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31 de ago. de 2010

Jornal de extrema direita fez propaganda para José Serra e tenta constranger Dilma

  A Globo bem que tentou colocar Dilma em saia justa. A Globo fez mais uma vez um descaradamento apoio ao tucano José Serra, candidato da imprensa. O jornal de extrema direita, questionou nesta terça-feira (31) em entrevista no Jornal da Globo a candidata Dilma sobre vazamento. Dilma Rousseff, lembrou que os tucanos de tem expressiva tradição em vazamentos e grampos durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


“Considero que é absolutamente injustificado que uma pessoa acuse outra sem apresentar prova”, disse Dilma;“Se essa situação for colocada dessa forma, o partido do candidato meu adversário tem uma trajetória de vazamentos e grampos absolutamente expressiva.”

“Vazamento das dívidas dos deputados federais com o Banco do Brasil às vésperas da votação da emenda da reeleição. Os grampos que existiram no BNDES”, disse Dilma, em referência ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, que foi pivô de uma série de grampos promovidos por membros do próprio governo de FHC, durante o processo de privatização da Telebrás.

“Também há os grampos feitos junto ao próprio gabinete do secretário da Presidência da República. Eu jamais usei esses episódios para tornar o meu adversário suspeito de qualquer coisa, porque não acho correto. Mas também não concordo que me acusem ou acusem minha campanha”, afirmou a presidenciável.

Dilma também disse que não está negociando cargos em um eventual governo. “Eu não tenho discutido o futuro governo, por uma questão de respeito com a população. Para começar a discutir o governo, eu teria de estar eleita”, afirmou.

O jornal requentou o discurso de José Serra, o das Farc. Dilma falou que a posição do governo do Presidente Lula “sempre foi” de considerar as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) como entidade ligada à criminalidade e ao narcotráfico. “Brasil a gente tem de perder essa visão um tanto quanto conspiradora. Se não se conversar, você não consegue, inclusive, a paz”, afirmou Dilma.
Por Helena - Os amigos do Presidente Lula - 31.08.2010

22 de ago. de 2010

Os blogueiros e a liberdade de expressão


Do Blog do Miro - 22.08.2010

Reproduzo matéria de Anselmo Massad e Ricardo Negrão, publicada na Rede Brasil Atual:

A defesa da liberdade de expressão precisa ser defendida também após as eleições deste ano, na visão de jornalistas e autores de blogs reunidos na capital paulista neste sábado (21).

Durante o 1º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas, no auditório do Sindicato dos Engenheiros de São Paulo, os debates foram voltados ao cenário eleitoral e as questões que devem surgir após o pleito.

O encontro reúne 330 inscritos de 19 estados entre blogueiros independentes e ativistas de movimentos sociais e sindicais. Iniciado na sexta-feita (20) e com programação até este domingo (22), o evento inclui discussões sobre financiamento para a blogosfera, além de questões jurídicas e relacionadas a direitos autorais.

Segundo o jornalista Luis Nassif, nos últimos anos setores de "ultradireita" surgiram "das profundezas do inferno" e tomaram os principais meios de comunicação do país, incluindo jornais e revistas de grande circulação.

Isso representou a possibilidade de levar denúncias sem provas ao noticiário e a uma polarização exacerbada à disputa eleitoral.

"Após essa 'guerra civilizatória', vai haver um momento de reavaliar as posições e de trazer um debate republicano, de discutir questões importantes", avalia Nassif. A análise do blogueiro é de que diversos temas que não são debatidos em detalhes durante a campanha precisarão ser mais bem avaliados depois de definidos os resultados eleitorais.

Nassif acredita que os conglomerados de comunicação devem seguir perdendo poder de influência, embora alguns grupos mantenham-se economicamente operantes por algum tempo, mesmo em um contexto em que a internet ganha terreno.

"Após a derrota fragorosa de (José) Serra (PSDB), teremos uma batalha em defesa da liberdade de expressão", decreta Paulo Henrique Amorim. O jornalista e autor do Conversa Afiada acredita que a declaração do candidato oposicionista que aponta a existência de "blogs sujos" a serviço da campanha de Dilma Rousseff é apenas mais uma ação no sentido da criminalização dos blogs.

Na manhã deste sábado, a Folha de S.Paulo divulgou pesquisa de intenção de voto à Presidência da República do Instituto Datafolha que aponta Dilma Rousseff (PT) com 17 pontos percentuais à frente de Serra. Com 47% contra 30% do principal candidato oposicionista, o cenário é de definição no primeiro turno.

Para o professor da Fundação Casper Líbero e coordenador de campanha em redes sociais do PT, Sérgio Amadeu, o evento é um marco. "É o primeiro encontro presencial de blogueiros que combatem a mídia reacionária", comemora. "A blogosfera está ligada no tempo da sociedade civil", avalia.

Durante a tarde deste sábado, outros dois painéis discutiram questões relacionadas à legislação e a formas de financiamento de blogs indepententes. Uma oficina sobre narrativas na internet encerra as atividades do dia. Neste domingo, os trabalhos serão retomados a partir das 9h

2 de out. de 2009

A aposta na desinformação

Por André luz - Tudo em cima - 01.10.09

Aos verdadeiros donos do poder, aqueles que controlam a mídia, é realmente cômodo que cada um de nós tenha uma visão pessoal e redutora do fracasso. E que, ao mesmo tempo, no plano coletivo tenhamos um comportamento sincronizado e eficiente, como o de um rebanho de gado se deslocando ordeiramente para o abate.


- Texto: Ricardo Melo, Geógrafo (www.olharanalitico.com.br)

- Minino, sai do sereno que faz mal pra bronquite!

Se o leitor não for da minha época, talvez não entenda do que se trata a frase acima. No meu tempo de moleque, o orvalho era chamado de “sereno”. E todas as mães que tinham filhos acometidos de asma ou bronquite achavam que o “sereno” caía do céu noturno e fazia mal aos seus pimpolhos. Depois daquela chamada, normalmente os “mininos” tinham que sair da farra na rua e voltar para dentro de casa. Que frustração!

Hoje, um grande número de pessoas sabe que o orvalho não cai do céu, ele se forma na superfície lisa de carros e plantas, mas com certeza ainda deve existir gente que acredita nos malefícios que o “sereno” faz mal para a saúde.

Na verdade, as mães de antigamente acreditavam em vários sensos comuns desprovidos de “prova científica”, mas não só elas. Até hoje, uma enorme parte da população acredita em coisas totalmente fora de questão.

Vamos nos lembrar de dois exemplos de sensos comuns, muito repetidos por aí:

1 - Reforma Agrária é “conversa de comunista”.

2 – A superpopulação vai levar o mundo à morte pela fome.

O primeiro é para lá de comum. E é totalmente equivocado. Países capitalistas e ricos como EUA e França realizaram as suas Reformas Agrárias há muito tempo. O Japão foi um país de latifúndios, mas só até a invasão do exército dos EUA no fim da II Guerra Mundial, quando o General Mc Arthur dividiu as terras em pequenas propriedades para criar uma classe de agricultores em substituição à influente aristocracia anterior. Na verdade, a Reforma Agrária foi uma etapa importante do desenvolvimento sócio econômico, principalmente no capitalismo.

Gostaria também de esclarecer que não tenho nada contra o comunismo, muitíssimo pelo contrário. Eu inclusive tenho grandes amigos comunistas que, ao contrário do que andaram dizendo por aí, não comem criancinhas.

O senso comum da superpopulação catastrófica global é mais um daqueles bem populares. Muita gente ainda acredita que a expansão da população humana é tão catastrófica que chegaremos ao futuro com um sério problema de falta de espaço para todos. Nessa hipótese, não tardaria muito para que mais da metade dos seres humanos entrasse em um estado de desespero total pela fome. Imagine: hordas de milhões e bilhões de pessoas descontroladas e caçando até ratos pelas ruas. Um mundo onde a agricultura só poderia atender às necessidades de uma ínfima minoria privilegiada.

Se você já teve medo desse filme de terror, já pode esquecê-lo. Quem teve a oportunidade de estudar Geografia e Demografia sabe que a população global não vai crescer eternamente. Na verdade ela vai se equilibrar depois de passarmos pela metade desse século e depois vai iniciar um movimento de decréscimo e envelhecimento. E deve saber também que está comprovado que o mundo de hoje é capaz de suprir além das necessidades alimentares de todos. E que, portanto, a fome é um fato político, um problema resultante da má distribuição da renda e dos recursos globais. Uma vergonha mundial que só tende a piorar por causa do componente ambiental da questão.

Agora, vamos raciocinar um pouco mais sobre o tema desses sensos comuns enganadores. Não é simplesmente incrível que milhões e talvez bilhões de pessoas estejam cultivando opiniões completamente equivocadas a respeito de temas políticos tão sensíveis, como são o caso da Reforma Agrária e o da superpopulação?

E não é curioso que a inversão da verdade normalmente acontece no sentido de formar opiniões “conservadoras”, aquelas opiniões que tendem a nos transformar em massas humanas manobráveis, fatalistas e abertas à manipulação política? Em minha opinião, isso é simplesmente infernal. Essa desinformação disseminada não atinge somente um pequeno grupo dos meus amigos ou do pessoal do bairro onde moro. Ela é um senso comum muito bem disseminado por todas as cidades, estados e países. E aqui fica a pergunta: qual foi a astronômica quantia de recursos usada para espalhar toda essa desinformação e torná-la plausível? Nesse ponto, deixaria a palavra para os profissionais corporativos da mídia global, que está de parabéns pelos seus resultados.

E eu não posso me gabar nem um pouco por estar aqui questionando essas inverdades, afinal para que eu soubesse que esses sensos comuns são pura balela precisei ter acesso privilegiado à Universidade e cursar Geografia. Não sou melhor do que ninguém, o acaso teve boa participação no sentido de que eu descobrisse o que estou relatando agora.

Se você também já caiu em um desses contos do vigário, não fique triste, todo o mundo já caiu um dia ou continua sendo enganado. E o pior de tudo isso é que, com certeza muitos dos que descobriram que foram enganados por um longo período acabam internalizando sentimentos como culpa ou vergonha. E sentimentos como culpa e vergonha são verdadeiras “bombas” contra a mobilização política. É isso justamente o que “eles” querem.

Aos verdadeiros donos do poder, aqueles que controlam a mídia, é realmente cômodo que cada um de nós tenha uma visão pessoal e redutora do fracasso. E que, ao mesmo tempo, no plano coletivo tenhamos um comportamento sincronizado e eficiente, como o de um rebanho de gado se deslocando ordeiramente para o abate.