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9 de jan. de 2017

Governo Temer quer cortar bolsas de estudos de professores



O governo Temer quer fazer uma auditoria em alguns programas que oferecem bolsas de estudo a professores, com o objetivo de economizar até R$ 1 bilhão por ano do Ministério da Educação (MEC), hoje capitaneado por Mendonça Filho (DEM).

26 de nov. de 2012

Dilma: Pronatec deve atender 8 milhões de jovens até 2014

Ag.BR
Brasília - A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (26) que o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) atingiu a marca de 1,1 milhão de matrículas em cursos técnicos, de aprendizagem profissional e de qualificação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

8 de nov. de 2011

Rede Globo com a polícia da Ditadura contra os estudantes

8 nov
 

Em uma reportagem de seis minutos e meio, a Rede Globo, através de seu principal telejornal, mostrou mais uma vez com clareza de que lado da sociedade está. Nunca esteve nem nunca estará ao lado dos oprimidos, dos contestadores, nunca estará ao lado da mudança. Está ao lado dos opressores, das elites, da alienação e da conservação reacionária. Nesta terça-feira esteve ao lado de uma polícia militarizada, herdada da Ditadura Militar, e esteve contra os estudantes que protestavam contra a truculência dessa polícia.




A reportagem narra o caso em que a USP foi ocupada pela Polícia Militar e estudantes saíram presos de sua universidade. É o mundo ao avesso, que tanto agrada a esse setor da mídia. A narração, obviamente, também foi ao avesso: “A Polícia Militar retirou os estudantes que haviam invadido (…), começou Fátima Bernardes, antes de chamar a reportagem de José Roberto Burnier.

7 de ago. de 2011

Emilio Lopez: A raiz da violência na escola pública paulista



por Emilio Carlos Rodriguez Lopez
O jornal Estado de S. Paulo do dia 1º de agosto trouxe a informação que 62% da rede estadual enfrenta problemas de violência dentro do ambiente escolar, de acordo com relatos dos próprios diretores. São roubos, depredações, pichações, violência contra professores, alunos, e funcionários e até brigas entre estudantes. Hoje a rede tem aproximadamente 5271 escolas, ou seja, 3268 escolas tiveram cenas de violência, que como a matéria mostra se tornou algo do cotidiano escolar.

21 de jun. de 2011

CRESCE EVASÃO EM UNIVERSIDADE PAGA DE SP

 Na região metropolitana paulista, um em cada quatro estudantes desistiu do curso

Um em cada quatro alunos no ensino superior privado desistiu do curso na região metropolitana de SP, aponta estudo das próprias instituições a ser divulgado hoje.
A taxa de evasão, de 27%, representa um aumento de 14% entre 2008 e 2009 (último período com dados disponíveis). Essa é a maior proporção de desistência registrada na década.
No mesmo período, a evasão nas instituições públicas chegou a ter queda.
Para as universidades pagas, o crescimento da desistência está ligado à chegada dos alunos das classes C e D ao ensino superior.
"Os estudantes vêm com dificuldades acadêmicas, não acompanham o primeiro semestre e desistem", afirma o diretor executivo do Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo), Rodrigo Capelato. Ele é o responsável pela pesquisa, feita a partir de dados do MEC (Ministério da Educação).
"As universidades ainda não sabem como reter esses alunos", completa Capelato. "Elas precisarão se reorganizar, criar setor que identifique as dificuldades financeiras e pedagógicas deles."
Para o pesquisador Oscar Hipólito, ex-diretor do Instituto de Física da USP-São Carlos, "o estudante desiste ao perceber que o custo com as mensalidades e a manutenção não valem o que a universidade oferece".
INSATISFAÇÃO
Hipólito verificou nos dados do MEC que houve 878 mil inscritos para 656 mil vagas nos vestibulares das instituições privadas da região.
Mas 380 mil postos não foram preenchidos e 187 mil que estavam matriculados abandonaram o curso.
"Há gente que quer estudar, mas está insatisfeita com as escolas", afirma Hipólito, hoje consultor do Instituto Lobo.
Membro da Hoper Educação (da área de gestão universitária), Romário Davel afirma que o aumento da evasão está ligado ao crescimento de matrículas nos cursos de engenharia.
"Por ter conteúdo pesado de exatas, tradicionalmente a evasão na área é alta."

Do Site MAVPTSP.ORG

Fonte: FÁBIO TAKAHASHI - DE SÃO PAULO - 22.06.2011

14 de mar. de 2011

Drogas: O que falar com os filhos

Image: gonemovie.com/ Actor Ewan Mcgregor - Film Trainspotting

Por Conceição Lemes - Vi o Mundo - 11.03.2011

O consumo de drogas, inclusive álcool, cresce na maior parte dos países. No Brasil, mais da metade das pessoas já experimentou alguma droga ilícita e a iniciação é cada vez mais precoce. Daí a importância da prevenção.

No seu entender, qual destes discursos deve ser adotado por uma mãe ou um pai:

a) Meu filho, evite as drogas.

b) Meu filho, o problema não é a droga; é a polícia, o bandido. Então venha usar aqui em casa.

c) Meu filho, eu sei lidar, você saberá lidar também. Como você é um bom garoto, a questão está em suas mãos. 

“A longo prazo, filhos de pais que lançam mão do discurso a usam menos drogas do que os dos que recorrem ao b ou c, que são ambíguos. É difícil o adolescente entender que drogas fazem mal se o uso é permitido em casa”, alerta o psiquiatra e professor André Malbergier, coordenador do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (Grea), da Faculdade de Medicina da USP. Ele avisa: “O cérebro dos adolescentes não está preparado para lidar com situações de prazer envolvidas no uso de cigarro, álcool e drogas ilícitas, o que aumenta o risco de se tornarem usuários”.

Existem no cérebro regiões que medeiam a relação de prazer que temos com as coisas da vida. Algumas substâncias nele produzidas estão envolvidas nessas sensações. Uma delas é a serotonina, ligada à tranquilidade e ao bem-estar. Outra é a dopamina, associada ao prazer. Em adultos saudáveis, a produção de serotonina e de dopamina é relativamente equilibrada. Já os adolescentes produzem normalmente menos serotonina e mais dopamina. Porém, a partir do momento em que começam a usar drogas, têm o circuito cerebral de prazer alterado.

“As drogas potencializam o efeito da dopamina. Funcionam como reforçador do prazer que dificilmente se obtém nas atividades comuns”, explica Malbergier. “Por isso o risco de o adolescente perder o controle sobre o consumo de drogas é consideravelmente maior do que o de alguém que inicia aos 30, 40 anos.”

Mas não é só. Outros fatores contribuem para que adolescentes e até pré-adolescentes se tornem usuários quando entram em contato com drogas: a tendência à impulsividade e a dificuldade de esperar pelo prazer – ele tem de ser imediato; pressão do grupo social; vulnerabilidade genética devido ao tipo de personalidade – há garotos e garotas que nascem com maior propensão à busca de sensações de grande impacto; história familiar de conflitos importantes; falta de um dos pais ou distanciamento de ambos; abuso sexual; violência; acessibilidade.

– Mas eu sempre soube lidar com droga, meu filho saberá também. Isso é coisa da adolescência…

O fato de você ter o consumo sob controle não significa que seu garoto ou sua garota terá, por melhor que eles sejam. Deixar essa questão só nas mãos dos jovens é um risco. Promover saúde é tentar evitar o contato.

– Ah… Mas eu usei drogas dos 18 aos 25 anos, hoje tenho 40, sou um executivo bem-sucedido, trabalho numa boa…

Por mais careta que pareça, o discurso de evitação colabora para que os filhos usem menos drogas. Aliás, mesmo que você consuma, há coisas ligadas ao prazer que não precisam ser ditas aos filhos. Da mesma maneira que você não lhes conta como é sua atividade sexual, certo?

– Mas, se eu disser para evitar, será que ele não vai usar só para me contrariar?

Independentemente de dizer sim ou não, é imensa a probabilidade de os adolescentes experimentarem, pois o acesso é muito fácil. Afinal, em boa parte das festas rolam drogas ilícitas. Agora, se eles introjetaram que os pais preferem que as evitem, diminui a possibilidade de continuarem o consumo.  “A sensação de risco é muito maior do que se simplesmente ouvissem dos pais ‘Isso é fase, faz parte da vida’, justifica Malbergier.

– E se, apesar do discurso de evitação, meu filho continuar usando drogas?

Não é porque ontem seu filho ou sua filha provou álcool ou alguma droga ilícita que amanhã ele ou ela será dependente, irá mal na escola, terá atritos com familiares. Em geral, a dependência é desenvolvida gradativamente. Portanto, fique atento(a) ao processo lento de mudança de comportamento social e  notará tão logo ele ou ela comece a ficar “diferente”. Caso positivo, converse. Se necessário, busque ajuda.

“É claro que vocês, pais, são os primeiros responsáveis pela orientação dos filhos quanto ao uso de cigarro, álcool e drogas ilícitas”, salienta Malbergier, no livro Saúde – A hora é agora. “Mas não os únicos. Como questão de saúde coletiva, a prevenção é responsabilidade também de professores, profissionais de saúde, autoridades governamentais e dos próprios adolescentes. Cada um tem de fazer a sua parte. ”

Para quem já é usuário, a discussão é parar ou reduzir danos. Aqui, tratamos desse aspecto.

21 de jan. de 2011

Segundo ministro da Educação, todas as liminares, inclusive a que permitia vistas dos estudantes às provas do Enem, caíram

iG Brasília | 21/01/2011 20:28

 
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Em coletiva na noite desta sexta-feira, o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que a Advocacia Geral da União (AGU) conseguiu derrubar todas as liminares contrárias ao Sistema de Seleção Unificada (SiSU). A seleção distribui vagas em instituições públicas a partir das notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) acatou pedido da AGU para que houvesse "pacificação" das decisões, por entender que juízes de primeira instância de diferentes regiões deram decisões distintas e "incoerentes entre si". Assim, o direito a ver a correção da prova e recorrer de possíveis erros, não vale mais.
"Não há como resolver essas dúvidas se não houver centralização da decisão. Agora, o MEC está com segurança jurídica para divulgar resultados na segunda-feira", afirmou Haddad, se referindo ao cronograma que prevê divulgação do resultado dos aprovados em primeira chamada no SiSU no próximo dia 24. Ao todo, pouco mais de 1 milhão de candidatos conseguiram efetuar a inscrição para as 83.215 vagas oferecidas pelo sistema.
Com a queda da liminar expedida pela Justiça do Ceará, os estudantes que participaram do Enem e não concordam com as próprias notas continuarão sem poder apresentar recursos ou revisar as próprias avaliações. Para Haddad, é difícil garantir esse direito com as dimensões que o Enem ganhou, desde a obrigatoriedade de suas notas para a concessão de bolsas de estudo para jovens de baixa renda no Programa Universidade para Todos (ProUni) e a utilização das notas pelas federais.
"Não é pouca coisa, só a China tem cifras de maior escala", disse, acrescentando que um processo seletivo como este não pode ser mudado em um fim de semana. Segundo ele, é preciso cautela e preparação adequada. "Exige preparação das empresas, digitalização das imagens, software para coloca-las a disposição, software acesso, rede, etc", comentou.
Ele defende que o mesmo critério, se adotado para o Enem, deve valer em qualquer processo seletivo. "O concurso do Ministério Público, por exemplo, não prevê recurso em edital. Acho incoerente o MP exigir que outro órgão respeite um princípio que ele não considera", afirmou. Haddad defendou que a sociedade tome uma decisão em conjunto nesse sentido e pense uma solução que trate com isonomia os processos seletivos. 



Por Sérgio - Do Blog politikei - 21.01.2011

29 de nov. de 2010

Lula diz a estudantes que em uma década Brasil passará a exportar conhecimento

Ivan Richard - Agência Brasil - 29.11.2010 

Brasília - Durante a cerimônia de premiação dos vencedores da etapa nacional da Olimpíada de Língua Portuguesa – Escrevendo o Futuro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil está se preparando para que em uma década deixe de exportar apenas matérias primas, como minério de ferro e soja, para exportar conhecimento.

Em tom de conselho aos jovens estudantes finalistas da Olimpíada Portuguesa, Lula ressaltou que estudar hoje trará mais facilidade no futuro para os jovens. “Não há espaço na vida de um jovem para desanimar. Vocês estão começando a vida agora e têm que aproveitar esse momento para estudar. Vão perceber como isso vai facilitar a vida de vocês daqui a dez anos. O Brasil não vai continuar exportando minério e soja. Vamos querer exportar conhecimento”, disse presidente.

Ministro da Educação: Sérgio Haddad

Em seu discurso, Lula reafirmou várias vezes que a presidenta eleita, Dilma Rousseff, se comprometeu em dar continuidade aos programas desenvolvidos na área de educação e também de construir mais escolas técnicas e de tempo integral, além de ampliar o número de universidade federais.

“Fizemos um pouco e a Dilma fará muito mais. Já concretizamos 10 mil escolas em tempo integral, com 2,2 milhões alunos. A Dilma se comprometeu a fazer mais 32 mil escolas em tempo integral neste país”, lembrou Lula.

“Hoje inauguramos, de uma só vez, 30 escolas técnicas e 25 campi. Vamos terminar o mandato inaugurando 126 campi avançados neste país, interiorizando as universidades, fazendo 14 universidades federais novas e, ao mesmo tempo, estamos muito alegres porque uma das professoras que ganharam o prêmio é uma companheira que se formou pelo ProUni [Programa Universidade para Todos]”, disse o presidente.
 
Ao lembrar os programas lançados em sua gestão na área de educação, como o ProUni e o Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), além das mudanças feitas no Programa de Financiamento Estudantil (Fies), Lula afirmou que o país está corrigindo desigualdades na área educacional.

“O ProUni já colocou mais de 704 mil estudantes na universidade, dos quais 40% de meninos e meninas negras. Possivelmente, o ProUni tenha na universidade mais alunos do que o Brasil tem desde que construiu a primeira universidade neste país. Uma demonstração de que estamos acabando, definitivamente, com a segregação de uma parcela da sociedade”, discursou Lula.

Edição: Fernando Fraga

31 de ago. de 2010

Florestan Fernandes, um intelectual do povo

Conheça a trajetória do sociólogo que não limitou seu conhecimento e sua militância aos muros da universidade.

Por Glauco Faria/ Revista Fórum


No último dia 10 de agosto, completaram-se 15 anos da morte do sociólogo Florestan Fernandes. Obviedade dizer que se trata de um dos maiores intelectuais que o Brasil já teve, mas é preciso ressaltar que, além da sua rica produção, ele não a confinou aos muros da universidade. Como lembra Barbara Freitag, professora titular do departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), no artigo “Florestan Fernandes: revisitado”, ele conseguiu encarnar o sentido da palavra “intelectual” utilizado por Jürgen Habermas, como aquele que “se caracteriza, entre outras coisas, pelo fato de que abre mão de qualquer dimensão elitista, e de que fala, no espaço público, não como um intelectual de partido, ou como um conselheiro do rei, mas somente em seu próprio nome, como cidadão, naturalmente com o objetivo de convencer os outros”.

Homem crítico e conectado com as grandes questões do seu tempo, o sociólogo paulista teve contato muito cedo com a realidade brasileira. Começou a trabalhar aos seis anos como engraxate e passou por diversas outras ocupações para auxiliar no sustento próprio e da família. Filho de uma migrante portuguesa que prestava serviços domésticos, seu nome de batismo foi inspirado no personagem principal da ópera Fidélio, única escrita por Beethoven. Mas ganhou da patroa de sua mãe – também sua madrinha –, Hermínia Bresser de Lima, a alcunha de “Vicente”, pois a origem estrangeira do nome do futuro intelectual incomodava a matriarca da aristocrática família. Este, além de outros atos que denunciavam a perspectiva senhorial e autoritária da elite brasileira, fariam parte das reflexões de Florestan mais tarde.

Com uma infância e adolescência ocupadas com o trabalho, o estudo ficou em segundo plano e aos 9 anos abandonou as salas de aula, voltando apenas aos 17, quando fez o madureza, uma espécie de curso supletivo. Aos 21, entrou no vestibular para a Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) e, no começo de 1941, iniciou o curso de graduação em Ciências Sociais. No entanto, teria muitas dificuldades nesse ingresso na vida acadêmica, confessadas no livro A Sociologia no Brasil (Editora Petrópolis), que ajudariam a formar o perfil e atuação do intelectual:

“A cultura dos meus mestres estrangeiros me intimidava. Eu pensava que jamais conseguiria igualá-los. O padrão era demasiado alto para nossas potencialidades provincianas – para o que o ambiente poderia suportar – e especialmente para mim, com a minha precária bagagem intelectual e as dificuldades materiais com que me defrontava, as quais roubavam grande parte do meu tempo e das minhas energias do que gostaria de fazer. Contudo, como me propunha a ser um professor de nível médio, as frustrações e os obstáculos não interferiam no meu rendimento possível. O desafio era trabalhado psicologicamente e, na verdade, reduzido à sua expressão mais simples: as exigências diretas das aulas, das provas e dos trabalhos de aproveitamento. Com isso, empobrecia o meu horizonte intelectual e humano. No entanto, não poderia sobrepujar-me e resolver os meus problemas concretos sem essa redução simplificadora, que se corrigiu por si própria, na medida em que progredi como estudante e adquiri uma nova estatura psicológica. Em suma, o Vicente que eu fora estava finalmente morrendo e nascia em seu lugar, de forma assustadora para mim, o Florestan que eu iria ser”.

A questão do negro

Freitag sugere uma divisão da obra de Florestan em três fases. A primeira se situa entre 1941 e 1968, antes da sua aposentadoria compulsória decretada pelo regime militar. No período, escreveu obras como Organização social dos tupinambás (1949) e A função social da guerra na sociedade tupinambá (1952), Fundamentos empíricos da explicação sociológica (1959) e A integração do negro na sociedade de classes (1965). Esta última, resultado de sua tese de cátedra em Sociologia na USP, é significativa por dar uma nova direção ao estudo da situação racial no Brasil, contrapondo-se a muitas proposições apresentadas, por exemplo, em Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre.

O livro trata da abolição e de como ela foi incompleta, partindo da análise do que ocorreu na cidade de São Paulo. Apesar da libertação, o Estado brasileiro não garantiu uma igualdade de fato entre os negros recém-libertos e os brancos, estabelecida apenas no plano jurídico. Para o autor, era preciso observar a herança escravista, evidenciando o preconceito racial como um dos aspectos de um processo que marca as relações sociais no Brasil, ligadas ao desenvolvimento do capitalismo no país.

A reinterpretação de Florestan a respeito dessa questão remete a um traço marcante da sua trajetória, que é a análise da sociedade a partir da ótica da exclusão. "Os negros são os testemunhos vivos da persistência de um colonialismo destrutivo, disfarçado com habilidade e soterrado por uma opressão inacreditável. O mesmo ocorre com o indígena, com os párias da terra e com os trabalhadores semilivres das cidades", explica a socióloga Heloísa Fernandes, filha de Florestan.

Sua preocupação com as relações raciais, no entanto, aparece antes de A integração do negro na sociedade de classes. No início dos anos 50, a Unesco realizava uma pesquisa no Brasil querendo desvendar como o país se constituía em um contraponto positivo à segregação racial existente nos Estados Unidos já que aqui, supostamente, a convivência entre negros e brancos era mais harmoniosa, mesmo levando-se em conta o recente passado escravista. Apesar dos recursos escassos, principalmente diante do tamanho do estudo, Roger Bastide convenceu seu colega de USP a aceitar a empreitada.

Conforme relatado por Haroldo Ceravolo Sereza, autor de Florestan – a inteligência militante

As reações aos resultados da pesquisa foram narradas pelo próprio sociólogo no Seminário de Cultura Brasileira, realizado em São Paulo, em 1984, cuja exposição está em Florestan Fernandes – Leituras e Legados (Global Editora). “De imediato, fomos considerados `tendenciosos` e responsáveis pela `deformação da verdade` em vários níveis da sociedade circundante. Houve mesmo uma ocorrência típica. O diretor de uma escola de sociologia que afirmou publicamente que Bastide e eu estávamos introduzindo ‘o problema’ no Brasil! A comunidade negra, por sua vez, exagerou a importância da nossa contribuição. Estava maravilhada com o fato de termos rompido aquele isolamento psicossocial e histórico, feito dele uma arma da razão e da crítica. Principalmente, ficaram encantados com o fato de suas lutas terem encontrado resposta e confirmação. Parecia-lhes que a sociologia lhes abria uma `ponte de justiça`, acenando com a perspectiva de que aquilo que não se convertera em história poderia vir a sê-lo no futuro próximo.”

A revolução burguesa que não houve

Em abril de 1969, um acontecimento traumático afetou a trajetória de Florestan. Ele perdeu sua cátedra de Sociologia na USP, sendo aposentado compulsoriamente pelo regime militar, em razão do Ato Institucional nº 5. Aquilo, segundo suas próprias palavras, foi "um processo de desabamento de sua relação com o mundo intelectual". A ditadura havia lhe tirado sua razão de ser e, impedido de dar aulas no Brasil, aceitou um convite da Universidade de Toronto para lecionar e rumou, sem sua família, para o Canadá. “Florestan não podia mais aparecer em público, escrever para jornais, manifestar sua oposição à ditadura que governava mediante odiosos `atos institucionais`. Reagiu de duas formas `radicais` a essa limitação: aceitou uma cátedra no Canadá e passou a usar os conceitos marxistas, falando em `luta de classes` e `revolução`, processos sociais a serem alimentados para superar a ditadura imposta no Brasil”, analisa Freitag.

O período de exílio durou até 1971, mas mesmo de volta, sua clausura prosseguiu, como ele mesmo relatou. “Fui para Toronto e fiquei lá pensando que podia lutar ali contra a ditadura. Depois, descobri que lá não se luta contra a ditadura. Os que nos ouviam eram pessoas que eu não precisava convencer (...). O esforço lá, ia na direção de fortalecer a ditadura. Por isso é que pensei: Eu volto para o Brasil e lá eu vou poder lutar. Vim para cá e não pude lutar coisa alguma, porque realmente de 73 em diante vivi dentro de um isolamento tremendo. Até 1975 eu tinha o que fazer dentro da produção anterior. Podia viver, assim, o isolamento de maneira equilibrada. Mas, depois, não. Depois eu resvalei. E a radicalização pela qual eu passei engendrou o desequilíbrio, que tive de enfrentar como pessoa. Não vá pensar que um intelectual, um sociólogo, está livre das contingências que afetam todos os seres humanos. E na medida em que eu estava isolado eu vi amigos e companheiros que sequer se lembravam de mim, eu fiquei prisioneiro da família. (...) Dei alguns cursos no Sedes e um cursinho sobre a teoria do autoritarismo, uma coisa intermediária. De repente, me vejo diante de um curso e da necessidade de engolir a condição de professor, que eu não queria engolir de novo. Realmente o que eu queria era exatamente voltar a uma atividade militante e só militante. Daí essa tensão, essa frustração.”

Florestan, como disse certa vez, viajou como “sociólogo e socialista” e retornou “socialista e sociólogo”. E é nesse período que publica uma de suas obras cruciais, A Revolução Burguesa no Brasil, que havia começado a escrever, com base em anotações de aulas, em 1966. O objetivo, de acordo com a nota explicativa do autor, era dar uma “resposta intelectual à situação política que se criara com o regime instaurado em 31 de março de 1964”. Incompleto devido à sua aposentadoria, ele retomou o trabalho, redigindo a terceira parte do livro no segundo semestre de 1973.

“Escrito em um período de maturidade intelectual, praticamente todas as reflexões anteriores dele estão condensadas nessa obra”, comenta Lidiane Soares Rodrigues, doutoranda em História na USP. “Hoje, ele tende a ser lido pelo enfoque das relações internacionais, porque é o tema mais candente e se discute muito atualmente a política externa, mas quando foi escrito a questão eram as possibilidades de formação da sociedade moderna na periferia do capitalismo e as formas de inserção do Brasil no cenário internacional como um país independente, autônomo, capaz de tomar decisões em benefício próprio”, completa. Falava-se, na prática, da constituição de uma sociedade moderna, aberta à ascensão social pelo mérito e na qual são concedidas condições minimamente equivalentes de acesso aos bens sociais.

Mas esse modelo de sociedade, na visão de Florestan, não prosperou no Brasil. “Isso não se realizou porque nossa burguesia é conservadora e nossos padrões de sociabilidade também são extremamente conservadores”, explica Lidiane. Aqui, criaram-se as condições para que se desenvolvesse um “capitalismo dependente”, que seria, segundo Rachel Aguiar Estevam do Carmo, mestranda pela Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, fruto da “chamada dupla articulação, que seria o entrosamento econômico de maneira desigual e dependente entre os países que possuem maior desenvolvimento em detrimento dos países que possuem relações sociais ainda estamentais”.

Na verdade, a revolução burguesa clássica não havia sido realizada no Brasil e traços sociais do passado, representados, por exemplo, pelas relações senhoriais, conviviam dentro de uma nova ordem econômica competitiva. Os novos atores econômicos não precisaram brigar com os antigos, mas os absorveram, passando a adotar também parte de seus métodos de dominação não-capitalista.

Para Florestan, a revolução que não havia sido feita pela burguesia nacional – e sem a qual não seria possível superar as mazelas sociais – teria que ser feita pelos trabalhadores. Mas não era algo simples. “Por isso que depois, nos anos 80, ele vai gostar de se denominar como leninista, pois acredita que, no caso da periferia do capitalismo, revolução burguesa e socialista se confundem. Caberia ao sujeito proletário garantir ambas, seria na prática uma sobretarefa. A burguesia não fez sua tarefa histórica e restava ao proletariado fazer as duas”, explica Lidiane.

“Quem leu a obra mais complexa de Florestan, A Revolução Burguesa no Brasil, não pode deixar de dar razão aos diagnósticos feitos pelo autor, denunciando os `obstáculos` e `resistências` criados pelas classes detentoras do poder, via de regra brancos, para concretizar uma sociedade democrática justa, igualitária e desenvolvida”, reflete Barbara Freitag, em entrevista concedida por e-mail, questionando em seguida: “Será que a nação brasileira, integrando índios, negros e brancos, somente se realizaria por intermédio de uma verdadeira revolução socialista?”.

O “político-revolucionário” e o PT

Em 1975, Florestan passa por uma cirurgia de próstata e, ao receber uma transfusão de sangue, contrai o vírus da hepatite C, responsável por um processo contínuo de piora da sua saúde. Ao mesmo tempo adota uma postura mais publicista que já se acentuava desde sua cassação, em uma fase de sua produção chamada por Freitag de “político-revolucionário”. Nesse período, que duraria até 1986, quando se elege deputado federal constituinte pelo PT, ele “não somente muda de referencial teórico e conceitual, apoiando-se no materialismo histórico de Marx e Lenin, como se torna menos "científico" e mais polêmico, político e revolucionário.

Fernandes percebera, na própria carne, que o indivíduo, mesmo altamente dotado e consciente para fazer o diagnóstico correto do seu tempo, não tem poder de transformação da sociedade como indivíduo isolado. Seu potencial de transformação da realidade global depende de conjunturas e tendências internacionais, nas quais o indivíduo singular submerge, sem poder de intervenção ou transformação”, analisa Freitag no artigo “Florestan Fernandes: revisitado”.

“Certamente, essa ruptura epistemológica não se deu da noite para o dia, como foi sua aposentadoria compulsória em decorrência do AI-5 de 1968. Já no Florestan reformista se encontrava o embrião do Florestan revolucionário. Mas talvez esse último não se desenvolvesse de forma tão radical e consistente em direção ao socialismo se a conjuntura política tivesse sido outra, ou melhor, se tivesse continuado o pacto populista-desenvolvimentista”, pondera a socióloga.

Nesse sentido, Heloísa Fernandes explica que seu pai nunca foi um sociólogo dogmático. “Ele manteve a ideia de que a sociologia clássica, que ele denominava sociologia da ordem, detinha e expressava potencialidades criadoras, vinculadas à história e à inquietação intelectual, diferentemente da nova sociologia da ordem, aquela da fase monopolista do capitalismo, que perde a dimensão histórica e que ele denomina de `sociologia de defesa ativa da ordem`; quando o sociólogo tende a se tornar mero `paladino da ordem`, que ele concebe como um `problema técnico` e não mais histórico. Ela cita um trecho de A Natureza Sociológica para expressar essa visão. "Os computadores não invadiram, pois, apenas os `meios de conhecimento` da sociologia. Eles impregnaram a imaginação sociológica, levando-a a praticar uma ` redução cibernética da realidade` . Em consequência, a ordem deixa de ser um fato histórico (...)".

Assim, segundo Heloísa, para Florestan a sociologia clássica, inclusive a da ordem, elabora teorias que permitem a construção, descrição e interpretação da realidade social. Suas categorias estão impregnadas de historicidade e o sociólogo a elas recorre como suas "caixas de ferramentas". “Ele nunca defendeu a ideia de que os métodos de investigação e interpretação devessem ser escolhidos por critérios políticos. São os problemas investigados que determinam os instrumentos de investigação”, aponta. “Aliás, eu mesma defendi na minha apresentação Florestan Fernandes: um sociólogo socialista ao livro Dominación y Desigualdad: el dilema social latinoamericano que: `Graças a este extraordinário conceito de ordem social, o sociólogo se manteve atento à exclusão da maioria da plena cidadania e o socialista não submergiu numa narrativa teleológica das classes sociais. Sua perspectiva sociológica manteve o foco nos condenados da terra, e estes estão aquém da classe operária, ou para além dos muros da ordem social competitiva, continuam ali, de onde ele próprio emergiu.`”

Em maio de 1986, uma nova mudança na trajetória de Florestan. Após uma reunião com Lula, Eduardo Suplicy e José Dirceu, o sociólogo aceita o convite para ingressar no Partido dos Trabalhadores. Em entrevista descrita por Ceravolo Sereza, concedida ao jornal Convergência Socialista, que representava à época a esquerda trotskista do partido, ele justifica a escolha pela agremiação. “Havia poucas alternativas... eu poderia ter entrado no PT antes, se o PT tivesse antes se definido em termos de posições socialistas mais esquerdistas”. Eleito parlamentar com 50.024 votos, a quarta melhor votação petista em São Paulo – atrás de Lula, Plínio de Arruda Sampaio e Luiz Gushiken –, apesar de manter sua postura socialista, disse em uma entrevista de fevereiro de 1987, ao Jornal do Brasil, que era possível fazer composições com outros partidos em alguns pontos. “No que diz respeito à defesa da natureza como riqueza social para o Brasil, por exemplo, eu, que pertenço à extrema esquerda do PT, falo da mesma forma que Fábio Feldmann, eleito pelo PMDB.”

Na Assembleia Constituinte, ocupou a subcomissão de Educação, Cultura e Esportes, tendo apresentado um total de 96 emendas, 34 das quais foram integradas ao texto final, dentre elas a que garante a autonomia das universidades. Em seu segundo mandato, em 1993, apesar de o PT ter decidido não participar da revisão constitucional, Florestan apresentou uma proposta de emenda para incluir políticas afirmativas de inclusão da população negra à Constituição, uma forma, segundo disse à época, de “corrigir uma injustiça que desgraça as pessoas e as comunidades negras”. Mas um acordo entre líderes partidários fez com que a emenda não entrasse na pauta de votação, e parte do que o sociólogo vislumbrava no texto só sairia do papel mais de uma década depois.

No parlamento, sua principal preocupação foi a educação. Isso o leva a um embate, em seu segundo mandato, com o senador e antropólogo Darcy Ribeiro (PDT), durante as discussões para a elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). “O papel dele nos embates que culminaram com a elaboração da LDB foi fundamental”, avalia Kátia Lima, doutora em Educação e professora da Universidade Federal Fluminense. “Os debates realizados no parlamento e nas atividades organizadas pelo Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, importante polo aglutinador dos movimentos sociais, sindicais e estudantis, em defesa da educação pública e gratuita, culminam na versão elaborada pelo senador Cid Sabóia. Estes debates adquirem novos rumos com a apresentação, em 1992, de um substituto para o projeto de LDB elaborado por Darcy Ribeiro. O senador, ignorando o trâmite democrático do projeto de Cid Sabóia, ocorrido na Câmara e no Senado, formulou, com a assessoria de membros do Ministério da Educação, outro projeto”, relata. “Todo este processo foi vivido intensamente por Florestan, acusado, injustamente por Darcy de abandonar os trabalhadores, que estudavam à noite em péssimas escolas, à própria sorte. Este embate entre os dois constitui, na minha avaliação, a expressão do embate histórico entre projetos antagônicos de educação e de sociabilidade: o projeto em torno da luta pela educação pública e gratuita, por um lado, e a `liberdade de ensino`, por outro, defendida pelo setor privado leigo e confessional.”

O descanso do lutador

Já no fim do segundo mandato, a saúde de Florestan estava debilitada e o fato de ter conhecido o Legislativo “por dentro” o desanimou de tentar mais uma eleição. “Ele estava desiludido com a luta política e conheceu uma face do poder que até então não conhecia. Pediram para ele se candidatar novamente e ele veio falar comigo, dizendo que nunca havia tirado férias, que precisava descansar, mas tinha medo de ser taxado de `traidor`. Ele não acreditava mais nas possibilidades do Congresso Nacional, mas mesmo assim sua postura ética era tão forte que ele ainda hesitava”, relembra Heloísa Fernandes.

Assim, seguiu lutando contra os efeitos da hepatite e continuou participando do debate público por meio de artigos publicados na Folha de S. Paulo. No dia 10 de agosto, após menos de uma semana de um transplante de fígado fracassado, Florestan faleceu, deixando, além da vasta obra que o situa como um dos maiores sociólogos e pensadores políticos da história do Brasil, também um exemplo de militância, de alguém que sempre privilegiou a perspectiva dos excluídos em um meio acadêmico que muitas vezes dá as costas a eles. E hoje, sua ausência ainda é sentida no âmbito das discussões públicas. “Ele era sempre o `chato`, quando todo mundo estava muito satisfeito, chegava e ponderava que não era por aí. No debate político essa figura é muito importante, sem alguém assim, descambamos para a direita ou para o conformismo de uma maneira mais fácil”, analisa Lidiane Rodrigues.

A filha Heloisa conta como a morte do pai a fez se afastar da universidade e de que forma a força de sua presença a fez retornar. “Quando meu pai estava doente, queria ficar mais próxima dele, mas tinha muitas atividades acadêmicas. O fato de não poder conviver com ele nessa fase me deixou com um ódio profundo da universidade. Quando me aposentei fiquei totalmente afastada, fazia tecelagem, cheguei a importar livros... Não queria falar do meu pai, ficava péssima e não participava de homenagens, solenidades, eventos”, relembra.

“Na inauguração da Escola Nacional Florestan Fernandes, meu irmão estava viajando e ele pediu para eu ir. Minha mãe ficou uma hora no telefone tentando me convencer e neguei. Depois pensei que ela ia acabar indo, então voltei atrás. Estava irritada, ainda mais porque o evento ia ser no dia do meu aniversário. Naquela noite, sonhei que acordava com um barulho forte fora de casa. Levantava, olhava pela fresta da janela e via vários trabalhadores em um caminhão, com meu pai entre eles. Então ele descia e falava para mim: `Levanta, hoje é dia de festa`”, conta, emocionada. “Aquele dia foi o fim do meu luto.”

No Twitter: @glaucofr

Fonte: Revista Fórum

Do Blog do Mercadante - 31.08.2010

22 de ago. de 2010

Blogueiros apóiam Cloaca e entram na Justiça contra Serra


O I Encontro Nacional de Blogueiros reúne em São Paulo 323 blogueiros independentes e progressistas, de 19 estados.

Ele bombou ao nascer, diz o Azenha.
Leia também a reportagem de André Cintra, no Vermelho.
Segundo Luis Nassif, um dos expositores, é um “fim de ciclo”, o fim de uma hegemonia.

Segundo Paulo Henrique Amorim é a festiva organização dos funerais do PiG (*).

O professor Emir Sader, do Carta Maior,  ressaltou que ali se celebrava a criação de uma “esfera pública na defesa de direitos”.

Para escapar da lógica mercantil que opõe o estatal ao privado.

E a esfera pública não é uma nem outra.

Por aclamação – estava prevista uma votação secretíssima – e delírio da platéia, o Cloaca News recebeu o troféu Barão de Itararé, como o Blog do Ano.

A Comissão Organizadora, também por aclamação e entusiasmo incontido, decidiu entregar por Sedex – para prestigiar os Correios – o troféu “O Corvo” a Judith Brito, re-eleita presidente da Associação Nacional dos Jornais.

O professor Emir Sader havia concedido troféu do mesmo nome e o mesmo traço de Maringoni ao Otavinho.

Ninguém melhor do que uma funcionária da Folha (**) para levar adiante a gloriosa premiação.

O I Encontro deliberou apoiar e subscrever a ação judicial iniciada pelo Cloaca News – clique aqui para ler “Blogosfera reage” e aqui para ir ao Cloaca.

O Cloaca vai interpelar o jenio para saber quem é o “blog sujo” que vive à custa de dinheiro do Lula.

Na abertura do Encontro, tornou-se oficial a decisão de o Barão de Itararé entrar no Supremo com uma ADIN por Omissão, contra o Congresso Nacional, que não regulamenta os artigos da Constituição que tratam da Comunicação Social.

A ação é de autoria do emérito professor Fabio Konder Comparato, como mostrou este Conversa Afiada.

O Encontro se realizou sob inspiração de afirmação do Ministro Ayres Britto, do Supremo: “A liberdade da internet é maior do que a liberdade da imprensa”.

Várias idéias surgiram no Encontro que, entre atividades principais, tentou oferecer dicas para enfrentar ações na Justiça, vender publicidade para sobreviver, e utilizar a tecnologia – twitter, áudio, vídeo e as redes sociais – para defender a liberdade de expressão.

Surgiram idéias desafiadoras, como uma “cooperativa de páginas vistas”, um projeto para ter acesso a publicidade pública, e bombar a  página do Instituto Barão de Itararé, organizador do evento, e se torne um portal para expor todos os blogueiros progressistas.

Ainda esta semana, sob a presidência ilustre do Miro Borges, o Barão se reunirá no restaurante “Sujinho” de São Paulo para levar adiante as deliberações do Encontro.

Então, se discutirá a proposta deste ordinário blogueiro de conferir um prêmio especial ao José Serra no II Encontro.

Já que, no dia 4 de outubro, ele será um twitteiro e nada mais, conferir-lhe um prêmio e um troféu desenhado pelo Maringoni.

O troféu Cascão.

Paulo Henrique Amorim
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27 de jun. de 2010

Educação para combater as drogas entre universitários

A fórmula para prevenir o uso de drogas entre jovens universitários é a educação. A Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD), em parceria com o Ministério da Educação, está elaborando uma disciplina específica sobre drogas para os cursos de graduação, principalmente nas áreas de Saúde, Educação e Ciências Sociais. Os diretórios acadêmicos também serão chamados a ampliar o debate sobre o tema. Projetos de extensão universitária sobre o tema serão apoiados.

A ação focada no jovem universitário é uma resposta ao resultado do 1º levantamento Nacional sobre o Uso de Álcool, Tabaco e Outras drogas, divulgado na última semana pela secretaria. Segundo a pesquisa, quase metade dos universitários brasileiros já experimentaram algum tipo de droga ilegal. O levantamento foi realizado entre 18 mil estudantes de todo o país.

Foram entrevistados alunos de cem instituições particulares e públicas de ensino superior nas 26 capitais do País, mais o Distrito Federal. A intenção agora é usar os resultados para criar políticas específicas contra o uso de drogas. “O governo vem realizando uma série de ações voltadas a populações mais vulneráveis, como é o caso dos universitários”, afirmou a secretaria da Senad, Paulina Duarte.

O jovem universitário que usa drogas tem até 35 anos, cursa alguma área de ciências humanas e estuda a noite. Para o psiquiatra Arthur Guerra de Andrade, da USP, um dos responsáveis pelo estudo, pesquisas semelhantes feitas em outros países também mostraram que uso maior de drogas acontecem entre os graduandos.

Andrade citou três motivos para grande uso de drogas entre os universitários. O primeiro motivo é que o jovem ao ingressar em uma universidade se sente adulto, podendo experimentar coisas que antes não fazia. “Muitas vezes ele pratica um esporte pela primeira vez, ou inicia sua vida sexual, e usa substâncias proibidas”.

Outro motivo é que nessa fase da vida o jovem acha que nada vai acontecer com ele. “Alguns falam até que tem o corpo fechado. O que isso significa? Que o jovem acha que vai usar drogas, mas não vai se tornar dependente. Mas, mesmo assim, ele usa porque está todo mundo usando.” Por fim, está a pressão de outros jovem é muito grande. Segundo Andrade, o jovem que se vê envolvido com outros usuários se vê praticamente obrigado a usar também.

Estudantes universitários de todo o país já estão sendo capacitados pelo Governo para trabalhar, por meio do Projeto Rondon, nas em comunidades urbanas com maior vulnerabilidade para consumo e tráfico de drogas, em especial o crack.

Do blog Dilma na Web

18 de jun. de 2010

José Saramago, para sempre


Morre José Saramago, sócio correspondente da ABL

O escritor português e sócio correspondente da ABL, 7º ocupante da cadeira nº 16, José Saramago, morreu hoje, 18 de junho, aos 87 anos, em sua casa, em Lanzarota (Ilhas Canárias, na Espanha).

Saramago encontrava-se doente, de acordo com seu editor, Zeferino Coelho, em entrevista ao jornal português "Público". Suspeita-se que Saramago sofria de problemas respiratórios.

A informação sobre o falecimento foi passada por sua família à agência de notícias EFE.

O autor de "Ensaio sobre a cegueira" era um dos maiores nomes da literatura contemporânea e vencedor de um prêmio Nobel de Literatura no ano de 1998. Em 2009, foi eleito sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras, com 28 votos. Além disso, fez lançamento mundial do livro "A viagem do elefante", em novembro de 2008, na ABL.

Entre seus livros mais conhecidos estão "O evangelho segundo Jesus Cristo", "A balsa de pedra" e "A viagem do elefante".

Academia Brasileira de Letras - 18/6/2010

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Poema de José Saramago


Retrato do poeta quando jovem


Há na memória um rio onde navegam
Os barcos da infância, em arcadas
De ramos inquietos que despregam
Sobre as águas as folhas recurvadas.

Há um bater de remos compassado
No silêncio da lisa madrugada,
Ondas brancas se afastam para o lado
Com o
rumor da seda amarrotada.

Há um nascer do sol no sítio exacto,
À hora que mais conta duma vida,
Um acordar dos olhos e do tact
o,
Um ansiar de sede inextinguida.

Há um retrato de água e de quebranto
Que do fundo rompeu desta memória,
E tudo quanto é rio abre no canto
Que conta do retrato a velha história.

(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)

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ABL esperava visita de Saramago para posse como sócio correspondente

Redação Portal IMPRENSA

A Academia Brasileira de Letras (ABL) comunicou que ficará três dias de luto pelo escritor português José Saramago, que morreu, aos 87 anos, na manhã desta sexta-feira (19). A ABL aguardava uma visita de Saramago ainda neste ano, para que ele tomasse posse da Cadeira 16, como sócio correspondente.

"A notícia nos deixou em estado de enorme tristeza. A próxima sessão acadêmica, quinta-feira que vem, dia 24, na ABL, será dedicada à memória do grande escritor português, por quem sempre tivemos o maior respeito e admiração", afirmou o presidente Marcos Vinicios Vilaça.

Saramago ficaria com a vaga do escritor francês Maurice Druon. Segundo a ABL, o português dedicou sua coluna no
Diário de Notícias de Lisboa à Academia Brasileira de Letras, assim que soube da eleição. "Eis-me portanto acadêmico no país que mais amo depois do meu, o Brasil. É como estar em casa", disse o escritor.

A Secretária-Geral da ABL, Acadêmica Ana Maria Machado, também lamentou a morte. "As letras brasileiras se associam à dor de seus leitores por todo o mundo, lamentando sua partida e celebrando sua literatura que permanece. Um sábio, um grande escritor, um ser humano de primeira grandeza", afirmou.

Saramago apresentava há mais de um ano complicações de saúde, com pneumonias frequentes, mas seu estado era considerado estável. Quando morreu, estava em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

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José Saramago morre, aos 87 anos, nas Ilhas Canárias

Redação Portal IMPRENSA

Divulgação
José Saramago

Morreu, nesta sexta-feira (18), o escritor e Prêmio Nobel de Literatura José Saramago. Aos 87 anos, o escritor apresentava há mais de um ano complicações de saúde, com pneumonias frequentes, mas seu estado era considerado estável. Saramago estava em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

Ainda não há informações precisas sobre cerimônias fúnebres e sepultamento.

Saiba mais

Um dos maiores nomes da literatura contemporânea mundial, o escritor português escrever, entre outras obras, o livro "Ensaio sobre a cegueira", que lhe rendeu o Nobel de Literatura. Também ganhou o Prêmio Camões, a mais importante honraria literária da língua portuguesa.

Saramago foi conhecido por utilizar frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional. Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a pensar se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento.

Nasceu na aldeia de Azinhaga no dia 16 de Novembro de 1922, embora seu registro oficial mencione o dia 18. Publicou o seu primeiro livro, o romance "Terra do Pecado", em 1947, voltando a publicar apenas em 1966.

Entre os livros de maior destaque estão o "Memorial do Convento" e o "Evangelho Segundo Jesus Cristo".

Trabalhou durante doze anos numa editora, na qual exerceu funções de direção de Redação e de produção. Colaborou como crítico literário na Revista Seara Nova.

Em 1972 e 1973, fez parte da redação do jornal Diário de Lisboa, no qual foi colunista político e coordenou o suplemento cultural. Pertenceu à primeira Direção da Associação Portuguesa de Escritores. Entre Abril e Novembro de 1975, foi diretor-adjunto do Diário de Notícias. Desde 1976, vivia exclusivamente do seu trabalho literário.

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"Saramago contribuiu de maneira decisiva para valorizar a língua portuguesa", diz Lula

Redação Portal IMPRENSA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nesta sexta-feira (18) uma nota em que lamenta a morte do escritor português José Saramago, segundo a Folha.com. O escritor morreu, aos 87 anos, em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias. Apresentava complicações de saúde há mais de um ano, mas seu estado era considerado estável.

"Nós, da comunidade lusófona, temos muito orgulho do que o seu talento fez pelo engrandecimento do nosso idioma", disse o presidente.

Lula afirmou ainda que o escritor contribuiu de maneira decisiva para valorizar a língua portuguesa e que se solidariza, em nome dos brasileiros, com toda a nação portuguesa pela perda de seu filho ilustre.

Nota de pesar do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pela morte do escritor José Saramago:

"José Saramago contribuiu de maneira decisiva para valorizar a língua portuguesa. De origem humilde, tornou-se autodidata e se projetou como um dos maiores nomes da literatura mundial. Recebeu o Prêmio Camões, distinção máxima conferida a escritores de língua portuguesa, e o Prêmio Nobel de Literatura. Nós, da comunidade lusófona, temos muito orgulho do que o seu talento fez pelo engrandecimento do nosso idioma. Intelectual respeitado em todo o mundo, Saramago nunca esqueceu suas origens, tornando-se militante das causas sociais e da liberdade por toda a vida. Neste momento de dor, quero me solidarizar, em nome dos brasileiros, com toda a nação portuguesa pela perda de seu filho ilustre.

Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil"


'Mundo ficou mais burro e cego', diz Meirelles com a morte de Saramago.


Fernando Meirelles no set do filme 'Ensaio sobre a cegueira', de 2008.Fernando Meirelles no set do filme 'Ensaio sobre
a cegueira', filme de 2008. (Foto: Divulgação)

O cineasta Fernando Meirelles divulgou um comunicado sobre a morte do escritor José Saramago, ocorrida nesta sexta-feira (18), nas Ilhas Canárias.

Segundo Meirelles, que dirigiu uma adaptação de "Ensaio sobre a cegueira" para as telas em 2008 - em produção hollywoodiana e apoiada pelo autor - Saramago era um "homem lógico".

"[Ele] dizia que a morte é simplesmente a diferença entre o estar aqui e já não mais estar. Combatia as religiões com fúria, dizia que elas nos embaçam nossa visão", diz o cineasta. "Mesmo assim não consigo deixar de pensar que adoraria que neste momento ele estivesse tendo que dar o braço a torcer ao ser surpreendido por algum outro tipo de vida depois desta que teve por aqui."

Meirelles conta que se encontrou com o escritor pela última vez em novembro de 2009, na cidade de Penafiel, em Portugal, por conta de um documentário que sua produtora vinha desenvolvendo sobre a vida do escritor e de sua esposa, a jornalista Pilar del Río.

A produção, intitulada, "José e Pilar" estava sendo dirigida pelo português Miguel Mendes. "O filme é comovente de cortar os pulsos. Vemos ali um homem brilhante que sabe que seu tempo está acabando e tem muita pena de morrer. O dia no qual ele pensava constantemente e que tentou adiar, chegou", afirma Meirelles.

O diretor de "Cidade de Deus" finaliza o comentário sobre o adeus a Saramago festejando sua inteligência. "A lucidez naquele grau é um privilégio de poucos, não consigo escapar do clichê, mas definitivamente o mundo ficou ainda mais burro e ainda mais cego hoje".

Cineasta fala de encontro com Saramago
À época das filmagens de "Ensaio sobre a cegueira", Meirelles manteve um blog em que narrava bastidores da produção, que conta a história de uma epidemia branca que cega as pessoas, metáfora da cegueira social.

Em um dos posts, o cineasta relata um encontro com Saramago em um restaurante português. O assunto? Atores a serem escolhidos para viver personagens imaginados pelo autor.

"(...) Saramago é um homem alto e muito em forma para seus oitenta e poucos anos, certamente pelo seu hábito de sempre caminhar ao invés de usar carro. É uma figura um pouco intimidante, eu estava tenso, mas ele foi muito amável e até afetuoso. Havia relido o livro duas vezes antes de ir para Portugal e já estava começando a trabalhar com o Don numa nova versão do roteiro. Estava cheio de perguntas a fazer, mas senti que ele preferia não explicar muito as personagens ou as intenções do livro. Foi específico apenas com relação ao Cão das Lágrimas, “Tem que ser um cachorro bem grande”, disse. Tentei teorizar sobre o Garoto Estrábico, mas ele não se impressionou: “É só um menino”. Ponto.

O ator Danny Glover em cena de 'Ensaio sobre a cegueira', de Fernando Meirelles. (Foto: Divulgação


Entre um bacalhau com ovo mexido (à Brás?) e a outro com azeitonas e pimentão, conversamos sobre locações e alguns nomes para o elenco. Ele aprovou, por exemplo, a escolha de Danny Glover para interpretar o Velho da Venda Preta. Isso foi uma boa notícia, uma vez que este personagem será uma espécie de alter ego do próprio escritor, ao menos é como eu estou encarando.

Danny Glover, assim como Saramago, é um homem grande e cheio de vitalidade. A venda preta em um dos olhos da personagem e a catarata no outro tem alguma relação com os pesados óculos do autor e é algo carregado de sentidos. Por não enxergar muito bem talvez este personagem viva mais em contato com seu mundo interno e imune à superficialidade do mundo sensorial, o que lhe permite, mesmo quando vítima da cegueira branca, compreender melhor e refletir sobre o caos onde todos estão instalados.

Na epígrafe do livro Saramago diz: “Se pode olhar, veja. Se pode ver, repara". Olhar com a percepção mecânica da visão, ver como uma observação mais atenta do que nos aparece à vista, uma visão analítica, e finalmente reparar no sentido de se libertar da superficialidade da visão e se aprofundar no interior do que é o homem e assim conhecê-lo. Se isso faz algum sentido, este Velho da Venda Preta será um homem que repara, que tem subjetividade e vida interior como o próprio autor.

Pôster nacional de 'Ensaio', com Julianne Moore e Alice Braga no elenco.Pôster nacional de 'Ensaio', com Julianne Moore
e Alice Braga no elenco. (Foto: Divulgação)

Apesar de feliz pelo encontro, aquela noite me deixou apreensivo. Por ter sempre recusado a vender os direitos de seus livros para adaptação (“cinema destrói a imaginação”) achei que ele não estivesse interessado no filme.

Para meu desespero, estava enganado. Ele está interessado sim, perguntou várias vezes quando ficaria pronto ou quando poderia assistir algo. Depois do nosso encontro, me mandou um e-mail dispondo-se a colaborar caso eu precisasse e dizendo-se totalmente confiante em relação ao nosso trabalho. Antes não estivesse tão confiante assim, o risco de uma grande decepção seria menor. Sei que nenhuma projeção desse filme será tão tensa quanto a que farei para apresentá-lo ao autor da história."