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4 de jan. de 2013
Eduardo Guimarães: A hora e a vez de Fernando Haddad
No primeiro dia de 2013, nos quatro cantos do país milhares de prefeitos tomarão posse, mas, ao longo dos próximos quatro anos, as atenções se voltarão àquela que promete ser a gestão municipal que mais terá potencial para influir decisivamente na grande política nacional.
11 de jan. de 2011
Programa Alaga São Paulo de José Serra é um sucesso em 2011
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| Essa é a camiseta do ano passado. |
Do blop Limpinho e Cheirosinho - 11.01.2011
O Limpinho reproduz tex-to de Celso Jardim, publi-cado no Blog da Dilma, e resgata algumas notícias de 2009 e 2010, além de um vídeo do Zé Alagão co-mentando as enchentes de 2009 e 2010.
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| Clique na imagem para ampliar |
2 de out. de 2010
Governo do PSDB: As promessas que Alckmin não cumpriu
31 de ago. de 2010
Alckmin seguirá a mesma linha que seu chefe.
Blogueiro salva photo opportunity do Serra
Do Viomundo - 30.08.2010
O blogueiro Márcio Amêndola soube que José Serra ia produzir um evento hoje, em São Paulo, diante do chamado impostômetro da Associação Comercial. O impostômetro pretende medir os impostos pagos pelos brasileiros. Na hora agá, o impostômetro deu pau. Apagou. Teve um problema técnico. E José Serra ficou sem a imagem com a qual pretendia, acredito, aparecer no Jornal Nacional desta noite.
Amêndola, com a ajuda do photoshop, resolveu contribuir com a campanha de Serra. E “colocou” o candidato diante de um símbolo de seu governo, o “pedagiômetro”. A nota que o Amêndola reproduziu na mensagem é da bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo:
Em São Paulo, pedágio de caminhões chega a ser quase três vezes mais caro do que na Europa
O pedágio cobrado nas rodovias paulistas é o mais caro do Brasil e, quando comparado com as tarifas pagas nas rodovias dos Estados Unidos ou da Itália, fica evidente que está entre os mais caros do mundo também.
Na rodovia Florida’s Turnpike, nos Estados Unidos, o preço por quilômetro rodado é de R$ 0,076, enquanto a média nas rodovias paulistas é de R$ 0,111, ou 46% superior ao da rodovia americana.
Além disso, na Florida’s Turnpike há o SunPass que é um dispositivo colocado no automóvel que garante a passagem direta pelo pedágio. É como o Sem Parar que existe em São Paulo. Diferentemente do Sem Parar, o SunPass garante desconto médio de 20% para o usuário. O pedágio fica bem mais barato para quem o utiliza.
No caso das rodovias italianas (R $0,134), elas são mais baratas do que as rodovias Anchieta (R$,0159), Imigrantes (R$ 0,152) e Castello Branco (R$ 0, 145), enquanto a Bandeirantes (R$ 0,135) e a Anhanguera (R$ 0,132) têm valores próximos aos da Itália.
Mas vale ressaltar que a concessionária italiana construiu com recursos próprios a sua rede de rodovias, diferentemente do que ocorre em São Paulo. No caso paulista, paga-se duas vezes: para construir e usar a rodovia.
E paga-se também ao consumir qualquer produto transportado por essas rodovias. Comparando novamente com as estradas italianas, o pedágio que incide sobre veículos de carga em São Paulo é até 149% mais caro do que na Itália.
Caminhão paga muito mais um caminhão com seis eixos que sai de Bari e vai até Milano, percorrendo 874,5 km, paga o equivalente a R$ 286,06. Um caminhão similar, partindo de São Paulo e fazendo o percurso de ida e volta até São José do Rio Preto, o que dá 880 km, deixa R$ 710,40 nos pedágios paulistas. Conclui-se que em São Paulo se paga duas vezes e meia a mais do que na Itália.
Esse alto custo do pedágio paulista é repassado para o frete e, consequentemente, para o produto. No final, quem paga essa conta é o consumidor, ou seja, toda a população. (Da liderança do PT na Assembleia Legislativa)
15 de set. de 2009
Kassab, Prefeito da (des)governada São Paulo, coloca mais $$ em propaganda, ainda cortará 20% das varrições previstas.
O prefeito Gilberto Kassab (DEM) elevou ontem em mais R$ 2,5 milhões a verba de propaganda do governo. Os recursos, que no início do ano eram R$ 31 milhões, já chegam ao valor recorde de R$ 80 milhões, num salto de 158%.
Em anos anteriores, o maior gasto da atual gestão com publicidade ocorrera em 2007, com R$ 58,5 milhões. No ano passado, Kassab gastou R$ 39,7 milhões com propaganda.
A petista Marta Suplicy (2001-2004) gastou em toda sua gestão R$ 159,6 milhões, sendo R$ 43,2 milhões em 2003.
Kassab defende o gasto com propaganda. “As pessoas às vezes associam campanhas educativas, publicidade de um órgão público, como se fosse promoção das administrações. Não é, eu discordo.”
Ele diz que vai lançar uma nova campanha com orientações à população sobre o horário correto para a colocação do lixo domiciliar na rua. (ES)
Por Luis Favre - 14.09.09
LEI Nº 14.974, DE 11 DE SETEMBRO DE 2009
(Projeto de Lei nº 567/06, do Vereador Wadih Mutran - PP)
Acresce e altera dispositivos da Lei nº 11.545, de 7 de junho de 1994, com alterações posteriores, que disciplina o uso de aparelhos de telefonia celular e congêneres no interior dos locais que especifica.
GILBERTO KASSAB, Prefeito do Município de São Paulo, no uso das atribuições que lhe são conferidas por lei, faz saber que a Câmara Municipal, nos termos do disposto no inciso I do artigo 84 do seu Regimento Interno, decretou e eu promulgo a seguinte lei:
Art. 1º O art. 1º da Lei nº 11.545, de 7 de junho de 1994, com as alterações introduzidas pela Lei nº 14.573, de 25 de outubro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 1º É proibido efetuar e receber ligações de aparelhos de telefonia celular e congêneres no interior dos teatros, cinemas, casas de espetáculos e bibliotecas, bem como nas salas de aula das escolas públicas municipais, durante o horário das aulas.
................................................................................
§ 4º Nas escolas públicas municipais, o telefone celular somente poderá ser utilizado durante os intervalos, devendo permanecer desligado durante todo o horário das aulas.” (NR)
Art. 2º A Lei nº 11.545, de 1994, com as alterações posteriores, passa a vigorar acrescida do art. 2º-A, com a seguinte redação:
“Art. 2º-A. O disposto no art. 2º desta lei não se aplica às escolas públicas municipais, nas quais a desobediência às normas previstas no art. 1º implicará a adoção das medidas estabelecidas no regimento da respectiva escola.” (NR)
Art. 3º As despesas decorrentes da execução da presente lei correrão por conta de dotações orçamentária próprias, suplementadas se necessário.
Art. 4º Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.
PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, aos 11 de setembro de 2009, 456º da fundação de São Paulo.
GILBERTO KASSAB, PREFEITO Publicada na Secretaria do Governo Municipal, em 11 de setembro de 2009.
CLOVIS DE BARROS CARVALHO, Secretário do Governo Municipal
Fonte: Oswaldo Aranha
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Kassab vai cortar 20% das varrições previstas.
Luis Kawaguti - Agora - 14-09-09
O prefeito Gilberto Kassab afirmou ontem que a prefeitura divulgará nos próximos dias novas planilhas de varrição das ruas de São Paulo com uma redução de 20% no serviço previsto em contrato com as empresas do setor.
O índice é o mesmo do corte de verbas para a área que já havia sido anunciado pelo prefeito, por conta da crise financeira, na primeira quinzena de agosto. O número de varrições previsto para cada rua, porém, ainda não havia sido alterado.
Após cortar os repasses da limpeza, relativos aos últimos cinco meses do ano, Kassab reviu seus planos e disse na última sexta que irá tirar verbas de R$ 138 milhões de "grandes obras" para pagar empresas do setor de lixo. Ele falou que fará isso para atingir a meta de R$ 903 milhões de gastos da prefeitura com limpeza, mesmo valor utilizado no ano passado.
Reportagem do Vigilante Agora, publicada na edição de ontem, constatou que a planilha atual da varrição já é mal cumprida. O índice de descumprimento é ainda maior que os 20% previstos no corte das varrições hoje exigidas. Em cinco ruas fiscalizadas, os varredores fizeram 14 de 38 varrições previstas para a última sexta-feira: só 37% do trabalho exigido.
"A redução da nova planilha [dos serviços de varrição] é de aproximadamente 20% e o que o Agora aponta é uma redução muito mais expressiva. Isso mostra que os serviços podem ser prestados mesmo com a redução, e com qualidade", disse Kassab, durante a inauguração da Estação da Juventude de Cidade Tiradentes (zona leste de SP). "Não é possível que R$ 903 milhões não sejam suficientes para uma boa prestação de serviços."
A reportagem do Agora com a fiscalização do serviço de varrição monitorou quatro vias na região central de SP e uma na zona norte, entre 6h e meia-noite de sexta-feira. Elas estão entre os 119 pontos de alagamento registrados pelo CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) na última terça-feira. Na ocasião, uma tempestade trouxe caos à cidade.
Kassab agradeceu o levantamento e disse que pediu a seus secretários que analisem os dados. "Pedi ao secretário [das Subprefeituras] Ronaldo Camargo que seja intransigente ao lado dos subprefeitos na fiscalização dos serviços."
Kassab disse que membros das secretarias de Serviços e de Subprefeituras já se reuniram para elaborar a nova planilha de varrição. O documento está em fase de formalização e fica pronto no fim da semana, diz a prefeitura.
14 de set. de 2009
Kassab usa dinheiro dos precatórios e esporte, para fazer propaganda
Mais R$ 2,5 mi para publicidade
Jornal da Tarde
Em meio à crise nos serviços de varrição causada pelo corte de uma verba de R$ 53 milhões que seria repassada às cinco empresas que fazem o serviço, o prefeito Gilberto Kassab remanejou ontem mais R$ 2,5 milhões para publicidade. A verba foi transferida de eventos esportivos e do pagamentos de precatórios. Até dezembro, o governo tem a previsão de gastar R$ 80 milhões em publicações de interesse do Município.
O montante de publicidade em 2009 é 110,5% maior que o gasto de R$ 39 milhões do ano passado, quando Kassab foi reeleito, e 142% maior que a estimativa feita na peça orçamentária para 2009 enviada à Câmara.
Kassab defendeu as despesas. “Foi um erro prever só R$ 20 milhões (em publicidade), e não se pode confundir publicidade com campanhas educativas”, argumentou. A estimativa correta no Orçamento foi de R$ 32,2 milhões. Até o fim de agosto, porém, o prefeito havia empenhado R$ 69,2 milhões.
O prefeito disse que vai desenvolver novas campanhas educativas de combate às enchentes. “Precisamos fazer alertas para as pessoas colocarem o lixo na rua somente momentos antes de o caminhão passar.” Só no primeiro semestre, Kassab gastou R$ 4,43 milhões a mais do que o total de 2008. Em 2009, o gasto com publicidade será recorde, superando 2007 (R$ 66,9 milhões).
Por Luis Favre - 12.09.09
Sob temporais, falhas de estrutura e de emergência ameaçam São Paulo
Capital não tem nem 1 agente da Defesa Civil para cada área de risco; Prefeitura teve de admitir dificuldades
Renato Machado e Vitor Hugo Brandalise - O Estado SP
O temporal de terça-feira pegou de surpresa meteorologistas, o poder público e a população, causando caos e morte em São Paulo. Por outro lado, as chuvas de dezembro, janeiro e fevereiro são bem conhecidas e viraram sinônimo de enchente. E algumas cenas devem se repetir. Se a Prefeitura diz ter intensificado serviços e concluído obras importantes, investimentos em algumas áreas foram reduzidos e a população cresce em locais sem estrutura.
A morte de duas crianças após um deslizamento de terra na Favela Araucária, na zona leste, é o exemplo mais recente de um dos principais dramas das chuvas. A cidade tem 477 áreas de risco à beira de morros e encostas, onde vivem 57,5 mil pessoas. “A retirada dessas famílias não é a solução, pois elas ou outras retornam. Por isso a Prefeitura prefere eliminar os riscos nesses locais”, diz o assessor técnico da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, Marcel Costa Sanches.
O monitoramento das áreas para detectar tragédias é feito pela Defesa Civil, mas seu efetivo é inferior ao número de locais de risco. São 300 agentes divididos pelas 31 subprefeituras. O órgão tem apenas 45 viaturas, 11 delas no comando central. Portanto, nem todas as unidades das subprefeituras têm veículos.
“Não deixamos de realizar as atividades, pois possuímos um programa em que as viaturas são deslocadas para determinados locais de acordo com a necessidade. A Subprefeitura da Sé, por exemplo, não tem viatura porque privilegiamos áreas com risco”, diz o coordenador da Defesa Civil, coronel Orlando Camargo Filho. Após o caos recente, o prefeito Gilberto Kassab entregou três unidades inteligentes para o órgão, com computadores e equipamentos de resgate. Até o fim de outubro, outros 20 veículos serão repassados pela Guarda Civil Metropolitana, que receberá novas unidades.
Para compensar o efetivo menor, foram criados os Núcleos de Defesa Civil (Nudecs). Moradores de diversas comunidades são treinados para identificar riscos e alertar o órgão e os bombeiros. A cidade tem cerca de cem Nudecs.
A própria administração admite as dificuldades. Anteontem, Kassab disse que há falhas no sistema de emergência, “pego de surpresa” pelo temporal. Por isso, segundo o prefeito, não houve alerta à população para que tomasse “certos cuidados”, como evitar deixar lixo na rua.
O outro problema de difícil solução é o trânsito nos dias de chuvas fortes. Assim que a situação passa de estado de observação para atenção, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) põe em prática o Plano Emergencial. Primeiro, os agentes são destinados para 61 pontos onde tradicionalmente há alagamentos. Vias são bloqueadas. A prioridade é a segurança dos motoristas e por isso o fluxo muitas vezes fica comprometido. Além disso, a CET ainda não tem como informar os motoristas sobre rotas alternativas.
As chuvas também causam panes nos semáforos. A maior parte é do tipo eletromecânico, mais antigo e não integrado à central da CET. É preciso que um agente veja ou um motorista informe o problema.
Uma das causas apontadas para o alagamento foi o excesso de lixo nas ruas, intensificado pelo corte de 20% na verba de varrição. Em casos de enchente no Rio Pinheiros, por exemplo, há dificuldade em bombear água para a Represa Billings, por entupimento provocado por lixo. “A impermeabilização do solo, que toma 80% da capital, também é causa direta de tudo o que vimos”, diz o professor José Rodolfo Martins, especialista em drenagem urbana do Laboratório de Hidráulica da Poli-USP.
A construção de piscinões, com prioridade para o sistema do Alto Tietê, também está defasada, principalmente na região do ABC, no entorno dos Rios Tamanduateí, Pirajuçara e Aricanduva - dos 61 piscinões projetados para esses três pontos desde 1994, apenas 25 foram finalizados.
Em xeque, o excesso de lixo e o corte de garis
Em volume oposto, eles estão por aí
Mesmo com o uniforme laranja ou amarelo, com o carrinho e o boné no mesmo tom, eles já foram tachados de invisíveis. Fazem, esgueirando-se pelo meio-fio e entre carros e barracas, o trabalho que é sujo, mas que alguém tem de fazer. E só se tornam protagonistas assim: quando São Paulo fica debaixo d”água e cogita-se que um dos motivos seja que o lixo da cidade não esteja sendo varrido e recolhido na mesma velocidade com que é produzido.
De fato, os garis não estão dando conta. Especialmente depois da demissão de mais de 2 mil varredores por conta dos cortes orçamentários da Prefeitura - que agora serão revistos pelo prefeito Gilberto Kassab. Hoje, a proporção é de um varredor para 1.743 habitantes e os trabalhadores do setor ameaçam com greve. A limpeza da região central, que era realizada por 1.600 garis, conta agora com 1.272. Do Mosteiro de São Bento ao Parque D. Pedro II, a reportagem circulou por mais de uma hora na sexta-feira e, além de não encontrar um varredor sequer, detectou pouquíssimos cestos de lixo. Fácil de encontrar foram bueiros tapados por copos, cascas de fruta e muitas, mas muitas bitucas de cigarro.
A Rua 25 de Março é um ponto histórico de acúmulo de lixo e um convite a alagamentos. Não foi diferente na terça-feira. “Ficamos até o joelho de água. E claro que o lixo é culpado. Faz duas semanas que não vejo gari por aqui”, exagera Valmira Furlan, dona de uma banca de jornais. O vendedor de quentinhas duas esquinas adiante reforça a reclamação. “Antigamente, passava um de duas em duas horas. Agora, não vem ninguém.” A Prefeitura rebate, dizendo que “os locais com maior circulação de pessoas são, naturalmente, mais propensos a ter maior produção de lixo. Na 25 de Março, há três turnos de varredores, 24 horas por dia”.
Os garis preferem não se identificar. Mas consentem quando questionados sobre o trabalho ampliado. “Faz um mês que o setor que eu cuido dobrou. Foi de 5 para 10 quarteirões”, conta uma varredora. Ela faz quatro varrições em seu turno, das 6h às 14h20. Orgulhosa, completa que nunca levou bronca. “Deixo aquele Mercadão um brinco.” “E as pessoas tratam a gente muito mal. O pior é quando passam pela gente e tampam o nariz, pra mostrar que a gente fede”, diz outra varredora.
Vários colegas delas já foram para a rua - e não para varrer. Josué recebeu aviso prévio na segunda-feira. “Tenho dois filhos pequenos”, conta, apressado, ainda de uniforme, rumo à escola do mais velho. “Já estou na luta para arrumar outro trabalho.”
Sob temporais, falhas de estrutura e de emergência ameaçam São Paulo
Capital não tem nem 1 agente da Defesa Civil para cada área de risco; Prefeitura teve de admitir dificuldades
Renato Machado e Vitor Hugo Brandalise - O Estado SP
O temporal de terça-feira pegou de surpresa meteorologistas, o poder público e a população, causando caos e morte em São Paulo. Por outro lado, as chuvas de dezembro, janeiro e fevereiro são bem conhecidas e viraram sinônimo de enchente. E algumas cenas devem se repetir. Se a Prefeitura diz ter intensificado serviços e concluído obras importantes, investimentos em algumas áreas foram reduzidos e a população cresce em locais sem estrutura.
A morte de duas crianças após um deslizamento de terra na Favela Araucária, na zona leste, é o exemplo mais recente de um dos principais dramas das chuvas. A cidade tem 477 áreas de risco à beira de morros e encostas, onde vivem 57,5 mil pessoas. “A retirada dessas famílias não é a solução, pois elas ou outras retornam. Por isso a Prefeitura prefere eliminar os riscos nesses locais”, diz o assessor técnico da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, Marcel Costa Sanches.
O monitoramento das áreas para detectar tragédias é feito pela Defesa Civil, mas seu efetivo é inferior ao número de locais de risco. São 300 agentes divididos pelas 31 subprefeituras. O órgão tem apenas 45 viaturas, 11 delas no comando central. Portanto, nem todas as unidades das subprefeituras têm veículos.
“Não deixamos de realizar as atividades, pois possuímos um programa em que as viaturas são deslocadas para determinados locais de acordo com a necessidade. A Subprefeitura da Sé, por exemplo, não tem viatura porque privilegiamos áreas com risco”, diz o coordenador da Defesa Civil, coronel Orlando Camargo Filho. Após o caos recente, o prefeito Gilberto Kassab entregou três unidades inteligentes para o órgão, com computadores e equipamentos de resgate. Até o fim de outubro, outros 20 veículos serão repassados pela Guarda Civil Metropolitana, que receberá novas unidades.
Para compensar o efetivo menor, foram criados os Núcleos de Defesa Civil (Nudecs). Moradores de diversas comunidades são treinados para identificar riscos e alertar o órgão e os bombeiros. A cidade tem cerca de cem Nudecs.
A própria administração admite as dificuldades. Anteontem, Kassab disse que há falhas no sistema de emergência, “pego de surpresa” pelo temporal. Por isso, segundo o prefeito, não houve alerta à população para que tomasse “certos cuidados”, como evitar deixar lixo na rua.
O outro problema de difícil solução é o trânsito nos dias de chuvas fortes. Assim que a situação passa de estado de observação para atenção, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) põe em prática o Plano Emergencial. Primeiro, os agentes são destinados para 61 pontos onde tradicionalmente há alagamentos. Vias são bloqueadas. A prioridade é a segurança dos motoristas e por isso o fluxo muitas vezes fica comprometido. Além disso, a CET ainda não tem como informar os motoristas sobre rotas alternativas.
As chuvas também causam panes nos semáforos. A maior parte é do tipo eletromecânico, mais antigo e não integrado à central da CET. É preciso que um agente veja ou um motorista informe o problema.
Uma das causas apontadas para o alagamento foi o excesso de lixo nas ruas, intensificado pelo corte de 20% na verba de varrição. Em casos de enchente no Rio Pinheiros, por exemplo, há dificuldade em bombear água para a Represa Billings, por entupimento provocado por lixo. “A impermeabilização do solo, que toma 80% da capital, também é causa direta de tudo o que vimos”, diz o professor José Rodolfo Martins, especialista em drenagem urbana do Laboratório de Hidráulica da Poli-USP.
A construção de piscinões, com prioridade para o sistema do Alto Tietê, também está defasada, principalmente na região do ABC, no entorno dos Rios Tamanduateí, Pirajuçara e Aricanduva - dos 61 piscinões projetados para esses três pontos desde 1994, apenas 25 foram finalizados.
Em xeque, o excesso de lixo e o corte de garis
Em volume oposto, eles estão por aí
Mesmo com o uniforme laranja ou amarelo, com o carrinho e o boné no mesmo tom, eles já foram tachados de invisíveis. Fazem, esgueirando-se pelo meio-fio e entre carros e barracas, o trabalho que é sujo, mas que alguém tem de fazer. E só se tornam protagonistas assim: quando São Paulo fica debaixo d”água e cogita-se que um dos motivos seja que o lixo da cidade não esteja sendo varrido e recolhido na mesma velocidade com que é produzido.
De fato, os garis não estão dando conta. Especialmente depois da demissão de mais de 2 mil varredores por conta dos cortes orçamentários da Prefeitura - que agora serão revistos pelo prefeito Gilberto Kassab. Hoje, a proporção é de um varredor para 1.743 habitantes e os trabalhadores do setor ameaçam com greve. A limpeza da região central, que era realizada por 1.600 garis, conta agora com 1.272. Do Mosteiro de São Bento ao Parque D. Pedro II, a reportagem circulou por mais de uma hora na sexta-feira e, além de não encontrar um varredor sequer, detectou pouquíssimos cestos de lixo. Fácil de encontrar foram bueiros tapados por copos, cascas de fruta e muitas, mas muitas bitucas de cigarro.
A Rua 25 de Março é um ponto histórico de acúmulo de lixo e um convite a alagamentos. Não foi diferente na terça-feira. “Ficamos até o joelho de água. E claro que o lixo é culpado. Faz duas semanas que não vejo gari por aqui”, exagera Valmira Furlan, dona de uma banca de jornais. O vendedor de quentinhas duas esquinas adiante reforça a reclamação. “Antigamente, passava um de duas em duas horas. Agora, não vem ninguém.” A Prefeitura rebate, dizendo que “os locais com maior circulação de pessoas são, naturalmente, mais propensos a ter maior produção de lixo. Na 25 de Março, há três turnos de varredores, 24 horas por dia”.
Os garis preferem não se identificar. Mas consentem quando questionados sobre o trabalho ampliado. “Faz um mês que o setor que eu cuido dobrou. Foi de 5 para 10 quarteirões”, conta uma varredora. Ela faz quatro varrições em seu turno, das 6h às 14h20. Orgulhosa, completa que nunca levou bronca. “Deixo aquele Mercadão um brinco.” “E as pessoas tratam a gente muito mal. O pior é quando passam pela gente e tampam o nariz, pra mostrar que a gente fede”, diz outra varredora.
Vários colegas delas já foram para a rua - e não para varrer. Josué recebeu aviso prévio na segunda-feira. “Tenho dois filhos pequenos”, conta, apressado, ainda de uniforme, rumo à escola do mais velho. “Já estou na luta para arrumar outro trabalho.”




