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2 de set. de 2009

CPI, qual CPI?

A especialidade tucana no engavetamento de CPIs na Assembleia Legislativa de São Paulo gerou um filhote perverso: a CPI DE FAZ-DE-CONTA. Quando não tinha mais jeito e vingou uma CPI para investigar os desmandos do PSDB, aconteceu que o partido e aliados simplesmente fazem de conta que não existe a CPI.

Basta ler uma matéria do Jornal da Tarde de hoje (2) e chega-se ao enunciado acima: a CPI da CHDU, criada pelo PT para investigar a máfia tucana envolvida no desvio de recursos para construção de moradias populares, simplesmente não funciona - mesmo depois de três meses da sua instalação.

Toda vez que alguém ligado ao tucanato é convocado, a esmagadora maioria do governo José Serra na CPI dá um jeito de dar um "sumiço". Uma hora a pessoa não vem "por causa do trânsito", noutro momento porque "não foi encontrado" e, nos casos mais graves, o convocado "encontra-se foragido".

Tem sido sempre assim com os tucanos, que consideram CPI boa, mas nos governos alheios. Tanto que a lista de CPIs engavetadas desde 1995 só cresce, ano após ano com o PSDB no governo de São Paulo.

Por Vereador João Antônio - 02.09.09

A IMPRENSA ENTREGUISTA ONTEM, COMO HOJE.

No discurso, o presidente Lula lembra do embate entre o povo nas ruas e os jornais que foram contra a campanha "O petróleo é nosso" no passado, e alguns estão em circulação até hoje.

A criação da Petrobrás, nas páginas dos jornais O Estado de S. Paulo e Diário de Notícias", é uma instigante tese de mestrado do Prof. Celso Carvalho Jr., de cujo resumo tiramos esta nota.

Mostra como a história se repete como farsa, ou, se preferirem, como a farsa se repete na história do Brasil.

Os mesmos barões da imprensa que hoje são contra o marco regulatório do Petróleo, foram contra "O Petróleo é Nosso" no século passado.

Finda a II Guerra Mundial, com o fim do Estado Novo, o país retornou a democracia, a população voltou a participar dos debates de interesse nacional e o Congresso ficou incumbido de decidir qual seria a melhor solução para o problema do petróleo.

Tal qual hoje, em torno das redações da imprensa, formavam trincheiras grupos econômicos e políticos poderosos para plantar textos em defesa de seus lobby's, em busca da conquista da "opinião pública", e influir nas votações do Congresso quanto à leis que regulavam o petróleo.

Um grupo defendia a abertura do setor petrolífero à iniciativa privada, nacional e estrangeira. Lideravam esse grupo, a elite paulista da FIESP e da federação do comércio, a elite do Rio de Janeiro (capital federal na época), além de banqueiros e, obviamente, petroleiras multinacionais.

O braço da imprensa, porta-voz e sócios deste grupo eram:
- a família Mesquita (grupo "Estadão");
- a família Marinho (grupo Globo, no Rio de Janeiro);
- o Grupo Folha (que ainda não era da família Frias, mas defendiam os mesmo interesses);
- Assis Chateaubriand (O Jornal, Diário da Noite, revista O Cruzeiro, etc);

A editora Abril ainda estava fora desta, porque ainda não atuava no jornalismo (iniciou-se em 1950 com estórias em quadrinhos do Pato Donald, de Walt Disney, aproveitando-se da política de "boa vizinhança" do "Tio Sam" no pós-guerra).

Esse grupo é o ancestral da linhagem atual dos demo-tucanos, tanto que o núcleo de poder do PSDB é paulista, capitaneado por José Serra e FHC, com forte apoio da FIESP, dos banqueiros, das corporações estrangeiras, e da imprensa, dita de abrangência nacional, concentrada no eixo Rio-São Paulo.

Campanha O Petróleo é Nosso

A Constituição de 1946 abriu brechas para a atuação de empresas estrangeiras no setor petrolífero e determinou que a regulamentação do assunto deveria ser feita por meio de lei ordinária.

Em 1948, o presidente Eurico Gaspar Dutra encaminhou ao Congresso o Anteprojeto do Estatuto do Petróleo que permitia a participação da iniciativa privada na indústria de combustíveis.

Os nacionalistas não concordaram com a proposta e organizaram um grande movimento popular para defender o monopólio estatal, conhecido como a campanha O Petróleo é Nosso.

Coordenaram o movimento, especialmente o CEDPEN (Centro de Estudos e defesa do Petróleo e Economia Nacional), a UNE (União Nacional dos Estudantes) e os militares nacionalistas do Clube Militar (também haviam militares contrários, como o General Juarez Távora, defensor da abertura ao estrangeiro) .

O pioneirismo, no petróleo, de Monteiro Lobato, remonta a década de 30, e, apesar de nacionalista radical, sua atuação foi mais empresarial. Teria se tornado um magnata do Petróleo, se tivesse sucesso nas perfurações, e entraria para história pelo empreendedorismo, semelhante ao Barão de Mauá. Aproximou-se do Partido Comunista em meados da década de 40. No auge da campanha "O Petróleo é nosso", já não tinha participação muito expressiva.

Na imprensa e nos movimentos sociais, a defesa do monopólio estatal coube principalmente aos
pequenos jornais, da imprensa nacionalista (O Jornal de Debates, A Emancipação, O Popular e A Revista do Clube militar) e do Partido Comunista Brasileiro (Tribuna Popular, Classe Operária, Imprensa Popular, Novos Rumos, Voz operária, Hoje, Notícias de Hoje e O Momento), na grande imprensa a causa monopolista foi apoiada apenas pela Última Hora, Tribuna da Imprensa e Diário de Notícias.

No meio tempo, alguns jornais, como "O Globo" viraram a casaca. De olho no calendário eleitoral de 1950, imbuído na missão de impedir a eleição de Getúlio Vargas, o Globo se alinhava contra os nacionalistas. Com o crescimento e popularidade da campanha "O Petróleo é Nosso", e com adesões de udenistas, O Globo virou a casaca.

A mobilização conseguiu barrar a tramitação do Anteprojeto de Eurico Dutra, e foi fundamental para a aprovação, em 1953, da lei Nº 2004, que estabeleceu o monopólio estatal do petróleo e criou a Petrobras.

O "mensalão" da Esso para a imprensa

A multinacional etadunidense ESSO (Standard Oil New Jersey), uma das maiores companhias de petróleo do mundo, pretendia atuar no setor petrolífero brasileiro. Para isso, tentou comprar o de jornais e jornalistas através de uma milionária campanha publicitária que se baseou em anúncios de página inteira nos principais jornais do Brasil, além disso, a empresa patrocinou viagens de jornalista aos Estados Unidos para conhecerem suas instalações.

No rádio, era muito influente o noticiário "O Repórter Esso", criado em 1941, patrocinado pela petroleira. Por ser parte interessada, não podia fazer campanha frontal contra a nacionalização do petróleo, pois mataria a credibilidade do radiojornal. Mas omitia notícias sobre o assunto.

Uma das normas da redação era só divulgar notícias oficiais que partissem de altas autoridades (Presidente da República, Governadores de Estado, Ministros e Secretários de Estado), omitindo movimentos populares e lideranças da sociedade civil, e desestimulando o debate.

O pré-sal tem que ser nosso

Nossos companheiros que lutaram na campanha "O petróleo é nosso" venceram a imprensa entreguista e as forças econômicas e políticas que estavam por trás dos jornais.

Hoje cada um de nós temos que fazer o mesmo.

A imprensa e os partidos de oposição, querem travar o debate, como fazia o repórter Esso.

Para isso a velha ladainha é conhecida:

- reclamam da "pressa", quando querem ganhar tempo para os estrangeiros se articularem;

- desqualificam o marco regulatório, que é um verdadeiro projeto nacional, chamando de eleitoreiro;

- satanizam a "estatização";

- eudeusam a falida tese de atrair investidores internacionais.

Temos a razão, o coração, e os argumentos do nosso lado. Basta cada um de nós usá-los, e mais do que nunca, fazermos uma ofensiva para desmentir e boicotar à essa imprensa que lesa a pátria.

Por Zé Augusto - 01.09.09

30 de jul. de 2009

Pré-sal: sucesso garantido

Em relação à matéria divulgada no Jornal Valor Econômico nesta terça-feira (28/7) sob o título “No pré-sal, 32% dos poços abertos são pouco viáveis”, a Petrobras esclarece que na região do pré-sal da Bacia de Santos, a taxa de sucesso é de 100%..
O mapa (área azul) com a área do pré-sal, que se estende pelas Bacias de Santos e Campos, não corresponde a um único campo de petróleo. Além da existência da rocha reservatório, a descoberta de um campo petrolífero decorre da identificação e ocorrência simultânea de uma série de fatores geológicos, os quais definem o posicionamento dos poços exploratórios em determinada bacia sedimentar..

Leia o comunicado divulgado hoje ao mercado de capitais da Petrobrás

Por Jussara Seixas - 30.07.09
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Leia mais sobre: Poço seco?

23 de jul. de 2009

Financial Times diz que CPI ameaça economia do Brasil

O Financial Times não é propriamente um jornal de esquerda. Não está a serviço do "lulo-petismo", nem recebe o "Bolsa-Mídia" *.

O Financial Times faz aquilo que nossa imprensa não faz: mostra o que significa a CPI da Petrobrás.

Em reportagem de Don Philips, escrita de São Paulo, o velho jornal britânico conta a história toda. E mostra como a CPI põe em risco o "boom" da economia brasileira. Aliás, o titulo da reportagem é justamente esse: "Petrobras case threatens Brazil’s boom" (Caso Petrobrás ameaça boom do Brasil").

O mais divertido é ver o conservador Financial Times chamar o "Estadão" de conservador. Para os britânicos, conservador não é xingamento.

Aqui no Brasil, ninguém (fora a TFP) assume que é conservador.

A matéria do Financial Times, em inglês, está aqui: http://www.ft.com/cms/s/0/7bac7246-761e-11de-9e59-00144feabdc0.html?nclick_check=1.

A versão em português pode ser lida aqui: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/2009/07/22/ult579u2860.jhtm.

O trecho que reproduzo abaixo dá a dimensão da irresponsabilidade da oposição - que , de olho em 2010, ameaça uma empresa que é estratégica para o país. Empresa que o condomínio PSDB/PFL planejava privatizar quando esteve no poder. O Ministro Sergio Motta dizia que a Petrobrás era um "paquiderme" que precisava ser desmontado - http://www.rodrigovianna.com.br/forca-da-grana/cloaca-tucanos-queriam-desmontar-a-petrobras.

Veja o que diz o Financial Times:

"Apenas nos próximos cinco anos, a Petrobras planeja investir US$ 28,9 bilhões nos campos "pré-sal" de águas profundas. A investigação [a CPI] chega em um momento ruim.

"A empresa está dando início ao desenvolvimento dos campos pré-sal tecnicamente complexos, mas o preparo de sua defesa já está desviando recursos administrativos desse esforço", diz Gareth Chetwynd da "Upstream", a revista especializada em petróleo e gás
."

O jornal explica direitinho a seus leitores que a abertura da CPI está ligada às denúncias contra o Senado.

O "Estadão" - e os outros jornais do Partido da Imprensa - não admitem que são consevadores.

Nem explicam porque descobriram que o Sarney tem tantos defeitos - só agora, quando o velho oligarca maranhense resolveu apoiar Lula.

Sarney é articulista da "Folha", retransmite a Globo no Maranhão, tomava chá com Roberto Marinho na Academia Brasileira de Letras. Era tratado como um "ex-presidente" respeitável.

De repente, virou inimigo. De repente, todo mundo "descobriu" que ele tem defeitos. Isso é coincidência?

Vejam o que o Sarney declara ao Financial Times:

"É uma campanha do 'Estado de São Paulo', que tem uma posição política contra a minha, que é apoiar o presidente Lula, que está fazendo um grande governo", disse Sarney.

Precisa dizer mais alguma coisa?

A oposição - comandada por jornais que não assumem que são conservadores, que não assumem fazer parte do aparato oposicionista - quer detonar a Petrobrás para derrotar Lula. Nem que isso custe milhões de dólares para a companhia que está entre as dez maiores petroleiras do planeta, e que é estratégica para a economia brasileira.

O Financial Times contou a história completa a seus leitores. É um jornal conservador, que não precisa brigar com os fatos.

Já os tucanos e o Estadão estão onde sempre estiveram: ontem, queriam desmontar a Petrobrás, privatizar o "paquiderme"; hoje, querem acabar com ela.

* "Bolsa-Mídia" é como a "Folha de S. Paulo" se refere ao dinheiro que o governo Lula repassa a dezenas de pequenos jornais e rádios do interior; a "Folha" tem saudade de quando a grana ia só pros velhos barões da mídia.

Por Rodrigo Viana - O escrevinhador - 23.07.09

Estudantes: Alvaro Dias (PSDB) mandou espancar os professores e insistiu com a CPI da Petrobrás

22 de jul. de 2009

Corrupção tucana: mau uso de R$ 257 milhões na educação neoliberal de FHC

A Folha de José Serra (jornal Folha de São Paulo) deu a notícia, mas "esqueceu" de explicar que o fracasso é consequência da política educacional tucana neoliberal, executada pelo atual secretário de educação do governo José Serra (PSDB/SP), Paulo Renato de Souza, que também era ministro da educação na gestão de FHC (Fernando Henrique Cardoso).

A programa tucano desandou em corrupção de metas e desvio do dinheiro público para funções lucrativas, como cobrança de mensalidades indevidas.

Em 1998, o tucano criou o programa PROEP (Programa de Expansão da Educação Profissional). Porém, em vez de investir em escolas públicas, seguiu a cartilha neoliberal.

Um ano antes o carrasco da escola pública, havia proibido a expansão da rede pública de escolas técnicas federais, por lei.

Em 1998, o atual secretário de José Serra, resolveu repassar o dinheiro público para construção de escolas técnicas privadas, em troca da cota de 50% das vagas serem gratuítas (porém só duas escolas cumprem esta meta).

Em 2007 o MEC encerrou o programa. Os R$ 257 milhões ao longo do tempo foi aplicado em 98 entidades (teoricamente para prover 50% das vagas gratuítas). Esse valor é suficiente para construir 50 escolas técnicas federais (com 100% das vagas gratuítas).

A revogação da lei de Paulo Renato, que proibia a expansão da rede pública, custou 18 meses de tramitação no Congresso Nacional, durante o governo Lula. Mas valeu a pena, pois o programa de expansão prevê 214 novas escolas, cobrindo todas as cidades pólo do Brasil.

Auditora do MEC nas 98 escolas privadas beneficiadas pelo programa neoliberal do governo tucano, constatou mau-uso do dinheito público em diversos casos:

- A Escola Catarinense de Gastronomia, em Florianópolis, em vez de curso técnico, instalou no prédio a Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), que cobrava mensalidades de R$ 900. O MEC conseguiu reaver o prédio na justiça, em 2007, e federalizou a escola.

- O Centro de Formação do Profissional do Paulista (Pernambuco), recebeu R$ 2,7 milhões para contruir a sede, terminada em janeiro de 2003. Os cursos gratuitos só duraram três meses, e depois sumiram.

- Em São Paulo, o Centro de Educação Profissional do Sindicato dos Metalúrgicos (ligado à Força Sindical), está fechado por atraso no Habite-se, segundo o sindicato. É a prefeitura de Kassab que responde por conceder o habite-se.

- Em Capivari (135 km de SP), um prédio que consumiu R$ 3,1 milhões em obras e equipamentos está abandonado.

Apenas uma entidade cumpriu todo o contrato: a Fundação Iochpe, que atua em SP e no RS.

Outras 20 entidades abriram vagas gratuitas, mas abixo dos 50%.

Nove escolas já existiam antes do Proep. "O programa praticamente só funcionou no Sul e Sudeste, e boa parte das escolas teria funcionado sem ele", diz Gleisson Rubin, da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do MEC.

As demais entidades tiveram irregularidades como não oferecer os cursos, ou cobrança de mensalidade de 100% dos alunos.

Após a auditoria:
- 30 escolas foram federalizadas;
- 5 passarão para Estados;
- 11 estão sob a gestão do Sistema S (SENAI, SESC, etc);
- 1 escola decidiu devolver o dinheiro;
- outra foi aberto processo de tomada de contas;
- as 20 escolas que não cumprem a cota de gratuidade, estão negociando a adequação.

18 de jul. de 2009

Instituto de FHC embolsou R$ 5,7 milhões para digitalizar 9 fotos, valor cinco vezes maior do que usado pela Fundação de José Sarney

Por Humberto Amadeu - 15.07.09

O Instituto Fernando Henrique Cardoso – iFHC – recebeu R$ 5,7 milhões, por meio de projeto da Lei Rouanet, aprovado pelo Ministério da Cultura em 2004, para digitalizar o acervo do ex-presidente com dinheiro de impostos que o poder público deixou de arrecadar das empresas patrocinadoras. O valor é quase cinco vezes maior do que usado pela Fundação José Sarney para fazer trabalho semelhante, segundo mostra o blog Os Amigos do Presidente Lula.
Segundo o projeto do iFHC, a digitalização do acervo tem prazo para ser concluída até dezembro desse ano. Mas, passados quatro anos e meio, a digitalização disponibilizou na internet apenas nove fotos e o site informa que o portal do acervo encontra-se em construção.
A prestação de contas do instituto no Ministério da Cultura também está irregular, constando como pendentes informações sobre as metas a serem realizadas, as metas já realizadas e o tempo necessário para a conclusão do projeto. Apesar disso, há um novo projeto, pedindo R$ 7 milhões para a conclusão do trabalho. Se aprovado, o valor total chegará a R$ 12,7 milhões.
Entre as empresas que patrocinaram o projeto até agora está a Sabesp, na época do governo de Geraldo Alckmin, além de outras empresas beneficiadas pelas privatizações dos governos tucanos. Todas elas abateram as doações do imposto de renda, que deixou de ser arrecadado para engordar as contas do iFHC. Para piorar, a operação Satiagraha identificou aplicações financeiras do instituto no Opportunity Fund, de Daniel Dantas.
HORA DO POVO, ed. 2782
15.07.09

PSDB,O PARTIDO QUE NÃO GOSTA DE VOCÊ,CRIOU O DISQUE DENÚNCIA CONTRA A PETROBRAS










NÓS , O PSDB , QUEREMOS DESTRUIR LULA , O BRASIL E A PETROBRAS.
PSDB pede denúncias contra a Petrobras em blog.
Identidade dos denunciantes será preservada, promete partido.
Blog é uma das armas da oposição para popularizar CPI da Petrobras.
O PSDB está pedindo denúncias contra a Petrobras por meio do blog criado pela sigla para popularizar os debates da investigação aberta contra a estatal no Senado.

“A partir de agora, e atendendo a pedidos, este blog está abrindo espaço para receber informações e denúncias de seus leitores e seguidores”, diz a mensagem publicada na tarde desta sexta-feira (17) no site.

Segundo o partido, as denúncias só serão publicadas mediante autorização e depois de confirmada a identidade do autor. Este também só será conhecido se autorizar a divulgação do seu nome.

“Podem ser testemunhos pessoais ou que sejam do seu conhecimento. Eles serão enviados à CPI para ajudar no trabalho de investigação”, diz a mensagem do blog.

O PSDB criou o blog para divulgar informações sobre a CPI da Petrobras, que foi instalada nesta terça-feira (14) no Senado. A estatal já mantém um blog onde publica questionamentos da imprensa e respostas a eles.

Por Aposentado Invocado - 17.06.09

17 de jul. de 2009

Congresso da UNE e manipulação da mídia

Por Altamiro Borges - 16.07.09

Após viajarem milhares de quilômetros em centenas de ônibus fretados, mais de 15 mil jovens de todos os recantos do país estarão reunidos em Brasília para participar do 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Durante cinco dias, eles esbanjarão energia, criatividade e garra em várias passeatas, em acirradas polêmicas nos 25 grupos de debate sobre temas candentes e em plenárias infindáveis. Não haverá cansaço ou desanimo, mas uma baita disposição para lutar por melhorias na educação e por mudanças profundas no país. Caso a mídia tupiniquim respeitasse a nossa juventude, o congresso seria manchete em todos os jornais e nas emissoras de TV e rádio.

Mas a mídia hegemônica prefere evitar qualquer engajamento dos jovens. Ela aposta sempre na alienação e ceticismo. Rejeita qualquer ação coletiva. Prefere estimular o consumismo doentio e o individualismo exacerbado. Por isso, o evento da UNE surge, no máximo, no pé de página dos jornalões tradicionais ou em rápidos flashes na TV. Quando ela trata do evento, é para atacar a organização juvenil e criminalizar suas lutas. Ela omite ou emite opiniões raivosas. Como nos ensina Perseu Abramo, no livro “Padrões de manipulação na grande imprensa”, a ocultação e a inversão da opinião pela informação são duas técnicas muito utilizadas pelos barões da mídia.

Padrões de manipulação da imprensa

“O padrão da ocultação se refere à ausência e presença dos fatos reais na produção da imprensa. Não se trata, evidentemente, de fruto do desconhecimento e nem mesmo de mera omissão diante do real. É, ao contrário, um deliberado silêncio militante sobre determinados fatos da realidade. Esse é um padrão que opera nos antecedentes, nas preliminares da busca da informação, isto é, no ‘momento’ das decisões de planejamento da edição, naquilo que na imprensa geralmente se chama de pauta... O padrão da ocultação é decisivo e definitivo na manipulação da realidade: tomada a decisão de que um fato ‘não é jornalístico’, não há a menor chance de que o leitor tome conhecimento de sua existência por meio da imprensa. O fato real é eliminado da realidade, ele não existe”, ensina o mestre na obra reeditada pela Fundação Perseu Abramo.

Já o segundo truque visa “substituir, inteira ou parcialmente, a informação pela opinião. O órgão de imprensa apresenta a opinião no lugar da informação, e com o agravante de fazer passar a opinião pela informação. O juízo de valor é inescrupulosamente usado como se fosse a própria mera exposição narrativa/descritiva da realidade. O leitor/espectador já não tem mais diante de si a coisa tal como existe ou acontece, mas sim uma determinada valorização que órgão quer que ele tenha de uma coisa que ele desconhece, porque o seu conhecimento lhe foi oculto, negado e escamoteado pelo órgão... Ao leitor/espectador não é dada qualquer oportunidade que não a de consumir, introjetar e adotar como critério de ação a opinião que lhe é autoritariamente imposta”.

O zumbido irritante da Folha

Estes e outros truques da manipulação estão presentes na cobertura do cativante evento da UNE. As emissoras de televisão, que falam para milhões de brasileiros, preferem ocultar o congresso; é como se ele não existisse. Já os jornalões tradicionais, que atingem pequenas faixas entorpecidas das camadas médias, optam por desqualificar os militantes estudantis e suas bandeiras. A opinião substitui a informação. Um caso emblemático é o da cobertura da Folha de S.Paulo, que ainda ilude os ingênuos com o seu falso ecletismo. Com o título “Patrocinada pela Petrobras, UNE faz manifestação contra a CPI”, um texto de pé de página investiu raivosamente contra o congresso.

Não há qualquer informação sobre a pauta do congresso, sobre os participantes ou sobre as lutas estudantis. O artigo hidrófobo destaca apenas que a Petrobras “direcionou R$ 100 mil ao evento” e que os universitários programaram uma manifestação contra a CPI do Senado. A exemplo dos ataques desferidos contra o MST e as centrais sindicais, que recebem verbas públicas para vários projetos culturais e educacionais, a Folha tenta caracterizar a UNE como “governista”. Também critica o fato dos líderes estudantis ocuparem postos no governo Lula. O cinismo é descarado.

Quem está de rabo preso?

Um simples anúncio publicitário da Petrobras na Folha custa muito mais do que o patrocínio ao congresso da UNE. Nem por isso, ela é governista. Pelo contrário. O jornal é um dos principais porta-vozes da oposição demo-tucana. Para ser coerente nas críticas ao uso das verbas oficiais, a Folha deveria rejeitar os milionários anúncios em suas páginas. O governo Lula também poderia ser mais ousado, evitando alimentar cobra. Quanto a tal CPI do Senado, o jornal não informa que ela foi instalada por imposição da própria mídia e serve aos propósitos da oposição demo-tucana. Já no que se refere aos líderes estudantis em postos do governo, a Folha confirma que tem nojo do povo. Para ela, trabalhador é para trabalhar; estudante é para estudar; e a elite é para governar.

No livro citado, Perseu Abramo desmascara a frase publicitária do jornal. “A Folha está de rabo preso com o leitor só tem seu verdadeiro significado desvendado quando recolocada de pé sobre o chão e lida com a re-inversão dos seus termos: o leitor é que está de rabo preso com a Folha, e por extensão com todos os grandes órgãos de comunicação. Recriando a realidade à sua maneira e de acordo com seus interesses político-partidários, os órgãos de comunicação aprisionam seus leitores nesse círculo de ferro da realidade irreal e sobre ele exercem todo o seu poder. O Jornal Nacional faz plim-plim e milhões de brasileiros salivam no ato. Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo, Jornal do Brasil e Veja dizem alguma coisa e centenas de milhares de brasileiros abanam o rabo em sinal de assentimento e obediência”.

Lula vai a evento da UNE e estudantes gritam 'Dilma presidente'

Aos gritos de "Dilma presidente" e "Lula, guerreiro do povo brasileiro", os cerca de 3 mil estudantes que se reuniram nesta quinta-feira, 16, na abertura do 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) mostraram uma adesão inquestionável ao governo do Presidente Lula. Com algumas poucas reivindicações e vários elogios, deixaram claro de que lado estão. Algum desavisado poderia pensar tratar-se de uma convenção petista.

Ovacionado ao se levantar para fazer seu discurso, o presidente chegou a pedir que parassem: "Vocês vieram aqui para trabalhar ou para gritar?", brincou. As vozes dissonantes foram poucas. De um lado, um grupo bastante minoritário contrapunha o nome da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, para a presidência em 2010 com o de Ciro Gomes - também aliado do governo. Mas mesmo esse grupo se entusiasmou e conmeçou a tirar fotos de Lula assim que o presidente entrou no auditório do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, ontem, em Brasília.

"O presidente Lula é o presidente brasileiro a participar de um congresso da UNE em 71 anos de história", destacou a presidente da entidade, Lucia Stumpf, ligada ao PC do B - não há registros, no entanto, de outro presidente que tenha sido convidado além de Lula. Lula e o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, foram convidados a pôr a mão no gesso que ficará exposto na nova sede da UNE, no Rio. Como Lula e Dulci demoraram muito, o gelo endureceu e os dois tiveram dificuldades para tirar a mão da massa.

Nunca antes a entidade teve uma relação tão próxima com o governo federal.

Em seu discurso, de pouco mais de meia hora, Lula elogiou a independência da UNE. "A Lucia (Stumpf) fez seu discurso como se eu não estivesse aqui. E fez mais forte porque eu estava aqui. Numa relação democrática,civilizada, ninguém pode ser dependente de ninguém", disse. "Eu sou amigo de vocês e vocês meus amigos. Vocês são uma entidade com autonomia e no momento em que vocês não concordarem comigo é para dizer na minha cara 'não concordo, sou contra' e vão para rua fazer passeata. Não tem nenhum problema".

Concentrados em pedir mais investimentos na educação, defender o petróleo do pré-sal e exigir mais vagas no programa Universidade para Todos, durante as cerca de duas horas em que Lula e seus 11 ministros estiveram no centro de convenções não se ouviu os gritos de "Fora Sarney", lançados mais tarde, em frente ao Congresso. A presidente da UNE aproveitou para dizer que a entidade não compartilha dos pontos-de-vista do presidente Lula, que tem defendido o presidente do Senado, José Sarney e, recentemente, abraçou até mesmo o presidente deposto com a ajuda de estudantes universitários - os caras-pintadas -, hoje senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL).

"Nós não nos somamos a ele (Lula) na defesa de Fernando Collor nem de Sarney. Nós repudiamos o que Collor representa na história do Brasil", afirmou Lucia. "Por isso vamos convocar um grande debate para exigir uma reforma política que dê acesso ao jovem ao Congresso Nacional. Os jovens estão lá hoje são os filhos, os netos, os juniores" (das oligarquias). (Com informações da Agência Estado)

Por Helena - Os amigos da presidente Dilma - 16.07.09

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Leia mais:

Estudantes e movimentos populares marcham em defesa do petróleo brasileiro

16 de jul. de 2009

SENADO - As lacunas da cobertura da crise

Por Luis Antonio Magalhães - 16.07.09

O Congresso Nacional está em crise, mas para a grande imprensa tudo se resume a um nome: José Sarney. É certo que o presidente do Senado, eleito pelo Amapá e líder do PMDB do Maranhão, está cercado de encrencas, algumas delas tão complicadas de explicar como batom na cueca. Fazem bem os jornalistas em correr atrás das denúncias sobre o ex-presidente da República, mas fariam melhor, muito melhor aliás, se conseguissem explicar ao distinto público o que está realmente em jogo no legislativo federal.

Para começo de conversa, a crise não se restringe ao Senado, embora as falcatruas da Câmara tenham sido ofuscadas pelos episódios que vieram à tona na Casa Alta do parlamento brasileiro. A rigor, os primeiros casos denunciados neste ano, sobre a farra das passagens aéreas, dizem respeito aos deputados federais, que transformaram as milhagens e os bilhetes não utilizados em mercadoria. A apuração não avançou muito, ficou na publicação de casos particulares – até o impolutíssimo Fernando Gabeira (PV-RJ) acabou admitindo que usou passagens da sua cota para a filhota viajar ao Havaí.

O que jornal nenhum investigou foi a parte mais grave da história, pois o uso de bilhetes da cota pessoal de deputados para seus parentes, amigos ou namoradas é café pequeno perto do esquema que transformava as passagens e milhagens em mercadoria. Como se sabe, mercadorias são vendidas e compradas mediante pagamento. Quem embolsou os recursos? Quem operava o esquema? Ninguém sabe, ninguém viu. O assunto simplesmente morreu na imprensa tupiniquim.

Mesmo considerando apenas os fatos amplamente noticiados dos desmandos no Senado, a cobertura é repleta de lacunas. O foco em Sarney acaba fazendo com que muita coisa importante não seja publicada. A Primeira Secretaria do Senado, comandada hoje por Heráclito Fortes (DEM-PI), é uma espécie de "prefeitura" da Casa. Entre as prerrogativas desta secretaria estão as de realizar licitações, nomear e demitir servidores e a de cuidar da execução do Orçamento do Senado. O primeiro-secretário também assina, depois do presidente, as atas das reuniões secretas.

É muita coisa, mas do jeito que as reportagens dos jornalões têm sido publicadas, parece que só José Sarney sabia e cuidava das falcatruas. Ora, nos últimos anos o cargo tem sido ocupado exclusivamente por parlamentares do DEM, antigo PFL – antes de Heráclito, Efraim Moraes e Romeu Tuma foram os "prefeitos" do Senado. Apesar de tudo isto, nitidamente os democratas vêm sendo poupados do tiroteio. Batom, só na cueca de Sarney (e de Renan Calheiros; os ex-presidentes da "Era Agaciel", Garibaldi Alves e Tião Viana, também não estão sendo cobrados na mesma intensidade).

Sem graça

É evidente que Sarney tem culpa no cartório – foi ele quem nomeou Agaciel Maia diretor-geral do Senado, para começo de conversa –, mas a imprensa ainda não conseguiu esclarecer o que está por trás da guerra que vem sendo travada no Congresso Nacional, limitando-se a publicar denúncias vazadas na maior parte das vezes por funcionários do Senado ou gente com interesse direto na publicação das denúncias. Pior ainda, os jornalões e seus colunistas não estão conseguindo colocar as denúncias em um contexto que as explique. Para o leitor, fica parecendo que anteontem Sarney desembestou a praticar corrupção, a torto e a direito, praticando um verdadeiro haraquiri político.

Ora, José Sarney não nasceu ontem nem tem vocação para se auto-imolar. O que os brasileiros estão tomando conhecimento neste momento são práticas muito antigas, anteriores até mesmo à primeira gestão de Sarney na presidência do Senado. Não foi de ontem para hoje que o Senado contratou 9,6 mil funcionários (contando os inativos, o número chega a espantosos 18 mil e nesta soma não estão os terceirizados e comissionados) para servir os 81 senadores, o que é um absurdo lógico e administrativo.

Também não foi de ontem para hoje que começaram a ser assinados os atos secretos, agora cancelados pelo presidente da Casa, ou que começaram a se formar as filas para comprovar a presença e fazer jus às horas-extras. E o mais importante de tudo, não foi de ontem para hoje que a imprensa ficou sabendo de tanta imoralidade. Ao contrário, muitos dos jornalistas que parecem orgulhosos dos "furos" que estão dando na verdade deveriam estar com vergonha de jamais terem tocado no assunto antes...

Na verdade, a grande lacuna da atual cobertura da crise é mesmo a falta de contextualização. Sarney está sob intenso tiroteio porque a eleição para a Mesa Diretora do Senado precipitou, no Congresso, a guerra que está sendo travada nos bastidores da política brasileira, qual seja a da sucessão do presidente Lula no próximo ano. Nem é tão difícil assim explicar as coisas: Sarney faz parte do PMDB governista, que decidiu romper com um acordo de cavalheiros e disputou o comando das duas casas parlamentares, quando o natural era o PT ficar com a presidência do Senado, cedendo a da Câmara ao PMDB. Curiosamente, a entrada de Sarney na disputa dividiu a oposição – ele recebeu apoio do DEM, mas não do PSDB.

Com a vitória do senador do Amapá no Senado e do deputado Michel Temer (SP) na Câmara Federal, uma parcela substantiva do PT ficou incomodada com o que julgou "excesso de poder" dos peemedebistas. Ao mesmo tempo, boa parte dos tucanos, especialmente os próximos ao governador de São Paulo José Serra, também não achou muita graça em ter como comandante do Senado, justamente no período pré-eleitoral e durante a campanha de 2010, um político extremamente próximo do presidente Lula, capaz de influenciar decisivamente na costura das alianças estaduais e nacional.

Espetáculo da notícia

Pode até parecer confuso, mas não é. São interesses conflitantes, mas com o mesmo objetivo: detonar não apenas Sarney, mas o que ele simboliza – o PMDB alinhado com Lula.

Do ponto de vista dos "serristas", enfraquecer esta ala peemedebista é um dos poucos jeitos de pelo menos tentar uma neutralidade do partido, detentor de muito tempo na propaganda eleitoral no rádio e televisão. Para uma parcela do PT, trata-se de preservar o seu quinhão na máquina governamental. Já os democratas optaram pelo apoio a alguém que no fundo, no fundo, é um dos seus.

Nada disso aparece nas análises dos jornalões, que preferem apostar no espetáculo das notícias que chocam (e que esses mesmos jornalões já tinham conhecimento). Se o fazem por inocência, é apenas mau jornalismo. Se o fazem por interesse no resultado da eleição de 2010, é manipulação pura e simples. Nos dois casos, o leitor sai perdendo.

Luiz Antonio Magalhães é Jornalista e Editor Executivo do Observatório da Imprensa, onde este texto foi originalmente publicado (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/)

Contato: laccm@terra.com.br

Professores de ética

Por Frei Beto

É tautológico falar em falta de ética no Congresso Nacional. Os escândalos se sucedem, do deputado que está "se lixando" para a opinião pública aos funcionários do Senado que, a exemplo de notórios senadores, ostentam um padrão de vida muito superior a seus vencimentos e à renda declarada.

Felizmente há exceções. Lástima que a indignação e o protesto de parlamentares íntegros tenham pouca ressonância nas ruas. Em geral, noticiam-se farra de passagens aéreas, castelos mirabolantes, mansões paradisíacas. Poucos tomam conhecimento da coerência de parlamentares incorruptíveis, incapazes, inclusive, de aceitar caixa 2 em suas campanhas eleitorais.

A corrupção decorre da falta de caráter. Esta se manifesta, de modo especial, quando a pessoa se vê investida de uma função de poder, do policial que extorque o comerciante ou do delegado que embolsa pagamento de fianças ao empresário que suborna o funcionário público para obter licitações fajutas; do prefeito que se apropria dos recursos da merenda escolar a parlamentares que se julgam no direito de pagar, com dinheiro público, o salário de sua empregada doméstica.

Como dar um basta em tanta maracutaia? Difícil. O ser humano padece de duas limitações insuperáveis: defeito de fabricação e prazo de validade. É o que a Bíblia chama de "pecado original". Sempre haverá homens e mulheres desprovidos de caráter, de princípios éticos, dispostos a não perder a primeira oportunidade de enriquecimento ilícito. A solução não reside no cultivo das virtudes, que tem sua importância. Fosse assim, os colégios religiosos, onde estudaram Collor e Maluf, seriam fábricas de anjos.

A solução é criar, via profunda reforma política,  instituições que inibam os corruptos e mecanismos de controle popular. Em suma, tornar a nossa democracia, meramente delegativa, mais representativa e, sobretudo, participativa.

Enquanto a solução não aparece, sugiro que convidem, para ministrar um curso de ética no Congresso Nacional, suas excelências José Gomes da Costa, Rodrigo Botelho, Francisco Basílio Cavalcanti, Clélia Machado, Sebastião Breta e Fagner Tamborim.

O que essas pessoas fizeram não deveria ser considerado extraordinário. No entanto, frente aos casuísmos, ao nepotismo, à malversação, ao cinismo de parlamentares tentando justificar o injustificável, convém propalar o exemplo desses professores de ética.

José Gomes da Costa é gari da prefeitura de São Paulo. Ganha R$ 600 por mês. Vinte e seis vezes menos que um deputado federal. Com este salário, sustenta a si e três filhos. Dia 18 de maio último, ao varrer a rua, encontrou um cheque do Banco do Brasil no valor de R$ 2.514,95. José precisaria trabalhar quatro meses, sem nenhuma despesa, para acumular esta quantia. Procurou uma agência do banco e devolveu o cheque. Motivo: vergonha na cara.

Gari, Rodrigo Botelho encontrou, em 26 de maio de 2008, durante Campeonato Mundial de Tênis de Mesa, no Rio, mochila com R$ 3 mil em dinheiro. Viu o nome do dono nos documentos, chamou-o pelo microfone e devolveu. Rodrigo é normal, tem caráter.

Francisco Basílio Cavalcante, faxineiro do aeroporto de Brasília, pai de 5 filhos, ganha salário mínimo. No dia 10 de março de 2004, encontrou uma bolsa de couro no banheiro do aeroporto. Dentro, US$ 10 mil e um passaporte. Se fosse juntar o salário que ganha, sem gastar um só centavo, levaria 3 anos e 4 meses para obter igual soma.
Francisco declarou: "Tem que ser assim. O que não é nosso precisa ser devolvido. Um dinheiro que não é da gente não pode ser do bem. Não pode trazer felicidade".

Clélia Machado, 29, é auxiliar de serviços gerais e faz bico como manicure. Sozinha, cria duas filhas, uma de 7 anos, outra de 9. Sua renda mensal não chega a R$ 550. Todos os dias ela faz a faxina do banheiro do posto da Polícia Rodoviária Federal em Seberi (RS), onde trabalha há três anos. A 11 de março de 2008, encontrou, junto à privada, um pé de meia enrolado em papel higiênico. Dentro, US$ 6.715. Clélia entregou os dólares aos policiais. Entrevistada, declarou: "Bem que podia ser meu de verdade. Mas já que não me pertencia, devolvi na hora. Era o certo a fazer."

O gari Sebastião Breta, 43, da prefeitura de Cariacica (ES), devolveu os R$ 12.366 mil que achou num malote no lixo. O nome do homem que fora roubado estava gravado numa etiqueta. Sebastião ganha salário mínimo. Indagado se pensou em ficar com o dinheiro, disse: "Nunca. Desde a primeira vez que vi sabia que devia devolver. Quando não consigo pagar as minhas contas fico doido, pensava o tempo todo como estaria o dono do dinheiro, imaginava que ele também não podia pagar suas contas porque tinha perdido tudo. Eu e minha mulher não conseguiríamos dormir à noite. Acho esquisito pegar o que não é da gente".

Fagner Tamborim, 17 anos, entregador de jornais na cidade de Pirajuí, a 398 km de São Paulo, ganha R$ 90 por mês. Enquanto pedalava sua bicicleta, encontrou na rua um malote com R$ 6 mil. Devolveu-o ao dono. "Vi que tinha muito dinheiro e cheques. Levei pra minha mãe, que ligou para o banco."

O melhor do Brasil é o brasileiro, não necessariamente nossos parlamentares.

Do Correio da Cidadania - 30.05.09

Frei Betto é escritor, autor

UNE defende utilização pública de recursos do pré-sal

A esplanada dos ministérios foi tomada por cerca de cinco mil estudantes nesta tarde de quinta-feira que reivindicavam a destinação a políticas públicas com os recursos advindos do petróleo descoberto na camada pré-sal. O ato fez parte da abertura do 51º Congresso da UNE, o Conune, que levou a Brasília cerca de 15 mil estudantes.

Além da UNE e outras entidades de representação dos estudantes também participaram do ato diversas centrais sindicais e movimentos populares. Este é o primeiro grande ato que tem como tema o petróleo. De acordo com as lideranças, o tema está em evidência não somente por conta da descoberta de reservas petrolíferas no litoral brasileiro, mas também por causa da CPI da Petrobrás.

Em maio, a CPI foi aprovada no Senado Federal após uma manobra do PSDB, que colocou a votação para criar a comissão em um dia com plenário esvaziado, argumentandoo que faltava transparência nos contratos da estatal. O governo acusa a oposição de querer desviar a atenção da crise política e minar a empresa estatal com o objetivo de abrir portas para sua privatização.

"A CPI, para o governo Lula, pode ter o seu aspecto positivo, porque assim ele pode desmascarar os desmandos que ocorreram na Petrobrás sob o governo tucano com os marcos regulatórios. Só que, para a sociedade, é ruim, porque o Congresso vai ficar concentrado nisso e não vai dar continuidade na votação das pautas", analisa Tales de Castro, atual vice-presidente da UNE e membro do movimento Mudança, vinculado ao PT.

Os sindicalistas da área petroleira agradeceram a participação dos estudantes no ato em defesa do petróleo e da estatal. "Mostra que nossa juventude tem senso patriótico, porque ela também é responsável por esse país. Os recursos das estatais vão beneficiar esses jovens", diz Acassiano Carneiro, coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas.

Ele vê na CPI uma forma da oposição desestabilizar o governo em período pré-eleitoral, mas acredita que dessa forma pode ser desmentido os ganhos que poderiam haver com uma privatização. "Vai ser bom para desmascarar o mito da privatização", coloca Tales.

Segundo Lúcia Stumpf, presidente da UNE, com a descoberta do petróleo da camada pré-sal, haverá agora uma disputa por quem vai ficar com essa riqueza. "Temos que defender a Petrobrás para que seus recursos dejam destinados para a população, para o jovem, para o trabalhador". Ela entende que a CPI da Petrobrás veio agora para fazer essa disputa política não só por conta da descoberta das reservas, mas por conta do ano pré-eleitoral. O discurso tem sido questionado porque a Petrobrás entrou com um patrocínio de R$ 100 mil para a realização deste Conune. No entanto, Lúcia afirma que a empresa sempre patrocina os congressos e bienais da entidade e que não vê mal em uma empresa estatal patrocinar o movimento estudantil. "Este dinheiro é do povo, também é dos estudantes", defende. E afirma que "não há nenhuma influência política do governo e da empresa no direcionamento das pautas tocadas pela entidade". Racha

O PSOL, que esteve presente com seus coletivos de jovens, saiu assim que os manifestantes chegaram na frente do prédio da Petrobrás. Entre gritos da situação e da oposição da UNE, surgiu um tumulto, que foi rapidamente controlado, mas que, para os militantes do PSOL, foi o suficiente para não continuar participando da manifestação.

Apesar de Lucia ter convidado os militantes do PSOL a subirem no carro para falarem ao microfone, o partido se negou a participar. Segundo Nathalie Drumond, militante do partido, a UNE está fazendo o jogo do governo ao fazer um ato pela Petrobrás, e acusa a entidade de não defender os estudantes contra as iniciativas de precarização do ensino superior no Brasil.

(Foto: Valter Campanato/ABr)

Camila Souza Ramos, de Brasília - 16.07.09 - Revista Forum

Vem ai a CPI dos Pizzaiolos


Por Gilvan Freitas - 15.07.09

Li, agora há pouco, os comentários do senadores pizzaiolos em relação ao pronunciamento do ilibado Lula. Todos ficaram bem nervosinhos, já andam falando até em instalar outra CPI: a CPI dos Pizzaiolos. Valeu, grande Lula! Esses idiotas vagabundos(Jarbas Vasconcelos, Alvaro Botox Dias, Cristovam Buarque, Agripino Mala, DEMóstenes Tores e caterva) têm mais é que sifu.

Lula critica oposição por criação da CPI da Petrobras e diz "todos são bons pizzaiolos"

Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje não estar preocupado com a CPI da Petrobras, instalada ontem. Segundo ele, há outras formas de investigar uma empresa do porte da Petrobras. Lula criticou a oposição pela insistência da criação da CPI.

"A mim não preocupa. O que eu acho é que tem gestos de irresponsabilidade na constituição de uma CPI dessas porque você pode pedir investigações da Receita Federal, da Controladoria Geral da República, do Ministério Público, da CVM", disse ele.

Lula afirmou que a CPI é interessante para quem "quer fazer um Carnaval". "Para quem quer investigar seriamente era preciso ter um outro mecanismo. Acontece que a Petrobras é a maior empresa brasileira, a empresa de maior projeção nacional, tem ações na Bolsa."

O presidente também aproveitou para usar o mesmo argumento dos petistas de que a oposição, quando era governo, queria privatizar a Petrobras. "Por que que a turma que queria privatizá-la ontem está hoje preocupada com a Petrobras? A minha preocupação agora não é com a CPI."

O presidente disse que sua maior preocupação agora é com o novo marco regulatório da exploração do pré-sal. "A minha preocupação é que me entreguem daqui a dez dias o novo marco regulatório da Lei do Petróleo por causa do pré-sal. Que quero anunciar ao Brasil qual será o novo marco regulatório e quero mandar para o Congresso as mudanças na lei que são necessárias. Enquanto a oposição grita, eu trabalho."

Questionado se a mistura de pré-sal com CPI daria em pizza, Lula respondeu: "Depende. Todos eles são bons pizzaiolos".

A verdade dos fatos - Em consideração aos leitores

Do Site da Petrobrás - 16 de julho de 2009

Carta enviada pela Petrobras na quarta-feira (15/7) ao jornal O Globo (leia abaixo: A verdade dos fatos ... ), editada e comentada pelo jornal por meio de Nota da Redação na edição de hoje (16/7), na seção Carta dos Leitores.

sob pressão

A verdade dos fatos: cartas ao Estadão e O Globo

15 de julho de 2009 / 18:54

Estadao_01O Estado de S.Paulo

Em relação à matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo (15/07) com o título “Lula define sucessão no comando da Receita”, a Petrobras esclarece mais uma vez que foi de R$ 1,14 bilhão o valor líquido de IRPJ e CSLL compensado com outros tributos federais e não de R$ 4 bilhões, como informa o jornal. O valor que a empresa compensou, na verdade, já havia sido pago a mais, anteriormente. A Petrobras reitera que paga todos os tributos corretamente.

O_Globo_03O Globo

Em relação à matéria publicada pelo jornal O Globo (15/07) com o título “Fazenda sob pressão”, a Petrobras esclarece, mais uma vez, que em nenhum momento realizou “compensações bilionárias de impostos com base numa manobra tributária”. O valor líquido de IRPJ e CSLL compensado pela Petrobras com outros tributos federais foi de R$ 1,14 bilhão. O valor que a empresa compensou, na verdade, já havia sido pago a mais, anteriormente. A adoção do regime de caixa para apuração de impostos sobre a variação cambial é perfeitamente legal e foi amparada pela Medida Provisória 2.158-35/2001. A Petrobras reitera que paga todos os tributos corretamente.

Preocupado eu?

Presidente Lula e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, participam de almoço após a cerimônia de transmissão de cargo ao novo presidente da Embrapa, Pedro Arraes


Brasília - O Presidente Lula conversa com a ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, na cerimônia de transmissão de cargo ao novo presidente da Embrapa, Pedro Arraes. Ao lado, a primeira-dama Marisa Letícia

O Presidente Lula declarou nesta terça-feira, 15, que não está preocupado com a CPI da Petrobras. "A mim, não me preocupa a CPI. O que acho é que tem gesto de irresponsabilidade na constituição dela porque tem investigação da Receita Federal, da Procuradoria Geral da República, do Ministério Público e da CVM", disse Lula após deixar almoço de transmissão de cargo do novo diretor presidente da Embrapa.

"Na verdade, a CPI pode ser muito interessante para quem quer fazer um carnaval, mas, para quem quer investigar seriamente, precisa ter outros mecanismos", completou o presidente. Questionado sobre os argumentos da oposição de que a CPI poderia acabar em pizza, temperada com o pré-sal, Lula respondeu: "Depende. Todos eles são bons pizzaiolos".

O Presidente lembrou que a Petrobras é a maior empresa brasileira e é a maior de projeção nacional com ações na Bolsa de Valores. "A turma que queria privatizá-la ontem está hoje preocupada com a Petrobras. A minha preocupação agora não é com a CPI. É com a ministra Dilma, ministro Lobão (Edison Lobão, Minas e Energia) e o Guido (Guido Mantega, Fazenda) me entregarem, em 10 dias, o novo marco regulatório da lei do petróleo, por causa do pré-sal. Quero anunciar ao Brasil qual será esse marco e as mudanças na lei que serão necessárias. Enquanto a oposição grita, eu trabalho", disse o Presidente.

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Kátia Abreu omitiu 3000 cabeças de gado na declaração de bens

Por Helena, Zé Augusto e Bira - 15.07.09

14 de jul. de 2009

Carta da Petrobrás à CPI - Comissão Parlamentar de Inquérito

Clique na imagem ao lado para ler a íntegra da carta enviada pela Petrobras ao relator da Comissão Parlamentar de Inquérito.

















Carta do presidente da Petrobrás aos petroleiros

O blog da Petrobras compartilha com seus leitores a carta enviada pelo presidente José Sérgio Gabrielli a toda a força de trabalho da Companhia.

Gostaria de informar a todos os nossos colegas do Sistema Petrobras que foi instalada nesta tarde de terça-feira (14/07) a Comissão Parlamentar de Inquérito, no Senado Federal, para apurar os fatos relacionados com o requerimento nº 569 de 2009 referentes à Petrobras e ANP. O senador João Pedro (PT/AM) e o senador Marcelo Crivella (PL/RJ) foram eleitos como presidente e vice e o senador Romero Jucá (PMDB/RR) foi escolhido como relator. (mais…)

Carta a José Serra

Por Eduardo Guimarães - 14.07.09

Senhor governador,

A presente tem a finalidade de apelar ao seu bom senso, que acredito que ainda resista, em alguma medida, em sua mente intoxicada por ambições políticas desmedidas, antidemocráticas e autoritárias.

A CPI da Petrobrás foi instalada, como o senhor queria. Aliás, ainda bem. Quanto antes começar – e terminar –, menos os brasileiros perderão. Afinal, devido aos seus interesses político-eleitorais, senhor Serra, a maior empresa brasileira, respeitada internacionalmente, auditada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pela Controladoria Geral da União (CGU), pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Securities and Exchange Commission (SEC), dos Estados Unidos, perdeu, nos últimos dois meses, 5% de seu valor na Bovespa.

Mas não é só esse o prejuízo que o povo brasileiro está amargando para o senhor tentar aumentar suas chances eleitorais no ano que vem. A CPI está postergando a definição do marco regulatório da exploração do pré-sal, que, aliás, é um dos cavalos-de-batalha dos senhores privatistas tucanos, os quais, a serviço de interesses corporativos na riqueza imensa que jaz no litoral sudeste do país, esperam que o show que estão dando no Congresso dificulte que esse marco regulatório defina um modelo de exploração de tal riqueza que contemple o conjunto da sociedade em vez dos grupelhos de sempre.

Nem lhe peço que segure seus cachorros loucos na mídia, governador. Na verdade, começo a achar que eles, ao praticarem tudo o que praticam a seu mando, acabam mostrando ao país quem é o senhor, haja vista em que as pesquisas de opinião mostram que, quanto mais o senhor manda latirem acusações ao presidente Lula e à ministra Dilma Roussef, mais populares eles se tornam. Peço apenas, portanto, que o senhor reflita sobre o caso específico da Petrobrás.

Sua “estratégia”, governador, pode se converter num tiro em seu pé. Ao fim da CPI, que terminará como todas as outras nos últimos seis anos, o que restará será o prejuízo causado à maior e mais conceituada empresa brasileira. Aí, porém, tenha certeza de que os responsáveis serão apontados, em plena campanha eleitoral, como os sabotadores do país que são.

É óbvio, senhor Serra, que não estou preocupado com o fato de o senhor estar praticando tiro ao alvo no próprio pé. Por mim, pode despedaçá-lo a tiros que acharei ótimo. Contudo, o problema é que o senhor atira em seu pé e seremos nós, o povo, que pagaremos a conta de sua auto-mutilação.

Depois de o senhor mandar sua tropa de choque no Congresso praticar esse atentado contra o país, sei que não dá para retroceder. Mas será tanto melhor se o senhor segurar seus cães midiáticos e parlamentares. Melhor para o senhor, para seus partidários e para o país. Deixe, pois, que a CPI navegue em águas mornas, governador. A cada factóide, sua dívida com o país crescerá. Prefiro que não cresça. Que o senhor seja derrotado só por sua falta de propostas, pois assim o Brasil perderá bem menos.

Leia
outras matérias em Cidadania.com

13 de jul. de 2009

Santayana: a CPI da Petrobrás golpeará os que a promovem

O governo decidiu aceitar a instalação da CPI da Petrobras. Poderia tê-lo feito antes, uma vez que dispõe de maioria no Senado. Agira com prudência, ao tentar impedi-la, porque a Petrobras – a maior empresa brasileira, e uma das maiores do mundo – tem as suas ações negociadas nas bolsas internacionais, e qualquer suspeita sobre suas atividades lhe acarretará danos. Duas devem ter sido as razões principais que orientaram o Planalto a solicitar a instalação do colégio investigador. Diante da crise na Câmara Alta, é melhor que a instituição saia do círculo de giz, e passe a atuar, ainda que por iniciativa da oposição e contra o próprio governo, e o presidente confia na lisura das atividades da empresa. Além disso, as principais figuras da oposição se encontram enodoadas com os escândalos. Se o Senado se encontra desmoralizado diante da opinião pública – e é inegável que assim está – situação e oposição se acham sob a mesma tacha. Escapam, como tantos já constataram, algumas poucas ovelhas, em rebanho enegrecido pelas cinzas da corrupção. As circunstâncias fecham com escolhos o trajeto da CPI. Dificilmente as suas sessões serão acompanhadas pelo interesse da cidadania, cansada dos mesmos comediantes de sempre.
A Petrobras, com todos os seus êxitos, vale mais como símbolo da obstinação brasileira do que pelos seus resultados econômicos, por maiores eles sejam. Suas imensas receitas, que nos ajudaram a vencer as duras dificuldades do subdesenvolvimento, revelam a inteligência de nossos geólogos, engenheiros de minas, engenheiros mecânicos e trabalhadores comuns. Essa massa de pesquisadores e inventores não se reuniria, sem que a precedessem os atos políticos de brasileiros comuns, entre eles intelectuais e jornalistas, como Monteiro Lobato, Gondim da Fonseca, Domingos Velasco e Mattos Pimenta, Joel Silveira, Barbosa Lima, Oscar Niemeyer e muitos outros.
Os mais jovens não sabem o que é um povo sem petróleo. Durante muito tempo comprávamos, dos Estados Unidos, a gasolina a conta-gotas, e mantínhamos estoques de curta duração. A energia sempre foi arma estratégica. A partir do momento em que a gasolina servia de suporte a uma forma de vida – também ela importada do Norte – dela não poderíamos prescindir. Se houvesse, por acaso, uma guerra em que o Brasil se envolvesse com qualquer vizinho, bastaria aos norte-americanos fechar o nosso suprimento e favorecer o inimigo. Pouco a pouco, fomos construindo pequenas refinarias, mas sempre dependíamos do petróleo bruto, e esse estava sob o controle das sete irmãs. Temos a acrescentar que a iluminação elétrica era luxo de algumas cidades. A iluminação das casas, no vasto interior, quando não se fazia com o óleo de mamona, dependia do querosene Jacaré, produzido, importado e distribuído em latas de 20 litros pela Standard Oil. Nos morros do Rio de Janeiro e nos subúrbios das cidades maiores do resto do país, as lamparinas se alimentavam desse combustível.
Impingiram-nos a idéia de que no Brasil não havia petróleo. Os gases emanavam de fendas no solo, aqui e ali, e, de alguns poços pioneiros – como o de Lobato, na Bahia – ele chegou a jorrar com timidez, mas, segundo alguns, não tínhamos o óleo. Havia petróleo na Argentina, na Bolívia, no Paraguai, na Venezuela, na Colômbia, no Peru – não em nosso solo.
A criação da Petrobras custou o suor e o sangue de muitos brasileiros. Podemos encontrar dezenas de explicações para a morte de Getúlio, em agosto de 1954, todas marcadas pelo petróleo. A sanção da lei que criara a empresa, em outubro do ano anterior, enfrentou a reação orquestrada da grande imprensa, a serviço dos interesses externos. Vargas só contava com os trabalhadores e com os estudantes, que não dispunham do poder de mobilizar os militares, como fizeram Lacerda e outros. A Petrobras, que afrontou todas as dificuldades para consolidar-se, foi recentemente mutilada pelo governo tucano, que rompeu o monopólio estatal e abriu seu capital aos estrangeiros. A iniciativa da CPI, à parte o interesse em desestabilizar o governo, visa a favorecer a entrega do petróleo do pré-sal a empresas multinacionais. Se existem irregularidades na Petrobras, há como identificá-las e saná-las, mediante os organismos oficiais de controle, como o TCU, a CGU e o Ministério Público – com rigor, e sem espetáculo.
A CPI da Petrobras provavelmente terá o percurso de um bumerangue: golpeará os que a promovem.


Texto: Mauro Santayana, no JB

fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/santayana-a-cpi-da-petrobras-golpeara-os-que-a-promovem/


Sobre as matérias publicadas na imprensa hoje (9/7), em relação ao patrocínio da Petrobras à Fundação José Sarney a Companhia esclarece que:

O contrato teve vigência de 13/12/2005 a 17/10/2008 no valor total de R$1,34 milhão. O patrocínio à Fundação foi feito via Lei Rouanet, portanto com recursos oriundos do incentivo fiscal. Em projetos que utilizam a Lei, cabe aos patrocinados prestar contas ao Ministério da Cultura, incluindo notas fiscais de despesas realizadas com o projeto e recibos referentes aos recursos recebidos.

Patrocínio à Fundação José Sarney

Fundacao Sarney

12 de jul. de 2009

Petrobras Ambiental: carta ao Correio Braziliense

12 de julho de 2009 / 13:19

PPAEm resposta à matéria “Os órfãos da Petrobras”, publicada pelo Correio Braziliense, em 12 de julho, a Petrobras reitera a informação, repassada ao jornal, de que a situação dos projetos contemplados na última seleção do Programa Petrobras Ambiental não tem relação alguma com a CPI da Petrobras, como o jornal dá a entender. Atualmente, os projetos estão em fase de ajuste de propostas e entrega de documentação, para em seguida terem os contratos assinados. A liberação de recursos começa após a assinatura dos contratos, que deve ocorrer entre os próximos três meses.

A Petrobras reafirma, também, que desconhece a solicitação para sua retirada do Índice Dow Jones de Sustentabilidade (DJSI). A Companhia esclarece mais uma vez que nunca descumpriu a Resolução 315 do Conama, que determina limites para as emissões veiculares. A Petrobras está cumprindo integralmente o acordo firmado com o Ministério Público Federal, em outubro de 2008, envolvendo o Governo do Estado de São Paulo, Cetesb, Ibama, ANP e Anfavea, com a orientação do Ministério do Meio Ambiente. O acordo previu o fornecimento do diesel S-50, com baixo teor de enxofre, a partir de janeiro de 2009, que já está sendo fornecido pela Companhia em várias cidades e, gradativamente, será estendido a todo o País.