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20 de jun. de 2010

Brasil, Saramago e a cegueira. (in Vídeo)


Um dos últimos contatos de Saramago com o Brasil, quando esteve com Fernando Meirelles, no lançamento do filme Ensaio sobre a cegueira.




Veja o Vídeo



MORRE SARAMAGO!!!!


E Saramago escreveu... “Penso que não cegamos, penso que estamos cegos. Cegos que vêem. Cegos que, vendo, não vêem.”
Por Tereza - Abra os Olhos - 19.06.2010

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A ERA DO GRUNHIDO

Flávio Gomes

O Brasil tem uma revista semanal, “Veja”, que se considera a maior do país. Deve até ser mesmo, sei lá quais são os critérios, não sei quantos leitores tem, quanto fatura, não me interessa. Deixei de assinar essa porcaria anos atrás, já não me lembro se por algum motivo específico, ou se foi, apenas, porque um dia peguei na porta de casa e me espantei: eu ainda gasto dinheiro com esta merda?

Tal revista perdeu a relevância, para estabelecer um marco, depois da queda de Collor de Mello. Naqueles anos de impeachment, as semanais deram vários furos, foram importantes, descobriram coisas. Depois, sumiram. Hoje, a “Veja” é reduto de uns caras chiliquentos como Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes. “Ah, você não lê, como sabe?”, vai perguntar alguém.

Eu de tudo sei, tudo conheço. Piadinha interna.

Mas não quero falar aqui dessas figuras ridículas que acham que escrevem bem e que se julgam parte de algum grupo de pensadores contemporâneos, já que são cheios de fazer citações by Wikipedia e com elas impressionam seus leitores babacas. O que escrevem e dizem, para não ofender demais, repercute entre eles três e seus leitores babacas, todos compartilhados. Eles detestam o Lula e o PT, e é tudo que conseguem exprimir com sua verborragia enjoativa e padronizada. Mas dali não sai, suas opiniões e ataques histéricos contra o que chamam de esquerda brasileira não têm importância alguma, não produzem eco algum.


Só que a capa da “Veja”, embora a revista seja uma droga indizível, tem importância, sim. Afinal, ela é vista por alguns milhões de pessoas, repousa amarrotada durante meses em mesinhas de consultórios médicos, dentistas e despachantes, e as pessoas a notam nas bancas de jornais, ao lado de mulheres peladas. E algumas pessoas ainda puxam assunto em mesas de bares e restaurantes dizendo “li na ‘Veja’”, e tal. São os “formadores de opinião”. Uau.

E aí aparece aqui na minha frente, no estúdio da rádio, a ”Veja” que foi hoje às bancas. Na capa, “CALA BOCA GALVÃO”, uma foto do narrador da Globo, e está dada a senha para uma pretensa reportagem séria de sete páginas, um “box” e três gráficos sobre o poder do Twitter, motivada por uma bobagem infanto-juvenil que nem os “tuiteiros” levam muito a sério, lançada no dia da abertura da Copa. Aliás, nem o Galvão levou a sério, claro, porque discutir um uma “hashtag” de Twitter é como sugerir um seminário para analisar a musicalidade de uma vuvuzela, ou um congresso sobre comunidades bizarras do Orkut.

Ontem morreu José Saramago. O maior escritor da língua portuguesa mereceu desse semanário indefensável meia página, com uma foto e uma legenda editorializada, porque ”Veja” tem opiniões formadas até sobre índice e numeração de páginas. Diz a legenda: “ESTILO E EQUÍVOCO”, reduzindo Saramago a isso, a alguém que tinha estilo e era equivocado, para atacar as posições políticas e religiosas do escritor, comunista e ateu.


Alguém ser comunista e ateu, para a “Veja”, é algo mais condenável do que estuprar a mãe no tanque. “Ao lado da criação literária, manteve-se sempre ativo, e equivocado, na política”, diz o texto pastoso, que nem assinado foi. Uma pobreza jornalística inacreditável. “Nos países cujos regimes ele defendia, nenhum escritor que ousou discordar teve o luxo de uma morte tranquila”, encerra o autor. Como é que alguém pode escrever uma merda desse tamanho? Será que essa gente não tem vergonha do que coloca no papel?
Pois todas as palavras ditas e escritas por Saramago, capaz de obras-primas da literatura universal como “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, “Ensaio Sobre a Cegueira”, “Todos os Nomes”, “Memorial do Convento”, “Caim”, “Jangada de Pedra”, mereceram da “Veja” meia página, enquanto três palavras bobas espalhadas pelo Twitter foram parar na capa da revista e em sete de suas páginas.
O que mais me atormenta, quando vejo essas coisas, é saber que graças a decisões editoriais como essa, uma babaquice como o “CALA BOCA GALVÃO” assume, diante dos olhos e do julgamento dos retardados que levam tal revista a sério, uma importância bem maior do que a vida e a obra de Saramago.
Saramago pedindo um café a sua esposa tem mais conteúdo, provavelmente, do que todas as edições juntas de “Veja” dos últimos 15 anos. Ele tinha razão, quando falava do Twitter — não se enganem, Saramago tinha até blog, não era um velhote vivendo numa caverna. Numa recente entrevista por e-mail a “O Globo”, disse: “Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido”.

Pois a “Veja”, hoje, inaugurou a era do grunhido impresso.

Por Jornalisticamente Falando - 20.06.2010

18 de jun. de 2010

José Saramago, para sempre


Morre José Saramago, sócio correspondente da ABL

O escritor português e sócio correspondente da ABL, 7º ocupante da cadeira nº 16, José Saramago, morreu hoje, 18 de junho, aos 87 anos, em sua casa, em Lanzarota (Ilhas Canárias, na Espanha).

Saramago encontrava-se doente, de acordo com seu editor, Zeferino Coelho, em entrevista ao jornal português "Público". Suspeita-se que Saramago sofria de problemas respiratórios.

A informação sobre o falecimento foi passada por sua família à agência de notícias EFE.

O autor de "Ensaio sobre a cegueira" era um dos maiores nomes da literatura contemporânea e vencedor de um prêmio Nobel de Literatura no ano de 1998. Em 2009, foi eleito sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras, com 28 votos. Além disso, fez lançamento mundial do livro "A viagem do elefante", em novembro de 2008, na ABL.

Entre seus livros mais conhecidos estão "O evangelho segundo Jesus Cristo", "A balsa de pedra" e "A viagem do elefante".

Academia Brasileira de Letras - 18/6/2010

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Poema de José Saramago


Retrato do poeta quando jovem


Há na memória um rio onde navegam
Os barcos da infância, em arcadas
De ramos inquietos que despregam
Sobre as águas as folhas recurvadas.

Há um bater de remos compassado
No silêncio da lisa madrugada,
Ondas brancas se afastam para o lado
Com o
rumor da seda amarrotada.

Há um nascer do sol no sítio exacto,
À hora que mais conta duma vida,
Um acordar dos olhos e do tact
o,
Um ansiar de sede inextinguida.

Há um retrato de água e de quebranto
Que do fundo rompeu desta memória,
E tudo quanto é rio abre no canto
Que conta do retrato a velha história.

(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)

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ABL esperava visita de Saramago para posse como sócio correspondente

Redação Portal IMPRENSA

A Academia Brasileira de Letras (ABL) comunicou que ficará três dias de luto pelo escritor português José Saramago, que morreu, aos 87 anos, na manhã desta sexta-feira (19). A ABL aguardava uma visita de Saramago ainda neste ano, para que ele tomasse posse da Cadeira 16, como sócio correspondente.

"A notícia nos deixou em estado de enorme tristeza. A próxima sessão acadêmica, quinta-feira que vem, dia 24, na ABL, será dedicada à memória do grande escritor português, por quem sempre tivemos o maior respeito e admiração", afirmou o presidente Marcos Vinicios Vilaça.

Saramago ficaria com a vaga do escritor francês Maurice Druon. Segundo a ABL, o português dedicou sua coluna no
Diário de Notícias de Lisboa à Academia Brasileira de Letras, assim que soube da eleição. "Eis-me portanto acadêmico no país que mais amo depois do meu, o Brasil. É como estar em casa", disse o escritor.

A Secretária-Geral da ABL, Acadêmica Ana Maria Machado, também lamentou a morte. "As letras brasileiras se associam à dor de seus leitores por todo o mundo, lamentando sua partida e celebrando sua literatura que permanece. Um sábio, um grande escritor, um ser humano de primeira grandeza", afirmou.

Saramago apresentava há mais de um ano complicações de saúde, com pneumonias frequentes, mas seu estado era considerado estável. Quando morreu, estava em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

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José Saramago morre, aos 87 anos, nas Ilhas Canárias

Redação Portal IMPRENSA

Divulgação
José Saramago

Morreu, nesta sexta-feira (18), o escritor e Prêmio Nobel de Literatura José Saramago. Aos 87 anos, o escritor apresentava há mais de um ano complicações de saúde, com pneumonias frequentes, mas seu estado era considerado estável. Saramago estava em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

Ainda não há informações precisas sobre cerimônias fúnebres e sepultamento.

Saiba mais

Um dos maiores nomes da literatura contemporânea mundial, o escritor português escrever, entre outras obras, o livro "Ensaio sobre a cegueira", que lhe rendeu o Nobel de Literatura. Também ganhou o Prêmio Camões, a mais importante honraria literária da língua portuguesa.

Saramago foi conhecido por utilizar frases e períodos compridos, usando a pontuação de uma maneira não convencional. Os diálogos das personagens são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem, de forma que não existem travessões nos seus livros: este tipo de marcação das falas propicia uma forte sensação de fluxo de consciência, a ponto do leitor chegar a pensar se um certo diálogo foi real ou apenas um pensamento.

Nasceu na aldeia de Azinhaga no dia 16 de Novembro de 1922, embora seu registro oficial mencione o dia 18. Publicou o seu primeiro livro, o romance "Terra do Pecado", em 1947, voltando a publicar apenas em 1966.

Entre os livros de maior destaque estão o "Memorial do Convento" e o "Evangelho Segundo Jesus Cristo".

Trabalhou durante doze anos numa editora, na qual exerceu funções de direção de Redação e de produção. Colaborou como crítico literário na Revista Seara Nova.

Em 1972 e 1973, fez parte da redação do jornal Diário de Lisboa, no qual foi colunista político e coordenou o suplemento cultural. Pertenceu à primeira Direção da Associação Portuguesa de Escritores. Entre Abril e Novembro de 1975, foi diretor-adjunto do Diário de Notícias. Desde 1976, vivia exclusivamente do seu trabalho literário.

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"Saramago contribuiu de maneira decisiva para valorizar a língua portuguesa", diz Lula

Redação Portal IMPRENSA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nesta sexta-feira (18) uma nota em que lamenta a morte do escritor português José Saramago, segundo a Folha.com. O escritor morreu, aos 87 anos, em sua casa em Lanzarote, nas Ilhas Canárias. Apresentava complicações de saúde há mais de um ano, mas seu estado era considerado estável.

"Nós, da comunidade lusófona, temos muito orgulho do que o seu talento fez pelo engrandecimento do nosso idioma", disse o presidente.

Lula afirmou ainda que o escritor contribuiu de maneira decisiva para valorizar a língua portuguesa e que se solidariza, em nome dos brasileiros, com toda a nação portuguesa pela perda de seu filho ilustre.

Nota de pesar do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pela morte do escritor José Saramago:

"José Saramago contribuiu de maneira decisiva para valorizar a língua portuguesa. De origem humilde, tornou-se autodidata e se projetou como um dos maiores nomes da literatura mundial. Recebeu o Prêmio Camões, distinção máxima conferida a escritores de língua portuguesa, e o Prêmio Nobel de Literatura. Nós, da comunidade lusófona, temos muito orgulho do que o seu talento fez pelo engrandecimento do nosso idioma. Intelectual respeitado em todo o mundo, Saramago nunca esqueceu suas origens, tornando-se militante das causas sociais e da liberdade por toda a vida. Neste momento de dor, quero me solidarizar, em nome dos brasileiros, com toda a nação portuguesa pela perda de seu filho ilustre.

Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República Federativa do Brasil"


'Mundo ficou mais burro e cego', diz Meirelles com a morte de Saramago.


Fernando Meirelles no set do filme 'Ensaio sobre a cegueira', de 2008.Fernando Meirelles no set do filme 'Ensaio sobre
a cegueira', filme de 2008. (Foto: Divulgação)

O cineasta Fernando Meirelles divulgou um comunicado sobre a morte do escritor José Saramago, ocorrida nesta sexta-feira (18), nas Ilhas Canárias.

Segundo Meirelles, que dirigiu uma adaptação de "Ensaio sobre a cegueira" para as telas em 2008 - em produção hollywoodiana e apoiada pelo autor - Saramago era um "homem lógico".

"[Ele] dizia que a morte é simplesmente a diferença entre o estar aqui e já não mais estar. Combatia as religiões com fúria, dizia que elas nos embaçam nossa visão", diz o cineasta. "Mesmo assim não consigo deixar de pensar que adoraria que neste momento ele estivesse tendo que dar o braço a torcer ao ser surpreendido por algum outro tipo de vida depois desta que teve por aqui."

Meirelles conta que se encontrou com o escritor pela última vez em novembro de 2009, na cidade de Penafiel, em Portugal, por conta de um documentário que sua produtora vinha desenvolvendo sobre a vida do escritor e de sua esposa, a jornalista Pilar del Río.

A produção, intitulada, "José e Pilar" estava sendo dirigida pelo português Miguel Mendes. "O filme é comovente de cortar os pulsos. Vemos ali um homem brilhante que sabe que seu tempo está acabando e tem muita pena de morrer. O dia no qual ele pensava constantemente e que tentou adiar, chegou", afirma Meirelles.

O diretor de "Cidade de Deus" finaliza o comentário sobre o adeus a Saramago festejando sua inteligência. "A lucidez naquele grau é um privilégio de poucos, não consigo escapar do clichê, mas definitivamente o mundo ficou ainda mais burro e ainda mais cego hoje".

Cineasta fala de encontro com Saramago
À época das filmagens de "Ensaio sobre a cegueira", Meirelles manteve um blog em que narrava bastidores da produção, que conta a história de uma epidemia branca que cega as pessoas, metáfora da cegueira social.

Em um dos posts, o cineasta relata um encontro com Saramago em um restaurante português. O assunto? Atores a serem escolhidos para viver personagens imaginados pelo autor.

"(...) Saramago é um homem alto e muito em forma para seus oitenta e poucos anos, certamente pelo seu hábito de sempre caminhar ao invés de usar carro. É uma figura um pouco intimidante, eu estava tenso, mas ele foi muito amável e até afetuoso. Havia relido o livro duas vezes antes de ir para Portugal e já estava começando a trabalhar com o Don numa nova versão do roteiro. Estava cheio de perguntas a fazer, mas senti que ele preferia não explicar muito as personagens ou as intenções do livro. Foi específico apenas com relação ao Cão das Lágrimas, “Tem que ser um cachorro bem grande”, disse. Tentei teorizar sobre o Garoto Estrábico, mas ele não se impressionou: “É só um menino”. Ponto.

O ator Danny Glover em cena de 'Ensaio sobre a cegueira', de Fernando Meirelles. (Foto: Divulgação


Entre um bacalhau com ovo mexido (à Brás?) e a outro com azeitonas e pimentão, conversamos sobre locações e alguns nomes para o elenco. Ele aprovou, por exemplo, a escolha de Danny Glover para interpretar o Velho da Venda Preta. Isso foi uma boa notícia, uma vez que este personagem será uma espécie de alter ego do próprio escritor, ao menos é como eu estou encarando.

Danny Glover, assim como Saramago, é um homem grande e cheio de vitalidade. A venda preta em um dos olhos da personagem e a catarata no outro tem alguma relação com os pesados óculos do autor e é algo carregado de sentidos. Por não enxergar muito bem talvez este personagem viva mais em contato com seu mundo interno e imune à superficialidade do mundo sensorial, o que lhe permite, mesmo quando vítima da cegueira branca, compreender melhor e refletir sobre o caos onde todos estão instalados.

Na epígrafe do livro Saramago diz: “Se pode olhar, veja. Se pode ver, repara". Olhar com a percepção mecânica da visão, ver como uma observação mais atenta do que nos aparece à vista, uma visão analítica, e finalmente reparar no sentido de se libertar da superficialidade da visão e se aprofundar no interior do que é o homem e assim conhecê-lo. Se isso faz algum sentido, este Velho da Venda Preta será um homem que repara, que tem subjetividade e vida interior como o próprio autor.

Pôster nacional de 'Ensaio', com Julianne Moore e Alice Braga no elenco.Pôster nacional de 'Ensaio', com Julianne Moore
e Alice Braga no elenco. (Foto: Divulgação)

Apesar de feliz pelo encontro, aquela noite me deixou apreensivo. Por ter sempre recusado a vender os direitos de seus livros para adaptação (“cinema destrói a imaginação”) achei que ele não estivesse interessado no filme.

Para meu desespero, estava enganado. Ele está interessado sim, perguntou várias vezes quando ficaria pronto ou quando poderia assistir algo. Depois do nosso encontro, me mandou um e-mail dispondo-se a colaborar caso eu precisasse e dizendo-se totalmente confiante em relação ao nosso trabalho. Antes não estivesse tão confiante assim, o risco de uma grande decepção seria menor. Sei que nenhuma projeção desse filme será tão tensa quanto a que farei para apresentá-lo ao autor da história."