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9 de jan. de 2013

Ausência de cobertura local da imprensa debilita a democracia

A imprensa brasileira tem se preocupado ultimamente em patrulhar políticos, mas isso tem sido feito com uma forte influência de interesses corporativos ou eleitorais

Com a crise no modelo de negócios das empresas jornalísticas, um dos primeiros setores a sentir os efeitos dos cortes foi o do noticiário local — gerando uma lacuna que impede o monitoramento de vereadores, deputados e senadores pelos seus eleitores.

19 de out. de 2012

Serra mente e cita trecho inexistente de programa de Haddad

Em visita ao antigo Hospital Sorocabana, candidato tucano defende modelo de gestão privatizada


Serra em visita ao Hospital Sorocabana, na Lapa (Foto: Igor Carvalho)

Por Igor Carvalho - SPressoSP


José Serra (PSDB), candidato à prefeitura de São Paulo, visitou, nesta quinta-feira (18) o antigo Hospital Sorocabana, na Lapa. Na saída ele comentou as parcerias da prefeitura com as Organizações Sociais (OS) para gestão de aparelhos públicos de saúde. O tucano disse que o programa de Fernando Haddad (PT) prevê o “encerramento dos contratos com as parceiras e a contratação de funcionários através de concursos públicos. Imagina as Irmãs Santa Marcelina tendo que comandar uma equipe com profissionais concursados.” Porém, no programa do petista em nenhum momento há referência ao fim dos vínculos.

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8 de out. de 2012

Em São Paulo se travou a mãe de todas as batalhas.

Lula com Haddad no Comício em São Miguel Paulista-SP. Foto: Márcia Brasil
Fernando Haddad, além de superar as profecias do início da campanha, passou para o segundo turno em posição bastante favorável. 

4 de out. de 2012

13 motivos para votar em Fernando Haddad 13

Grito dos Excluídos (Dia da Independência - 07.10), com Fernando Haddad (centro). Foto: Márcia Brasil

1. Bilhete Único Mensal

Haddad vai criar uma ótima opção para quem usa o transporte público frequentemente. O Bilhete Único Mensal custará R$ 140 e metade disso, R$ 70, para estudantes. E você vai usar o transporte sem limites, o mês todo, inclusive nos fins de semana. Quem não usa muito poderá continuar com o Bilhete Único de três horas.

3 de set. de 2012

Russomanno é acusado por MP de falsidade ideológica

Uma conta de luz pode complicar a vida do líder isolado nas pesquisas de intenção de voto na corrida pela Prefeitura de São Paulo. Celso Russomanno (PRB) é acusado pelo Ministério Público de mentir sobre seu domicílio eleitoral e simular o aluguel de um imóvel em Santo André com o objetivo de disputar a vaga de prefeito da cidade do Grande ABC em 2000. Uma série de testemunhas e, principalmente, a falta de consumo de energia do apartamento onde ele dizia morar naquela época põem em xeque a versão apresentada por ele no caso.

10 de mai. de 2012

Lula entra na campanha de Grana em Junho

Foto: Divulgação / Ricardo Stuckert
Durante encontro com o pré-candidato petista Carlos Grana, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou que entrará na campanha em Santo André no próximo mês. Por 30 minutos, o postulante e o dirigente local, Luiz Turco, atualizaram Lula nesta quarta-feira (9) sobre a conjuntura eleitoral andreense com informações sobre a construção da unidade interna e as alianças partidárias.

Conversando com São Paulo: Haddad quer usar inovação para enfrentar problemas de São Paulo

Pré-candidato do PT, coordenador do movimento “Conversando com São Paulo”, afirma que gestão Serra-Kassab é provinciana, não inova e só apresenta projetos pontuais.


O pré-candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad, participou nesta terça feira (8/5) de plenária sobre Educação, Inovação e Tecnologia, na qual se comprometeu, caso eleito, a investir em tecnologias e em projetos de educação capazes de gerar soluções inovadoras para os problemas da cidade. “É impossível conceber o desenvolvimento do país sem o desenvolvimento de grandes cidades, e é impossível conceber o desenvolvimento de grandes cidades sem uma gestão pública inovadora”. A plenária, parte do movimento “Conversando com São Paulo”, coordenado por Haddad, teve a participação do neurocientista Miguel Nicolelis, do sociólogo especialista em cultura digital Sérgio Amadeu e do deputado federal Newton Lima, coordenador do setorial de Ciência e Tecnologia do PT.

20 de abr. de 2012

Lula recebe Márcio Pochmann e Edinho Silva

Lula com Márcio Pochmann (*), pré-candidato a Prefeito pelo PT em São Paulo

O encontro durou cerca de uma hora e aconteceu na sede do Instituto Lula, em São Paulo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou na tarde da quinta-feira (19) com o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pré-candidato do PT à prefeitura de Campinas Márcio Pochmann e com o presidente do PT de São Paulo, o deputado estadual Edinho Silva.

11 de abr. de 2012

Lula será cabo eleitoral do filho candidato

Por: Nicole Briones, do ABCD Maior  
Filho do primeiro casamento de Marisa, Marcos Lula foi adotado e registrado pelo ex-presidente quando tinha apenas 3 anos (Foto: Luciano Vicioni)
Filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula confirmou que será candidato a vereador pelo PT em São Bernardo e já definiu o pai como principal cabo eleitoral. Ao lado do filho e do prefeito Luiz Marinho, Lula –  que está recuperado de um câncer na laringe –  participará do primeiro evento público após a doença no sábado (14), a inauguração do CEU Vila São Pedro.  “Ele está cada dia mais disposto, o evento marca o retorno dele. Agora, com certeza, ele está de volta à política”, afirmou Marcos Lula.

10 de mar. de 2012

José Serra descumpriu todos os cargos em sua vida , desde a UNE.

 

Incrível: José Serra não cumpre mandato eletivo integral há 17 anos

José Serra coleciona uma quase inacreditável sequência de descumprimentos ao cargo eletivo assumido. Desde 1995 que o ex-presidenciável não cumpre um mandato completamente. Fato deverá ser imensamente usado pelos adversários

16 de fev. de 2012

Kassab deu um baile político no PT e no PSDB, diz senador petista

Para Jorge Viana, prefeito de São Paulo conseguiu deixar siglas em ‘crise existencial’ e tirou DEM do mapa

Foto: Ed Ferreira/AE
Senador Jorge Viana avalia atuação de Kassab no jogo político

Vera Rosa - AE/Brasília

Amigo do ex-presidente Lula, o senador Jorge Viana (PT-AC) diz que o prefeito Gilberto Kassab (PSD) jogou os petistas numa “crise existencial” por causa da oferta de apoio à candidatura de Fernando Haddad. “Kassab nos deixou numa sinuca. Esse prefeito está dando um baile de política tanto no PT como no PSDB.” Ex-governador do Acre, eleito pela primeira vez graças a uma aliança com o PSDB, Viana sempre comprou briga com o PT por seu pragmatismo. Agora, porém, não tira a razão da senadora Marta Suplicy (PT-SP), para quem a parceria com Kassab – que esteve ontem com a presidente Dilma Rousseff – virou um pesadelo.

10 de jan. de 2012

Petistas rejeitam oferta de Kassab a Lula


Aliados de Haddad afirmam que PT não deve ceder vice a prefeito, que propôs coligação a ex-presidente em SP

Para vereador, acordo com PSD seria 'traição'; dirigente tenta esfriar polêmica para preservar acordos fora da capital




FSP - BERNARDO MELLO FRANCO - DE SÃO PAULO/ CATIA SEABRA - DE BRASÍLIa


Petistas reagiram ontem com irritação à proposta de aliança feita ao ex-presidente Lula pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD).
Ele sugeriu a Lula escolher um político de seu partido para vice na chapa de Fernando Haddad (PT) à prefeitura.
A oferta gerou uma onda de protestos na bancada petista na Câmara Municipal.
"Não há possibilidade de negociar com Kassab. Nossos projetos são antagônicos. Seria uma traição à base eleitoral do PT", disse o vereador petista Chico Macena. "Isso é desespero para pegar carona na popularidade de Lula."

20 de mai. de 2011

Folha se precipita e entrega o jogo: alvo não é Palocci, é Dilma


 Do Blog do Mello - 20.05.2011

A edição de hoje da Folha entrega o jogo. Todo mundo estava se perguntando o porquê de tanto fogo em Palocci, um homem do mercado, tido por muitos petistas como um "deles". A Folha hoje responde: porque o alvo é Dilma e o governo do PT.

Começa na primeira página, em parte reproduzida aí em cima. "Empresa de Palocci faturou R$ 20 mi no ano da eleição".

Misturando dinheiro de Palocci com dinheiro de campanha pode-se ampliar o leque da investigação, não é, Folha? Se levarmos em conta que Palocci é do PT e foi coordenador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República, pode-se especular se o dinheiro seria sobra não-contabilizada da campanha de Palocci, do PT ou de Dilma - mas como diferenciar, não é, Folha? Esse seria o caminho natural do processo. Mas a Folha se precipitou, e, pior, se entregou. Mostro como:


Repare na imagem ao lado. É cópia do que está hoje nesta página da Folha (dei print screen, viu Folha?), que o assinante pode conferir ao vivo aqui. A diferença está nos destaques que dei em amarelo e vermelho, na frase e nas duas estrelinhas. A frase puxa Dilma para a roda: "Receita de consultoria deu salto no ano da eleição de Dilma para Presidente". E as estrelinhas? O que fazem ali as estrelinhas que não estão presentes em nenhuma outra reportagem da Folha de hoje, apenas nesta? Simples coincidência? E que a estrela seja o símbolo do PT é apenas outra coincidência?

Então, ao texto da repórter Cátia Seabra.

A empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, faturou R$ 20 milhões no ano passado, quando ele era deputado federal e atuou como principal coordenador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República.
Segundo duas pessoas que examinaram números da empresa e foram ouvidas pela Folha, o desempenho do ano passado representou um salto significativo para a consultoria, que faturou pouco mais de R$ 160 mil no ano de sua fundação, 2006.

Entendemos, Folha. No ano em que Palocci "atuou como principal coordenador da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República" sua empresa deu um salto.

Mas a comparação é com o ano de 2006, o de criação da empresa. E os outros, 2007, 2008, 2009, qual o faturamento? E, já que vocês tiveram acesso ao papelório, porque não divulgaram os anos anteriores? Por que também se esqueceram de dizer que 2006 também foi ano eleitoral, Lula se reelegeu presidente e Palocci se elegeu deputado federal?

Numa reportagem complementar vem a informação de que a receita da empresa de Palocci é similar à das maiores do ramo no país. Só que nenhuma delas tinha à frente o ex-czar da economia do governo Lula, não é? Alguém que havia recém saído do governo e que pertencia (pertence) ao PT.

Aí vem o fecho, com outra reportagem que afirma: Empreiteira com negócios públicos contratou Palocci (aqui, para assinantes). E vai direto ao assunto:

O grupo WTorre, que fechou negócios com fundos de pensão de estatais e com a Petrobras, foi um dos clientes da empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.
A empreiteira também fez doações de campanha a Palocci (R$ 119 mil), em 2006, e a Dilma Rousseff (R$ 2 milhões), no ano passado.

A partir daí, a reportagem elenca uma série de contratos do grupo WTorre (que "diz manter ativos de R$ 4 bilhões em 200 projetos"), em anos diferentes, sem dizer em momento algum que qualquer deles teve a participação da empresa de Palocci. Os dados são jogados para que o leitor incauto faça a tal ligação.

Ou seja, o ataque a Palocci era para que ele justificasse o aumento de seu patrimônio? Não, era para fazer com que a Petrobras, Previ, a campanha de Dilma, o governo venham a público justificar por que fizeram tal e tal negócio com tal e tal empresa.

Ah, antes que me esqueça. Ao final da reportagem, envergonhadinha, vem a informação:

Em 2010, além da doação de R$ 2 milhões à campanha de Dilma Rousseff, da qual Palocci era coordenador [esta ligação é o que eles querem deixar claro], também houve aporte para o tucano José Serra (R$ 300 mil), adversário na disputa.

Ou seja, a empresa jogou dinheiro no lixo. Aí Palocci deveria vir a público pelo menos para afirmar que isso não foi resultado de sua consultoria... Queima o filme.

11 de fev. de 2011

A mais importante tarefa de cada militante

 
O que estava em jogo na última eleição presidencial era a possibilidade de avançarmos o debate político-ideológico, aproveitando a decadência das políticas neoliberais no mundo, mas que ainda resistem no Brasil num setor do centro-direita e com amplo apoio da imprensa local. Enquanto o mundo se desloca das alternativas de Estado mínimo, a agenda da direita brasileira a é a mesma pré-setembro de 2008.
 
Pela primeira vez os projetos alternativos voltam ao palco no Brasil e no mundo depois de 19 anos de massacre e pensamento único; a direita tinha seu projeto e era incontestável, hoje ela não tem projeto, apenas administra (mal e porcamente) a crise gigantesca, mas ainda não achou um novo cabedal político e ideológico para ancorar.

Foi trazida de contrabando ao palco eleitoral uma inflexão da candidatura de centro-direita, representada por Serra, à direita mais raivosa, com algumas nuances neofascistas. O debate foi empobrecido por temas de costumes (aborto, religião) e não políticos totalizantes como a questão do Estado, da economia, perspectiva da relação do Brasil com o G20 e a agenda para entrarmos noutro patamar de país que emerge do ambiente pós-crise de setembro de 2008.

Rebaixado o debate político, talvez pela leitura de que seria impossível derrotar a candidatura governista nos marcos de um debate programático mais elevado, mais ainda pela total falta de projeto alternativo ou que pudesse efetivamente se diferenciar, a opção foi reduzir e insuflar uma campanha que beirou o ódio nos temas relacionados a costumes.

Novo governo, velhas polêmicas

Cenário atual

Direita americana mais radical é a religiosa, trata Obama como bolchevique, pode acreditar, está cada dia mais xenófobo e alguns estados aprovam leis mais restritivas aos imigrantes. Na França, Sarkozy, que já estigmatizara os mulçumanos, agora quer deportar em massa os ciganos. Espanha, mesmo governada pelo PSOE, restringe os direitos dos estrangeiros, pois há desemprego em massa.

A revolução egípcia que varreu Mubarak do poder depois de 30 anos com amplas massas nas ruas é a prova concreta de que a boa e velha luta de classes está mais viva do que nunca, não importam avanços tecnológicos e científicos: quando desemprego, corrupção e ditadura estão juntos têm-se as melhores condições de derrubada de regime.

Esta nova onda de lutas de massas em países africanos e árabes é o resultado geral do aprofundamento da crise econômica aberta em setembro de 2008; os países centrais exigem cada vez mais pagamento dos empréstimos fáceis anteriores à crise, os governos locais, para cumprir as novas demandas, aprofundam políticas mais restritivas, piorando o desemprego e a miséria em geral. Estas massas sublevadas aparentemente não possuem uma direção política clara, podendo inclusive ser capturada nos ideários dos regimes à la Irã dos aiatolás.

No Brasil, a esquerda brasileira (PT) ocupou um espectro mais amplo, tomou o centro do PSDB; sobrou apenas a direita mais raivosa, fundamentalista. Este deslocamento de forças e projetos ainda não se deu por completo no imaginário popular. O PT ainda é identificado como esquerda raivosa, muitos “absorveram” Lula, mas é fato que ainda temem o PT. Isto é reforçado por um discurso extremamente preconceituoso de Serra, que afaga a direita.

A mobilidade do PT rumo ao centro independe de Lula, foi a realidade que o empurrou ao centro — para ter maior interlocução com outras forças que fazem o jogo político no Brasil, tirando do PSDB a hegemonia na sociedade.

Entender o que estava em jogo é a mais importante das tarefas de cada militante. Há que explicar pacientemente a cada um as questões subjacentes aos grandes debates, que novas e velhas demandas aparecem ou reaparecem com força, mas não podemos nos agarrar a este debate menor e esquecer a luta principal.

Dilma no governo

É preciso reconhecer o grande gênio político de Lula, que conseguiu trazer ao centro político uma mulher como herdeira, que fez a síntese de um governo com grandes acertos históricos, apoio popular e identidade nacional. Governos que recuperam a autoestima, o sentido de brasilidade.

Se com Lula tivemos um operário, sem curso superior, de origem extremamente humilde chegando ao maior cargo do Brasil, com Dilma teremos o ineditismo de uma mulher na presidência, descontada a bobagem da Miriam Leitão de falar em princesa Isabel: claro está que efetivamente, pela via popular e democrática, as mulheres efetivamente chegaram ao centro do poder nessa eleição.

Agora Dilma fará seu próprio governo que, a meu ver, será mais técnico, mais voltado para questões da reorganização do Estado. Em seu discurso da vitória ela já apontou as principais diretrizes políticas e econômicas para o novo período.

A carga simbólica desta verdadeira revolução de termos Dilma presidenta é comparável à de Obama, um negro, chegar â Casa Branca, fruto de um momento ímpar da história mundial. O Brasil tem a chance de ingressar de vez no Primeiro Mundo, mas entrar pela porta da frente, sem modismos, ocupando seu lugar com força e liderança.

O Brasil e a grande crise que ainda não acabou

Aos primeiros sinais da crise Lula, falou que ela seria uma “marolinha”, quase foi massacrado pela mídia e seus acólitos no parlamento. Porém ele jogou todo seu patrimônio político no combate à crise. Enfrentou-a de peito aberto, com o significativo pronunciamento do Natal de 2008.

Lula jogou todas as forças e recursos do Estado para que o Brasil fosse pouco atingido pelos efeitos da crise. Importante lembrar os coveiros (Miriam Leitão, Sardenberg, PSDB e DEM), que torciam, entusiasmados com a possibilidade de derrotar o governo. Todo dia comemoravam um número ruim que saía. Em abril chegaram a dizer que o desemprego explodiria em 2009, que a geração de novos empregos seria nula. No parlamento a ‘“marolinha” era motivo de chacota, os programas eleitorais do DEM/PSDB/PPS repetiam as piadas sobre a crise.

Logo em junho a situação se inverteu, o pior passara, o crescimento seria ZERO, mas no mundo todo seria em média de -4%, ou seja, estávamos no lucro. A previsão de geração de emprego foi de 1 milhão.

Apesar do excelente ano de 2010 para economia brasileira, persiste no mundo um quadro de baixa recuperação da economia combinado um processo acelerado de inflação de alimentos que atinge diretamente as camadas mais pobres. Diante deste cenário as medidas tomadas pela equipe econômica de Dilma apontam para o caminho da restrição ao consumo, diminuição das compras estatais, não contratação de novos servidores. O grande capital perdeu eleição com seu candidato principal, mas mesmo assim abocanha os maiores ganhos com a manutenção do esforço fiscal e pagar os juros e o aumento da Selic.

Desolador é ver que setores da esquerda debatendo o Ministério da Cultura e a verdadeira luta de classes se perpetua nas medidas econômicas. Focar a nossa luta e a disputa político-ideológica é a maior tarefa militante, discutir as questões secundárias é o caminho de perder as oportunidades do debate mais central e decisivo.
    
Por Arnobio Rocha - 11.02.2011

Do Teia Livre

10 de fev. de 2011

PT, 31 anos de bom combate

Imagem: lucimarbueno.blogspot
 
O PT chega aos 31 anos neste dia 10 de fevereiro com bons motivos para comemorar. Nascido da luta operária do ABC paulista por melhores salários e condições de trabalho, no bojo da redemocratização do Brasil e ascensão dos movimentos populares, o PT cresceu embalado no sonho que uniu trabalhadores, classe média, estudantes e intelectuais de transformar o Brasil na terra da oportunidade para todos. 

O caminho não foi fácil. Vencer os obstáculos só foi possível pela força da nossa militância. Os petistas nunca tiveram medo nem preguiça para sair às ruas, seja para pedir voto, vender uma camiseta, um boton ou defender uma concepção de sociedade, protestar, gritar por democracia. 

A força da militância foi um símbolo do PT na defesa das eleições diretas para presidente da República, na democratização do poder com a participação popular, direitos iguais para negros, mulheres, homossexuais, entre tantas outras. Plantamos sementes em todo o Brasil e ajudamos a consolidar a jovem democracia do País. 

Hoje, o sonho de fazer política em benefício de todos é uma realidade. Depois de administrar pequenos e grandes municípios, incluindo capitais como São Paulo, e governar estados com novos conceitos de gestão, o PT chegou à Presidência da República. A vitória do metalúrgico Luís Inácio Lula da Silva foi, também, mais uma demonstração da força e da perseverança de um homem obstinado e de um partido sustentado pelo desmedido comprometimento de sua militância com um projeto de desenvolvimento nacional. 

Em oito anos de governo Lula, o PT criou programas e projetos que estão mudando significativamente a "cara do Brasil". Tanto que a própria oposição reconhece os avanços. O PT soube aliar equilíbrio financeiro com ampliação da oferta de serviços públicos à população e, ao mesmo tempo, pôr em prática uma política de investimentos que tirou do discurso o potencial econômico do país sem descuidar do respeito ao meio ambiente. O Brasil não é mais o país do futuro, ele é o país do presente. 

Mesmo os críticos não podem negar a geração de mais de 16 milhões de empregos com carteira assinada, a retirada de mais de 24 milhões de pessoas da miséria, os investimentos em infraestrutura por meio do PAC, entre outros. 

Nesta quinta-feira, o PT homenageia o ex-presidente Lula, agora, presidente de honra do partido. Nada mais justo, por tudo que Lula representa. Um retirante nordestino que enfrentou e venceu a miséria e o preconceito para se transformar num dos principais líderes políticos mundiais. Alguém que, sem formação acadêmica, deu uma lição de como governar, mostrando que é possível ao país crescer distribuindo renda e reduzindo as desigualdades sociais. 

O próprio Lula, entretanto, sabe que ainda há muito que fazer, a começar pelas reformas política e tributária. Assim, já se colocou a campo na defesa dessas mudanças tão importantes para que o país siga avançando e se consolide como uma nova potência mundial na qual a população viva satisfeita e feliz. 

A presidenta Dilma Roussef compartilha desse entendimento e vem trabalhando para garantir as reformas no Congresso. O PT pode ser um formulador de novas bandeiras, do resgate da simbologia e dos valores do socialismo, para mostrar ao mundo que é possível gerar riquezas respeitando o meio ambiente, os trabalhadores, e erradicando a miséria. É utopia? Não sei. Mas foi pelas utopias que o PT combateu o bom combate. 

Edinho Silva - Presidente do PT do estado de São Paulo, deputado estadual e ex-prefeito de Araraquara (2001-2008).
Autor: Por Edinho Silva, Presidente do PT do Estado de São Paulo, deputado estadual e ex-prefeito de Araraquara
Fonte: Jus Brasil  - 09.02.2011

5 de nov. de 2010

Safernet denuncia 1037 perfis do Twitter e do Facebook por racismo


Do Vi o Mundo - 05.11.2010
Safernet denuncia mil contas por racismo 

Enviado por claudiacardozo, sex, 11/05/2010 – 17:51
05/11/2010 

do site da Safernet, dica do Stanley Burburinho

Fonte: http://info.abril.com.br/noticias/internet/safernet-denuncia-mil-contas-por-racismo-05112010-40.shl

Autor: Vinicius Aguiari, de INFO Online

SÃO PAULO – A ONG Safernet protolocou ontem no Ministério Público paulista uma notícia-crime relacionada às manifestações de racismo cometidas no Twitter e no Facebook no domingo, após a apuração das eleições.
O relatório da Safernet identifica 1 037 perfis acusados de cometer racismo contra nordestinos. Os perfis foram denunciados por outros usuários desde domingo até às 18h de ontem.
Segundo o presidente da Safernet, Tiago Tavarez, cabe agora ao MP decidir se aceita a denúncia e aprofunda as investigações sobre o caso ou se o arquiva. Além da notícia-crime da Safernet, o MP também recebeu uma outra denúncia da Ordem dos Advogados do Brasil de Pernambuco.
As mensagens racistas contra os nordestinos foram publicadas na web após a realização das eleições no domingo. As denúncias chegaram à ONG por meio da página www.denuncie.org.br.
Apagar contas não exclui provas, diz advogado
Segundo o professor de direito digital e sócio do escritório Opice Blum, Rony Vainzof, a exclusão das mensagens e das contas não excluem as provas. O que importa, nesse caso, é o ato doloso, a vontade consciente do ilícito de praticar, induzir ou incitar a discriminação”, explica ele.
Os usuários que publicaram mensagens racistas sofrem com um agravante, pois cometeram o crime de racismo através de um meio de comunicação. Dessa forma, a pena pode aumentar de um a três anos para de dois para até cinco anos. “É importante que os usuários se conscientizem que a internet não é um mundo sem lei”, alerta o advogado.


Serra plantou ódio; Brasil colhe manifestações contra nordestinos

Imagem: blog Com Texto Livre

Do Blog Vermelho - 03.11.2010

O vídeo que reproduzo abaixo — e também na janela ao lado — é de revirar o estômago. Mas faz um bem danado: lança luz sobre um Brasil que muitas vezes não gostamos de ver. O Brasil do ódio.

Por Rodrigo Vianna, no blog
Escrevinhador


A campanha conservadora movida pelos tucanos, a misturar religião e política, trouxe à tona o lodo que estava guardado no fundo da represa. A lama surgiu na forma de ódio e preconceito. Muita gente gosta de afirmar: no Brasil não há ódio entre irmãos, há tolerância religiosa. Serra jogou isso fora. A turma que o apoiava infestou a internet com calúnias. E, agora, passada a eleição, o twitter e outras redes sociais são tomadas por manifestações odiosas.

Como se vê no vídeo acima, não foi só a tal Mayara (estudante de Direito!!!) que declarou ódio aos nordestinos. Há muitos outros. Com nome, assinatura. É fácil identificar um por um. E processar a todos! O Ministério Público deveria agir. A Polícia Federal deveria agir.

E nós devemos estar preparados, porque Serra fez dessas feras da direita a nova militância tucana. Jogou no lixo a história de Montoro e Covas. Serra cavou a trincheira na direita. E o Brasil agora colhe o resultado da campanha odiosa feita por Serra.

Desde domingo, muita gente já fez as contas e mostrou: Dilma ganharia de Serra com ou sem os votos do Nordeste. Não dei destaque a isso porque acho que é – de certa forma – uma rendição ao pensamento conservador. Em vez de dizer que Dilma ganhou “mesmo sem o Nordeste”, deveríamos dizer: ganhou – também – por causa dos nordestinos. E qual o problema?

E deveríamos lembrar: Dilma ganhou também com o voto de quase 60% dos mineiros e dos moradores do estado do Rio. E ganhou com quase metade dos votos de paulistas e gaúchos.

Parte da imprensa — que, como Serra, não aceita a derrota e tenta desqualificar a vitoriosa — insiste no mapinha “Estados vermelhos no Norte/Nordeste x Estados azuis no Sul/Sudeste”. O interessante é ver a votação por municípios, e não por estados: há imensas manchas vermelhas nesse Sul/Sudeste que alguns gostariam de ver todo azulzinho.

No Sul e no Sudeste há muita gente que diz: “não ao ódio”. Se essa turma de mauricinhos idiotas quiser brincar de separatismo, vai ter que enfrentar não apenas o bravo povo nordestino. Vai ter que enfrentar gente do Sul e Sudeste que não aceita dividir o Brasil.

Serra do bem tentou lançar o Brasil no abismo. Não conseguiu. Mas deu combustível para esses idiotas. Caberá a nós enfrentá-los. Com a lei e a força dos argumentos.

2 de nov. de 2010

“Não deixemos que a vitória nos faça esquecer que o inimigo é forte”

Por Rodrigo Vianna - Blog Escrevinhador - 01.11.2010

Bem-vinda, presidente Dilma Roussef

Por Izaías Almada

Bem que o Brasil do atraso tentou, o Brasil da calúnia, da infâmia, da subserviência, o Brasil que perdeu a noção da História e da realidade em que vive e da realidade que o cerca. Não adiantou o cidadão e candidato José Serra e a oposição que representa construírem uma estratégia eleitoral torpe, baseada no ódio, na intolerância e no preconceito, pois o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou que parte de sua acertada estratégia política está cumprida ao eleger sua candidata e sucessora.
Vitória da perspicácia, da sensibilidade no trato das coisas políticas, da coragem pessoal em confrontar, à sua maneira, a oligarquia que deixou o governo em 2002. E o fez com paciência e tentativas de diálogo e – sobretudo – com o conhecimento do seu povo. É preciso reconhecer: haja sociologia para explicar 83% de aprovação popular a um governo no Brasil. Já disse alguém que a política é a arte do possível. Para muitos, infelizmente, ainda é difícil entender isso. À direita e à esquerda.
Ontem, 31 de outubro de 2010, venceu o Brasil que quer continuar mudando, que busca alternativas para se tornar um país mais soberano e menos injusto. Venceu o povo brasileiro mais sofrido e humilde. Venceu novamente a esperança. Ou, para os menos otimistas, a possibilidade de se continuar tendo esperança. E ouso dizer também que, mais do que o Brasil, venceu a nova América Latina de Chávez, Morales, Correa, Lugo, Cristina e Nestor, Castro, Funes, Mujica e Ortega.

Os miasmas da intolerância e de um fascismo travestido de faniquitos democráticos não muito bem explicados em manifestos e editoriais jornalísticos, em telejornais e revistas de final de semana, em violência e profanação religiosa, em tentativa de manipulação da opinião do eleitor, nos últimos três meses, ou se quisermos, nos últimos oito anos, não foram suficientes para desviar milhões de eleitores brasileiros da rota de um desejo sincero de ver o Brasil mais justo, mais independente e de olhos postos no futuro e não no passado.
Retomando a História interrompida com a morte de Getúlio Vargas e traumatizada pelo golpe civil/militar de 1964, que derrubou um governo eleito democraticamente, a vitória de Dilma Roussef faz uma ponte com nosso passado ainda recente e relança as bases de um protagonismo popular para o futuro, fazendo o país voltar ao leito democrático de onde foi retirado pela força de tanques e baionetas apoiados pelo Departamento de Estado norte americano, esse mesmo Estado que continua a insistir com sua política de desestabilizar governos eleitos democraticamente, como a Venezuela de Chávez, a Bolívia de Evo Morales, a Honduras de Manuel Zelaya ou o Equador de Rafael Correa. E que, com certeza, não dará tréguas ao governo de Dilma Roussef. É bom que não nos esqueçamos disto no calor e na alegria da vitória.
No vácuo da repressão policial/militar da ditadura, com a sua falta de garantias democráticas plenas, instalou-se também no Brasil, em anos mais recentes, a ditadura do poder econômico, impondo-se entre nós o pensamento e a prática hegemônica neoliberal, assumida por uma social democracia encantada com a possibilidade de chegar ao poder político, como de fato chegou, com a chamada redemocratização do país na metade dos anos oitenta. E com o sonho de lá permanecer por pelo menos 20 anos, no dizer de alguns de seus caciques, começando com a imoral compra de votos para a reeleição do seu até então maior ideólogo, Fernando Henrique Cardoso, o presidente das privatarias e traidor do povo brasileiro. Essa prática política encantou àqueles que olharam o país e a História com o binóculo posto ao contrário.
Nesses últimos cinquenta anos de História, tanto uma, a ditadura, quanto o outro, o poder econômico imposto pelo Consenso de Washington, tiveram a seu lado aquele que pode ser considerado o mais forte aliado do mundo contemporâneo: a força do quarto poder, a mídia. Jornais, rádios, televisões, revistas, em grande parte subsidiados ideologicamente por pensadores e acadêmicos de dentro e de fora do país, fizeram de seus editoriais e matérias jornalísticas a apologia diária do paraíso para o capital transnacional, com seus deslumbrados e submissos defensores internos, ao mesmo tempo em que combatiam e dilapidavam as garantias e a defesa dos direitos dos trabalhadores através do arrocho salarial, da terceirização de serviços, do aumento do desemprego, do desestímulo às reivindicações de inúmeras categorias profissionais, da privatização de empresas nacionais estratégicas, agindo contra os interesses nacionais, da criminalização dos movimentos sociais, mantendo intacto – de certa maneira – o arcabouço repressivo ditatorial com um inquestionável conservadorismo na sua prática política.
Tudo isso sustentado por uma democracia e uma Constituição, aquela que melhor se pôde arranjar em 1988, a tal Constituição Cidadã, um imenso tratado com quase quinhentos artigos, tamanho o número de interesses a serem contemplados e acomodados, e que ainda assim, na prática, vem sendo solapada e substituída no dia a dia por um mecanismo anacrônico denominado Medida Provisória, que sempre poderá agradar ou desagradar a gregos e troianos, conforme os interesses de momento e o grupo que estiver no poder político.
Em verdade, passamos a viver a partir da segunda metade dos anos 80 um arremedo de democracia. Dá para o gasto, é claro, pois sempre podemos encher a boca e dizer que vivemos num país democrático, e sob vários aspectos isso é verdade, muito embora os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com as honrosas exceções de sempre, se deixaram ou ainda se deixam escorregar tentadoramente por caminhos tortuosos, para dizer o menos, quando fica bastante evidente a verdadeira luta de classes no país.
A recente campanha eleitoral deixou à mostra como muitos brasileiros entendem a democracia: um regime de privilégios que é preciso manter a ferro e fogo, sempre e quando para isso se use tais “privilégios” para arrasar o adversário, assassinar sua reputação, atribuindo-lhe as piores qualidades morais e profissionais. São os democratas de fins de semana, dos almoços dominicais com a família. Hipocrisia que a campanha do candidato José Serra mostrou à perfeição.
Nesse quadro político e institucional, os homens que queriam governar “por 20 anos” descuidaram-se e o sentimento de mudanças que permeava partidos de esquerda e movimentos sociais desde o período ditatorial, soube se movimentar, mesmo com suas divergências, contradições e até defecções, criando condições para que o país buscasse alternativas para o sufoco neoliberal.
Incrédulos com a vitória do metalúrgico semi-analfabeto em 2002, os serviçais e bajuladores da “Casa Grande”, fiéis leitores da cartilha econômica do neoliberalismo, apostaram suas fichas no fracasso e na incompetência do operário, sem jamais esconder o seu preconceito de classe e seu espírito impatriótico. À medida que o tempo avançou e o fracasso esperado do governo Lula não vinha, os órgãos de comunicação social foram mais uma vez acionados com bastante virulência no ano de 2005, pois nova derrota eleitoral seria o início do desastre.
De nada adiantou a campanha moralista naquela altura, curiosamente liderada por alguns dos políticos mais imorais e corruptos do país, alguns deles felizmente defenestrados nas recentes eleições, ou as CPIs policialescas instaladas nas duas casas do Congresso Nacional, onde a pregação intolerante contra o Partido dos Trabalhadores e a esquerda de um modo geral chegou a ser defendida com o chamamento à eliminação “dessa gente” da política brasileira. Bravatas, arrogância e intolerância substituíam os discursos políticos daquilo que se poderia esperar de uma oposição minimamente civilizada, se é que se pode chamar de civilizados um grande número de dilapidadores do patrimônio nacional em beneficio próprio.
Acuado, o governo soube esperar a hora do contra ataque. E o fez no seu segundo mandato, aprofundando as suas políticas sociais e de infraestrutura econômica. Lula se reelegeu em 2006 e chega a 2010, no final do seu governo, com um índice de popularidade “nunca visto antes na história desse país”. E mais: sai o operário e entra uma mulher. Impensável no Brasil de dez anos atrás.
O desafio que tem pela frente a presidente Dilma Roussef é enorme, a começar pela guerra diária que lhe imporá a vetusta oligarquia brasileira e sua velha mídia incompetente, desonesta e oportunista.
Mas, guerra é guerra e o povo, atento e organizado, sempre que chamado, irá se manifestar através de sindicatos, dos movimentos sociais, das entidades estudantis e dos partidos políticos comprometidos com a soberania do país e das suas conquistas sociais, fazendo avançar essas conquistas. E também através de uma nova mídia que se forma pela internet ou – o que espera o país – ver alguns jornais, revistas e televisões tendo que se ajustar a um novo marco regulatório para a comunicação social, tornando-a verdadeiramente democrática.
De hoje em diante toda atenção é pouca, porque o conservadorismo, agora efetivamente de mãos dadas com o emergente fascismo tupiniquim não irá descansar. E essa é uma união mais do que perigosa. Alguém já disse que para onde pender o Brasil, deverá pender a América Latina. Não deixemos que a vitória nos faça esquecer que o inimigo é forte e continuará sua insidiosa luta no dia a dia das calúnias, das mentiras, dos factóides, tentando minar a confiança do povo no seu novo governo.
Felicidades, presidente Dilma Roussef! Seja bem-vinda.

Izaías Almada é escritor, dramaturgo, autor – entre outros – do livro “Teatro de Arena: uma estética de resistência” (Boitempo) e “Venezuela povo e Forças Armadas” (Caros Amigos).

1 de nov. de 2010

Dilma eleita: Sim, a mulher pode,


Transmissão encerrada. Abaixo, a transcrição: 

Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,
É imensa a minha alegria de estar aqui.
Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida.
Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.
A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!
Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:
Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.
Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.
Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.
Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.
Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.
Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões.
O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família.
É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.
Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.
Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte.
A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.
O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro.
Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.
Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada.
No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.
Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o país ao mundo. Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.
Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.
É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.
Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.
Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos.
Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.
Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela poupança pública.
Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público.
Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo.
Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.
As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.
Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental. Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.
Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.
Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar muitos de nossos objetivos sociais.
Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.
O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.
Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas.
Me comprometi nesta campanha com a qualificação da Educação e dos Serviços de Saúde.
Me comprometi também com a melhoria da segurança pública.
Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.
Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de primeira qualidade para realizar esses objetivos.
Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o desenvolvimento de nosso povo.
A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo acesso a educação e saúde de qualidade.
É aquela que convive com o meio ambiente sem agredi-lo e sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.
Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao país, mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei de forma dedicada e carinhosa.
Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.
Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental.
Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.
Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.
A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.
Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.
Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.
Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los. Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu país no seu mais alto posto. Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares que passei.
Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia.
Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho.
Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.
Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.
Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras. As criticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.
Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.
Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós.
Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta.
Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado.
Saberei consolidar e avançar sua obra.
Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo.
Uma força que leva o país para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.
Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de projetos agora é hora de união.
União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país. Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores. Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária, para uma ação determinada pelo futuro de nosso país.
Sempre com a convicção de que a Nação Brasileira será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.

Muito obrigada.

Blog do Tijolaço - 31.10.2010