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9 de jul. de 2010

Cidadão, Cala a Boca, você pode ser demitido !


Por Luis Nassif - 08.07.2010

Pedágio derruba mais um jornalista da TV Cultura

Há uma semana, Gabriel Priolli foi indicado diretor de jornalismo da TV Cultura.

Ontem, planejou uma matéria sobre os pedágios paulistas. Foram ouvidos Geraldo Alckmin e Aluizio Mercadante, candidatos ao governo do estado. Tentou-se ouvir a Secretaria dos Transportes, que não quis dar entrevistas. O jornalismo pediu ao menos uma nota oficial. Acabaram não se pronunciando.

Sete horas da noite, o novo vice-presidente de conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello, chamou Priolli em sua sala. Na volta, Priolli informou que a matéria teria que ser derrubada. Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre as viagens dos candidatos.

Hoje, Priolli foi demitido do cargo. Não durou uma semana.

Semana passada foi Heródoto Barbeiro, demitido do cargo de apresentador do Roda Viva devido às perguntas sobre pedágio feitas ao candidato José Serra.

Para quem ainda têm dúvidas: a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou, nas últimas décadas, seria se, por desgraça, Serra juntasse ao poder de mídia, que já tem, o poder de Estado.


Veja o vídeo pelo qual o jornalista Heródoto Barbeiro foi punido

3 de jul. de 2010

Perdemos no campeonato mundial de Futebol, mas ganharemos na democracia do Brasil.


Fiquei triste como a maioria da população brasileira pela derrota da seleção brasileira na Copa do Mundo.
A vida continua e precisamos agora pensar no futuro do Brasil.
Sou brasileira e é isso que importa.
Temos as eleições para este ano, neste momento precisamos fazer o melhor pelo nosso país: filtrar as informações da mídia, conhecer os espaços públicos, entender os problemas sociais, e, principalmente, o trabalho de quem faz pelo povo.

Acompanhem as informações da blogosfera, e cuidado com as notícias distorcidas, tendenciosas e mentirosas da grande mídia ou mesmo na internet, comparem os fatos com as publicações.

A seleção brasileira atuou e suou a camisa, agora é o nosso dever agindo em favor da democracia (pela continuidade do progresso do Brasil), na comunicação.

Precisamos nos preocupar com o nosso país, somos (os jogadores) agentes de transformação nas cidades, estados (na internet, nas ruas, em reuniões e eventos). Assim, e
vitaremos o retrocesso, o passado do FHC-PSDB (Serra) não deve voltar.

Valeu Dunga e seleção brasileira.

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Do blog 007BomdeBlog - 02.07.2010

BRASIL PERDE PARA A HOLANDA - DUNGA DÁ ADEUS AO CARGO DE TÉCNICO DA SELEÇÃO BRASILEIRA

Na entrevista coletiva que ocorre após as partidas da Copa, um técnico abatido mas controlado, era a imagem que Dunga deixou para todos os que assistiram as suas considerações sobre a derrota.

Dunga elogiou seu grupo e avisou que não é mais o técnico da seleção brasileira.

Em agosto próximo, a seleção de futebol do Brasil, seguindo o calendário da FIFA realiza um amistoso, e aí, já sob a direção de um novo treinador.

23 de jun. de 2010

I will not tweet more "Cala Boca Galvão"


'Cala Boca Galvão' no Simpsons? Apenas boato.

Alguns dos maiores portais jornalísticos caíram em um boato sobre um episódio de "Os Simpsons" que citaria a campanha "Cala Boca Galvão", movimento que levou o narrador da Globo ao Trending Topics do Twitter.

O boato se espalhou depois que um blog publicou a imagem de Bart Simpson escrevendo em uma lousa, repetidas vezes, a frase "I Will not tweet more 'Cala Boca Galvão'" (Eu não vou mais twittar "Cala Boca Galvão").

De acordo com o blog, o criador da série, Matt Groening, teria caído na versão de que a campanha pretendia salvar pássaros em extinção e enviado um comunicado a Fox com a informação de que prestaria uma homenagem citando a campanha em um episódio do desenho.

O caso foi notícia primeiramente no Terra, depois no Vírgula, Jornal do Brasil, O Dia, A Tarde, UOL e no blog RD1. “Galvão Bueno será citado em episódio de O Simpsons” era o título comum a maioria das matérias.

Procurada pela reportagem, a assessoria da Fox Brasil não confirmou que a empresa tenha a intenção de citar a campanha no desenho. A companhia também negou que o autor da série tenha se manifestado sobre o movimento “Cala Boca Galvão”.

(Portal Comunique-se)

20 de jun. de 2010

Veja ignora morte de Saramago


A ERA DO GRUNHIDO

Flávio Gomes

O Brasil tem uma revista semanal, “Veja”, que se considera a maior do país. Deve até ser mesmo, sei lá quais são os critérios, não sei quantos leitores tem, quanto fatura, não me interessa. Deixei de assinar essa porcaria anos atrás, já não me lembro se por algum motivo específico, ou se foi, apenas, porque um dia peguei na porta de casa e me espantei: eu ainda gasto dinheiro com esta merda?

Tal revista perdeu a relevância, para estabelecer um marco, depois da queda de Collor de Mello. Naqueles anos de impeachment, as semanais deram vários furos, foram importantes, descobriram coisas. Depois, sumiram. Hoje, a “Veja” é reduto de uns caras chiliquentos como Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes. “Ah, você não lê, como sabe?”, vai perguntar alguém.

Eu de tudo sei, tudo conheço. Piadinha interna.

Mas não quero falar aqui dessas figuras ridículas que acham que escrevem bem e que se julgam parte de algum grupo de pensadores contemporâneos, já que são cheios de fazer citações by Wikipedia e com elas impressionam seus leitores babacas. O que escrevem e dizem, para não ofender demais, repercute entre eles três e seus leitores babacas, todos compartilhados. Eles detestam o Lula e o PT, e é tudo que conseguem exprimir com sua verborragia enjoativa e padronizada. Mas dali não sai, suas opiniões e ataques histéricos contra o que chamam de esquerda brasileira não têm importância alguma, não produzem eco algum.


Só que a capa da “Veja”, embora a revista seja uma droga indizível, tem importância, sim. Afinal, ela é vista por alguns milhões de pessoas, repousa amarrotada durante meses em mesinhas de consultórios médicos, dentistas e despachantes, e as pessoas a notam nas bancas de jornais, ao lado de mulheres peladas. E algumas pessoas ainda puxam assunto em mesas de bares e restaurantes dizendo “li na ‘Veja’”, e tal. São os “formadores de opinião”. Uau.

E aí aparece aqui na minha frente, no estúdio da rádio, a ”Veja” que foi hoje às bancas. Na capa, “CALA BOCA GALVÃO”, uma foto do narrador da Globo, e está dada a senha para uma pretensa reportagem séria de sete páginas, um “box” e três gráficos sobre o poder do Twitter, motivada por uma bobagem infanto-juvenil que nem os “tuiteiros” levam muito a sério, lançada no dia da abertura da Copa. Aliás, nem o Galvão levou a sério, claro, porque discutir um uma “hashtag” de Twitter é como sugerir um seminário para analisar a musicalidade de uma vuvuzela, ou um congresso sobre comunidades bizarras do Orkut.

Ontem morreu José Saramago. O maior escritor da língua portuguesa mereceu desse semanário indefensável meia página, com uma foto e uma legenda editorializada, porque ”Veja” tem opiniões formadas até sobre índice e numeração de páginas. Diz a legenda: “ESTILO E EQUÍVOCO”, reduzindo Saramago a isso, a alguém que tinha estilo e era equivocado, para atacar as posições políticas e religiosas do escritor, comunista e ateu.


Alguém ser comunista e ateu, para a “Veja”, é algo mais condenável do que estuprar a mãe no tanque. “Ao lado da criação literária, manteve-se sempre ativo, e equivocado, na política”, diz o texto pastoso, que nem assinado foi. Uma pobreza jornalística inacreditável. “Nos países cujos regimes ele defendia, nenhum escritor que ousou discordar teve o luxo de uma morte tranquila”, encerra o autor. Como é que alguém pode escrever uma merda desse tamanho? Será que essa gente não tem vergonha do que coloca no papel?
Pois todas as palavras ditas e escritas por Saramago, capaz de obras-primas da literatura universal como “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, “Ensaio Sobre a Cegueira”, “Todos os Nomes”, “Memorial do Convento”, “Caim”, “Jangada de Pedra”, mereceram da “Veja” meia página, enquanto três palavras bobas espalhadas pelo Twitter foram parar na capa da revista e em sete de suas páginas.
O que mais me atormenta, quando vejo essas coisas, é saber que graças a decisões editoriais como essa, uma babaquice como o “CALA BOCA GALVÃO” assume, diante dos olhos e do julgamento dos retardados que levam tal revista a sério, uma importância bem maior do que a vida e a obra de Saramago.
Saramago pedindo um café a sua esposa tem mais conteúdo, provavelmente, do que todas as edições juntas de “Veja” dos últimos 15 anos. Ele tinha razão, quando falava do Twitter — não se enganem, Saramago tinha até blog, não era um velhote vivendo numa caverna. Numa recente entrevista por e-mail a “O Globo”, disse: “Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido”.

Pois a “Veja”, hoje, inaugurou a era do grunhido impresso.

Por Jornalisticamente Falando - 20.06.2010