Mostrando postagens com marcador Azeredo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Azeredo. Mostrar todas as postagens

6 de jun. de 2012

Mensalão mineiro.


De acordo com o STF, está confirmado na pauta da sessão plenária desta quarta-feira (6)

Do Lei dos Homens – Gilbson Alencar 
 
De acordo com informações do Supremo Tribunal Federal (STF), está confirmado na pauta da sessão plenária desta quarta-feira, 6, o agravo regimental na Petição 3067 que pretende levar para a suprema Corte o julgamento do chamado mensalão mineiro.

23 de ago. de 2011

Emiliano José: A luta envolvendo a internet é política


por Emiliano José, na CartaCapital via Rede Castorphoto
Está em curso no Brasil uma clara luta política, envolvendo a internet.  Que ninguém se engane: é uma luta política. Há a posição dos que acreditam, como eu e vários outros deputados e deputadas, como Paulo Teixeira, Luiza Erundina, Jean Willis, Manuela D´Avila, Paulo Pimenta  e tantos outros, que primeiro é o caso de garantir a existência de um marco civil garantidor das liberdades, uma espécie de orientação básica do direito humano de acesso à internet, hoje um instrumento fundamental para o desenvolvimento da cidadania, da cultura, da educação e da própria participação política.

9 de ago. de 2010

Jorge Furtado: as falsas razões contra Dilma


















Esse é só o mais conhecido deles

Dez falsos motivos para não votar em Dilma Rousseff

Do blog Vi o Mundo

Por Jorge Furtado

Tenho alguns amigos que não pretendem votar na Dilma, um ou outro até diz que vai votar no Serra. Espero que sigam sendo meus amigos. Política, como ensina André Comte-Sponville, supõe conflitos: “A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir”.

Leio diariamente o noticiário político e ainda não encontrei bons argumentos para votar no Serra, uma candidatura que cada vez mais assume seu caráter conservador. Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista, a comparação chega a ser enfadonha, vai lá para o pé da página, quem quiser que leia. (1)

Ouvi alguns argumentos razoáveis para votar em Marina, como incluir a sustentabilidade na agenda do desenvolvimento. Marina foi ministra do Lula por sete anos e parece ser uma boa pessoa, uma batalhadora das causas ambientalistas. Tem, no entanto (na minha opinião) o inconveniente de fazer parte de uma igreja bastante rígida, o que me faz temer sobre a capacidade que teria um eventual governo comandado por ela de avançar em questões fundamentais como os direitos dos homossexuais, a descriminalização do aborto ou as pesquisas envolvendo as células tronco.

Ouço e leio alguns argumentos para não votar em Dilma, argumentos que me parecem inconsistentes, distorcidos, precários ou simplesmente falsos. Passo a analisar os dez mais freqüentes.

1. “Alternância no poder é bom”.

Falso. O sentido da democracia não é a alternância no poder e sim a escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Ninguém pode defender seriamente a idéia de que seria boa a alternância entre a recessão e o desenvolvimento, entre o desemprego e a geração de empregos, entre o arrocho salarial e o aumento do poder aquisitivo da população, entre a distribuição e a concentração da riqueza. Se a alternância no poder fosse um valor em si não precisaria haver eleição e muito menos deveria haver a possibilidade de reeleição.

2. “Não há mais diferença entre direita e esquerda”.

Falso. Esquerda e direita são posições relativas, não absolutas. A esquerda é, desde a sua origem, a posição política que tem por objetivo a diminuição das desigualdades sociais, a distribuição da riqueza, a inserção social dos desfavorecidos. As conquistas necessárias para se atingir estes objetivos mudam com o tempo. Hoje, ser de esquerda significa defender o fortalecimento do estado como garantidor do bem-estar social, regulador do mercado, promotor do desenvolvimento e da distribuição de riqueza, tudo isso numa sociedade democrática com plena liberdade de expressão e ampla defesa das minorias. O complexo (e confuso) sistema político brasileiro exige que os vários partidos se reúnam em coligações que lhes garantam maioria parlamentar, sem a qual o país se torna ingovernável. A candidatura de Dilma tem o apoio de políticos que jamais poderiam ser chamados de “esquerdistas”, como Sarney, Collor ou Renan Calheiros, lideranças regionais que se abrigam principalmente no PMDB, partido de espectro ideológico muito amplo. José Serra tem o apoio majoritário da direita e da extrema-direita reunida no DEM (2), da “direita” do PMDB, além do PTB, PPS e outros pequenos partidos de direita: Roberto Jefferson, Jorge Borhausen, ACM Netto, Orestes Quércia, Heráclito Fortes, Roberto Freire, Demóstenes Torres, Álvaro Dias, Arthur Virgílio, Agripino Maia, Joaquim Roriz, Marconi Pirilo, Ronaldo Caiado, Katia Abreu, André Pucinelli, são todos de direita e todos serristas, isso para não falar no folclórico Índio da Costa, vice de Serra. Comparado com Agripino Maia ou Jorge Borhausen, José Sarney é Che Guevara.

3. “Dilma não é simpática”.

Argumento precário e totalmente subjetivo. Precário porque a simpatia não é, ou não deveria ser, um atributo fundamental para o bom governante. Subjetivo, porque o quesito “simpatia” depende totalmente do gosto do freguês. Na minha opinião, por exemplo, é difícil encontrar alguém na vida pública que seja mais antipático que José Serra, embora ele talvez tenha sido um bom governante de seu estado. Sua arrogância com quem lhe faz críticas, seu destempero e prepotência com jornalistas, especialmente com as mulheres, chega a ser revoltante.

4. “Dilma não tem experiência”.

Argumento inconsistente. Dilma foi secretária de estado, foi ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, fez parte do conselho da Petrobras, gerenciou com eficiência os gigantescos investimentos do PAC, dos programas de habitação popular e eletrificação rural. Dilma tem muito mais experiência administrativa, por exemplo, do que tinha o Lula, que só tinha sido parlamentar, nunca tinha administrado um orçamento, e está fazendo um bom governo.

5. “Dilma foi terrorista”.

Argumento em parte falso, em parte distorcido. Falso, porque não há qualquer prova de que Dilma tenha tomado parte de ações “terroristas”. Distorcido, porque é fato que Dilma fez parte de grupos de resistência à ditadura militar, do que deve se orgulhar, e que este grupo praticou ações armadas, o que pode (ou não) ser condenável. José Serra também fez parte de um grupo de resistência à ditadura, a AP (Ação Popular), que também praticou ações armadas, das quais Serra não tomou parte. Muitos jovens que participaram de grupos de resistência à ditadura hoje participam da vida democrática como candidatos. Alguns, como Fernando Gabeira, participaram ativamente de seqüestros, assaltos a banco e ações armadas. A luta daqueles jovens, mesmo que por meios discutíveis, ajudou a restabelecer a democracia no país e deveria ser motivo de orgulho, não de vergonha.

6. “As coisas boas do governo petista começaram no governo tucano”.

Falso. Todo governo herda políticas e programas do governo anterior, políticas que pode manter, transformar, ampliar, reduzir ou encerrar. O governo FHC herdou do governo Itamar o real, o programa dos genéricos, o FAT, o programa de combate a AIDS. Teve o mérito de manter e aperfeiçoá-los, desenvolvê-los, ampliá-los. O governo Lula herdou do governo FHC, por exemplo, vários programas de assistência social. Teve o mérito de unificá-los e ampliá-los, criando o Bolsa Família. De qualquer maneira, os resultados do governo Lula são tão superiores aos do governo FHC que o debate “quem começou o quê” torna-se irrelevante.

7. “Serra vai moralizar a política”.

Argumento inconsistente. Nos oito anos de governo tucano-pefelista – no qual José Serra ocupou papel de destaque, sendo escolhido para suceder FHC – foram inúmeros os casos de corrupção, um deles no próprio Ministério da Saúde, comandado por Serra, o superfaturamento de ambulâncias investigado pela “Operação Sanguessuga”. Se considerarmos o volume de dinheiro público desviado para destinos nebulosos e paraísos fiscais nas privatizações e o auxílio luxuoso aos banqueiros falidos, o governo tucano talvez tenha sido o mais corrupto da história do país. Ao contrário do que aconteceu no governo Lula, a corrupção no governo FHC não foi investigada por nenhuma CPI, todas sepultadas pela maioria parlamentar da coligação PSDB-PFL. O procurador da república ficou conhecido com “engavetador da república”, tal a quantidade de investigações criminais que morreram em suas mãos. O esquema de financiamento eleitoral batizado de “mensalão” foi criado pelo presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo, hoje réu em processo criminal. O governador José Roberto Arruda, do DEM, era o principal candidato ao posto de vice-presidente na chapa de Serra, até ser preso por corrupção no “mensalão do DEM”. Roberto Jefferson, réu confesso do mensalão petista, hoje apóia José Serra. Todos estes fatos, incontestáveis, não indicam que um eventual governo Serra poderia ser mais eficiente no combate à corrupção do que seria um governo Dilma, ao contrário.

8. “O PT apóia as FARC”.

Argumento falso. É fato que, no passado, as FARC ensaiaram uma tentativa de institucionalização e buscaram aproximação com o PT, então na oposição, e também com o governo brasileiro, através de contatos com o líder do governo tucano, Arthur Virgílio. Estes contatos foram rompidos com a radicalização da guerrilha na Colômbia e nunca foram retomados, a não ser nos delírios da imprensa de extrema-direita. A relação entre o governo brasileiro e os governos estabelecidos de vários países deve estar acima de divergências ideológicas, num princípio básico da diplomacia, o da auto-determinação dos povos. Não há notícias, por exemplo, de capitalistas brasileiros que defendam o rompimento das relações com a China, um dos nossos maiores parceiros comerciais, por se tratar de uma ditadura. Ou alguém acha que a China é um país democrático?

9. “O PT censura a imprensa”.

Argumento falso. Em seus oito anos de governo o presidente Lula enfrentou a oposição feroz e constante dos principais veículos da antiga imprensa. Esta oposição foi explicitada pela presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) que declarou que seus filiados assumiram “a posição oposicionista (sic) deste país”. Não há registro de um único caso de censura à imprensa por parte do governo Lula. O que há, frequentemente, é a queixa dos órgãos de imprensa sobre tentativas da sociedade e do governo, a exemplo do que acontece em todos os países democráticos do mundo, de regulamentar a atividade da mídia.

10. “Os jornais, a televisão e as revistas falam muito mal da Dilma e muito bem do Serra”.

Isso é verdade. E mais um bom motivo para votar nela e não nele.

*****

(1) Alguns dados comparativos dos governos FHC e Lula.

Geração de empregos:
FHC/Serra = 780 mil x Lula/Dilma = 12 milhões

Salário mínimo:
FHC/Serra = 64 dólares x Lula/Dilma = 290 dólares

Mobilidade social (brasileiros que deixaram a linha da pobreza):
FHC/Serra = 2 milhões x Lula/Dilma = 27 milhões

Risco Brasil:
FHC/Serra = 2.700 pontos x Lula/Dilma = 200 pontos

Dólar:
FHC/Serra = R$ 3,00 x Lula/Dilma = R$ 1,78

Reservas cambiais:
FHC/Serra = 185 bilhões de dólares negativos x Lula/Dilma = 239 bilhões de dólares positivos.

Relação crédito/PIB:
FHC/Serra = 14% x Lula/Dilma = 34%

Produção de automóveis:
FHC/Serra = queda de 20% x Lula/Dilma = aumento de 30%

Taxa de juros:
FHC/Serra = 27% x Lula/Dilma = 10,75%

(2) Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo de 25.07.10:

José Serra começou sua campanha dizendo: “Não aceito o raciocínio do nós contra eles”, e em apenas dois meses viu-se lançado pelo seu colega de chapa numa discussão em torno das ligações do PT com as Farc e o narcotráfico. Caso típico de rabo que abanou o cachorro. O destempero de Indio da Costa tem método. Se Tupã ajudar Serra a vencer a eleição, o DEM volta ao poder. Se prejudicar, ajudando Dilma Rousseff, o PSDB sairá da campanha com a identidade estilhaçada. Já o DEM, que entrou na disputa com o cocar do seu mensalão, sairá brandindo o tacape do conservadorismo feroz que renasceu em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos.

27 de set. de 2009

A direita quer sangue em Honduras


Por Altamiro Borges - 24.09.09

A decisão soberana e corajosa do governo Lula de conceder refúgio ao presidente Manuel Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa tirou, de vez, a máscara da direita nativa e de sua mídia fascista no tratamento do golpe em Honduras. Na prática, eles sempre torceram pelos golpistas, tratando o presidente eleito democraticamente de “chavista” e omitindo as notícias da repressão, prisões e mesmo da censura aos poucos veículos independentes deste país – as quatro oligarquias que controlam a mídia hondurenha apoiaram deste o início a truculenta quartelada militar.


Agora, tucanos, demos e o grosso da mídia direitista torcem para que haja um derramamento de sangue na embaixada brasileira. Seria a forma mais rápida de abortar os crescentes protestos pelo retorno da democracia ao país e, de quebra, de desgastar o governo Lula. O Globo desta quarta-feira (23) estampou na capa que “ação do Brasil acirra a crise e tensão cresce em Honduras”. O jornal insinua que Zelaya e Lula seriam os culpados por qualquer ato de violência; os golpistas, que transformaram o país num cemitério e já detiveram milhares de pessoas, são inocentados. O editorial da Folha, saudosa da “ditabranda”, acusa a diplomacia brasileira de “aventureira”.

Tucanos enciumados na TV Globo

A manipulação é das mais repugnantes. Nas redes de televisão, que são uma concessão pública, as mentiras ganham alcance de massas. No jornal matinal da TV Globo, Alexandre Garcia, que foi assessor do ditador João Figueiredo (exonerado porque pousou semi-nu numa revista), insiste em rotular Zelaya de “golpista”. Já na Globo News, o ancora André Trigueiro joga o seu passado no lixo e debocha da diplomacia brasileira. Tendencioso, entrevista apenas diplomatas tucanos, sem revelar suas origens. O ex-embaixador Rubens Barbosa, enciumado, torce: “É possível o confronto. O governo de Honduras já disse que responsabilizará o Brasil”. Já o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia, rancoroso, esbraveja: “Zelaya está fazendo da embaixada uma tribuna”.

Guiados pela mídia, senadores tucanos usam a tribuna para criticar os presidentes Zelaya e Lula. Afirmam que o presidente hondurenho é um populista e que Lula deu um palanque político para o seu retorno ao governo. Eduardo Azeredo, autor do AI-5 Digital, e o aloprado Artur Virgilio bem que poderiam oferecer seus serviços de consultoria golpista para os “gorilas” de Honduras. Temerosos com os avanços das forças progressistas e de esquerda na América Latina, a direita nativa e sua mídia venal não vacilam mais em defender os golpistas. A democracia que se dane!

22 de ago. de 2009

PIG - (Partido da Imprensa Golpista) - Significado

Partido da Imprensa Golpista, charge de Carlos Latuff.
O Partido da Imprensa Golpista (comumente abreviado para PIG ou PiG) é uma expressão usada por órgãos de imprensa e blogs políticos de orientação de esquerda para se referir a órgãos de imprensa e jornalistas por eles considerados tendenciosos, que se utilizariam do que chamam grande mídia como meio de propagar suas ideias e tentar desestabilizar governos de orientação política contrária.

Uso do termo

A expressão foi popularizada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog Conversa Afiada, mas, segundo ele, foi inspirada em um discurso do deputado petista Fernando Ferro. Amorim, quando utiliza o termo, escreve com um i minúsculo, em alusão ao portal iG, do qual foi demitido em 18 de março de 2008, no que descreve como um processo de "limpeza ideológica". De acordo com ele, até políticos teriam passado a fazer parte do PIG: "O partido deixou de ser um instrumento de golpe para se tornar o próprio golpe. Com o discurso de jornalismo objetivo, fazem o trabalho não de imprensa que omite; mas que mente, deforma e frauda.

O termo também é utilizado pelos jornalistas Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna em seus blogs, em referência a eventos ocorridos no Brasil e no exterior. De maneira geral, hoje a expressão é bastante usada em parte dos sites e blogs de esquerda no Brasil.

O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva dá respaldo à ideia contida no termo quando reclama: "Quem faz oposição nesse país é determinado tipo de imprensa. Ahhh, como inventam coisa contra o Lula. Se eu dependesse deles para ter 80% de aprovação, teria zero."

Definição e contextualização

Protesto contra o jornal Folha de S. Paulo, realizado em 2009.
O termo é utilizado para se referir à qualidade do jornalismo praticado pelos grandes veículos de comunicação do Brasil, que seria, segundo seus criadores e utilizadores, demasiadamente conservador e que teria o intuito de prejudicar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e membros de seu governo de forma constante.

De acordo com Amorim, o termo PIG pode ser definido da seguinte forma:
Em nenhuma democracia séria do mundo jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político — o PiG, Partido da Imprensa Golpista
Paulo Henrique Amorim
Amorim afirma ainda que a imprensa brasileira seria golpista sempre que o presidente da república é de origem trabalhista, ao mesmo tempo a imprensa nunca publicaria absolutamente nada contra presidentes de origem não trabalhista. O PIG, segundo ele, teria sua origem com Carlos Lacerda, que ajudou a "matar Getúlio Vargas"; teria continuado travando sua luta contra Juscelino Kubitschek e João Goulart, até se aliar à ditadura militar; teria perseguido o governo Brizola; e agora conspiraria contra o governo Lula.

O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos declarou, em entrevista à revista Carta Capital em 2005: "A grande imprensa levou Getúlio ao suicídio com base em nada; quase impediu Juscelino de tomar posse, com base em nada; levou Jânio à renúncia, aproveitando-se da maluquice dele, com base em nada; a tentativa de impedir a posse de Goulart com base em nada.". Na opinião de Santos o papel da imprensa livre é o de "tomar conta, sim. Desestabilizar, não. A estabilidade não pode depender de militar, nem da Igreja, nem da imprensa"..

A expressão também fez parte de um discurso do deputado federal pernambucano Fernando Ferro, do Partido dos Trabalhadores (PT), em que sugeriu que Arnaldo Jabor assumisse o cargo de presidente do PIG.

Na opinião de Marcus Figueiredo, cientista político ligado ao Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) os grandes jornais de circulação nacional do Brasil "adotam um híbrido entre dois modelos de pluralismo: formalmente, no discurso ético de autoqualificação diante dos leitores, procuram associar-se aos conceitos e rituais de objetividade do jornalismo americano, como é possível constatar nos slogans, diretrizes oficiais, manuais de redação, cursos de jornalismo. No entanto, na produção do impresso diário, o que vimos são diferenças no tratamento conferido aos candidatos, de amplificação de certos temas negativamente associados a Lula, contraposto à benevolência no tratamento de temas espinhosos relacionados aos seus adversários".

O jornalista Maurício Dias, colunista de Carta Capital, expressa opinião semelhante ao dizer, traçando um paralelo entre a grande imprensa brasileira e a FOX News (acusada pela diretora de Comunicações da Casa Branca de operar "como um setor de comunicações do Partido Republicano") que a mídia brasileira é dirigida por uma única orientação: "o candidato do PT não pode vencer".
Críticas semelhantes foram feitas pelo jornalista Mário Prata em entrevista ao Diário de Natal:
"A imprensa brasileira está podre. Os grandes jornais, as coisas que são consideradas grande imprensa no Brasil, como Folha de S. Paulo, Globo, Estadão, Jornal Nacional, Veja, para mim são piadas. Todos esses que eu citei têm ódio do Lula, é um ódio doentio, é uma coisa que me dá medo. Outro dia peguei o Estadão e tinha oito chamadas na capa falando mal do governo, algumas coisas que ocorreram há sete anos. Meu filho casou-se agora com uma repórter da editoria de política do Estadão, e o Serra ligou para ela antes do casamento. "Julia, eu soube que você vai se casar, mas você não vai ter lua de mel, né? Você não pode ter lua de mel agora." Por aí você vê como Serra está dentro do jornal."
Em entrevista concedida ao portal Terra, Cláudio Lembo, vice-governador de São Paulo eleito pela coligação PSDB-DEM e governador desse estado entre março e dezembro de 2006 (após a renúncia de Geraldo Alckmin para concorrer à presidência), também criticou o engajamento político da imprensa no contexto da eleição presidencial brasileira de 2010:
"A mídia está engajada, tem um candidato que é o Serra e com isso se perdeu o equilíbrio, vem o desequilíbrio, é desse embate que nasce a intranquilidade... mas ela é transitória. Havendo só um grande vencedor no pleito, que é o movimento social, e estando a mídia engajada como que está... disso nasce essa intranquilidade."[13]
Em 30 de setembro de 2010 o periódico francês Courrier International publicou uma matéria sob o título "Une presse très remontée contre Lula", em que opina que o presidente Lula enfrentaria uma oposição por parte da imprensa liderada por quatro grupos: Folha de S. Paulo, Grupo Abril, O Globo e O Estado de S. Paulo.[14] No artigo, o autor Paul Jürgens chega a acusar o tom da oposição de caricatural.

Levantamento nos três jornais mais vendidos do Brasil, de 28/8 a 27/9.[15] Realizado por um portal de esquerda, estudo concluiu que: das 90 capas publicadas, 61 eram negativas para candidatura presidencial do PT, enquanto apenas 3 eram positivas.
O portal de orientação de esquerda Brasil de Fato realizou um levantamento sobre o comportamento dos três jornais de maior circulação no Brasil ante a campanha de Dilma Rousseff, candidata do PT para a Presidência da República em 2010.[15] O estudo foi feito a partir das manchetes de primeira página publicadas em 30 dias que antecederam a votação de primeiro turno, (entre os dias 28 de agosto e 27 de setembro). Constatou-se que a maior parte dos temas abordados foram ligados às eleições, com a grande maioria das manchetes adotando um enfoque desfavorável para a candidata do PT.

No período analisado, O Globo não teria publicado nenhuma manchete positiva à candidata do PT, contra 21 manchetes negativas. Foram ainda três neutras e seis tratando de outros assuntos, como Economia ou Internacional. Já a Folha de S. Paulo teria veiculado duas manchetes positivas à campanha petista ("Lula vai à TV e afirma que Serra partiu para baixaria", no dia 8, e "Desemprego é o menor, e renda é a maior em 8 anos", no dia 24). No entanto, foram dezoito manchetes negativas, além de uma neutra e nove sobre temas diversos. O Estado de S. Paulo, (único dos três a declarar, em editorial, apoio ao candidato José Serra), teria sido o campeão em negativas com relação a Dilma: foram 22 capas negativas em apenas um mês. O Estado trouxe uma manchete positiva à petista ("Inquérito da PF esvazia tese de crime político na receita", no dia 16), três neutras e quatro abordando outros assuntos.

Após relutar em aceitar a ideia de termos como o "PIG",[16] o jornalista Luís Nassif hoje defende que parte da mídia brasileira vem atuando, sim, de forma a alcançar o protagonismo político-partidário. Nassif enxerga essa atuação política mais incisiva como parte de uma tendência mundial, iniciada por Rupert Murdoch, fundador da emissora americana FOX News. O jornalista afirma que, no Brasil, esse movimento se manifestou num pacto entre quatro grandes grupos de mídia para fazer oposição ao governo trabalhista do PT. Para Nassif, são esses quatro conglomerados - Globo, Abril, Estadão e Folha – que vêm comandando a oposição política brasileira de 2005 até hoje.[17][18]

Ato "Em defesa da democracia e contra o golpismo midiático"

Em 23 de setembro de 2010 representantes de partidos políticos e entidades de esquerda fizeram, em São Paulo, um ato intitulado "Em defesa da democracia e contra o golpismo midiático". Nessa ocasião, o presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Altamiro Borges, leu o documento "Pela ampla liberdade de expressão", em que defende a mídia alternativa e propõe solicitar a abertura dos contratos e contas de publicidade de grandes empresas de comunicação.
O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo e secretário-geral da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), José Augusto Camargo, também leu uma nota, intitulada "Em defesa dos jornalistas, da ética e do direito à informação".
Distorcer, selecionar, divulgar opiniões como se fossem fatos não é exercer o jornalismo, mas, sim, manipular o noticiário cotidiano segundo interesses outros que não os de informar com veracidade. Se esses recursos são usados para influenciar ou determinar o resultado de uma eleição configura-se golpe com o objetivo de interferir na vontade popular. Não se trata aqui do uso da força, mas sim de técnicas de manipulação da opinião pública. Neste contexto, o uso do conceito “golpe midiático” é perfeitamente compreensível.
José Augusto Camargo.[19]

Composição

Conforme a opinião daqueles que se utilizam do termo, seriam três as famílias que manipulariam a opinião pública, dominariam e condicionariam o noticiário de todo o país, através dos seus órgãos de imprensa: os Marinho (Organizações Globo), os Frias (Grupo Folha) e os Mesquita (Grupo Estado).[3]. Estas três famílias controlam alguns dos principais orgãos da impressa no Brasil, tais como os jornais O Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, e o portal UOL. Também são incluídos os Civita (Grupo Abril), que publicam a revista Veja. Paulo Henrique Amorim também limitou a esses quatro grupos a composição do "PIG" em entrevista à revista Imprensa em junho de 2011.[2]

Em artigo de março de 2010, o jornalista Gilberto Maringoni, colaborador da agência de esquerda Carta Maior, sugeriu que o Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, promovido pelo Instituto Millenium, entidade brasileira que afirma defender o "Estado de Direito, liberdades individuais, responsabilidade individual, meritocracia, propriedade privada" como valores,[20] reuniria a imprensa golpista.[21]

A internet e o PIG

Para o jornalista e escritor Fernando Soares Campos,[22] "sem a internet, dificilmente Lula teria sido eleito; se fosse, não assumiria; se assumisse, teria sido golpeado com muita facilidade. O PIG é forte, é Golias, mas a internet [está] assim de Davi!".[1] Para Campos, a existência da Internet interferiria com o monopólio da informação por parte dos grandes grupos midiáticos, e essa interferência dificultaria os golpes.[1]

Segundo o Observatório da Imprensa, a Internet teria criado dificuldades para a grande mídia brasileira dar o suposto golpe no Governo Lula[carece de fontes?], como ocorreu com Jango (presidente da República entre 1961 e 1964, quando começou a ditadura militar). Na atualidade, com múltiplos meios de comunicação — muitos baseados em livre troca de informações entre as pessoas — controle da informação teria se tornado mais complexo, devido à grande facilidade de se buscar informações de fontes diversas sobre o assunto.

O jornalista Luís Nassif afirma que existe um pacto entre quatro grandes grupos de mídia – Globo, Abril, Estadão e Folha – que tem comandado a oposição política brasileira desde 2005. Ele defende que o reverso desse movimento é o desabrochar da sociedade civil na Internet. Para Nassif, estruturas como blogs, ONGs, OSCIPs, sindicatos e movimentos sociais, estão entrando na rede e passando a disputar, com os grandes grupos midiáticos, pela audiência e pelas opiniões políticas.[17]

Disambig grey.svg Nota: Se procura pelo acrônimo englobando Portugal e outras economias europeias, veja PIGS.

4 de ago. de 2009

Uma conversa com Sérgio Amadeu sobre liberdade na web, direitos autorais e a nova comunicação

‘Se você tem uma maçã e eu tenho uma maçã, e nós trocamos as maçãs, então, você e eu ainda teremos uma maçã. Mas se você tem uma ideia e eu tenho uma ideia, e nós trocamos essas ideias, então, cada um de nós terá duas ideias’. Com essa citação do escritor irlandês Bernard Shaw, Sérgio Amadeu, doutor em ciências políticas e professor do mestrado das Faculdades Cásper Libero, definiu a atual fase de transição pela qual a sociedade passa com as possibilidades do mundo digital.
Segundo o pesquisador das relações entre comunicação e tecnologia, o crescente compartilhamento de bens intangíveis está desviando a rentabilidade da indústria de intermediação e alterando a estrutura da economia moderna. Diante desse cenário dissociado do suporte físico, gravadoras e editoras tendem a perder importância e precisam se readequar.


Ele comentou ainda o polêmico projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que propõe novas formas de enquadramento para os crimes cibernéticos. Denominou o projeto de 'AI-5 digital' e defendeu a liberdade na internet como garantia para a criatividade. Confira, abaixo, a entrevista concedida por Sérgio Amadeu ao Nós da Comunicação.

Nós da Comunicação – Você poderia comentar a polêmica sobre o projeto de lei do senador Azeredo? A internet deve ser regulada?
Sérgio Amadeu –
A internet está sob ataque. O fato é que quando a rede se amplia e recobre o planeta, todas as atividades de intermediação são afetadas. A indústria cultural, que estava na relação entre o artista e seu público, e a própria imprensa, que antes definia o que era notícia, tiveram suas estruturas afetadas por uma rede distribuída, que, do ponto de vista lógico, é muito difícil de controlar. Portanto, há uma contradição: nunca foi tão fácil compartilhar conhecimento, bens intangíveis e arquivos, mas, ao mesmo tempo, nunca se tentou tanto bloquear o compartilhamento. Existe uma tensão entre as possibilidades de compartilhamento e criação, e um enrijecimento dessas tentativas de controle, pois a rede embaralha o cenário da intermediação.

Em 2003, o senador Azeredo reuniu uma série de projetos de lei em um único substitutivo, cujo objetivo básico é atender a uma agenda da indústria de copyright, criminalizando práticas cotidianas na internet. O que está sob ataque no Brasil são a liberdade dos fluxos e a criatividade, no que estamos denominando de AI-5 digital, pois torna procedimentos de investigação uma regra na rede. Dessa forma, todo mundo passa a ser suspeito até que se prove o contrário. Várias mobilizações contrárias a essa lei ocorreram e conseguimos parar o projeto. O próprio presidente da República comentou no Fórum de Software Livre que esse projeto é um ato de censura. Precisamos soterrá-lo e aprovar uma lei de direitos civis na internet.

Nós da Comunicação – Como você analisa a questão do direito autoral do ponto de vista do produtor?
S. A. –
Como cidadão, acho a figura do direito autoral muito ruim. O instituto do direito autoral nasce a partir do Renascimento, ele é historicamente determinado nesse período. Foi importante para construir uma indústria cultural e uma produção de qualidade massiva. Quando as redes se disseminaram, práticas que as pessoas fazem no cotidiano foram para a rede e ganharam uma dimensão exponencial. Isso está afetando os processos anteriores. Com isso, a ideia de propriedade de bem material é muito difícil de se manter, pois o único jeito de exercer propriedade sobre algo que não tem existência física é por meio da negação de acesso, do controle.

Se vendo um CD de música, o controle de acesso pode ser feito de duas formas: por uma reforma moral na sociedade, dizendo que emprestar esse produto para seu irmão é crime; ou pela criminalização, colocando o Estado, a polícia, para evitar que você compartilhe. São duas opções extremamente superficiais, portanto, o futuro da música e de outras produções intangíveis é ter o produtor vivendo muito mais de seu trabalho e muito menos dos direitos de propriedade. Isso está acontecendo com diversos grupos. No entanto, a maior parte dos produtores de cultura brasileira não está nos catálogos das gravadoras ou das editoras. Nem por isso, eles deixam de produzir e agitar nossa sociedade.

Nós da Comunicação – E como tem sido a reação dessa indústria de intermediação diante desse cenário?
S. A. –
Estamos em uma fase de transição. Claro que gravadoras e editoras vão reagir, mas qual o objetivo alegado para a Lei de Direito Autoral? Proteger o criador para que ele possa continuar produzindo sem prejudicar seu processo criativo, pois ele é remunerado por isso. Essa lei está longe de proteger o criador. Ela protege mais o intermediário cultural, a indústria que está no meio do caminho. No caso das redes, da produção de música, perde a importância seja na distribuição ou na produção.

No caso do texto, por exemplo, que também é um bem intangível, após a morte do autor, seu trabalho é protegido por 70 anos até entrar em domínio público. Qual a justificativa de esperar 70 anos após a morte do criador? Incentivar a criação? Mas o autor já morreu... incentivar quem? Não tem lógica.

Nós da Comunicação – E como fica o mercado para indivíduos e grupos produtores culturais?
S. A. –
Temos uma situação que a rede exacerbou. Os suportes e seus conteúdos estão separados. O digital liberou a música do vinil, o texto do papel e a imagem da película. Lá, elas podem ser recombinadas de várias formas e multiplicadas ao extremo, sem os limites físicos do suporte, que são escassos e se desgastam. O que acontecerá com o criador da música? Nada, ele continuará criando, mas a rede faz aparecer muito mais criadores competentes. Se um grupo quiser fazer sucesso na rede, não precisa bater na porta da gravadora, pois, se for bom, pode se tornar um fenômeno na rede. O músico viverá do trabalho. Não acho possível reverter essa prática social, pois não é a tecnologia que está criando isso, são as pessoas. É melhor explorar a rede do que criminalizá-la. Na economia de rede, viveremos mais do relacionamento e menos de propriedade. A história mostra que a criação não está necessariamente ligada à propriedade. Em regimes autoritários que tentaram impor uma lógica de criação limitada, como na União Soviética, o grau de criatividade se reduziu. O que garante a criatividade é a liberdade.

Nós da Comunicação – Qual o destino da indústria de intermediação e até que ponto ela terá influência, neste momento de transição, na regulamentação da rede?
S. A. –
Ela exerce muita influência, pois tem muito dinheiro acumulado no mundo industrial. Elas estão tentando segurar o antigo modelo, mas há setores que perceberam a necessidade de mudança e já estão tentando encontrar outra forma de manter esse grande acúmulo de capital. As empresas de comunicação, por exemplo, têm de se reconfigurar na rede. Ainda tem espaço para um tipo de intermediação da informação, mas não será mais aquele todo poderoso que dita o que é a pauta da sociedade. Isso acabou. Não acredito mais no modelo baseado no controle absoluto e na propriedade. Muitas dessas indústrias desaparecerão, e outras vão se readequar.

Considero a situação do jornalismo gravíssima, e nem é por conta do fim do diploma, que não passa de uma velha disputa sindical no Brasil. O que afeta a comunicação geral é a rede. Nessa nova esfera pública, os custos para se tornar o falante diminuíram, e a arquitetura da rede não impede que as pessoas possam se conectar e se comunicar. Isso é um fenômeno extremamente novo que afeta a economia da comunicação. Nesse novo equilíbrio, muita coisa vai desaparecer e se concentrar.

Nós da Comunicação – Muitos criticam os sites por conta da questão da credibilidade em comparação com a grande mídia. Como você vê essa situação?
S. A. –
As novas gerações vão alterar isso. O caso típico dessa situação foi a morte do cantor Michael Jackson, noticiada na CNN duas horas depois de estar consolidada no Twitter. A velha imprensa está sendo vítima do próprio conceito de credibilidade, pois não está conseguindo acompanhar os fatos. Por outro lado, a credibilidade de um blog tem a ver com a reputação: é muito difícil obter, é muito fácil perder.

Estamos caminhando para uma sociedade mais transparente. O mundo da comunicação de massa era o mundo da minoria falando, agora, o que ocorre é uma grande conversação em rede. É um novo cenário, no qual não sabemos como lidar, pois ainda está em construção. A web não é uma obra acabada. Mal começamos. Encontraremos novas formas de credibilidade e reputação na rede, mas quem está perdendo credibilidade, hoje em dia, é a grande imprensa, que precisa aprender a atuar nessa diversidade e entender que não é mais o filtro. Os filtros são os internautas, cada vez mais colaborativos.

Nós da Comunicação – Qual o potencial de mobilização da web?
S. A. –
Mobilizações são muito mais fáceis de serem organizadas com a rede. Hoje, cidadãos comuns têm o potencial de organizar uma manifestação. Antes, quem tinha a capacidade de mobilização eram as organizações, os sindicatos, partidos. A internet é algo que Lênin, líder da revolução russa, disse em um de seus textos. Ele queria um jornal político para toda a Rússia, porque o jornal é um organizador coletivo. A internet também é uma organizadora coletiva, que torna uma pessoa capaz de articular milhares de outras pessoas. Sem a comunicação digital distribuída, eu não conseguiria mobilizar. A internet será um elemento fundamental e muito rápido de mobilização social contra absurdos que venham por aí. A rede permite manifestações com muita facilidade, mas é a intensidade do tema que determinará a capacidade de reunir pessoas presencialmente. Alguns teóricos da deliberação falam que a internet não propicia o debate, mas e a mídia de massa, propiciava? Agora, com a rede, existe o espaço para um debate multidirecional.

Nós da Comunicação – Como fica a questão do direito de propriedade para os sites colaborativos?
S. A. –
Os economistas podem até fazer uma análise sobre a Wikipédia, por exemplo, e estipular um valor para a enciclopédia, mas ela não foi criada para valer bilhões de dólares. Ela gera riqueza sem criar valor de troca. Quem a criou, quem colabora, não está pensando em ganhar dinheiro. Repare a situação que estamos vivendo: criamos riqueza nas áreas sem gerar valor de troca. É outra possibilidade que, na rede, criou o jargão web 2.0. A web já estava lá, não mudou. O que mudou foi que as pessoas perceberam a possibilidade de compartilhar.

Por
João Casotti - Nós da Comunicação - 04.08.09

25 de jul. de 2009

As tentativas de preservação da intermediação centralizada

Por Antonio Arles - Do Arlesophia - 25.07.09
VN:F [1.5.6_840]

O deputado Júlio Semeghini (PSDB/SP), em maio deste ano, queria votar logo o Projeto Azeredo. Chegou a declarar que só esperaria o posicionamento do Governo Federal até o fim daquele mês, pois pretendia votar o Projeto em Junho. Parece que a pressa do Deputado desapareceu depois que o projeto sofreu várias críticas de diversos setores da sociedade e, inclusive, do Governo Federal com o discurso do seu titular, o Presidente Lula, no FISL 10. O que o Deputado que tinha tanta pressa está esperando? Talvez uma explicação seja a tentativa de ver as pressões diminuírem e, quando ninguém estiver mais atento, votar o Projeto na surdina, como foi a votação no Senado. Salvar o Projeto do seu correligionário e atender ao lobby dos bancos e da indústria do copyright parece ser o único objetivo do Deputado Semeghini.

A ABERT quer determinar o que poderá ou não ser discutido na Conferência Nacional de Comunicação. Para ela e outros setores representativos dos grupos da mídia monopolista as discussões da CONFECOM deverão ficar restritas à questões relacionadas à Internet. Usando um discurso “bonitinho”, de preservação da cultura e dos interesses nacionais, a ABERT quer, na verdade, a manutenção do modelo atual – extremamente centralizado – e proteger os monopólios midiáticos dos desafios enfrentados pela convergência tecnológica, que permite a introdução de outros atores no cenário da comunicação e que, em última análise, acabará com o monopólio da informação/opinião exercido pelos oligopólio midiáticos.

Na Coreia do Sul o lobby da indústria do copyright conseguiu aprovar uma nova lei que pune internautas que troquem arquivos através da Internet. Quem fizer compartilhamento de arquivos sem a autorização dos seus respectivos autores poderá ficar seis meses sem acesso à Rede. A ameaça é também para usuários de blogs e redes sociais que divulgarem imagens, textos ou outros materiais sem autorização. Esta Lei significará a restrição da liberdade de informação e opinião na Internet, uma vez que o blogueiro ou participante de redes sociais não poderá usar materiais disponíveis na Rede para fazer seus posts ou disseminar informações sem que sejam ameaçados de ficar sem acesso. Se não ficou claro ainda como leis desse tipo acabam por restringir a liberdade de informação/opinião, fica aqui apenas um exemplo: se eu, aqui no meu blog, decidir fazer uma crítica ou um comentários sobre determinada matéria publicada num grande portal que não permita a reprodução e decidir disponibilizar parte dela para situar meus leitores sobre o que estou falando, poderei ficar sem acesso à Internet (caso estivesse submetido à uma lei do tipo da que foi aprovada na Coreia).

O que esses grupos que fazem lobby pelo vigilantismo e pela criminalização de práticas corriqueiras na Internet têm em comum? Simples: esses são os grupos diretamente afetados pelo fim dos intermediários centralizados graças aos mecanismos de troca direta de informações e conteúdos propiciados pela Rede na forma que temos hoje. Ser o dentetor do monopólio da intermediação garantia grandes vantagens econômicas e poder político para esses grupos. Com o fim da necessidade de intermediação centralizada os modelos econômicos desses grupos, que garantiam enormes lucros, fica ameaçado. Mas o mais importante não é isso. O importante é que a intermediação monopolista tem a capacidade de determinar o que interessa e o que não interessa em ser noticiado/opinado/distribuído/vendido. O poder político garantido pelo monopólio da intermediação de informações, opiniões, cultura e saberes faz destes grupos verdadeiros ditadores do que deve ou não deve ser difundido e, portanto, do que deve o não ser pensado pelo restante da sociedade. Não é sem motivo que eles estão tentando espalhar pelo mundo uma onda vigilantista e de restrição das liberdade na Rede, pois, a Rede livre, descentraliza a intermediação, diminuindo o poder político dos detentores do monopólio.

O cerco apertou na Coreia do Sul, e que sirva de exemplo!

Pois é, para quem anda cochilando com o ativismo contra o famigerado projeto do AI5 digital do Azeredo, acorde, pois desta vez o recado veio da Coreia, através da Denise Arco Verde, veja os Twitts:

Acordei com uma bomba. A nova lei de Copyright coreana ameaça c/ seis meses sem internet, quem for pego baixando arquivos.

O mesmo “banimento da internet” por seis meses pode ser aplicado a quem usar material sem autorização em blogs ou redes sociais.

Já parei todos meus downloads. Com a eficiência tecnológica coreana, a lei vai pegar e eu não quero arriscar viver seis meses sem internet.

@junniorkopke e o compartilhamento de arquivos aqui é SUPER comum porque temos a internet mais rápida do mundo, baixo um filme em minutos.

@e_s_ estou tão atordoada com a notícia que não tinha pensado nisso. Imagina viver na Coreia, dependendo dos filmes que passam no cinema!

@e_s_ Ah… mas vocês ainda tem o cinema da Fundação. Aqui tem um cinema de arte, mas ou é coreano ou com legenda em coreano

@valbarbieri não sabemos detalhes, mas certamente arquivos por email vão escapar :-) @tatals li que vários países vão implementar a lei

Mais da lei de copyright na Coreia: os mecanismos de busca não podem ter anúncios de nenhum serviço de compartilhamento de arquivos P2P.

Quem for pego baixando arquivos na Coreia não terá que pagar aquelas quantias absurdas, pedidas pelas gravadoras, vai pra “pequenas causas”

O que eu acho pior, porque é mais viável e realista e, dessa forma, mais gente poderá ser julgada e condenada…

Resumindo… quem tá aí no Brasil comece a levar a sério o #meganao pra não ter de correr atrás do prejuízo, depois.

Veja a matéria no Korea Times

Na minha opinião esta tendência de seguir o modelo HADOPI de desconexão é uma tremenda estupidez, que so poderia provir de mentes totalitárias e conservadoras, que fazem questão de ignorar a Internet e seus benefícios. O mesmo usuário que faz download e que perderá a conexão por seis meses, é o mesmo usuário que produz e compartilha informação, faz compras online, utiliza internet banking, envia sua declaração de imposto de renda pela Internet, e principalmente é aquele que constroi marcas e as dissemina na web, ou será que os “dinos” ainda não acreditam que a web é o melhor espaço para fazer negócios que existe.

Quando as filas dos bancos aumentarem consideravelmente, quando as vendas e cursos online cairem vertiginosamente, e quando marcas perderem seus valores, os “dinos” totalitários terão percebido o tamanho de sua estupidez…

Por Caribé - Trezentos - 25.07.09

16 de jul. de 2009

AI- 5 Digital será discutido no 51º CONUNE, sexta, 17.07

do Site Movimento Estudantil - UNE e UBES

Participantes do Congresso debaterão a liberdade de circulação de informação na internet

O projeto do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que pretende restringir a troca de informações entre os internautas e o rastreamento de todos os usuários por três anos, foi muito discutido em todo o país neste último semestre. Militantes do software livre, estudantes, professores e parlamentares fizeram atos por todos os cantos do Brasil na intenção de reverter o projeto.

Na próxima sexta-feira (17), os participantes do 51º CONUNE poderão debater o tema com o professor da pós graduação da faculdade Cásper Líbero de São Paulo, Sérgio Amadeu, que está a frente da luta pela livre circulação de informação e pela democratização dos meios de comunicação e com o Doutor Túlio Vianna, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Eletrônico e professor da PUC-MG.

O protesto recebeu este nome pela semelhança do controle dos usuários com a ditadura brasileira. Naquela época, os novos moradores deveriam dar ao síndico uma ficha de inscrição com todos os dados pessoais, que seria encaminhada ao DOP´s. O deputado Estadual Rui Falcão (PT-SP), um dos responsáveis pelo ato em São Paulo, enfatizou que nunca houve tanta corrupção quanto após o AI-5 que censurava a imprensa e, logo, a livre informação. E neste ponto, a internet é uma grande ferramenta da liberdade de expressão.

Da Redação - 8 de julho de 2009

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Por Zé Augusto - Dos Amigos do Presidente Lula - 15.07.09

Nota de repúdio às índoles fascistas tucanas, ante-sala do AI-5 Digital

Nota de repúdio à nota da Executiva Nacional do PSDB e à nota do Senador Arthur Virgílio Neto (PSDB/AM), pelos motivos:

1) Por inverter valores e querer recorrer ao arbítrio de criminalizar o denunciante quando é flagrado (pelo ativismo social e político de internautas), dando explicações inverídicas à Nação em pronunciamento na Tribuna do Senado.

2) Por recorrer à ameaças de índole fascista e truculenta visando coagir e calar blogs de ativistas sociais e políticos, em vez de dar as respostas que um homem público, sobretudo eleito ao mandato popular delegado pelo povo, deve à sociedade.

3) Por ensaiar táticas e métodos fascistas contra internautas, em uma prévia do que poderia vir a acontecer caso se implante o AI-5 Digital do Senador Eduardo Azeredo (do próprio PSDB), na Internet.

4) Pela leviandade ao acusar terceiros por crime de quebra de sigilo fiscal, sem qualquer apuração, o que pode ser atestado pela simples leitura atenta das postagens do blog (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui), onde o assunto foi abordado.

5) Pela incompetência e ignorância dos quadros tucanos ao não saber sequer identificar informações sob sigilo e informações de transparência para controle social.

6) Por recorrer à velha e condenável prática do "você sabe com quem está falando?", para se esquiar de responder à Nação às perguntas inquietantes que todo o Brasil quer saber: qual é o valor do dinheiro que será devolvido aos cofres públicos pelo senador Arthur Virgílio Neto (PSDB/AM)?

Esta nota é dedicada a todos os blogueiros e internautas ativistas, que exercem o cívico dever e o sagrado direito do controle social sobre o dinheiro público e agentes políticos do estado.

Uma dedicação especial ao blog do Onipresente, o primeiro a publicar (conforme dissemos na primeira nota), demonstrando que não batia com a realidade, a explicação dada pelo senador Arthur Virgílio (PSDB/AM), de que teria pago com a restituição de IR de 2005, o empréstimo feito por Agaciel Maia, para pagar suas contas em Paris.

Pesquise mais em marcadores deste blog: TAGS

15 de jul. de 2009

Em defesa da liberdade na rede

Em entrevista, Sergio Amadeu fala sobre os interesses da indústria do copyright, o PL Azeredo, liberdade na internet e democratização da comunicação.

Por Antonio Martins, Glauco Faria e Renato Rovai - Revista Fórum - 15.07.09

Quando se fala da luta pela inclusão digital e a defesa do software livre no Brasil, impossível não lembrar o nome do sociólogo e professor da faculdade Cásper Líbero Sérgio Amadeu. E não é à toa. Foi coordenador do Governo Eletrônico da prefeitura de São Paulo na gestão Marta Suplicy, sendo responsável pela criação da rede pública de telecentros, considerado o maior programa de inclusão digital do país. Já no governo Lula, ocupou a presidência do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) da Casa Civil, participando da criação da criação do Comitê de Implementação de Software Livre (CISL).
Saiu do governo em 2005, mas nem por isso sua atuação tem sido menos pública. Mantém um blog (samadeu.blogspot.com) e recentemente foi um dos criadores do blog coletivo 300 (www.trezentos.blog.br), com variados autores e temáticas atestando que “a vida não se limita as relações de mercado capitalistas”, segundo descrição da própria página eletrônica.
É em defesa da liberdade de criação e de conteúdo presente em iniciativas como essa que Amadeu, junto com outros inúmeros ativistas, se mobiliza contra o projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) que criminaliza várias ações corriqueiras hoje na rede como downloads de textos, músicas e vídeos convertidos para formato digital e a gravação deste em meios eletrônicos como CDs, DVDs ou mesmo um MP3. “E não faz isso de maneira clara porque traz como agenda oculta os interesses da indústria de copyright, os interesses da indústria bancária. Ele tenta atender a interesses que são da associação anti-pirataria, da associação fonográfica norte-americana”, critica.
Na entrevista a seguir, Amadeu fala da importância da internet hoje como instrumento para estimular a diversidade cultural e democratizar a comunicação e também de como a estrutura das redes pode modificar o cerne do sistema capitalista. “Compartilhar na rede é mais eficiente do que guardar ou competir. Isso coloca em questão a idéia de eficiência na rede e a dificuldade do capitalismo industrial. A lógica da repetição já foi alterada para a lógica da invenção, vale mais ser capaz de inventar do que de reproduzir”, argumenta. Confira abaixo.

Fórum – Do ponto de vista desse novo processo da democratização das comunicações, se é que ele existe, como você situa o meio internet? Em que momento ele se encontra?
Sergio Amadeu – A internet é um arranjo comunicacional, não uma mídia qualquer, é um conjunto de protocolos sobre diversos aparatos que utiliza uma infraestrutura antiga de telecomunicações. A forma como ela é feita, a independência das camadas físicas da internet, gerou um ambiente muito propício à democratização das comunicações. Na internet você pode criar não só conteúdos, mas sim novos formatos e novas tecnologias. Ela é uma obra inacabada, a qualquer momento pode-se criar um novo arranjo comunicacional e isso é o fantástico, porque ela pode ser recriada pelos seus usuários.
Quero lembrar que ela foi concebida a partir de um projeto do exército norte-americano, que logo o abandonou por conta da sua radicalidade tão distribuída. Um dos grandes arquitetos da internet, o Paul Baran, dizia que só existem dois tipos de rede, centralizada e distribuída. A internet é uma rede de comutação de pacotes de informação distribuída e isso faz uma diferença brutal.

Continue lendo

10 de jul. de 2009

Educadores, pais e estudantes - Entrevista: INTERNET (pedofília etc) o que representa para a sociedade; e a Lei de CENSURA - AI-5 DIGITAL

Do PROFESSOR IDELBER AVELAR - 09.07.09

Para TV Assembleia de Minas Gerais, sobre o projeto de lei do Senador Eduardo Azeredo - aquele que estreou na política dando uma facada nas costas do irmão.

Chegam de Brasília notícias de que são muito boas as chances de derrotar o orwelliano projeto do senador do PSDB. Mas todo cuidado é pouco. Aí vai o papo. A entrevistadora, Vivian, foi uma gentileza só. Bem informada, clara, incisiva, ela fez as perguntas que tinham que ser feitas, me questionou, interrogou, mas me deu tempo para explicar o ponto de vista dos que lutamos contra o AI-5 Digital. Se você ainda não viu, aqui está o vídeo. A edição é cortesia de Alexandre Inagaki.


Entrevista com Idelber Avelar sobre o AI-5 Digital



PS: Na caixa de comentários do post anterior, começou a se articular uma vaquinha em solidariedade ao bravo jornalista Lúcio Flávio Pinto, do Pará. O próximo post trará detalhes sobre como você pode contribuir.

------------------------------------------------------------------------------------------------------

Para ler outras matérias sobre este assunto vá em TAGS (neste blog), busque por (PIG, AI-5 digital, imprensa)

Leia mais:

sobre a pauta do Senado deste Projeto de censura na internet;

um absurdo leiA o texto do projeto esta ditadura, do senador Eduardo Azeredo (PSDB).

Temos que defender a liberdade e o progresso do conhecimento na Internet - Contra o AI-5 Digital. Portanto, caro leitor manifeste a sua indignação e vote contra esta censura: DIGA NÃO AO PROJETO DE LEI DO SENADOR TUCANO AZEREDO

Veja aqui também O CONTROLE DA INTERNET E O CAPITALISMO