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15 de nov. de 2012

Mia Couto: ativismo político também é feito com literatura

Mia Couto
Poeta , jornalista e biólogo moçambicano participou da luta pela independência de seu país

Sob a laje de um sobrado no Jardim São Luís, bairro de periferia na zona Sul de São Paulo, mais de cem pessoas se acomodavam para escutar atentamente e com confesso deslumbramento uma palestra informal do poeta, biólogo e jornalista moçambicano Mia Couto, autor de obras como “Terra Sonâmbula”, de passagem pelo Brasil para a divulgação de seu mais recente livro, “A Confissão da Leoa”.

26 de jun. de 2012

O Egito e o Paraguai vivem situações similares

Opera Mundi
 
Durante as longas ditaduras que os dois países sofreram, só foi tolerada a oposição moderada, que compactuava com a ditadura: o Partido Liberal no Paraguai, a Irmandade Muçulmana no Egito.
 
Por Emir Sader - Carta Maior
 
Países com longas ditaduras não passam simplesmente da ditadura à democracia, apagando seu passado e escrevendo a nova página da sua história como se fosse uma página em branco. Até mesmo porque costumam ser transições institucionais, pacíficas, não rupturas radicais. O passado pesa fortemente sobre as novas democracias, condicionando seu futuro fortemente.
 

29 de abr. de 2012

Galeano: O melhor da vida é a curiosidade, e a curiosidade nasce da ignorância do destino

* Eduardo Galeano
Ana Maria Mizrahi - La Ventana

“Cada vez que uma cigana se aproxima de mim para ler as mãos, peço-lhe por favor, que lhe pago para que não a leia. Não quero que me digam o que vai acontecer, o melhor que a vida tem é a curiosidade, e a curiosidade nasce da ignorância sobre nosso destino. A explosão dos indignados começou na Espanha e logo estendeu-se para outras partes. É uma boa notícia a capacidade de indignação. Bem dizia meu mestre brasileiro Darcy Ribeiro (intelectual brasileiro já falecido) que o mundo se divide entre os indignos e os indignados, e é preciso tomar partido, é preciso escolher”.

12 de fev. de 2011

Egito livre?

 
A sucessão de fatos que desembocou na renúncia de Mubaraki pode ser considerada uma vitoria do povo egípcio.
Mas, afinal, Mubaraki caiu ou renunciou?
Porque a imprensa não decide o enforque sobre estes fatos, a nomenclatura do ato final?
Se caiu foi o povo e sua revolta, intermitente ao longo de 18 dias, desafiando o aparato repressivo do Estado, quem forçou, no sentido mais incisivo da palavra, a queda do ditador, aliado dos americanos, preposto dos israelenses.
Se Mubaraki renunciou, o povo também contribuiu para sua renúncia, mas este ato deixa claro que Mubaraki saiu pela incapaz sustentabilidade de se manter um governo com seu nome a frente, mas preservando todos os demais personagens que o próprio Mubaraki nomeou.  Aí pode-se considerar um 'empate técnico" de israelenses e norte americanos.

De qualquer forma a queda de Mubaraki, por renúncia ou deposição popular, revela a fragilidade dos governos autoritários do oriente médio, sustentados unicamente  na ação repressiva de governos que não respeitam os anseios populares e impõe suas vontades pela força, ignorando os mais básicos direitos humanos e sem serem importunados pela ONU, EUA e a grande imprensa mundial, inclusive pela filial brasileira desta corporação, que ao longo de 30 anos dedicou pouco ou quase nada de suas edições para condenar o regime egípcio.

A saída de cena de Mubaraki encerra mais um ato triste e arrastado, por 30 anos, de uma ditadura não incomodada por aliados que, sem legitimidade moral e ética, bradam mundo afora pela "defesa da liberdade e democracia", mas que afagam ditaduras fantoches em benefícios próprios.

A vitória do povo egípcio é a vitória da democracia, da liberdade e da soberania dos povos, que contamine toda a região e incomode regimes fechados como os da Arábia Saudita e Jordânia.

Livre mesmo?
Mas a pergunta final que se faz indispensável ao momento: estará o Egito livre? Se quem assume o poder com a queda (ou renúncia) de Mubaraki é o ex-chefe de sua guarda presidencial, O marechal Mohamed Hussein Tantawi, de 79 anos, que comandará o processo de transição no Egito.

Durante a crise das últimas semanas, Tantawi tem sido um dos principais contatos do governo egípcio com os Estados Unidos. Ele já foi visto pelos norte-americanos como um homem resistente às reformas política e econômica. 

Apesar da aparente perda do chefe das "sesmarias egípcias" os EUA mudam o longevo comandante para continuar o controle com a liderança do processo de escolha do futuro governo.

O resultado final ainda pode ser um duro golpe nos interesses de Washington, mas o povo também teve sua parcela de conquista, derrubou o chefe de estado e poderá impor suas escolhas nas eleições de setembro, aprofundando ainda mais o fosso que separa as aspirações populares do povo egípcio, dos interesses genuinamente estrangeiros.

Por enquanto o sabor das mudanças, mesmo que moderadamente, toma conta do mundo livre e democrata.

Com informações da
Agência Brasil
 
Por Claudio Ribeiro - Palavras Diversas - 11.02.2011

11 de Fevereiro, a antítese perfeita do 11 de Setembro

Obrigado Egito! Parabéns Egito! Pode comemorar...


Obrigado Egípcios. A festa é enorme, gente do mundo todo saúda e comemora mas só vocês, os protagonistas e donos da festa é que podem sentir nesse momento o sabor da vitória, da libertação.Vocês merecem, caras.
Vocês sentiram o peso dessa ditadura sustentada pelo capitalismo Ocidental bem como o peso dos comunistas e reis e tantos outros que vocês carregaram em suas costas. Vocês sentiram o peso das pedras das pirâmide e de 7 mil anos carregando tantas outras pedras para faraós, para os helênicos, para romanos, para os califas, para franceses, para os ingleses, para os soviéticos, para os americanos. Vocês que construíram ao longo da história tanta coisa grande e bela para outrém, mereciam sentir enfim esse gosto, que deve ser delicioso, que é o gosto da Liberdade.
Eu acredito em vocês. Você não vão deixar nem militares nem clérigos dizerem pra onde vai a História.
E ao fazer história, vocês mostraram ao mundo o que os governos querem esconder. Você nos deram imagens lindas de fraternidade e coragem. Começo esse tópico com a comemoração da vitória de vocês, pessoas do egito, comemorando nesse 11 de fevereiro. Penso ser essa a antítese perfeita às imagens do 11 de setembro de 2001. Até hoje, eles repetem aquilo à exaustão. O 11 de meio que ditava como seria o século.
Governos Ocidentais adoram aquelas imagens, pois assim estavam justificando as suas atrocidades e imposições fundamentalistas e mentirosas cometidas mundo a fora. O que dizem agora???
As imagens do 11 de fevereiro (e também as que as antecederam desde o dia #25Jan)são imagens de vida, de explosão de alegria, de pessoas vencendo governos (e não de governos derrotando pessoas). Que seja essa a cara do novo milênio, uma cara risonha de quem a certeza de que o povo ESTÁ no poder e não simplesmente "aparenta" estar no poder.


Por Leandro Cruz - Viagem no Tempo - 11.02.2011 

2 de fev. de 2011

Quem faz revolução é gente. Não coisifiquem a revolução!

Interessante discussão no Twitter sobre o peso da internet na revolução egípcia que, 8 dias depois de seu início, ainda não tem conclusão possível. Quem disser que sabe aonde vai dar estará mentindo.


O debate começou entre @caribe, o ciberativista fusion João Carlos Caribé (o blog dele, Entropia, lembra meus primórdios na internet: em 1993, quando cheguei à rede pelas mãos do Sérgio Charlab, lá no velho JB, ela era puro texto; quando apareceu a web gráfica, pouco depois, um dos primeiros sites com imagens foi um tal Entropy, impressionante, chocante, que me sinto incapaz de linkar agora porque a net é hoje uma loucura entrópica). Pois bem, @caribe discutia com @ALuizCosta, o escritor e humanista Antonio Luiz Costa, colunista da CartaCapital, sobre o peso da internet nos protestos em curso no Egito. Duas pessoas de esquerda.

@ALuizCosta dizia frases assim:
* A internet é útil, mas não está só a seu/nosso favor. É um instrumento de espionagem e controle de empresas e governos, também
* A internet foi bloqueada e não fez diferença alguma para os protestos. Mubarak iludiu-se, como vocês
* Não foi preciso internet para derrubar a Bastilha, lembra?
* Da demissão de Necker (11 de julho) à queda da Bastilha (14 de julho) foram três dias. Nada mau 
*  Página 1/26 de panfleto egípcio "Como protestar de maneira inteligente", via @yurikropotkin 
*  Página 26/26 do panfleto egípcio "Como protestar de maneira inteligente", via @yurikropotkin
* Parece que Mubarak comprou o mito de que há "revoluções por Twitter", tanto que derrubou a web. Mas só prejudica a economia
* A rede está fora do ar há dias e os protestos são cada vez maiores. E a maioria dos egípcios nem tem acesso à internet
@caribe dizia frases assim:
* Ja falaram, com a Internet toda revolução é mais rápida, democrática e eficiente
* E não entendo esta dificuldade de alguns de entender a Internet como a maior ferramenta de democracia de todos os tempos
* E digo mais, é impossivel hoje em dia qualquer mobilização daquele porte sem uma comunicação em rede
* Por fim acreditar naqueles papeis chega a ser inocente, ainda mais pensar que eles não serão interceptados
Aqui no Brasil mesmo, paramos o AI5digital usando Twitter, Orkut, Blogs e email.
* É a sindrome de Gladwell/Keen - Alias o povo ainda enxerga a rede e as ruas como duas coisas estanques.
E recomendou textos e mais textos e mais textos e mais textos interessantíssimos para que "entendamos" o poder da rede. E quem não entende esse poder não passa de um conservador inconformado com essas óbvias mutações. Ele diz, por exemplo, isso:


Ou seja, a internet é deus (como todo bom nerd ele usa até maiúscula na inicial de internet; aposto que não usa para jornal, televisão, rádio, cassete, máquina fotográfica... sou iconoclasta em matéria de caixa alta, como boa filha do velho JB, que mantinha saudável desrespeito a tudo e todos -- do presidente ao papa, é caixa baixa, exceto em nome próprio). A internet é quase que meio e fim, a razão pura, o 42 do Mochileiro das Galáxias.

Difícil concordar inteiramente; não sou adoradora da internet não, eu uso a internet, e pra caramba! Já o @ALuizCosta, tuiteiro "contumaz", de repente estava minimizando ao máximo o papel das redes, até exagerando, como não raro nos acontece sob pressão. Olhem só este tweet:


Claro que panfletos podem ser interceptados, assim como a internet pode ser derrubada (no Egito, bastaram alguns telefonemas de Mubarak e sua quadrilha, encastelada no poder há 30 anos e disposta a mantê-lo). Mas graças à internet posso ver a Jazeera em inglês, acompanhar os acontecimentos pelo Twitter, assinar uma petição de apoio, ler os textos sensacionais do Robert Fisk e do Pepe Escobar. O mundo pode dar seu apoio aos manifestantes e Mubarak não pode mais esconder seus segredos, como tenta pateticamente sua patética TV Nile.

Só que o buraco é mais embaixo. @ALuizCosta indicou apenas um texto -- The Twitter Revolution Must Die --, um desses textos que caem na nossa cabeça pela força da gravidade e fazem diferença em nossas vidas. Ulises Mejias, o autor, professor-adjunto da Suny Oswego (State University of New York at Oswego), considera que ambos os lados deste eterno debate (a internet como o Olimpo de Zeus ou o Submundo de Hades) sofram do que chama de "determinismo tecnológico". Para ele, a resposta está no meio, porque tecnologia e sociedade mutuamente e continuamente influenciam uma à outra, ufa!, e esse discurso sobre a alegada revolução das redes sociais é apenas outra forma de despolitizar nossa compreensão dos conflitos, de encobrir o papel do capitalismo na supressão da democracia. Ufa! Ufa! "Que poderosa afirmação de nós mesmos acreditar que as pessoas envolvidas numa luta desesperada pela dignidade humana estejam usando os mesmos produtos da web 2.0 que nós usamos!" Ufa! Ufa! Ufa! E por aí vai (TRADUZIDO AQUI). Mas o melhor estava no princípio: "Você já ouviu falar da revolução da Leica? Não?" Ele fala da Revolução Mexicana, a primeira obsessivamente fotografada, e prossegue:
"(...) Meu sarcasmo é, naturalmente, mal velada tentativa de apontar o absurdo que é, na referência aos eventos no Irã, na Tunísia, no Egito e em outros lugares, como a Revolução do Twitter, a Revolução do Facebook e assim por diante. O jeito com que chamamos as coisas, os nomes que usamos para identificá-las tem um poder simbólico incrível e eu, por exemplo, recuso-me a associar marcas corporativas às lutas pela dignidade humana. Concordo com Jillian York, quando ela diz:
"(...) Estou contente que os tunisianos tenham sido capazes de usar as mídias sociais para chamar a atenção para sua situação. Mas não vou desonrar a memória de Mohamed Bouazizi [que se incendiou nos protestos] ou a dos outros 65 que morreram
por suas causas nas ruas, por isso, nada de dublagem, não chamarei isto de outra coisa a não ser de revolução humana."

UAU! Já tinha me metido no papo das duas feras um pouco do lado do @ALuizCosta pra defender o poder "das ruas", que no passado deve ter sido declanchado até a partir de sinais de fumaça, um pouco do lado do @caribe, porque a internet, de fato, facilita as coisas. Só que estava na minha cabeça, a partir de uma tuitada alheia de dias atrás que não arquivei, a teoria da revolução de Marx, esse gênio que enquanto errava feio na Alemanha profetizava tudo o que estamos vendo no mundo há uns 160 anos. E achei um ensaio, A Comuna de Paris e a teoria da revolução em Marx: Do balanço na "Guerra civil em França" às conclusões de Engels no "Testamento" de 1895, de Valério Arcary, que é doutor em História Social (e do PSTU...), cujo último parágrafo é o seguinte:
"Assim como a crise econômica incide sobre as lutas de classes, porque abre e precipita a crise social, as lutas de classes, a maior insegurança ou maior determinação de cada classe social na defesa de seus interesses, também incide sobre o processo econômico, aprofundando as tendências à crise ou favorecendo a recuperação." 
Aí estão as palavrinhas mágicas. Luta de classes. Todos sabem como sou fanática pela rede, como festejo esse poder imenso (quase o mesmo da CIA, hahaha!), mas revolução pela internet? Sou conservadora por achar que nossa humanidade seja a força que move essa doideira de mundo? E que a luta de classes é que bombeie as transformações? Então, sou. A humanidade nas ruas, resistindo, é a força que (ok, vou ser antiga!) hardware, o que você chuta, ou software, o que você xinga, algum pode substituir. Ajuda nos combates, demais. Mas a luta de classes empurra e a gente faz.

E viva a revolução! 

 Por Marinilda - Zumbaia Zumbi - 02.02.2011 


Do Teia Livre

19 de jan. de 2011

HOBSBAWN: LULA FOI QUEM MAIS FEZ PELOS MAIS POBRES DO BRASIL EM TODA SUA HISTÓRIA

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Eric Hobsbawn: "Lula é o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil. No Brasil há muitos pobres e ninguém jamais fez tantas coisas concretas por eles"

"Com liberdade total para o mercado, quem atende aos pobres?" 

Por Martin Granovsky - Página12

Em junho ele completa 92 anos. Lúcido e ativo, o historiador que escreveu "Rebeldes Primitivos", "A Era da Revolução" e a "História do Século XX", entre outros livros, aceitou falar de sua própria vida, da crise de 30, do fascismo e do antifascismo e da crise atual. Segundo ele, uma crise da economia do fundamentalismo de mercado é o que a queda do Muro de Berlim foi para a lógica soviética do socialismo.

Hobsbawm aparece na porta da embaixada da Alemanha, em Londres. São pouco mais de três da tarde na bela Belgrave Square e se enxergam as bandeiras das embaixadas por trás das copas das árvores. De óculos, chapéu na cabeça e um casaco muito pesado, cumprimenta. Tem mãos grandes e ossudas, mas não parecem as mãos de um velho. Nenhuma deformação de artrite as atacou. Rapidamente uma pequena prova demonstra que as pernas de Hobsbawm também estão em boa forma. Com agilidade desce três degraus que levam do corrimão a calçada. Parece enxergar bem. Tem uma bengala na mão direita. Não se apóia nela, mas talvez a use como segurança, em caso de tropeçar, ou como um sensor de alerta rápido que detecta degraus, poças e, de imediato, o meio-fio da calçada. Hobsbawm é alto e magro. Uns oitenta e bicos. Não pede ajuda. O motorista do Foreign Office lhe abre a porta esquerda do jaguar preto. Entra no carro com facilidade. O carro é grande, por sorte, e cabe, mas a viagem é curta.

- Acabo de me encontrar com um historiador alemão, por isso estou na embaixada, e devo voltar – avisa. Ele chegou de visita a Londres e quis conversar com alguns de nós. Sei que vamos a Canning House. Está bem. Poucas voltas, não?

O carro dá meia volta na Belgrave Square e pára na frente de outro palacete branco de três andares, com uma varanda rodeada de colunas e a porta de madeira pesada. Por algum motivo mágico o motorista de cabelos brancos com uma mecha sobre o rosto, traje azul e sorridente como um ajudante do inspetor Morse de Oxford, já abre a porta a Hobsbawm. Entre essas construções tão parecidas, a elegância do Jaguar o assemelha a uma carruagem recém polida. O motorista sorri quando Hobsbawm desce. O professor lhe devolve a simpatia enquanto sobe com facilidade num hall obscuro. Já entrou em Canning House e à direita vê uma enorme imagem de José de San Martin. À esquerda do corredor, uma grande sala. O chá está servido. Quer dizer, o chá, os pães e uma torta. Outro quadro do mesmo tamanho que o de San Martin. É Simon Bolívar. E também é Bolívar o cavalheiro do busto sobre o aparador.

Quanto chá tomaram Bolívar e San Martin antes de saírem de Londres para a América do Sul, em princípios do século XIX, para cumprir seus planos de independência?

Hobsbawm pega a primeira taça e quer ser quem faz a primeira pergunta.

- Como está a Argentina? - interroga mas não muito, porque não espera e comenta – No ano passado Cristina esteve para vir a Londres para uma reunião de presidentes progressistas e pediu para me ver. Eu disse sim, mas ela não veio. Não foi sua culpa. Estava no meio do confronto com a Sociedade Rural.

Hobsbawm fala um inglês sem afetação nem os trejeitos de alguns acadêmicos do Reino Unido. Mas acaba de pronunciar “Sociedade Rural” em castellhano.

- O que aconteceu com esse conflito?

Durante a explicação, o professor inclina a cabeça, mais curioso que antes, enquanto com a mão direita seu garfo tenta cortar a torta de maçã. É uma tarefa difícil. Então se desconcentra da torta e fixa o olhar esperando, agora sim, alguma pergunta.

- O mundo está complicado – afirma ainda mantendo a iniciativa. Não quero cair em slogans, mas é indubitável que o Consenso de Washington morreu. A desregulação selvagem já não é somente má: é impossível. Há que se reorganizar o sistema financeiro internacional. Minha esperança é que os líderes do mundo se dêem conta de que não se pode renegociar a situação para voltar atrás, senão que há que se redesenhar tudo em direção ao futuro.

A Argentina experimentou várias crises, a última forte em 2001. Em 2005 o presidente Néstor Kirchner, de acordo com o governo brasileiro, que também o fez, pagou ao FMI e desvinculou a Argentina do organismo para que o país não continuasse submetido a suas condicionalidades.

- É que a esta altura se necessita de um FMI absolutamente distinto, com outros princípios que não dependam apenas dos países mais desenvolvidos e em que uma ou duas pessoas tomam as decisões. É muito importante o que o Brasil e a Argentina estão propondo, para mudar o sistema atual. Como estão as relações de vocês?

- Muito bem

- Isso é muito importante. Mantenham-nas assim. As boas relações entre governos como os de vocês são muito importantes em meio a uma crise que também implica riscos políticos. Para os padrões estadunidenses, o país está girando à esquerda e não à extrema direita. Isso também é bom. A Grande Depressão levou politicamente o mundo para a extrema direita em quase todo o planeta, com exceção dos países escandinavos e dos Estados Unidos de Roosevelt. Inclusive o Reino Unido chegou a ter membros do Parlamento que eram de extrema direita [e começa a entrevista propriamente].

- E que alternativa aparece?

- Não sei. Sabe qual é o drama? O giro à direita teve onde se apoiar: nos conservadores. O giro à esquerda também teve em quem descansar: nos trabalhistas.

- Os trabalhistas governam o Reino Unido.

- Sim, mas eu gostaria de considerar um quadro mais geral. Já não existe esquerda tal como era.

- Isso lhe é estranho?

- Faço apenas o registro.

- A quê se refere quando diz “a esquerda tal como era”?

- Às distintas variantes da esquerda clássica. Aos comunistas, naturalmente. E aos socialdemocratas. Mas, sabe o que acontece? Todas as variantes da esquerda precisam do Estado. E durante décadas de giro à direita conservadora, o controle do Estado se tornou impossível.

- Por que?

- Muito simples. Como você controla o estado em condições de globalização? Convém recordar que, em princípios dos anos 80 não só triunfaram Ronald Reagan e Margareth Thatcher. Na França, François Miterrand não obteve uma vitória.

- Havia vencido para a presidência dem 1974 e repetiu a vitória em 1981.

- Sim. Mas quando tentou uma unidade das esquerdas para nacionalizar um setor maior da economia, não teve poder suficiente para fazê-lo. Fracassou completamente. A esquerda e os partidos socialdemocratas se retiraram de cena, derrotados, convencidos de que nada se podia fazer. E, então, não só na França como em todo mundo ficou claro que o único modelo que se podia impor com poder real era o capitalismo absolutamente livre.

- Livre, sim. Por que diz “absolutamente”?

- Porque com liberdade absoluta para o mercado, quem atende aos pobres? Essa política, ou a política da não-política, é a que se desenvolveu com Margareth Thatcher e Ronald Reagan. E funcionou – dentro de sua lógica, claro, que não compartilho – até a crise que começou em 2008. Frente à situação anterior a esquerda não tinha alternativa. E frente a esta? Prestemos atenção, por exemplo, à esquerda mais clássica da Europa. É muito débil na Europa. Ou está fragmentada. Ou desapareceu. A Refundação Comunista na Itália é débil e os outros ramos do ex Partido Comunista Italiano estão muito mal. A Esquerda Unida na Espanha também está descendo ladeira abaixo. Algo permaneceu na Alemanha. Algo na França, como Partido Comunista. Nem essas forças, nem menos ainda a extrema esquerda, como os trotskistas, e nem sequer uma socialdemocracia como a que descrevi antes alcançam uma resposta a esta crise a seus perigos, contudo. A mesma debilidade da esquerda aumenta os riscos.

- Que riscos?

- Em períodos de grande descontentamento como o que começamos a viver, o grande perigo é a xenofobia, que alimentará e será por sua vez alimentada pela extrema direita. E quem essa extrema direita buscará? Buscará atrair os “estúpidos” cidadãos que se preocupam com seu trabalho e têm medo de perdê-lo. E digo estúpidos ironicamente, quero deixar claro. Porque aí reside outro fracasso evidente do fundamentalismo de mercado. Deu liberdade para todos, e a verdadeira liberdade de trabalho? A de mudá-lo e melhorar em todos os aspectos? Essa liberdade não foi respeitada porque, para o fundamentalismo de mercado isso tinha se tornado intolerável. Também teriam sido politicamente intoleráveis a liberdade absoluta e a desregulação absoluta em matéria laboral, ao menos na Europa. Eu temo uma era de depressão.

- Você ainda tem dúvidas de que entraremos em depressão?

- Se você quiser posso falar tecnicamente, como os economistas, e quantificar trimestres. Mas isso não é necessário. Que outra palavra pode se usar para denominar um tempo em que muito velozmente milhões de pessoas perdem seu emprego? De qualquer maneira, até o momento no vejo um cenário de uma extrema direita ganhando maioria em eleições, como ocorreu em 1933, quando a Alemanha elegeu Adolf Hitler. É paradoxal, mas com um mundo muito globalizado um fator impedirá a imigração, que por sua vez aparece como a desculpa para a xenofobia e para o giro à extrema direita. E esse fator é que as pessoas emigrarão menos – falo em termos de emigração em massa – ao verem que nos países desenvolvidos a crise é tão grave. Voltando à xenofobia, o problema é que, ainda que a extrema direita não ganhe, poderia ser muito importante na fixação da agenda pública de temas e terminaria por imprimir uma face muito feia na política.

- Deixemos de lado a economia, por um momento. Pensando em política, o que diminuiria o risco da xenofobia?

- Me parece bem, vamos à prática. O perigo diminuiria com governos que gozem de confiança política suficiente por parte do povo em virtude de sua capacidade de restaurar o bem-estar econômico. As pessoas devem ver os políticos como gente capaz de garantir a democracia, os direitos individuais e ao mesmo tempo coordenar planos eficazes para se sair da crise. Agora que falamos deste tema, sabe que vejo os países da América Latina surpreendentemente imunes à xenofobia?

- Por que?

- Eu lhe pergunto se é assim. É assim?

- É possível. Não diria que são imunes, se pensamos, por exemplo, no tratamento racista de um setor da Bolívia frente a Evo Morales, mas ao menos nos últimos 25 anos de democracia, para tomar a idade da democracia argentina, a xenofobia e o racismo nunca foram massivos nem nutriram partidos de extrema direita, que são muito pequenos. Nem sequer com a crise de 2001, que culminou o processo de destruição de milhões de empregos, apesar de que a imigração boliviana já era muito importante em número. Agora, não falamos dos cantos das torcidas de futebol, não é?

- Não, eu penso em termos massivos.

- Então as coisas parecem ser como você pensa, professor. E, como em outros lugares do mundo, o pensamento da extrema direita aparece, por exemplo, com a crispação sobre a segurança e a insegurança das ruas.
- Sim, a América Latina é interessante. Tenho essa intuição. Pense num país maior, o Brasil. Lula manteve algumas idéias de estabilidade econômica de Fernando Henrique Cardoso, mas ampliou enormemente os serviços sociais e a distribuição. Alguns dizem que não é suficiente...
- E você, o que diz?
- Que não é suficiente. Mas que Lula fez, fez. E é muito significativo. Lula é o verdadeiro introdutor da democracia no Brasil. E ninguém o havia feito nunca na história desse país. Por isso hoje tem 70% de popularidade, apesar dos problemas prévios às últimas eleições. Porque no Brasil há muitos pobres e ninguém jamais fez tantas coisas concretas por eles, desenvolvendo ao mesmo tempo a indústria e a exportação de produtos manufaturados. A desigualdade ainda assim segue sendo horrorosa. Mas ainda faltam muitos anos para mudar as cosias. Muitos.
- E você pensa que serão de anos de depressão mundial

- Sim. Lamento dizê-lo, mas apostaria que haverá depressão e que durará alguns anos. Estamos entrando em depressão. Sabem como se pode dar conta disso? Falando com gente de negócios. Bom, eles estão mais deprimidos que os economistas e os políticos. E, por sua vez, esta depressão é uma grande mudança para a economia capitalista global.

- Por que está tão seguro desse diagnóstico?

- Porque não há volta atrás para o mercado absoluto que regeu os últimos 40 anos, desde a década de 70. Já não é mais uma questão de ciclos. O sistema deve ser reestruturado.

- Posso lhe perguntar de novo por que está tão seguro?

- Porque esse modelo não é apenas injusto: agora é impossível. As noções básicas segundo as quais as políticas públicas deviam ser abandonadas, agora estão sendo deixadas de lado. Pense no que fazem e às vezes dizem, dirigentes importantes de países desenvolvidos. Estão querendo reestruturar as economias para sair da crise. Não estou elogiando. Estou descrevendo um fenômeno. E esse fenômeno tem um elemento central: ninguém mais se anima a pensar que o Estado pode não ser necessário ao desenvolvimento econômico. Ninguém mais diz que bastará deixar que o mercado flua, com sua liberdade total. Não vê que o sistema financeiro internacional já nem funciona mais? Num sentido, essa crise é pior do que a de 1929-1933, porque é absolutamente global. Nem os bancos funcionam.

- Onde você vivia nesse momento, no começo dos anos 30?

- Nada menos que em Viena e Berlim. Era um menino. Que momento horroroso. Falemos de coisas melhores, como Franklin Delano Roosevelt.

- Numa entrevista para a BBC no começo da crise você o resgatou.

- Sim, e resgato os motivos políticos de Roosevelt. Na política ele aplicou o princípio do “Nunca mais”. Com tantos pobres, com tantos famintos nos Estados Unidos, nunca mais o mercado como fator exclusivo de obtenção de recursos. Por isso decidiu realizar sua política do pleno emprego. E desse modo não somente atenuou os efeitos sociais da crise como seus eventuais efeitos políticos de fascistização com base no medo massivo. O sistema de pleno emprego não modificou a raiz da sociedade, mas funcionou durante décadas. Funcionou razoavelmente bem nos Estados Unidos, funcionou na França, produziu a inclusão social de muita gente, baseou-se no bem-estar combinado com uma economia mista que teve resultados muito razoáveis no mundo do pós-Segunda Guerra. Alguns estados foram mais sistemáticos, como a França, que implantou o capitalismo dirigido, mas em geral as economias eram mistas e o Estado estava presente de um modo ou de outro. Poderemos fazê-lo de novo? Não sei. O que sei é que a solução não estará só na tecnologia e no desenvolvimento econômico. Roosevelt levou em conta o custo humano da situação de crise.

- Quer dizer que para você as sociedades não se suicidam.

(Pensa) – Não deliberadamente. Sim, podem ir cometendo erros que as levam a catástrofes terríveis. Ou ao desastre. Com que razoabilidade, durante esses anos, se podia acreditar que o crescimento com tamanho nível de uma bolha seria ilimitado? Cedo ou tarde isso terminaria e algo deveria ser feito.

- De maneira que não haverá catástrofe.

- Não me interessam as previsões. Observe, se acontece, acontece. Mas se há algo que se possa fazer, façamos-no. Não se pode perdoar alguém por não ter feito nada. Pelo menos uma tentativa. O desastre sobrevirá se permanecermos quietos. A sociedade não pode basear-se numa concepção automática dos processos políticos. Minha geração não ficou quieta nos anos 30 nem nos 40. Na Inglaterra eu cresci, participei ativamente da política, fui acadêmico estudando em Cambridge. E todos éramos muito politizados. A Guerra Civil espanhola nos tocou muito. Por isso fomos firmemente antifascistas.

- Tocou a esquerda de todo o mundo. Também na América Latina

- Claro, foi um tema muito forte para todos. E nós, em Cambridge, víamos que os governos não faziam nada para defender a República. Por isso reagimos contra as velhas gerações e os governos que as representavam. Anos depois entendi a lógica de por quê o governo do Reino Unido, onde nós estávamos, não fez nada contra Francisco Franco. Já tinha a lucidez de se saber um império em decadência e tinha consciência de sua debilidade. A Espanha funcionou como uma distração. E os governos não deviam tê-la tomado assim. Equivocaram-se. O levante contra a República foi um dos feitos mais importantes do século XX. Logo depois, na Segunda Guerra...

- Pouco depois, não? Porque o fim da Guerra Civil Espanhola e a invasão alemã da Tchecoslováquia ocorreu no mesmo ano.

- É verdade. Dizia-lhe que logo depois o liberalismo e o comunismo tiveram uma causa comum. Se deram conta de que, assim não fosse, eram débeis frente ao nazismo. E no caso da América Latina o modelo de Franco influenciou mais que o de Benito Mussolini, com suas idéias conspiratórias da sinarquia, por exemplo. Não tome isso como uma desculpa para Mussolini, por favor. O fascismo europeu em geral é uma ideologia inaceitável, oposta a valores universais.

- Você fala da América Latina...

- Mas não me pergunte da Argentina. Não sei o suficiente de seu país. Todos me perguntam do peronismo. Para mim está claro que não pode ser tomado como um movimento de extrema direita. Foi um movimento popular que organizou os trabalhadores e isso talvez explique sua permanência no tempo. Nem os socialistas nem os comunistas puderam estabelecer uma base forte no movimento sindical. Sei das crises que a Argentina sofreu e sei algo de sua história, do peso da classe média, de sua sociedade avançada culturalmente dentro da América Latina, fenômeno que creio ainda se mantém. Sei da idade de ouro dos anos 20 e sei dos exemplos obscenos de desigualdade comuns a toda a América Latina.

- Você sempre se definiu com um homem de esquerda. Também segue tendo confiança nela?
- Sigo na esquerda, sem dúvida com mais interesse em Marx do que em Lênin. Porque sejamos sinceros, o socialismo soviético fracassou. Foi uma forma extrema de aplicar a lógica do socialismo, assim  como o fundamentalismo de mercado foi uma forma extrema de aplicação da lógica do liberalismo econômico. E também fracassou. A crise global que começou no ano passado é, para a economia de mercado, equivalente ao que foi a queda do Muro de Berlim em 1989. Por isso Marx segue me interessando. Como o capitalismo segue existindo, a análise marxista ainda é uma boa ferramenta para analisá-lo. Ao mesmo tempo, está claro que não só não é possível como não é desejável uma economia socialista sem mercado nem uma economia em geral sem Estado.
- Por que não?

Se se mira a história e o presente, não há dúvida alguma de que os problemas principais, sobretudo no meio de uma crise profunda, devem e podem ser solucionados pela ação política. O mercado não tem condições de fazê-lo.

(*) Martin Granovsky é analista internacional e presidente da agência de notícias Télam.

Publicado no jornal Página 12, em 29 de março de 2009

Tradução: Katarina Peixoto

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eRIC HOBSBASW É O MAIOR historiador vivo do planeta. A sua opinião é muito importante para ajudar na compreensão do que foi o governo lula. publicou  os seguintes livros:
  • A Era das Revoluções
  • Era do Capital
  • A Era dos Impérios
  • Era dos Extremos
  • Sobre História
  • Da Revolução Industrial Inglesa ao Imperialismo. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1979 (Segunda Edição)
  • História Social do Jazz
  • Pessoas Extraordinárias: Resistência, Rebelião e Jazz
  • Nações e Nacionalismo desde 1780
  • Tempos Interessantes (autobiografia)
  • Os Trabalhadores: Estudos Sobre a História do Operariado
  • Mundos do Trabalho: Novos Estudos Sobre a História Operária
  • Revolucionários: Ensaios Contemporâneos
  • Estratégias para uma Esquerda Racional
  • Ecos da Marselhesa : dois séculos revêem a Revolução Francesa / Eric J. Hobsbawm ; tradução Maria Celia Paoli. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
  • As Origens da Revolução Industrial/ tradução de Percy Galimberti São Paulo: Global Editora, 1979
Por enéas - 18.01.2011

18 de jul. de 2009

Livro e Vídeo: Balzac e a Costureirinha Chinesa

Sucesso literário na França, romance ambientado durante a Revolução Cultural chinesa. A história de BALZAC E A COSTUREIRINHA CHINESA, do autor Dai Sijie, se passa no fim da década de 60, quando o líder chinês Mao Tse-Tung lança uma campanha que mudaria radicalmente a vida do país: a Revolução Cultural. Entre outras medidas drásticas, o governo expurga das bibliotecas obras consideradas como símbolo da decadência ocidental. Mas, mesmo sob a opressão do Exército Vermelho, uma outra revolução explode na vida de três adolescentes chineses quando, ao abrirem uma velha e empoeirada mala, eles têm as suas vidas invadidas por Balzac, Dumas, Flaubert, Baudelaire, Rousseau, Dostoievski, Dickens... Os proibidos!

BALZAC E A COSTUREIRINHA CHINESA é uma crônica da vida na China durante a revolução de 68. Um romance sobre a felicidade da descoberta da literatura, a liberdade adquirida através dos livros e a fome insaciável pela leitura, numa época em que as universidades foram fechadas e os jovens intelectuais mandados ao campo para serem "reeducados por camponeses pobres".

Entre os que tiveram de abandonar as cidades está o narrador de BALZAC E A COSTUREIRINHA CHINESA e seu melhor amigo, Luo. O destino deles é uma aldeia escondida no topo de uma montanha. A vida não é fácil para a dupla, mas com muita coragem, senso de humor, uma forte imaginação e a companhia da Costureirinha — a menina mais bela da região — o tempo vai passando. Até que descobrem a mala repleta de livros banidos pela Revolução Cultural. As obras, sobretudo Ursule Mirouët, de Balzac, revelam aos adolescentes uma realidade que nunca haviam imaginado. E é por intermédio desse mudo novo além das fronteiras chinesas, e dos grandes mestres da literatura que o narrador, Luo e a Costureirinha compreendem que suas vidas pertencem a algo muito maior.

DAI SIJIE dirigiu três filmes de longametragem, dentre os quais Chine ma Douleur, e o BALZAC E A COSTUREIRINHA.

Fonte: Editora Objetiva