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24 de out. de 2009

“Alô presidente Lula, “Jesus” já fez coligação com “Judas” em 11 de fevereiro 1929.” Por Seu Carlos.

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"Rainha" Crusius da monarquia local.

Camaradas do Brasil Autogestionário, desculpem minha ausência no último período, minha condição no Brasil como imigrante ainda não está bem resolvida, e como o Rio Grande do Sul virou uma terra sem lei, tudo pode e tudo dá, desde que sejamos amigo da “Rainha”, tenho ficado receoso de praticar a escrita crítica. Outros companheiros(as) que vieram comigo estão sendo perseguidos, é lastimável que estejamos vivendo uma monarquia no Rio Grande do Sul, a Rainha Crusius, o Conde Coffy e a Duquesa Zilá estão massacrando o povo, a rainha ao que parece usou dos impostos recolhidos para arrumar seu castelo pessoal, lástimavel, a poucos dias a Princesa apareceu na “TV” quase chorando, patético. Pelo silêncio do Clero local, a Igreja Católica deve estar apoiando a família real imagino eu, mas não tenho total certeza.

Falando em silêncio e Igreja Católica, mandem meus cumprimentos a seu presidente republicano Lula da Silva, seu recente comentário sobre uma possível “coligação entre Jesus e Judas” é muito perspicaz e realista, várias vezes “indiretamente” essa coligação aconteceu, até por que “diretamente” é impossível, nem Jesus e nem Judas existiram na forma como são apresentados. Um recente exemplo dessa coligação indireta entre “jesus e Judas” foi o golpe militar em Honduras, onde a extrema-direita (política e empresarial), o Exército e a Igreja Católica promoveram o fim da democracia naquele país, preocupados com o plebiscito popular que seria feito pelo presidente Zelaya, esses “agentes” promoveram na calada da madrugada uma invasão a casa do presidente, arrancaram-lhe da cama de pijama sobre mira de fuzis, e embarcaram-no em um avião para fora do país. No Chile em 1973 foi pior, lá indiretamente “Jesus” instigou “Judas” a agir, assassinando o povo e seu governante, Salvador Allende.

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Mussolini e Hitler.


Exemplos da coligação sucitada por Lula da Silva não faltam, mas de fato a mais emblemática união de “Jesus e Judas” aconteceu em 11 de fevereiro de 1929, na Itália, onde o maior “Jesus” da época, Papa Pio XI, assinou o Tratado de Latrão e cedeu todo seu apoio ao ditador fascista Benito Mussolini:

“Por esse tratado, firmou-se um acordo pelo qual se criava o Estado do Vaticano, o Sumo Pontífice recebia indenização monetária pelas perdas territoriais, o ensino religioso era obrigatório nas escolas italianas, o catolicismo virava a religião oficial da Itália e se proibia a admissão em cargos públicos dos sacerdotes que abandonassem a batina”.(Tratado de Latrão – Assinado pelo Vaticano – Igreja Católica e o ditador Nazista Benito Mussolini)

Mussolini além de perseguir os trabalhadores e fechar sindicatos, foi o maior apoiador do nazista Hitler. Comandados por Musolini, o exército italiano na segunda guerra assassinou mais de meio-milhão de africanos na Etiópia, na chamada guerra Ítalo-Etíope. Enfim, um bom “negócio”.

Para além do “ópio”, indiretamente “Jesus” coligou várias vezes com “Judas”, na maioria delas por sinal foi-se além de “encaminhar uma emenda, ou obra pública”, Musolini que o diga.

Esse país (Brasil) ainda me é uma incógnita fascinante. Auf Wiedersehen.

Leia também:

Ai estou doente, tô com ‘mal do século’” Por seu Carlos.

Seria realmente Pedro Simon um parlapatão?” Por Seu Carlos.

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Espectros rondam o Brasil? Ta bem!” Por seu Carlos.

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SEU CARLOS é imigrante alemão, mora atualmente no Rio Grande do Sul(sem plástica), insistiu(insistiu muito, muito mesmo) em colaborar com o blog via email, de forma incriptada, cifrada e exclusiva sobre o Capitalismo. Seu Carlos já mandou três(3) emails para publicação, o primeiro sobre Mangabeira Unger, o qual achava ele ser um velho desafeto seu da Alemanha, nosso conselho editorial sugeriu a não publicação e tivemos que censurar o post, o segundo email foi sobre a Senaes, mas não conseguimos “desincriptar e decifrar” o mesmo para publicação, o terceiro foi publicado dia 24 de julho, estreando a colaboração de Seu Carlos ao Brasil Autogestionário, de forma “eventual e dialética” como bem exigiu ele a pouco, em reunião virtual numa sala de chat do MIRC(exigência pessoal, acha ele que o Mirc é algum Movimento Revolucionário).

Indicação: Antonio Arles do Site Arlesophia

Fonte: Brasil AutoGestionário - Outubro/2009



30 de set. de 2009

O PIG e a imprensa gaúcha

Paulo Cezar da Rosa - Carta Capital - 25/09/2009

No Rio Grande do Sul, temos uma imprensa que atua de modo militante e conservador desde a saída da Ditadura. Pode-se afirmar, por exemplo, sem correr o risco de estar dizendo um absurdo, que a RBS, tendo a frente o jornal Zero Hora, como uma espécie de comitê central de campanha, já elegeu dois de seus quadros para o governo estadual. Primeiro, Antônio Britto (PMDB), em 1998. Depois, Yeda Crusius (PSDB), em 2006. A unir os dois governos tivemos a mesma orientação privatista, concentradora e modernizante que a esquerda gaúcha tanto combateu como neoliberal.

De fato, Britto e Yeda saíram do anonimato trabalhando nos veículos da RBS. Construíram-se e foram construídos como quadros da empresa. Projetaram-se politicamente nas páginas e nas ondas de rádio e TV do grupo. Além de erigir os dois governadores de perfil nitidamente privatista, o grupo, num certo sentido, também teria sido responsável pela derrota do governo Olívio Dutra (PT) e auxiliado decisivamente Germano Rigotto (PMDB) como alternativa ao PT em 2002.

O PIG no RS é PIM
Principalmente por isto, ou seja, porque no Rio Grande a presença da imprensa na cena política vem de décadas, confesso que demorei a entender a expressão "PIG" - Partido da Imprensa Golpista, popularizada por Paulo Henrique Amorim, entre outros. E ainda estou em desacordo com ela.

O termo é moda e já virou até verbete na Wikipedia. Conforme lá consta, PIG "é utilizado de forma genérica e pejorativa para se referir ao jornalismo praticado pelos grandes veículos de comunicação do Brasil, que seria demasiadamente conservador e estaria tentando derrubar o presidente Luis Inácio Lula da Silva e membros de seu governo de forma constante." Este fenômeno, baseado no que se lê ultimamente, teria por base a crise dos partidos políticos e da política de um modo geral. Os veículos estariam passando a ocupar o vazio deixado pelos partidos em decadência, sendo eles próprios partidos ou fazendo às vezes de partidos.

Meu desconforto com o PIG tem raízes regionais. Não existe novidade em ter uma imprensa que atua politicamente e de forma conservadora no Estado. Isso sempre foi assim. O novo por aqui, como já comentei há algumas semanas, é que grupos distintos da mídia gaúcha estão tendendo a uma posição única, particularmente no que diz respeito às denúncias de corrupção no governo Yeda. Mas isso não é PIG - isso é só unidade de classe, fechamento de posição, defesa dos seus. Um movimento inusitado, sim, mas eu diria até compreensível. No Rio Grande do Sul, de fato, o que move a mídia não é um espírito golpista. O que move a RBS e os grupos menores é o medo de que Lula e Tarso sejam vitoriosos e o processo de democratização da comunicação se acentue, atingindo seus interesses regionais.

Olhando desse modo, a imprensa gaúcha está mais para PIM (Partido da Imprensa com Medo) do que para PIG. Capisco?

Os pingos nos is
Por outro lado, olhando o cenário nacional, sinceramente não vejo onde a imprensa brasileira tenha mudado para passar a ser condenada como golpista. Conservadora, sim, ela sempre foi. Sempre que teve interesses contrariados, atuou politicamente e tratou de colaborar para a derrubada de presidentes e governos. Por que agora considerá-la golpista? Ou ela sempre foi golpista, ou é um erro, um equívoco deseducativo utilizar agora o termo.

A mudança havida, real, no cenário nacional, é o sucesso do governo Lula. Além de ser um governo com posições opostas às dos grupos que dominam a mídia, é um governo bem sucedido que está democratizando as verbas na comunicação. Ou seja, é um governo que está mexendo onde dói no ser humano: no bolso dos bacanas da mídia.

Junte-se a isso o crescimento exponencial da internet (que também retira poder da mídia tradicional) e temos aí um quadro novo: o desvario da mídia não se deve a ela estar substituindo os partidos, mas sim ao fato dos seus partidos não estarem mais conseguindo lhes dar proteção. A denúncia do PIG pode ser boa, e em geral politicamente justa. Pode revelar a total falta de compromisso dos grandes veículos com a ética da informação. Mas é preciso entender que, hoje, quanto mais a mídia mente, mais isso é sinal de desespero e perda de poder. Isso não é sinal de fortalecimento. É fraqueza.

De fato, se tivermos a compreensão de que a família Sirotsky tem posições “fortemente neoliberais, internacionalistas e modernas de direita", como defende um amigo meu, a RBS nunca teve no Rio Grande do Sul um correspondente político partidário alinhado com suas posições e foi obrigada a realizar sua própria defesa desde sempre. Viria daí sua veia "piguista" desde os anos 80. Contudo, estar agora, na prática, acobertando um governo considerado corrupto e incompetente pela maioria da população gaúcha não é um sinal de poder, mas uma prova de sua imensa fraqueza. Inversamente, o fato da mídia nacional estar combatendo Lula não seria sinal de força, mas sim demonstração de pavor e medo diante da mudança do país.

2010 vem aí
É complicado escrever coisas como essa, mas me cobrem. Em 2010, o papel da RBS no processo eleitoral gaúcho, diferente de todas as eleições até aqui, não será mais tão decisivo quanto sempre foi. Com a crise dos seus partidos e a democratização da comunicação propiciada pelas novas tecnologias, a RBS está se tornando apenas mais um ator no processo gaúcho. E um ator tão ou mais frágil que os partidos de seu arco político.

O quadro sucessório gaúcho está caminhando para a construção de um novo cenário, configurado não mais pelos setores que sempre dominaram a política no Estado, mas pela dinâmica dos novos agentes sociais emergentes no novo Brasil. Em volta de Porto Alegre, que sedia o governo Yeda Crusius (PSDB) e hoje é governada por José Fogaça (PMDB), existe uma legião de governos populares nas cidades periféricas da região metropolitana. RBS, Yeda Crusius e José Fogaça são adversários destes governos. A luta no Rio Grande do Sul em 2010 será entre o centro e a periferia, entre a classe A e a classe C, entre a turma que frequenta a rua Padre Chagas em Porto Alegre e o povo que vibra e decide os destinos do Big Brother em suas casas nas periferias da capital.