trabalho. Não há mais tempo ou dinheiro para o jornalismo investigativo. Simplificando, os investidores não querem essas histórias expostas. Eles gostam de seus segredos… como segredos.
Peço-lhe para imaginar o quanto o nosso mundo diferente seria se WikiLeaks existisse a 10 anos atrás. Dê uma olhada na foto. Este é o Sr. Bush prestes a receber um documento “secreto” em 6 de agosto de 2001. Seu título dizia: “Bin Laden determinado em atacar nos EUA”. E nessas páginas disse que o FBI descobriu “os padrões de atividade suspeita neste país em conformidade com os preparativos para atentados.” Bush decidiu ignorá-la e foi pescar pelas próximas quatro semanas.
Mas se esse documento houvesse vazado, como você ou eu teríamos reagido? O que o Congresso ou as FAA teriam feito? Não seria uma grande chance de que alguém, em algum lugar tivesse feito alguma coisa, se todos nós soubéssemos sobre Bin Laden, ataque iminente, usando aviões sequestrados?
Mas as pessoas na época tinham pouco acesso a esse documento. Porque o segredo foi mantido, um instrutor da escola de voo em San Diego, que percebeu que dois alunos da Arábia tinham interesse em decolagens ou pousos, não fez nada. Se ele tivesse lido sobre a ameaça de Bin Laden, ele poderia ter chamado o FBI? (Por favor, leia este ensaio pelo ex-agente do FBI Coleen Rowley, 2002 Time co-Person of the Year, sobre sua crença de que com WikiLeaks 2001, 11/09 poderia ter sido evitado.)
Ou se o público, em 2003, tivesse lido o “segredo” dos memorandos de Dick Cheney e de como ele pressionou a CIA a dar-lhe os “fatos” que ele queria, a fim de construir o seu caso falso para a guerra? Se WikiLeaks houvesse revelado na época que não havia, de fato, nenhuma arma de destruição em massa, você acha que a guerra teria sido lançada – ou melhor, não teria havido apelos para detenção de Cheney?
A abertura, transparência – estas estão entre as poucas armas dos cidadãos para se protegerem dos poderosos e dos corruptos. E se dentro poucos dias depois de 04 de agosto de 1964 – após o Pentágono mentir que nosso navio foi atacado pelos norte-vietnamitas no Golfo de Tonkin – tivesse havido um WikiLeaks para dizer ao povo americano que a coisa toda era armação? Eu acho que 58 mil dos nossos soldados (e 2 milhões de vietnamitas) poderiam estar vivos hoje.
Em vez disso, segredos mataram.
Para aqueles de vocês que pensam que é errado apoiar Julian Assange devido às alegações de abuso sexual, tudo que eu peço é que você não sejam ingênuos sobre como o governo funciona quando ele decide ir atrás de suas presas. Por favor – nunca, jamais, acreditem na “história oficial”. E, independentemente de culpa ou inocência Assange, este homem tem o direito de ter paga fiança e se defender. Eu me juntei com os cineastas Ken Loach e John Pilger e escritor Jemima Khan para pagar o dinheiro da fiança – e esperamos que o juiz aceite isso e se pronuncie hoje.
Poderia WikiLeaks causar alguns danos não intencionais às negociações diplomáticas e os interesses dos EUA no mundo? Talvez. Mas esse é o preço que você paga quando você e o seu governo nos leva a uma guerra baseada numa mentira. Sua punição por mau comportamento é que alguém acenda todas as luzes da sala para que possamos ver o que você e ele estão fazendo. Você simplesmente não pode ser confiável. Então, cada transmissão, cada e-mail que você escreve agora é o jogo aberto. Desculpe, mas vocês pediram isto para si mesmos. Ninguém pode esconder a verdade agora. Ninguém pode traçar o próximo Big Lie (grande mentira) se eles sabem que podem ficar expostos.
E essa é a melhor coisa que o site fez. WikiLeaks, Deus os abençoe, vai salvar vidas, como resultado de suas ações. E qualquer um de vocês que me acompanhem ao apoiá-los estarão cometendo um verdadeiro ato de patriotismo.
Eu estou hoje em solidariedade a Julian Assange em Londres, pedindo ao juiz que conceda a sua libertação. Estou disposto a garantir o seu regresso o dinheiro da fiança determinado pela corte. Eu não permitirei que esta injustiça possa continuar incontestada.
P.S. Você pode ler a declaração que apresentou hoje no tribunal de Londres aqui.
P.P.S. Se você está lendo isso em Londres, por favor, vá apoiar Julian Assange e WikiLeaks em uma demonstração em um PM hoje, terça-feira dia 14, em frente ao tribunal de Westminster.

Do Te Bloga - 15.12.2010

5 de dez. de 2010

Presidente Lula: "Deixo um Brasil que em breve será a 5ª maior economia do mundo"


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que em 1º de janeiro de 2011 entregará a sua sucessora, Dilma Rousseff, um Brasil preparado para se transformar na quinta maior economia do mundo.
"O Brasil que entregaremos a Dilma (Rousseff) tem a perspectiva de se transformar nos próximos seis anos na quinta maior economia mundial", afirmou Lula em entrevista coletiva que concedeu hoje a correspondentes estrangeiros e na qual fez um balanço de seus oito anos de Governo.
"A 28 dias do final do meu mandato posso dizer que estou satisfeito com o conseguido. Não resolvemos todos os problemas do Brasil, mas demos passos importantes para solucionar coisas que pareciam insolúveis", acrescentou Lula, que deixa o cargo com uma popularidade recorde e após ter garantido a eleição de Dilma, candidata que era desconhecida e que escolheu a dedo para sucedê-lo.
Em um tom bastante eufórico, Lula repassou suas conquistas sociais, como os 15 milhões de empregos formais gerados em oito anos e os 30 milhões de brasileiros que ascenderam da classe baixa para a média, para poder enfatizar as condições que fazem do Brasil uma potência econômica.
"Vivemos um momento mágico que não é passageiro. Na minha opinião vai ter uma duração de médio a longo prazo", afirmou o presidente ao se referir ao atual crescimento da economia brasileira, que pode chegar a 7,5% em 2010 e manter o impulso nos próximos anos.
Lula afirmou que três das maiores hidroelétricas em construção atualmente no mundo estão em obras no Brasil e poderão acrescentar ao país um potencial de geração adicional de 18 mil megawatts.
Disse igualmente que três das maiores ferrovias em construção no mundo também estão em obras no Brasil, assim como quatro das maiores refinarias de petróleo do planeta.
"O maior investimento na indústria petrolífera hoje no mundo é a feita pelo Brasil. São US$ 224 bilhões em investimentos até 2014", disse.
"São dados que garantem que Dilma vai assumir o Brasil andando a 120 km/h. Não estará com o carro parado no estacionamento e com a bateria arriada", disse.
"Ela pode acelerar um pouco e chegar até 140 km/h ou pode manter a atual velocidade. O que não pode acontecer é sair da rota", acrescentou.
Ele assegurou que, além da economia, até as bem-sucedidas operações realizadas na semana passada para expulsar os traficantes de drogas que controlavam várias favelas do Rio de Janeiro ajudaram a melhorar a imagem do país.
"Antes apenas se falava do Brasil quando havia uma Copa do Mundo ou quando chegava o Carnaval. Agora se fala sempre do Brasil, de sua economia e de seu papel no mundo", disse.
"Não fizemos tudo o que queríamos, mas fizemos mais que em qualquer momento no país. Não existe comparação com outros governantes e quero que Dilma faça mais", assegurou.
Lula disse que sua maior decepção foi não ter conseguido aprovar alguns marcos reguladores necessários para permitir que o Brasil, que tem uma "poderosa máquina de fiscalização", também possa contar com uma "poderosa máquina de execução".
Ele admitiu que enviou duas propostas de reforma tributária ao Congresso após havê-las discutido e pactuado com os governadores regionais, os empresários e os trabalhadores, mas que um "inimigo oculto" impediu sua aprovação no Congresso.
Disse igualmente que apresentou uma proposta de reforma política que foi arquivada no Congresso pelas divergências entre os partidos mas que pretende, quando deixar a Presidência, se esforçar como militante político para que o Parlamento aprove uma necessária reforma nos sistemas político e eleitoral do país.
O presidente afirmou que deixa o Governo satisfeito porque conseguiu provar que qualquer brasileiro, inclusive um trabalhador de origem pobre e sem educação superior, pode governar o Brasil.
"Tinha que provar que um operário saído de uma fábrica pode governar porque caso contrário nenhum trabalhador voltaria a ser presidente do Brasil", assinalou.
Lula acrescentou que, por enquanto, não tem planos para o futuro e que apenas pensa em "desencarnar" da Presidência para poder ser "o Lula de antes" e "voltar a fazer política sem falar como se ainda estivesse na Presidência".

Com informações da agência EFE 

Do Aldeia Gaulesa - 02.12.2010