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1 de set. de 2009

Pré-sal: Lula cola na testa dos tucanos o rótulo de ´entreguistas´, e lembra os tempos da Petrobrax

Por Rodrigo Viana - 01.09.09

Lula mostrou estatura de estadista no discurso dessa segunda-feira, no lançamento do pré-sal. Mostrou à nação o que está em jogo hoje no Brasil.

Lula colou na testa dos tucanos o rótulo de "adoradores do mercado". Lembrou que eles queriam "desmontar a Petrobrás".

Lula mostrou que não é preciso chamar a neo-UDN de "entreguista", como se dizia nos anos 50/60.

Basta lembrar que a neo-UDN tucana chamava a Petrobrás de "dinossauro, que precisava ser desmantelado".

Foi o que Lula fez em seu discurso histórico. Um discurso que não foi de improviso, mas cuidadosamente escrito para se tranfsormar em um documento histórico.

E ainda há quem defenda a tese esdrúxula de que "não há diferença entre Lula e FHC". Se os tucanos tivessem ganho em 2002, hoje provavelmente a festa do pré-sal seria no Texas, ou em Cingapura - na sede da empresa que teria assumido o controle da Petrobrax.

Os tempos do "pensamento subalterno", os tempos de tirar os sapatos para os Estados Unidos, esses ficaram pra trás.

Vejam como Lula - no discurso histórico - se refere àqueles tempos que não voltam mais:

"Estamos vivendo hoje um cenário totalmente diferente daquele que existia em 1997, quando foi aprovada a Lei 9.478, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e instituiu o modelo de concessão.

Naquela época, o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa. Vocês devem se lembrar como esse estado de espírito afetou o setor do petróleo no Brasil. Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro.

Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições.

Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil."

27 de ago. de 2009

Governo de São Paulo, Serra (habitação, dignidade etc ) despeja e oferece vagas em albergues para despejados

Sensibilidade social: para governo Serra, albergue é solução de política habitacional.

Por Aline Scarso - 27.08.09 - Revista Fórum

Cerca de 570 famílias despejadas continuam acampadas em frente ao terreno onde era organizado o acampamento Olga Benário, destruído pela Polícia Militar (PM) nesta segunda-feira (24), no Parque do Engenho, zona sul da cidade de São Paulo.

A alternativa habitacional foi anunciada pelo assessor da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), Antonio Lajarin. O representante do governo também ofereceu cestas básicas e colchonetes - doados pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. O coordenador da Frente de Luta por Moradia, Osmar Borges, criticou a ação.

“Não dá para o Estado tratar essa situação como se fosse população em situação de rua. Albergue não dá para ser tratado como política habitacional. Nós não aceitamos porque já havia, inclusive, um acordo com a CDHU e a prefeitura de tentar uma verba de emergência para atender as famílias até que tivesse uma saída.”

Em solidariedade, a Organização Não-Governamental, Anistia Internacional, pediu em comunicado, nesta quinta-feira (27), para que a população proteste em favor das famílias. A ONG chamou atenção para a violência utilizada pela PM no despejo. Durante a reintegração, todas as casas e barracos foram destruídos e a maioria dos pertences das famílias foram perdidos.

Publicado originalmente na Radioagência Notícias do Planalto.

Injustiça contra o ser humano na cidade de São Paulo. Vamos lembrar disso na eleição (2010) senhores Democratas e PSDB

Morador vê sua casa ser derrubada pela televisão

Léo Arcoverde - Agora - 25/08/2009

O auxiliar de cozinha Manoel Canuto, 35 anos, estava no Itaim Bibi (zona oeste de SP), onde trabalha, quando soube, por volta das 8h30, da reintegração de posse, com incêndio, confronto e casas derrubadas, pela televisão. "Saí às 5h de casa. Tinha ouvido falar do despejo, mas não sabia que os policiais viriam hoje. E como minha mulher também estava no trabalho, ninguém me avisou nada. Agora, eles poderiam ter esperado eu tirar minhas coisinhas do barraco. Perdi geladeira, fogão, televisão, sapato... Fiquei só com a roupa do corpo", reclama.

Potiguar e pai de dois filhos --um de 10 anos e outro de 9--, Canuto conta que vai para a casa de um irmã, que mora no Parque do Engenho, bem próximo à favela Olga Benário. "Não gosto de ficar incomodando na casa alheia, mas não tenho o que fazer. Cheguei aqui faz dois anos, porque não tinha como pagar o aluguel de uma casa lá em Taboão da Serra [Grande SP]."

Baiano de Vitória da Conquista, o sorveteiro Jailson Martins Macedo, 32 anos, que morava sozinho na favela Olga Benário, diz que, apesar de contar com a opção de voltar para a casa dos pais, no Morro do Piolho, também no Capão Redondo, não sabe o que vai fazer. "Quem sabe, vou dormir na casa de um amigo. Para a casa dos 'velhos' é que não dá. Sou independente, não quero ninguém pegando no meu pé."

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Moradores dormem na rua em área desocupada

Flávia Martins y Miguel - Agora 26.08.09

Um dia após a desocupação feita pela PM na favela Olga Benário, no Capão Redondo (zona sul de SP), dezenas de pessoas permaneciam acampadas na área da viação Campo Limpo, dormindo com colchões no chão e dividindo cerca de 15 barracos improvisados de papelão. Segundo a prefeitura, 80 pessoas continuavam acampadas no local. Os moradores falavam em centenas. Na ação de reintegração de posse, foram derrubados 800 barracos. As pessoas que ficaram no local recusaram vagas nos Centros de Acolhida da prefeitura.

Segundo a Secretaria Municipal da Habitação, foram oferecidas passagens à cidade de origem e 800 cestas básicas e os acampados só aceitaram os mantimentos. Em uma reunião com a presença do assessor da CDHU, Antônio Lajadin, e lideranças da comunidade, a proposta foi refeita e recusada. Dormindo debaixo de papelão, a doméstica Rosineide Bispo, 28, grávida de sete meses, perdeu a maioria dos móveis. "O que eu quero é saber para onde eu vou", afirmou.

Vejam as fotos do povo que perdeu suas casas no Capão Redondo

Por Ferrez - Capão Redondo - 24 e 25 de agosto de 2009

Hoje o helicóptero voltou de madrugada, dezenas de famílias ficaram com suas coisas durante a noite, beirando o córrego amontoram as coisas e ficaram no sereno, uma mulher me perguntou se depois a mídia ou os polícia ia levar eles pra algum lugar, eu engoli seco e não consegui responder, ela entendeu, pois o silêncio também é uma resposta.
Não tiveram pra onde ir, ninguém veio buscar. entre uma conversa e outra, um vacilão falando que tinha muito oportinista na favela, muito cara que pegou casa sem precisar, pois já tinha seu barraco, logo foi calado pela multidão que beirava o córrego, com gritos um tiozinho chegou e falou que ninguém tava brincando de ter lucro ali não, que ninguém tava fingindo que precisava morar, que ele havia perdido tudo pro trator.
Num era difícil constatar isso, quem mora em torno da desapropriação tá ligado, centenas de pessoas procurando casa pra alugar, gente com imensas trouxas nas ruas, fogões, geladeiras, restos de móveis.
Eu num guentei mais, num vou mentir, fiquei malzão e sai pra pensar em outra coisa, não queria ver mais tanta lágrima.
um amigo viu minha revolta, disse que as outras pessoas em volta não se preocupam, pois não é a favela delas, eu fico pensando, será que só a nossa dor tem valor? será que a dor dos outros não conta?
uma rua abaixo e parece que não aconteceu nada, tudo suave, como se fosse com outro povo aquela treta toda. vou deixar essa foto ai no ar, as pessoas com suas coisas, tentando ir pra algum lugar.
talvez a ilha que o Sarney tem seria um bom lugar para se morar, ao contrário de tantas favelas, lá tem até energia elétrica com direito a gerador, ar condicionado e muito mais.
viva o Brasil. viva o governo do povo.

No dia 25 foi assim, ainda tinha gente pensando pra onde iria...

dia 24 - isso aqui é uma guerra








































Não foi fácil olhar aqueles rostos, lágrimas tentavam cobrir o vermelho que a fumaça trouxe.

perder tudo é falar bobagem, perderam o pouco que tinham.

800 famílias.

um terreno partícular.

a justiça em ação, nesses casos ela funciona, o terreno vai voltar para o proprietário, que por tanto tempo nunca foi lá usar.

tinha mais de 500 policiais.

Vai um grande salve pros bombeiros, que mesmo sem a água chegar, fizeram o possível para os moradores não perderem mais, muitos sairam passando mal intoxicados, também tinha uma equipe fiminina da PM que veio trazer água pra gente e leite, lição de humildade em meio ao caos.









Comunida Aldeinha


políticos O

pastores O

padres O

criminosos O

partidários O

Governador O

Senador O

Prefeito O

vereador O

deputado estadual O

Ong O

Familias 800

26 de ago. de 2009

Trinta anos de história do PT contra cinco minutos na TV

Quem vai ficar com o apoio do PMDB, quer dizer, seus cinco minutos na televisão e seus palanques na campanha de 2010? A resposta a esta questão está na raiz de toda a crise política que se arrasta desde o início do ano e culminou na semana passada com a salvação de José Sarney pelo PT. Vai valer a pena?

No mesmo dia, dois senadores, Marina Silva e Flávio Arns _ por razões bem diferentes, diga-se _ anunciaram que deixariam o partido. No dia seguinte, Aloizio Mercadante foi convencido por Lula a revogar sua renúncia irrevogável à liderança no Senado para não aumentar ainda mais a crise nas relações entre o partido e o governo.

Diante de mais uma guerra interna desencadeada a partir deste episódio, os analistas de sempre repetiram a previsão feita outras vezes ao longo das últimas três décadas: é o fim do PT. Tantas vezes anunciada nestas últimas três décadas, a morte do PT é desmentida eleição após eleição e nas pesquisas, inclusive as mais recentes, que colocam o partido em primeiro lugar na preferência dos eleitores brasileiros.

É como diz o leitor Simei de Almeida, em comentário enviado na tarde de segunda-feira: “Antes não prestava pelo que era, agora não presta pelo que não é mais”.

Às vésperas de comemorar 30 anos, no começo do ano eleitoral de 2010, parlamentares, dirigentes e militantes petistas vivem o eterno dilema de ser ou não ser governo quando chegam ao poder, do pequeno munícipio à Presidência da República. Tem sido assim desde que o primeiro petista foi eleito. Muitos foram ficando pelo caminho, abrindo dissidências e até novos partidos, que nunca emplacaram.

No centro das discussões, desde o primeiro Encontro Nacional do PT, está sempre a política de alianças, depois que o partido descobriu que ninguém consegue se eleger nem governar sozinho.

Qual o preço e os limites destas alianças? Foi mais uma vez em torno desta questão que a jornalista Marilda Varejão, minha velha amiga e petista histórica, desencadeou um grande debate entre militantes, a partir do momento em que comunicou a mais de cem pessoas das suas relações que estava deixando o partido.

“Com imensa dor, mas com igual convicção, anexo a carta que estou levando hoje ao PT local. Sem mais, abraços, Marilda Varejão”, escreveu ela, e anexou a carta que reproduzo abaixo.

“Petrópolis, 23 de setembro de 2009

Ao Partido dos Trabalhadores

Há muito – mais precisamente desde quando, no “mensalão”, vi rolarem por terra ídolos como José Dirceu e Genoíno – venho pensando em fazer o que agora faço. Entretanto, movida pelo desejo de separar o joio do trigo e, de alguma forma, ajudar a reconstruir o PT local, mantive-me fiel ao partido, tendo exultado quando a cidade elegeu Paulo Mustrangi como prefeito.

Entretanto, apesar de Lula declarar que petista é como flamenguista, que permanece fiel ao time independentemente das derrotas, creio que para tudo nesse mundo há um limite. E não suporto mais ver esse homem – que acompanhei com ardor e paixão desde a greve dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, SP, em maio de 1978 –, em nome da “governabilidade”, jogar por terra a própria biografia e os ideais de tantos quantos depositaram nele a responsabilidade de construir um Brasil mais justo e mais digno.

O mais lamentável em tudo isso é que, apesar da decepção, não nego sua capacidade e louvo seus feitos: é mérito seu mais de 35 milhões de brasileiros terem saído da linha de pobreza e nosso país hoje ser conhecido e respeitado em todo o mundo. Mas nem por isso Lula pode ser maior que o próprio PT nem fazer com que petistas históricos, como o senador Aloizio Mercadante se tornem alvo do achincalhe nacional.

Por tudo isso, em caráter irrevogável (irrevogável mesmo!), venho solicitar minha desfiliação partidária. Solitária em minha dor, saberei sempre a hora de estar ao lado das pessoas de bem que insistem na luta, como por exemplo o ministro Patrus Ananias. Mas me resguardo e estou a salvo dessa indigesta pizza que tentam jogar goela abaixo dos menos incautos.

Atenciosamente,

Marilda Varejão (título de eleitor 228802690159, zona 0085 seção 0018 cadastro 2407706)

Os amigos da Marilda se dividiram ao meio, apoiando ou discordando da sua decisão, e o debate continua nesta terça-feira pela internet.

Zélio Alves Pinto, o grande cartunista e artista plástico, escreveu: “Tá certo, Marilinha: concordo, mas discordo, porque contra fogo só fogaréo, senão acabam queimando a gente e, cansado de ser gato escaldado, eu fico. Não tenho carteirinha, apenas fé. E é nessa que eu vou. Apoio Marilda, você, e digo-lhe mais, até a Marina, mas não dá pra votar nela (vão fazer picadinho da santa), mas fico. Me desculpa, viu? Todo carinho, Zélio”.

No final da noite de ontem, ao ler a mensagem de Zélio, resolvi participar também do debate em que escrevi para os amigos o que penso a respeito deste assunto:

“Pessoal,

Não queria entrar nesta conversa, mas faço minhas as palavras do mestre Zélio, sem tirar nem por. É por isso que gosto sempre de ouvir os mais velhos…

Estou que nem ele: nunca entrei em partido nenhum, mas não perco a fé. Se não entrei, não tenho nem como sair… Como dizia outro velho amigo, o Carlito Maia: não sou do PT, mas o PT é meu partido. É e será. O resto é muito pior.

Qual PV vocês preferem: o PV do DEM e do Sirkys, no Rio, ou o PV do PSDB e do Penna em São Paulo? Coitada da minha amiga Marina…

Entre o Gabeira e o Roberto Freire, linhas auxiliares dos demo-tucanos, gente sem projeto e sem compromisso com o país, fico com o Lula, o melhor presidente (para a maioria da população) que este país já teve, desde Getúlio Vargas.

Daqui a 100 anos, quando falarem do Brasil, só vão lembrar destes dois.

Abração a todos,

Ricardo Kotscho”.

17 de ago. de 2009

A mídia golpista "brasileira" tem apenas um único objetivo: desestabilizar o Governo Lula

Movimento "Deixemo de sê bêsta!" (IV)

Por Professor DiAfonso - Terra Brasilis - 17.08.09

MÍDIA CORPORATIVA
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Na edição 2014 de 11/06/2008 (página eletrônica), a ISTOÉ veiculou uma matéria intitulada "Problemas no Horizonte":

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Nova denúncia acusa a ministra Dilma Rousseff de interferir com mão pesada em negócios privados, atropelando as agências reguladoras e até a legislação

Por HUGO MARQUES, OCTÁVIO COSTA E RUDOLFO LAGO

Escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como favorita à sua sucessão em 2010, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, está no centro de um novo escândalo, desta vez ainda mais grave do que permitir que dados sigilosos em poder da Casa Civil fossem utilizados para a elaboração de um dossiê com os gastos do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. As novas denúncias contra Dilma extrapolam as disputas político-partidárias e apontam elementos concretos de que a ministra usa o poder político para interferir e facilitar, com mão pesada, bilionários negócios privados, que dependem da aprovação de agências reguladoras.

Na semana passada, em entrevista publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, a exdiretora
[Sic] da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu revelou que foi fortemente pressionada por Dilma e por sua secretáriaexecutiva, [Sic] Erenice Guerra, para que favorecesse o consórcio formado pelo fundo americano Matlin Patterson e por sócios brasileiros liderados pelo empresário Marco Antônio Audi na compra da Varig e da VarigLog, um negócio de R$ 240 milhões.

“Se não houvesse a pressão da Casa Civil, o negócio não teria sido concretizado”, afirma Denise. Mais do que detalhar os bastidores da intromissão indevida da ministra na venda da Varig, a denúncia de Denise joga luz para um estilo muito peculiar de Dilma operar. Onde houve grandes negócios, da petroquímica à telefonia, passando pelo bilionário setor elétrico, Dilma esteve presente. E sempre como um trator. (ISTOÉ)
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Agora, vejamos uma publicação mais recente:

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Na semana passada, em entrevista publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, a exsecretária [Sic] da Receita Federal Lina Maria Vieira revelou que foi fortemente pressionada por Dilma e por sua secretáriaexecutiva, [Sic] Erenice Guerra, para que "agilizasse" as investigações da Receita na empresa de um filho do Senador José Sarney.
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Como bem diz o Oni Presente, "O QUE MUDOU FOI SÓ O NOME!". De fato, apenas os papéis funcionais e os nomes de quem revela a suposta pressão por parte de Dilma foram alterados. Mas não apenas isso: a origem das informações aponta para períódicos distintos ainda que irmanados por um insano projeto de manipular as informações e a opinião pública. Sobretudo, existe a subliminar intenção de desestabilizar o governo LULA e a pré-candidata Dilma Rousseff.

Além disso, observa-se que a seara jornalística se esterilizou. Não há redatores, mas reprodutores de informação alheia. O sujeito, que se diz jornalista, copia a matéria do outro, não dá o devido crédito, assina e vai dormir.

3 de ago. de 2009

A(s) Gripe(s) e as escolas - As versões de cientistas (fato), da imprensa e dos governos de São Paulo

Gripe suína: um balanço


Por Azenha - 02.08.09

Texto: Conceição Lemes

O Ministério da Saúde (MS) reúne nesta segunda-feira, em Brasília, especialistas de todo o país e do exterior para debater a influenza A (H1N1), mais conhecida como gripe suína.

O objetivo é fazer um balanço das medidas já adotadas e definir os próximos passos diante do quadro da nova gripe no país e no mundo. Consequentemente traçar recomendações para prevenção, atendimento, diagnóstico, assistência, produção e distribuição de medicamentos e vacinas.

INFLUENZA A VERSUS GRIPE COMUM


No Brasil, entre 25 de abril e 25 de julho, foram notificados 10.623 de casos com suspeita de gripe. Do total, 1.958 (18,4%) tiveram diagnóstico confirmado de influenza A e 669 (6,3%) de gripe sazonal, a gripe comum. As mulheres (56,9%) são mais afetadas pela gripe suína do que os homens (43,1%).

O detalhamento dos dados reforça uma evidência já revelada em boletins anteriores do Ministério da Saúde:

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Menina de 15 anos morre de parada cardíaca e TV Globo associa à Gripe Suína
Por Carlinhos de Medeiros - 02.08.09

Morte durante o voo
Jaqueline Ruas,
15 anos, morreu na madrugada deste domingo (2) de parada cardíaca durante um voo procedente de Orlando, Estados Unidos, com destino a Guarulhos, São Paulo, e a TV Globo tenta associar o fato a uma possível contaminação por vírus H1N1.

A adolescente foi atendida por dois médicos que estavam à bordo da aeronave, mas infelizmente ao aterrisar
no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos (SP), já chegou sem vida [...]


Segundo a TV Globo, a assessoria responsável pelo passeio turístico à Disney informou que e garota havia passado mal assim que chegou aos EUA, com sintomas da gripe suína, “como náuseas”, mas ao ser encaminhado ao Celebration Hospital para exames verificou-se que ela não estava cotaminada com a gripe.

Isso é que é jornalismo científico. Vamos aos fatos: A menina passou mal ao chegar a Orlando, sentindo náuseas, que segundo a TV Globo são sintomas da gripe suína. Não tenho conhecimentos médicos, mas a meu ver, é muito mais provável que náuseas tenha a ver com problemas cardiácos do que com gripe, seja ela suina ou não.

E tem mais, ao ser examinada constatou-se que ela não estava com a gripe, será? Não seria melhor fazer uma autopsia para verificar se realmente ela não foi fulminada por uma parada cardiorespiratória em decorrência de uma gripe suína? É uma hipótese bem ao estilo de Kamel...

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Esta é a mensagem do site da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo do Sr. Kassab



Retorno às aulas é adiado para 17 de agosto

Creches entram em recesso a partir do dia 3

A Prefeitura Municipal de São Paulo informa que, acatando a recomendação da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, divulgada nesta terça-feira (28), o retorno às aulas fica adiado para o próximo dia 17 de agosto nas Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs), Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs) e Educação de Jovens e Adultos (EJA e CIEJA).

Os Centros de Educação Infantil (CEIs), que não têm recesso em julho, também terão suas atividades suspensas até o dia 17, mas ficarão abertos até sexta-feira, dia 31, para atender e orientar os pais. Os funcionários administrativos das escolas e professores de toda a rede também entram em recesso.

As atividades externas dos CEUS serão mantidas, ficando fechadas apenas as salas de aula e os teatros.

As medidas foram tomadas após a Secretaria de Estado da Saúde analisar as recomendações e avaliações da Organização Mundial da Saúde (OMS) a respeito da propagação da gripe A/H1N1 e dos recorrentes relatos sobre o aumento do número de crianças e adolescentes atendidas nos pronto-socorros paulistas devido a problemas respiratórios. Veja a portaria
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Atualizado 19:30
Leia mais no site do Paulo Henrique Amorim:

Jornal transforma morte de brasileira numa crise suína mundial

Gripe Suína: made in TV Globo

29 de jul. de 2009

Sobre estratégias

Por Eduardo Guimarães - 29.07.09

"está na hora de as forças políticas ... partirem para uma luta política dura e corajosa contra a coalizão tucano-pefelista-midiática"

Por mais que, às vezes, possa não parecer, sou uma pessoa altamente moderada. Minhas críticas a qualquer um podem ser veementes, mas sempre se situam acima da linha da cintura. Promovi manifestações públicas que reuniram centenas de pessoas e jamais houve qualquer tipo de queixa sobre a forma como eu e meus pares nos manifestamos.

Também sou um entusiasta da boa estratégia política, sobretudo quando é inteligente como a do presidente Lula, o único político brasileiro que conseguiu se imunizar contra os feitiços da imprensa tucana, mas só depois de ter sido acusado quase que diariamente por ela durante os últimos vinte anos (1989-2009).

Essa estratégia de Lula, porém, funciona para Lula, mas não necessariamente para todos no entorno dele, como se sabe. Na verdade, há dúvidas de que o presidente consiga transferir toda sua popularidade e sua imunidade a alguém.

Em São Paulo, por exemplo, esse poder falhou. Claro que foi em uma eleição regional, do tipo mais paroquial que há, onde a influência da política nacional mal toca a miríade de nuanças ali existentes. Mas, por outro lado, não está testado esse hipotético poder de Lula em qualquer outra esfera de poder.

Assim, apesar da minha moderação, acho que está na hora de as forças políticas que apóio partirem para uma luta política dura e corajosa contra a coalizão tucano-pefelista-midiática, na medida dos ataques que essa coalizão vem fazendo.

A estratégia de Lula para Lula

O presidente Lula é um homem de uma inteligência intuitiva e de um carisma que jamais vi em qualquer outro político. Quanto mais ele apanha da mídia e dos partidos – sempre com aquela serenidade, com aquela compostura, sem jamais perder a linha –, mais forte se torna.

Já disse aqui que acho que Lula se deixa vitimizar pelos adversários. Nem precisa se fazer de vítima, queixar-se ou sequer responder aos ataques que recebe, os quais, de tão baixos, chocam a qualquer um que tenha um mínimo de decência, como quando falam de seu defeito físico ou como quando o acusam de alcoólatra. Basta ele não reagir “à altura” ou se alterar.

É inteligente, esse homem. A sociedade brasileira passou duas décadas inteiras vendo-o ser acusado de tudo. Diziam que confiscaria a poupança em 1989 e foi seu adversário que confiscou; diziam que desvalorizaria o real se vencesse em 1998 e foi seu adversário quem fez; em 2002 diziam que faria o Brasil voltar a ter inflação e a regredir economicamente e ele fez o contrário.

Convenhamos, assim, que, além de sua inteligência política, Lula conta com grande ajuda de seus adversários. A injustiça contra ele é tanta que não dá para não nos solidarizarmos com ele.

A estratégia de Lula para não-Lulas

Porém, o presidente não pode esperar que ficar apanhando sorrindo e sendo cortês funcione também para os que o apóiam. Será preciso mostrar quem são os críticos não só de Dilma Rousseff, mas do partido de Lula e dos seus aliados. Será preciso dizer à sociedade que esses críticos são facciosos. E dizer escandindo cada letra da frase.

A estratégia da base de Lula para si mesma

Essa tem que ser diametralmente diferente da de Lula. Não dá mais para o PT, o PMDB e o resto dos partidos da base governista continuarem apanhando desse jeito. Devem representar contra aquilo que pesa à oposição no Senado, na Câmara, onde for. Devem denunciar seus adversários. E devem dizer que a mídia tem obrigação de fiscalizar os dois lados, inclusive onde a oposição federal é governo, seja estadual ou municipal.

A estratégia da sociedade

Mas não delegaremos os esforços de luta política somente aos políticos profissionais, pois somos todos, como direi?, “animais políticos” – não é assim que dizem os “entendidos”?

No parte que me toca desse latifúndio, digo a vocês que, em nome do Movimento dos Sem Mídia, no próximo mês farei nova manifestação ao Ministério Público Federal no âmbito da representação contra grupos de mídia na questão da epidemia inexistente de febre amarela que disseram que havia em janeiro do ano passado, o que provocou duas mortes e dezenas de internamentos por uso incorreto de vacina contra a moléstia.

Nessa representação, anexarei matéria da Folha de São Paulo publicada recentemente e as reações indignadas de especialistas e do próprio ombudsman do jornal qualificando tal matéria como alarmista, o que mostra que a demora da Justiça em julgar a representação do MSM está incentivando a imprensa a promover novos atos alarmistas, com os resultados que todos vimos recentemente nos hospitais públicos.

Além disso, o MSM está convencido de que o caso da ficha policial falsa da ministra Dilma Rousseff publicada pelo jornal Folha de São Paulo não pode ficar por isso mesmo. Admitir que falsifiquem documentos acusatórios contra qualquer brasileiro e, descoberta a farsa, que os que deram curso àquela difamação não respondam pelo crime que cometeram, é uma ameaça a todos, inclusive àqueles que hoje aplaudem esse tipo de crime.

28 de jul. de 2009

Enquanto as aulas não começam ... depois das férias, HELP !! - Usuários de fretados em SP dizem que vão voltar a usar carro

Começou a valer nesta segunda-feira (27) a medida que restringe a circulação de ônibus fretados em uma área de 70 quilômetros quadrados dentro da cidade de São Paulo. O que foi adotado para tentar melhorar o trânsito da capital paulista pode mesmo é piorar. Após o primeiro dia, muitos usuários já pensam na possibilidade de tirar o carro da garagem. Reportagem de Daniela Paixão.

Fretados Vão a justiça contra restrições em SP; protestos fecham marginal

UOL notícias/fotos - 27.07.09
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros por Fretamento e para Turismo de São Paulo e região (Transfretur) informou nesta segunda-feira (27) que a categoria entrou na Justiça contra as restrições ao transporte fretado na capital paulista, que começaram a vigorar hoje.
O sindicato afirma não ter conseguido diálogo com a Prefeitura de São Paulo. De acordo com Regina Rocha, assessora jurídica do sindicato, "diante dos acontecimentos dos últimos dias e a publicação da Portaria 058/09, outro caminho não nos restou senão propor uma ação judicial para questionar a medida e assegurar aos nossos associados o direito de cumprir seus contratos".
Por volta das 18h, manifestantes bloquearam a marginal Pinheiros, no sentido Castello Branco, altura da estação Berrini (Leia mais na Folha Online). Há manifestantes também na avenida dos Bandeirantes e na Ricardo Jafet.

O Transfretur divulgou ainda que representa o pleito dos demais sindicatos da categoria -Sinfrecar, Sinfret, Setfret, Sinfresan, Sinfrepass, Sinfrevale. "Na ação, todos os sindicatos figuraram como autores, para provar que os reflexos da medida restritiva atingem as empresas e contratos de todo o Estado de São Paulo e não apenas da capital. Os resultados da demanda serão estendidos a todo Estado", diz em nota.

Ainda segundo o sindicato, a decisão deve ser da juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, que concedeu 72 horas para que a prefeitura se pronuncie sobre o pedido.

Veja no infográfico como utilizar o transporte com as novas regras:
Ainda segundo o sindicato, a decisão deve ser da juíza Simone Gomes Rodrigues Casoretti, da 9ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, que concedeu 72 horas para que a prefeitura se pronuncie sobre o pedido.

NÃO COLA MAIS...

A reportagem que ninguém quer

Se houvesse jornalismo na cobertura, a lógica óbvia seria apurar qual o esquema que está por trás do vazamento do inquérito contra José Sarney.

Qual a razão dessa falta de interesse? Quando foi contra Daniel Dantas, levantou-se o presidente do STF, os jornais, a Folha escreveu editoriais candentes, a OAB se manifestou em defesa dos direitos individuais, a Veja escreveu sobre a república do grampo.

Não caiu a ficha de que essa hipocrisia é veneno na veia da credibilidade da mídia.

Texto: Nassif

POR BEATRICE
-27.07.09

27 de jul. de 2009

"Para a prefeitura de São Paulo, 'revitalizar' o centro é mais importante do que 'revitalizar' as pessoas que não tem onde se abrigar."

Governando através da janelinha do carro, uma coletânea de Andrea Matarazzo

moradorrua

Entre as medidas para a “revitalização” do centro de São Paulo está dar um jeito de sumir com as pessoas em situação de rua. Eles enfeiam o bairro e espantam a classe média consumidora.

Para a prefeitura de São Paulo, “revitalizar” o centro é mais importante do que “revitalizar” as pessoas que não tem onde se abrigar. Já que a prefeitura não pode simplesmente matá-los, a solução encontrada foi levá-los à morte.

A distribuição de comida, por exemplo, feita por entidades religiosas e outros grupos foi proibida na área central. Ou seja, é proibido oferecer comida a quem você acha que precisa. Multar um grupo de pessoas que doa uma cumbuca de sopa para quem está congelando na rua, parece-me o resumo mais conciso da perversidade da atual política para o centro.

Na madrugada paulistana, guardas municipais espantam quem dorme nas ruas com a esperada delicadeza, enquanto a equipe de garis recolhe colchões, sacolas, papelão e outros pertences. O caminhão-pipa lava as calçadas e escadarias; as pessoas, então, zanzam sem rumo.

É crime ser miserável. E é crime defender seus direitos.

O secretário das subprefeituras Andrea Matarazzo, um pouco em baixa nos bastidores do poder paulistano, encontrou uma boa forma de propagandear suas idéias: postar no twitter. Com a promessa de atender a população diretamente através do canal, as frases postadas revelam, num tom politicamente correto, sua forma de pensar.

Eis algumas frases do Secretário, seguidas de nossos comentários.

No centro, muitos moradores de rua nas marquises da Av são joão (no início num bingo abandonado) e na Boa vista. Centro velho esta quase bom

Poxa, o centro está quase bom. Se todos os moradores de rua morressem de uma vez só, ficaria ótimo.

Não tem perigo. O que é sim, é muito triste. Claro que não desço do carro. Embora os dependentes da novaluz não oferecem perigo

Conheço bem a realidade. Vou sozinho, guiando. Um pouco de segurança é preciso. Vou quase todas as noites

[à Luz, chamada por muitos de "cracolândia"]

Trata-se de uma técnica de observação da fauna selvagem? Uma técnica de camuflagem? Ou é apenas a sensação de segurança trazida por uma tonelada de aço com arranque rápido? Se “não tem perigo” qual seria o motivo de “conhecer a realidade” de dentro do carro? Quem seriam os perigosos? Os moradores do bairro?

Na Novaluz foram lacrados e emparedados 22 estabelecimentos entre ontem e hoje. Maioria botecos ou depósitos.Outras áreas do centro em ordem

Secretário, ontem, passando de carro por uma rua do centro, parei no semáforo e pude ver, em frente a um casarão antigo, um punhado de pessoas conversando. Uma criançada danada correndo, alguns bebendo, uma bagunça. Fiquei imaginando como aquelas pessoas podiam morar naquele lugar. Deve ser uma pensão ou até imóvel invadido, não sei, mas sei que o local era totalmente insalubre e sem qualquer segurança.

Poucos metros a frente, avistei três botecos, um ao lado do outro. Nem botecos eram, eram dessas portinhas onde se juntam bêbados, desempregados e mulheres que gostam dessa vida.

Como sei que o senhor é o secretário que mais se dedica ao centro, peço providências. Lugares nestas condições não podem ser tolerados. Muito menos no centro, onde começou esta cidade que tanto amamos.

Moradores de locais interditados em operação no Centro de SP não aceitam ir para abrigos da prefeitura, reportagem, Rácio CBN
Para Andrea Matarazzo catadores são problema, artigo, Panóptico
Centro Vivo, artigo, Panóptico
”É difícil ganhar uma eleição twittando”, reportagem e entrevista, Estadão

De Panóptico - 27.07.09

26 de jul. de 2009

Paulistas: preparem-se. Dia 27.07, Segunda + Trânsito + transportes hiperlotados. Adivinhem !! Kassab piora o insuportável

Por Valdir Fiorini - 26.07.09

Restrição a fretados deve lotar estações de metrô em SP

Agência Estado em São Paulo

Os trens do Metrô terão de abrir espaço, a partir de amanhã, para 25 mil novos passageiros, que antes faziam os percursos em ônibus fretados. Só a Estação Imigrantes, da Linha Verde, vai aumentar em 54% o número de passageiros, vindos principalmente de cidades da Região Metropolitana e da Baixada Santista. A companhia diz que o local comporta, mas os usuários temem perder o conforto de conseguir embarcar em trens com assentos disponíveis ainda no pico da manhã.

Para permitir que passageiros de fretados cheguem aos destinos sem que o ônibus entre na área restrita de 70 km², a Prefeitura de São Paulo criou 14 pontos de embarque e desembarque - sete deles em ruas próximas das estações de metrô. A Secretaria Municipal de Transportes mapeou o percurso dos ônibus, calculou quantos passageiros devem desembarcar em cada parada e qual meio de transporte vão usar para seguir viagem.

A Linha Verde é a que terá o maior acréscimo no número de passageiros: a Imigrantes ganhará 54% e a Sumaré, 32%. Em junho, durante o horário de operação do metrô, rodaram as catracas dessas estações 24 mil pessoas por dia. A partir de amanhã, segundo os cálculos da Prefeitura, serão 34,5 mil. A Estação Vila Madalena também será um ponto de parada, mas a expectativa é de que os 500 passageiros de fretados que descerem ali optem pelos ônibus. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
Metrô SP

SOBRAM VAGAS PARA O BOLSA FAMÍLIA

Na Chuíça brasileira (os níveis de crescimento da China e a qualidade de vida da Suiça - pelo menos é o que a Folha e o Estadão dizem), sobram vagas para o Bolsa Família. Veja aqui no Yahoo Notícias. Curioso é ver que lá tem tanto (aliás, tem mais) pobres do que nos outros lugares do país. Será que sobram vagas para o Bolsa Família porque o prefeito Kassab em parceria com seu colega Nosferatu não cadastram as pessoas simplesmente para não render um voto a mais para Dilma no próximo pleito? Lembramos que as prefeituras são as responsáveis pelo arrebanhamento da população. Naturalmente nem aí para o cidadão que passa fome. E nem aí para a economia também, já que um consumidor a mais significa outro emprego para alguém que produz. E mais gente produzindo é mais grana na economia. Ou seja, mais grana no SEU bolso. Claro que Nosferatu não liga.

Do Anais Político - 26.07.09

Significados:
No site de Paulo Henrique Amorim

Chuiça (*) : Política de transportes é um desastre

Nosferatu (comentários dos internautas) : Quanto Zé Pedágio (Serra) inve $$$$$ te na Abril e na Globo

Leia ainda:

Por Gilvan Freitas - O Demo não gosta de pobre: sobram vagas no bolsa-família em São Paulo

15 de jun. de 2009

Brasil: São Paulo, palanque dos neoliberais


As eleições de 2006 confirmaram a hegemonia da direita neoliberal no principal estado da federação. Pela quarta vez consecutiva, o PSDB, partido das elites rentistas e privatistas, ganhou a eleição para o governo paulista e logo no primeiro turno. Os tucanos e seus aliados ainda elegeram o maior número de deputados federais e estaduais, com a redução das bancadas de esquerda mais vinculadas às lutas dos trabalhadores. Além disso, o direitista Geraldo Alckmin, escorraçado nas urnas em quase todo o país, venceu no estado na sucessão presidencial –com a larga vantagem de quatro milhões de votos no primeiro turno e de um milhão de votos no segundo turno, quando a disputa foi mais politizada e polarizada.

Esta hegemonia também se manifesta nas principais cidades do estado e, principalmente, na capital paulista, aonde do PSDB e seu eterno apêndice, o conservador Demo (ex-PFL), mantêm-se a frente da prefeitura. Gilberto Kassab atua como um fiel escudeiro de José Serra, seu antecessor que agora ocupa o Palácio dos Bandeirantes, mantendo os mesmos projetos e o mesmo staff. Isto para não falar da influência da direita neoliberal no Poder Judiciário e do seu total domínio da mídia privada –que sataniza os movimentos sociais e as forças de esquerda e protege os políticos do bloco liberal-conservador.

Paraíso dos rentistas

Há distintas explicações para este fenômeno, que destoa do restante do país no qual se verifica uma tendência mais progressista nas eleições. Por um lado, como registra o economista Marcio Pochmann, São Paulo se transformou no paraíso de rentistas e das camadas médias abastadas. O Estado, que já foi a locomotiva industrial do país e hoje mais se parece com um cemitério de fábricas, é o principal centro da oligarquia financeira. Das 20 mil famílias que especulam com os títulos da dívida pública, quase 80% reside em São Paulo e leva uma vida de opulência.

Esta elite preconceituosa mora em condomínios de luxo, desloca-se em helicópteros (a segunda maior frota do mundo) e carros blindados (a maior frota do planeta), e consome em butiques de luxo, como a Daslu. Ela não tem qualquer identidade ou compromisso com a nação, estando totalmente apartada da realidade de penúria do povo brasileiro. Ela ainda influência uma ampla camada média, que come mortadela e arrota caviar. Estas são as principais bases de apoio do bloco neoliberal e dos movimentos golpistas e racistas, como o “Cansei”.

Por outro lado, o violento processo de desindustrialização do Estado, que resultou em desemprego, informalidade e precarização do trabalho, golpeou a combativa classe operária e fragilizou os seus sindicatos, enfraquecendo a influência política das forças mais vinculadas às lutas dos trabalhadores. Estes dois fatores, entre outros, explicam a forte hegemonia dos neoliberais tucanos em São Paulo.

O candidato da direita

O Estado hoje é o principal laboratório e também o principal palanque dos neoliberais no país. Daqui operam as maiores referências da direita “moderna”, como FHC, Geraldo Alckmin e José Serra, e as mais poderosas entidades empresariais, como a federação das indústrias (Fiesp) e a dos banqueiros (Febraban). Daqui se irradiam as manipulações da mídia burguesa, com as redações da revista Veja, dos jornais Folha e Estadão e das maiores emissoras de TV. Toda a orquestração para barrar as mudanças no Brasil e para pavimentar o retorno da direita neoliberal ao governo federal parte atualmente de São Paulo.

É exatamente por isso que a candidatura do governador paulista se apresenta como a mais forte da reação para a disputa presidencial de 2010. Não é para menos que ele procura renegar o seu passado, no qual foi líder estudantil, exilado no Chile e militante da luta pela redemocratização. Atualmente, José Serra não engana mais ninguém. Está totalmente comprometido com o capital financeiro, os barões do agrobusiness e as megacorporações ávidas pela privatização das estatais. Ainda posa de desenvolvimentista para iludir os ingênuos, mas aplica com ardor o receituário neoliberal. Para atrair o apoio da direita desconfiada, José Serra é mais realista do que o rei. É o principal defensor no PSDB da aliança com os conservadores do Demo (ex-PFL) e adota posturas cada vez mais privatistas, autoritárias e reacionárias. Ele significa um enorme perigo para os que almejam avançar nos rumos das mudanças progressistas no Brasil.

A continuidade do desmonte

A chegada de José Serra ao Palácio dos Bandeirantes representou a continuidade da devastação do estado iniciada pelos tucanos em 1995. Mário Covas, com o seu “choque de capitalismo”, já havia destruído boa parte do patrimônio público, incumbindo seu vice, Geraldo Alckmin, de chefiar o plano de desestatização. Como governador, o seguidor da seita fascista Opus Dei radicalizou na aplicação do modelo neoliberal. Entre outras medidas nefastas, enviou à Assembléia Legislativa o projeto de lei 26/05, demitindo 120 mil professores contratados em regime temporário; dispensou funcionários e reduziu investimentos na Febem, o que explica a eclosão de 34 rebeliões somente em 2005; foi o primeiro a implantar o projeto de Parceira Público Privada (PPP) na privatização da Linha 4 do Metrô, na qual o estado entra com 75% dos recursos da obra e a iniciativa privada fica com os lucros da bilheteria e de outros serviços; e sabotou a instalação de 57 Comissões Parlamentares de Inquérito, o que evidencia o cinismo dos tucanos travestidos de éticos.

Com seu afastamento para a disputa presidencial, assumiu o vice Cláudio Lembo, do Demo, que teve sua curta gestão marcada pela explosão de violência do PCC, mostrando a falácia do discurso sobre o controle da segurança pública. Apesar desta desgraceira, mas contando com o apoio das elites, a cumplicidade das camadas médias e os holofotes da mídia, José Serra obteve mais de 60% dos votos válidos nas eleições de 2006, o que lhe dá força para aplicar, com maior radicalidade, o destrutivo receituário neoliberal.

Postura autoritária

Como prefeito da capital e agora como governador, Serra tem radicalizado as suas posturas autoritárias, o que deve causar inveja ao ex-governador Alckmin, que não teve qualquer passado democrático e sempre esteve ligado às forças de direita, inclusive à seita Opus Dei. Num curto espaço de tempo, são várias as manifestações de arrogância e autoritarismo do governador. Lembrando o sombrio período da ditadura, Serra ordenou a ocupação militar do legendário prédio da Faculdade de Direito da USP para desalojar estudantes que protestavam contra o projeto de sua autoria lesivo à autonomia universitária. A brutalidade da PM foi denunciada pelas entidades democráticas e manchou de vez a biografia do ex-líder estudantil. O episódio foi comparado à ocupação da PUC, comandada pelo coronel Erasmo Dias, durante a ditadura.

Ainda no primeiro semestre, num gesto de triste servilismo ao império, ele acionou a repressão contra um protesto pacífico contra a visita do presidente-terrorista George Bush ao Brasil. Serra tem dado tratamento duro, avesso à negociação, aos movimentos sociais. Já orientou várias desocupações violentas de terrenos e prédios ociosos ocupados pelos movimentos de sem-tetos e rejeita o diálogo com as lideranças rurais do MST, aparecendo como capataz dos latifundiários e cúmplice das suas milícias privadas. Uma foto que ficou famosa, do governador apontando uma arma de fogo, retrata bem a sua conduta violenta e ditatorial.

Aversão ao sindicalismo

O autoritarismo também fica explícito na sua relação com o movimento sindical. Segundo a Apeoesp, que representa os professores estaduais e é o maior sindicato da América Latina, o atual governador sequer negocia com a categoria e persegue as suas lideranças. “Ele se comporta pior ainda do que o Alckmin”, afirma Carlos Ramiro, presidente da entidade. Em maio, a PM sob o seu comando reprimiu violentamente uma manifestação pacífica de 11 mil professores na Avenida Paulista. No mesmo mês, o governo colocou auditores da Secretaria da Fazenda para vistoriar as contas do Sindsaúde, numa tentativa de intimidação da campanha salarial dos servidores da saúde e num arbitrário atentado à legislação sindical.

Essa postura avessa ao sindicalismo ficou ainda mais escancarada na repressão à organizada e combativa categoria dos metroviários. A exemplo de FHC, que acionou tropas do Exército para derrotar a greve dos petroleiros e para “quebrar a espinha dorsal” do sindicalismo, Serra desrespeitou a Constituição e demitiu cinco diretores do sindicato e 61 trabalhadores que participaram da greve favorável ao veto presidencial à nefasta Emenda-3. A entidade foi multada em um milhão de reais por liderar a paralisação e o governo usou o sistema de som do Metrô para fazer campanha terrorista contra a greve, visando jogar os usuários contra os metroviários. “A sua ação relembrou os piores momentos da ditadura, quando o nosso sindicato sofreu intervenção e várias lideranças foram demitidas”, critica Flávio Godoi, dirigente da entidade.

Rolo compressor tucano

A sua aversão ao diálogo manifesta-se ainda no mundo político. Com uma folgada maioria na Assembléia Legislativa, o governador paulista tem imposto a toque de caixa todos os seus projetos. O rolo compressor inviabiliza qualquer reflexão mais séria sobre os graves problemas do Estado e rebaixa o papel do Poder Legislativo, que fica com a imagem de balcão de negócios empestado de deputados fisiológicos. Além disso, essa conduta impede qualquer fiscalização mais rigorosa sobre as ações do Executivo. Neste caso fica evidente a hipocrisia de tucanos e pefelistas, que nacionalmente se travestem de arautos da ética, propondo a instalação de centenas de Comissões Parlamentares de Inquérito, mas que no estado sabotam qualquer apuração de denúncias e abortam todos os pedidos de CPIs.

Até hoje nada foi apurado sobre centenas de irregularidades no reinado tucano em São Paulo. A mídia hegemônica muito falou sobre o trágico acidente da TAM, que resultou na abertura de uma CPI sobre o caos aéreo, mas não fez qualquer pressão para a averiguação do grave acidente do Metrô, que causou uma cratera na cidade e resultou em sete vítimas fatais. José Serra, que já teve o seu nome envolvido em várias denúncias de corrupção, como no caso das sanguessugas, sempre fica incólume. O rolo compressor no Legislativo, sua forte influência no Judiciário e a cumplicidade da mídia impedem qualquer investigação. Aos poucos, tenta-se forjar a imagem de um presidenciável perfeito!

Alguns casos suspeitos

Apesar do esforço tucano para abortar várias CPIs – como as do CDHU, Febem e Rodoanel – novos casos sinistros vêem a tona. Cresce a suspeita de que o governo abafou a investigação sobre a cratera do Metrô devido aos “recursos não contabilizados” (o famoso caixa-2) doados por empreiteiras aos candidatos do PSDB. Políticos ligados a José Serra também são alvos de novas denúncias. O vice-governador Alberto Goldman, metido a paladino da ética, foi citado pelo Ministério Público na apuração sobre favorecimento irregular ao Instituto de Desenvolvimento, Logística, Transporte e Meio Ambiente. Esta organização não-governamental (ONG) foi criada por notórios tucanos – como o próprio vice-governador e o ex-secretário municipal de transportes Frederico Bussinger. A sua esposa dirige a entidade, que recebeu cerca de R$ 5 milhões dos cofres públicos nos últimos seis anos, e é acusado de superfaturamento e licitações fajutas.

Outra denúncia atinge o deputado Celino Cardoso, homem de confiança de José Serra. Há cerca de três anos o parlamentar tucano explora irregularmente áreas da Sabesp em Mairiporã para auferir lucros com o seu hotel Refúgio Cheiro de Mato, que cobra diárias de R$ 500. Os fiscais da empresa denunciaram que a cessão gratuita do terreno, que soma 40 mil metros quadrados em plena Mata Atlântica e numa área de preservação, causou danos ambientais, com a retirada de vegetação, a instalação de plataforma flutuante e rampas para barcos e a criação de uma praia artificial. O ex-governador Alckmin chegou a participar da inauguração do resort, no final de 2003. Diante das graves denúncias, Serra se finge de surdo e mudo, a mídia faz pouco alarde e os ricos empresários e “madames enfadonhas” do golpista “Cansei” não chiam.

Avanço nas privatizações

A postura autoritária do governador José Serra, sempre acobertada pela mídia venal, serve para deixá-lo de mãos livres para aplicação do receituário neoliberal. A obra destrutiva e regressiva dos tucanos, que já dura 12 anos, tem a sua continuidade sem maiores transtornos. Qualquer resistência é abafada. O papel do Estado é minimizado, com a entrega de inúmeros equipamentos públicos à iniciativa privada – agora sob o disfarce das mal chamadas Organizações Sociais (OS). Estas hoje administram vários hospitais, escolas e creches, transformando tudo em mercadoria de péssima qualidade e com altos lucros para uma minoria de empresários. Para piorar, o governador pretende agora retomar as privatizações das empresas estatais, concluindo o serviço criminoso e suspeito das gestões tucanas anteriores.

No final de setembro, José Serra anunciou a abertura do processo de licitação para averiguar o valor de mercado de 18 estatais – entre elas, Sabesp, Metrô, Cesp, Dersa, IPT, CDHU e o banco Nossa Caixa. Cálculos parciais indicam que estas empresas valem mais de R$ 30 bilhões. Todo este patrimônio público deve ser vendido – ou melhor, entregue – à iniciativa privada com a desculpa de saldar a dívida do estado. De 1996 a 2006, os tucanos venderam o equivalente a R$ 37 bilhões do patrimônio público, mas todo este dinheiro sumiu – não serviu para pagar as dívidas, que triplicaram no período, e nem foi aplicado na melhoria dos serviços públicos. Serra pretende agora concluir a obra privatista e entreguista.

O exemplo dos pedágios

Prova cabal de que estas privatizações foram criminosas surgiu com a recente concessão de sete rodovias federais. O leilão, que fere o discurso antiprivatista do governo Lula, serviu ao menos para desmascarar as negociatas tucanas. Como alfinetou o jornalista Elio Gaspari, ácido crítico do presidente Lula, ele colocou sob suspeição a privataria do PSDB e revelou a “incompetência” dos que alardeiam o choque de gestão. “Para se ter idéia do tamanho do êxito do leilão, o percurso que custaria R$ 10 de acordo com a planilha dos anos 90, saiu por R$ 2,70. No ano que vem, quando a firma espanhola OHL começar a cobrar pedágio na Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a São Paulo, cada cem quilômetros rodados custarão R$ 1,42. Se o cidadão viajar em direção ao passado, tomará a Dutra, pagando R$ 7,58 pelos mesmos cem quilômetros. Caso vá a Santos, serão R$ 13,10. Não haverá no mundo disparidade semelhante”, ironizou.

Na prática, a privatização tucana das estradas paulistas resultou num valor do pedágio nove vezes maior do que o das rodovias federais. Não é para menos que as concessionárias gostam tanto dos candidatos do PSDB. O balanço financeiro destas empresas, publicado no Diário Oficial, revela que seus lucros líquidos atingiram R$ 690 milhões em 2006, com um aumento de 150% em relação ao ano anterior. E o governo José Serra acaba de ampliar em mais oito anos e meio o prazo das concessões das rodovias paulistas, sem abolir as cláusulas prejudiciais à população.

Acelerada regressão social

Além da entrega do patrimônio público, o governo Serra não tem atacado os graves problemas sociais que afligem São Paulo. Recente estudo da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação revela que os professores paulistas recebem 39% menos do que os docentes do Acre. No início da carreira, ganham R$ 8,05 por hora aula, enquanto os acreanos recebem R$ 13,16. A denúncia irritou o governador paulista, que afirmou cinicamente que o salário não interfere na qualidade de ensino. O Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), porém, desmonta este sofisma. A avaliação positiva da educação básica no Acre aumentou 13,8 pontos entre 2003 e 2005, contra apenas 1,1% em São Paulo.

Mas não é somente na educação que o governo tucano mostra desprezo aos servidores e à população que paga imposto. Segundo denúncias do Sindicato dos Médicos de São Paulo, continua o desmonte da saúde no estado. Em novembro passado, o Hospital do Servidor Público Estadual anunciou a demissão de 212 funcionários, sendo 55 médicos, sem aviso prévio. “O descalabro e o autoritarismo de uma administração comprometida com as terceirizações e as privatizações do serviço público pune médicos e funcionários experientes”, denuncia Cid Carvalhaes, dirigente da entidade. “Os pacientes sentem o reflexo das decisões arbitrárias, que prenunciam o caos”, diz Otelo Junior, presidente da Associação dos Servidores do Iamspe.

Abandono no campo e na cidade

O desprezo pelos graves problemas sociais alcança as raias do absurdo na zona rural. Ao mesmo tempo em que criminaliza os movimentos sociais do campo, apartando o MST e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaesp), o governo Serra paralisa o processo de reforma agrária, asfixia acampamentos e assentamentos rurais e privilegia latifundiários e barões do agronegócio. Logo no início da sua gestão, ele enviou à Assembléia Legislativa o projeto de lei 578/07, que legitima a posse fraudulenta das terras devolutas na região do Pontal do Paranapanema. A legalização desta grilagem, questionada judicialmente há décadas, objetiva transformar a área em mais uma fronteira para expansão do agrobusiness.

O governo Serra é um biombo deste setor, que controla a Secretaria de Agricultura, com João Sampaio, dirigente da Sociedade Rural Brasileira, e a Secretaria do Meio Ambiente, com Xico Graziano, raivoso inimigo da reforma agrária e do MST. Se no campo o governo incentiva a concentração fundiária, já nas cidades ele serve à especulação imobiliária e agrava o caos urbano. Um exemplo é o projeto patrocinado pela dupla Serra-Kassab que prevê a demolição de dez quadras no tradicional bairro da Luz, no centro da capital. A área está sendo disputada por dois grupos imobiliários e resultará na expulsão de milhares de famílias. Elas serão deslocadas para bairros periféricos, sem qualquer equipamento público, e reforçarão o intenso processo de favelização dos centros urbanos. Nos últimos quatro anos, a população favelada da capital paulista cresceu 38%, de 290 mil famílias, em 2003, para 400 mil famílias (cerca de 2 milhões de pessoas), em 2006. As reformas agrária e urbana não constam do programa elitista de José Serra.

Desmascarar o tucano

Diante do desastre tucano em São Paulo e do real perigo que representa a candidatura presidencial de José Serra, o movimento popular e sindical precisa urgentemente reforçar as denúncias e a pressão social em defesa do patrimônio público e dos direitos dos trabalhadores e contra o autoritarismo. O novo projeto de privatização das estatais, que inclui empresas da “jóia da coroa” e atinge categorias com forte poder de mobilização, pode detonar uma maior rebeldia da sociedade e, inclusive, despertar os ingênuos que ainda acreditam na falácia do “choque de gestão” do PSDB e do Demo. Uma ampla e unitária campanha contra a privataria pode reverter a atual situação de apatia e isolamento de alguns setores que resistem.

Não dá para vacilar diante do governador José Serra – que age com total amparo de mídia patronal e dos outros poderes. Além da ativa luta social, é preciso infringir derrotas eleitorais aos tucanos para baixar a sua arrogância. As eleições municipais de 2008 serão importante teste neste sentido. Cabe ao movimento social uma intensa participação neste processo, elegendo prefeitos e vereadores comprometidos com as lutas e os anseios dos trabalhadores, como forma de acumular forças para as batalhas futuras.

Altamiro Borges - Avantar - 12.01.08

13 de jun. de 2009

Relembrar: Choque de gestão’ de Alckmin paralisa São Paulo

Altamiro Borges - Adital - 24.10.06

Talvez já prevendo a derrota do seu candidato, a Folha de S.Paulo finalmente estampou uma manchete crítica ao ex-governador Geraldo Alckmin. A edição desta segunda-feira revela que o governo paulista reduziu em até 80% os investimentos em projetos de infra-estrutura e paralisou várias obras. A matéria confirma o desastre do chamado "choque de gestão" que o candidato tucano queria implantar no país.

Segundo a reportagem assinada por Alencar Izidoro e José Ernesto Credendio, "algumas das principais obras e projetos de infra-estrutura de transporte de São Paulo tiveram seu ritmo reduzido drasticamente ou foram até paralisadas pelo governo de Cláudio Lembro (PFL), que conta os dias para terminar o seu mandato... Os atrasos ou as interrupções dos investimentos - situação que será herdada por José Serra em 2007 - foram intensificados nos últimos meses e envolvem de rodovias do interior à expansão da rede sobre trilho da Grande São Paulo, do Rodoanel ao recapeamento das marginais Pinheiros e Tietê".

Ainda de acordo com o texto, "na metade do ano, Lembo enviou ofício a todos os secretários vetando novos investimentos e determinando ‘redobrada atenção’ e ‘rigorosa austeridade nos gastos públicos’... Das obras em curso de recuperação ou ampliação de estradas, a Folha apurou que a redução do ritmo em diversos casos é de 80%. A orientação é que alguns empregados sejam mantidos, evitando a desativação de canteiros". A matéria não diz, mas é lógico que a maioria dos operários será demitida.

Mito do "gerente eficiente"

A reportagem da Folha de S.Paulo serve para destruir de vez uma falsa imagem criada sobre Geraldo Alckmin. Durante muito tempo, além de blindar a figura insossa do ex-governador, a mídia hegemônica difundiu a o mito de que ele seria um exemplo de "administrador competente" e de "gerente eficiente". Tamanha mistificação enganou alguns inocentes e desinformados. Mas os fatos negam esta pretensa qualidade. Uma rápida pesquisa sobre a desordem administrativa de São Paulo, após os 12 anos sob comando da dupla Covas/Alckmin, desmascara mais esta engenhosa manipulação da mídia venal.

1- Caos na segurança.

A mentira ficou mais visível na delicada e explosiva área da segurança pública. As três recentes ondas de violência urbana no Estado, que causaram a morte de quase 200 pessoas e a destruição de inúmeros bens públicos e privados, confirmaram a total incompetência dos tucanos e a sua insensibilidade social. Segundo o Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional de São Paulo, os sucessivos cortes de verba para o setor resultaram num déficit de 31 mil agentes na área, depreciaram os salários em quase 40% e superlotaram os presídios, que hoje demandam mais 70 mil vagas. Como presidente, Alckmin só teria a oferecer a trágica experiência do PCC, que transformou os presídios em "faculdades" do crime.

2- Abandono da educação.

Também como efeito do choque de gestão, a educação pública sofreu brutal regressão. O ensino médio hoje atende 25% da demanda de jovens entre 15 e 19 anos; de 1999 a 2005, as matrículas baixaram de 1.720.174 para 1.636.526; a taxa de reprovação pulou de 3,6% para 15,6%; e a evasão escolar já atinge a marca recorde de 7% ao ano. Como forma de maquiar este desastre, o governo inventou a "progressão continuada", com a aprovação automática do aluno sem qualquer correspondência com a realidade. Já foram encontrados estudantes analfabetos na quarta série devido a esta maquiagem. Levando em conta que o analfabetismo atinge 6,6% da população e que há mais cinco milhões de analfabetos funcionais (18% dos paulistas acima de 15 anos), fica patente a incompetência da "turminha do Alckmin".

3- Mercantilização da saúde.

Para impor o "estado mínimo" na saúde, o PSDB entregou os hospitais públicos à iniciativa privada sob a camuflagem das tais Organizações Sociais de Saúde (OSS). Elas administram os hospitais através dos contratos de terceirização, sem licitação ou qualquer controle do Tribunal de Contas. Atualmente, já são 18 hospitais, três ambulatórios de especialidades e um centro de referência para idosos entregues para a iniciativa privada. Além disso, o governo Alckmin cortou 170 mil cargos funcionais na área da saúde entre 1994 e 2006. Os hospitais geridos pelas OSS não realizam os atendimentos mais complexos para tratar apenas dos casos simples, classificados como de "rotatividade rápida". Já os mais "caros" acabam sobrecarregando os hospitais da administração direta ou servem para elevar os lucros do setor privado.

4- Transporte precário.

A política de transporte também se encaixa no modelo neoliberal, socializando prejuízos e privatizando lucros. E ainda serve a interesses sinistros. Em 1997, um diretor da Dersa, Celso Ferrari, provou que as licitações para a privatização das rodovias foram armadas em benefício de empresas privadas ligadas ao PSDB. O caso do Metrô é ainda mais escandaloso. No trecho Linha 4-Amarela, o governo investirá R$ 1 bilhão (73% do total de recursos necessários), enquanto que apenas R$ 340 milhões ficarão por conta da empresa privada que ganhar a concessão por 30 anos. Neste capitalismo sem risco, o grupo privado ganhará com a venda de bilhetes e com outros empreendimentos nas estações e arredores, como lojas, publicidade e estacionamentos. Estima-se que só com tarifas, ele faturará R$ 6 bilhões entre 2008/12.

5- Roubo nos pedágios.

Estudo do Ipea revelou que, entre 1995 e 2005, as tarifas cobradas nos pedágios paulistas subiram em até 716%. O governo Alckmin privatizou as melhores estradas - com pistas duplas, canteiros centrais e situadas nas regiões mais ricas - e ficou com as piores. As 12 concessionárias presenteadas pelo PSDB exploram apenas 3,5 mil quilômetros (16% da malha rodoviária), mas que representam o filé mignon do setor. Após a privatização, o número de pedágios disparou. Em 1995, havia 11 pedágios; hoje, são 153 - sendo que apenas 14 estão sob controle estatal. Na Rodovia dos Imigrantes, que tem apenas 58,5 quilômetros ligando capital ao litoral e possui um movimento anual superior a 30 milhões de veículos, a concessionária Ecovias cobra R$ 14,80 por automóvel. É só fazer a conta para aquilatar o roubo!

6- Privatizações criminosas.

Desde a criação do Programa Estadual de Desestatização (PED), em julho de 1996, setores estratégicos da economia paulista foram "vendidos" a monopólios privados por preços irrisórios. Sob a batuta de Geraldo Alckmin, presidente do PED, foram privatizadas a Eletropaulo, CPFL, Elektro, Cesp, Comgás, Ceagesp, aeroporto Viracopos e as rodovias Bandeirantes, Anhangüera, Castelo Branco, Dom Pedro, Carvalho Pinto, Ayrton Senna, Imigrantes e Anchieta. A alienação deste patrimônio rendeu R$ 35,6 bilhões. Fepasa e Banespa foram federalizados antes de serem privatizados. Os danos à economia foram brutais. No caso do Banespa, ele possuía ativos de R$ 29 bilhões e patrimônio de R$ 11 bilhões. Mas foi "vendido" ao Santander por apenas R$ 7,05 bilhões - que, descontada a isenção fiscal, não pagou nada pela compra.

7- Estado endividado.

Todo este processo de desmonte foi feito sob o pretexto de que era preciso dar um choque de gestão para sanar a dívida pública. Pura balela. Os R$ 35 bilhões obtidos nas privatizações serviram para pagar juros e a situação financeira do Estado só piorou. A dívida publica pulou de R$ 34 bilhões no início do governo tucano, em janeiro de 1995, para R$ 123 bilhões em março passado. Até o Tribunal de Contas do Estado (TCE) tem criticado o volume excessivo de recursos drenados aos especuladores financeiros. Nos últimos três anos, o Estado de São Paulo desembolsou R$ 13,1 bilhões somente com juros e encargos da dívida. Esta política, que favorece apenas as elites detentoras de títulos da dívida, causou a redução de gastos na infra-estrutura e nas áreas sociais. Os investimentos na segurança, por exemplo, foram de apenas R$ 151 milhões em 2005 - 3% do que foi transferido aos banqueiros -, o que explica a guerra urbana no Estado.

8- Apagão na energia.

O desmonte do Estado teve efeitos devastadores na infra-estrutura, em especial no setor de energia. Numa primeira fase, o governo fatiou as três estatais existentes, Eletropaulo, Cesp e CPFL, em onze empresas de geração, distribuição e transmissão de energia. Na segunda, promoveu o leilão das empresas fragilizadas, num criminoso processo de privatização e desnacionalização. Essa política resultou nos famosos apagões entre junho de 2001 e fevereiro de 2002. Geraldo Alckmin destruiu o sistema de energia construído desde os anos 50 e que havia alavancado a industrialização. "Moeda podre", como o Certificado de Ativos, foi usada nos leilões. Com a privatização, piorou a qualidade dos serviços. No caso da CPFL, antes do leilão ela possuía 200 postos de atendimento no Estado; três anos depois, em 2000, eram apenas 30.

9- Locomotiva parada.

O longo reinado tucano foi um desastre para a economia do Estado, que no passado ficou famoso como a locomotiva do país por seu forte dinamismo econômico. Ainda hoje, apesar do desmonte neoliberal, ele é responsável por 31,8% do PIB, 32% das exportações e 45% das importações. A sua receita, provinda dos tributos dos 37 milhões de habitantes, é de R$ 62,2 bilhões. Ele concentra 51,6% dos salários industriais e aloja sete dos 10 maiores bancos do país. Mas esse dinamismo foi emperrado pela medíocre gestão da turma do Alckmin. O peso de São Paulo no PIB, que atingiu 39,5% em 1970, teve queda abrupta. Hoje, a locomotiva está parada e virou um cemitério de indústrias e empregos. Mantida esta política, estima-se que o PIB per capita de São Paulo cairá da terceira posição no ranking nacional para 11º lugar até 2012.

10- Especulação e miséria

Como resultado desta orientação ultraliberal, as contradições sociais se agravaram. A minoria parasitária, que vive dos juros das dívidas públicas, saiu ganhando. O número de famílias ricas saltou de 191 mil para 674 mil na última década - pulou de 37,8% para 58% do total de famílias abastadas no Brasil. "Grande parte da elite paulista encontra-se submersa no pacto neoliberal, enquanto beneficiária da financeirização. A riqueza não é mais distribuída entre os vários elos da cadeia de produção. Fica concentrada nas famílias de banqueiros e nas pessoas que as rodeiam", afirma Marcio Pochmann. No outro extremo, o cruel ajuste fiscal e a criminosa privatização entravaram o desenvolvimento, causando elevadas taxas de desemprego, redução de gastos sociais e aumento da miséria e da violência. São Paulo possui hoje o maior número de pobres do país. Em 1980, por exemplo, 44,5% da renda vinham do trabalho; em 2003, caiu para 30%.

Artigo 2: Os neoliberais que "fazem a cabeça" de Alckmin


No debate programático, sem o véu do falso moralismo, o candidato Geraldo Alckmin tem perdido pontos na campanha eleitoral do segundo turno, como atestam as pesquisas que indicam o seu constante declínio. A direita neoliberal não tem programa ou idéias inovadoras, a não ser a repetir de forma piorada a trágica receita de FHC que devastou o país, estagnou a sua economia e bateu recordes de desemprego, miséria e violência. Segundo vários "analistas de pesquisa", a única forma de o candidato direitista evitar uma surra em 29 de outubro, inclusive com a queda da sua votação, é através da fabricação de um "fato novo" - em outros termos, de novas baixarias, armações e factóides, que serão amplificadas pela mídia hegemônica.

Não é para menos que Geraldo Alckmin está atordoado, na total defensiva, sendo obrigado a repetir, de forma teatral e marota, que não extinguirá o Bolsa Família, não privatizará as estatais e nem retirará os direitos trabalhistas e previdenciários. Na prática, os defensores desta candidatura têm medo de divulgar suas reais propostas de governo. Sabem que estas idéias têm forte repulsa na sociedade. Depois de longa demora, talvez temendo a repercussão negativa, a coligação PSDB-PFL só apresentou a sua plataforma em meados de setembro. O texto é um amontoado de generalidades, nem dá para chamar de programa.

Mas, apesar de esconder suas idéias e propostas, não é difícil conhecer qual o projeto da direita neoliberal para o futuro do Brasil. É só analisar a desastrosa experiência de FHC e sua aplicação destrutiva em São Paulo. Outra forma bastante esclarecedora é conhecer o que pensam os principais mentores de Alckmin.

Adoradores do "deus-mercado"

Em abril passado, a revista empresarial Exame publicou uma reportagem bajuladora intitulada "Quem faz a cabeça de Alckmin". Como ela mesma admitia, "embora ainda não tenha avançado além das propostas genéricas para os grandes temas nacionais, o perfil e as idéias dos homens mais próximos a ele fornecem boas linhas do que será o modelo Alckmin". Entre outros mentores do presidenciável, ela citava "estrelas como Pedro Malan e Armínio Fraga, os dois pilares econômicos do governo FHC, até José Pastore, nome mais ligado ao PFL e especialista em relações trabalhistas". Também incluía o ex-secretário da Fazenda de São Paulo, Yoshiaki Nakano, e o ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros.

Mesmo desconhecendo seu programa de governo, a publicação não vacilou em traçar suas linhas básicas. "Se o candidato do PSDB tem um plano de país definido, por algum motivo não deixou até agora que se tornasse público. Mas em suas prioridades para gerar um ambiente favorável ao crescimento econômico, incluem-se a queda do taxa de juro e um substancial corte dos gastos públicos. Sobre a política externa, o candidato tucano tem ouvido defensores de uma guinada radical em relação à que vem sendo adotada pelo governo petista. A prioridade é para temas como o estabelecimento de acordos bilaterais e a retomada de negociações para a formação da Alca". Nesta área, ele teria como seu principal ideólogo o ex-embaixador brasileiro em Washington, Rubens Barbosa, um partidário xiita do alinhamento automático com os EUA.

Nos meses seguintes, outros nomes foram surgindo na mídia como integrantes da equipe de programa de Geraldo Alckmin. Como coordenador foi indicado o ex-secretário de Ciência e Tecnologia de São Paulo, José Carlos Souza Meirelles, um dos tecnocratas mais próximos do ex-governador. Também apareceram com freqüência como conselheiros o empresário Roberto Giannetti, ex-secretário da Câmara de Comércio Exterior, os consultor privado Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda, a economista Eliana Cardoso e o tributarista Raul Veloso. Na equipe responsável pela política agrária e agrícola surgiu o deputado Xico Graziano, inimigo rancoroso do MST. Abaixo publicamos as idéias de alguns mentores de Alckmin.

Yoshiaki Nakano:

Conforme revela a própria Exame, "Nakano tem no currículo o saneamento das contas de São Paulo. Seu trabalho é considerado um dos mais monumentais ajustes fiscais já realizados na história brasileira... Ele defende idéias como a adoção do déficit nominal zero". A revista apenas não informa que o "monumental ajuste fiscal", que resultou nas demissões e no arrocho salarial de milhares de servidores e na privatização de boa parte do patrimônio público, foi um "monumental fiasco". Quando o tucanato assumiu o governo paulista, em 1995, a dívida pública era de R$ 48,3 bilhões; atualmente, ela é de R$ 146,6 bilhões. Apesar do desastre, ele insiste na tese do déficit nominal zero, através do violento corte dos gastos operacionais com serviços e servidores públicos e a redução da carga tributária para as corporações empresariais.

Luiz Carlos Mendonça de Barros:

Em matéria no jornal Valor Econômico (09/01/06), o ex-ministro de FHC, responsável pela privataria das comunicações, surge como "o provável homem forte da República dos Bandeirantes". Mesmo pregando alterações na política de juros, o que lhe garante certa aura de desenvolvimentista, Mendonção é um ativo militante neoliberal. No artigo "os bons resultados das privatizações" (FSP, 12/08/05), ele faz rasgados elogios ao governo FHC "pela retirada do setor público, federal e estadual, de amplas áreas da economia". Descarado, chega a citar como exemplo de sucesso a privatização da Vale do Rio Doce, um crime de lesa-pátria. No final, lamenta que "no governo Lula, o processo de desestatização ficou paralisado" e prega a imediata "retomada do movimento de redução da participação do Estado". Em outros artigos, sataniza os servidores, bem ao estilo "caçador de marajás" de Collor de Mello, e exige o fim da "gastança pública".

José Pastore:

Reverenciado pelos neoliberais, o sociólogo e consultor do PFL é considerado um ícone da precarização do trabalho. A matéria do Valor o descreve como um defensor "da reforma trabalhista radical, com corte de encargos e direitos, e crítico da obrigatoriedade do abono de férias e do pagamento do FGTS". Com o farto espaço na mídia, Pastore explicita as suas teses destrutivas. "No Brasil, além do fator previdenciário, há que se elevar a idade para se aposentar... As pessoas vivem mais e precisam trabalhar mais tempo... O Brasil terá de enfrentar, já no início do próximo governo, novas mudanças no sistema previdenciário". Em outro texto, ele faz apologia da terceirização. "Na contramão do que ocorre no resto do mundo, o governo Lula apresenta enorme resistência à modernização das leis que tratam do trabalho terceirizado". Também critica, em outro texto, "as dificuldades criadas pela CLT no meio rural", pregando a sua extinção. Como consultor do ex-ministro Francisco Dornelles, no governo FHC, ele preparou o projeto que propunha "a prevalência do negociado sobre o legislado", que escancarava as portas para a flexibilização trabalhista. É um inimigo declarado do sindicalismo, defensor da sua fragmentação e da redução do seu papel.

Maílson da Nóbrega:

Para este ex-ministro, famoso por sua fidelidade canina à ortodoxia neoliberal, "a autonomia formal do Banco Central ajudaria a dissipar dúvidas quanto ao nosso compromisso com as metas fiscais. O PT não tem resposta para esse ponto porque não consegue convencer seus radicais de que a autonomia formal do BC é a decorrência natural do processo democrático". Ele também critica o aumento dos gastos públicos com a contratação de servidores, com reajuste do salário mínimo e com os programas sociais. "Uma parte [do governo] quer aumentos insustentáveis do salário mínimo, e outra quer deteriorar ainda mais o quadro com propostas de aumento da vinculação dos recursos para a educação".

Roberto Giannetti:

O mesmo artigo do jornal Valor afirma que ele é "pouco simpático ao Mercosul no formato atual e cobra a evolução rápida dos acordos comerciais com a Alca e a União Européia". Na recente crise da Petrobras na Bolívia, o sempre servil defensor dos EUA virou uma fera contra o governo de Evo Morales. Criticou a pretensa "omissão do governo, que não defende os interesses dos empresários brasileiros", e pregou o rompimento das relações com o governo boliviano. Ele também dá várias e ásperas entrevistas contra o presidente Hugo Chávez, sempre rotulado de "populista", que estaria colocando em risco "as harmoniosas relações com os EUA em nosso continente". O atual diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp não esconde seu total desacordo com a atual política do Itamaraty.

José Carlos Meirelles:

O ex-secretário de Ciência e Tecnologia não é propriamente um mentor intelectual. Enquadra-se mais no perfil do tecnocrata e dos apadrinhados da famosa "turma de Pinda". Como repetidor de fórmulas prontas, ele gosta de dizer que "Alckmin fará um choque de capitalismo" caso chegue à presidência da República, repetindo o bordão do ex-governador Mario Covas, fabricado pelos marqueteiros da Rede Globo.

Rubens Barbosa:

Presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da poderosa federação das indústrias de São Paulo (Fiesp) e ex-embaixador de FHC nos Estados Unidos, Rubens Barbosa é um ácido crítico da atual política externa do governo Lula. Em vários artigos na mídia, costuma rotulá-la de "terceiro-mundista", atrasada e ideologizada. Em recente artigo na Folha de S.Paulo (09/08/06), não vacilou em defender que "a política brasileira na América do Sul e no Mercosul terá de ser profundamente revista, de modo a restabelecer uma atitude positiva e cooperativa... Com a retomada das negociações na Alca, caso o governo Lula mantenha as atuais posições, o Brasil ficará isolado no contexto sul-americano. Levará tempo até que as nossas relações sejam recolocadas em seu leito natural, como ocorreu até 2002".

Eliana Cardoso:

Ex-servidora do FMI e ex-integrante de "um grupo de leitura que inclui banqueiros e funcionários do Pentágono", segundo revela a revista IstoÉ (19/03/97), a economista baba de ódio do presidente Lula. "O governo diz que quer recuperar os investimentos em infra-estrutura, mas aumenta os gastos com o funcionalismo. Políticas improvisadas marcam a área social. A estratégia Sul-Sul, que encanta o nosso presidente, não encontra ressonância nos países em desenvolvimento. O país permanece isolado na América Latina, enquanto o presidente se vangloria de ter tirado a Alca da agenda de discussões". Depois deste falacioso diagnóstico, apresentado na falida revista direitista Primeira Leitura, ela ainda dá alguns conselhos: "A privatização do BB e da CEF é uma medida indispensável à transparência dos orçamentos e à estabilidade financeira... Os bancos estatais representam empecilho ao crescimento sustentado". Ela também é uma arquiinimiga, segundo o economista Carlos Lessa, da "retomada desenvolvimentista do BNDES".

Raul Veloso:

Tratado pela mídia hegemônica como "um dos maiores especialistas em finanças públicas do país", este economista é um prestativo serviçal do sistema financeiro. Consultor do PFL, ele vive dando declarações favoráveis a um maior arrocho fiscal no país, à demissão de servidores e a novos cortes salariais. Quando do recente aumento do valor do salário mínimo e da correção da tabela do Imposto de Renda, ele ganhou as manchetes dos jornais com suas profecias terroristas sobre "a falência do Estado brasileiro". No jornal O Globo, ele previu: "Mais uma vez o lado fiscal parece ameaçado. E isso pode resultar em mudança de humor do mercado". Até o corrosivo jornalista Sebastião Nery não poupa adjetivos contra o atual conselheiro de Alckmin. "Raul Veloso, agente da Febraban [federação dos banqueiros], é um dos mais exacerbados vampiros sociais do país. Se dependesse dele, não havia Previdência, FGTS, 13º salário, férias, Bolsa Família, nada. Todo o dinheiro do Brasil iria direto para os bancos".

Xico Graziano:

O ex-presidente do Incra no governo FHC e atual deputado federal do PSDB, venerado por latifundiários e por donos de agronegócios, considera a "reforma agrária um atraso" e costuma se referir ao MST como "banditismo social". Numa longa e rancorosa entrevista à revista Primeira Leitura, ele criticou o governo Lula por não reprimir violentamente as ocupações de terra, afirmou que não existe mais terra improdutiva no Brasil e defendeu o agronegócios como o único modelo viável no mercado. Também destilou veneno contra todos os que lutam pela reforma agrária. "Ao lado do MST, você tem um setor muito atrasado da Igreja Católica, aglutinado na Comissão Pastoral da Terra, cujo expoente é o Tomás Balduíno. À esquerda atrasada da Igreja, soma-se a esquerda atrasada petista... E o governo Lula não tem coragem de assumir a modernidade". Já num artigo para o portal direitista E-Agora, ele esbravejou: "O MST é forte porque luta sem tréguas nem amarras, botando medo no Estado. Justiceiros, invocam os cânones divinos e arrebentam cercas... Alguns formadores de opinião, ao verem a marcha vermelha, alimentam uma espécie de fantasia retrógrada da revolução, a vontade de expiar o passado latifundiário. Gera-se, assim, uma benevolência a perdoar o banditismo rural... Inaceitável é ver a prevalência do arbítrio sobre a política, da foice sobre o trabalho. Menos que a economia rural, é a democracia brasileira que está em xeque". Haja reacionarismo!

Plataforma escondida

Ao estudar alguns destes perfis, o jornalista Marco Aurélio Weissheimer, em reportagem na Carta Maior (16/01/06), já havia antecipado o que seria o programa tucano. "Reforma trabalhista radical, com corte de encargos e direitos; privatização de todos os bancos estatais; fusão dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário; adoção do déficit nominal zero; redução das despesas constitucionalmente obrigatórias em áreas como saúde e educação; menor peso ao Mercosul e retomada das negociações da Alca: essas são algumas das idéias defendidas por um grupo de especialistas que vem se reunindo com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), com o objetivo de desenhar o esboço de um eventual programa de governo". Não é para menos que o presidenciável sempre procurou esconder suas propostas.


* Jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB - Partido Comunista do Brasil