26 de nov de 2012

No Dia Nacional da Luta contra a Violência sobre a Mulher, a falta no atendimento à educação para seus filhos é uma violência.

Hoje o número de crianças sem creche, na cidade de São Paulo, chega a 157.000.
 Falta de creche e escolas em período integral para crianças e adolescentes emperra autonomia financeira para as mulheres.

Por Márcia Brasil

No Dia Nacional da Não Violência contra a Mulher, comemorado dia 25 de Novembro, pouco (ou nada) é falado sobre a falta de escolas para o atendimento de crianças e adolescentes. A mulher também sofre violência constitucional por perder o direito de progredir, quando o Estado não garante educação adequada para seus filhos, nas áreas rurais ou urbanas. A condição de estudar e obter novas formações profissionais é quase nula para esta mãe independente.


Enquanto a sociedade e o Estado não avançam o suficiente para rever a divisão de
trabalho doméstico entre mulheres e homens, a morosidade no avanço de construção de creches públicas para atender a demanda de crianças entre 0 a 3 anos talvez seja a mais cara política para as trabalhadoras, que muitas vezes precisam abdicar de construir uma profissão para cuidar dos filhos.

Segundo dados apresentados pela Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres (SPM) durante o seminário internacional “Feminismo, economia e política: desafio e propostas para a igualdade e autonomia das mulheres”, em São Paulo, apenas 23,6% das crianças nessa faixa etária são atendidas pela rede de educação infantil. “Embora desde os anos 2000 tenha ampliado a rede, o número ainda é muito inferior do que demanda a realidade”, constata a subsecretrária de Planejamento e Gestão Interna da SPM, Tatau Godinho.


Promessa de campanha da presidente Dilma Rousseff, a construção de creches tomou novo fôlego com o lançamento do programa Brasil Carinhoso em maio deste ano. Segundo o governo, 6 mil creches serão construídas até 2014.

Já em São Paulo, o futuro Prefeito da cidade, Fernando Haddad, ainda terá que esperar a votação da Câmara para aprovar projeto educacional do Plano de Governo no atendimento das escolas em período integral para crianças e adolescentes. Antes, como Ministro da Educação, Haddad enfrentou o desprezo de Kassab e Serra então prefeitos da cidade, pois não cederam terrenos para construção de escolas da pré-escola à universidade. 

Enquanto nada acontece, mulheres perdem trabalho, a possibilidade de subir de carreira, os avanços na formação educacional e profissional, ou mesmo reconhecimento em suas áreas de atuação. Muitas vezes estas mães levam seus filhos ao trabalho ou não têm onde deixar com o salário que ganham e, para manter sua independência econômica, enfrentam a dificuldade para pagar escola particular, que em período integral é cara, principalmente com o custo de vida em São Paulo, considerada a segunda cidade mais cara do mundo para se viver.
 
A socióloga Helena Hirata, do Centro Nacional para a Pesquisa Científica (CNRS, na sigla em francês), é taxativa ao dizer que políticas públicas que visam o cuidado das crianças são determinantes para auferir um maior nível de autonomia das mulheres francesas em relação às brasileiras.

“Se o tempo de vida escolar é muito curto isso faz com que as mulheres acabem sendo prejudicadas no acesso e manutenção ao mercado de trabalho porque elas têm que ficar ‘conciliando’ a vida doméstica com a vida profissional”, argumenta Hirata.


Por Márcia Brasil


Com informações do Brasil de Fato

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