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2 de mai. de 2010

Lula chora ao falar da vida pós-Planalto em festa de 1º de Maio

Vou continuar morando no mesmo apartamento, na mesma distância do sindicato que me projetou para a política e das empresas em que fiz as greves mais maravilhosas do País', diz

Agência Estado

SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva controlou a fala para não desobedecer a lei eleitoral em seu terceiro e penúltimo discurso em evento sindical do Dia do Trabalho. À vontade na comemoração de 1º de Maio da entidade sindical em que iniciou a carreira política, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Lula foi interrompido várias vezes ao longo do discurso de 30 minutos por um coro de "Dilma, Dilma", em apoio à pré-candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff. A petista passou o Dia do Trabalho ao lado de Lula. "A legislação não me permite falar em candidatos", disse Lula em discurso, sendo interrompido pelo coro. E lamentou: "Eu não posso falar."

Diante de um público de pelo menos 10 mil pessoas, na capital paulista, Lula emocionou-se ao imaginar a vida depois de sair do Palácio do Planalto. "Quando eu deixar a Presidência, vou continuar morando no mesmo apartamento, na mesma distância do sindicato que me projetou para a política e das empresas em que fiz as greves mais maravilhosas do País", disse, com a voz embargada.

O presidente não conteve o choro ao dizer: "O que mais vai me dar orgulho é que eu vou poder dizer, ao encontrar qualquer trabalhador, ''bom dia, companheiro''. Porque eu fui leal ao que nós dissemos que íamos fazer."

Por Terror do Nordeste - Blog da Dilma - 01.05.2010
Lula pediu aos dirigentes sindicais que o convidem para os festejos de 1º de Maio do ano que vem. "Se for alguém ruim, a gente vem aqui e mete o pau. Se for alguém bom, a gente vem aqui ajudar e aplaudir."

Ainda hoje, Lula e Dilma devem discursar em evento da CUT, em São Bernardo do Campo. O presidente e a ex-ministra Dilma receberam das mãos do presidente da CUT, Artur Henrique, o documento "Plataforma para as eleições 2010."

Segundo o dirigente sindical, o caderno traz 200 propostas dos trabalhadores para o "trabalho decente e a inclusão social". "As propostas consolidam as conquistas do governo Lula", disse o sindicalista.

10 de dez. de 2009

Denunciem e divulguem - Jornal F(a)lha de S. Paulo, na ditadura e na censura.

  Do Portal Vermelho - 05.12.09

Blogueiro notificado pela Folha acusa intimidação

Antonio Arles é estudante de História da USP, militante de movimentos sociais, ciberativista e blogueiro. Hoje ele recebeu uma notificação dos advogados da Folha de S.Paulo e do Uol. Determinava que retirasse do seu blog, o ArlesophiaViomundo. (http://arlesophia.com.br), as imagen da campanha para cancelamento das assinaturas do jornal e do portal. Conceição Lemes entrevistou o blogueiro para o

 Arte Dolphindiluna
Antonio Arles: Aproximadamente às 14 horas, quando saía de casa para a USP. Minha mulher [Flávia] manobrava o carro na garagem e eu esperava na calçada. Aí, fui abordado por um motorista de táxi, que perguntou se eu era Antonio. À confirmação, apontando na direção de um táxi parado no lado oposto à minha casa, disse: “Ela quer falar com você”.

Viomundo: Ela era quem?

Arles:
Uma mensageira do escritório de advocacia que representa o jornal e o portal. Ela limitou-se a dizer que havia uma correspondência para mim e pediu-me que assinasse o protocolo de recebimento. Como estava atrasado para a aula, abri o envelope no caminho. Aí, eu vi que se tratava de uma notificação extrajudicial dos advogados da empresa pelo uso indevido da imagem na campanha pelo cancelamento das assinaturas da Folha e do Uol.


Viomundo: A campanha começou quando?

Arles:
Domingo passado.Na sexta-feira passada [27 de novembro], em função da publicação do artigo Os filhos do Brasil, do César Benjamin, começou no twitter um movimento para cancelamento das assinaturas. No domingo, como já havia muitas adesões, resolvemos lançar a campanha.

Viomundo: É uma campanha do seu blog?

Arles:
Não. É de várias pessoas da blogosfera. Para facilitar o acesso, eu coloquei os links das imagens no meu blog. A partir daí o pessoal foi disseminando.

Viomundo: O que contêm essas imagens?

Arles:
As marcas da Folha e do Uol.

Viomundo: Qual a alegação dos advogados?

Arles:
Uso indevido da imagem. No final da tarde, fiz o que notificação determinou: retirei as imagens do ar. Consequentemente a própria campanha do meu blog.

Viomundo: O que você pretende fazer agora?

Arles:
Meu advogado está estudando medidas legais cabíveis contra essa postura da Folha. Considero intimidação. É cerceamento à liberdade de expressão.

A notificação da Empresa Folha da Manhã SA e do Universo Online SA afirma que "a marca da Folha e do Uol foram indevidamente utilizadas, agravando-se tal fato pelo seu denegrimento", e reproduz as imagens que ilustram esta matéria. "tal atitude fere diversos dispositArtigo 189, I, ivos legais, constituindo crime previsto no Artigo 189, I, da Lei nº 9/279/96".

O Viomundo observa a respeito que "denigrir [ou, como prefere a notificação, denegrir} é um termo racista. Significa tornar negro, em sentido pejorativo. Há outras palavras para expressar o que desejam, mas recorrem a uma com conotação preconceituosa, que associa o tornar-se negro a algo negativo. Denigrir, segundo o dicionário do Houaiss, quer dizer também diminuir a pureza, o valor de; conspurcar(-se), manchar(-se)."

Fonte: http://www.viomundo.com.br

18 de out. de 2009

O eixo Veja-Folha e o caso Lina

Por Luis Nassif - 18.10.09

Não há limites para esse eixo Veja-Folha que se formou anos atrás e prossegue impávido, mesmo depois do desmoronamento da credibilidade da revista (clique aqui para ler a íntegra das matérias).

Esta semana, Veja apresenta um furo estrambólico: diz que Lina Vieira, a ex-Secretária da Receita Federal, finalmente (dois meses após o escândalo em torno da suporta reunião reservada com Dilma Rousseff) abriu sua mala e, ó surpresa!, encontrou a agenda perdida, onde estava escrito à mão a data da sua reunião com a Ministra Dilma Rousseff.

A reportagem da Veja é um desses primores do antijornalismo:

Em um trecho, diz que a Secretária tinha admitido que a tal reunião talvez tivesse ocorrido em dezembro.

A ex-secretária, por sua vez, nunca apresentou provas convincentes, além do próprio testemunho, de que a conversa realmente existira. O dia? Lina não se lembrava. O mês? Lina dizia que fora próximo ao fim de 2008, talvez em dezembro. Quando questionada sobre a imprecisão, justificava afirmando que todos os detalhes estavam registrados em sua agenda pessoal.

Agora, a tal agenda apareceu. E, segundo a revista, tem um dado capaz de mudar: uma anotação à mão (!)

A ex-secretária da Receita fez uma anotação a mão em 9 de outubro de 2008, logo em seguida à reunião com Dilma. Ela escreveu: “Dar retorno à ministra sobre família Sarney”. De acordo com um amigo de Lina, a quem ela confidenciou ter achado a agenda, bem como detalhes ainda não revelados sobre o encontro, a reunião ocorreu pela manhã, próximo ao horário do almoço, fora da relação de compromissos oficiais da ministra.

Consultem-se os jornais da época (clique aqui):

Em 28 de agosto o Palácio informou os dias em que Lina esteve por lá. Entre os quais, 9 de outubro. Esse mesmo dia que a Veja, agora, apresenta como furo.

Em 12 de agosto de 2009, Dilma Rousseff havia desafiado Lina a mostrar a agenda.

Era o factóide jornalístico mais comentado da época. Lina Vieira sob fogo cerrado, acusada de mentirosa, todos os competentíssimos senadores da oposição atrás de suspiros dela, que servissem como prova, qualquer uma, para aumentar o fogo. E nada. Era só ir até o pacote com a agenda, abrir o pacote, tirar a agenda e eureka!

Em 18 de agosto de 2008, foi a vez de Lula desafiar Lina, e nada.

Antes disso, passa aos Senadores de oposição a dica de que a reunião secreta ocorreu em 19 de dezembro. O dia foi desmentido pela própria comparação das agendas de Dilma e Lina – uma em reunião com a Petrobras, outra viajando para o Rio Grande do Norte.

Um velho truque da revista consiste, sempre que apresenta uma matéria frágil como esta, deixar no ar que existem mais coisas, mais provas. Só que não apresenta.

O adicional – não mostrado pela revista – é de um CD onde supostamente estariam todos os emails trocados entre Lina e seus subordinados. Ora, presume-se que Lina se valeria do sistema oficial de emails da Secretaria. Quando desafiada a mostrar provas de que tivesse buscado informações sobre Sarney após a reunião, bastaria a ela acessar sua caixa postal na Receita e mostrar as providências que teria tomado após a reunião.

A intenção da revista é de uma obviedade que espanta:

A descoberta da agenda de Lina acontece em um momento especial para a ministra Dilma Rousseff, que, com a saúde recuperada, volta a empinar sua candidatura à Presidência. Apesar de ainda patinar nas pesquisas, a ministra tem conseguido apoios importantes, resultado de sua dupla jornada como ministra e candidata à sucessão de Lula.

Trata como “descoberta” o fato da dona da agenda ter supostamente aberto a mudança (dois meses depois de se mudar) e pegado sua agenda pessoal. Aliás, nunca vi agenda pessoal ser embalada em caminhão de mudança. Se é pessosal, é porque acompanha a pessoa no dia-a-dia.

O non-sense da matéria produz essa pérola de jornalismo investigativos:

O registro feito pela ex-secretária em sua agenda pessoal não é, obviamente, prova irrefutável de que a reunião realmente ocorreu e, consequentemente, de que Dilma não disse a verdade. Mas sua existência é um avanço considerável, sobretudo quando analisado em conjunto com informações já conhecidas.

A reportagem prossegue e, (surpresa!) admite que a tal data de 9 d eoutubro não era novidade nenhuma

Em agosto passado, o senador Romero Jucá, um dos principais defensores do governo no Congresso, divulgou um relatório com as entradas oficiais de Lina no Palácio do Planalto. De acordo com Jucá, a ex-secretária esteve no Planalto quatro vezes – em outubro de 2008 e nos meses de janeiro, fevereiro e maio de 2009. O único ingresso registrado no ano passado, portanto, ocorreu em 9 de outubro, às 10h13. Lina, segundo os registros oficiais, deixou o Planalto às 11h29 do mesmo dia.

Então, qual a novidade da matéria? E por que Jucá teria divulgado a data do encontro?

Na época, interessava ao governo divulgar a informação porque, embora afirmasse não lembrar com exatidão a data do encontro, Lina dizia que a reunião teria ocorrido no fim do ano, provavelmente em dezembro. A falta de registro de um ingresso de Lina naquele mês, portanto, seria um indício de que a ex-secretária mentia ao confirmar o encontro com a ministra. Agora, com o surgimento da agenda, e da anotação de que o encontro com Dilma ocorreu no mesmo dia 9 de outubro, a tentativa de desmentir a ex-secretária pode acabar confirmando sua versão.

É o samba do crioulo doido ou não é?

Olha só o samba, segundo a Veja:

1. A reunião incriminatória teria ocorrido em 9 de outubro.

2.Lina foi publicamente desafiada por Dilma a dizer o dia em que ocorreu a tal reunião secreta. Tinha a faca e o queijo na mão. Poderia simplesmente ter informado que foi em 9 de outubro. Mas a Lina errou por dois meses a data, divulgando o dia 19 de dezembro, com cobertura total da mídia, especialmente da Globo em Jornal Nacional. No dia seguinte, comprovou-se que a tal reunião jamais poderia ter ocorrido naquele dia porque as agendas de ambas não teriam permitido.

3. Agora Lina refaz sua versão e diz que a reunião foi em 9 de outubro, o dia em que o governo informou ter ocorrido uma reunião. E apresenta como prova uma anotação à mão na sua agenda. Logo… o Palácio não poderá desmenti-la porque já admitiu (antes da Lina) que houve uma reunião em 9 de outubro.

Depois do Tico, o Teco

Depois que o Tico dá a senha, entra o Teco – matéria da Folha, de Leonardo Souza, repercutindo a “denúncia” da Veja:

Segundo a matéria da Folha, Lina conseguiu a agenda logo depois da sessão da CPI, mas não divulgou porque recebeu recados de “pessoas ligadas ao governo” para deixar o assunto morrer.

Ou seja, a mulher que foi à CPI, que se transformou no principal instrumento dos senadores da oposição, que chamou a Ministra de mentirosa , e que foi chamada de mentirosa pelo governo, não divulgou a “prova” de que não mentia porque recebeu recados… do governo.

O mais incrível é que todo esse carnaval não repousa em cima de nenhuma acusação. Na primeira matéria à Folha, Lina diz que Dilma teria pedido para agilizar as investigações sobre Fernando Sarney. Ela – Lina – que deduziu que o pedido poderia ser para abafar o caso.

Ora, quando alguém quer abafar um caso, diz: “Quero que você abafe o caso, quero que esconda provas de possíveis crimes do Fernando Sarney”.

O que disse Lina Vieira na CPI, segundo a própria Veja (clique aqui)

Questionada se Dilma teria pressionado a arquivar o processo, Lina disse que não. “A ministra me disse para agilizar a fiscalização do procedimento contra o filho de Sarney, mas, de forma alguma, o pedido foi para não investigar o filho de Sarney. Foi apenas para dar agilidade”, afirmou a ex-secretária.

O problema não é apenas o da manipulação. É da manipulação grosseira, porque se desaprenderam princípios básicos de jornalismo. Esse é o drama principal de alguns veículos como Folha e Veja. Até a manipulação exige domínio de princípios jornalísticos. Anos e anos de uso do cachimbo deixaram a boca torta: não se sabe mais fazer jornalismo.

Como lembra o leitor Jeová Barros de Almeida Júnior:

17/10/2009 às 10:54

A “veia”, que o trem matou, morreu.

Deu na revista “espia” que a agenda da ex-secretária da receita federal, Lina Vieira, apareceu e nela, pásmem!, consta o encontro que já havia sido divulgado pela própria casa civil, o qual se deu em 09 de outubro, e não como ela havia dito, em dezembro.

A revista “espia” (mas não olha) chega a uma conclusão que mudará a história da humanidade, da qual qeu discordo solenemente: A “VEIA”, QUE O TREM MATOU, MORREU!

Eu digo que não é factível, pois a verdade é que: Morreu a “veia” que o trem matou!

17 de out. de 2009

Abril tenta sufocar Luis Nassif

Abril consegue primeira condenação contra jornalista que foi condenado a pagamento de 100 salários mínimos pelo juiz Vitor Frederico Kümpel, da 27ª Vara Cível, em processo movido por Mário Sabino e pela revista Veja. No primeiro processo, de Eurípedes Alcântara, Nassif foi absolvido. Pode haver apelação nas duas sentenças. "Abril lançou contra mim os ataques mais sórdidos que uma empresa de mídia organizada já endereçou contra qualquer pessoa", diz Nassif.


Do blog de Luis Nassif

Ainda não tenho os dados à mão. Mas, pelo que sou informado, fui condenado a pagamento de 100 salários mínimos pelo juiz Vitor Frederico Kümpel, da 27ª Vara Cível, em processo movido por Mário Sabino e pela revista Veja. No primeiro processo – de Eurípedes Alcântara – fui absolvido.

Pode haver apelação nas duas sentenças.

Ao longo dessa longa noite dos celerados, a Abril lançou contra mim os ataques mais sórdidos que uma empresa de mídia organizada já endereçou contra qualquer pessoa. Escalou dois parajornalistas para ataques sistemáticos, que superaram qualquer nível de razoabilidade. Atacaram a mim, à minha família, ataques à minha vida profissional, à minha vida pessoal, em um nível só comparável ao das mais obscenas comunidades do Orkut.

Não me intimidaram.

Apelaram então para a indústria das ações judiciais – a mesma que a mídia vive criticando como ameaça à liberdade de imprensa. Cinco ações – quatro em nome de jornalistas da Veja, uma em nome da Abril – todas bancadas pela Abril e tocadas pelos mesmos advogados, sob silêncio total da mídia.

Não vou entrar no mérito da sentença do juiz, nem no valor estipulado.

Mas no final do ano fui procurado por um emissário pessoal de Roberto Civita propondo um acordo: retirariam as ações em troca de eu cessar as críticas e retirar as ações e o pedido de direito de resposta. A proposta foi feita em nome da “liberdade de imprensa”. Não aceitei. Em nome da liberdade de imprensa.

Podem vencer na Justiça graças ao poder financeiro que lhes permite abrir várias ações simultaneamente. Quatro ações que percam não os afetará. Uma que eu perca me afetará financeiramente, além dos custos de defesa contra as outras quatro.

Mas no campo jornalístico, perderam para um Blog e para a extraordinária solidariedade que recebi de blogueiros que sequer conhecia, de vocês, de tantos amigos jornalistas que me procuraram pessoalmente, sabendo que qualquer demonstração pública de solidariedade colocaria em risco seus empregos. Melhor que isso, só a solidariedade que uniu minhas filhas em defesa do pai.

PS – Como o processo continua, vou bloquear comentários no post, que eventualmente poderia ser utilizados pela parte contrária.

Abril tenta sufocar Luis Nassif

Abril consegue primeira condenação contra jornalista que foi condenado a pagamento de 100 salários mínimos pelo juiz Vitor Frederico Kümpel, da 27ª Vara Cível, em processo movido por Mário Sabino e pela revista Veja. No primeiro processo, de Eurípedes Alcântara, Nassif foi absolvido. Pode haver apelação nas duas sentenças. "Abril lançou contra mim os ataques mais sórdidos que uma empresa de mídia organizada já endereçou contra qualquer pessoa", diz Nassif.

Do blog de Luis Nassif

Ainda não tenho os dados à mão. Mas, pelo que sou informado, fui condenado a pagamento de 100 salários mínimos pelo juiz Vitor Frederico Kümpel, da 27ª Vara Cível, em processo movido por Mário Sabino e pela revista Veja. No primeiro processo – de Eurípedes Alcântara – fui absolvido.

Pode haver apelação nas duas sentenças.

Ao longo dessa longa noite dos celerados, a Abril lançou contra mim os ataques mais sórdidos que uma empresa de mídia organizada já endereçou contra qualquer pessoa. Escalou dois parajornalistas para ataques sistemáticos, que superaram qualquer nível de razoabilidade. Atacaram a mim, à minha família, ataques à minha vida profissional, à minha vida pessoal, em um nível só comparável ao das mais obscenas comunidades do Orkut.

Não me intimidaram.

Apelaram então para a indústria das ações judiciais – a mesma que a mídia vive criticando como ameaça à liberdade de imprensa. Cinco ações – quatro em nome de jornalistas da Veja, uma em nome da Abril – todas bancadas pela Abril e tocadas pelos mesmos advogados, sob silêncio total da mídia.

Não vou entrar no mérito da sentença do juiz, nem no valor estipulado.

Mas no final do ano fui procurado por um emissário pessoal de Roberto Civita propondo um acordo: retirariam as ações em troca de eu cessar as críticas e retirar as ações e o pedido de direito de resposta. A proposta foi feita em nome da “liberdade de imprensa”. Não aceitei. Em nome da liberdade de imprensa.

Podem vencer na Justiça graças ao poder financeiro que lhes permite abrir várias ações simultaneamente. Quatro ações que percam não os afetará. Uma que eu perca me afetará financeiramente, além dos custos de defesa contra as outras quatro.

Mas no campo jornalístico, perderam para um Blog e para a extraordinária solidariedade que recebi de blogueiros que sequer conhecia, de vocês, de tantos amigos jornalistas que me procuraram pessoalmente, sabendo que qualquer demonstração pública de solidariedade colocaria em risco seus empregos. Melhor que isso, só a solidariedade que uniu minhas filhas em defesa do pai.

PS – Como o processo continua, vou bloquear comentários no post, que eventualmente poderia ser utilizados pela parte contrária.

Carta Maior - 15.10.09

5 de out. de 2009

Um convite irrecusável aos belgas: o futuro é aqui e agora

Presidente Lula cumprimenta o primeiro-ministro da Bélgica, Hermann von Rompuy, durante visita à Bélgica. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Presidente Lula cumprimenta o primeiro-ministro da Bélgica, Hermann von Rompuy, durante visita à Bélgica. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Preparativos para a Copa do Mundo de 2014, grandes obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), exploração do petróleo do pré-sal e agora as Olimpíadas do Rio de Janeiro de 2016. Não são poucas as perspectivas de bons investimentos no Brasil nos próximos anos e o presidente Lula quer a Bélgica como parceira nesse bom momento. Em discurso realizado neste domingo (4/10) durante cerimônia de assinatura de atos em Bruxelas, que contou com a presença do primeiro-ministro belga, Hermann Von Rompuy, e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Bélgica, Yves Leterme, entre outras autoridades locais, Lula lembrou que, ao assumir o governo em 2003, afirmou que o Brasil deixaria de ser um eterno País do futuro, mas que para isso, é preciso não apenas crescer e alcançar estabilidade macroeconômica, mas também distribuir renda, acabar com a exclusão social e a reforçar a democracia. As condições, afirmou, estão dadas:

Na contramão da tendência mundial, a economia brasileira encerrará o ano de 2009 com taxas positivas de crescimento. Em 2010, as estimativas indicam um aumento de 5% no PIB. (…) Os homens de negócio belgas terão oportunidade de conhecer o vasto leque de projetos de investimentos de médio e longo prazos que planejamos. São os preparativos para a Copa do Mundo de 2014, as grandes obras do Plano de Aceleração do Crescimento, a exploração do petróleo no pré-sal e agora as extraordinárias possibilidades que se abrem com as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro.

Ouça aqui a íntegra do discurso de Lula em Bruxelas:

Para ler o discurso, clique aqui.

Lula também espera contar com a Bélgica para construir um futuro “voltado para o desenvolvimento sustentável”, a começar pela “revolução dos biocombustíveis“:

O Brasil vem demonstrando a contribuição que o etanol pode dar para combater a escassez do petróleo e o efeito estufa, de acordo com critérios rigorosos de sustentabilidade.

O presidente brasileiro reafirmou que o Brasil vai apresentar, na reunião da ONU em Copenhague sobre mudança de clima (a COP 15), em dezembro, “números que confirmam nossa contribuição efetiva para a redução das emissões de gases de efeito estufa”. O Brasil, afirmou Lula, está preparado para assumir uma posição de liderança e, assim, poderá cobrar metas de redução de emissão de CO2 claras e ambiciosas de todos, “principalmente dos mais ricos”.

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30 de set. de 2009

O PIG e a imprensa gaúcha

Paulo Cezar da Rosa - Carta Capital - 25/09/2009

No Rio Grande do Sul, temos uma imprensa que atua de modo militante e conservador desde a saída da Ditadura. Pode-se afirmar, por exemplo, sem correr o risco de estar dizendo um absurdo, que a RBS, tendo a frente o jornal Zero Hora, como uma espécie de comitê central de campanha, já elegeu dois de seus quadros para o governo estadual. Primeiro, Antônio Britto (PMDB), em 1998. Depois, Yeda Crusius (PSDB), em 2006. A unir os dois governos tivemos a mesma orientação privatista, concentradora e modernizante que a esquerda gaúcha tanto combateu como neoliberal.

De fato, Britto e Yeda saíram do anonimato trabalhando nos veículos da RBS. Construíram-se e foram construídos como quadros da empresa. Projetaram-se politicamente nas páginas e nas ondas de rádio e TV do grupo. Além de erigir os dois governadores de perfil nitidamente privatista, o grupo, num certo sentido, também teria sido responsável pela derrota do governo Olívio Dutra (PT) e auxiliado decisivamente Germano Rigotto (PMDB) como alternativa ao PT em 2002.

O PIG no RS é PIM
Principalmente por isto, ou seja, porque no Rio Grande a presença da imprensa na cena política vem de décadas, confesso que demorei a entender a expressão "PIG" - Partido da Imprensa Golpista, popularizada por Paulo Henrique Amorim, entre outros. E ainda estou em desacordo com ela.

O termo é moda e já virou até verbete na Wikipedia. Conforme lá consta, PIG "é utilizado de forma genérica e pejorativa para se referir ao jornalismo praticado pelos grandes veículos de comunicação do Brasil, que seria demasiadamente conservador e estaria tentando derrubar o presidente Luis Inácio Lula da Silva e membros de seu governo de forma constante." Este fenômeno, baseado no que se lê ultimamente, teria por base a crise dos partidos políticos e da política de um modo geral. Os veículos estariam passando a ocupar o vazio deixado pelos partidos em decadência, sendo eles próprios partidos ou fazendo às vezes de partidos.

Meu desconforto com o PIG tem raízes regionais. Não existe novidade em ter uma imprensa que atua politicamente e de forma conservadora no Estado. Isso sempre foi assim. O novo por aqui, como já comentei há algumas semanas, é que grupos distintos da mídia gaúcha estão tendendo a uma posição única, particularmente no que diz respeito às denúncias de corrupção no governo Yeda. Mas isso não é PIG - isso é só unidade de classe, fechamento de posição, defesa dos seus. Um movimento inusitado, sim, mas eu diria até compreensível. No Rio Grande do Sul, de fato, o que move a mídia não é um espírito golpista. O que move a RBS e os grupos menores é o medo de que Lula e Tarso sejam vitoriosos e o processo de democratização da comunicação se acentue, atingindo seus interesses regionais.

Olhando desse modo, a imprensa gaúcha está mais para PIM (Partido da Imprensa com Medo) do que para PIG. Capisco?

Os pingos nos is
Por outro lado, olhando o cenário nacional, sinceramente não vejo onde a imprensa brasileira tenha mudado para passar a ser condenada como golpista. Conservadora, sim, ela sempre foi. Sempre que teve interesses contrariados, atuou politicamente e tratou de colaborar para a derrubada de presidentes e governos. Por que agora considerá-la golpista? Ou ela sempre foi golpista, ou é um erro, um equívoco deseducativo utilizar agora o termo.

A mudança havida, real, no cenário nacional, é o sucesso do governo Lula. Além de ser um governo com posições opostas às dos grupos que dominam a mídia, é um governo bem sucedido que está democratizando as verbas na comunicação. Ou seja, é um governo que está mexendo onde dói no ser humano: no bolso dos bacanas da mídia.

Junte-se a isso o crescimento exponencial da internet (que também retira poder da mídia tradicional) e temos aí um quadro novo: o desvario da mídia não se deve a ela estar substituindo os partidos, mas sim ao fato dos seus partidos não estarem mais conseguindo lhes dar proteção. A denúncia do PIG pode ser boa, e em geral politicamente justa. Pode revelar a total falta de compromisso dos grandes veículos com a ética da informação. Mas é preciso entender que, hoje, quanto mais a mídia mente, mais isso é sinal de desespero e perda de poder. Isso não é sinal de fortalecimento. É fraqueza.

De fato, se tivermos a compreensão de que a família Sirotsky tem posições “fortemente neoliberais, internacionalistas e modernas de direita", como defende um amigo meu, a RBS nunca teve no Rio Grande do Sul um correspondente político partidário alinhado com suas posições e foi obrigada a realizar sua própria defesa desde sempre. Viria daí sua veia "piguista" desde os anos 80. Contudo, estar agora, na prática, acobertando um governo considerado corrupto e incompetente pela maioria da população gaúcha não é um sinal de poder, mas uma prova de sua imensa fraqueza. Inversamente, o fato da mídia nacional estar combatendo Lula não seria sinal de força, mas sim demonstração de pavor e medo diante da mudança do país.

2010 vem aí
É complicado escrever coisas como essa, mas me cobrem. Em 2010, o papel da RBS no processo eleitoral gaúcho, diferente de todas as eleições até aqui, não será mais tão decisivo quanto sempre foi. Com a crise dos seus partidos e a democratização da comunicação propiciada pelas novas tecnologias, a RBS está se tornando apenas mais um ator no processo gaúcho. E um ator tão ou mais frágil que os partidos de seu arco político.

O quadro sucessório gaúcho está caminhando para a construção de um novo cenário, configurado não mais pelos setores que sempre dominaram a política no Estado, mas pela dinâmica dos novos agentes sociais emergentes no novo Brasil. Em volta de Porto Alegre, que sedia o governo Yeda Crusius (PSDB) e hoje é governada por José Fogaça (PMDB), existe uma legião de governos populares nas cidades periféricas da região metropolitana. RBS, Yeda Crusius e José Fogaça são adversários destes governos. A luta no Rio Grande do Sul em 2010 será entre o centro e a periferia, entre a classe A e a classe C, entre a turma que frequenta a rua Padre Chagas em Porto Alegre e o povo que vibra e decide os destinos do Big Brother em suas casas nas periferias da capital.

29 de set. de 2009

Uma revista megalômana

O que vai abaixo é o texto do autor deste blog para o Observatório da Imprensa. Em primeira mão para os leitores do Entrelinhas.

LEITURAS DE VEJA
Uma revista megalômana


A última edição do semanário mais lido do Brasil (2.132, com data de capa de 30/09) é a prova concreta de que muita coisa está errada neste país. O pessoal que trabalha no Itamaraty, por exemplo, não está dando expediente no lugar certo. Chanceleres e diplomatas de carreira deveriam todos bater ponto no modernoso prédio da marginal do rio Pinheiros, em São Paulo, ou mais precisamente, para quem não conhece, na sede da Editora Abril, responsável pela publicação de Veja. Sim, porque a matéria de capa desta semana – reproduzida abaixo e que levou o inspirado título “O imperialismo megalonanico”, um trocadalho horroroso perpetrado pelo jornalista Reinaldo Azevedo, blogueiro da revista – é uma das coisas mais arrogantes que já foi publicada na imprensa brasileira.

A julgar pela reportagem de capa da revista, a turma de Veja deveria assumir imediatamente o comando do Itamaraty ou, se isto for pouco, tomar conta logo do Palácio do Planalto, que é onde as coisas são decididas. O tema da matéria, como o leitor já deve imaginar, é a participação brasileira na crise em Honduras, onde o presidente legitimamente eleito está refugiado na embaixada brasileira enquanto o governo golpista tenta negociar alguma saída que evite a volta de Manuel Zelaya ao cargo que lhe é de direito.

Para os editores de Veja, porém, a situação é bem diversa. Ponto um: a política de relações exteriores do governo federal está errada e o Itamaraty se submeteu à lógica do presidente venezuelano Hugo Chávez. Ponto dois: o golpe de Estado em Honduras foi uma “medida justificável”. Para ninguém dizer que trata-se de uma interpretação deste observador, cabe reproduzir o que foi escrito na revista: “Houve um golpe de estado? Sim. País pequeno e pobre, Honduras foi transformada num caso exemplar do repúdio da comunidade internacional aos golpes de estado. Foi castigada com sanções econômicas e congelamento nas relações diplomáticas. Exceto por isso, o problema não era tão grande. A medida de força foi, até certo ponto, justificável pelas leis do país. Até o momento do golpe, o maior perigo para a democracia era o presidente Manuel Zelaya.”

Pode parecer incrível, mas é isto mesmo que está escrito. Veja decidiu que o golpe não era um “problema tão grande”, que a medida de força foi “até certo ponto justificável pelas leis do país” e ainda que o perigo maior era o presidente constitucionalmente eleito Manuel Zelaya, cujo grande pecado teria sido propor uma consulta ao povo do seu país para que, junto com a eleição presidencial, decidisse se quer ou não convocar uma Assembleia Constituinte para rever as leis hondurenhas. Ao contrário do que se tem escrito por aí, esta é a verdade pura e simples: Zelaya não queria um novo mandato, o plebiscito não tinha esta intenção, mas tão somente convocar a Constituinte, se o povo assim decidisse.

Não é o propósito aqui de debater o episódio em si, o que interessa é a cobertura da revista que pretende dar profundas lições aos diplomatas e também ao presidente Lula. Veja mostra que sabe governar melhor do que ninguém e se mostra capaz de elaborar perfis muito profundos da alma das pessoas, mesmo sem entrevistá-las. É precisamente este o caso de Zelaya, que mereceu um parágrafo especialmente afetuoso, digamos assim, na reportagem do semanário da Abril: “Não se deve descartar a hipótese de que o homem seja um lunático. Como sugere sua queixa, na semana passada, de que ‘um grupo de mercenários israelenses’ estava perturbando seu cérebro com ‘radiações de alta frequência’. A paranoia dos raios mentais é um sintoma clássico de esquizofrenia. O certo é que Zelaya não cabe no figurino de um mártir da democracia.”

É deveras espetacular o nível de aprofundamento e a percepção certeira da revista ao elaborar o “perfil humano” do presidente hondurenho. Além do que, os leitores foram brindados com uma aula de psicanálise ao serem informados de que os raios mentais são sintomas clássicos de esquizofrenia – seria interessante saber quantos psicólogos e psiquiatras Veja consultou para chegar a esta conclusão tão peremptória. Mais ainda, a revista sabe com toda a certeza que “Zelaya não cabe no figurino de um mártir da democracia”, afirmação que simplesmente dispensou qualquer argumento adicional. Pois é, o homem parece ser o próprio coisa ruim, veste chapéu, usa guayabera, tem mais de dois metros de altura, então só pode ser o coisa ruim mesmo. E assim sendo, não pode gostar de democracia, conclui a revista...

Aos leitores que acompanham este observador nas análises que faz do material produzido pela redação de Veja para este Observatório, pode parecer até um tanto repetitivo, mas é preciso sempre voltar ao âmago da questão: o semanário da editora Abril há muito tempo não é um veículo noticioso, mas um panfleto político com objetivos e ideologia bastante claros. O que se lê na Veja não é jornalismo, mas proselitismo político. A revista tem lado e faz questão de mostrar, em todas as edições, os ideais que defende. Em algumas, até consegue disfarçar um pouco e apresentar como jornalismo o contrabando editorial que quase todas as suas matérias possuem. Em casos como o da edição corrente, a redação deixa o pudor de lado e vai direto ao ponto, abordando o leitor de maneira grotesca e impondo sua visão de mundo na forma de reportagem. Para o público mais desatento, a coisa pode até passar por jornalismo; para os mais politizados, deve até soar como uma espécie de humor nonsense, mas, na soma geral, é apenas propaganda disfarçada de algo remotamente próximo ao jornalismo.


Por Luis Antonio Magalhães - Do Entrelinhas - 28.09.09

28 de set. de 2009

Roberto Freire e Raul Jungmann do PPS fazem propaganda suja na TV, para enganar a população. Prejudicar o Presidente Lula e o Povo brasileiro, não!

Façamos uma retrospectiva.

Raul Jungmann (foto), Deputado Federal pelo PPS, fez um comentário irresponsável em Abril de 2009, que atrapalhou a economia brasileira. Disse que o Lula sacaria a caderneta de poupança, como fez Fernando Collor de Melo, em 1990. A propaganda desta crueldade para a população, menos informada, elevou os saques na poupança (veja a matéria abaixo na Folha).

Qual a intenção do PPS (unido ao PSDB e Democratas), na época:? Lançar informação distorcida e mentirosa (política destes partidos) para prejudicar a campanha do PT para a presidência. A irresponsabilidade do deputado repercutiu no mercado, entre analistas econômicos e investidores.
Sérgio Leo, no texto do Favre, comenta: "Mais difícil ainda é aceitar a exploração política irresponsável e de má fé que acabo de ver na propaganda do PPS.

Nesta semana o partido PPS lançou sua campanha e as parcerias com o PSDB e Democratas.

A bandeira de campanha do PPS, com a presença do Roberto Freire (foto) (presidente do partido) e do Raul Jungmamn, usou o mesmo argumento de que o Presidente Lula irá mexer com a poupança do Brasileiro.
A intenção é a mesma: desmoralizar o PT e, principalmente, atrapalhar a candidatura da Dilma.

Leia abaixo publicações de Favre e Nassif

Sergio Leo "põe os pingos" e confessa, sem rir, ter achado o PPS um partido sério.

Por Luis Favre - 24.04.09

A poupança e a canalhice de Raul Jungman, por Sergio Leo

Toda pessoa com alguma informação sabe que, com a queda dos juros, a caderneta de poupança tende a ficar mais atrativa, para ganhar dinheiro, do que os fundos de investimento. A poupança é isenta de imposto, os fundos, não; os fundos têm correção ligada aos juros da dívida Tesouro, que, para felicidade geral da nação, estão caindo; as cadernetas têm rendimento garantido de 0,5% acima da TR, que reflete as taxas de juros do mercado, maiores que os juros básicos do tesouro.Daí que o governo não quer esse inchaço da caderneta, com a migração especulativa (especulação legítima, aliás) do dinheiro hoje depositado nos fundos para a caderneta. Para os bancos também é um problema, porque os depósitos em cadernetas não podem ser usados livremente para qualquer tipo de crédito. Vai ter mudança, o governo estuda uma forma de baixar o rendimento da poupança, e o Lula pediu aos técnicos para darem um jeito de manter, pelo menos, o rendimento das poupanças menores. Troço difícil.

Mais difícil ainda é aceitar a exploração política irresponsável e de má fé que acabo de ver na propaganda do PPS. O Raul Jungman, que já namorou uma grande amiga minha, teve outra amicíssima como assessora e sempre teve meu respeito, apesar de todas as polêmicas em que se envolveu, aparece no vídeo explorando a ignorância dos pobres e das pessoas mal informadas, ao dizer que o governo vai “mexer na poupança como fez o governo Collor”.

Ora, o Collor, em 1990, CONFISCOU dinheiro da poupança. As pessoas não puderam sacar o que tinham lá. O) máximo que sairá agora será uma redução no rendimento, ou um imposto para maiores investidores.

Qual a intenção do Jungmann, usar a ignorância das pessoas para provocar confusão? Ele não se importa de provocar prejuízos nos velhinhos, nas pessoas com menores economias, que, com medo de terem seu dinheiro confiscado, vão correr para sacar das cadernetas num momento em que elas são a melhor alternativa de investimento para elas, só abaixo do Tesouro Direto?

Isso nem efeito contra o Lula pode ter, estamos longe das eleições, o que vier a ser feito será em breve, e ficará claro que será diferente do que fez o Collor (embora sempre se possa explorar legitimamente o fato de que, no governo Lula, a caderneta passou a render menos, dependendo do que façam).

Mas apavorar os poupadores espalhando um boato que sabem ser falso é baixaria. Política medíocre, pequena, atrasada. Nojenta mesmo. Coisa sem caráter.

E eu, que achava o PPS um partido sério.

Sergio Leo – Sitio do Leo

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O Terrorismo do PPS

Por Nassif - 07.05.09

Texto de Anarquista

Meu sogro é caseiro e roceiro de um sítio nas proximidades de Poços de Caldas.Uma pessoa sem alfabetização.É crente do Jornal Nacional e do ”zum zum zum” de quem faz coro.

Pro meu desgosto a Master me comunica: Meu pai tirou o dinheirinho dele da poupança( 1 200 reais) com medo de perde-lo.

Fiquei louco da vida e tentei explicar que aquele deputado que criou essa fantasia,não passava de um aproveitador. A Master é ”Malandra” e concordou,mas acrescentou: Agora está feito.

Pensava eu, que meu sogro era o único que acreditou na leviendade de um deputado e que ainda teve repercussão imensa na “”imprensa”” que forma opiniões de leigos.

Mas agora leio em letras garrafais no Uol:

“”Poupadores elevam saques da caderneta a quase R$ 1 bi em abril”” leia abaixo.

Então fico pensando: Pode um cara desses ficar impune? Pra ser contra o governo( como eu) precisa destruir credibilidades ou inventar coisas?

Raul Jungmann precisava ser tão irresponsável assim?

Folha Online

Poupadores elevam saques da caderneta a quase R$ 1 Bi em Abril

Por Eduardo Cucolo - Folha - Brasilia

A saída de recursos da caderneta de poupança aumentou em abril. Segundo dados do Banco Central, os saques superaram os depósitos em R$ 941,55 milhões no mês passado.

Esse foi o segundo mês consecutivo de retirada de recursos da poupança –em março, o resultado ficou negativo em R$ 846,8 milhões. Foi também o pior resultado desde abril de 2008, quando a poupança registrou uma saída de R$ 1,85 bilhão.

Nos últimos 12 meses, a poupança só havia registrado fuga de recursos em outubro (R$ 284 milhões), janeiro (R$ 486 milhões). Nos outros meses, o resultado estava positivo.

Nesse ano, a poupança já registra uma saída de R$ 1,523 bilhão. No mesmo período do ano passado, o resultado estava positivo em R$ 1,8 bilhão.

25 de set. de 2009

Mônica Bergamo: Serra convoca especialistas para entender sua queda em pesquisa

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da Folha Online

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), convocou às pressas especialistas em pesquisa, do próprio Ibope, para entender sua queda na sondagem divulgada anteontem pelo instituto, em parceria com a CNI (Confederação Nacional da Indústria), informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada nesta quinta-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Segundo a coluna, o tucano foi surpreendido pelos números. A comparação entre a pesquisa de agora e os números divulgados pela mesma CNI em junho mostra que Serra caiu de 38% para 34%.

A coluna informa que os técnicos e o governador, no entanto, trabalham com um número maior, já que comparam os dados com o de outra sondagem do Ibope, mais recente, feita entre 29 de agosto e 1º de setembro por encomenda do PMDB.

Nela, Serra aparecia com 41%, Dilma Rousseff (PT) com 13%, Ciro Gomes (PSB) com 14%, Heloísa Helena (PSOL) com 9% e Marina Silva (PV) com 3%. Em relação aos números divulgados ontem, portanto, Serra caiu sete pontos, Dilma, Ciro e Heloísa Helena se mantiveram no mesmo patamar e Marina Silva dobrou de tamanho, para 6%.

Leia a coluna completa na Folha desta quinta-feira, que já está nas bancas.

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4 COMENTÁRIOS PARA "Mônica Bergamo: Serra convoca especialistas para entender sua queda em pesquisa":

Comentado por Brasil de Abreu em 24/09/2009 - 18:09h:

Puxa, que pressa heim governador!. Lá em Itaquaquecetuba, (Grande São Paulo), existe um bairro chamado Cidade Nova Louzada, que tem apenas uma única via asfaltada, pela qual o transporte coletivo que faz ligação aos bairros visinhos se serve. Essa via, por descura da prefeitura, ruiu, ficando em seu lugar um abismo com mais de 20 metros de profundidade. Os usuários são obrigados à descer do coletivo e andar cem metros para uma baldeação até outro ônibus que os espera após esse precipício e isso já faz mais de 4 anos que ocorre e até hoje a prefeitura só diz que não tem dinheiro para fazer o reparo. Vou deixar claro aqui o endereço certo: Rua Águas formosas, e não tem outra via que torne possível o ônibus trafegar normalmente até chegar ao seu destino, a não ser uma Av. de terra (Av.Anhumas) que quando chove, fica intrafegável em seu aclive enlameado. Não tem outra alternativa. HÁ 4 ANOS… não é um ou dois dias como suas pesquisas!

Comentado por Jorge Estrella em 24/09/2009 - 18:26h:

Cuidado, Serra, vai cair mais ainda, porque você é centralizador, arrogante autoritário, persegue jornalistas , que ousam púlbicar matérias , que lhe contrariem . E o poir de tudo não tem ,nem nunca teve a dimensão do que é o Brasil. O Brasil, graças a Deus , não é São Paulo, é muito maior que São Paulo, os interesses do nosso País , não devem ser pautados pelos interesses de São Paulo, geralmente os interesses são conflitantes. Quer um exemplo, na Constituinte de 1988 , você e a Bancada Paulista vetaram a cobraça de ICMS , DO PETRÓLEO E DA LUZ NOS ESTADOS PRODUTORES, E A COBRANÇA PASSOU A SER FEITA NOS ESTADOS CONSUMIDORES, que concidência hemmm ,adivinha qual é o estado maior consumidor SÃO PAULO. VOCÊ SERRA , COM ESSE PROCEDIMENTO PREJUDICOU TODOS OS ESTADOS PRODUTORES ADIVINHA O MAIOR DELES. RIO DE JANEIRO(NÃO FOU POR UM ACASO). É POR ESSAS E OUTRAS QUE VOCÊ SERRA NÃO É BOM PARA O BRASIL.

Comentado por Sylvia Manzano em 24/09/2009 - 19:05h:

Ver o Serra despencando sete pontos, depois do espalhafatoso apoio que recebeu da mídia pela lei antifumo é bom demais pra ser verdade.

Comentado por rafael j em 24/09/2009 - 20:27h:

A queda seria mais evidente se tivessemos as projeções de segundo turno, Serra com Ciro, Serra com Dilma e Serra com Marina Silva.

Luis Favre - 25.09.09

6 de ago. de 2009

DITADURA DA MÍDiA + CONFECOM

Altamiro Borges Lança livro em SP


Por Azenha - 06.08.09


Amanhã é dia de comparecer ao lançamento do livro de Altamiro Borges, na sede do PCdoB, em São Paulo. Sobre o livro, escreveu o Flávio Aguiar:

Texto: Flávio Aguiar, na Carta Maior

Lançado alguns meses antes da I Conferência Nacional de Comunicação, o livro "A ditadura da mídia" (São Paulo, Editora Anita Garibaldi/Associação Vermelho, 2009) traz várias reflexões e propostas que vão desembocar na necessidade e na oportunidade daquele evento.

Depois de fazer um levantamento histórico sobre a concentração da mídia voltada para os interesses e o mundo de valores das classes dominantes, e de seu poder de fogo na mão de poucas empresas e/ou oligarquias familiares (caso particular do Brasil), e de muitas de suas intervenções sempre desfavoráveis às causas populares, o autor, Altamiro Borges, apresenta e detalha uma lista de propostas a serem consideradas pela Conferência:

1) Fortalecer a radiodifusão pública;
2) Revisar os critérios das concessões;
3) Rever os critérios da publicidade oficial;
4) Estimular (ao invés de reprimir) a radiodifusão comunitária;
5) Investir na inclusão digital.
6) Definir um novo marco regulatório para as comunicações, coibindo a monopolização, a desnacionalização e fixando “políticas públicas que garantam o acesso da população aos avanços tecnológicos”.

O autor assinala que a última “iniciativa mais ousada neste campo [da radiodifusão pública] ocorreu no governo de Getúlio Vargas com a criação da Rádio Nacional, que teve expressiva audiência”. Sublinha também que a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), “que gerencia a TV Brasil, oito emissoras de rádio e uma agência noticiosa, sinalizou uma mudança de postura do governo [Lula]”. Saindo de sua timidez anterior em enfrentar a mídia oligárquica, depois do bombardeio que sofreu para impedir a reeleição do presidente em 2006, o governo estaria querendo se distanciar desses “aliados” de antanho que ficam permanentemente querendo fazer furos no casco do seu barco.

Um dos capítulos mais interessantes do livro é o IV, “De Getúlio a Lula, histórias da manipulação da imprensa”, em que se vê o poder da mídia oligárquica ir ampliando seu alcance e sua possibilidade de manipulação política através das novas tecnologias que vão surgindo, até o ápice da tentativa concertada em diferentes veículos de reverter a esperada reeleição do presidente em 2006, em manobra denunciada, como aponta o professor Venício A. de Lima no livro "A mídia nas eleições de 2006" (São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2007. Pág. 17), primeiro nesta Carta Maior, com as reportagens de Bia Barbosa, e na seqüência pelas matérias de Raimundo Pereira em Carta Capital.

No prefácio de "A ditadura da mídia" diz o professor Lima que “um dos principais obstáculos à democratização da mídia tem sido a dificuldade histórica que grande parte da população experimenta para compreender a mídia como um poder e a comunicação como um direito. (...) O poder da grande mídia no mundo contemporâneo tem se caracterizado exatamente por ela estar de tal maneira imbricada no ambiente social que consegue ‘passar desapercebida’, naturalizada, como se não existisse”. Ou seja, a grande mídia se disfarça como “transparente”, seja no sentido de pretender reportar informações de modo “objetivo”, “neutro”, seja no sentido de pretender representar o “interesse público”.

A esse caráter camaleônico eu acrescento outro, que é a contumaz incapacidade de se ver a informação como uma mercadoria produzida, capaz de agregar outras, através da publicidade, de induzir ao consumo de ainda outras, e de agregar serviços e/ou favores sob a forma de benesses do Estado para si mesma. O público em geral, e as esquerdas não se diferenciam nesse particular, pode chegar a ter uma percepção dos veículos da mídia – o jornal ou revista individualizado em papel, o aparato televisivo ou eletrônico (a aparelhagem de produção, transmissão e recepção), etc., como mercadorias, mas não a própria informação. É claro que é muito difícil, porque a informação não é um “objeto”, ela é antes um fluxo contido em pequenas partículas, sejam as letras ou formas da impressão, as palavras e cores digitalizadas da transmissão áudio-visual, etc. Mas sua produção, circulação e consumo prendem-se às regras de um mercado peculiar, mas ainda assim mercado, onde os produtores querem aparentar estar sempre a serviço dos interesses dos consumidores, e não dos próprios. Mais ou menos como na produção de carros, sabonetes ou chicletes.

Cria-se assim um fetichismo peculiar da mercadoria-informação, em que ela brilha como se tivesse vida própria, fosse um valor-em-si e não de troca, a tal ponto que a ausência do objeto-jornal, por exemplo, pode provocar uma crise de abstinência (seja o jornal prezado, detestado, desprezado ou tudo ao mesmo tempo) tão grave no leitor quanto a falta de uma droga para o nela viciado. A mercadoria-informação oculta assim a sua própria natureza de mercadoria, passando a idéia de que ela tem apenas um valor-de-uso, por ser uma “reprodução” fidedigna de uma “realidade”, mesmo quando esta é apenas a opinião de articulistas particulares, pois na grande mídia estes sempre se apresentam falando em nome de vetores semânticos (mais simplesmente sujeitos/objetos) abstratos, como “o eleitor”, “o consumidor”, “o leitor”, e cada vez mais raramente “o cidadão”, palavra que foi remetida para o fundo da gaveta.

O livro de Altamiro é de leitura interessante e obviamente interessada. Tenho apenas uma observação de natureza crítica (afinal, esta também é do ofício do resenhista): com freqüência ele se refere aos Estados Unidos como “o império do mal”. É claro que a expressão tem o sentido irônico de glosar a expressão “eixo do mal”, consagrada pelo governo Bush em relação à Coréia do Norte, Irã e Iraque. Mas sua reiterada repetição lhe dá foro de conceito, e assim deixa ambiguamente no ar a sugestão (certamente involuntária) de que possa haver um “império do bem”.

Por fim, ele também deixa no ar uma pergunta. A união estratégica de interesses da mídia oligárquica no Brasil, por sobre sua concorrência no dia a dia, é cada vez mais sólida, estreita e manifesta. Entretanto, apesar dos inúmeros fóruns, encontros, declarações, as esquerdas e suas mídias alternativas estão ainda longe – como sempre estiveram historicamente – de se articular em frentes comuns de atuação e sinergia. Este é uma outra questão que, mesmo não estando na pauta explícita da I Conferência, vai determinar seus resultados conforme nela se avançar ou estagnar.

4 de ago. de 2009

O poder político das empresas de ônibus

Texto de Andre Araujo

Por Luis Nassif - 04.08.09

Os transportes coletivos urbanos no Brasil poderiam ser um ramo moderno, eficiente e lucrativo, administrado racionalmente por empresas de capital aberto, como as estradas paulistas. O setor é dos mais atrativos porque tem uma receita previsivel, à vista. Porque isso não acontece? Porque há uma parceria corrupta entre empresas mafiosas e o poder publico municipal de todo o Pais, aonde as concessionarias são as maiores financiadoras da politica municipal. Para operar dessa forma, os concessionários são empresas com contabilidade suspeita, alaranjadas, costumam não pagar impostos e previdencia, são campeões de infrações trabalhistas, os donos são empresários-bacalhau, individuos espertissimos, semi-analfabetos, ousados, o que faz do setor nacionalmente um ramo fronteiriço, faz mais parte da economia informal do que da formal.

O setor é dominado por cinco grandes grupos e uma dezena de grupos intermediarios. Um mesmo grupo tem concessões de Belem ao ABC, as práticas são iguais, a chave do negócio é a associação com a banda podre da politica municipal, que se beneficia do esquema e é porisso que não interessa mudar nada, o caos é lucrativo.

Grandes empresas bem estruturadas, sérias e modernas nem sonham em entrar nesse ramo que teria tudo para ser interessante para grupos que investem em concessões.; Porque? Porque é preciso operar no esquema da politica municipal e os grupos empresariais mais eficientes do Pais não querem entrar nesse lamaçal.

Enquanto isso, o cidadão passageiro é pèssimamente servido, não há realmente competição, o setor inteiro é um grande cartel, as linhas são acertadas em mesas de restaurantes entre bacalhoadas e vinhos verdes, não há nenhum interesse em melhorar. A mão de obra não é incentivada a evoluir, é explorada ao máximo, as pessoas juridicas no negocio são meras fachadas, os grupos ficaram tão poderosos que tambem tem as revendas que abastecem as frotas, a chave de tudo é a barganha com o poder municipal. É uma cosa nostra nacional e o Brasil das cidades grandes e médias paga um pesado preço por esse arreglo politico-empresarial, que vem de longe.

Em tempo, o transporte coletivo nas grandes cidades do mundo em geral é,estatal, como em Nova York , Paris e Londres.

Como resolver, se o Governo quiser? Montar um sistema nacional de regulação desse setor, com há no transporte interurbano de passageiros. Poderia ser no Ministério das Cidades. Montar um sistema nacional de autorização e licitação para as empresas concessionarias, exigindo capital minimo, direção profissional, identificação do controle, padrões de onibus e carrocerias. A habilitação nacional de empresas vedará o esquema de “alaranjamento”, que vai deixando pelo caminho mega dividas com a Previdencia, com os empregados e com o fisco.

Limitar a presença de grupos a um numero máximo de cidades.

Exigir a presença dos controladores nas diretorias e folha corrida desses diretores, vetando a presença de laranjas.

Não precisa diagnostico, todo mundo sabe o raio X do setor, basta a vontade politica de reforma-lo.
Um bom sistema de transportes coletivos é fundamental para a melhoria do transito e da qualidade de vida nas grandes e médias cidades brasileiras, aonde vive 80% da população do Pais.

2 de ago. de 2009

Mídia Golpista - A Folha não tem idoneidade para pregar o fechamento da TV Brasil

Eu li o editorial da Folha de S. Paulo (31/07) pregando acintosamente o fechamento da TV Brasil. São péssimos os argumentos. A Folha chama de vício de origem, o fato da TV Brasil ter surgido por um decreto governamental. Não há nada de errado no decreto de um presidente eleito democraticamente. Quando defendia o golpe militar a Folha não achava que decreto federal tinha "vício de origem".

Discordo que um orçamento de R$ 350 milhões/ano seja desperdício. Para mim, desperdício é o dinheiro que o Governo Federal gasta com publicidade na Folha de S. Paulo. Outro dia, li uma crítica do jornalista Marcelo Salles, no site Direto da Redação. Ele lembra à Folha que a televisão privada brasileira é um lixo. Não presta. Na Globo, por exemplo, predominam novelas que disseminam os piores valores morais. Também lembra que os documentários da TV Brasil dão voz aos segmentos da sociedade que só aparecem na mídia corporativa como...bandidos.

Marcelo Salles escreveu: “No Brasil arcaico do século XXI, as emissoras privadas de televisão, todas golpistas, ainda recebem dinheiro grosso do governo (meu, seu, nosso) para veicular campanhas publicitárias de saúde pública. Em países um pouquinho mais civilizados isso não é assim, pois como as emissoras privadas são concessões públicas (feitas pelo meu, seu, nossos representantes no Congresso), trata-se de uma obrigação ceder espaço para veiculação de mensagens de interesse público, sobretudo em relação a epidemias (como, atualmente, a gripe suína). Isso a Folha não critica”.

E mais: (...) “ A Folha não se incomoda com a SS brasileira, a Sociedade Sinistra que congrega TV Globo, Rede TV, Band, CNT, SBT e Record. É como se fosse natural que apenas 6 empresas tivessem o direito de se comunicar via TV com 191 milhões de pessoas. E, pior, é como se fosse natural que esse oligopólio se posicionasse, compacto, pela economia de mercado, pela cultura enlatada.

Do Bahia de Fato - 02.08.09

O Senado está precisando de uma grande faxina, a começar pelo DEM...PSDB..

Não entendo como é que políticos do DEM têm coragem de abrir a boca para pedir a cabeça do presidente do Senado, José Sarney. Quando o PT lançou o nome do senador Tião Viana à presidência da instituição, o DEM e o PSDB apoiaram Sarney. Se há alguém responsável por Sarney estar onde está é o DEM seguido do PSDB. Por causa das forças conservadoras, o senador Tião Viana perdeu e com ele a chance de empreender mudanças na estrutura da Casa. É preciso criar uma lei de responsabilidade administrativa e fiscal do Senado, que limite os gastos à capacidade das receitas. Um controle das contas. É preciso cortar os abusos, as despesas absurdas. As mamatas construídas pelos senadores de todos os partidos, de direita e esquerda. O empreguismo comeu solto nos últimos anos.É preciso, sobretudo, convocar a sociedade para discutir a reforma. Não confundir sociedade civil com imprensa escrita, falada ou televisiva. Esse pessoal não representa a opinião pública, esse pessoal atua como partido político.E sabe o que mais? O Senado precisa de uma faxina total. Nas próximas eleições a sociedade precisa se livrar dos carcomidos senadores do DEM, do PSDB e do PPS que elegeram Sarney presidente da instituição. Eles são os culpados. Lula não tem nada a ver com isso. Na Bahia eu já sei. Vou votar em Lídice da Mata (PSB) senadora. Para me livrar de César Borges e ACM Júnior.

Oldack Miranda
http://bahiadefato.blogspot.com/

Fonte: Jussara Seixas - Blog da Dilma - 02.08.09

30 de jul. de 2009

Programa do CQC e humorista estão sendo acusados de racismo e preconceito

Então que um dos mocinhos do CQC, Danilo Gentilli, conseguiu reunir um monte de clichês racistas em um texto só. Até aí, o mundo se move e o céu é azul, né? Danilo só está se mostrando bom aluno em ”preconceito descolado”, prática extremamente comum no humor brasileiro — e, como discutíamos dias atrás, exercida com maestria pelo chefe dele, Marcelo Tas. Não há novidade aí.

Entretanto, o texto dele serve de ilustração para uma porrada de coisas que eu já critiquei aqui. Enquanto passava o olho pelos parágrafos, ia lembrando de vários dos meus posts antigos e pensando: “tá vendo? Era disso que eu estava falando!”. Então, se não se importam, vou fazer um cozidão de links aqui.

Para começar, o texto do Danilo exemplifica o que eu quis dizer, em maio, com “subjugação pelo riso“. Cada vez mais, enxergo o humor como uma das ferramentas mais poderosas de subjugação e de silenciamento. Não sei se é a mais poderosa de todas, mas o humor sem dúvida tem um atributo único: ele torna-se sério justamente porque não foi feito para ser levado a sério.

Me explico: com a piada, podemos dizer coisas que não teríamos coragem de falar seriamente. Podemos, assim, usar o humor como uma muleta. Desta maneira, idéias discriminatórias são transmitidas e reforçadas através das gerações — mas, quando alguém reclama, o autor da piada sempre pode se justificar, dizendo: “eeei, é apenas uma piada”. Sempre se pode esconder-se atrás da (pretensa) falta de seriedade e falta de relevância do humor. Mas o fato é que piadas são manifestações culturais como quaisquer outras. São um grande indicativo de como uma sociedade pensa e se enxerga. Logo, também elas podem (e devem) ser analisadas sociologicamente.

Também vejo no texto do Gentilli mais uma tentativa de retirar as coisas de seu contexto. O histórico escravocrata do Brasil só é relembrado no texto quando convém ao autor. Olha o tamanho do malabarismo retórico: Gentilli enxerga o cara que se afirma negro, que diz ter orgulho da sua cor, como um idiota — afinal, quem inventou o conceito de raça foram os brancos que o escravizaram.

Mas eu duvido que Gentilli seja burro a ponto de não compreender que um cara que se orgulha de ser negro está apenas reagindo a este passado de escravidão e a todas as mensagens que estimulam o negro a ter baixa auto-estima (entre as quais as piadas de Gentilli se incluem).

A intenção de Gentilli, portanto, é a mesma dos alunos da Anhembi-Morumbi que aparecem na primeira parte do documentário “café com leite ou água e azeite?” (o doc, aliás, derruba todo e qualquer argumento do humorista). A carta da ”democracia racial” não é retirada da manga para uma celebração. O discurso bonitinho da “caixa de lápis de cor” só é usado para impedir que os negros se afirmem como negros. Afinal, se eles não se reconhecerem como um grupo com uma situação específica, obviamente não vão se posicionar politicamente contra esta situação específica.

Veja que o Danilo também sequestra o discurso antropológico, dizendo que “raça não existe”. Pois é, não existe mesmo. Mas isso não quer dizer que a idéia de que ela exista tenha se dissipado do senso comum. Tampouco quer dizer que não existam pessoas que ainda acreditam que há raças superiores a outras. E muito menos quer dizer que não existam discriminações com base na “raça”. Não é novidade para ninguém que os negros levam desvantagem em termos de renda, de escolaridade, empregabilidade e por aí vai.

Logo, negar que a distinção de raça ainda importe, como se a gente JÁ VIVESSE num mundo de caixa de lápis de cor, é de uma ingenuidade gigantesca. Essa negação só pode mesmo ser feita por um cara branco, que não sofre na pele os efeitos do racismo. Como, para ele, cor da pele nunca foi um impeditivo de nada, então dá para negar que isso tenha importância. Queria ver se ele fosse negro. Aliás, cadê os humoristas negros do CQC? Já sabemos que Danilo não faria parte da trupe se fosse mulher. E se fosse negro?

Por Marjorie Rodrigues - 30.07.09

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Leia mais sobrre a questão do preconceito e racismo, ótima discussão

no blog de Túlio Vianna

27 de jul. de 2009

"Para a prefeitura de São Paulo, 'revitalizar' o centro é mais importante do que 'revitalizar' as pessoas que não tem onde se abrigar."

Governando através da janelinha do carro, uma coletânea de Andrea Matarazzo

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Entre as medidas para a “revitalização” do centro de São Paulo está dar um jeito de sumir com as pessoas em situação de rua. Eles enfeiam o bairro e espantam a classe média consumidora.

Para a prefeitura de São Paulo, “revitalizar” o centro é mais importante do que “revitalizar” as pessoas que não tem onde se abrigar. Já que a prefeitura não pode simplesmente matá-los, a solução encontrada foi levá-los à morte.

A distribuição de comida, por exemplo, feita por entidades religiosas e outros grupos foi proibida na área central. Ou seja, é proibido oferecer comida a quem você acha que precisa. Multar um grupo de pessoas que doa uma cumbuca de sopa para quem está congelando na rua, parece-me o resumo mais conciso da perversidade da atual política para o centro.

Na madrugada paulistana, guardas municipais espantam quem dorme nas ruas com a esperada delicadeza, enquanto a equipe de garis recolhe colchões, sacolas, papelão e outros pertences. O caminhão-pipa lava as calçadas e escadarias; as pessoas, então, zanzam sem rumo.

É crime ser miserável. E é crime defender seus direitos.

O secretário das subprefeituras Andrea Matarazzo, um pouco em baixa nos bastidores do poder paulistano, encontrou uma boa forma de propagandear suas idéias: postar no twitter. Com a promessa de atender a população diretamente através do canal, as frases postadas revelam, num tom politicamente correto, sua forma de pensar.

Eis algumas frases do Secretário, seguidas de nossos comentários.

No centro, muitos moradores de rua nas marquises da Av são joão (no início num bingo abandonado) e na Boa vista. Centro velho esta quase bom

Poxa, o centro está quase bom. Se todos os moradores de rua morressem de uma vez só, ficaria ótimo.

Não tem perigo. O que é sim, é muito triste. Claro que não desço do carro. Embora os dependentes da novaluz não oferecem perigo

Conheço bem a realidade. Vou sozinho, guiando. Um pouco de segurança é preciso. Vou quase todas as noites

[à Luz, chamada por muitos de "cracolândia"]

Trata-se de uma técnica de observação da fauna selvagem? Uma técnica de camuflagem? Ou é apenas a sensação de segurança trazida por uma tonelada de aço com arranque rápido? Se “não tem perigo” qual seria o motivo de “conhecer a realidade” de dentro do carro? Quem seriam os perigosos? Os moradores do bairro?

Na Novaluz foram lacrados e emparedados 22 estabelecimentos entre ontem e hoje. Maioria botecos ou depósitos.Outras áreas do centro em ordem

Secretário, ontem, passando de carro por uma rua do centro, parei no semáforo e pude ver, em frente a um casarão antigo, um punhado de pessoas conversando. Uma criançada danada correndo, alguns bebendo, uma bagunça. Fiquei imaginando como aquelas pessoas podiam morar naquele lugar. Deve ser uma pensão ou até imóvel invadido, não sei, mas sei que o local era totalmente insalubre e sem qualquer segurança.

Poucos metros a frente, avistei três botecos, um ao lado do outro. Nem botecos eram, eram dessas portinhas onde se juntam bêbados, desempregados e mulheres que gostam dessa vida.

Como sei que o senhor é o secretário que mais se dedica ao centro, peço providências. Lugares nestas condições não podem ser tolerados. Muito menos no centro, onde começou esta cidade que tanto amamos.

Moradores de locais interditados em operação no Centro de SP não aceitam ir para abrigos da prefeitura, reportagem, Rácio CBN
Para Andrea Matarazzo catadores são problema, artigo, Panóptico
Centro Vivo, artigo, Panóptico
”É difícil ganhar uma eleição twittando”, reportagem e entrevista, Estadão

De Panóptico - 27.07.09

O riso como arma dos covardes - Preconceito ou racismo?

Por Tulio Viana - 27.07.09

A história é sempre a mesma. Um engraçadinho faz uma piadinha/brincadeira politicamente incorreta, alguém reclama indignado e a resposta vem da ponta da língua do idiota: “Era só uma brincadeira! Você não tem senso de humor?”

Esta resposta pré-fabricada que busca eximir de culpa o piadista por qualquer imbecilidade dita, nada mais é do que um truísmo que visa silenciar o debate sobre o preconceito expresso na “brincadeira”. Afirmar que o que foi dito era uma uma brincadeira é uma verdade óbvia, mas o simples fato de ser uma brincadeira não isenta o palhaço da responsabilidade pelo que foi dito.

O riso nem sempre é a arma de contestação social expressa no provérbio castigat ridendo mores (castiga os costumes rindo), utilizado com frequência como emblema de vários teatros. Este provérbio, cunhado por Jean de Santeuil no século XVII, a propósito da máscara de Arlequim, tem um antecedente muito mais revelador em Horácio que, no ínicio de suas Sátiras (1,1,24 s.), indaga: Ridentem dicere verum / quid vetat? (rindo se diz a verdade / quem impedirá?).

O riso nem sempre é um instrumento de crítica social. Muita vez, o riso é tão-somente um instrumento para se afirmar algo que se teme dizer a sério. Quem impedirá?

Sírio Possenti, grande estudioso das piadas como manifestação cultural, afirma que:

O humor nem sempre é progressista. O que caracteriza o humor é muito provavelmente o fato de que ele permite dizer alguma coisa mais ou menos proibida, mas não necessariamente crítica, no sentido corrente, isto é, revolucionária, contrária aos costumes arraigados e prejudiciais. O humor pode ser extremamente reacionário, quando é uma forma de manifestação de um discurso veiculador de preconceitos, caso em que acaba sendo contrário a costumes que são, de alguma forma, bons ou, pelo menos, razoáveis, civilizados, como os tendentes ao igualitarismo, sem dúvida melhores que os seus contrários.
POSSENTI, Sírio. Os humores da língua: análises linguísticas de piadas. Campinas: Mercado das Letras, 1998. p.49.

Então quando alguém se vale do truísmo “Era só uma brincadeira! Você não tem senso de humor?”, o faz no intuito de tentar persistir afirmando seus preconceitos sem ser contestado, pois amparado pelo manto covarde do riso.

Sim, eu tenho senso de humor, mas não sei rir da desgraça alheia. Não sei rir da escravidão, dos campos de concentração, da violência doméstica, dos espancamentos de homossexuais, nem de qualquer piada ou brincadeira que direta ou indiretamente faça troça da submissão de um grupo social por outro.

Se ser moderninho, divertido e criativo é zombar de minorias políticas, eu prefiro ser o babaca sem senso de humor que denuncia estes covardes que se escudam no riso para manifestar seus preconceitos.

A genialidade do humor está em zombar dos que oprimem e mostrar o quão ridículo são seus preconceitos. Riamos da classe média e de seus valores pequenos burgueses, dos homófobos posando de machões, dos machistas tomando inevitáveis foras de mulheres inteligentes e, principalmente, da indignação de muitos brancos em ver um negro na presidência do país mais rico do mundo.

Riamos de Danilo Gentili tentando justificar sua piada racista, com mais preconceito e com um post racista, achando que estava sendo irônico no título, porque idiotas são os politicamente corretos.

Riamos da vergonha que os preconceituosos têm de se assumirem preconceituosos e do onipresente uso do truísmo “foi só uma brincadeira” como um saco de papel onde escondem a cara da execração de gente com senso crítico.

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