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26 de nov. de 2012

No Dia Nacional da Luta contra a Violência sobre a Mulher, a falta no atendimento à educação para seus filhos é uma violência.

Hoje o número de crianças sem creche, na cidade de São Paulo, chega a 157.000.
 Falta de creche e escolas em período integral para crianças e adolescentes emperra autonomia financeira para as mulheres.

Por Márcia Brasil

No Dia Nacional da Não Violência contra a Mulher, comemorado dia 25 de Novembro, pouco (ou nada) é falado sobre a falta de escolas para o atendimento de crianças e adolescentes. A mulher também sofre violência constitucional por perder o direito de progredir, quando o Estado não garante educação adequada para seus filhos, nas áreas rurais ou urbanas. A condição de estudar e obter novas formações profissionais é quase nula para esta mãe independente.

8 de mar. de 2012

Maria da Penha, nesta lei eu confio.


Violência contra a mulher, vamos combater. Muitas sofrem por medo, constrangimento e desinformação. Disque-denúncia:  181 . Guardem e divulguem esse número. Hoje todos podem ajudar. #DiaInternacionaldaMulher

8 de jun. de 2011

Para ativistas, Casa Civil terá perfil de conciliação com uma mulher no cargo

A nova-ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman oferecerá perfil conciliador à pasta, dizem ativistas (Foto: Renato Araújo/Abr)

São Paulo - No segundo cargo mais importante do Executivo federal, Gleisi Hoffman, que assumiu nesta quarta-feira (8) a chefia da Casa Civil, deve garantir um perfil conciliatório ao ministério. Para ativistas de movimentos feministas, por ser mulher, ela tem ainda mais aguçada essa característica de articulação, de ouvir e de combinar interesses, qualidades indispensáveis em um ministro de Estado.

Rachel Moreno, do Observatório da Mulher, destaca o poder de articulação e sabedoria que a Casa Civil demanda de quem a comanda. "Ela (Gleisi) tem um início parecido com o de Dilma em termos de perfil técnico, de uma boa administração. É o segundo cargo mais importante do governo, então além de tomar conhecimento e ter controle de todos os programas do governo que estão sendo executados, ela terá que, eventualmente, fazer um trabalho de costura entre políticos e lideranças. E aí entra o perfil feminino", pontua Moreno.

Para Jacira de Melo, diretora do Instituto Patrícia Galvão, Gleisi Hoffmann tem uma trajetória que alia conhecimento e experiência em gestão, que forma, com Dilma, a dupla mais importante do governo. "Vale ressaltar a visão política e a sensibilidade da nova ministra com relação aos direitos das mulheres", destacou Jacira.

A senadora  Marta Suplicy escreveu em seu Twitter que lamenta a saída de Antonio Palocci, mas, ao mesmo tempo, comemora que sua substituta seja uma senadora "competente e amiga" como Gleisi.

A ministra-chefe da Casa Civil torna-se a décima mulher a ocupar uma cadeira na Esplanada dos Ministérios. Ela estará entre 26 ministros homens, entre os quais seu marido Paulo Bernardo, titular  das Comunicações.

Da Rede Brasil Atual - 08.06.2011

4 de jun. de 2011

Nem putas, nem santas: livres


Por Bruna Provazi - 04.06.2011

Mal terminou o maio de 2011, com sua sequência de sábados de protestos nas ruas de São Paulo (leia-se: Churrascão da Gente Diferenciada, Marcha da Maconha e Marcha da Liberdade), o final de semana que abriu o mês de junho veio carregado de indícios de que o coro d@s ciberativistas descontentes prossegue.
A Marcha das Vadias pode ter reunido menos gente do que as manifestações anteriores, até porque, como sabemos, a questão das mulheres é um tema que mobiliza menos a atenção da sociedade brasileira. Não fosse isso, talvez já tivéssemos avançado em muitas reivindicações lááá da segunda onda do feminismo pelas quais ainda lutamos, tais como a legalização do aborto. Outro motivo é que é legal e descolado defender pautas mais amplas, como a liberdade de expressão (de quem mesmo?), difícil mesmo é descer do muro quando o assunto é feminismo.
Ainda assim, centenas de pessoas (não sou boa com números, mas, se a polícia conta 300, certamente podemos jogar esse número aí bem pra cima), saíram de suas casas nesse gelado sábado de outono/inverno pra fazer algo mais que desfilar de lingerie pela Paulista – como temíamos que pudesse acontecer. Às duas da tarde, horário marcado no Facebook, havia mais fotógrafos e jornalistas do que as vadias propriamente ditas. Em pouco tempo, já éramos maioria.

 

Nós da Fuzarca Feminista, que é o núcleo jovem da Marcha Mundial das Mulheres, havíamos preparado nossa própria intervenção. Levamos cartazes, panfletos, batuques, palavras de ordem e muitas ideias pra testar na prática. E não fomos as únicas. Foi uma surpresa muito boa encontrar várias outras jovens que compartilhavam das mesmas indignações. Surgiram as Blogueiras Feministas. Surgiram as Pedalinas. Surgiram nossos apoiadores do sexo masculino – que nunca antes na história das manifestações na Paulista foram tão educados e solidários: até pra pegar panfleto pediam licença, gente. Até os policiais pareciam querer colaborar (quem tem medo das feministas más?).
Diversas pessoas, organizadas de forma independente ou coletiva, deixaram os computadores de stand by por um momento pra dar suas tuitadas na rua. A trilha sonora foi uma mashup feminista entre a batucada da Fuzarca e a discotecagem riot da Elisa pelo megafone. E tudo terminou da forma mais massa que poderia. No país em que duas mulheres são espancadas a cada 5 minutos, a marcha contra a culpabilização da vítima pelo crime de estupro se transformou em uma ampla manifestação contra a violência sexista.
Marchamos pelo direito de sermos “feias”, se ser “bonita” significa se encaixar num modelo de beleza ditado exclusivamente pelo desejo masculino e pelos lucros do mercado.
Não somos estupradas porque vestimos saias, andamos sozinhas à noite ou bebemos um pouco a mais. Não ganhamos menores salários e somos minoria em determinadas profissões e em cargos de poder devido a nossas “características naturais distintas”. Tampouco amamentamos em público para o deleite de nossos incautos observadores.
A violência sexista é essa cometida pelos homens contra nós, mulheres, simplesmente por sermos mulheres. As situações de violência são demonstrações de poder e, geralmente, são justificadas por argumentos relacionados ao que deveria ser o jeito certo de nos portarmos. Estupro é questão de poder, não de sexo.
Porque não se trata apenas de “importar” as Slutwalks, é preciso ressignificá-las, contextualizá-las. E que contextualização melhor do que atacar o símbolo contemporâneo do CQCismo e do mau gosto na TV Brasileira? Bombardeamos o QG, ou o “muquifo” – como disse a Vange – dos CQCistas Rafael Bastos e Danilo Gentilli.
Quando perceberam nossa movimentação em direção ao recinto, abaixaram as portas às pressas (quem tem medo das feministas más?). Com o megafone aberto, condenamos a violência contra a mulher e as declarações fascistas dos donos do muquifo. Nem nosso dinheiro, nem nossa audiência: pedimos o boicote. A trilha nesse momento ficou por conta da própria multidão organizada: “Abaixo o CQC!” / “Marcelo Tas, me processa!” / “Mamaço!”.
De repente, todos cartazes foram colados na porta do Comedians, na Augusta. Certamente, foi mais fácil arrancá-los do que pintar a calçada de preto na semana passada, depois que surgiram os stencils “Estupra-se mulheres feias aqui”. Mas as marcas que deixamos foram muito maiores. O CQC não apareceu pra fazer piadinha (quem tem medo das feministas más?). Danilo Gentilli ficou entrincheirado lá dentro até deixarmos o lugar. Quando não havia mais feministas más do lado de fora, finalmente deu as caras e disparou algumas cuspidelas pros jornalistas de plantão.


Poucas horas depois, a internet já estava cheia de nossos cartazes, nossas frases e nossa artilharia visual. Quando cheguei em casa, depois da comemoração, a hash tag (#MarchadasVadias) ainda estava lá no topo. Nas notícias, figuravam sem rodeios as palavras “machismo”, “violência contra a mulher” e “sexismo”. Em sete caracteres: sucesso.
O fato é que quem criou o evento no Facebook era o que menos importava ontem: a Marcha das Vadias aconteceria de qualquer forma, em um sábado ou em outro. Havia (há) muita coisa entalada, e a Slutwalk foi uma grande oportunidade de juntar muita gente que queria exteriorizar tudo isso.
Que as pessoas percam o medo da palavra feminismo. Que o movimento não se perca. Que nosso desejo de mudança continue nos reunindo no ciberespaço para articular ações fora dele. Nós continuamos em marcha e – vocês sabem, né… – é até que todas sejamos livres.

8 de mar. de 2011

Mulheres, estas bruxas revolucionárias - Sobre o 8 de março

Luiz Müller - Luizmuller's Blog

Desenho de Carlos Latuff

Dia 8 de março é dia internacional da mulher. O império inventou uma história em meados do século 20 e espalhou pela face da terra: O dia 8 de março fora escolhido por eles, por que neste dia, em 1875, centenas de mulheres “coitadinhas” teriam sido queimadas vivas por um empresário malvado que provavelmente não aplicava bem as regras do capitalismo. Pois hoje através de pesquisadores, sabemos que esta história é uma fraude. O dia 8 de março de 1875 caiu num domingo, e embora as mulheres (e homens) trabalhassem 14 horas por dia, sem as mínimas condições de segurança e saúde, inclusive nos sábados, os bons capitalistas americanos eram todos cristãos e o domingo era dia sagrado de descanso. Uma fraude pra tentar esconder a capacidade revolucionária da mulher. Mais uma. Na Idade média elas eram as bruxas que aterrorizavam os homens com suas idéias revolucionárias e eram queimadas nas fogueiras. De bruxas malvadas a coitadinhas. Não mesmo.  A história verdadeira é outra. E está assim, bem resumida, na Wikipédia: Na Rússia, as mulheres  foram o estopim da Revolução russa de 1917. Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelo calendário juliano), agreve das operárias da indústria têxtil contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram na Revolução de Fevereiro. Leon Trotsky assim registrou o evento: “Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”.
Verdade seja dita: foram as mulheres que iniciaram a maior revolução do século 20. E o que elas pediam “Pão e Paz”. Queriam os soldados russos de volta, por que eram seus filhos e maridos que morriam como bucha de canhão nos fronts de batalha. Queriam uma vida digna. Como querem até hoje as mulheres revolucionárias que na idade média eram chamadas de bruxas e queimadas nas fogueiras, e hoje tem sua história mal versada pelos capitalistas que insistem em rebaixar o papel da mulher e as próprias mulheres a um papel secundário. Recebem menores salários que os homens embora já sejam maioria como chefes de família. O capital as explora e muitas ainda são vítimas da dupla jornada e de violência doméstica. É tempo de reescrever a história. É tempo de abrir os olhos da humanidade para o que Marx disse no século 19: “A exploração do homem pelo homem só terminará quando o homem deixar de explorar a mulher”. Este parece ser o tempo das mulheres: Aqui no Brasil a Presidenta Dilma é símbolo desta evolução. Que este avanço seja o começo da revolução definitiva, que acabe com a exploração da mulher pelo homem, para que possamos acabar definitivamente com a exploração do homem pelo homem e salvar a humanidade das agruras do sistema capitalista que, vira e mexe, está em crise, e cada uma das crises são os trabalhadores e trabalhadoras que tem seus direitos atacados.
VIDA LONGA A LUTA DAS MULHERES POR DIGNIDADE PARA TODA A HUMANIDADE! QUE O DIA 8 DE MARÇO NÃO SEJA MAIS UM DIA DE DITRIBUIR ROSAS E MENSAGENS. É PRECISO QUE A REVOLUÇÃO CONTINUE, POR QUE MULHERES E HOMENS AINDA SÃO VÍTIMAS DA EXPLORAÇÃO NO MUNDO TODO. E ENQUANTO HOUVER UMA MULHER EXPLORADA POR UM HOMEM OU UM HOMEM SENDO EXPLORADO POR UM HOMEM, NÃO TEREMOS A PAZ NECESSÁRIA PARA QUE O PÃO CHEGUE A TODAS E TODOS.

Do Maria da Penha Neles  - 08.03.2011

22 de dez. de 2010

Professor, posso falar?


Por Miguel do Rosário - Do Gonzum - 21.12.2010    


Buscar a conciliação me parece o mais sensato a fazer agora. Essa brigalhada na web gerou muita energia negativa e desagregou a blogosfera progressista. É ingenuidade, porém, querer encerrarmos a polêmica através de um silêncio forçado, através de uma paz artificial. Os assuntos precisam ser debatidos até o fim. Em seu último post sobre o tema, o Idelber adotou posições das quais continuo discordando, e faço-o aqui com a maior educação e respeito, para expandir o debate e tentar, como se diz, fazer desse limão uma limonada.
O texto de Idelber, com toda sua pompa, faz uma série de generalizações rasas. Ele usa a reação de alguns comentaristas de seu blog como exemplo, além das observações de botequim de uma amiga, para fazer um julgamento absolutamente empírico sobre todos os homens do planeta Terra, acusando-os por sua vez de emitir opiniões empíricas e rasas sobre o feminismo. Ou seja, ele pode fazer um julgamento empírico, os “homens” não.
Confiram trecho:
(…) quando homens emitem “opiniões” sobre o feminismo, elas não costumam vir embasadas em bibliografia ou sequer em escuta da experiência das mulheres narrada por elas próprias. Arma-se alguma capenga simetria entre machismo e feminismo, decreta-se que “as” feministas são isso ou aquilo e encerra-se o assunto sob viseiras, em geral acompanhado de algum choramingo contra “elas”, que são “radicais” ou “patrulheiras” (confesso que “barraqueira” eu ouvi pela primeira vez esta semana), sem que nenhum esforço tenha sido despendido na escuta do outro, neste caso na escuta da outra. Note-se, por favor (já que malentendido, teu nome é Internet), que não me refiro a uma opinião sobre tal ou qual leitura feminista de tal ou qual texto de Clarice Lispector, mas às emissões de “opinião” sobre o que “é” o feminismo. Essas, invariavelmente, são um desastre.
A que homens se refere? A que opiniões? Por que opiniões vem entre aspas? Quando eu emito uma opinião sobre um assunto político eu tenho que obrigatoriamente me embasar sobre a bibliografia citada pelo interlocutor? Idelber parece confundir debate político (e feminismo é uma questão política, e das mais populares, não há sentido compará-la ao estudo da “hermenêutica” ou “fenomelogia”) com a formulação de uma tese acadêmica.
Essa postura (equivocada, a meu ver) será aprofundada nos parágrafos seguintes:
Essa prática sempre me pareceu espantosa, porque ninguém, nem mesmo um daqueles jornalistas mais caras-de-pau de MOSCOU, se arriscaria a ter “opinião” sobre, digamos, fenomenologia ou hermenêutica sem antes equipar-se minimamente para tanto. Todavia, sobre o feminismo, uma constelação de pensamentos, escritas e práticas políticas das mulheres não menos complexa, multifacetada, ampla e profunda que aquelas duas escolas, e sem dúvida mais influente que ambas, os homens, em geral, e com visível desconforto e pressa, acham que podem ter “opinião”, passar juízo, assim, sem mais nem menos, sem sequer dar um checada nas estatísticas de violência doméstica, estupro ou diferença salarial entre homens e mulheres ou ouvir uma feminista. Não falemos de ler alguma coisa de bibliografia, uma Beauvoir ou Muraro básica que seja. Acreditam sincera e piamente que essa sua atitude não tem nada a ver com o machismo.
Quem os homens pensam que são para ousar ter opinião (que vem novamente entre aspas; eu queria saber por que vem entre aspas, que têm uma função neste caso notoriamente pejorativa)? Sobre checar as estatísticas de violência doméstica, etc, ou ouvir uma feminista, Idelber novamente generaliza: ele cria um personagem caricatural, que não tem noção de nada, que nunca leu uma notícia sobre violência doméstica nem sobre diferença salarial, que nunca conversou ou ouviu uma feminista, e pespega essa imagem em todo homem que tem opinião (com aspas). Daí ele nos brinda com uma condescendência paternal, abordando novamente a não leitura do cânone feminista. Ora, me desculpe, mas para mim isso é pedantismo puro e descarado, na pior acepção do termo, pois um intelectual que se preza deveria nos trazer ao menos uma síntese, ou resumo, de alguns conceitos contidos naqueles livros. É assim que se produz cultura. É assim que se instiga as pessoas a procurarem os livros mencionados.
Não acho democrático que, diante de um tema político (e popular, repito, não posso conceber que se compare o tema “feminismo” com o estudo da fenomelogia alemã do século XIX), se exija do interlocutor a leitura de uma determinada obra como pré-condição para participar do debate. Se a pessoa acha essa obra tão fundamental, que exponha, então, os seus principais conceitos.
A atitude de Idelber nada mais é do que uma “carteirada” acadêmica. Ele cria um interlocutor imaginário, uma figura caricata, que ele se empenha em detonar. Ao não pessoalizar o ataque, contudo, ele parece estar dando socos intelectuais num boneco de ar, que não pode responder, e ao mesmo tempo posa de campeão de boxe.
Que eu saiba, existem zilhões de livros no mundo e acho impossível alguém lê-los todos. Pior, lembrar deles. Shopenhauer tinha uma frase engraçada sobre isso: dizia que pretender guardar tudo o que se lê na memória corresponderia a segurar no estômago tudo que se comeu ao longo da vida. Ou seja, o sujeito pode ter lido Simone de Beauvoir há vinte anos e hoje não se lembrar de nada, de maneira que para participar do debate sobre feminismo, teria que não apenas ler os livros mencionados, como relê-los, anotá-los, estudá-los detidamente para depois fazer a prova no blog do Idelber.
Essas exigências todas, a meu ver, transformariam o debate feminista numa conversa incrivelmente restrita, uma panelinha acadêmica, mesmo entre as mulheres. Trata-se de uma visão antidemocrática, elitista, e também profundamente antifilosófica, pois inibe o diálogo e a participação de quem não seria “iniciado” nas teorias do “feminismo”.
Mesmo sem leitura nenhuma no assunto, creio que qualquer pessoa tem potencial para dar uma contribuição criativa, a partir de sua experiência pessoal. Você não percebe, Idelber, que seus critérios produziriam uma hierarquia absurda, inclusive e sobretudo entre as próprias mulheres? Haveria uma categoria de sábios ou sábias que se arvorariam donos da verdade na questão do “feminismo”, por terem lido esses livros. Mas quem garante que esses livros não contém uma série de conceitos equivocados? Quer dizer, entendo que existe um feminismo enquanto tese acadêmica ou ciência, mas existe sobretudo, a experiência viva de todo ser humano diante da condição da mulher no mundo. E o homem deve ser estimulado a falar, a dar uma opinião franca e espontânea sobre o tema, e não ser censurado e intimidado como se pretende em seu blog.
Ele continua assim:
Quando esses homens são confrontados por uma feminista, seja em sua ignorância, seja em sua cumplicidade com uma ordem de coisas opressora para as mulheres, armam um chororô de mastodônticas proporções, pobres coitados, tão patrulhados que são. Todos aqueles olhos roxos, discriminações, assédios sexuais, assassinatos, estupros, incluindo-se estupros “corretivos” de lésbicas (via Vange), objetificações para o prazer único do outro, estereotipia na mídia, jornadas duplas de trabalho, espancamentos domésticos? Que nada! Sofrimento mesmo é o de macho “patrulhado” ou “linchado” por feministas! A coisa chega a ser cômica, de tão constrangedora.
Idelber faz insinuações, por mais melífluas que sejam, ao debate do post anterior, onde eu figurei como um dos debatedores. Ele continua batendo no boneco de ar, mas na sua imaginação (e na dos leitores), os rostos ali projetados são de pessoas conhecidas, que não são dignas, porém, de serem nomeadas. Não é da gente que ele está falando. O que ele chama de chororô é a reclamação que fizemos de que nossas intervenções não foram respondidas com argumentos, e sim com respostas evasivas, esnobes, além de criativas variações em torno da palavra “ignorante”. Além de não podemos falar de feminismo sem antes ler os livros da estante do Idelber, temos que aguentar calados que nos esculachem. Noto ainda uma visão “machista” do homem, pois ele dá a entender que não podemos ter sensibilidade, não podemos nos sentir ofendidos, não podemos chorar.
Desfila-se todo o rosário dos melhores momentos do sexista: como posso ser machista se tenho mãe, mulher e filha, como posso ser machista se quem passa minhas roupas é uma mulher, como posso ser machista se de vez em quando ‘divido’ o serviço doméstico com ela, como podem considerar o feminismo um elogio se o machismo é um insulto, por que as feministas ficam nos dividindo, por que as feministas ficam sendo radicais demais e a longa lista de etecéteras bem conhecida das mulheres que têm um histórico de discussão do tema. Os caras sequer são capazes de renovar os emblemas frasais de sua ignorância.
No meu egocentrismo paranóico, senti aquele “rosário” como mais alfinetada em minha pessoa. Agora não apenas sou machista, como também sexista. Maravilha. E usa a tática recorrente de outros comentaristas do post anterior, e sobre a qual protestamos reiteradamente. Só faltou botar aspas, como fez a outra, para nosso pensamento. Ninguém falou isso que Idelber disse. Ele novamente está batendo num joão-bobo. Eu, por exemplo, dei o exemplo de minha mulher não para vir ao debate com o argumento infantil: “tá vendo? minha mulher concorda comigo”, mas porque minha opinião vinha sendo sistematicamente discriminada pelo fato d’eu ser homem, a ponto de sequer ter o direito de ser chamado de “homem”. A interlocutora (para ser mais preciso, a senhora Lola), passou a nos chamar simplesmente de “machos”, o que, já disse, considerei ofensivo naquele contexto. Nunca me passaria pela cabeça chamá-la de “fêmea”. O que eu quis dizer, e creio que expliquei direitinho, mas se recusaram a entender, é que minha mulher é, na minha opinião, uma feminista. Ela faz uma revista voltada (ao menos nos seus primeiros números) para o público feminino, uma revista que luta abertamente em prol da autoestima e da valorização da mulher. Mas ela também luta contra esse feminismo pedante, acadêmico e agressivo, que, na opinião dela, apenas atrapalha a vida pessoal da mulher e gera estereótipos negativos e contraproducentes para o feminismo.
Quando eu falo em agressividade, não é porque peço um feminismo “dócil”. Não peço nada. Apenas contesto uma maneira de debate fundamentada em acusações de que o outro é ignorante, sem que o interlocutor se disponha a formular sequer UM conceito criativo. Aliás, ainda tem isso, essa falta de criatividade, esse pendurar-se em pensamentos alheios, em conceitos criados nos Estados Unidos há trinta anos, sem atualizá-los à luz dos novos tempos e da realidade brasileira.
Continuando, Idelber aprofunda a generalização e transforma um debate que nem é mais tanto sobre o feminismo, mas que se torna quase um debate sobre a liberdade de expressão, numa crítica abstrata e superficial aos “blogueiros progressistas”.
Foi o caso, nestes últimos dias, de alguns dos blogueiros autoidentificados, a partir de um encontro recente em São Paulo, como “progressistas” (não está muito claro de onde vem nem para onde vai esse “progresso” nem em que consiste o “progredir”, mas é evidente que sou ferrenho defensor da primazia da autoidentificação: que cada um se chame como gosta, contanto que me incluam fora desta; este é um blog de esquerda). O progressismo blogueiro é visivelmente masculinista, e que ele reaja com tão ruidosa choradeira ao mero aflorar de uma crítica feminista é só mais uma óbvia confirmação do fato.
Idelber resolveu implicar com o termo “progressista”, uma preocupação que semelha a busca frenética de pêlos em ovo. Ora, e “esquerda”, não é um termo etimologicamente muito mais estranho? Esquerda também é um termo “resolvido”? Até entendo que ele queira criticar o termo “progressista”, mas a maneira como ele o faz, no contexto da luta política que vivemos, e da posição que ele, Idelber, tem assumido, é desagregadora e desleal. Ora, o termo “progressista” é um tema em aberto. O importante não é tanto o nome do personagem, mas a sua ação, o que ele faz, o que ele pensa. Sobre esse “visivelmente masculinista”, é uma acusação ou qualificação puramente pernóstica. Mais que isso, é enfadonho, como se alguém quisesse desqualificar a revolução francesa por ter sido liderada por homens. É um feminismo barato. Esse sim, a meu ver, é o pior tipo de sexismo. Idelber insinua, por acaso, que os blogueiros progressistas “vetam” deliberadamente a participação de mulheres no movimento? O Encontro Nacional trouxe um enorme número de mulheres. Claro, os blogueiros “grandes” são homens, e certamente pode-se encontrar em toda parte alguma espécie de machismo. Mas é um processo. As mulheres estão ganhando participação e esse tipo de divisionismo sexual, essa tentativa de criar uma guerra entre os sexos, me parece profundamente antipático.
Aí o post sai do estágio do pedantismo e envereda para o da arrogância pura:
Uma das características do masculinismo progressista é sua tremenda dificuldade em entender a lição de Ana que, escrita num contexto de discussão do racismo, também se aplica aqui: não é sobre você que devemos falar. Não é sobre seu umbiguismo, não é sobre seu desconforto, não é sobre a sua necessidade de que as feministas sejam dóceis (ou não “divisionistas”) o suficiente para que possam carimbar e avalizar o seu tranquilizador atestado de boa consciência. Pra isso o Biscoito Fino e a Massa recomenda outra coisa: psicanálise freudiana. No Brasil de Lula e Dilma, já não é coisa tão cara, pelo menos para a maioria dos que leem esta bodega.
Ã? Masculinismo progressista? O que é isso? O que o caracteriza é não entender a lição de “Ana”? Para sermos alguém na vida e nos libertamos de nossos terríveis preconceitos machistas, bastar-nos-á então ler os textos gentilmente indicados por Idelber? No caso, nem é um texto sobre feminismo, é sobre racismo. Daqui a pouco, Idelber vai dizer que os “blogueiros progressistas” são racistas… Aliás, inúmeros comentaristas nessa polêmica insinuaram isso, ao mencionar blogueiros homens-brancos, sem sequer se preocupar em saber que boa parte de nós, blogueiros progressistas, somos pardos e negros. Idelber menciona também o “umbiguismo”, dando vazão ao que eu considero uma discriminação contra uma maneira de escrever, que eu gosto muito, que é de fundamentar conceitos a partir do que conhecemos de nós mesmos. Eu particularmente acho mais honesto e científico basear-se na minha experiência pessoal, no meu umbigo, do que, num debate sobre liberdade de expessão, discorrer sobre as mulheres negras de Uganda. Sobre a análise freudiana, parece-me um ótimo conselho, mas para o próprio autor.
O texto prossegue com xaropadas sobre sexismo, acusando os homens – reles homens! – de cometer a petulância de organizar um movimento na blogosfera! A linguagem de Idelber assusta. Ele conclui com uma espécie de carteirada final, ao dizer que: “Pessoalmente, sou fã da polêmica que se dá entre as feministas materialistas britânicas, em que uma teoria mais funcionalista das relações entre opressão de classe e opressão de gênero se enfrenta com uma teoria entitulada “sistemas duais”, que argumentava pela independência relativa entre capitalismo e patriarcado (embate sociológico dos bons, nos quais nunca, claro, se fixa uma conclusão, mas durante os quais se exploram hipóteses interessantes).”
Bem, eu imagino que essa polêmica aí das feministas materialistas britânicas deve ser algo tremendamente emocionante, mas neste caso, eu prefiro continuar sendo um ignorante.
Por fim, a pérola final do grande Idelber:
Ninguém é obrigado a ser inteligente o tempo todo, mas quando se trata de aprender a escutar, humildade e decência costumam ser as duas qualidades mais importantes da trinca.
Bem, essa aí é fácil responder: basta mandar a bola de volta para quem chutou. Escutar pessoas, homens ou não, que não são expertise em feminismo materialista britânico dual, mas que tem outras experiências de vida interessantes, também seria saudável para Idelber e companhia.
PS: Não quis ofender ninguém ao usar os termos “pedante” ou “arrogante”, mas um debate fica insuportavelmente chato se a gente não puder ter a liberdade de cutucar o interlocutor.

15 Coments »

  • Quanto Tempo Dura? said: Cara, me choca o tanto que o Idelber é chato.
    O que ele e algumas que se dizem feministas tão fazendo é assim: “VOCÊ NÃO QUER LINCHAR O NASSIF? SEU MACHISTA!”
    Qualquer coisa que se diga, agora, é machismo. Você botou cueca antes de sair? SEU MACHISTA! Comeu uva com caroço? SEU MACHISTA!
    Cara, eu não quero nem saber de machismo ou feminismo. Não dei uma opinião que seja sobre feminismo. Não entendo do assunto. Não me fez falta entender. Quero tratar bem todo mundo, de maneira igual, seja homem, mulher, homo, bi ou cicleta.
    Só não achei certo linchar o Nassif, que tem uma folha boa de serviços prestados, por uma falha que qualquer um aqui poderia ter cometido. Eu inclusive.
    Eu vou lá saber que “feminazi” é um termo ofensivo? Nunca tinha ouvido falar nisso!! É a mesma coisa de eu baixar em Uganda, falar “cotovelo” e ser um palavrão por lá! Na boa, como eu vou saber?
    Exemplifico: Uma feminista veio me perguntar no twitter o que eu acharia se alguém me chamasse de “Quantotempoduranazi”. Eu não respondi porque vi tarde, mas sabe o que eu acharia?
    Acharia uma piada sem graça. E só. Nada mais do que isso. Nada nem pra dar atenção. Chamar de “nazista” é tão clichê que não significa mais nada. Nesse caso específico as feministas consideram isso muito ofensivo? Tá bom, mas a não ser que você divulgue isso, eu não tenho como ficar sabendo! Porque pra todo mundo é uma bobagem.
    No caso do Nassif, era pra parar e conversar. Com amigo a gente conversa antes de quebrar pau. “AH MAS EU MANDEI UM TWEET E UM COMENTÁRIO PRO NASSIF NO DIA E ELE FOI IRONICO AQUELE MACHISTA” – Sim, ele tava viajando e não tava nem sacando do que as meninas tavam falando. Falou pra criticarem no blog o autor do texto. “É pras feministas descerem a lenha no autor” disse. Por alguma razão, nenhuma das “feministas” quis entender a mensagem. Atacaram ele de bolinho e ele ficou puto (e vale dizer: a partir daí o Nassif reagiu MUITO mal. Uma anta.)
    Não vou começar a achar que toda feminista é chata pelo visto nessa história. Como disse, não conheço nada, mas aposto que a luta feminista é muito maior do que isso.
    Porque, na boa, o que 3 ou 4 blogueiros e blogueiras tão fazendo não é feminismo. É oportunismo. Não quero contato com esse povo não. De gente ruim eu quero distância.
  • André said: É só procurar no Google para ver que o termo feminazi não pode ser assumido como amplamente conhecido (exceto para quem acompanha o que diz a extrema-direita americana). Portanto, o caso seria muito mais para esclarecimentos que linchamentos.
  • Robson França said: Miguel, tudo bem?
    Não poderia ter dito melhor. O meu comentário lá no post do Idelber é o que segue. O detalhe é que ele foi sumariamente ignorado, como se eu fosse um spammer ou coisa parecida. Ou, talvez, tivesse dito uma verdade inconveniente para o autor do post, sei lá
    ;)
    Abraços

    “Não é sobre você que devemos falar.

    Não sendo negro (ou afrodescendente, segundo os politicamente corretos),
    apenas mestiço (termo considerado ofensivo em alguns países), jamais saberia a dor do preconceito racial;

    Não sendo mulher (apesar de ser marido, filho, irmão e amigo de mulheres e acreditar em reencarnação e, por conseqüência, que possa ter reencarnado várias vezes como mulher), jamais saberia descrever como é o sofrimento e a discriminação sofrida pelas mulheres há séculos;
    Não sendo pobre, mas classe média, jamais entenderia o que é ficar sem comida, sem saúde e sem esperança, e ser amparado por um governo com algo chamado (equivocadamente) por alguns de bolsa-esmola;
    Não sendo rico, jamais entenderia o medo constante, os diversos vícios (inclusive de consumo) e como o (reduzido) poder proporcionado pelo dinheiro pode levar as pessoas para o caminho “fácil” das drogas, da corrupção e da auto-destruição;
    Não sendo progressista, jamais entenderia como rótulos e frases contundentes podem aproximar ou afastar pessoas;
    Não sendo de direita, jamais entenderia como perder todos os escrúpulos se torna fundamental para manter o status quo e o poder, ainda que por um momento e apesar da mácula para toda a vida;
    Não sendo de esquerda, jamais conseguiria falar ou escrever tanto, argumentar e, ao mesmo tempo, se parecer tanto com aquilo que combate, como bem ilustrou Nietzsche;
    Mas se não sou ninguém, nunca falarão de mim. E, assim, eu não existo. Mas, se não existo, como posso falar de todos?
    Abraços
    PS: Em síntese, o que quero dizer é que a pior forma de desqualificação de interlocutor é lembrá-lo de que ele não faz parte do objeto de estudo em questão. “Você não é mulher, não estamos falando de você!”. “Você não é negro,…”. Claro que uma mulher pode falar com toda a propriedade do mundo sobre o que acontece com ela, a sua vida. O mesmo vale para os negros. Entretanto, a riqueza do debate só existe quando a visão externa também é avaliada. Caso contrário, tudo parecerá lindo, perfeito e dividido.
    PSV: Porém uma coisa é uma visão externa. Outra coisa é um preconceito arraigado e uma percepção totalmente equivocada. Aliás, isso me lembra: há negros e há mulheres que são preconceituosos e “feministas radicais” ( o que quer que, por Crom, isso signifique). Mas são a minoria da minoria. Fazer parte do grupo em debate não qualifica ninguém. Mas uma pessoa com bom senso desse grupo pode dar uma opinião melhor do que uma pessoa com bom senso que não pertence a esse grupo. E essa pessoa dará uma opinião infinitamente melhor do que aquela proferida por alguém que, além de não pertencer ao tal grupo (mulheres, negros, pobres, …), também encontra-se carregada de preconceitos e estereótipos.”
  • Luís Nassif said: Prezado Miguel,
    pretendia fazer essa desconstrução, mas você entregou o prato completo. Me dá dois prazeres. O primeiro, de revelar a lógica rasa de um sujeito que vive de carteirada acadêmica, um poseur sem conteúdo, sem capacidade mínima de raciocínio criativo, vivendo apenas de chavões primários. O segundo, de me poupar de escrever sobre esse sujeito, um deslumbrado que só falta ter orgasmos quando o Ministro Paulo Bernardo aparece no Twitter dando bom dia para seguidores. Ele é o primeiro a correr: “Bom dia, Ministro”.
    Poucas vezes vi um sujeito tão raso e deslumbrado quanto ele. E ainda se dá o tratamento de “professor”.

  • Diana said: Miguel e Quanto tempo dura, sou fã de vocês!
    Porra, muita gente querendo colocar panos quentes sobre a situação.
    Não que eu queira que a briga continue, mas você ver o cara lá falando as m*@# e posando de santo é f#@%&!
    Tá visto que tem oportunistas sendo venerados por aí como se fossem grande coisa.

  • André said: Leitura de mente alheia, interdição do debate, estimular falsas simetrias através de caricaturas, fazer insinuações, cagar regra para blogs alheios, delimitar quem pode ou não dar opinião, quem imaginaria ver tudo isso no Biscoito. Tulane fica perto de Langley?
  • Guara Borges said: Eu estava lendo os tuítes quando o Nassif tuitando para o Idelber, mandou um começado com RT. Imediatamente o Idelber responde dizendo para o Nassif não tuitar para ele com RT, pois pareceria retuite de uma coisa que ele não havia dito.
    Na hora imaginei o Nassif escrevendo o tal tuite. Era em um momento acalorado e ele deveria estar naquele sentimento entre dizer algo sóbrio ou um VTNC. Óbvio que o RT não deveria estar ali, mas no calor do momento…
    Foi então que cheguei a conclusão definitiva, pra mim, sobre o Idelber: o cara é um tremendo chato!
    Não tenho conhecimentos acadêmicos pra contestar o cara, mas minha experiência pessoal me diz que o cara é, sim, um pé no saco.

  • Ary Nunes said: Oi Miguel!!
    Pois é,até ontem estava muito desatualizado desse assunto. Tinha visto o princípio desse incêndio que era uma fagulha ainda,no blog do Nassif. Depois me ausentei um pouco da blogosfera e eis que retorno e vejo esse incêndio todo.
    Bom,me interei do assunto no blog do Nassif,Eduardo Guimaraes,da Lola e do Idelber. E a minha conclusão é que o Idelber me surpreendeu. Negativamente. Pelo que acompanhei o Nassif cometeu um erro,que por fim acabou reconhecendo, mas promover uma caça as bruxas por causa disso,ultrapassa os limites de simples indignação. Sobretudo o Idelber,que pelo que entendi caiu de paraquedas nessa pendenga.
    Bom eu acho que foi um show de cabeças quentes numa briga insana. Mas o Idelber atuou nisso de maneira rasteira,equivocada e sobretudo odiosa.
    Lamentavelmente perdeu um leitor,que certamente ele nem sabe existir. Isso porque não li e não quero ler nenhum livro que ele recomendou e se isso é pré-requisito pra se ter uma opinião,então me julgo fora!!
    Bom, por fim,só posso dizer que concordo com tudo que escrevestes!!! Abçssssssss
  • Diana said: hihihihi, tá ótimo o comentário do Nassif. Estou rindo muito com o “um deslumbrado que só falta ter orgasmos quando o Ministro Paulo Bernardo aparece no Twitter dando bom dia para seguidores. Ele é o primeiro a correr: “Bom dia, Ministro”.”
  • Andréia Freire said: Tá que isso de “leia tais livros antes de falar do assunto” foi uma bola fora. Mas vocês não entenderam o objetivo principal do texto. Quando se fala de feminismo é muito comum os homens se fazerem de vítimas da “patrulha” feminista, mas nunca param pra pensar se seus comportamentos e opiniões são machistas e ofendem mulheres ou não. Muitos simplesmente ignoram, fingem que não é com eles. O machismo nunca está neles, ignoram que todo mundo tem algum preconceito machista dentro de si, seja homem ou mulher. É essa conduta que foi criticada. Um homem ofender e praticar machismo e não aceitar que se aponte o machismo dele. Já sair dizendo que é patrulhado, que o politicamente correto ferra com ele, etc, etc. O problema do texto do André que foi publicado não é só o termo “feminazi”. O problema é ele reclamar das “feministas radicais que querem exterminar homens” e não saber dar UM exemplo concreto dessa “corrente feminista”, que vale ressaltar, não existe. Será que fui clara?
  • Eduardo said: Pessoal,
    Precisa voltar o cérebro para o jardim da infância para acompanhar essa discussão. Isso tudo é falta de assunto? Na época de movimento estudantil tinha uma musiquinha que o pessoal cantava para os Trotskistas que eu adaptei para os blogueiros: “Um blogueiro incomoda muita gente, dois blogueiros formam uma corrente, três blogueiros formam um partido, quatro blogueiros ih rachou!”
    Isso é disputa de ego. Jornalismo, debate ou mesmo discussão civilizada passaram longe. Eu hein!

    Eduardo W. Portela e Silva
  • Andréia Freire said: Desenvolvendo um pouco mais. Sem dados concretos, sem exemplos factuais o André escreve um texto falando das tais feministas radicais. Só podemos chegar a conclusão que o feminismo o incomoda e pra isso ele precisa começar a inventar que existem feministas que querem exterminar homens e por aí vai. Não há nada de concreto, é puro achismo. Só pode ser uma tentativa de desqualificar o feminismo. E em todos esses posts a gente viu pessoas falando que o feminismo é coisa menor, que ele não importa. Se você ler estátistas de violência sexual e doméstica, abuso sexual, assédio, diferenças salariais, tráfico de pessoas, exploração infantil, jornada dupla de trabalho você vê que há algo errado (a esmagadora maioria das vítimas são mulheres e meninas). E isso é fato. As informações estão aí, mas muitos preferem tapar o sol com uma peneira, fingir que mulheres já vivem em pé de igualdade com os homens. E não, não vivemos. É algo óbvio. E mesmo depois disso alguém ainda quer tratar o feminismo como causa menor, só pode ser porque essa pessoa acha que tudo que atinge as mulheres é algo irrelevante. Não há outra explicação. Ou seja, essa pessoa tá se lixando para o que as mulheres sofrem, as considera como cidadãs de segunda classe. Feminismo não é uma causa menor. E a gente tem que reafirma isso todo dia. Daí quando vem alguém e desqualifica algo tão caro e importante pra nós não podemos aceitar. Não é só uma palavra boba. É uma desqualificação. Impressionante não se darem conta disso.
  • Andréia Freire said: Só outro “detalhe”. Feminismo e machismo NÃO SÃO opostos.
  • Joel Bueno said: Miguel,
    Admiro a sua paciência. Rebater ponto por ponto o bestialógico do moço é coisa de monge budista. Parabéns.
  • Quanto Tempo Dura said: Diana, grato pelo elogio, mesmo que eu não mereça (o miguel merece). Se vc tiver twitter, avise qual é. Tou procurando gente boa pra seguir. Não precisa me seguir de volta, eu que tou querendo ler mais gente boa mesmo.
    Andreia, te garanto que qualquer um aqui concorda que o texto feminazi do andré é uma merda. Inclusive o Nassif, que até pediu desculpas. Agora, o texto foi publicado uma vez. Retirado. Situação compreendida. É motivo pra continuar essa farra até hoje? Quase 3 semanas depois?
    Não é. É oportunismo.