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4 de mar. de 2011

Emir Sader e o ódio da direita

Emir Sader / Imagem: página13


Por Altamiro Borges

A decisão abrupta da ministra da Cultura, Ana de Hollanda, de cancelar a nomeação de Emir Sader para a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa, gerou uma ofensiva histérica da mídia contra o renomado intelectual de esquerda. Alguns “calunistas”, como Josias de Souza (Folha), Ricardo Noblat (Globo) e Reinaldo Azevedo (Veja), tiveram orgasmos múltiplos. Os jornalões e seus sítios fazem de tudo para desqualificar o sociólogo.

A “vingança maligna”

O ódio da direita contra Emir Sader não é novidade. Ela nunca tolerou suas críticas ao “pensamento único” emburrecedor do neoliberalismo. Ela também nunca aceitou o papel ativo do intelectual, que não se enfurna na academia e procura transforma suas reflexões críticas em ação política transformadora. Mesmo com ressalvas a vários limites do governo Lula, o sociólogo teve papel destacado na mobilização da intelectualidade para evitar o retrocesso demotucano no país. A mídia nunca o perdoou.

Sua vingança maligna se dá agora com a decisão da ministra da Cultura. A mídia comemora, segundo Josias de Souza, carona de FHC, o fato de Emir Sader ter sido “defenestrado”. Tenta apresentar a conclusão do imbróglio como uma vitória dos setores mais “moderados” no interior do governo Dilma Rousseff, que isola as “abobrinhas” da esquerda. Elogia a postura “firme” de Ana de Hollanda, que mostrou que “não é autista”, ainda segundo Josias.

Cabeça erguida e muita disposição

Num texto publicado hoje, Emir Sader afirma que não se abala com a brutal perseguição da direita. Ele lembra que esta é a terceira vez é vitima da sua truculência:

“A primeira foi durante a ditadura. Buscado pela Oban (aquela para a qual a empresa dos Frias emprestou seus carros para disfarçar de jornalistas os agentes do terrorismo de Estado), casa invadida, mulher detida, biblioteca destruída, foto nos jornais e nos cartazes da ditadura como buscado por terrorista, execrado pela imprensa. Eu estava na clandestinidade, fui condenado, à revelia, a quatro anos e meio de prisão, depois anistiado”.

“A segunda, no processo movido pelo Jorge Bornhausen, quando eu lhe respondi com artigo na Carta Maior àquela declaração de que ia ‘acabar com essa raça por 20 anos’. Ele me moveu processo por injúria, calúnia e difamação, teve o apoio, uma vez mais, da empresa dos Frias, execrado pela imprensa. Foi desatado um amplíssimo movimento de solidariedade, com abaixo assinado encabeçado pelo Chico Buarque, Veríssimo, Antônio Candido, Eduardo Galeano, que recolheu mais de 20 mil assinaturas”.

“Agora há esta nova ofensiva da direita, de novo achando que podem me constranger, me calar, me isolar. De novo truculenta, de novo submetido à execração pela, agora, senil e velha mídia, mas a mesma da época da ditadura e do processo do Bornhausen. De novo a empresa dos Frias envolvida, mediante uma armadilha de usar em on o que era uma conversa em off, coisa típica desse jornalismo decadente e imoral. Saio também ileso, moral e politicamente, honrado com todos os apoios que recebo, assim como pela lista – esta sim, execrável, dos que atacam, do outro lado”.

“A sensação, nas três circunstâncias, é a de que me tornaram vítima ‘por boas razões’, como dizia o Brecht, porque estou do lado certo, no bom combate, que o que está em jogo não sou eu individualmente, mas causas justas que é preciso defender e a que tantos dedicam também suas vidas na defesa delas. Que a solidariedade imensa e emocionante que recebi nas três ocasiões se dirige às causas às quais dedico o melhor da minha energia e não a mim como pessoa.

“Portanto, me sinto bem nessas circunstâncias em que a direita me toma como vítima privilegiada, como que honrado por esse privilégio de ser considerado alguém que os incomoda, que afeta os seus interesses e os seus valores conservadores. De todas elas saí mais forte, com mais apoio, com mais amigos e companheiros, mais convencido de que essas são causas justas – tanto assim, que a direita as combate sempre, com todas suas armas, desde as metralhadoras e os carros da Oban-Folha, até o monopólio, enfraquecido e senil, da imprensa -, que vale a pena jogar a vida por elas”.

“Pegadinha” asquerosa da Folha

O motivo que teria levado Ana de Hollanda a cancelar a nomeação de Emir Sader foi uma entrevista concedida pelo sociólogo à Folha de S. Paulo, publicada no domingo (27), com o objetivo de apresentar seu plano de trabalho para a Casa de Rui Barbosa. Mas num golpe rasteiro, bem comum neste jornal de intrigas e futricas, a Folha preferiu destacar uma crítica à ministra, que seria “meio autista”, proferida já ao final da entrevista – em off, segundo o jargão jornalístico.

Emir Sader tem consciência de que a entrevista foi uma armadilha para inviabilizar sua nomeação para este importante instituto de debate de idéias. A provocação da Folha já aparece no título da matéria: “Um emirado para Emir”. No seu início, a bravata direitista de que “o espectro do comunismo” ronda o Ministério da Cultura. Na sequência, os jornalistas Marcelo Bortoloti e Paulo Werneck, que mais se parecem militantes do DEM, ainda ironizam a nomeação de Emir Sader para a Casa Rui Barbosa, afirmando que os intelectuais teriam que “entoar a Internacional Comunista” e seriam enviados para o “corte de cana” em Cuba.

“A entrevista é editorializada desde o título até o final. Não tem nem a generosidade de te dar a palavra e depois, no final, dizer o que acha. É tudo editorializado”, lamentou Emir Sader numa entrevista à Rede Brasil Atual. Segundo explicou, parte da conversa com os repórteres da Folha foi feita em off, prática jornalística pela qual se publica o conteúdo sem citar a fonte. “O sociólogo entende que a intenção por trás da reportagem vai muito além de sua posse na fundação. ‘O problema não é comigo. É tentar inviabilizar um espaço de pluralismo intelectual, teórico, político. Isso é o que os assusta porque são do pensamento único’”.

Início conturbado no MinC

Com base nesta “pegadinha” é que Ana de Hollanda teria cancelado a nomeação, segundo afirmam os jornalões. Mas esta decisão intempestiva ainda deve ter desdobramentos. Há um forte clima de descontentamento, inclusive em áreas do PT, com o início de gestão, bastante conturbado, da nova ministra. De cara, em janeiro, ela desagradou os ativistas ligados à cultura digital ao retirar a licença Creative Commons do sítio oficial do Ministério da Cultura.

Na sequência, ela indicou um advogado do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) para a Diretoria de Direitos Intelectuais (DDI). Os Pontos de Cultura, uma iniciativa inovadora do ministério no governo Lula, também reclamam da falta de repasses de recursos do programa Cultura Viva. Tampouco foram abertos novos editais para pontos, prêmios e outras formas de financiamento cultural que caracterizaram os oito anos anteriores no Ministério da Cultura (MinC).

Clima de insatisfação e autismo

Segundo Renato Rovai, um dos jornalistas mais bem informados sobre o que rola na área cultural, “a avaliação que circula no Planalto é que o troféu ‘ministério problema’ dos primeiros 100 dias do governo Dilma dificilmente escapará das mãos do MinC. Na bancada de deputados petistas, há uma insatisfação quase generalizada com as ações do ministério; na blogosfera, o MinC se tornou pauta negativa todos os dias; nos movimentos sociais, há uma crise instalada por conta dos sinais que vem sendo emitidos em relação às novas políticas para os Pontos de Cultura; entre os intelectuais que apoiaram Dilma, a decepção com a nova agenda tem levado alguns a dizer que vão desembarcar do apoio ao governo”.

Para ele, a situação é preocupante. “O governo Dilma ainda está começando e há tempo para o MinC mudar o sinal desses primeiros meses, saindo do noticiário a partir de pautas negativas e buscando um novo tipo de relacionamento com os setores que defenderam a candidatura de Dilma e que fazem parte da base histórica do PT e do PCdoB, por exemplo, na área. Mas para isso é preciso descer do salto. Não parece ser essa opção da nova equipe. Os recados que chegam do bloco A da Esplanada é de que certos temas são proibidos. E que na nova equipe se instalou um clima de que todas as críticas são parte de uma tentativa de desestabilizar Ana de Hollanda. Política não se faz procurando inimigos embaixo da mesa de trabalho. Quando isso acontece, o resultado costuma ser desastroso”.


*Emir Sader é sociologo, professor e cientista político.

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8 de jan. de 2010

A 'Elite' cega e alienada se enquadra em que tipo de comportamento, principalmente em São Paulo?

Boris Casoy, o filho do Brasil - Por Paulo Guiraldelli - 01.01.10

Uma parte da nossa esquerda política imagina que os ricos não são brasileiros. Pensam que eles ainda são os filhos de uma elite que estudou na Europa e que, se o Brasil for mal, irá embora daqui. Imagina que são pessoas completamente por fora da vida cotidiana do Brasil. Essa visão da esquerda pouco ajuda. Enquanto não entendermos que um homem de direita como Boris Casoy é tão “filho do Brasil” quanto Lula, não vamos descrever o Brasil de um modo útil para os nossos propósitos de melhorá-lo.

Creio que o vídeo (aqui) que mostra Boris ridicularizando de maneira odiosa os garis, com o qual iniciamos o ano, deveria valer de uma vez por todas para compreendermos algo que, não raro, há vozes que querem negar: “o ódio de classe” permanece entre nós – sim, nós os brasileiros. Deveríamos levar em conta isso, sem medo, ao descrever o Brasil.


Quando Ciro Gomes, ao comentar algumas reações às políticas sociais, então vindas de determinados grupos da imprensa, disse que tal coisa era obra “da elite branca”, a reação da direita foi imediata. Um dos elementos mais à direita que temos na imprensa brasileira, Reinaldo de Azevedo, saiu rasgando o verbo. Primeiro, elogiou Patrícia Pillar, atriz mulher de Ciro, para não criar desafetos, e em seguida tratou o político como um bobalhão que teria falado de algo que não existe no Brasil. Ciro teria bebido demais em algum rortianismo, lá nos Estados Unidos, quando então fez curso arrumado por Mangabeira Unger. Voltando de lá mais à esquerda do que foi, estaria inventando divisões que aqui não existiriam. Reinaldo não é um jornalista sofisticado para escrever isso, mas o que disse, no meio de sua pouca cultura, queria transmitir essa idéia.


Mas quando ouvimos o que um Boris Casoy diz por detrás das câmeras, não temos como não admitir que Ciro está certo: existe uma “elite branca” no Brasil que sente profundo desprezo para com tudo que é do âmbito popular. Pode ser que vários membros dessa “elite branca” não sejam tão cruéis quanto Casoy. Pode ser, mesmo, que vários dos ricos que estão nessa “elite branca” se sintam desconfortáveis, perante os preceitos cristãos de humildade que dizem adotar, quando escutam isso que ouvimos de Boris Casoy. Todavia, o que Casoy falou  é o que se pode ouvir, entre um uísque e outro, nas festas antes organizadas pelo empresariado que amava da Ditadura Militar, e que hoje é feita para angariar fundos para o  PSDB, o partido que havia nascido com o propósito de não ser a direita política, mas que, agora, assume esse papel.

Não quero de modo algum, com esse artigo, provocar aqueles que, sempre pensando só de modo dual, logo dirão: “ah, mas a esquerda é blá, blá, blá”. Sou um homem de esquerda. Minha condição de filósofo me dá alguns instrumentos para analisar de onde venho. Podem ficar tranqüilos. Aliás, sou uma pessoa que adora a frase de Fernando Henrique Cardoso, quando ele disse, se referindo a ele mesmo por conta de acreditar que sua política econômica, ela própria, já era política social: “não é necessário ser burro para ser de esquerda”. Mas aqui, não quero falar da esquerda. Quero mostrar que gente como Boris Casoy não caiu no Brasil vindo de Plutão. Muito menos estudou na Europa. Gente como Boris Casoy estava no Mackenzie, fazendo curso superior, mais ou menos no tempo em que Lula deveria estar vendendo limão na rua. Isso não transforma o Lula em um bom homem e o Boris em um perverso. Mas isso dá, claramente, razão a Ciro Gomes: há sim uma “elite branca” que não respeita garis, que não os acham gente, e que transferem esse ódio ao Lula, principalmente quando olham para ele e o vêem sendo abraçado por um Sarkozi, na capa do Le Monde.


Sarkozi é o presidente da França. E não é de esquerda. Eis então que toda a direita no Brasil comemorou sua eleição. Todavia, Sarkozi aparece abraçado com Lula, sem o preconceito de classe que vários dos próprios brasileiros ainda possuem contra Lula, então, esse fato Lula-Sarkozi, deixa essa “elite branca” despeitada. Ela se pergunta, raivosa: “por que não FHC ou Serra?” Por que aquele “analfabeto”, por que ele, aquele … “gari”? Sim, a fala de Boris é o equivalente dessas frases que eram, até pouco tempo, restritas aos círculos da Ana Maria Braga, Regina Duarte, José Neumanne Pinto e Danusa Leão. Foram esses círculos que fingiram se espantar com o relato de César Benjamim, sobre Lula na prisão. (a história de que Lula teria tentado comer um garoto lá). Fingiram, sim, pois já haviam escutado isso em festinhas e riam disso, tratavam de fazer correr a fofoca, sendo ela verdadeira ou não.


Caso queiramos melhorar o Brasil, vamos ter de ver que os brasileiros – muitos – pensam como Boris Casoy. E atenção nisso: não vamos culpá-lo pelos seus cabelos brancos não! Mainardi, na Globo, ainda não tem cabelos brancos e pensa a mesma coisa. Na Band, vocês já viram o tipo de preconceito de classe contra pobres que aparece no CQC? Já viram o menino Danilo Gentili insultando os pobres, jogando comida para eles? Não? Pois saibam que isso ocorreu sim! Esse tipo de humor é necessário?



Estamos há duas décadas da “piada” de Chico Anísio contra Lula, dizendo que se Marisa fosse a primeira dama e fosse morar no Planalto, ficaria esgotada ao ver quantas janelas de vidro teria de limpar. Naquela época, a Globo fez Chico Anísio pedir desculpas em artigo na imprensa. E ele pediu! De lá para cá, o que mudou na TV brasileira? Ora, o vídeo de Boris Casoy nos diz que pouca coisa mudou. Que ainda precisamos de muito para evoluirmos. Temos uma longa caminhada pela frente no sentido de educar  aquele brasileiro que não consegue entender que o dia que um lixeiro parar, ele, o rico, vai ver todas as moscas botarem ovos no seu ânus, e quando ele acordar, ele terá sido devorado em vida pelos vermes. Estamos ainda precisando de uma forte pedagogia que entre nas escolas de modo a evitar que os brasileiros do futuro sejam os Casoys da vida.


As pessoas podem ser de direita, isso não deveria implicar em perder a capacidade de ver na condição social de concidadãos algo que não os desmerece (o bom exemplo não é, enfim, o próprio Sarkozi?). No Brasil, no entanto, a direita política não consegue apresentar um comportamento de brasileiros que gostaríamos que todos nós fôssemos, ou seja, pessoas capazes de ver em cada outro que lhe presta um serviço um homem digno.

Paulo Ghiraldelli Jr, filósofo.

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Âncoras do jornalismo brasileiro prega ódio e preconceito contra o pobre no Brasil 



Boris Casoy, da TV Bandeirantes, era do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) na década de 60.



30 de jul. de 2009

Director de Le Monde: Estamos frente a una contraofensiva brutal de la derecha

“Estamos frente a una contraofensiva brutal de la derecha en el continente (América Latina), y creo que el tema comenzó en Bolivia, y luego con el golpe de Estado en Honduras”, dijo este jueves el director del Le Monde Diplomatique, Omar Roberto Rodríguez.

En el programa Despertó Venezuela, que transmite Venezolana de Televisión, Rodríguez sostuvo que hoy es un hecho que el monopolio de la información es parte de la estrategia cotidiana de la derecha.

Señaló que para el caso venezolano se juegan metas de desafío institucional frente a las elecciones presidenciales de 2012.

Rodríguez argumentó que el presidente de Colombia, Álvaro Uribe, representó el factor político ligado al latifundio, al narcotráfico, y no existe un remplazo diferente a él.

Destacó Rodríguez que al imperio le conviene que siga Uribe siendo presidente. “Uribe nunca ha sido amigo de Venezuela”, agregó.

El director del diario Le Monde destacó que la instalación de las bases estadounidenses en Colombia es parte de la activación de la cuarta flota del imperio, lo que le permitirá tener control sobre todos los países de la región.

El periodista aseveró que en Colombia existe un terrorismo mediático manejado completamente por los poderes militares y políticos del país neogranadino.

“En Colombia, 50 mil hombres asesinados, dirigentes sociales, impide que el pueblo pueda ir madurando. En Colombia el movimiento social debe moverse a riesgo, sin logística”, agregó Rodríguez.

Destacó: “Esta alianza (entre Colombia y Estados Unidos) va a poner a prueba el nivel de conciencia de los venezolanos (...) América Latina sigue adelante, no le será fácil a la derecha”.

Caracas, ABN. - Da Agência Bolivariana de Notícias - 30.07.09

17 de jul. de 2009

OS RISCOS DA VOLTA DA DIREITA.

Emir Sader

Não subestimar a oposição. Pode ser fatal e facilitar o retorno da direita. Contam com toda a mídia, direção ideológica da direita brasileira. Contam com um candidato que, até agora, mantém a dianteira – e não basta dizer que é recall, porque é muito constante sua votação, o Ciro é recall e despencou nas pesquisas.

Contam com a grana, antes de tudo do grande empresariado paulista. Contam com os votos de São Paulo, que se tornou um estado conservador, egoísta, dominado pela ideologia elitista de 1932, de que são o estado do trabalho e o resto são vagões que a locomotiva tem que carregar. Contam com a despolitização destes anos todos, em que se apóia ao governo Lula, mas uma parte importante prefere, pelo menos até agora, o Serra. Contam com a retração na organização e na mobilização popular. Contam com a imagem de Serra, desvinculada do governo FHC, em que, no entanto, foi ministro econômico durante muito tempo, co-responsável portanto, do Plano Real, das privatizações, da corrupção, das 3 quebras da economia e as correspondentes idas ao FMI, da recessão que se prolongou por vários anos, como decorrência da política imposta pelo FMI e aceita pelo governo.

Conta também com erros do governo, seja na política de comunicação – alimentando as publicidades nos órgãos abertamente opositores, enquanto apóia em proporções muito pequenas os órgãos alternativos, seja estatais ou não. Erros de política de juros alta até bem entrada a crise, atrasando a recuperação da economia. Erros na política de apoio e promoção do agronegócios, em detrimento da reforma agrária, da economia familiar, da auto-suficiência alimentar.

É certo que a oposição não tem discurso que sensibilize ao povo, tanto assim que batem o tempo todo, com seus espaços monopólicos na mídia, mas só conseguem 5% de rejeição ao governo, que tem 80% de apoio. Mas também é certo que o estilo marqueteiro que ganharam todas as campanhas, despolitizam o debate, se Serra se mantiver na liderança das pesquisas, não precisa apresentar propostas, só as imagens maquiadas das “maravilhas” que estaria fazendo em São Paulo, assim como o tom de Aécio de que não é anti Lula, mas pós-Lula, dizendo – como disse e não cumpriu em São Paulo, que manteria os CEUS e outros programas sociais do PT – que vai deixar o que está bom – sempre atribuído ao casalsinho Cardoso.

A direita pode ganhar e se reapropriar do Estado. O governo Lula terá sido um parêntesis, dissonante em muitos aspectos essenciais dos governos das elites dominantes, que retornarão. Ou pode ser uma ponte para sair definitivamente do modelo neoliberal, superar as heranças negativas que sobrevivem, consolidar o que de novo o governo construiu e avançar na construção de um Brasil para todos.

Fonte:Agência Carta Maior.


Por Carlos Dória - 17.06.09