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26 de ago. de 2009

Trinta anos de história do PT contra cinco minutos na TV

Quem vai ficar com o apoio do PMDB, quer dizer, seus cinco minutos na televisão e seus palanques na campanha de 2010? A resposta a esta questão está na raiz de toda a crise política que se arrasta desde o início do ano e culminou na semana passada com a salvação de José Sarney pelo PT. Vai valer a pena?

No mesmo dia, dois senadores, Marina Silva e Flávio Arns _ por razões bem diferentes, diga-se _ anunciaram que deixariam o partido. No dia seguinte, Aloizio Mercadante foi convencido por Lula a revogar sua renúncia irrevogável à liderança no Senado para não aumentar ainda mais a crise nas relações entre o partido e o governo.

Diante de mais uma guerra interna desencadeada a partir deste episódio, os analistas de sempre repetiram a previsão feita outras vezes ao longo das últimas três décadas: é o fim do PT. Tantas vezes anunciada nestas últimas três décadas, a morte do PT é desmentida eleição após eleição e nas pesquisas, inclusive as mais recentes, que colocam o partido em primeiro lugar na preferência dos eleitores brasileiros.

É como diz o leitor Simei de Almeida, em comentário enviado na tarde de segunda-feira: “Antes não prestava pelo que era, agora não presta pelo que não é mais”.

Às vésperas de comemorar 30 anos, no começo do ano eleitoral de 2010, parlamentares, dirigentes e militantes petistas vivem o eterno dilema de ser ou não ser governo quando chegam ao poder, do pequeno munícipio à Presidência da República. Tem sido assim desde que o primeiro petista foi eleito. Muitos foram ficando pelo caminho, abrindo dissidências e até novos partidos, que nunca emplacaram.

No centro das discussões, desde o primeiro Encontro Nacional do PT, está sempre a política de alianças, depois que o partido descobriu que ninguém consegue se eleger nem governar sozinho.

Qual o preço e os limites destas alianças? Foi mais uma vez em torno desta questão que a jornalista Marilda Varejão, minha velha amiga e petista histórica, desencadeou um grande debate entre militantes, a partir do momento em que comunicou a mais de cem pessoas das suas relações que estava deixando o partido.

“Com imensa dor, mas com igual convicção, anexo a carta que estou levando hoje ao PT local. Sem mais, abraços, Marilda Varejão”, escreveu ela, e anexou a carta que reproduzo abaixo.

“Petrópolis, 23 de setembro de 2009

Ao Partido dos Trabalhadores

Há muito – mais precisamente desde quando, no “mensalão”, vi rolarem por terra ídolos como José Dirceu e Genoíno – venho pensando em fazer o que agora faço. Entretanto, movida pelo desejo de separar o joio do trigo e, de alguma forma, ajudar a reconstruir o PT local, mantive-me fiel ao partido, tendo exultado quando a cidade elegeu Paulo Mustrangi como prefeito.

Entretanto, apesar de Lula declarar que petista é como flamenguista, que permanece fiel ao time independentemente das derrotas, creio que para tudo nesse mundo há um limite. E não suporto mais ver esse homem – que acompanhei com ardor e paixão desde a greve dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, SP, em maio de 1978 –, em nome da “governabilidade”, jogar por terra a própria biografia e os ideais de tantos quantos depositaram nele a responsabilidade de construir um Brasil mais justo e mais digno.

O mais lamentável em tudo isso é que, apesar da decepção, não nego sua capacidade e louvo seus feitos: é mérito seu mais de 35 milhões de brasileiros terem saído da linha de pobreza e nosso país hoje ser conhecido e respeitado em todo o mundo. Mas nem por isso Lula pode ser maior que o próprio PT nem fazer com que petistas históricos, como o senador Aloizio Mercadante se tornem alvo do achincalhe nacional.

Por tudo isso, em caráter irrevogável (irrevogável mesmo!), venho solicitar minha desfiliação partidária. Solitária em minha dor, saberei sempre a hora de estar ao lado das pessoas de bem que insistem na luta, como por exemplo o ministro Patrus Ananias. Mas me resguardo e estou a salvo dessa indigesta pizza que tentam jogar goela abaixo dos menos incautos.

Atenciosamente,

Marilda Varejão (título de eleitor 228802690159, zona 0085 seção 0018 cadastro 2407706)

Os amigos da Marilda se dividiram ao meio, apoiando ou discordando da sua decisão, e o debate continua nesta terça-feira pela internet.

Zélio Alves Pinto, o grande cartunista e artista plástico, escreveu: “Tá certo, Marilinha: concordo, mas discordo, porque contra fogo só fogaréo, senão acabam queimando a gente e, cansado de ser gato escaldado, eu fico. Não tenho carteirinha, apenas fé. E é nessa que eu vou. Apoio Marilda, você, e digo-lhe mais, até a Marina, mas não dá pra votar nela (vão fazer picadinho da santa), mas fico. Me desculpa, viu? Todo carinho, Zélio”.

No final da noite de ontem, ao ler a mensagem de Zélio, resolvi participar também do debate em que escrevi para os amigos o que penso a respeito deste assunto:

“Pessoal,

Não queria entrar nesta conversa, mas faço minhas as palavras do mestre Zélio, sem tirar nem por. É por isso que gosto sempre de ouvir os mais velhos…

Estou que nem ele: nunca entrei em partido nenhum, mas não perco a fé. Se não entrei, não tenho nem como sair… Como dizia outro velho amigo, o Carlito Maia: não sou do PT, mas o PT é meu partido. É e será. O resto é muito pior.

Qual PV vocês preferem: o PV do DEM e do Sirkys, no Rio, ou o PV do PSDB e do Penna em São Paulo? Coitada da minha amiga Marina…

Entre o Gabeira e o Roberto Freire, linhas auxiliares dos demo-tucanos, gente sem projeto e sem compromisso com o país, fico com o Lula, o melhor presidente (para a maioria da população) que este país já teve, desde Getúlio Vargas.

Daqui a 100 anos, quando falarem do Brasil, só vão lembrar destes dois.

Abração a todos,

Ricardo Kotscho”.

2 de ago. de 2009

O Senado está precisando de uma grande faxina, a começar pelo DEM...PSDB..

Não entendo como é que políticos do DEM têm coragem de abrir a boca para pedir a cabeça do presidente do Senado, José Sarney. Quando o PT lançou o nome do senador Tião Viana à presidência da instituição, o DEM e o PSDB apoiaram Sarney. Se há alguém responsável por Sarney estar onde está é o DEM seguido do PSDB. Por causa das forças conservadoras, o senador Tião Viana perdeu e com ele a chance de empreender mudanças na estrutura da Casa. É preciso criar uma lei de responsabilidade administrativa e fiscal do Senado, que limite os gastos à capacidade das receitas. Um controle das contas. É preciso cortar os abusos, as despesas absurdas. As mamatas construídas pelos senadores de todos os partidos, de direita e esquerda. O empreguismo comeu solto nos últimos anos.É preciso, sobretudo, convocar a sociedade para discutir a reforma. Não confundir sociedade civil com imprensa escrita, falada ou televisiva. Esse pessoal não representa a opinião pública, esse pessoal atua como partido político.E sabe o que mais? O Senado precisa de uma faxina total. Nas próximas eleições a sociedade precisa se livrar dos carcomidos senadores do DEM, do PSDB e do PPS que elegeram Sarney presidente da instituição. Eles são os culpados. Lula não tem nada a ver com isso. Na Bahia eu já sei. Vou votar em Lídice da Mata (PSB) senadora. Para me livrar de César Borges e ACM Júnior.

Oldack Miranda
http://bahiadefato.blogspot.com/

Fonte: Jussara Seixas - Blog da Dilma - 02.08.09

29 de jul. de 2009

NÃO É FACIL

Não é fácil a situação dos senadores do PT, como mostra o desencontro entre as posições assumidas pelo líder Aloizio Mercadante e a executiva nacional do partido e do próprio Lula.

Certamente o que está em jogo na campanha da oposição e da mídia contra Sarney é debilitar o governo, rachar sua base de sustentação e enfraquecer o PMDB para inviabilizar o apoio a Dilma em 2010.

Nada disto tem a ver com ética, maracutaias ou privilégios e sim com ação sórdida que visa paralisar o governo e afastar a opinião pública das discussões sobre as escolhas essenciais para o país. É que nesse debate a oposição não tem nada a dizer e a ideologia neoliberal encontra maiores dificuldades para ser defendida pela mídia, seus argumentos não resistiram à crise.

Mas isto não significa que as maracutaias sejam inexistentes e que a opinião pública esteja errada em exigir o estabelecimento de padrões republicanos no funcionamento das instituições.

Os senadores do PT devem levar em conta essa opinião pública e encontrar mecanismos para desmontar a hipocrisia mediático-oposicionista, sem desencorajar a vontade ética que sensibiliza setores importantes da sociedade.

Esta tarefa parece fácil para os que recorrem ao “realismo” político, mesmo soando cinicamente aos ouvidos dos cidadãos, quando seus defensores não devem contas aos eleitores. Já quando se trata de senadores como Mercadante e Suplicy, todo cuidado é pouco e isto explica a atitude que eles assumem.

Isto não significa ceder à campanha oposicionista, nem vocação para ficar acima do muro e deixando para outros o “trabalho sujo”.

Mas é difícil ser ouvido no clima de radicalização, exagero e tartufaria que reina em Brasília e na mídia.

A postura de Mercadante risca de ser incompreendida. Não será aqui que receberá pedras.

Do Blog do LUIS FAVRE

18 de jul. de 2009

Instituto de FHC embolsou R$ 5,7 milhões para digitalizar 9 fotos, valor cinco vezes maior do que usado pela Fundação de José Sarney

Por Humberto Amadeu - 15.07.09

O Instituto Fernando Henrique Cardoso – iFHC – recebeu R$ 5,7 milhões, por meio de projeto da Lei Rouanet, aprovado pelo Ministério da Cultura em 2004, para digitalizar o acervo do ex-presidente com dinheiro de impostos que o poder público deixou de arrecadar das empresas patrocinadoras. O valor é quase cinco vezes maior do que usado pela Fundação José Sarney para fazer trabalho semelhante, segundo mostra o blog Os Amigos do Presidente Lula.
Segundo o projeto do iFHC, a digitalização do acervo tem prazo para ser concluída até dezembro desse ano. Mas, passados quatro anos e meio, a digitalização disponibilizou na internet apenas nove fotos e o site informa que o portal do acervo encontra-se em construção.
A prestação de contas do instituto no Ministério da Cultura também está irregular, constando como pendentes informações sobre as metas a serem realizadas, as metas já realizadas e o tempo necessário para a conclusão do projeto. Apesar disso, há um novo projeto, pedindo R$ 7 milhões para a conclusão do trabalho. Se aprovado, o valor total chegará a R$ 12,7 milhões.
Entre as empresas que patrocinaram o projeto até agora está a Sabesp, na época do governo de Geraldo Alckmin, além de outras empresas beneficiadas pelas privatizações dos governos tucanos. Todas elas abateram as doações do imposto de renda, que deixou de ser arrecadado para engordar as contas do iFHC. Para piorar, a operação Satiagraha identificou aplicações financeiras do instituto no Opportunity Fund, de Daniel Dantas.
HORA DO POVO, ed. 2782
15.07.09

As dificuldades do presidente

Mauro Santayana no JB DE 16/07/09

Plutarco ensina, em pequeno tratado, como tirar vantagem do inimigo – mas não chega a aconselhar que se faça do inimigo um companheiro. É mais fácil castigar o amigo que se torna inimigo, do que perdoar a ignomínia e a infâmia dos inimigos velhos. Castruccio Castracani, o grande condottiere toscano do século 13, foi admoestado por ter mandado matar um velho amigo. Conforme conta Maquiavel, retrucou, afirmando que não mandara executar um velho amigo, e, sim, o inimigo novo.

É provável que o presidente Lula, senhor da mais surpreendente biografia de nossa história política, se sinta ungido do direito de, vitorioso, tudo perdoar a seus inimigos, velhos e novos. Ao empolgar a classe operária de São Paulo, afastando-a da dúvida entre o peleguismo clássico e a liderança dos comunistas, já fizera a sua revolução pessoal. Tudo o que veio em seguida – mesmo as derrotas sofridas – se acrescentou a seu patrimônio existencial. Há, portanto, uma explicação para a sua conduta, tanto com relação ao professor Mangabeira Unger, que pediu seu impeachment, quanto com respeito ao senador Collor de Mello que, em 1989, cometeu a indignidade de levar à televisão, no momento que antecedia as eleições, uma pobre e ressentida mulher. A Mangabeira, ele retribuiu o opróbrio com uma pasta ministerial. Collor foi abraçado pelo presidente anteontem em Alagoas. Embora Lula tenha sido econômico no elogio ao comportamento de Collor no Congresso, houve certo mal-estar entre os admiradores do presidente. Esses gestos podem ser vistos como virtude política, mas não são assim entendidos pelas pessoas comuns, sobretudo os trabalhadores mais humildes, que têm sobre o assunto posição muito firme, para não dizer intransigente. Até hoje, muitos dos que assistiram à cena patética pela televisão, com o depoimento comprado daquela senhora, sentem-se pessoalmente atingidos pelo golpe traiçoeiro.

A nossa cultura política positiva aprova os pactos entre adversários nos momentos críticos, como ocorreu na tentativa de se formar, com Juscelino, Lacerda, Jango e Brizola, frente única contra a ditadura. Os pactuantes eram grandes líderes políticos, cada um deles com suas razões e ideias, e o objetivo comum de combater o governo militar. Nos meses finais do governo Figueiredo, outro pacto se armou em torno de Tancredo, sob o mesmo interesse de reconstrução da ordem constitucional. Nas articulações de 1983 e 1984, a necessidade comum buscou o líder natural, que era o governador de Minas. Hoje, a situação é outra. Lula se encontra no poder e no auge de sua popularidade.

Ocorre que a mediocridade da oposição obriga o presidente a descer de seu nível, a fim de assegurar a governabilidade do país na véspera de dificuldades que podemos pressentir. Ainda que o Congresso se encontre desmoralizado, o presidente necessita de maioria parlamentar a fim de executar os seus projetos de governo. A situação é ainda mais grave, diante da deliberada intenção de desestabilizar o país, mediante a CPI da Petrobras.

De acordo com observadores bem informados, conviria a Lula deixar, no momento, sua preocupação com o processo eleitoral, e concentrar seus esforços na administração da crise ética. Ele já manifestou sua vontade de que se reúna assembleia nacional constituinte, destinada a realizar a ampla reforma política que a nação reclama, a fim de dar legitimidade ao Estado. Quando se fala em reforma política, espera-se que ela elimine a nefasta influência do poder econômico, que financia as campanhas eleitorais, subsidia os partidos nos intervalos dos pleitos, em troca de grandes negócios com o Estado. O sistema financeiro é o grande beneficiário da situação atual.

PSDB,O PARTIDO QUE NÃO GOSTA DE VOCÊ,CRIOU O DISQUE DENÚNCIA CONTRA A PETROBRAS










NÓS , O PSDB , QUEREMOS DESTRUIR LULA , O BRASIL E A PETROBRAS.
PSDB pede denúncias contra a Petrobras em blog.
Identidade dos denunciantes será preservada, promete partido.
Blog é uma das armas da oposição para popularizar CPI da Petrobras.
O PSDB está pedindo denúncias contra a Petrobras por meio do blog criado pela sigla para popularizar os debates da investigação aberta contra a estatal no Senado.

“A partir de agora, e atendendo a pedidos, este blog está abrindo espaço para receber informações e denúncias de seus leitores e seguidores”, diz a mensagem publicada na tarde desta sexta-feira (17) no site.

Segundo o partido, as denúncias só serão publicadas mediante autorização e depois de confirmada a identidade do autor. Este também só será conhecido se autorizar a divulgação do seu nome.

“Podem ser testemunhos pessoais ou que sejam do seu conhecimento. Eles serão enviados à CPI para ajudar no trabalho de investigação”, diz a mensagem do blog.

O PSDB criou o blog para divulgar informações sobre a CPI da Petrobras, que foi instalada nesta terça-feira (14) no Senado. A estatal já mantém um blog onde publica questionamentos da imprensa e respostas a eles.

Por Aposentado Invocado - 17.06.09

17 de jul. de 2009

Congresso da UNE e manipulação da mídia

Por Altamiro Borges - 16.07.09

Após viajarem milhares de quilômetros em centenas de ônibus fretados, mais de 15 mil jovens de todos os recantos do país estarão reunidos em Brasília para participar do 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Durante cinco dias, eles esbanjarão energia, criatividade e garra em várias passeatas, em acirradas polêmicas nos 25 grupos de debate sobre temas candentes e em plenárias infindáveis. Não haverá cansaço ou desanimo, mas uma baita disposição para lutar por melhorias na educação e por mudanças profundas no país. Caso a mídia tupiniquim respeitasse a nossa juventude, o congresso seria manchete em todos os jornais e nas emissoras de TV e rádio.

Mas a mídia hegemônica prefere evitar qualquer engajamento dos jovens. Ela aposta sempre na alienação e ceticismo. Rejeita qualquer ação coletiva. Prefere estimular o consumismo doentio e o individualismo exacerbado. Por isso, o evento da UNE surge, no máximo, no pé de página dos jornalões tradicionais ou em rápidos flashes na TV. Quando ela trata do evento, é para atacar a organização juvenil e criminalizar suas lutas. Ela omite ou emite opiniões raivosas. Como nos ensina Perseu Abramo, no livro “Padrões de manipulação na grande imprensa”, a ocultação e a inversão da opinião pela informação são duas técnicas muito utilizadas pelos barões da mídia.

Padrões de manipulação da imprensa

“O padrão da ocultação se refere à ausência e presença dos fatos reais na produção da imprensa. Não se trata, evidentemente, de fruto do desconhecimento e nem mesmo de mera omissão diante do real. É, ao contrário, um deliberado silêncio militante sobre determinados fatos da realidade. Esse é um padrão que opera nos antecedentes, nas preliminares da busca da informação, isto é, no ‘momento’ das decisões de planejamento da edição, naquilo que na imprensa geralmente se chama de pauta... O padrão da ocultação é decisivo e definitivo na manipulação da realidade: tomada a decisão de que um fato ‘não é jornalístico’, não há a menor chance de que o leitor tome conhecimento de sua existência por meio da imprensa. O fato real é eliminado da realidade, ele não existe”, ensina o mestre na obra reeditada pela Fundação Perseu Abramo.

Já o segundo truque visa “substituir, inteira ou parcialmente, a informação pela opinião. O órgão de imprensa apresenta a opinião no lugar da informação, e com o agravante de fazer passar a opinião pela informação. O juízo de valor é inescrupulosamente usado como se fosse a própria mera exposição narrativa/descritiva da realidade. O leitor/espectador já não tem mais diante de si a coisa tal como existe ou acontece, mas sim uma determinada valorização que órgão quer que ele tenha de uma coisa que ele desconhece, porque o seu conhecimento lhe foi oculto, negado e escamoteado pelo órgão... Ao leitor/espectador não é dada qualquer oportunidade que não a de consumir, introjetar e adotar como critério de ação a opinião que lhe é autoritariamente imposta”.

O zumbido irritante da Folha

Estes e outros truques da manipulação estão presentes na cobertura do cativante evento da UNE. As emissoras de televisão, que falam para milhões de brasileiros, preferem ocultar o congresso; é como se ele não existisse. Já os jornalões tradicionais, que atingem pequenas faixas entorpecidas das camadas médias, optam por desqualificar os militantes estudantis e suas bandeiras. A opinião substitui a informação. Um caso emblemático é o da cobertura da Folha de S.Paulo, que ainda ilude os ingênuos com o seu falso ecletismo. Com o título “Patrocinada pela Petrobras, UNE faz manifestação contra a CPI”, um texto de pé de página investiu raivosamente contra o congresso.

Não há qualquer informação sobre a pauta do congresso, sobre os participantes ou sobre as lutas estudantis. O artigo hidrófobo destaca apenas que a Petrobras “direcionou R$ 100 mil ao evento” e que os universitários programaram uma manifestação contra a CPI do Senado. A exemplo dos ataques desferidos contra o MST e as centrais sindicais, que recebem verbas públicas para vários projetos culturais e educacionais, a Folha tenta caracterizar a UNE como “governista”. Também critica o fato dos líderes estudantis ocuparem postos no governo Lula. O cinismo é descarado.

Quem está de rabo preso?

Um simples anúncio publicitário da Petrobras na Folha custa muito mais do que o patrocínio ao congresso da UNE. Nem por isso, ela é governista. Pelo contrário. O jornal é um dos principais porta-vozes da oposição demo-tucana. Para ser coerente nas críticas ao uso das verbas oficiais, a Folha deveria rejeitar os milionários anúncios em suas páginas. O governo Lula também poderia ser mais ousado, evitando alimentar cobra. Quanto a tal CPI do Senado, o jornal não informa que ela foi instalada por imposição da própria mídia e serve aos propósitos da oposição demo-tucana. Já no que se refere aos líderes estudantis em postos do governo, a Folha confirma que tem nojo do povo. Para ela, trabalhador é para trabalhar; estudante é para estudar; e a elite é para governar.

No livro citado, Perseu Abramo desmascara a frase publicitária do jornal. “A Folha está de rabo preso com o leitor só tem seu verdadeiro significado desvendado quando recolocada de pé sobre o chão e lida com a re-inversão dos seus termos: o leitor é que está de rabo preso com a Folha, e por extensão com todos os grandes órgãos de comunicação. Recriando a realidade à sua maneira e de acordo com seus interesses político-partidários, os órgãos de comunicação aprisionam seus leitores nesse círculo de ferro da realidade irreal e sobre ele exercem todo o seu poder. O Jornal Nacional faz plim-plim e milhões de brasileiros salivam no ato. Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo, Jornal do Brasil e Veja dizem alguma coisa e centenas de milhares de brasileiros abanam o rabo em sinal de assentimento e obediência”.

16 de jul. de 2009

SENADO - As lacunas da cobertura da crise

Por Luis Antonio Magalhães - 16.07.09

O Congresso Nacional está em crise, mas para a grande imprensa tudo se resume a um nome: José Sarney. É certo que o presidente do Senado, eleito pelo Amapá e líder do PMDB do Maranhão, está cercado de encrencas, algumas delas tão complicadas de explicar como batom na cueca. Fazem bem os jornalistas em correr atrás das denúncias sobre o ex-presidente da República, mas fariam melhor, muito melhor aliás, se conseguissem explicar ao distinto público o que está realmente em jogo no legislativo federal.

Para começo de conversa, a crise não se restringe ao Senado, embora as falcatruas da Câmara tenham sido ofuscadas pelos episódios que vieram à tona na Casa Alta do parlamento brasileiro. A rigor, os primeiros casos denunciados neste ano, sobre a farra das passagens aéreas, dizem respeito aos deputados federais, que transformaram as milhagens e os bilhetes não utilizados em mercadoria. A apuração não avançou muito, ficou na publicação de casos particulares – até o impolutíssimo Fernando Gabeira (PV-RJ) acabou admitindo que usou passagens da sua cota para a filhota viajar ao Havaí.

O que jornal nenhum investigou foi a parte mais grave da história, pois o uso de bilhetes da cota pessoal de deputados para seus parentes, amigos ou namoradas é café pequeno perto do esquema que transformava as passagens e milhagens em mercadoria. Como se sabe, mercadorias são vendidas e compradas mediante pagamento. Quem embolsou os recursos? Quem operava o esquema? Ninguém sabe, ninguém viu. O assunto simplesmente morreu na imprensa tupiniquim.

Mesmo considerando apenas os fatos amplamente noticiados dos desmandos no Senado, a cobertura é repleta de lacunas. O foco em Sarney acaba fazendo com que muita coisa importante não seja publicada. A Primeira Secretaria do Senado, comandada hoje por Heráclito Fortes (DEM-PI), é uma espécie de "prefeitura" da Casa. Entre as prerrogativas desta secretaria estão as de realizar licitações, nomear e demitir servidores e a de cuidar da execução do Orçamento do Senado. O primeiro-secretário também assina, depois do presidente, as atas das reuniões secretas.

É muita coisa, mas do jeito que as reportagens dos jornalões têm sido publicadas, parece que só José Sarney sabia e cuidava das falcatruas. Ora, nos últimos anos o cargo tem sido ocupado exclusivamente por parlamentares do DEM, antigo PFL – antes de Heráclito, Efraim Moraes e Romeu Tuma foram os "prefeitos" do Senado. Apesar de tudo isto, nitidamente os democratas vêm sendo poupados do tiroteio. Batom, só na cueca de Sarney (e de Renan Calheiros; os ex-presidentes da "Era Agaciel", Garibaldi Alves e Tião Viana, também não estão sendo cobrados na mesma intensidade).

Sem graça

É evidente que Sarney tem culpa no cartório – foi ele quem nomeou Agaciel Maia diretor-geral do Senado, para começo de conversa –, mas a imprensa ainda não conseguiu esclarecer o que está por trás da guerra que vem sendo travada no Congresso Nacional, limitando-se a publicar denúncias vazadas na maior parte das vezes por funcionários do Senado ou gente com interesse direto na publicação das denúncias. Pior ainda, os jornalões e seus colunistas não estão conseguindo colocar as denúncias em um contexto que as explique. Para o leitor, fica parecendo que anteontem Sarney desembestou a praticar corrupção, a torto e a direito, praticando um verdadeiro haraquiri político.

Ora, José Sarney não nasceu ontem nem tem vocação para se auto-imolar. O que os brasileiros estão tomando conhecimento neste momento são práticas muito antigas, anteriores até mesmo à primeira gestão de Sarney na presidência do Senado. Não foi de ontem para hoje que o Senado contratou 9,6 mil funcionários (contando os inativos, o número chega a espantosos 18 mil e nesta soma não estão os terceirizados e comissionados) para servir os 81 senadores, o que é um absurdo lógico e administrativo.

Também não foi de ontem para hoje que começaram a ser assinados os atos secretos, agora cancelados pelo presidente da Casa, ou que começaram a se formar as filas para comprovar a presença e fazer jus às horas-extras. E o mais importante de tudo, não foi de ontem para hoje que a imprensa ficou sabendo de tanta imoralidade. Ao contrário, muitos dos jornalistas que parecem orgulhosos dos "furos" que estão dando na verdade deveriam estar com vergonha de jamais terem tocado no assunto antes...

Na verdade, a grande lacuna da atual cobertura da crise é mesmo a falta de contextualização. Sarney está sob intenso tiroteio porque a eleição para a Mesa Diretora do Senado precipitou, no Congresso, a guerra que está sendo travada nos bastidores da política brasileira, qual seja a da sucessão do presidente Lula no próximo ano. Nem é tão difícil assim explicar as coisas: Sarney faz parte do PMDB governista, que decidiu romper com um acordo de cavalheiros e disputou o comando das duas casas parlamentares, quando o natural era o PT ficar com a presidência do Senado, cedendo a da Câmara ao PMDB. Curiosamente, a entrada de Sarney na disputa dividiu a oposição – ele recebeu apoio do DEM, mas não do PSDB.

Com a vitória do senador do Amapá no Senado e do deputado Michel Temer (SP) na Câmara Federal, uma parcela substantiva do PT ficou incomodada com o que julgou "excesso de poder" dos peemedebistas. Ao mesmo tempo, boa parte dos tucanos, especialmente os próximos ao governador de São Paulo José Serra, também não achou muita graça em ter como comandante do Senado, justamente no período pré-eleitoral e durante a campanha de 2010, um político extremamente próximo do presidente Lula, capaz de influenciar decisivamente na costura das alianças estaduais e nacional.

Espetáculo da notícia

Pode até parecer confuso, mas não é. São interesses conflitantes, mas com o mesmo objetivo: detonar não apenas Sarney, mas o que ele simboliza – o PMDB alinhado com Lula.

Do ponto de vista dos "serristas", enfraquecer esta ala peemedebista é um dos poucos jeitos de pelo menos tentar uma neutralidade do partido, detentor de muito tempo na propaganda eleitoral no rádio e televisão. Para uma parcela do PT, trata-se de preservar o seu quinhão na máquina governamental. Já os democratas optaram pelo apoio a alguém que no fundo, no fundo, é um dos seus.

Nada disso aparece nas análises dos jornalões, que preferem apostar no espetáculo das notícias que chocam (e que esses mesmos jornalões já tinham conhecimento). Se o fazem por inocência, é apenas mau jornalismo. Se o fazem por interesse no resultado da eleição de 2010, é manipulação pura e simples. Nos dois casos, o leitor sai perdendo.

Luiz Antonio Magalhães é Jornalista e Editor Executivo do Observatório da Imprensa, onde este texto foi originalmente publicado (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/)

Contato: laccm@terra.com.br

Professores de ética

Por Frei Beto

É tautológico falar em falta de ética no Congresso Nacional. Os escândalos se sucedem, do deputado que está "se lixando" para a opinião pública aos funcionários do Senado que, a exemplo de notórios senadores, ostentam um padrão de vida muito superior a seus vencimentos e à renda declarada.

Felizmente há exceções. Lástima que a indignação e o protesto de parlamentares íntegros tenham pouca ressonância nas ruas. Em geral, noticiam-se farra de passagens aéreas, castelos mirabolantes, mansões paradisíacas. Poucos tomam conhecimento da coerência de parlamentares incorruptíveis, incapazes, inclusive, de aceitar caixa 2 em suas campanhas eleitorais.

A corrupção decorre da falta de caráter. Esta se manifesta, de modo especial, quando a pessoa se vê investida de uma função de poder, do policial que extorque o comerciante ou do delegado que embolsa pagamento de fianças ao empresário que suborna o funcionário público para obter licitações fajutas; do prefeito que se apropria dos recursos da merenda escolar a parlamentares que se julgam no direito de pagar, com dinheiro público, o salário de sua empregada doméstica.

Como dar um basta em tanta maracutaia? Difícil. O ser humano padece de duas limitações insuperáveis: defeito de fabricação e prazo de validade. É o que a Bíblia chama de "pecado original". Sempre haverá homens e mulheres desprovidos de caráter, de princípios éticos, dispostos a não perder a primeira oportunidade de enriquecimento ilícito. A solução não reside no cultivo das virtudes, que tem sua importância. Fosse assim, os colégios religiosos, onde estudaram Collor e Maluf, seriam fábricas de anjos.

A solução é criar, via profunda reforma política,  instituições que inibam os corruptos e mecanismos de controle popular. Em suma, tornar a nossa democracia, meramente delegativa, mais representativa e, sobretudo, participativa.

Enquanto a solução não aparece, sugiro que convidem, para ministrar um curso de ética no Congresso Nacional, suas excelências José Gomes da Costa, Rodrigo Botelho, Francisco Basílio Cavalcanti, Clélia Machado, Sebastião Breta e Fagner Tamborim.

O que essas pessoas fizeram não deveria ser considerado extraordinário. No entanto, frente aos casuísmos, ao nepotismo, à malversação, ao cinismo de parlamentares tentando justificar o injustificável, convém propalar o exemplo desses professores de ética.

José Gomes da Costa é gari da prefeitura de São Paulo. Ganha R$ 600 por mês. Vinte e seis vezes menos que um deputado federal. Com este salário, sustenta a si e três filhos. Dia 18 de maio último, ao varrer a rua, encontrou um cheque do Banco do Brasil no valor de R$ 2.514,95. José precisaria trabalhar quatro meses, sem nenhuma despesa, para acumular esta quantia. Procurou uma agência do banco e devolveu o cheque. Motivo: vergonha na cara.

Gari, Rodrigo Botelho encontrou, em 26 de maio de 2008, durante Campeonato Mundial de Tênis de Mesa, no Rio, mochila com R$ 3 mil em dinheiro. Viu o nome do dono nos documentos, chamou-o pelo microfone e devolveu. Rodrigo é normal, tem caráter.

Francisco Basílio Cavalcante, faxineiro do aeroporto de Brasília, pai de 5 filhos, ganha salário mínimo. No dia 10 de março de 2004, encontrou uma bolsa de couro no banheiro do aeroporto. Dentro, US$ 10 mil e um passaporte. Se fosse juntar o salário que ganha, sem gastar um só centavo, levaria 3 anos e 4 meses para obter igual soma.
Francisco declarou: "Tem que ser assim. O que não é nosso precisa ser devolvido. Um dinheiro que não é da gente não pode ser do bem. Não pode trazer felicidade".

Clélia Machado, 29, é auxiliar de serviços gerais e faz bico como manicure. Sozinha, cria duas filhas, uma de 7 anos, outra de 9. Sua renda mensal não chega a R$ 550. Todos os dias ela faz a faxina do banheiro do posto da Polícia Rodoviária Federal em Seberi (RS), onde trabalha há três anos. A 11 de março de 2008, encontrou, junto à privada, um pé de meia enrolado em papel higiênico. Dentro, US$ 6.715. Clélia entregou os dólares aos policiais. Entrevistada, declarou: "Bem que podia ser meu de verdade. Mas já que não me pertencia, devolvi na hora. Era o certo a fazer."

O gari Sebastião Breta, 43, da prefeitura de Cariacica (ES), devolveu os R$ 12.366 mil que achou num malote no lixo. O nome do homem que fora roubado estava gravado numa etiqueta. Sebastião ganha salário mínimo. Indagado se pensou em ficar com o dinheiro, disse: "Nunca. Desde a primeira vez que vi sabia que devia devolver. Quando não consigo pagar as minhas contas fico doido, pensava o tempo todo como estaria o dono do dinheiro, imaginava que ele também não podia pagar suas contas porque tinha perdido tudo. Eu e minha mulher não conseguiríamos dormir à noite. Acho esquisito pegar o que não é da gente".

Fagner Tamborim, 17 anos, entregador de jornais na cidade de Pirajuí, a 398 km de São Paulo, ganha R$ 90 por mês. Enquanto pedalava sua bicicleta, encontrou na rua um malote com R$ 6 mil. Devolveu-o ao dono. "Vi que tinha muito dinheiro e cheques. Levei pra minha mãe, que ligou para o banco."

O melhor do Brasil é o brasileiro, não necessariamente nossos parlamentares.

Do Correio da Cidadania - 30.05.09

Frei Betto é escritor, autor

UNE defende utilização pública de recursos do pré-sal

A esplanada dos ministérios foi tomada por cerca de cinco mil estudantes nesta tarde de quinta-feira que reivindicavam a destinação a políticas públicas com os recursos advindos do petróleo descoberto na camada pré-sal. O ato fez parte da abertura do 51º Congresso da UNE, o Conune, que levou a Brasília cerca de 15 mil estudantes.

Além da UNE e outras entidades de representação dos estudantes também participaram do ato diversas centrais sindicais e movimentos populares. Este é o primeiro grande ato que tem como tema o petróleo. De acordo com as lideranças, o tema está em evidência não somente por conta da descoberta de reservas petrolíferas no litoral brasileiro, mas também por causa da CPI da Petrobrás.

Em maio, a CPI foi aprovada no Senado Federal após uma manobra do PSDB, que colocou a votação para criar a comissão em um dia com plenário esvaziado, argumentandoo que faltava transparência nos contratos da estatal. O governo acusa a oposição de querer desviar a atenção da crise política e minar a empresa estatal com o objetivo de abrir portas para sua privatização.

"A CPI, para o governo Lula, pode ter o seu aspecto positivo, porque assim ele pode desmascarar os desmandos que ocorreram na Petrobrás sob o governo tucano com os marcos regulatórios. Só que, para a sociedade, é ruim, porque o Congresso vai ficar concentrado nisso e não vai dar continuidade na votação das pautas", analisa Tales de Castro, atual vice-presidente da UNE e membro do movimento Mudança, vinculado ao PT.

Os sindicalistas da área petroleira agradeceram a participação dos estudantes no ato em defesa do petróleo e da estatal. "Mostra que nossa juventude tem senso patriótico, porque ela também é responsável por esse país. Os recursos das estatais vão beneficiar esses jovens", diz Acassiano Carneiro, coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas.

Ele vê na CPI uma forma da oposição desestabilizar o governo em período pré-eleitoral, mas acredita que dessa forma pode ser desmentido os ganhos que poderiam haver com uma privatização. "Vai ser bom para desmascarar o mito da privatização", coloca Tales.

Segundo Lúcia Stumpf, presidente da UNE, com a descoberta do petróleo da camada pré-sal, haverá agora uma disputa por quem vai ficar com essa riqueza. "Temos que defender a Petrobrás para que seus recursos dejam destinados para a população, para o jovem, para o trabalhador". Ela entende que a CPI da Petrobrás veio agora para fazer essa disputa política não só por conta da descoberta das reservas, mas por conta do ano pré-eleitoral. O discurso tem sido questionado porque a Petrobrás entrou com um patrocínio de R$ 100 mil para a realização deste Conune. No entanto, Lúcia afirma que a empresa sempre patrocina os congressos e bienais da entidade e que não vê mal em uma empresa estatal patrocinar o movimento estudantil. "Este dinheiro é do povo, também é dos estudantes", defende. E afirma que "não há nenhuma influência política do governo e da empresa no direcionamento das pautas tocadas pela entidade". Racha

O PSOL, que esteve presente com seus coletivos de jovens, saiu assim que os manifestantes chegaram na frente do prédio da Petrobrás. Entre gritos da situação e da oposição da UNE, surgiu um tumulto, que foi rapidamente controlado, mas que, para os militantes do PSOL, foi o suficiente para não continuar participando da manifestação.

Apesar de Lucia ter convidado os militantes do PSOL a subirem no carro para falarem ao microfone, o partido se negou a participar. Segundo Nathalie Drumond, militante do partido, a UNE está fazendo o jogo do governo ao fazer um ato pela Petrobrás, e acusa a entidade de não defender os estudantes contra as iniciativas de precarização do ensino superior no Brasil.

(Foto: Valter Campanato/ABr)

Camila Souza Ramos, de Brasília - 16.07.09 - Revista Forum

Vem ai a CPI dos Pizzaiolos


Por Gilvan Freitas - 15.07.09

Li, agora há pouco, os comentários do senadores pizzaiolos em relação ao pronunciamento do ilibado Lula. Todos ficaram bem nervosinhos, já andam falando até em instalar outra CPI: a CPI dos Pizzaiolos. Valeu, grande Lula! Esses idiotas vagabundos(Jarbas Vasconcelos, Alvaro Botox Dias, Cristovam Buarque, Agripino Mala, DEMóstenes Tores e caterva) têm mais é que sifu.

Lula critica oposição por criação da CPI da Petrobras e diz "todos são bons pizzaiolos"

Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje não estar preocupado com a CPI da Petrobras, instalada ontem. Segundo ele, há outras formas de investigar uma empresa do porte da Petrobras. Lula criticou a oposição pela insistência da criação da CPI.

"A mim não preocupa. O que eu acho é que tem gestos de irresponsabilidade na constituição de uma CPI dessas porque você pode pedir investigações da Receita Federal, da Controladoria Geral da República, do Ministério Público, da CVM", disse ele.

Lula afirmou que a CPI é interessante para quem "quer fazer um Carnaval". "Para quem quer investigar seriamente era preciso ter um outro mecanismo. Acontece que a Petrobras é a maior empresa brasileira, a empresa de maior projeção nacional, tem ações na Bolsa."

O presidente também aproveitou para usar o mesmo argumento dos petistas de que a oposição, quando era governo, queria privatizar a Petrobras. "Por que que a turma que queria privatizá-la ontem está hoje preocupada com a Petrobras? A minha preocupação agora não é com a CPI."

O presidente disse que sua maior preocupação agora é com o novo marco regulatório da exploração do pré-sal. "A minha preocupação é que me entreguem daqui a dez dias o novo marco regulatório da Lei do Petróleo por causa do pré-sal. Que quero anunciar ao Brasil qual será o novo marco regulatório e quero mandar para o Congresso as mudanças na lei que são necessárias. Enquanto a oposição grita, eu trabalho."

Questionado se a mistura de pré-sal com CPI daria em pizza, Lula respondeu: "Depende. Todos eles são bons pizzaiolos".

A verdade dos fatos - Em consideração aos leitores

Do Site da Petrobrás - 16 de julho de 2009

Carta enviada pela Petrobras na quarta-feira (15/7) ao jornal O Globo (leia abaixo: A verdade dos fatos ... ), editada e comentada pelo jornal por meio de Nota da Redação na edição de hoje (16/7), na seção Carta dos Leitores.

sob pressão

A verdade dos fatos: cartas ao Estadão e O Globo

15 de julho de 2009 / 18:54

Estadao_01O Estado de S.Paulo

Em relação à matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo (15/07) com o título “Lula define sucessão no comando da Receita”, a Petrobras esclarece mais uma vez que foi de R$ 1,14 bilhão o valor líquido de IRPJ e CSLL compensado com outros tributos federais e não de R$ 4 bilhões, como informa o jornal. O valor que a empresa compensou, na verdade, já havia sido pago a mais, anteriormente. A Petrobras reitera que paga todos os tributos corretamente.

O_Globo_03O Globo

Em relação à matéria publicada pelo jornal O Globo (15/07) com o título “Fazenda sob pressão”, a Petrobras esclarece, mais uma vez, que em nenhum momento realizou “compensações bilionárias de impostos com base numa manobra tributária”. O valor líquido de IRPJ e CSLL compensado pela Petrobras com outros tributos federais foi de R$ 1,14 bilhão. O valor que a empresa compensou, na verdade, já havia sido pago a mais, anteriormente. A adoção do regime de caixa para apuração de impostos sobre a variação cambial é perfeitamente legal e foi amparada pela Medida Provisória 2.158-35/2001. A Petrobras reitera que paga todos os tributos corretamente.

Preocupado eu?

Presidente Lula e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, participam de almoço após a cerimônia de transmissão de cargo ao novo presidente da Embrapa, Pedro Arraes


Brasília - O Presidente Lula conversa com a ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, na cerimônia de transmissão de cargo ao novo presidente da Embrapa, Pedro Arraes. Ao lado, a primeira-dama Marisa Letícia

O Presidente Lula declarou nesta terça-feira, 15, que não está preocupado com a CPI da Petrobras. "A mim, não me preocupa a CPI. O que acho é que tem gesto de irresponsabilidade na constituição dela porque tem investigação da Receita Federal, da Procuradoria Geral da República, do Ministério Público e da CVM", disse Lula após deixar almoço de transmissão de cargo do novo diretor presidente da Embrapa.

"Na verdade, a CPI pode ser muito interessante para quem quer fazer um carnaval, mas, para quem quer investigar seriamente, precisa ter outros mecanismos", completou o presidente. Questionado sobre os argumentos da oposição de que a CPI poderia acabar em pizza, temperada com o pré-sal, Lula respondeu: "Depende. Todos eles são bons pizzaiolos".

O Presidente lembrou que a Petrobras é a maior empresa brasileira e é a maior de projeção nacional com ações na Bolsa de Valores. "A turma que queria privatizá-la ontem está hoje preocupada com a Petrobras. A minha preocupação agora não é com a CPI. É com a ministra Dilma, ministro Lobão (Edison Lobão, Minas e Energia) e o Guido (Guido Mantega, Fazenda) me entregarem, em 10 dias, o novo marco regulatório da lei do petróleo, por causa do pré-sal. Quero anunciar ao Brasil qual será esse marco e as mudanças na lei que serão necessárias. Enquanto a oposição grita, eu trabalho", disse o Presidente.

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Cristovam utiliza-se da Comissão de Direitos Humanos para contratar assessores

Kátia Abreu omitiu 3000 cabeças de gado na declaração de bens

Por Helena, Zé Augusto e Bira - 15.07.09

15 de jul. de 2009

Processo investiga corrupção do DEM no Senado

A revista IstoÉ desta semana traz matéria revelando que tramita na 12ª Vara Federal de Brasília, em segredo de Justiça, um processo que revela um personagem chave que começa a jogar luz sobre a caixa-preta em que se transformou a primeira-secretaria do Senado, controlada há 12 anos com mão de ferro pelo antigo PFL, hoje DEM. Trata-se de Aloysio de Brito Vieira, conhecido como Matraca, ex-presidente da Comissão de Licitação da Casa, que se tornou o operador de um esquema de desvio de dinheiro público e pagamento de propinas que funciona com a conivência ou participação de alguns senadores do DEM, de acordo com a revista.

Ainda segundo IstoÉ, o 1º secretário Efraim Morais (PB) recebeu R$ 300 mil/mês do esquema. Quem pagava era a empresa Ipanema, que manteve contrato no valor de R$ 30 milhões até março passado, para fornecer mão-de-obra à agência, TV e rádio Senado. Vamos aguardar o fim do processo e ver o destaque que será dado na mídia.

Por Zé Dirceu - 11/07/2009

Leia a matéria na íntegra

11 de jul. de 2009

É a glória: Economist cita Arthur Virgílio Cardoso

Arthur Virgilio ia dar uma surra no Lula e teve 5% dos votos para governador

Arthur Virgílio ia dar uma surra no Lula e teve 5% dos votos para governador

Sugestão do amigo navegante Cardoso Neto:

Saiu no Economist:

Lots of senators, more or less across the political spectrum, are at fault. When the leader of the opposition Party of Brazilian Social Democracy went on a jaunt to Paris, for example, the Senate paid his hotel bill. (He says this was a “loan”.) It therefore might seem unfair that Mr Sarney is under pressure to resign.

(Muitos senadores, de todo o espectro político, cometeram erros. Quando o líder do partido de oposição, o PSDB (quem é ? Ele, Arthur Virgilio Cardoso – PHA), foi dar uma voltinha em Paris, por exemplo, o Senado pagou a conta do hotel. (Ele diz que foi um ‘empréstimo’) Portanto, seria injusto só Sarney ser pressionado a renunciar.)

Quem será o carrasco da CPI da Petrobrás ?

Arthur Virgílio Cardoso, esse da voltinha em Paris?

Ou o Tasso Jereissati , que andava de jatinho e pendurava a conta no Senado ?

Ou o Álvaro Dias, que confessou que vazou o banco de dados com as despesas da D. Ruth na Europa, só para embaraçar a Dilma ?

Ou o Marconi Perillo, o varão que Plutarco achou em Goiás ?

Por Paulo Henrique Amorin - 10.07.09

Leia os comentários

10 de jul. de 2009

O DESESPERO DE TASSO JEREISSATI (PSDB/CE)

Valentia logo contra quem...!

O desespero de Tasso Jereissat é tão grande que ele não estava nem vendo para quem apontava o dedo indicador. Senador Tasso, logo para o mais calmo e moderado Eduardo Suplicy?
Nessa valentia toda não tem nem graça, pois Suplicy as vezes de tão moderado que as vezes fica até chato ao fazer seus discursos, onde a "agressividade fantasiósa" tipo Arthur Virgilio é a que mais se vê por lá.
Qual o desespero de Tasso? Sim, há razões para isso. Na verdade as pequisas lá pelo Ceará não estão lhe sendo muito favoráveis, nem para o governo do estado e muito menos para uma reeleição para o Senado. Se Tasso não ganhar nada em 2010, seu final de vida politica estará se encerrando.
Será que com essa foto ele vai enganar os cearenses?
O que penso. Apenas eu penso!

Por Bueno - 09.07.09

4 de jul. de 2009

Sonia Montenegro: 'cuidado, apoiar o governo Lula é muito perigoso!!!'

Por Azenha - Do vi o Mundo - 04.07.09

Os políticos e a imprensa

Texto de Sonia Montenegro, em 3/7/2009

Em 25 de abril de 1984, a emenda que viabilizaria a eleição direta foi derrubada, apesar do grande movimento popular que clamava a volta da democracia e o direito ao voto.

Neste tempo, o político mineiro Tancredo Neves, apesar de comparecer aos comícios das Diretas Já, torcia para que a emenda não fosse aprovada, para que ele pudesse se candidatar pelo PMDB, e ser eventualmente eleito presidente pelo Colégio Eleitoral. Tancredo sabia que sua única chance seria a eleição indireta.

Em 23 de julho, PMDB e PFL assinam aliança Tancredo-Sarney, como candidatos do Colégio Eleitoral para a escolha do novo Presidente e vice da chamada “nova” República.

Tancredo conseguiu a aprovação da imprensa, já havia se entendido com o Roberto Marinho das Organizações Globo, e construiu uma grande aliança que garantiu sua vitória no Colégio Eleitoral, porém, na véspera de sua posse, foi internado, sofreu 7 cirurgias, vindo a falecer

Sua morte só foi anunciada à nação no dia 21 de abril, para coincidir com a morte de Tiradentes, seu conterrâneo e mártir da independência. Tancredo era então o mártir da República. Enquanto ele agonizava, a imprensa o beatificava, com matérias e reportagens que geraram uma comoção popular, como de costume, aliás.

Em 15 de março de 1985 Sarney assume provisoriamente a presidência, e em 22 de abril, definitivamente. Nesta altura, já tinha tido vários mandatos como deputado, governador biônico (eleito indiretamente) do Maranhão, senador e presidente do PDS. Sua vida pública já era conhecida de todos, mas teve apoio no Congresso e conseguiu inclusive aumentar em mais 1 ano o seu mandato. Depois de deixar a presidência, elegeu-se senador pelo Amapá e compunha a base de apoio do governo de FHC.

Em 2002, sua filha, Roseana Sarney se candidata à presidência pelo PFL e começa a ameaçar a ida do tucano José Serra para disputar o 2º turno da eleição com Lula. Isso deixou os tucanos de orelha em pé, com a certeza de que alguma coisa teria que ser feita para impedir a vergonha do candidato de FHC não chegar nem ao 2º turno.

No dia 1º de março de 2002, a PF invade o escritório da Lunus (MA), empresa do marido da então candidata à presidência Roseana Sarney, e encontra R$ 1,3 milhão no cofre. A imprensa divulga imediatamente a pilha de dinheiro e derruba a candidatura da Roseana.

Em 20 de março, o senador José Sarney, pai de Roseana, faz discurso no plenário e acusa textualmente o candidato José Serra como o responsável pela ação da PF. Todos os envolvidos nela eram “gente do Serra”. Não se tem notícia de que tenha sido processado por seu discurso, nem que tenha sido ameaçado por “quebra de decoro”, pelas graves acusações que fez.

“Acusam a governadora pela aprovação da Usimar e esquecem o ex-ministro José Serra, que responde ao processo 96.00.01079-0 por ‘improbidade administrativa - ressarcimento ao erário’, a outra ação, 2000.34.00.033429-7, com a finalidade de ‘reparação de danos ao erário’, e ainda a várias outras ações ordinárias, cautelares, civis públicas, populares”.

O texto acima serve apenas para mostrar a hipocrisia dos políticos e da imprensa:

1- Tancredo fingia que apoiava o movimento pelas Diretas, mas torcia para que não fosse aprovada. Obviamente, a imprensa tinha conhecimento de tudo, mas como não interessava, não divulgava. (Há pouco tempo o jornalista Maurício Dias escreveu a esse respeito em Carta Capital)

2- Sarney, quando era da base de apoio do governo FHC era um político ilustre. Foi presidente do Senado no 1º ano do mandato de FHC (entre 1995 e 1997), seguido de ACM, Jader Barbalho...

3- As abundantes irregularidades do Senado agora denunciadas, já acontecem há pelo menos 15 anos, segundo se diz, mas só agora existe um real interesse em denunciá-las. Aliás, mais uma vantagem de ter Lula no poder: pela 1ª vez, os políticos que mandaram e desmandaram por todo tempo neste país querem apurar as irregularidades, embora retrocedam quando estas retroagem a 2002. FHC espertamente disse que o que aconteceu no seu governo já faz parte da história.

4- Renan Calheiros renunciou à presidência do Senado porque tem uma filha fora do casamento (reconhecida por ele) que foi sustentada por um empresário, mas FHC tem um filho também fora do casamento (não reconhecido por ele), que é sustentado pela Rede Globo (sua mãe é jornalista global, e foi transferida para a Espanha, para não causar transtornos ao pai), mas disso a imprensa não fala, exceto a revista Caros Amigos, que divulgou o fato, e não foi acionada nem contestada. Agora Renan é corrupto, mas ele foi Ministro da Justiça de FHC.

5- Sempre que são feitas denúncias de corrupção, a imprensa elege os “arautos da moralidade” para fazer seus comentários indignados. Os cidadãos desavisados tendem a acreditar que essas figuras são corretas, o que não corresponde à realidade. É pura hipocrisia!

6- Se a imprensa tivesse compromisso com a verdade, escolheria aqueles com ficha limpa, tendo portanto uma enorme responsabilidade pela péssima qualidade do nosso legislativo.

7- A imprensa apoiou o golpe de 64, a ditadura, o Collor, o FHC, e continuará apoiando o que de pior existe na política brasileira, para preservar seus interesses e de seus anunciantes. Essa é a sua lei maior!!!

8- José Agripino Maia é primo de Agaciel Maia, que em 19 de junho último casou sua filha, e contou com a família de Agripino pra prestigiar a festa! Fez-se na política nos tempos da ditadura, quando a corrupção não era noticiada pela imprensa, mas ainda assim, basta procurar para encontrar uma série de denúncias e irregularidades em sua vida pública, como dinheiro “por fora” para campanhas eleitorais. É dono também de alguns veículos de comunicação.

9- Heráclito Fortes também é político dos tempos da ditadura, e faz parte da “tropa-de-choque” do banqueiro condenado Daniel Dantas. Tinha em seu gabinete, desde 2003, como funcionária fantasma morando em São Paulo, Luciana Cardoso, filha de FHC. Recentemente defendeu o pagamento de R$ 6,2 milhões em horas extras para 3.883 funcionários durante o mês de janeiro, em pleno recesso, quando não houve trabalho parlamentar no Congresso.

10- Arthur Virgílio é o rei da cara-de-pau. Bradava contra o caixa 2 do PT, que chamam de “mensalão” apenas para dar uma impressão de maior gravidade, mas em entrevista ao Jornal do Brasil em 19/11/2000, reconhece que “foi obrigado” a fazer caixa 2 na campanha para o governo do Amazonas, e que podia reconhecer o fato publicamente porque o crime já prescrevera. Quando foi prefeito de Manaus, teve nada menos que 46 operações e obras classificadas de irregulares, por uma auditoria no Tribunal de Contas do Município (TCM) JB 18/3/92. Recentemente, divulgou-se que seu assessor pediu a Agaciel US$10 mil, garantindo que um rateio entre “amigos” quitou o empréstimo. Agaciel nega ter recebido. Por atos secretos do Senado, contratou seu professor de jiu-jitsu, 3 filhos de seu subchefe de gabinete Carlos Homero Nina Vieira, um deles morando na Espanha, e ainda a mulher e a irmã de Nina Vieira, sem contar os gastos R$ 723 mil com despesas médicas de sua falecida mãe, em 2006.

Esses são os políticos que a imprensa escolhe para dar depoimentos condenando a corrupção. Seria cômico se não fosse trágico!

Claro está que a intenção da imprensa e da oposição não é absolutamente a de moralizar o Senado, mas toda essa repentina perseguição ao Sarney tem alguns objetivos importantes para a oposição: paralisa o Senado, em tempos de crise mundial, prejudicando o governo e principalmente o país, e intimida os parlamentares da base de apoio deste governo. É como se estivessem dizendo a todos os parlamentares: cuidado, apoiar o governo Lula é muito perigoso!!!

3 de jul. de 2009

Santayana: oposição não tem autoridade para criticar Sarney

A tragédia e a farsa

Por Azenha - Do Vi o Mundo - 03.07

Texto de Mauro Santayana, no JB Online - 03.07.09

Elegante e moderado, enquanto viveu, o excelente médico e homem público José Aristodemo Pinotti contribuiu, com sua morte, para que arrefecessem os ânimos no Senado, na tarde de ontem. Presidindo a sessão de homenagem ao morto, o senador José Sarney pediu que os discursos se limitassem à sua memória, mas não teve êxito. O senador Arthur Virgílio quebrou o rito, ao anunciar que venderá propriedades da família, a fim de ressarcir o Tesouro do dinheiro que foi pago a um funcionário que, lotado em seu gabinete, viveu em Paris, durante mais de um ano.

Essa crise no Senado está muito distante da versão shakespeareana do complô contra César: não conseguimos ver, sob a manga da túnica de Arthur Virgílio, nem sob as dos outros que a ele se unem, o punhal de Brutus e de seus companheiros de conjura. Os punhais de hoje são metafóricos, e o senador pelo Amazonas não tem as dimensões trágicas de Marcus Brutus. O que se passa no Senado está mais para uma pantomima da commedia dell'arte do Renascimento Italiano.

Quaisquer que tenham sido os erros do senador Sarney na presidência do Senado, eles não são exclusivos do político do Maranhão. A cultura da tolerância permitiu que a representação parlamentar se degradasse a esse ponto. A longa experiência política do ex-presidente da República o devia advertir que, com os inimigos e adversários que reuniu durante décadas, devia precaver-se. Mas, pelo que vemos, quaisquer tenham sido os seus erros, ele se encontra em condições de devolver, aos honourable and wise men, todas as pedras que lhe são atiradas. Falta autoridade a Arthur Virgílio para pedir o afastamento do presidente do Senado, depois de ter confessado alguns de seus próprios pecados. Ele parece ter sido aconselhado pela astúcia jesuítica da restrição mental, quando se esqueceu, no auge de sua investida, que se valera de Agaciel Maia, a fim de socorrê-lo em Paris. Fora o senador imprevidente, ao viajar para a França sem os recursos necessários, ou perdera o controle dos gastos, o que dá no mesmo. E se esqueceu de que, na mesma Paris, estava a prova de outro descuido: o de ter, ali, recebendo vencimentos no Senado, um servidor público lotado no seu gabinete em Brasília.

Entre as muitas lições do episódio, duas se destacam. Ambas são importantes para a correção ética da vida política nacional. A primeira é que, em consequência de uma disputa menor, desencadeou-se o processo que levou à ruptura da omertà corporativa. Os debates podiam ser acesos, e eram, mas não se tocava nas coisas domésticas. Afinal, de minimis non curat praetor: dos atos secretos e dos acertos financeiros, coisa menor, cuidava o diretor-geral e seus auxiliares. Agora a cidadania sabe que uma coisa eram os discursos inflamados no plenário, outra os entendimentos fora dos holofotes e dos olhos dos repórteres.

Outra grande lição é que não pode haver República democrática sem oposição. Não temos oposição. Primeiro porque não há partidos políticos, mas, sim, grupos de interesses, que se articulam entre si, como se articulam com os “poderes de fato” exercidos pelos homens de negócios, na defesa da “estabilidade”, ou seja, da permanência da injustiça. Não há partidos políticos, salvo os pequenos, que dão testemunho ideológico no Congresso, porque não há ideias em que os grandes se sustentem. Identificam-se, vagamente, como conservadores e liberais, e dizem oscilar em torno do centro. A oposição é de faz de conta. Faltam ao Parlamento de hoje homens de ideias e de ação, como foram, em seu tempo, os oposicionistas Prado Kelly e Affonso Arinos, e os defensores do governo de Vargas, Juscelino e Jango – como Vieira de Mello, Tancredo Neves, Gustavo Capanema, Paulo Pinheiro Chagas, Almino Afonso, entre outros.

Ao presidir, com habilidade, a transição para o estado de direito, que caberia a Tancredo, o senador José Sarney prestou serviços valiosos ao povo brasileiro. Não foram fáceis aqueles anos, de 1985 a 1990, com o acúmulo de problemas, como o da inflação e o do desmonte do entulho autoritário. Embora o passado não absolva o presente, muitos dos que o acusam hoje, e são beneficiários dos desvios administrativos, nada ofereceram ao país, senão sua ambição.

Os cidadãos esperam que todos os fatos se esclareçam, e que os responsáveis pelos desmandos, ativos e passivos, paguem pelos seus erros.

2 de jul. de 2009

Objetivo do PSDB é dar golpe e desestabilizar o governo Lula. De O Globo "... PSDB não quer a cadeira de Sarney, mas sim a de Lula"

Por Daniel Pearl - 02.07

O que estamos assistindo no Senado, é uma encenação dos tucanos na sua tentativa de dar um golpe e tomar o controle da Casa. Não querem investigar nada, coisa nenhuma, apenas atingir seu presidente, senador José Sarney (PMDB-AP) pelo apoio que este tem dado ao presidente Lula, a seu governo e a pré-candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil. Reformar o Senado, apurar as responsabilidades, mudar os procedimentos de licitações e nomeações, enxugar a máquina administrativa, por fim aos privilégios acumulados em décadas e a falta de publicidade aos atos do Senado... Nada! Ao contrário, o tempo passa e as denúncias que vem a público, como as feitas contra os senadores Artur Virgílio (PSDB-AM) e Efraim Morais (DEM-PB) já caíram no esquecimento - particularmente da mídia - mas, Sarney continua nas manchetes. Ao mesmo tempo o PSDB prossegue o seu jogo com o único objetivo, podem ter certeza, de controlar o Senado para, com CPIs - começando pela da Petrobras - procurar, com amplo apoio na mídia e de novo no tapetão, paralisar e desestabilizar o governo, para assim tentar ganhar as eleições de 2010.

Pressão por deposição de Sarney continua

A ela se uniram, agora, o PDT, e dando continuidade a seu papel de linha auxiliar da direita no país, o PSOL representou contra os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL). Lamentavelmente não o fizeram, não entraram com nenhuma representação contra os senadores Efraim Morais (DEM-PB) e Artur Virgilio (PSDB-AM). A proposta apresentada pelo presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE) de, no caso da renúncia ou pedido de licença do presidente atual do Senado, José Sarney, nomear uma comissão para, na prática, dirigir a Casa, foi repudiada pelo seu próprio partido, pelo 1º vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (GO). Está aí a mais consistente prova do caráter oportunista e de oposição desse pedido de afastamento feito pelo PSDB. Sem falar no cinismo do DEM, cujo 1º secretário do Senado na Mesa anterior à atual, Efraim Moraes, está afundado em denúncias e tem responsabilidade em tudo o que aconteceu na Casa na gestão do diretor-geral Agaciel Maia. Sem esquecer que o DEM, de Efraim Morais, vem controlando esse cargo há anos.

Sérgio Guerra tem razão: punição para todos A rigor o presidente nacional tucano, senador Sérgio Guerra (PE) tem razão: não tem sentido o senador José Sarney se licenciar, e a atual Mesa continuar, ou a anterior não responder, também, pelos desmandos e ilegalidades. Muito menos tem sentido os 37 senadores beneficiados por atos secretos, e mais Efraim Morais e Artur Virgílio, ficarem impunes, sem sequer responder a uma representação ou processo na Comissão de Ética do Senado, ou mesmo a uma investigação pelo Ministério Público Federal no Supremo Tribunal Federal (STF). Daí a reação do 1º secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), repudiando a proposta do PSDB e propondo a renúncia coletiva de todos os atuais dirigentes do Senado.

Origem do Blog Zé Dirceu - 01.07.09

Vejam no site do Nassif - de O Globo "

Virgílio diz que PSDB não quer a cadeira de Sarney, mas sim a de Lula

O corrupto Marconi Perillo (PSDB) está querendo a cadeira de Sarney

Um informante do nosso blog, (não perguntem quem é, porque eu não conto nem sob tortura), me contou a seguinte conversa ocorrida ontem no senado; Primeiro na linha sucessória no Senado, caso o presidente José Sarney (PMDB-AP) se afaste do cargo, o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) pediu à bancada tucana que abaixasse o tom contra o cacique maranhense. Perillo cumpre o roteiro de não deixar transparecer qualquer vontade de assumir o comando do Congresso, instalar a CPI do PSDB e ainda de quebra aporrinhar o governo Lula. Quem pendurou o guizo no pescoço de Sarney foi o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Foi também Sérgio Guerra que convenceu o DEM a retirar o apoio a Sarney. Também foi idéia do senador Sérgio Guerra (PE), a criação de uma comissão formada por cinco senadores, que faria as vezes da Mesa Diretora do Senado.

Aprovada pela bancada do PSDB no Senado, a criação da comissão integrada por cinco senadores seria um caminho para estancar a crise. O senador Tasso Jereissati (CE) seria o integrante do PSDB indicado para a comissão

Imagine você querido leitor, até Heráclito Fortes (DEM-PI), acusou o PSDB de promover um "golpe" ao propor a criação da tal comissão. "Jamais aceitaria aplicar um golpe na atual Mesa", disse Fortes. "Intervenção, não! Grupo para controlar a Mesa, não! Bedel de secretário, não!", vociferou o primeiro-secretário.

Ele disse ainda que uma das soluções para pôr fim à crise no Senado seria a renúncia coletiva de toda a Mesa Diretora, integrada por 11 senadores - sete titulares e quatro suplentes.

Governador de Goiás entre 1998 e 2006, Perillo é alvo de vários processos, que poderão ser "desencavados" caso ele venha a assumir interinamente a presidência do Senado. Veja aqui, mais aqui Tem mais aqui neste link (mais você encontra no arquivo do blog, na busca)

O ex-presidente da República que tanto serviu ao ex-PFL, foi abandonado pelo DEM.O DEM está muito bem sentado na Primeira-Secretaria do Senado, com o senador Heráclito Fortes, do Piauí. E nesse campo, algumas dúvidas assaltam hoje os democratas: e se toda a base do governo resolve se juntar e eleger um nome novo para comandar a Casa? O que fariam os DEM e tucanos nesse barco?

Eles pensam que nos enganam

Subestimar a inteligência do eleitor tem sido a postura do PSDB e DEM desastrosamente diante do eleitorado, por exemplo: como oposição ao governo Lula, 365 dias do ano portam-se como os paladinos defensores de CPIs. Porém nas suas próprias administrações, notoriamente sabido pelo povo, mais de meia centena de CPIs foram engavetadas e abortadas pelo PSDB ante os desmandos e corrupção nos governos tucanos a exemplo de São Paulo e outras federações, como no caso do Rio Grando de Sul.

Eles pensam que são inteligentes, contudo, o povo que os julgam, tem encontrado neles a falta de inteligência, e, em cada eleição vem desmascarado o PSDB que, em arrogância, exibem-se com seus titulos e diplomas. Esses tais não enganam mais ninguém. Eles mesmos se auto-desmascaram...

Por Helena - 01.07.09

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