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26 de ago. de 2009

Trinta anos de história do PT contra cinco minutos na TV

Quem vai ficar com o apoio do PMDB, quer dizer, seus cinco minutos na televisão e seus palanques na campanha de 2010? A resposta a esta questão está na raiz de toda a crise política que se arrasta desde o início do ano e culminou na semana passada com a salvação de José Sarney pelo PT. Vai valer a pena?

No mesmo dia, dois senadores, Marina Silva e Flávio Arns _ por razões bem diferentes, diga-se _ anunciaram que deixariam o partido. No dia seguinte, Aloizio Mercadante foi convencido por Lula a revogar sua renúncia irrevogável à liderança no Senado para não aumentar ainda mais a crise nas relações entre o partido e o governo.

Diante de mais uma guerra interna desencadeada a partir deste episódio, os analistas de sempre repetiram a previsão feita outras vezes ao longo das últimas três décadas: é o fim do PT. Tantas vezes anunciada nestas últimas três décadas, a morte do PT é desmentida eleição após eleição e nas pesquisas, inclusive as mais recentes, que colocam o partido em primeiro lugar na preferência dos eleitores brasileiros.

É como diz o leitor Simei de Almeida, em comentário enviado na tarde de segunda-feira: “Antes não prestava pelo que era, agora não presta pelo que não é mais”.

Às vésperas de comemorar 30 anos, no começo do ano eleitoral de 2010, parlamentares, dirigentes e militantes petistas vivem o eterno dilema de ser ou não ser governo quando chegam ao poder, do pequeno munícipio à Presidência da República. Tem sido assim desde que o primeiro petista foi eleito. Muitos foram ficando pelo caminho, abrindo dissidências e até novos partidos, que nunca emplacaram.

No centro das discussões, desde o primeiro Encontro Nacional do PT, está sempre a política de alianças, depois que o partido descobriu que ninguém consegue se eleger nem governar sozinho.

Qual o preço e os limites destas alianças? Foi mais uma vez em torno desta questão que a jornalista Marilda Varejão, minha velha amiga e petista histórica, desencadeou um grande debate entre militantes, a partir do momento em que comunicou a mais de cem pessoas das suas relações que estava deixando o partido.

“Com imensa dor, mas com igual convicção, anexo a carta que estou levando hoje ao PT local. Sem mais, abraços, Marilda Varejão”, escreveu ela, e anexou a carta que reproduzo abaixo.

“Petrópolis, 23 de setembro de 2009

Ao Partido dos Trabalhadores

Há muito – mais precisamente desde quando, no “mensalão”, vi rolarem por terra ídolos como José Dirceu e Genoíno – venho pensando em fazer o que agora faço. Entretanto, movida pelo desejo de separar o joio do trigo e, de alguma forma, ajudar a reconstruir o PT local, mantive-me fiel ao partido, tendo exultado quando a cidade elegeu Paulo Mustrangi como prefeito.

Entretanto, apesar de Lula declarar que petista é como flamenguista, que permanece fiel ao time independentemente das derrotas, creio que para tudo nesse mundo há um limite. E não suporto mais ver esse homem – que acompanhei com ardor e paixão desde a greve dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, SP, em maio de 1978 –, em nome da “governabilidade”, jogar por terra a própria biografia e os ideais de tantos quantos depositaram nele a responsabilidade de construir um Brasil mais justo e mais digno.

O mais lamentável em tudo isso é que, apesar da decepção, não nego sua capacidade e louvo seus feitos: é mérito seu mais de 35 milhões de brasileiros terem saído da linha de pobreza e nosso país hoje ser conhecido e respeitado em todo o mundo. Mas nem por isso Lula pode ser maior que o próprio PT nem fazer com que petistas históricos, como o senador Aloizio Mercadante se tornem alvo do achincalhe nacional.

Por tudo isso, em caráter irrevogável (irrevogável mesmo!), venho solicitar minha desfiliação partidária. Solitária em minha dor, saberei sempre a hora de estar ao lado das pessoas de bem que insistem na luta, como por exemplo o ministro Patrus Ananias. Mas me resguardo e estou a salvo dessa indigesta pizza que tentam jogar goela abaixo dos menos incautos.

Atenciosamente,

Marilda Varejão (título de eleitor 228802690159, zona 0085 seção 0018 cadastro 2407706)

Os amigos da Marilda se dividiram ao meio, apoiando ou discordando da sua decisão, e o debate continua nesta terça-feira pela internet.

Zélio Alves Pinto, o grande cartunista e artista plástico, escreveu: “Tá certo, Marilinha: concordo, mas discordo, porque contra fogo só fogaréo, senão acabam queimando a gente e, cansado de ser gato escaldado, eu fico. Não tenho carteirinha, apenas fé. E é nessa que eu vou. Apoio Marilda, você, e digo-lhe mais, até a Marina, mas não dá pra votar nela (vão fazer picadinho da santa), mas fico. Me desculpa, viu? Todo carinho, Zélio”.

No final da noite de ontem, ao ler a mensagem de Zélio, resolvi participar também do debate em que escrevi para os amigos o que penso a respeito deste assunto:

“Pessoal,

Não queria entrar nesta conversa, mas faço minhas as palavras do mestre Zélio, sem tirar nem por. É por isso que gosto sempre de ouvir os mais velhos…

Estou que nem ele: nunca entrei em partido nenhum, mas não perco a fé. Se não entrei, não tenho nem como sair… Como dizia outro velho amigo, o Carlito Maia: não sou do PT, mas o PT é meu partido. É e será. O resto é muito pior.

Qual PV vocês preferem: o PV do DEM e do Sirkys, no Rio, ou o PV do PSDB e do Penna em São Paulo? Coitada da minha amiga Marina…

Entre o Gabeira e o Roberto Freire, linhas auxiliares dos demo-tucanos, gente sem projeto e sem compromisso com o país, fico com o Lula, o melhor presidente (para a maioria da população) que este país já teve, desde Getúlio Vargas.

Daqui a 100 anos, quando falarem do Brasil, só vão lembrar destes dois.

Abração a todos,

Ricardo Kotscho”.

2 de ago. de 2009

O Senado está precisando de uma grande faxina, a começar pelo DEM...PSDB..

Não entendo como é que políticos do DEM têm coragem de abrir a boca para pedir a cabeça do presidente do Senado, José Sarney. Quando o PT lançou o nome do senador Tião Viana à presidência da instituição, o DEM e o PSDB apoiaram Sarney. Se há alguém responsável por Sarney estar onde está é o DEM seguido do PSDB. Por causa das forças conservadoras, o senador Tião Viana perdeu e com ele a chance de empreender mudanças na estrutura da Casa. É preciso criar uma lei de responsabilidade administrativa e fiscal do Senado, que limite os gastos à capacidade das receitas. Um controle das contas. É preciso cortar os abusos, as despesas absurdas. As mamatas construídas pelos senadores de todos os partidos, de direita e esquerda. O empreguismo comeu solto nos últimos anos.É preciso, sobretudo, convocar a sociedade para discutir a reforma. Não confundir sociedade civil com imprensa escrita, falada ou televisiva. Esse pessoal não representa a opinião pública, esse pessoal atua como partido político.E sabe o que mais? O Senado precisa de uma faxina total. Nas próximas eleições a sociedade precisa se livrar dos carcomidos senadores do DEM, do PSDB e do PPS que elegeram Sarney presidente da instituição. Eles são os culpados. Lula não tem nada a ver com isso. Na Bahia eu já sei. Vou votar em Lídice da Mata (PSB) senadora. Para me livrar de César Borges e ACM Júnior.

Oldack Miranda
http://bahiadefato.blogspot.com/

Fonte: Jussara Seixas - Blog da Dilma - 02.08.09

18 de jul. de 2009

Instituto de FHC embolsou R$ 5,7 milhões para digitalizar 9 fotos, valor cinco vezes maior do que usado pela Fundação de José Sarney

Por Humberto Amadeu - 15.07.09

O Instituto Fernando Henrique Cardoso – iFHC – recebeu R$ 5,7 milhões, por meio de projeto da Lei Rouanet, aprovado pelo Ministério da Cultura em 2004, para digitalizar o acervo do ex-presidente com dinheiro de impostos que o poder público deixou de arrecadar das empresas patrocinadoras. O valor é quase cinco vezes maior do que usado pela Fundação José Sarney para fazer trabalho semelhante, segundo mostra o blog Os Amigos do Presidente Lula.
Segundo o projeto do iFHC, a digitalização do acervo tem prazo para ser concluída até dezembro desse ano. Mas, passados quatro anos e meio, a digitalização disponibilizou na internet apenas nove fotos e o site informa que o portal do acervo encontra-se em construção.
A prestação de contas do instituto no Ministério da Cultura também está irregular, constando como pendentes informações sobre as metas a serem realizadas, as metas já realizadas e o tempo necessário para a conclusão do projeto. Apesar disso, há um novo projeto, pedindo R$ 7 milhões para a conclusão do trabalho. Se aprovado, o valor total chegará a R$ 12,7 milhões.
Entre as empresas que patrocinaram o projeto até agora está a Sabesp, na época do governo de Geraldo Alckmin, além de outras empresas beneficiadas pelas privatizações dos governos tucanos. Todas elas abateram as doações do imposto de renda, que deixou de ser arrecadado para engordar as contas do iFHC. Para piorar, a operação Satiagraha identificou aplicações financeiras do instituto no Opportunity Fund, de Daniel Dantas.
HORA DO POVO, ed. 2782
15.07.09

13 de jul. de 2009

Santayana: a CPI da Petrobrás golpeará os que a promovem

O governo decidiu aceitar a instalação da CPI da Petrobras. Poderia tê-lo feito antes, uma vez que dispõe de maioria no Senado. Agira com prudência, ao tentar impedi-la, porque a Petrobras – a maior empresa brasileira, e uma das maiores do mundo – tem as suas ações negociadas nas bolsas internacionais, e qualquer suspeita sobre suas atividades lhe acarretará danos. Duas devem ter sido as razões principais que orientaram o Planalto a solicitar a instalação do colégio investigador. Diante da crise na Câmara Alta, é melhor que a instituição saia do círculo de giz, e passe a atuar, ainda que por iniciativa da oposição e contra o próprio governo, e o presidente confia na lisura das atividades da empresa. Além disso, as principais figuras da oposição se encontram enodoadas com os escândalos. Se o Senado se encontra desmoralizado diante da opinião pública – e é inegável que assim está – situação e oposição se acham sob a mesma tacha. Escapam, como tantos já constataram, algumas poucas ovelhas, em rebanho enegrecido pelas cinzas da corrupção. As circunstâncias fecham com escolhos o trajeto da CPI. Dificilmente as suas sessões serão acompanhadas pelo interesse da cidadania, cansada dos mesmos comediantes de sempre.
A Petrobras, com todos os seus êxitos, vale mais como símbolo da obstinação brasileira do que pelos seus resultados econômicos, por maiores eles sejam. Suas imensas receitas, que nos ajudaram a vencer as duras dificuldades do subdesenvolvimento, revelam a inteligência de nossos geólogos, engenheiros de minas, engenheiros mecânicos e trabalhadores comuns. Essa massa de pesquisadores e inventores não se reuniria, sem que a precedessem os atos políticos de brasileiros comuns, entre eles intelectuais e jornalistas, como Monteiro Lobato, Gondim da Fonseca, Domingos Velasco e Mattos Pimenta, Joel Silveira, Barbosa Lima, Oscar Niemeyer e muitos outros.
Os mais jovens não sabem o que é um povo sem petróleo. Durante muito tempo comprávamos, dos Estados Unidos, a gasolina a conta-gotas, e mantínhamos estoques de curta duração. A energia sempre foi arma estratégica. A partir do momento em que a gasolina servia de suporte a uma forma de vida – também ela importada do Norte – dela não poderíamos prescindir. Se houvesse, por acaso, uma guerra em que o Brasil se envolvesse com qualquer vizinho, bastaria aos norte-americanos fechar o nosso suprimento e favorecer o inimigo. Pouco a pouco, fomos construindo pequenas refinarias, mas sempre dependíamos do petróleo bruto, e esse estava sob o controle das sete irmãs. Temos a acrescentar que a iluminação elétrica era luxo de algumas cidades. A iluminação das casas, no vasto interior, quando não se fazia com o óleo de mamona, dependia do querosene Jacaré, produzido, importado e distribuído em latas de 20 litros pela Standard Oil. Nos morros do Rio de Janeiro e nos subúrbios das cidades maiores do resto do país, as lamparinas se alimentavam desse combustível.
Impingiram-nos a idéia de que no Brasil não havia petróleo. Os gases emanavam de fendas no solo, aqui e ali, e, de alguns poços pioneiros – como o de Lobato, na Bahia – ele chegou a jorrar com timidez, mas, segundo alguns, não tínhamos o óleo. Havia petróleo na Argentina, na Bolívia, no Paraguai, na Venezuela, na Colômbia, no Peru – não em nosso solo.
A criação da Petrobras custou o suor e o sangue de muitos brasileiros. Podemos encontrar dezenas de explicações para a morte de Getúlio, em agosto de 1954, todas marcadas pelo petróleo. A sanção da lei que criara a empresa, em outubro do ano anterior, enfrentou a reação orquestrada da grande imprensa, a serviço dos interesses externos. Vargas só contava com os trabalhadores e com os estudantes, que não dispunham do poder de mobilizar os militares, como fizeram Lacerda e outros. A Petrobras, que afrontou todas as dificuldades para consolidar-se, foi recentemente mutilada pelo governo tucano, que rompeu o monopólio estatal e abriu seu capital aos estrangeiros. A iniciativa da CPI, à parte o interesse em desestabilizar o governo, visa a favorecer a entrega do petróleo do pré-sal a empresas multinacionais. Se existem irregularidades na Petrobras, há como identificá-las e saná-las, mediante os organismos oficiais de controle, como o TCU, a CGU e o Ministério Público – com rigor, e sem espetáculo.
A CPI da Petrobras provavelmente terá o percurso de um bumerangue: golpeará os que a promovem.


Texto: Mauro Santayana, no JB

fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/santayana-a-cpi-da-petrobras-golpeara-os-que-a-promovem/


Sobre as matérias publicadas na imprensa hoje (9/7), em relação ao patrocínio da Petrobras à Fundação José Sarney a Companhia esclarece que:

O contrato teve vigência de 13/12/2005 a 17/10/2008 no valor total de R$1,34 milhão. O patrocínio à Fundação foi feito via Lei Rouanet, portanto com recursos oriundos do incentivo fiscal. Em projetos que utilizam a Lei, cabe aos patrocinados prestar contas ao Ministério da Cultura, incluindo notas fiscais de despesas realizadas com o projeto e recibos referentes aos recursos recebidos.

Patrocínio à Fundação José Sarney

Fundacao Sarney

11 de jul. de 2009

É a glória: Economist cita Arthur Virgílio Cardoso

Arthur Virgilio ia dar uma surra no Lula e teve 5% dos votos para governador

Arthur Virgílio ia dar uma surra no Lula e teve 5% dos votos para governador

Sugestão do amigo navegante Cardoso Neto:

Saiu no Economist:

Lots of senators, more or less across the political spectrum, are at fault. When the leader of the opposition Party of Brazilian Social Democracy went on a jaunt to Paris, for example, the Senate paid his hotel bill. (He says this was a “loan”.) It therefore might seem unfair that Mr Sarney is under pressure to resign.

(Muitos senadores, de todo o espectro político, cometeram erros. Quando o líder do partido de oposição, o PSDB (quem é ? Ele, Arthur Virgilio Cardoso – PHA), foi dar uma voltinha em Paris, por exemplo, o Senado pagou a conta do hotel. (Ele diz que foi um ‘empréstimo’) Portanto, seria injusto só Sarney ser pressionado a renunciar.)

Quem será o carrasco da CPI da Petrobrás ?

Arthur Virgílio Cardoso, esse da voltinha em Paris?

Ou o Tasso Jereissati , que andava de jatinho e pendurava a conta no Senado ?

Ou o Álvaro Dias, que confessou que vazou o banco de dados com as despesas da D. Ruth na Europa, só para embaraçar a Dilma ?

Ou o Marconi Perillo, o varão que Plutarco achou em Goiás ?

Por Paulo Henrique Amorin - 10.07.09

Leia os comentários

3 de jul. de 2009

Santayana: oposição não tem autoridade para criticar Sarney

A tragédia e a farsa

Por Azenha - Do Vi o Mundo - 03.07

Texto de Mauro Santayana, no JB Online - 03.07.09

Elegante e moderado, enquanto viveu, o excelente médico e homem público José Aristodemo Pinotti contribuiu, com sua morte, para que arrefecessem os ânimos no Senado, na tarde de ontem. Presidindo a sessão de homenagem ao morto, o senador José Sarney pediu que os discursos se limitassem à sua memória, mas não teve êxito. O senador Arthur Virgílio quebrou o rito, ao anunciar que venderá propriedades da família, a fim de ressarcir o Tesouro do dinheiro que foi pago a um funcionário que, lotado em seu gabinete, viveu em Paris, durante mais de um ano.

Essa crise no Senado está muito distante da versão shakespeareana do complô contra César: não conseguimos ver, sob a manga da túnica de Arthur Virgílio, nem sob as dos outros que a ele se unem, o punhal de Brutus e de seus companheiros de conjura. Os punhais de hoje são metafóricos, e o senador pelo Amazonas não tem as dimensões trágicas de Marcus Brutus. O que se passa no Senado está mais para uma pantomima da commedia dell'arte do Renascimento Italiano.

Quaisquer que tenham sido os erros do senador Sarney na presidência do Senado, eles não são exclusivos do político do Maranhão. A cultura da tolerância permitiu que a representação parlamentar se degradasse a esse ponto. A longa experiência política do ex-presidente da República o devia advertir que, com os inimigos e adversários que reuniu durante décadas, devia precaver-se. Mas, pelo que vemos, quaisquer tenham sido os seus erros, ele se encontra em condições de devolver, aos honourable and wise men, todas as pedras que lhe são atiradas. Falta autoridade a Arthur Virgílio para pedir o afastamento do presidente do Senado, depois de ter confessado alguns de seus próprios pecados. Ele parece ter sido aconselhado pela astúcia jesuítica da restrição mental, quando se esqueceu, no auge de sua investida, que se valera de Agaciel Maia, a fim de socorrê-lo em Paris. Fora o senador imprevidente, ao viajar para a França sem os recursos necessários, ou perdera o controle dos gastos, o que dá no mesmo. E se esqueceu de que, na mesma Paris, estava a prova de outro descuido: o de ter, ali, recebendo vencimentos no Senado, um servidor público lotado no seu gabinete em Brasília.

Entre as muitas lições do episódio, duas se destacam. Ambas são importantes para a correção ética da vida política nacional. A primeira é que, em consequência de uma disputa menor, desencadeou-se o processo que levou à ruptura da omertà corporativa. Os debates podiam ser acesos, e eram, mas não se tocava nas coisas domésticas. Afinal, de minimis non curat praetor: dos atos secretos e dos acertos financeiros, coisa menor, cuidava o diretor-geral e seus auxiliares. Agora a cidadania sabe que uma coisa eram os discursos inflamados no plenário, outra os entendimentos fora dos holofotes e dos olhos dos repórteres.

Outra grande lição é que não pode haver República democrática sem oposição. Não temos oposição. Primeiro porque não há partidos políticos, mas, sim, grupos de interesses, que se articulam entre si, como se articulam com os “poderes de fato” exercidos pelos homens de negócios, na defesa da “estabilidade”, ou seja, da permanência da injustiça. Não há partidos políticos, salvo os pequenos, que dão testemunho ideológico no Congresso, porque não há ideias em que os grandes se sustentem. Identificam-se, vagamente, como conservadores e liberais, e dizem oscilar em torno do centro. A oposição é de faz de conta. Faltam ao Parlamento de hoje homens de ideias e de ação, como foram, em seu tempo, os oposicionistas Prado Kelly e Affonso Arinos, e os defensores do governo de Vargas, Juscelino e Jango – como Vieira de Mello, Tancredo Neves, Gustavo Capanema, Paulo Pinheiro Chagas, Almino Afonso, entre outros.

Ao presidir, com habilidade, a transição para o estado de direito, que caberia a Tancredo, o senador José Sarney prestou serviços valiosos ao povo brasileiro. Não foram fáceis aqueles anos, de 1985 a 1990, com o acúmulo de problemas, como o da inflação e o do desmonte do entulho autoritário. Embora o passado não absolva o presente, muitos dos que o acusam hoje, e são beneficiários dos desvios administrativos, nada ofereceram ao país, senão sua ambição.

Os cidadãos esperam que todos os fatos se esclareçam, e que os responsáveis pelos desmandos, ativos e passivos, paguem pelos seus erros.

2 de jul. de 2009

Objetivo do PSDB é dar golpe e desestabilizar o governo Lula. De O Globo "... PSDB não quer a cadeira de Sarney, mas sim a de Lula"

Por Daniel Pearl - 02.07

O que estamos assistindo no Senado, é uma encenação dos tucanos na sua tentativa de dar um golpe e tomar o controle da Casa. Não querem investigar nada, coisa nenhuma, apenas atingir seu presidente, senador José Sarney (PMDB-AP) pelo apoio que este tem dado ao presidente Lula, a seu governo e a pré-candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil. Reformar o Senado, apurar as responsabilidades, mudar os procedimentos de licitações e nomeações, enxugar a máquina administrativa, por fim aos privilégios acumulados em décadas e a falta de publicidade aos atos do Senado... Nada! Ao contrário, o tempo passa e as denúncias que vem a público, como as feitas contra os senadores Artur Virgílio (PSDB-AM) e Efraim Morais (DEM-PB) já caíram no esquecimento - particularmente da mídia - mas, Sarney continua nas manchetes. Ao mesmo tempo o PSDB prossegue o seu jogo com o único objetivo, podem ter certeza, de controlar o Senado para, com CPIs - começando pela da Petrobras - procurar, com amplo apoio na mídia e de novo no tapetão, paralisar e desestabilizar o governo, para assim tentar ganhar as eleições de 2010.

Pressão por deposição de Sarney continua

A ela se uniram, agora, o PDT, e dando continuidade a seu papel de linha auxiliar da direita no país, o PSOL representou contra os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL). Lamentavelmente não o fizeram, não entraram com nenhuma representação contra os senadores Efraim Morais (DEM-PB) e Artur Virgilio (PSDB-AM). A proposta apresentada pelo presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE) de, no caso da renúncia ou pedido de licença do presidente atual do Senado, José Sarney, nomear uma comissão para, na prática, dirigir a Casa, foi repudiada pelo seu próprio partido, pelo 1º vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (GO). Está aí a mais consistente prova do caráter oportunista e de oposição desse pedido de afastamento feito pelo PSDB. Sem falar no cinismo do DEM, cujo 1º secretário do Senado na Mesa anterior à atual, Efraim Moraes, está afundado em denúncias e tem responsabilidade em tudo o que aconteceu na Casa na gestão do diretor-geral Agaciel Maia. Sem esquecer que o DEM, de Efraim Morais, vem controlando esse cargo há anos.

Sérgio Guerra tem razão: punição para todos A rigor o presidente nacional tucano, senador Sérgio Guerra (PE) tem razão: não tem sentido o senador José Sarney se licenciar, e a atual Mesa continuar, ou a anterior não responder, também, pelos desmandos e ilegalidades. Muito menos tem sentido os 37 senadores beneficiados por atos secretos, e mais Efraim Morais e Artur Virgílio, ficarem impunes, sem sequer responder a uma representação ou processo na Comissão de Ética do Senado, ou mesmo a uma investigação pelo Ministério Público Federal no Supremo Tribunal Federal (STF). Daí a reação do 1º secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), repudiando a proposta do PSDB e propondo a renúncia coletiva de todos os atuais dirigentes do Senado.

Origem do Blog Zé Dirceu - 01.07.09

Vejam no site do Nassif - de O Globo "

Virgílio diz que PSDB não quer a cadeira de Sarney, mas sim a de Lula

O corrupto Marconi Perillo (PSDB) está querendo a cadeira de Sarney

Um informante do nosso blog, (não perguntem quem é, porque eu não conto nem sob tortura), me contou a seguinte conversa ocorrida ontem no senado; Primeiro na linha sucessória no Senado, caso o presidente José Sarney (PMDB-AP) se afaste do cargo, o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) pediu à bancada tucana que abaixasse o tom contra o cacique maranhense. Perillo cumpre o roteiro de não deixar transparecer qualquer vontade de assumir o comando do Congresso, instalar a CPI do PSDB e ainda de quebra aporrinhar o governo Lula. Quem pendurou o guizo no pescoço de Sarney foi o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Foi também Sérgio Guerra que convenceu o DEM a retirar o apoio a Sarney. Também foi idéia do senador Sérgio Guerra (PE), a criação de uma comissão formada por cinco senadores, que faria as vezes da Mesa Diretora do Senado.

Aprovada pela bancada do PSDB no Senado, a criação da comissão integrada por cinco senadores seria um caminho para estancar a crise. O senador Tasso Jereissati (CE) seria o integrante do PSDB indicado para a comissão

Imagine você querido leitor, até Heráclito Fortes (DEM-PI), acusou o PSDB de promover um "golpe" ao propor a criação da tal comissão. "Jamais aceitaria aplicar um golpe na atual Mesa", disse Fortes. "Intervenção, não! Grupo para controlar a Mesa, não! Bedel de secretário, não!", vociferou o primeiro-secretário.

Ele disse ainda que uma das soluções para pôr fim à crise no Senado seria a renúncia coletiva de toda a Mesa Diretora, integrada por 11 senadores - sete titulares e quatro suplentes.

Governador de Goiás entre 1998 e 2006, Perillo é alvo de vários processos, que poderão ser "desencavados" caso ele venha a assumir interinamente a presidência do Senado. Veja aqui, mais aqui Tem mais aqui neste link (mais você encontra no arquivo do blog, na busca)

O ex-presidente da República que tanto serviu ao ex-PFL, foi abandonado pelo DEM.O DEM está muito bem sentado na Primeira-Secretaria do Senado, com o senador Heráclito Fortes, do Piauí. E nesse campo, algumas dúvidas assaltam hoje os democratas: e se toda a base do governo resolve se juntar e eleger um nome novo para comandar a Casa? O que fariam os DEM e tucanos nesse barco?

Eles pensam que nos enganam

Subestimar a inteligência do eleitor tem sido a postura do PSDB e DEM desastrosamente diante do eleitorado, por exemplo: como oposição ao governo Lula, 365 dias do ano portam-se como os paladinos defensores de CPIs. Porém nas suas próprias administrações, notoriamente sabido pelo povo, mais de meia centena de CPIs foram engavetadas e abortadas pelo PSDB ante os desmandos e corrupção nos governos tucanos a exemplo de São Paulo e outras federações, como no caso do Rio Grando de Sul.

Eles pensam que são inteligentes, contudo, o povo que os julgam, tem encontrado neles a falta de inteligência, e, em cada eleição vem desmascarado o PSDB que, em arrogância, exibem-se com seus titulos e diplomas. Esses tais não enganam mais ninguém. Eles mesmos se auto-desmascaram...

Por Helena - 01.07.09

Leia outras matérias: "... querem derrubar o Sarney, mas ... o homem do castelo é absolvido."

PT pede saída de Sarney

Se Sarney sair entra o tucano Marconi Perillo, impoluto guardião da ética e acusado, entre outras coisas, de:
- Concussão
- Corrupção passiva
- Prevaricação
- Tráfico de influência
- Corrupção ativa
- Crimes de abuso de autoridade

PT decide pedir afastamento de Sarney da presidência do Senado por 30 dias
GloboNews TV; Agência Brasil; O Globo

BRASÍLIA - O PT decidiu, em reunião da bancada do partido na tarde desta quarta-feira, pedir o afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), do cargo por 30 dias. Durante esse período, funcionaria na Casa uma comissão que formularia uma proposta de reestruturação completa do Senado.

Veja comentário de Mercadante

Rio faz manifestação contra Sarney

A mega-manifestação articulada através da rede social Twitter, além de incontáveis blogs e imensa divulgação midiática, levou um total de 26 (vinte e seis) pessoas à Cinelândia, segundo a Agência Estado. Não se sabe se nesse número estão incluídos os repórteres e curiosos.

Fora Sarney!Por Esquerdopata - 01.07.09

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