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2 de mar. de 2013

Maria da Penha promove palestra sobre questões de gênero

Maria da Penha - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Presença da mulher que inspirou a Lei 11.340/06 abre as comemorações relativas ao Mês da Mulher no Ministério Público do Distrito Federal 

26 de nov. de 2012

No Dia Nacional da Luta contra a Violência sobre a Mulher, a falta no atendimento à educação para seus filhos é uma violência.

Hoje o número de crianças sem creche, na cidade de São Paulo, chega a 157.000.
 Falta de creche e escolas em período integral para crianças e adolescentes emperra autonomia financeira para as mulheres.

Por Márcia Brasil

No Dia Nacional da Não Violência contra a Mulher, comemorado dia 25 de Novembro, pouco (ou nada) é falado sobre a falta de escolas para o atendimento de crianças e adolescentes. A mulher também sofre violência constitucional por perder o direito de progredir, quando o Estado não garante educação adequada para seus filhos, nas áreas rurais ou urbanas. A condição de estudar e obter novas formações profissionais é quase nula para esta mãe independente.

8 de mar. de 2012

Maria da Penha, nesta lei eu confio.


Violência contra a mulher, vamos combater. Muitas sofrem por medo, constrangimento e desinformação. Disque-denúncia:  181 . Guardem e divulguem esse número. Hoje todos podem ajudar. #DiaInternacionaldaMulher

4 de jun. de 2011

Nem putas, nem santas: livres


Por Bruna Provazi - 04.06.2011

Mal terminou o maio de 2011, com sua sequência de sábados de protestos nas ruas de São Paulo (leia-se: Churrascão da Gente Diferenciada, Marcha da Maconha e Marcha da Liberdade), o final de semana que abriu o mês de junho veio carregado de indícios de que o coro d@s ciberativistas descontentes prossegue.
A Marcha das Vadias pode ter reunido menos gente do que as manifestações anteriores, até porque, como sabemos, a questão das mulheres é um tema que mobiliza menos a atenção da sociedade brasileira. Não fosse isso, talvez já tivéssemos avançado em muitas reivindicações lááá da segunda onda do feminismo pelas quais ainda lutamos, tais como a legalização do aborto. Outro motivo é que é legal e descolado defender pautas mais amplas, como a liberdade de expressão (de quem mesmo?), difícil mesmo é descer do muro quando o assunto é feminismo.
Ainda assim, centenas de pessoas (não sou boa com números, mas, se a polícia conta 300, certamente podemos jogar esse número aí bem pra cima), saíram de suas casas nesse gelado sábado de outono/inverno pra fazer algo mais que desfilar de lingerie pela Paulista – como temíamos que pudesse acontecer. Às duas da tarde, horário marcado no Facebook, havia mais fotógrafos e jornalistas do que as vadias propriamente ditas. Em pouco tempo, já éramos maioria.

 

Nós da Fuzarca Feminista, que é o núcleo jovem da Marcha Mundial das Mulheres, havíamos preparado nossa própria intervenção. Levamos cartazes, panfletos, batuques, palavras de ordem e muitas ideias pra testar na prática. E não fomos as únicas. Foi uma surpresa muito boa encontrar várias outras jovens que compartilhavam das mesmas indignações. Surgiram as Blogueiras Feministas. Surgiram as Pedalinas. Surgiram nossos apoiadores do sexo masculino – que nunca antes na história das manifestações na Paulista foram tão educados e solidários: até pra pegar panfleto pediam licença, gente. Até os policiais pareciam querer colaborar (quem tem medo das feministas más?).
Diversas pessoas, organizadas de forma independente ou coletiva, deixaram os computadores de stand by por um momento pra dar suas tuitadas na rua. A trilha sonora foi uma mashup feminista entre a batucada da Fuzarca e a discotecagem riot da Elisa pelo megafone. E tudo terminou da forma mais massa que poderia. No país em que duas mulheres são espancadas a cada 5 minutos, a marcha contra a culpabilização da vítima pelo crime de estupro se transformou em uma ampla manifestação contra a violência sexista.
Marchamos pelo direito de sermos “feias”, se ser “bonita” significa se encaixar num modelo de beleza ditado exclusivamente pelo desejo masculino e pelos lucros do mercado.
Não somos estupradas porque vestimos saias, andamos sozinhas à noite ou bebemos um pouco a mais. Não ganhamos menores salários e somos minoria em determinadas profissões e em cargos de poder devido a nossas “características naturais distintas”. Tampouco amamentamos em público para o deleite de nossos incautos observadores.
A violência sexista é essa cometida pelos homens contra nós, mulheres, simplesmente por sermos mulheres. As situações de violência são demonstrações de poder e, geralmente, são justificadas por argumentos relacionados ao que deveria ser o jeito certo de nos portarmos. Estupro é questão de poder, não de sexo.
Porque não se trata apenas de “importar” as Slutwalks, é preciso ressignificá-las, contextualizá-las. E que contextualização melhor do que atacar o símbolo contemporâneo do CQCismo e do mau gosto na TV Brasileira? Bombardeamos o QG, ou o “muquifo” – como disse a Vange – dos CQCistas Rafael Bastos e Danilo Gentilli.
Quando perceberam nossa movimentação em direção ao recinto, abaixaram as portas às pressas (quem tem medo das feministas más?). Com o megafone aberto, condenamos a violência contra a mulher e as declarações fascistas dos donos do muquifo. Nem nosso dinheiro, nem nossa audiência: pedimos o boicote. A trilha nesse momento ficou por conta da própria multidão organizada: “Abaixo o CQC!” / “Marcelo Tas, me processa!” / “Mamaço!”.
De repente, todos cartazes foram colados na porta do Comedians, na Augusta. Certamente, foi mais fácil arrancá-los do que pintar a calçada de preto na semana passada, depois que surgiram os stencils “Estupra-se mulheres feias aqui”. Mas as marcas que deixamos foram muito maiores. O CQC não apareceu pra fazer piadinha (quem tem medo das feministas más?). Danilo Gentilli ficou entrincheirado lá dentro até deixarmos o lugar. Quando não havia mais feministas más do lado de fora, finalmente deu as caras e disparou algumas cuspidelas pros jornalistas de plantão.


Poucas horas depois, a internet já estava cheia de nossos cartazes, nossas frases e nossa artilharia visual. Quando cheguei em casa, depois da comemoração, a hash tag (#MarchadasVadias) ainda estava lá no topo. Nas notícias, figuravam sem rodeios as palavras “machismo”, “violência contra a mulher” e “sexismo”. Em sete caracteres: sucesso.
O fato é que quem criou o evento no Facebook era o que menos importava ontem: a Marcha das Vadias aconteceria de qualquer forma, em um sábado ou em outro. Havia (há) muita coisa entalada, e a Slutwalk foi uma grande oportunidade de juntar muita gente que queria exteriorizar tudo isso.
Que as pessoas percam o medo da palavra feminismo. Que o movimento não se perca. Que nosso desejo de mudança continue nos reunindo no ciberespaço para articular ações fora dele. Nós continuamos em marcha e – vocês sabem, né… – é até que todas sejamos livres.

19 de jul. de 2010

A violência contra as mulheres é consequência da sociedade machista, capitalista e individualista

Por Brasil de Fato

A sociedade brasileira está perplexa diante de dois assassinatos brutais, bárbaros. As vítimas são duas jovens, com menos de 30 anos: a modelo Eliza Samudio e a advogada Mércia Nakashima. Os casos estão tendo ampla repercussão na grande imprensa e na sociedade, pela perversidade dos planos macabros, pela condição social das vítimas e pelos atores envolvidos na tragédia. E por terem também ocorrido, nos maiores centros do país: Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo.

Milhares de outros casos não recebem tamanha atenção da imprensa, pois não venderiam tanta audiência... e seguem no anonimato. Mas esperamos que pelo menos os lamentáveis episódios sirvam para reflexão de toda a sociedade sobre a violência que as mulheres vêm sofrendo sistematicamente.

Dados de entidades de direitos humanos revelam que, nos últimos dez anos, foram assassinadas nada menos do que 41 mil mulheres brasileiras. Na maioria dos casos, as vítimas conheciam ou conviviam com o agressor. Uma média de 4.100 mulheres por ano, uma verdadeira tragédia, um genocídio! Pior, um genocídio desconhecido e aceito passivamente pelos familiares, pela comunidade e omitido pela imprensa burguesa.

A ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Nilcéa Freire, participou em meados de julho de uma conferência internacional sobre a violência da mulher e demonstrou revolta diante da insegurança na qual se encontram as mulheres. Segundo ela, elas recebem agressões cotidianas, dos mais diferentes níveis, sem direito a proteção e sofrendo também com a impunidade , pois seus agressores não são devidamente penalizados.

A instalação das delegacias de polícia para cuidar dos casos de violações dos direitos das mulheres e a criação de um Ministério de políticas públicas para as mulheres são insuficientes diante da gravidade do problema.

A sociedade brasileira padece de desvios históricos, não só de machismo e prepotência contra as mulheres, mas enfrenta os problemas cotidianos de uma sociedade extremamente desigual, injusta e exploradora dos mais pobres e humildes.

Todos os dias temos estatísticas divulgadas das diferenças salariais entre homens e mulheres. Diariamente temos exemplos de em quantas áreas profissionais as mulheres ainda são discriminadas ou impedidas de participar, ou ainda são minoria.

A maior categoria de brasileiros são os 16 milhões de trabalhadores rurais. Nessa categoria, a imensa maioria das mulheres camponesas sequer possui alguma renda. Daí o sucesso que fez o programa Bolsa Família, quando destinou a responsabilidade pelo recebimento para as mulheres.

A segunda maior categoria de trabalhadores é a de empregados domésticos, da qual 90% são mulheres. Procurem observar e refletir sobre o tratamento que os trabalhadores domésticos recebem nas residências ou escritórios de seus patrões. Imaginem porque apenas 26% dos empregados domésticos possuem carteira assinada e, portanto, direito a INSS, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, férias e 13º salário, ainda que haja uma lei determinando que todo trabalhador de serviços domésticos tem direito a carteira assinada, garantindo os direitos sociais. Mas a maioria da classe média e rica não cumpre.

A ministra tem toda a razão. A violência contra as mulheres é cotidiana, e não se resume a casos bárbaros de assassinatos, mas vitimiza milhões de trabalhadoras todos os dias.

A sociedade brasileira, que há duas décadas vem sendo hegemonizada pelas ideias burguesas neoliberais, que exaltam apenas o individualismo, o sucesso pessoal, o consumismo e o egoísmo, cria um clima propenso permanente de exclusão, discriminação e humilhação dos diferentes, dos mais pobres e das mulheres.

Por isso, de certa forma, esses casos de bárbaros assassinatos por pessoas "bem formadas" são consequência desse ambiente perverso criado pela ideologia burguesa, que transforma as pessoas em mercadorias e transforma os detentores de dinheiro em "todo-poderosos", como se pudessem ser proprietários de tudo.

Inclusive da vida das pessoas. E mais: como tem dinheiro e podem contratar bons advogados, consideram-se impunes. Perguntem-se quantos dias de prisão teve o editor do Estadão, que há alguns anos assassinou estupidamente sua colega de trabalho e ex-namorada apenas por ciúmes? Nenhum. Está solto, gozando das brechas que a lei permite aos endinheirados. Imaginem quando a violência é cometida contra mulheres ainda mais pobres.

É mais do que urgente debater esses problemas em todos os espaços, a fim de ir gerando uma nova mentalidade sobre a necessidade ds urgência de mudanças sociais, não apenas na garantia de direitos, mas sobretudo no contexto socioeconomico que está gerando todas essas injustiças.

Por Professor Mazuchelli - 18.07.2010

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