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10 de dez. de 2009

Denunciem e divulguem - Jornal F(a)lha de S. Paulo, na ditadura e na censura.

  Do Portal Vermelho - 05.12.09

Blogueiro notificado pela Folha acusa intimidação

Antonio Arles é estudante de História da USP, militante de movimentos sociais, ciberativista e blogueiro. Hoje ele recebeu uma notificação dos advogados da Folha de S.Paulo e do Uol. Determinava que retirasse do seu blog, o ArlesophiaViomundo. (http://arlesophia.com.br), as imagen da campanha para cancelamento das assinaturas do jornal e do portal. Conceição Lemes entrevistou o blogueiro para o

 Arte Dolphindiluna
Antonio Arles: Aproximadamente às 14 horas, quando saía de casa para a USP. Minha mulher [Flávia] manobrava o carro na garagem e eu esperava na calçada. Aí, fui abordado por um motorista de táxi, que perguntou se eu era Antonio. À confirmação, apontando na direção de um táxi parado no lado oposto à minha casa, disse: “Ela quer falar com você”.

Viomundo: Ela era quem?

Arles:
Uma mensageira do escritório de advocacia que representa o jornal e o portal. Ela limitou-se a dizer que havia uma correspondência para mim e pediu-me que assinasse o protocolo de recebimento. Como estava atrasado para a aula, abri o envelope no caminho. Aí, eu vi que se tratava de uma notificação extrajudicial dos advogados da empresa pelo uso indevido da imagem na campanha pelo cancelamento das assinaturas da Folha e do Uol.


Viomundo: A campanha começou quando?

Arles:
Domingo passado.Na sexta-feira passada [27 de novembro], em função da publicação do artigo Os filhos do Brasil, do César Benjamin, começou no twitter um movimento para cancelamento das assinaturas. No domingo, como já havia muitas adesões, resolvemos lançar a campanha.

Viomundo: É uma campanha do seu blog?

Arles:
Não. É de várias pessoas da blogosfera. Para facilitar o acesso, eu coloquei os links das imagens no meu blog. A partir daí o pessoal foi disseminando.

Viomundo: O que contêm essas imagens?

Arles:
As marcas da Folha e do Uol.

Viomundo: Qual a alegação dos advogados?

Arles:
Uso indevido da imagem. No final da tarde, fiz o que notificação determinou: retirei as imagens do ar. Consequentemente a própria campanha do meu blog.

Viomundo: O que você pretende fazer agora?

Arles:
Meu advogado está estudando medidas legais cabíveis contra essa postura da Folha. Considero intimidação. É cerceamento à liberdade de expressão.

A notificação da Empresa Folha da Manhã SA e do Universo Online SA afirma que "a marca da Folha e do Uol foram indevidamente utilizadas, agravando-se tal fato pelo seu denegrimento", e reproduz as imagens que ilustram esta matéria. "tal atitude fere diversos dispositArtigo 189, I, ivos legais, constituindo crime previsto no Artigo 189, I, da Lei nº 9/279/96".

O Viomundo observa a respeito que "denigrir [ou, como prefere a notificação, denegrir} é um termo racista. Significa tornar negro, em sentido pejorativo. Há outras palavras para expressar o que desejam, mas recorrem a uma com conotação preconceituosa, que associa o tornar-se negro a algo negativo. Denigrir, segundo o dicionário do Houaiss, quer dizer também diminuir a pureza, o valor de; conspurcar(-se), manchar(-se)."

Fonte: http://www.viomundo.com.br

6 de ago. de 2009

DITADURA DA MÍDiA + CONFECOM

Altamiro Borges Lança livro em SP


Por Azenha - 06.08.09


Amanhã é dia de comparecer ao lançamento do livro de Altamiro Borges, na sede do PCdoB, em São Paulo. Sobre o livro, escreveu o Flávio Aguiar:

Texto: Flávio Aguiar, na Carta Maior

Lançado alguns meses antes da I Conferência Nacional de Comunicação, o livro "A ditadura da mídia" (São Paulo, Editora Anita Garibaldi/Associação Vermelho, 2009) traz várias reflexões e propostas que vão desembocar na necessidade e na oportunidade daquele evento.

Depois de fazer um levantamento histórico sobre a concentração da mídia voltada para os interesses e o mundo de valores das classes dominantes, e de seu poder de fogo na mão de poucas empresas e/ou oligarquias familiares (caso particular do Brasil), e de muitas de suas intervenções sempre desfavoráveis às causas populares, o autor, Altamiro Borges, apresenta e detalha uma lista de propostas a serem consideradas pela Conferência:

1) Fortalecer a radiodifusão pública;
2) Revisar os critérios das concessões;
3) Rever os critérios da publicidade oficial;
4) Estimular (ao invés de reprimir) a radiodifusão comunitária;
5) Investir na inclusão digital.
6) Definir um novo marco regulatório para as comunicações, coibindo a monopolização, a desnacionalização e fixando “políticas públicas que garantam o acesso da população aos avanços tecnológicos”.

O autor assinala que a última “iniciativa mais ousada neste campo [da radiodifusão pública] ocorreu no governo de Getúlio Vargas com a criação da Rádio Nacional, que teve expressiva audiência”. Sublinha também que a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), “que gerencia a TV Brasil, oito emissoras de rádio e uma agência noticiosa, sinalizou uma mudança de postura do governo [Lula]”. Saindo de sua timidez anterior em enfrentar a mídia oligárquica, depois do bombardeio que sofreu para impedir a reeleição do presidente em 2006, o governo estaria querendo se distanciar desses “aliados” de antanho que ficam permanentemente querendo fazer furos no casco do seu barco.

Um dos capítulos mais interessantes do livro é o IV, “De Getúlio a Lula, histórias da manipulação da imprensa”, em que se vê o poder da mídia oligárquica ir ampliando seu alcance e sua possibilidade de manipulação política através das novas tecnologias que vão surgindo, até o ápice da tentativa concertada em diferentes veículos de reverter a esperada reeleição do presidente em 2006, em manobra denunciada, como aponta o professor Venício A. de Lima no livro "A mídia nas eleições de 2006" (São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2007. Pág. 17), primeiro nesta Carta Maior, com as reportagens de Bia Barbosa, e na seqüência pelas matérias de Raimundo Pereira em Carta Capital.

No prefácio de "A ditadura da mídia" diz o professor Lima que “um dos principais obstáculos à democratização da mídia tem sido a dificuldade histórica que grande parte da população experimenta para compreender a mídia como um poder e a comunicação como um direito. (...) O poder da grande mídia no mundo contemporâneo tem se caracterizado exatamente por ela estar de tal maneira imbricada no ambiente social que consegue ‘passar desapercebida’, naturalizada, como se não existisse”. Ou seja, a grande mídia se disfarça como “transparente”, seja no sentido de pretender reportar informações de modo “objetivo”, “neutro”, seja no sentido de pretender representar o “interesse público”.

A esse caráter camaleônico eu acrescento outro, que é a contumaz incapacidade de se ver a informação como uma mercadoria produzida, capaz de agregar outras, através da publicidade, de induzir ao consumo de ainda outras, e de agregar serviços e/ou favores sob a forma de benesses do Estado para si mesma. O público em geral, e as esquerdas não se diferenciam nesse particular, pode chegar a ter uma percepção dos veículos da mídia – o jornal ou revista individualizado em papel, o aparato televisivo ou eletrônico (a aparelhagem de produção, transmissão e recepção), etc., como mercadorias, mas não a própria informação. É claro que é muito difícil, porque a informação não é um “objeto”, ela é antes um fluxo contido em pequenas partículas, sejam as letras ou formas da impressão, as palavras e cores digitalizadas da transmissão áudio-visual, etc. Mas sua produção, circulação e consumo prendem-se às regras de um mercado peculiar, mas ainda assim mercado, onde os produtores querem aparentar estar sempre a serviço dos interesses dos consumidores, e não dos próprios. Mais ou menos como na produção de carros, sabonetes ou chicletes.

Cria-se assim um fetichismo peculiar da mercadoria-informação, em que ela brilha como se tivesse vida própria, fosse um valor-em-si e não de troca, a tal ponto que a ausência do objeto-jornal, por exemplo, pode provocar uma crise de abstinência (seja o jornal prezado, detestado, desprezado ou tudo ao mesmo tempo) tão grave no leitor quanto a falta de uma droga para o nela viciado. A mercadoria-informação oculta assim a sua própria natureza de mercadoria, passando a idéia de que ela tem apenas um valor-de-uso, por ser uma “reprodução” fidedigna de uma “realidade”, mesmo quando esta é apenas a opinião de articulistas particulares, pois na grande mídia estes sempre se apresentam falando em nome de vetores semânticos (mais simplesmente sujeitos/objetos) abstratos, como “o eleitor”, “o consumidor”, “o leitor”, e cada vez mais raramente “o cidadão”, palavra que foi remetida para o fundo da gaveta.

O livro de Altamiro é de leitura interessante e obviamente interessada. Tenho apenas uma observação de natureza crítica (afinal, esta também é do ofício do resenhista): com freqüência ele se refere aos Estados Unidos como “o império do mal”. É claro que a expressão tem o sentido irônico de glosar a expressão “eixo do mal”, consagrada pelo governo Bush em relação à Coréia do Norte, Irã e Iraque. Mas sua reiterada repetição lhe dá foro de conceito, e assim deixa ambiguamente no ar a sugestão (certamente involuntária) de que possa haver um “império do bem”.

Por fim, ele também deixa no ar uma pergunta. A união estratégica de interesses da mídia oligárquica no Brasil, por sobre sua concorrência no dia a dia, é cada vez mais sólida, estreita e manifesta. Entretanto, apesar dos inúmeros fóruns, encontros, declarações, as esquerdas e suas mídias alternativas estão ainda longe – como sempre estiveram historicamente – de se articular em frentes comuns de atuação e sinergia. Este é uma outra questão que, mesmo não estando na pauta explícita da I Conferência, vai determinar seus resultados conforme nela se avançar ou estagnar.

2 de ago. de 2009

Os donos da mídia

As Redes (TV E RÁDIO)

No Brasil, o Sistema Central de Mídia é estruturado a partir das redes nacionais de televisão. Mais precisamente, os conglomerados que lideram as cinco maiores redes privadas (Globo, Band, SBT, Record e Rede TV!) controlam, direta e indiretamente, os principais veículos de comunicação no País. Este controle não se dá totalmente de forma explícita ou ilegal. Entretanto, se constituiu e se sustenta contrariando os princípios de qualquer sociedade democrática, que tem no pluralismo das fontes de informação um de seus pilares fundamentais.

Desde a década de 60, a configuração do sistema de redes nacionais foi sendo construída com duas características básicas: forte apoio dos recursos públicos e um modelo de negócios baseado na afiliação de grupos regionais privados a esses conglomerados nacionais. Até hoje, cerca de um terço das prefeituras municipais e outra parcela substancial de empresas públicas estaduais financiam a interiorização dos sinais das redes comerciais.

O gráfico ao lado mostra o número de veículos ligados às {num_redestv} redes nacionais de TV identificadas pelo projeto Donos da Mídia. E, por exclusão, aqueles que não possuem relação de dependência com elas. Considera-se veículos vinculados às redes nacionais todas as emissoras de TV geradoras ou retransmissoras do sinal da cabeça-de-rede. Além disso, estão incluídos todos os demais veículos controlados pelos grupos regionais afiliados. Neste último bloco, são contabilizadas as estações de rádio, jornais, revistas e operadoras de TV por assinatura.

é o número total de redes de TV no Brasil

é o total de veículos ligadas às redes de TV e a seus respectivos grupos afiliados no País.

das redes de TV

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Os grupos nacionais

O Projeto Donos da Mídia define grupos nacionais de mídia como o conjunto de empresas, fundações ou órgãos públicos que controlam mais de um veículo, independentemente de seu suporte, em mais de dois estados. Aqui se enquadram os conglomerados que atuam no núcleo do Sistema Central de Mídia do Brasil porque a maioria destes grupos controla cabeças-de-rede de televisão.

é o número de grupos de abrangência nacional no Brasil.

é o total de veículos controlados pelos grupos nacionais no Brasil.

Tabela acima indica os dez maiores grupos de mídia nacionais ligados às Redes de TV

Fonte: Donos da Mídia.com - Jul.2009

17 de jul. de 2009

Carta aos educadores gaúchos

Por Azenha - 17.07.09

Texto Luiz Henrique Becker

Dia após dia, uma enxurrada de denúncias envolvendo a governadora Yeda aumenta a desconfiança sobre as relações constituídas dentro do palácio Piratini. É crescente o descontentamento do povo gaúcho com as medidas de redução do estado e dos serviços públicos.

Os acordos firmados com o Banco Mundial para o refinanciamento de parte da dívida do Estado com a União hipotecaram os planos de carreira, a garantia de uma aposentadoria digna e a perspectiva de cumprimento da Lei do Piso, questionada pela governadora no STF.

Entretanto, seria errado pensarmos que a crise paralisou o governo. É visível o processo de desconstituição do ensino público e a degradação da qualidade das escolas.

A "saída" que o governo do estado apresenta passa pelas chamadas “parcerias” com o setor privado. O que o jornal Zero Hora, do dia 7 de julho, noticiou já vínhamos alertando há muito tempo. A matéria publicada começa dizendo “Imagine uma escola pública onde os alunos possam visitar uma exposição real sobre corpo humano para complementar as aulas de biologia. Onde os professores mais dedicados recebem um prêmio anual equivalente a R$ 900 para comprar livros, assistir a peças de teatro ou repor um móvel da casa.”

Esse exercício de “imaginação” do jornal se concretiza no acordo firmado entre a Secretaria de Educação e o Unibanco, uma das instituições financeiras que se “lambuza” com as altas taxas de juros no Brasil.

Dessa forma, ao invés do estado garantir um ensino de qualidade para todos, transforma os diretores em vendedores de suas próprias escolas, em troca da entrega da administração pedagógica para uma instituição financeira.

O que é um direito passa a ser resultado de “caridade” de empresários e a receita apontada pelo governo estadual para acabar com os índices abaixo da média obtida pelos alunos nas avaliações externas remete à visão da educação como “mercadoria”. O governo não investe, na educação, os valores previstos em Lei e aposta nas instituições privadas para "ajudar" apenas algumas escolas na solução de problemas que o próprio governo não resolve.

Além disso, experiências recentes em escolas de Porto Alegre demonstram que esse programa, baseado na “premiação” e no trabalho voluntário – instituição estranha ao serviço público – deflagra uma guerra entre os professores na busca pelos “prêmios”.

Não se trata de coincidência. Esse programa está sintonizado com a política de concorrência e de premiação anunciada pela Secretária de Educação no projeto de confisco do plano de carreira.

Quem defende a escola pública, os direitos e as conquistas duramente alcançados só tem uma saída: defender os planos de carreira, lutar pela implementação da Lei do Piso e expurgar o governo Yeda e sua política. Para isso, convido todos os colegas a se somarem ao calendário de atividades definido pelo nosso sindicato, elegendo representantes nas escolas e abrindo esse debate para toda a comunidade escolar.

Saudações Sindicais

*Luiz Henrique Becker

Representante 1/1000

14º Núcleo CPERS Sindicato

13 de jul. de 2009

Do El País - Glberto Gil na Europa diz "Deberíamos esforzarnos por mantener la edad de las luces ..."

Contrário as leis que criminalizam o usuário para baixar arquivos protegidos. "Estão em jogo as liberdades numa sociedade democrática. Tais sanções podem ser tomadas apenas no caso de um grande consenso social", disse Gilberto Gil.

Continue lendo (em espanhol)

12 de jul. de 2009

"A ditadura da mídia"

Leiam abaixo o texto de apresentação do livro "A ditadura da mídia", de Altamiro Borges, escrito por ele mesmo.

A mídia hegemônica vive um paradoxo. Ela nunca foi tão poderosa no mundo e no Brasil, em decorrência dos avanços tecnológicos nos ramos das comunicações e das telecomunicações, do intenso processo de concentração e monopolização do setor nas últimas décadas e da criminosa desregulamentação do mercado que a deixou livre de qualquer controle público. Atualmente, ela exerce a sua brutal ditadura midiática, manipulando informações e deturpando comportamentos. Na crise de hegemonia dos partidos burgueses, a mídia hegemônica confirma uma velha tese do revolucionário italiano Antonio Gramsci e transforma-se num verdadeiro “partido do capital”.

Por outro lado, ela nunca esteve tão vulnerável e sofreu tantos questionamentos da sociedade. No mundo todo, cresce a resistência ao poder manipulador da mídia, expresso nas mentiras ditadas pela CNN e Fox para justificar a invasão dos EUA no Iraque, na sua ação golpista na Venezuela ou na cobertura tendenciosa de inúmeros processos eleitorais. Alguns governantes, respaldados pelas urnas, decidem enfrentar, com formas e ritmos diferentes, esse poder que se coloca acima do Estado de Direito. Na América Latina rebelde, as mudanças no setor são as mais sensíveis.

No caso do Brasil, a mídia controlada por meia-dúzia de famílias também esbanja poder, mas dá vários sinais de fragilidade. Na acirrada disputa sucessória de 2006, o bombardeio midiático não conseguiu induzir o povo ao retrocesso político. Pesquisas recentes apontam queda de audiência da poderosa TV Globo e da tiragem de jornalões tradicionais. O governo Lula, com todas as suas vacilações, adota medidas para se contrapor à ditadura midiática, como a criação da TV Brasil e a convocação da primeira Conferência Nacional de Comunicação.

Este quadro, com seus paradoxos, coloca em novo patamar a luta pela democratização da mídia e pelo fortalecimento de meios alternativos, contra-hegemônicos, de informação. Este desafio se tornou estratégico. Sem enfrentar a ditadura midiática não haverá avanços na democracia, nas lutas dos trabalhadores por uma vida mais digna, na batalha histórica pela superação da barbárie capitalista e nem mesmo na construção do socialismo. Aos poucos, os partidos de esquerda e os movimentos sociais percebem que esta luta estratégica exige o reforço dos veículos alternativos, a denúncia da mídia burguesa e uma plataforma pela efetiva democratização da comunicação.
O livro A ditadura da mídia tem o modesto objetivo de contribuir com este debate. Não é uma obra acadêmica, mas uma peça de denúncia política. Ela não é neutra nem imparcial, mas visa desmascarar o nefasto poder da mídia hegemônica e formular propostas para a democratização dos meios de comunicação. O livro foi prefaciado pelo professor Venício A. de Lima, um dos maiores especialista no tema no país, e apresenta também um comentário do jornalista Laurindo Lalo Leal Filho, ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Ele reúne cinco capítulos:

1- Poder mundial a serviço do capital e das guerras;
2- A mídia na berlinda na América Latina rebelde;
3- Concentração sui generis e os donos da mídia no Brasil;
4- De Getúlio a Lula, histórias da manipulação da imprensa;
5- Outra mídia é urgente: as brechas da democratização.

O exemplar custa R$ 20,00. Na venda de cotas para entidades sindicais e populares (acima de 50 exemplares), o valor unitário é de R$ 10,00. Para adquirir sua cota, escreva para: aaborges1@uol.com.br.

Altamiro Borges.

Clique aqui para ir ao blog do Altamiro Borges.

Por Miguel do Rosário - 12.07.09

6 de jul. de 2009

Serra e a sinecura de Roberto Freire

José Serra é um bom cristão. Segue à risca a recomendação cristã de que o bem deve ser feito discretamente, pois o bom cristão não deve vangloriar-se das bondades que faz. Um exemplo disso foi como O Mais Bem Preparado de Todos os Brasileiros ajudou um desempregado, em sua meteórica passagem na prefeitura de S. Paulo. Sensibilizou-se com a penúria do antigo dirigente comunista Roberto Freira, líder do partido-auxiliar do PSDB, o PPS. Freire curtia um triste desemprego, e O Grande Líder dos Éticos arrumou pra ele não só um, mas dois: duas vagas em conselhos de empresas estatais paulistanas EMURB e SP-Turismo. O ex-comunista, que mora a 3 mil quilômetros de SP, em Recife, agora ganha 12 mil reais por mês para não fazer nada. E ninguém vê nosso Grande e Incomparável Estadista vangloriando-se disso. Esse é um verdadeiro cristão!

Veja notícia no blog do Ricardo Kotscho, que repercutiu notícia publicada discretamente pelo Mais Vendido dos Jornais Brasileiros, a FSP.

Comentário da Tia Carmela: Bom cristão já é demais… Que esse menino Zezinho sempre gostou de ir à missa, isso lá é verdade. Mas era somente para agradar a mãe e ganhar tubaína no almoço de domingo, depois da missa…

4 de jul. de 2009

Como Serra ajudou a financiar o “Cansei”

Deve ter sido coincidência, mas Maria de Lourdes Sinisgalia Fernandes, a Lu Fernandes, uma das líderes do movimento “Cansei”, fracassada iniciativa golpista reunindo grandes brasileiros como João Dória Junior, recebeu mais de um milhão de órgãos do governo do estado de S. Paulo.

Obviamente, foi coincidência…

Veja no blog Cloaca News.

Comentário da Tia Carmela: Esse menino Zezinho sempre pegava dinheiro do bolso do pai para dar para os amiguinhos que ajudavam ele a fazer arte… Uma vez deu dez cruzeiros para um menino escrever no muro da escola uns palavrões xingando o diretor. Quem levou a suspensão foi o menino, coitado. Pelo menos tinha ganho os dez cruzeiros.

15 de jun. de 2009

Brasil: São Paulo, palanque dos neoliberais


As eleições de 2006 confirmaram a hegemonia da direita neoliberal no principal estado da federação. Pela quarta vez consecutiva, o PSDB, partido das elites rentistas e privatistas, ganhou a eleição para o governo paulista e logo no primeiro turno. Os tucanos e seus aliados ainda elegeram o maior número de deputados federais e estaduais, com a redução das bancadas de esquerda mais vinculadas às lutas dos trabalhadores. Além disso, o direitista Geraldo Alckmin, escorraçado nas urnas em quase todo o país, venceu no estado na sucessão presidencial –com a larga vantagem de quatro milhões de votos no primeiro turno e de um milhão de votos no segundo turno, quando a disputa foi mais politizada e polarizada.

Esta hegemonia também se manifesta nas principais cidades do estado e, principalmente, na capital paulista, aonde do PSDB e seu eterno apêndice, o conservador Demo (ex-PFL), mantêm-se a frente da prefeitura. Gilberto Kassab atua como um fiel escudeiro de José Serra, seu antecessor que agora ocupa o Palácio dos Bandeirantes, mantendo os mesmos projetos e o mesmo staff. Isto para não falar da influência da direita neoliberal no Poder Judiciário e do seu total domínio da mídia privada –que sataniza os movimentos sociais e as forças de esquerda e protege os políticos do bloco liberal-conservador.

Paraíso dos rentistas

Há distintas explicações para este fenômeno, que destoa do restante do país no qual se verifica uma tendência mais progressista nas eleições. Por um lado, como registra o economista Marcio Pochmann, São Paulo se transformou no paraíso de rentistas e das camadas médias abastadas. O Estado, que já foi a locomotiva industrial do país e hoje mais se parece com um cemitério de fábricas, é o principal centro da oligarquia financeira. Das 20 mil famílias que especulam com os títulos da dívida pública, quase 80% reside em São Paulo e leva uma vida de opulência.

Esta elite preconceituosa mora em condomínios de luxo, desloca-se em helicópteros (a segunda maior frota do mundo) e carros blindados (a maior frota do planeta), e consome em butiques de luxo, como a Daslu. Ela não tem qualquer identidade ou compromisso com a nação, estando totalmente apartada da realidade de penúria do povo brasileiro. Ela ainda influência uma ampla camada média, que come mortadela e arrota caviar. Estas são as principais bases de apoio do bloco neoliberal e dos movimentos golpistas e racistas, como o “Cansei”.

Por outro lado, o violento processo de desindustrialização do Estado, que resultou em desemprego, informalidade e precarização do trabalho, golpeou a combativa classe operária e fragilizou os seus sindicatos, enfraquecendo a influência política das forças mais vinculadas às lutas dos trabalhadores. Estes dois fatores, entre outros, explicam a forte hegemonia dos neoliberais tucanos em São Paulo.

O candidato da direita

O Estado hoje é o principal laboratório e também o principal palanque dos neoliberais no país. Daqui operam as maiores referências da direita “moderna”, como FHC, Geraldo Alckmin e José Serra, e as mais poderosas entidades empresariais, como a federação das indústrias (Fiesp) e a dos banqueiros (Febraban). Daqui se irradiam as manipulações da mídia burguesa, com as redações da revista Veja, dos jornais Folha e Estadão e das maiores emissoras de TV. Toda a orquestração para barrar as mudanças no Brasil e para pavimentar o retorno da direita neoliberal ao governo federal parte atualmente de São Paulo.

É exatamente por isso que a candidatura do governador paulista se apresenta como a mais forte da reação para a disputa presidencial de 2010. Não é para menos que ele procura renegar o seu passado, no qual foi líder estudantil, exilado no Chile e militante da luta pela redemocratização. Atualmente, José Serra não engana mais ninguém. Está totalmente comprometido com o capital financeiro, os barões do agrobusiness e as megacorporações ávidas pela privatização das estatais. Ainda posa de desenvolvimentista para iludir os ingênuos, mas aplica com ardor o receituário neoliberal. Para atrair o apoio da direita desconfiada, José Serra é mais realista do que o rei. É o principal defensor no PSDB da aliança com os conservadores do Demo (ex-PFL) e adota posturas cada vez mais privatistas, autoritárias e reacionárias. Ele significa um enorme perigo para os que almejam avançar nos rumos das mudanças progressistas no Brasil.

A continuidade do desmonte

A chegada de José Serra ao Palácio dos Bandeirantes representou a continuidade da devastação do estado iniciada pelos tucanos em 1995. Mário Covas, com o seu “choque de capitalismo”, já havia destruído boa parte do patrimônio público, incumbindo seu vice, Geraldo Alckmin, de chefiar o plano de desestatização. Como governador, o seguidor da seita fascista Opus Dei radicalizou na aplicação do modelo neoliberal. Entre outras medidas nefastas, enviou à Assembléia Legislativa o projeto de lei 26/05, demitindo 120 mil professores contratados em regime temporário; dispensou funcionários e reduziu investimentos na Febem, o que explica a eclosão de 34 rebeliões somente em 2005; foi o primeiro a implantar o projeto de Parceira Público Privada (PPP) na privatização da Linha 4 do Metrô, na qual o estado entra com 75% dos recursos da obra e a iniciativa privada fica com os lucros da bilheteria e de outros serviços; e sabotou a instalação de 57 Comissões Parlamentares de Inquérito, o que evidencia o cinismo dos tucanos travestidos de éticos.

Com seu afastamento para a disputa presidencial, assumiu o vice Cláudio Lembo, do Demo, que teve sua curta gestão marcada pela explosão de violência do PCC, mostrando a falácia do discurso sobre o controle da segurança pública. Apesar desta desgraceira, mas contando com o apoio das elites, a cumplicidade das camadas médias e os holofotes da mídia, José Serra obteve mais de 60% dos votos válidos nas eleições de 2006, o que lhe dá força para aplicar, com maior radicalidade, o destrutivo receituário neoliberal.

Postura autoritária

Como prefeito da capital e agora como governador, Serra tem radicalizado as suas posturas autoritárias, o que deve causar inveja ao ex-governador Alckmin, que não teve qualquer passado democrático e sempre esteve ligado às forças de direita, inclusive à seita Opus Dei. Num curto espaço de tempo, são várias as manifestações de arrogância e autoritarismo do governador. Lembrando o sombrio período da ditadura, Serra ordenou a ocupação militar do legendário prédio da Faculdade de Direito da USP para desalojar estudantes que protestavam contra o projeto de sua autoria lesivo à autonomia universitária. A brutalidade da PM foi denunciada pelas entidades democráticas e manchou de vez a biografia do ex-líder estudantil. O episódio foi comparado à ocupação da PUC, comandada pelo coronel Erasmo Dias, durante a ditadura.

Ainda no primeiro semestre, num gesto de triste servilismo ao império, ele acionou a repressão contra um protesto pacífico contra a visita do presidente-terrorista George Bush ao Brasil. Serra tem dado tratamento duro, avesso à negociação, aos movimentos sociais. Já orientou várias desocupações violentas de terrenos e prédios ociosos ocupados pelos movimentos de sem-tetos e rejeita o diálogo com as lideranças rurais do MST, aparecendo como capataz dos latifundiários e cúmplice das suas milícias privadas. Uma foto que ficou famosa, do governador apontando uma arma de fogo, retrata bem a sua conduta violenta e ditatorial.

Aversão ao sindicalismo

O autoritarismo também fica explícito na sua relação com o movimento sindical. Segundo a Apeoesp, que representa os professores estaduais e é o maior sindicato da América Latina, o atual governador sequer negocia com a categoria e persegue as suas lideranças. “Ele se comporta pior ainda do que o Alckmin”, afirma Carlos Ramiro, presidente da entidade. Em maio, a PM sob o seu comando reprimiu violentamente uma manifestação pacífica de 11 mil professores na Avenida Paulista. No mesmo mês, o governo colocou auditores da Secretaria da Fazenda para vistoriar as contas do Sindsaúde, numa tentativa de intimidação da campanha salarial dos servidores da saúde e num arbitrário atentado à legislação sindical.

Essa postura avessa ao sindicalismo ficou ainda mais escancarada na repressão à organizada e combativa categoria dos metroviários. A exemplo de FHC, que acionou tropas do Exército para derrotar a greve dos petroleiros e para “quebrar a espinha dorsal” do sindicalismo, Serra desrespeitou a Constituição e demitiu cinco diretores do sindicato e 61 trabalhadores que participaram da greve favorável ao veto presidencial à nefasta Emenda-3. A entidade foi multada em um milhão de reais por liderar a paralisação e o governo usou o sistema de som do Metrô para fazer campanha terrorista contra a greve, visando jogar os usuários contra os metroviários. “A sua ação relembrou os piores momentos da ditadura, quando o nosso sindicato sofreu intervenção e várias lideranças foram demitidas”, critica Flávio Godoi, dirigente da entidade.

Rolo compressor tucano

A sua aversão ao diálogo manifesta-se ainda no mundo político. Com uma folgada maioria na Assembléia Legislativa, o governador paulista tem imposto a toque de caixa todos os seus projetos. O rolo compressor inviabiliza qualquer reflexão mais séria sobre os graves problemas do Estado e rebaixa o papel do Poder Legislativo, que fica com a imagem de balcão de negócios empestado de deputados fisiológicos. Além disso, essa conduta impede qualquer fiscalização mais rigorosa sobre as ações do Executivo. Neste caso fica evidente a hipocrisia de tucanos e pefelistas, que nacionalmente se travestem de arautos da ética, propondo a instalação de centenas de Comissões Parlamentares de Inquérito, mas que no estado sabotam qualquer apuração de denúncias e abortam todos os pedidos de CPIs.

Até hoje nada foi apurado sobre centenas de irregularidades no reinado tucano em São Paulo. A mídia hegemônica muito falou sobre o trágico acidente da TAM, que resultou na abertura de uma CPI sobre o caos aéreo, mas não fez qualquer pressão para a averiguação do grave acidente do Metrô, que causou uma cratera na cidade e resultou em sete vítimas fatais. José Serra, que já teve o seu nome envolvido em várias denúncias de corrupção, como no caso das sanguessugas, sempre fica incólume. O rolo compressor no Legislativo, sua forte influência no Judiciário e a cumplicidade da mídia impedem qualquer investigação. Aos poucos, tenta-se forjar a imagem de um presidenciável perfeito!

Alguns casos suspeitos

Apesar do esforço tucano para abortar várias CPIs – como as do CDHU, Febem e Rodoanel – novos casos sinistros vêem a tona. Cresce a suspeita de que o governo abafou a investigação sobre a cratera do Metrô devido aos “recursos não contabilizados” (o famoso caixa-2) doados por empreiteiras aos candidatos do PSDB. Políticos ligados a José Serra também são alvos de novas denúncias. O vice-governador Alberto Goldman, metido a paladino da ética, foi citado pelo Ministério Público na apuração sobre favorecimento irregular ao Instituto de Desenvolvimento, Logística, Transporte e Meio Ambiente. Esta organização não-governamental (ONG) foi criada por notórios tucanos – como o próprio vice-governador e o ex-secretário municipal de transportes Frederico Bussinger. A sua esposa dirige a entidade, que recebeu cerca de R$ 5 milhões dos cofres públicos nos últimos seis anos, e é acusado de superfaturamento e licitações fajutas.

Outra denúncia atinge o deputado Celino Cardoso, homem de confiança de José Serra. Há cerca de três anos o parlamentar tucano explora irregularmente áreas da Sabesp em Mairiporã para auferir lucros com o seu hotel Refúgio Cheiro de Mato, que cobra diárias de R$ 500. Os fiscais da empresa denunciaram que a cessão gratuita do terreno, que soma 40 mil metros quadrados em plena Mata Atlântica e numa área de preservação, causou danos ambientais, com a retirada de vegetação, a instalação de plataforma flutuante e rampas para barcos e a criação de uma praia artificial. O ex-governador Alckmin chegou a participar da inauguração do resort, no final de 2003. Diante das graves denúncias, Serra se finge de surdo e mudo, a mídia faz pouco alarde e os ricos empresários e “madames enfadonhas” do golpista “Cansei” não chiam.

Avanço nas privatizações

A postura autoritária do governador José Serra, sempre acobertada pela mídia venal, serve para deixá-lo de mãos livres para aplicação do receituário neoliberal. A obra destrutiva e regressiva dos tucanos, que já dura 12 anos, tem a sua continuidade sem maiores transtornos. Qualquer resistência é abafada. O papel do Estado é minimizado, com a entrega de inúmeros equipamentos públicos à iniciativa privada – agora sob o disfarce das mal chamadas Organizações Sociais (OS). Estas hoje administram vários hospitais, escolas e creches, transformando tudo em mercadoria de péssima qualidade e com altos lucros para uma minoria de empresários. Para piorar, o governador pretende agora retomar as privatizações das empresas estatais, concluindo o serviço criminoso e suspeito das gestões tucanas anteriores.

No final de setembro, José Serra anunciou a abertura do processo de licitação para averiguar o valor de mercado de 18 estatais – entre elas, Sabesp, Metrô, Cesp, Dersa, IPT, CDHU e o banco Nossa Caixa. Cálculos parciais indicam que estas empresas valem mais de R$ 30 bilhões. Todo este patrimônio público deve ser vendido – ou melhor, entregue – à iniciativa privada com a desculpa de saldar a dívida do estado. De 1996 a 2006, os tucanos venderam o equivalente a R$ 37 bilhões do patrimônio público, mas todo este dinheiro sumiu – não serviu para pagar as dívidas, que triplicaram no período, e nem foi aplicado na melhoria dos serviços públicos. Serra pretende agora concluir a obra privatista e entreguista.

O exemplo dos pedágios

Prova cabal de que estas privatizações foram criminosas surgiu com a recente concessão de sete rodovias federais. O leilão, que fere o discurso antiprivatista do governo Lula, serviu ao menos para desmascarar as negociatas tucanas. Como alfinetou o jornalista Elio Gaspari, ácido crítico do presidente Lula, ele colocou sob suspeição a privataria do PSDB e revelou a “incompetência” dos que alardeiam o choque de gestão. “Para se ter idéia do tamanho do êxito do leilão, o percurso que custaria R$ 10 de acordo com a planilha dos anos 90, saiu por R$ 2,70. No ano que vem, quando a firma espanhola OHL começar a cobrar pedágio na Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a São Paulo, cada cem quilômetros rodados custarão R$ 1,42. Se o cidadão viajar em direção ao passado, tomará a Dutra, pagando R$ 7,58 pelos mesmos cem quilômetros. Caso vá a Santos, serão R$ 13,10. Não haverá no mundo disparidade semelhante”, ironizou.

Na prática, a privatização tucana das estradas paulistas resultou num valor do pedágio nove vezes maior do que o das rodovias federais. Não é para menos que as concessionárias gostam tanto dos candidatos do PSDB. O balanço financeiro destas empresas, publicado no Diário Oficial, revela que seus lucros líquidos atingiram R$ 690 milhões em 2006, com um aumento de 150% em relação ao ano anterior. E o governo José Serra acaba de ampliar em mais oito anos e meio o prazo das concessões das rodovias paulistas, sem abolir as cláusulas prejudiciais à população.

Acelerada regressão social

Além da entrega do patrimônio público, o governo Serra não tem atacado os graves problemas sociais que afligem São Paulo. Recente estudo da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação revela que os professores paulistas recebem 39% menos do que os docentes do Acre. No início da carreira, ganham R$ 8,05 por hora aula, enquanto os acreanos recebem R$ 13,16. A denúncia irritou o governador paulista, que afirmou cinicamente que o salário não interfere na qualidade de ensino. O Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb), porém, desmonta este sofisma. A avaliação positiva da educação básica no Acre aumentou 13,8 pontos entre 2003 e 2005, contra apenas 1,1% em São Paulo.

Mas não é somente na educação que o governo tucano mostra desprezo aos servidores e à população que paga imposto. Segundo denúncias do Sindicato dos Médicos de São Paulo, continua o desmonte da saúde no estado. Em novembro passado, o Hospital do Servidor Público Estadual anunciou a demissão de 212 funcionários, sendo 55 médicos, sem aviso prévio. “O descalabro e o autoritarismo de uma administração comprometida com as terceirizações e as privatizações do serviço público pune médicos e funcionários experientes”, denuncia Cid Carvalhaes, dirigente da entidade. “Os pacientes sentem o reflexo das decisões arbitrárias, que prenunciam o caos”, diz Otelo Junior, presidente da Associação dos Servidores do Iamspe.

Abandono no campo e na cidade

O desprezo pelos graves problemas sociais alcança as raias do absurdo na zona rural. Ao mesmo tempo em que criminaliza os movimentos sociais do campo, apartando o MST e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaesp), o governo Serra paralisa o processo de reforma agrária, asfixia acampamentos e assentamentos rurais e privilegia latifundiários e barões do agronegócio. Logo no início da sua gestão, ele enviou à Assembléia Legislativa o projeto de lei 578/07, que legitima a posse fraudulenta das terras devolutas na região do Pontal do Paranapanema. A legalização desta grilagem, questionada judicialmente há décadas, objetiva transformar a área em mais uma fronteira para expansão do agrobusiness.

O governo Serra é um biombo deste setor, que controla a Secretaria de Agricultura, com João Sampaio, dirigente da Sociedade Rural Brasileira, e a Secretaria do Meio Ambiente, com Xico Graziano, raivoso inimigo da reforma agrária e do MST. Se no campo o governo incentiva a concentração fundiária, já nas cidades ele serve à especulação imobiliária e agrava o caos urbano. Um exemplo é o projeto patrocinado pela dupla Serra-Kassab que prevê a demolição de dez quadras no tradicional bairro da Luz, no centro da capital. A área está sendo disputada por dois grupos imobiliários e resultará na expulsão de milhares de famílias. Elas serão deslocadas para bairros periféricos, sem qualquer equipamento público, e reforçarão o intenso processo de favelização dos centros urbanos. Nos últimos quatro anos, a população favelada da capital paulista cresceu 38%, de 290 mil famílias, em 2003, para 400 mil famílias (cerca de 2 milhões de pessoas), em 2006. As reformas agrária e urbana não constam do programa elitista de José Serra.

Desmascarar o tucano

Diante do desastre tucano em São Paulo e do real perigo que representa a candidatura presidencial de José Serra, o movimento popular e sindical precisa urgentemente reforçar as denúncias e a pressão social em defesa do patrimônio público e dos direitos dos trabalhadores e contra o autoritarismo. O novo projeto de privatização das estatais, que inclui empresas da “jóia da coroa” e atinge categorias com forte poder de mobilização, pode detonar uma maior rebeldia da sociedade e, inclusive, despertar os ingênuos que ainda acreditam na falácia do “choque de gestão” do PSDB e do Demo. Uma ampla e unitária campanha contra a privataria pode reverter a atual situação de apatia e isolamento de alguns setores que resistem.

Não dá para vacilar diante do governador José Serra – que age com total amparo de mídia patronal e dos outros poderes. Além da ativa luta social, é preciso infringir derrotas eleitorais aos tucanos para baixar a sua arrogância. As eleições municipais de 2008 serão importante teste neste sentido. Cabe ao movimento social uma intensa participação neste processo, elegendo prefeitos e vereadores comprometidos com as lutas e os anseios dos trabalhadores, como forma de acumular forças para as batalhas futuras.

Altamiro Borges - Avantar - 12.01.08