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23 de set. de 2010

Guerra aberta na última semana da campanha

 Correio da Cidadania  - 21.09.2010
*Wladimir Pomar

 Se antes poderia haver alguma dúvida, entre alguns setores da campanha Dilma, de que a guerra contra a candidata petista se tornaria aberta, suja e sem qualquer limite, talvez a última semana tenha sido a demonstração clara de que tais dúvidas não passavam de ilusões infantis.
Veja, Globo, Folha de S. Paulo, Estadão e outros órgãos da famosa grande imprensa, o chamado quarto poder, não demonstram qualquer preocupação em serem vistos como a artilharia pesada dessa guerra. Suas manchetes diárias e semanais são sempre, inexoravelmente, a pirita garimpada em investigações cuja credibilidade dificilmente pode ser comprovada. Para quem criou o escândalo da Escola Base e outros, forjados nas cozinhas das redações, que diferença faz criar estes, em que se joga o destino da política que essa grande imprensa defende?
“Cartas abertas”, assinadas por “personalidades” que talvez não saibam que seus nomes estão sendo utilizados, repetem pela Internet os antigos e surrados argumentos anti-Lula e anti-PT, que pareciam enterrados desde 2002. Bolsões reacionários de militares da reserva saem a público para ameaçar golpes. FHC compara Lula a Mussolini e apela a forças ocultas para barrar a caminhada do petismo. E, em drops da imprensa, repetem-se os comentários que sustentam as possíveis semelhanças do governo Lula com Vargas e seu fim.
Se a campanha Dilma e a direção do PT continuarem ignorando esse conjunto de sinais de desespero de uma direita reacionária que tinha como certa sua volta ao governo, o caminho para o segundo turno e até para uma derrota podem estar traçados. Essa direita não vai se contentar com a saída de Erenice da Casa Civil e quase certamente jogará novos pacotes podres sobre a mesa, na expectativa de que o governo, o PT e a campanha Dilma continuem cometendo erros, e ignorando a natureza da atual ofensiva oposicionista.
Os dados do Instituto Datafolha, divulgados no dia 16/9, parecem moldados de forma que o PT e a campanha Dilma continuem acreditando que vencerão no primeiro turno, sem necessidade de qualquer reação maior. Dilma marcou 51% das preferências eleitorais, enquanto Serra se manteve com 27% das intenções de voto, e Marina seguiu com 11%. Aparentemente, o melhor dos mundos.
No entanto, podem-se descobrir algumas surpresas nessa pesquisa, desde que se coloque de lado a euforia e se busquem as tendências reais. Entre os eleitores bem informados, a intenção de votos em Dilma desceu para 46%, enquanto em Serra subiu para 33%, e em Marina para 14%. Com isso compreende-se por que a grande imprensa vem martelando incessantemente para ‘informar’ o eleitorado sobre os ‘fatos’ que tem criado nos bastidores, mesmo que tais ‘fatos’ não passem de falsificações. Se conseguir que o conjunto do eleitorado se deixe convencer por essas informações falsas, o segundo turno estará configurado.
É significativo que Dilma tenha caído na preferência do eleitorado, em caso de segundo turno, em estados como Rio Grande do Sul e Paraná, assim como em Brasília. E que sua subida em outros estados e cidades importantes tenha se mantido dentro da margem de erro. Este pode ser um sinal de que o ritmo de crescimento da candidatura Dilma foi afetado pelas denúncias e escândalos criados pela aliança do tucano-pefelismo com a grande imprensa, embora ainda não de forma avassaladora.
Nos próximos quinze dias antes das eleições, se a campanha Dilma e o PT não forem suficientemente ágeis para criar mobilizações massivas, passar ao contra-ataque na diferenciação entre seu projeto político e o projeto de Serra e Marina, e gerar fatos políticos de repercussão, a corrosão da candidatura Dilma pode chegar àquele nível procurado pelo quarto poder.
Feito isso, a grande imprensa continuará convencida de que é capaz de moldar a opinião pública com mentiras e falsificações, da mesma forma que Goebbels e outros gurus da comunicação de massa acreditavam. E, certamente, configurado o segundo turno, virá com armas ainda mais letais. Se a meta da campanha Dilma é evitar que isso aconteça, esta é a semana decisiva para revirar o jogo.
Wladimir Pomar é analista político e escritor.
Data: 23 de setembro, 19 horas
Local: Auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
(Rua Rego Freitas, 530, próximo ao Metrô República, centro da capital paulista).

*Wladimir Pomar é escritor e analista político

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19 de jul. de 2010

A violência contra as mulheres é consequência da sociedade machista, capitalista e individualista

Por Brasil de Fato

A sociedade brasileira está perplexa diante de dois assassinatos brutais, bárbaros. As vítimas são duas jovens, com menos de 30 anos: a modelo Eliza Samudio e a advogada Mércia Nakashima. Os casos estão tendo ampla repercussão na grande imprensa e na sociedade, pela perversidade dos planos macabros, pela condição social das vítimas e pelos atores envolvidos na tragédia. E por terem também ocorrido, nos maiores centros do país: Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo.

Milhares de outros casos não recebem tamanha atenção da imprensa, pois não venderiam tanta audiência... e seguem no anonimato. Mas esperamos que pelo menos os lamentáveis episódios sirvam para reflexão de toda a sociedade sobre a violência que as mulheres vêm sofrendo sistematicamente.

Dados de entidades de direitos humanos revelam que, nos últimos dez anos, foram assassinadas nada menos do que 41 mil mulheres brasileiras. Na maioria dos casos, as vítimas conheciam ou conviviam com o agressor. Uma média de 4.100 mulheres por ano, uma verdadeira tragédia, um genocídio! Pior, um genocídio desconhecido e aceito passivamente pelos familiares, pela comunidade e omitido pela imprensa burguesa.

A ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Nilcéa Freire, participou em meados de julho de uma conferência internacional sobre a violência da mulher e demonstrou revolta diante da insegurança na qual se encontram as mulheres. Segundo ela, elas recebem agressões cotidianas, dos mais diferentes níveis, sem direito a proteção e sofrendo também com a impunidade , pois seus agressores não são devidamente penalizados.

A instalação das delegacias de polícia para cuidar dos casos de violações dos direitos das mulheres e a criação de um Ministério de políticas públicas para as mulheres são insuficientes diante da gravidade do problema.

A sociedade brasileira padece de desvios históricos, não só de machismo e prepotência contra as mulheres, mas enfrenta os problemas cotidianos de uma sociedade extremamente desigual, injusta e exploradora dos mais pobres e humildes.

Todos os dias temos estatísticas divulgadas das diferenças salariais entre homens e mulheres. Diariamente temos exemplos de em quantas áreas profissionais as mulheres ainda são discriminadas ou impedidas de participar, ou ainda são minoria.

A maior categoria de brasileiros são os 16 milhões de trabalhadores rurais. Nessa categoria, a imensa maioria das mulheres camponesas sequer possui alguma renda. Daí o sucesso que fez o programa Bolsa Família, quando destinou a responsabilidade pelo recebimento para as mulheres.

A segunda maior categoria de trabalhadores é a de empregados domésticos, da qual 90% são mulheres. Procurem observar e refletir sobre o tratamento que os trabalhadores domésticos recebem nas residências ou escritórios de seus patrões. Imaginem porque apenas 26% dos empregados domésticos possuem carteira assinada e, portanto, direito a INSS, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, férias e 13º salário, ainda que haja uma lei determinando que todo trabalhador de serviços domésticos tem direito a carteira assinada, garantindo os direitos sociais. Mas a maioria da classe média e rica não cumpre.

A ministra tem toda a razão. A violência contra as mulheres é cotidiana, e não se resume a casos bárbaros de assassinatos, mas vitimiza milhões de trabalhadoras todos os dias.

A sociedade brasileira, que há duas décadas vem sendo hegemonizada pelas ideias burguesas neoliberais, que exaltam apenas o individualismo, o sucesso pessoal, o consumismo e o egoísmo, cria um clima propenso permanente de exclusão, discriminação e humilhação dos diferentes, dos mais pobres e das mulheres.

Por isso, de certa forma, esses casos de bárbaros assassinatos por pessoas "bem formadas" são consequência desse ambiente perverso criado pela ideologia burguesa, que transforma as pessoas em mercadorias e transforma os detentores de dinheiro em "todo-poderosos", como se pudessem ser proprietários de tudo.

Inclusive da vida das pessoas. E mais: como tem dinheiro e podem contratar bons advogados, consideram-se impunes. Perguntem-se quantos dias de prisão teve o editor do Estadão, que há alguns anos assassinou estupidamente sua colega de trabalho e ex-namorada apenas por ciúmes? Nenhum. Está solto, gozando das brechas que a lei permite aos endinheirados. Imaginem quando a violência é cometida contra mulheres ainda mais pobres.

É mais do que urgente debater esses problemas em todos os espaços, a fim de ir gerando uma nova mentalidade sobre a necessidade ds urgência de mudanças sociais, não apenas na garantia de direitos, mas sobretudo no contexto socioeconomico que está gerando todas essas injustiças.

Por Professor Mazuchelli - 18.07.2010

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14 de jun. de 2010

O atraso tem nome: Marina Silva

Depois de sair do PT em uma jogada que mais parecia novela da Rede Globo, Marina Silva encontrou seu lugar no PV, partido nanico ligado a oligarquias regionais e massa de manobra do DemoTucanato em São Paulo e outros estados.

Marina, fazendo-se de vítima, conseguiu apoio em diversos setores - incluindo o setor das elites do baixo-Leblon, amigadas ao discurso de Gabeira e cia -, e por muito tempo conseguiu enganar muita gente com seu discurso EcoCapitalista travestido de progressista. Mas aos poucos a máscara cai.

Sua chegada ao PV fez cair a máscara do partido e a sua própria. Anunciando sair do partido que apoiava os Sarney, Marina foi para o partido do Sarney Filho. Junto com ela levou outros conservadores anti-aborto e anti-direito dos homossexuais como o Deputado Luis Bassuma. O PV enfim saiu do armário e assumiu-se como partido conservador, retrógrado e atrasado, assim como sua candidata que, por suas credenciais religiosas, não deixa espaço para dúvidas. O estatuto do PV diz "A", mas a prática - e a Marina" dizem e fazem "B". E ela quer ser presidente!

Este post, aliás, poderia ser facilmente um "Fobia Neopentecostal" parte 3.

Marina é contra Aborto, Casamento Gay, Legalização das Drogas, Pesquisa com Célula Tronco. Ela também é contra a idéia de que a Terra é redonda? Só falta.

Questionada pela revista Época sobre as questões alencadas no parágrafo acima, disse ser contra tudo, mas, boazinha que só ela, propõe plebiscito.

Dois pontos devem ser observados. Primeiro, questões básicas de Direitos Humanos, como o direito das mulheres sobre seus corpos, ou o direito das minorias e à diversidade, ou questões relacionadas à saúde pública (aborto, drogas, células tronco) não podem ou devem ser questionadas nem são "matérias plebiscitário".

Segundo, Marina SABE que o Brasil é um país conservador, com pensamento retrógrado muitas vezes parecido com o seu próprio e a idéia de plebiscito é perfeita para denunciar sua hipocrisia.

Ela é contra, mas, boazinha, deixará que o povo "decida" quando ela já sabe a resposta final. E ela sabe, também, que os meios de comunicação, ainda mais conservadores, irão fazer pesada campanha defendendo os mesmos pontos de vista medievais da candidata evangélica.

Colocar tais questões como simples "matérias plebiscitárias" é o cúmulo da hipocrisia e da má fé. E tem gente que cai. Cai esquecendo que, por mais boazinha que ela tente ser, ela é CONTRA.

Porque liberar o aborto? Só porque 1 em cada 7 mulheres já fizeram aborto no país - ILEGALMENTE - e que esta é a terceira causa de mortes de mulheres no país porque as pobres só tem como ir a clínicas (sic) sem qualquer tipo de higiene e controle para morrer? A classe média paga clínicas de primeiro mundo, as faveladas morrem como indigentes. Porque então liberar, não é?

Falemos das drogas então, já que o aborto é algo tão sensível. Porque legalizar? Será que é porque todos sabem mas fingem desconhecer que Fernandinho Beira Mar, Marcinho VP e cia da vida são só "faz-tudo" dos verdadeiros responsáveis e financiadores do tráfico, estes todos com assentos garantidos em câmaras federais, estaduais ou municipais?

Falar de células-tronco então, difícil! Porque permitir que milhões de vidas sejam salvas com pesquisas de simples células quando, sabemos, o importante é agradar ao fundamentalismo religioso de alguns retrógrados que acham que alí existe vida humana ou algo do tipo - difícil sequer entender qual a reclamação destes doentes mentais. Pra que curar doenças? Deixem que deus cure os doentes enquanto sentamos e esperamos!

E, finalmente, o casamento entre pessoas do mesmo sexo! Claro que a Marina é contra. Claro que os fundamentalistas são contra. Afinal, estamos em um Estado Laico em que religião não interessa. Respeitamos a diversidade e o direito dos seres humanos serem responsáveis pelas suas vidas e escolhas! Impensável proibir que alguém se case só porque está na bíblia que não podem!

Pois bem, esta é Marina Silva. E nem precisei entrar no mérito de seu EcoCapitalismo cuja concepção, por si só, é risível. Teremos plebiscito, com Marina presidente, sobre sobre a volta da palmatória nas escolas ou seremos forçados a ouvir o Silas Malafaia no lugar da Voz do Brasil? Façam suas escolhas.

Por Tsavkko - 13.06.10