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15 de nov. de 2012

Mia Couto: ativismo político também é feito com literatura

Mia Couto
Poeta , jornalista e biólogo moçambicano participou da luta pela independência de seu país

Sob a laje de um sobrado no Jardim São Luís, bairro de periferia na zona Sul de São Paulo, mais de cem pessoas se acomodavam para escutar atentamente e com confesso deslumbramento uma palestra informal do poeta, biólogo e jornalista moçambicano Mia Couto, autor de obras como “Terra Sonâmbula”, de passagem pelo Brasil para a divulgação de seu mais recente livro, “A Confissão da Leoa”.

8 de fev. de 2011

Mudou Lula ou mudou o FSM?

Imagem: Blog da Dilma

Na reunião do Comitê Internacional do Fórum Social Mundial de 2001 com Lula, este foi duramente interpelado por todas as intervenções, seja sobre o papel do Brasil na OMC, sobre as relações do governo brasileiro com as empresas de agronegócios, seja pelo lugar do governo na polarização politica mundial.

Neste Fórum de 2011, Lula foi aclamado como ninguém, aparece como um grande líder de projeção mundial. Naquela que deveria ser a reunião correspondente à de 2001, com o Ministro Secretario Geral do governo, Gilberto Carvalho, ninguém levantou nenhum questionamento – nem sobre Belo Monte, São Francisco, OMC, Haiti ou qualquer outra questão -, ao contrário, houve enorme congraçamento, especialmente entre ONGs e governo.

Mudou Lula e o governo brasileiro ou mudou o FSM?

Ambos mudaram. Basta dizer que a abertura deste FSM teve apenas duas intervenções – a do presidente da Bolívia, Evo Morales, e a do Ministro do governo Dilma, Gilberto Carvalho. Isto é, ao contrário dos Foros anteriores, incluído o de Belém, em que a presença de 5 presidentes latino-americanos teve que encontrar um espaço paralelo à programação do Fórum, desta vez dois representantes de governo ocuparam lugar central e – tirando a corda excessivamente para o outro lado - nenhum movimento social falou na abertura do FSM.

De qualquer maneira avançou-se de uma atitude de exclusão de governos, partidos, políticos, para a incorporação de representantes de governos progressistas da América Latina no corpo mesmo do FSM. Certamente mudou a situação politica e isto representa um reconhecimento de que os governos progressistas da América Latina estão construindo o outro mundo possível.

Lula, antes objeto de grandes críticas, aparece como um grande líder dos povos de Sul do mundo, engajado na construção de um mundo multipolar, na critica dura à dominação do mundo pelas potencias tradicionais, na crítica à forma como os países do centro do capitalismo geraram a crise atual e não conseguem sair dela, por se manterem no marco das posições neoliberais.

Mas certamente também mudou o FSM. Se vê uma participação relativamente menor dos movimentos sociais e mesmo das próprias ONGs. A situação destas ficou mais explicita em intervenções na reunião com Gilberto Carvalho, onde representantes das ONGs expressaram a crise financeira que as afeta, além da visão de que nunca teriam sido anti governamentais, mas contra governos neoliberais e aceitando a proposta do governo de uma comissão permanente de intercambio entre o governo do Brasil e o Comitê Internacional do FSM.

É bom que seja assim, mas sempre que o FSM fortaleça a presença dos movimentos sociais – sua forma central de existência.

Lula tampouco é o mesmo de 2003. Seu discurso foi se desenvolvendo conforme o mundo foi mudando e, com ele, a politica externa brasileira foi se tornando mais abrangente. O diagnóstico da crise feito por Lula aponta para responsabilidades centrais das potências capitalistas e sua forma de resgatar aos bancos, mas não a economia dos seus países e a massa da população – vitimas diretas da crise.

O Brasil foi desenvolvendo uma estratégia internacional centrada nas alianças com os países do Sul do mundo – sela na América do Sul, assim com os Brics -, trabalhando na direção de um mundo economicamente multipolar. Da mesma forma que o Brasil foi incorporando temas como a questão palestina e o conflito dos EUA com o Irã, no entendimento de que outros atores deveriam intervir, não apenas para buscar evitar novos focos de guerra, mas também para desarticular focos existentes, com soluções que contemplem todas as partes envolvidas.

São todos temas caros ao próprio FSM, que não teria mesmo como não se alinhar com os governos progressistas latino-americanos que, mesmo com matizes distintos, buscam a construção de alternativas ao neoliberalismo.

Desse ponto de vista, o Fórum de Dacar foi um avanço na superação das barreiras artificiais entre forças sociais e forças politicas, entre resistência e construção de alternativas. Pela evolução do FSM e de Lula foi possível a passagem das diferenças e dos conflitos de 2003 à convergência de 2011.
O próximo – que, ao que tudo indica, será realizado em Porto Alegre – pode permitir uma formatação distinta, talvez colocando no centro mesmo do FSM a relação desses governos com os movimentos sociais, especialmente nos temas em que existem diferenças e tensões – como as questões do meio ambiente, da reforma agrária, da exploração dos recursos naturais, da democratização dos meios de comunicação, entre outros. Assim o FSM assumiria um formato adequado às condições atuais de luta pela superação do neoliberalismo, que representam uma vitória das teses defendidas desde sua origem pelo Fórum e que, por isso mesmo, demandam a atualização de suas formas de existência, para estar à altura dos desafios atuais da construção do outro mundo possível.

Emir Sader - 08.02.2011

21 de jun. de 2010

Dunga, não 'cala a boca'


Por Júnior Miranda

Muito “comovente” a reportagem da Globo sobre o “falta de educação” de Dunga a um repórter da emissora, o Alex Escobar, que deu um “sorrizinho” para o técnico da seleção durante entrevista coletiva de imprensa após o término do jogo entre o Brasil e a Costa do Marfim na tarde de ontem (20).
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Depois de fazer um inferno na vida do técnico da seleção brasileira nos últimos anos, incentivando indiretamente os telespectadores a chamá-lo de burro e muito mais, a Globo, como sempre, quer se passar de vítima. A pobrezinha da Globo, meu Deus! Chorando por causa de um “xingamento” do Dunga. Comovente! Blá! Blá! Blá!

Dunga vem comendo o pão que o diabo amassou com as ferozes críticas da Globo e da mídia brasileira, e quando a seleção vence com um placar considerável essa mesma Globo se finge de patriótica e quer tirar proveito do resultado.

Valeu Dunga! Você mostrou que não é subserviente a emissora dos Marinhos, apesar da ligação nebulosa da Globo com a CBF. E não foi um xingamento, foi um desabafo de quem vem sendo perseguido nos últimos anos por uma emissora dissimulada, hipócrita, e que vem perdendo audiência ano a ano. É por isso que a Globo está apelando e se desesperando. A emissora perdeu a exclusividade com a Seleção Brasileira de Futebol.

Como escreveu o Júlio Pegna, em seu Blog Sandálias do Pirata, “a emissora ataca o treinador desde antes da ida a Johanesburgo. Talvez por Dunga não ter permitido que instalassem um estúdio dentro do local da concentração, como na Copa de 2006... Talvez por Dunga só conceder entrevistas coletivas, para todos os jornalistas, no momento em que a comissão técnica acredita ser o mais apropriado... Talvez porque a Globo não tem o privilégio das exclusivas com os craques canarinhos, como era no passado... Talvez porque Dunga não é um dos anões da Branca de Neve.”

Dá-lhe Dunga!

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Dunga desmente o “dossiê” global


Por Azenha - Vi o mundo - 20.06.2010


























Gilberto Silva era dúvida. Aparentemente, nunca foi.

Ou pelo menos o jornal O Globo e a TV Globo receberam informações psicografadas a respeito. Mas Dunga, na coletiva que antecedeu o confronto contra Costa de Marfim, desmentiu:

“Quanto ao Gilberto [Silva], eu não vou vim apagar fogo aqui, eu não sou bombeiro de vocês, não é, ou de alguns, desculpa… de vocês, não vou colocar todos no mesmo local. Na outra vez, de manhã o Julio Cesar tava machucado, à tarde o Julio Cesar foi o melhor em campo. Agora, novamente, a gente abriu o treino, deixou vocês filmar, não sei quem foi bater uma fotografia e criou todo um circo que o Gilberto não tava. Então, eu não vou vim aqui apagar fogo de vocês. Quem escreveu a matéria tem que pedir desculpa pro leitor, pro torcedor brasileiro que tá em casa, que cada dia se cria uma coisa… uma fantasia e coloca todo mundo em pânico”.

Como o G1, da Globo, noticiou a declaração do técnico, distorcendo a declaração de Dunga, que em nenhum momento deu a entender que tinha havido um susto em relação a Gilberto Silva:

- O Gilberto Silva treinou normalmente. Todos vocês viram. Não vou apagar incêndio falando sobre esse assunto – afirmou o treinador, dando a entender que a pancada que o jogador sofreu não passou de um susto.

14 de jul. de 2009

Barack Obama diz a Africa: «yes, you can»

Barack Obama, pediu este sábado a Africa que assuma o controle de seu destino, lutando contra as práticas antidemocráticas, as guerras e as doenças, além de assegurar o apoio americano ao continente. Em sua primeira visita como presidente à África negra, Obama adaptou seu slogan de campanha, «yes, you can», para pedir aos africanos que não voltem a invocar o colonialismo para explicar as guerras, a doença, o subdesenvolvimento, as práticas antidemocráticas e a corrupção no continente repleto de «promessas».

«Vocês podem vencer a doença, acabar com os conflitos, mudar fundamentalmente as coisas. Vocês podem fazer isto. Sim, vocês podem (yes you can)», afirmou para os aplausos dos deputados de Gana no Parlamento de Acra. «Mas isto só é possível se vocês, todos, assumirem a responsabilidade de vosso futuro. Não será fácil. Levará tempo e esforços. Existirão testes e contrariedades. Mas posso prometer isto: os Estados Unidos estarão ao lado de vocês, em cada etapa, como sócio, como amigo».

A visita de Obama levantou o fervor popular. Centenas de pessoas o esperavam desde o amanhecer nos arredores do palácio presidencial, onde foi recebido pelo presidente John Atta Mills antes de seguir para o Parlamento. Muitos ganenses tinham a esperança de ver Obama por alguns segundos. Alguns exibiam cartazes com a frase: «Obama é o verdadeiro filho da África que queremos».

Entre a multidão, Ama Agyeman, uma mulher de 80 anos, em cadeira de rodas, ajudada pelo neto de 10 anos afirmou que desejava ver o primeiro presidente negro dos Estados Unidos antes de morrer. Obama, filho de um queniano que emigrou para os Estados Unidos para estudar antes de voltar ao país, recordou no Parlamento que o sangue da África corre em suas veias e que sabe o dano provocado pelo colonialismo no continente.

Mas, apesar de ter reconhecido a responsabilidade do colonialismo, completou: «É fácil acusar os outros, mas o Ocidente não é responsável pela destruição da economia zimbabuana na última década ou pelas guerras que alistam crianças entre os combatentes». Obama, que escolheu o Gana por ser um raro exemplo na África de transições democráticas e êxitos econômicos, pediu aos africanos que adotem regras de boa governança e acabem com as mudanças brutais de regime porque «a África não precisa de homens fortes, precisa de instituições fortes».

Ele completou que o apoio americano ao desenvolvimento dependeria da adesão às regras democráticas. Insistiu ainda no papel da parceria. Obama também prometeu a manutenção da ajuda dos Estados Unidos à luta contra as doenças na África, com o objetivo de erradicar a malária, a tuberculose e a pólio. «Ainda morrem muitas pessoas por doenças que não deveriam ser fatais», afirmou, antes de destacar que a luta passa por um reforço dos sistemas de saúde africanos.

Ao comentar o genocídio em Darfur e o aumento do terrorismo na Somália, ele defendeu uma resposta internacional, mas também se mostrou favorável a uma visão de «arquitetura regional de segurança que seja forte e possa produzir uma força transnacional eficaz quando necessário». «Então, os Estados Unidos darão seu apoio diplomático, técnico, logístico e respaldarão os esforços para que os criminosos de guerra sejam julgados», disse.

Antes de retornar aos Estados Unidos, Obama visitará um hospital de Acra especializado na luta contra a malária e, ao lado da esposa, Michelle, que é descendente de escravos, pretende conhecer Cape Coast, local importante da tragédia do tráfico de escravos da África.

Por Raiz.online - 12.07
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Atualizado em 14.07.09
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Por Azenha

Obama:
visita ao "Golfo do Petróleo" Africano


Texto:
Emira Woods - The Nation