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12 de nov. de 2011

25 de jul. de 2011

1º Oficina de Redes Sociais do MAV PT SP realizada com sucesso


Estimular o uso das Redes Sociais e a utilização das ferramentas tecnológicas para a formação de Militantes Virtuais, foi a proposta do curso oferecido pelo MAV PTSP , Núcleo de Militância em ambientes Virtuais.


Realizado no Diretório Zonal da Vila Mariana, neste sábado (16/07)  os filiados do PT tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o uso das Redes Sociais e como utilizar seus recursos nas ações de Militância Virtual.
Cada filiado recebeu uma pasta contendo uma apostila " Manual de Formação de Militante Virtual". Desta forma puderam compreender a importância da atuação do militante do PT na Internet.


27 de mai. de 2011

Tag #ConfioemDilma agita twitter

#ConfioemDilma
Por Kátia Figueira (twitter @Katytasv) -  Mulher Ativista - 26.05.2011 

Os inúmeros ataques ao Governo Dilma, partindo do Pig e de uma ala de ativistas nervosos com a votação da emenda #164 do código florestal,  pela noticia que foi publicada na imprensa de que Dilma havia rejeitado o kit anti-homofobia e também o caso Palloci, mostraram o quanto o Governo Dilma precisa de apoio.

Até mesmo pessoas que sempre foram favoráveis ao Governo Dilma, entraram na onda dos ataques, e não mediram palavras para pressionar a presidente Dilma.
 Em vista disso, eu (@katytasv) e Márcia Brasil (@serbrasileira), durante uma conversa no skype, decidimos
 reforçar o apoio a Presidente Dilma, e a confiança depositada pelos brasileiros em seu Governo e criamos a tag #ConfioemDilma durante a madrugada da última quinta.



E o resultado, foi melhor do que se esperava, imediatamente diversos tuiteiros, se uniram a nós  e mantiveram durante o dia todo, a tag no topo dos TTbr.







Leia mais 

Época supera Veja em imundície e quer matar Dilma

Desinformação e desrespeito na mídia brasileira 

Câmara aprova Código Florestal; PT mantém luta para garantir equilíbrio (veja abaixo a lista de todos os votos dos deputados)

Para quem não entendeu nada ...

 

 

24 de fev. de 2011

Um novo estatuto do PT, nossa reforma política interna

Ricardo Berzoini* - imagem: Fábio Rodrigues

O 4º. Congresso Nacional do PT, em fevereiro de 2010, deliberou pela realização de um amplo debate a respeito de nossa trajetória organizativa e dos desafios presentes e futuros de nossa grande instituição partidária, que já completou 31 anos de vida. Esse debate tem por objetivo atualizar nosso estatuto partidário e reforçar os instrumentos institucionais internos que garantem nossa democracia e concepção organizativa.*

11 de fev. de 2011

A mais importante tarefa de cada militante

 
O que estava em jogo na última eleição presidencial era a possibilidade de avançarmos o debate político-ideológico, aproveitando a decadência das políticas neoliberais no mundo, mas que ainda resistem no Brasil num setor do centro-direita e com amplo apoio da imprensa local. Enquanto o mundo se desloca das alternativas de Estado mínimo, a agenda da direita brasileira a é a mesma pré-setembro de 2008.
 
Pela primeira vez os projetos alternativos voltam ao palco no Brasil e no mundo depois de 19 anos de massacre e pensamento único; a direita tinha seu projeto e era incontestável, hoje ela não tem projeto, apenas administra (mal e porcamente) a crise gigantesca, mas ainda não achou um novo cabedal político e ideológico para ancorar.

Foi trazida de contrabando ao palco eleitoral uma inflexão da candidatura de centro-direita, representada por Serra, à direita mais raivosa, com algumas nuances neofascistas. O debate foi empobrecido por temas de costumes (aborto, religião) e não políticos totalizantes como a questão do Estado, da economia, perspectiva da relação do Brasil com o G20 e a agenda para entrarmos noutro patamar de país que emerge do ambiente pós-crise de setembro de 2008.

Rebaixado o debate político, talvez pela leitura de que seria impossível derrotar a candidatura governista nos marcos de um debate programático mais elevado, mais ainda pela total falta de projeto alternativo ou que pudesse efetivamente se diferenciar, a opção foi reduzir e insuflar uma campanha que beirou o ódio nos temas relacionados a costumes.

Novo governo, velhas polêmicas

Cenário atual

Direita americana mais radical é a religiosa, trata Obama como bolchevique, pode acreditar, está cada dia mais xenófobo e alguns estados aprovam leis mais restritivas aos imigrantes. Na França, Sarkozy, que já estigmatizara os mulçumanos, agora quer deportar em massa os ciganos. Espanha, mesmo governada pelo PSOE, restringe os direitos dos estrangeiros, pois há desemprego em massa.

A revolução egípcia que varreu Mubarak do poder depois de 30 anos com amplas massas nas ruas é a prova concreta de que a boa e velha luta de classes está mais viva do que nunca, não importam avanços tecnológicos e científicos: quando desemprego, corrupção e ditadura estão juntos têm-se as melhores condições de derrubada de regime.

Esta nova onda de lutas de massas em países africanos e árabes é o resultado geral do aprofundamento da crise econômica aberta em setembro de 2008; os países centrais exigem cada vez mais pagamento dos empréstimos fáceis anteriores à crise, os governos locais, para cumprir as novas demandas, aprofundam políticas mais restritivas, piorando o desemprego e a miséria em geral. Estas massas sublevadas aparentemente não possuem uma direção política clara, podendo inclusive ser capturada nos ideários dos regimes à la Irã dos aiatolás.

No Brasil, a esquerda brasileira (PT) ocupou um espectro mais amplo, tomou o centro do PSDB; sobrou apenas a direita mais raivosa, fundamentalista. Este deslocamento de forças e projetos ainda não se deu por completo no imaginário popular. O PT ainda é identificado como esquerda raivosa, muitos “absorveram” Lula, mas é fato que ainda temem o PT. Isto é reforçado por um discurso extremamente preconceituoso de Serra, que afaga a direita.

A mobilidade do PT rumo ao centro independe de Lula, foi a realidade que o empurrou ao centro — para ter maior interlocução com outras forças que fazem o jogo político no Brasil, tirando do PSDB a hegemonia na sociedade.

Entender o que estava em jogo é a mais importante das tarefas de cada militante. Há que explicar pacientemente a cada um as questões subjacentes aos grandes debates, que novas e velhas demandas aparecem ou reaparecem com força, mas não podemos nos agarrar a este debate menor e esquecer a luta principal.

Dilma no governo

É preciso reconhecer o grande gênio político de Lula, que conseguiu trazer ao centro político uma mulher como herdeira, que fez a síntese de um governo com grandes acertos históricos, apoio popular e identidade nacional. Governos que recuperam a autoestima, o sentido de brasilidade.

Se com Lula tivemos um operário, sem curso superior, de origem extremamente humilde chegando ao maior cargo do Brasil, com Dilma teremos o ineditismo de uma mulher na presidência, descontada a bobagem da Miriam Leitão de falar em princesa Isabel: claro está que efetivamente, pela via popular e democrática, as mulheres efetivamente chegaram ao centro do poder nessa eleição.

Agora Dilma fará seu próprio governo que, a meu ver, será mais técnico, mais voltado para questões da reorganização do Estado. Em seu discurso da vitória ela já apontou as principais diretrizes políticas e econômicas para o novo período.

A carga simbólica desta verdadeira revolução de termos Dilma presidenta é comparável à de Obama, um negro, chegar â Casa Branca, fruto de um momento ímpar da história mundial. O Brasil tem a chance de ingressar de vez no Primeiro Mundo, mas entrar pela porta da frente, sem modismos, ocupando seu lugar com força e liderança.

O Brasil e a grande crise que ainda não acabou

Aos primeiros sinais da crise Lula, falou que ela seria uma “marolinha”, quase foi massacrado pela mídia e seus acólitos no parlamento. Porém ele jogou todo seu patrimônio político no combate à crise. Enfrentou-a de peito aberto, com o significativo pronunciamento do Natal de 2008.

Lula jogou todas as forças e recursos do Estado para que o Brasil fosse pouco atingido pelos efeitos da crise. Importante lembrar os coveiros (Miriam Leitão, Sardenberg, PSDB e DEM), que torciam, entusiasmados com a possibilidade de derrotar o governo. Todo dia comemoravam um número ruim que saía. Em abril chegaram a dizer que o desemprego explodiria em 2009, que a geração de novos empregos seria nula. No parlamento a ‘“marolinha” era motivo de chacota, os programas eleitorais do DEM/PSDB/PPS repetiam as piadas sobre a crise.

Logo em junho a situação se inverteu, o pior passara, o crescimento seria ZERO, mas no mundo todo seria em média de -4%, ou seja, estávamos no lucro. A previsão de geração de emprego foi de 1 milhão.

Apesar do excelente ano de 2010 para economia brasileira, persiste no mundo um quadro de baixa recuperação da economia combinado um processo acelerado de inflação de alimentos que atinge diretamente as camadas mais pobres. Diante deste cenário as medidas tomadas pela equipe econômica de Dilma apontam para o caminho da restrição ao consumo, diminuição das compras estatais, não contratação de novos servidores. O grande capital perdeu eleição com seu candidato principal, mas mesmo assim abocanha os maiores ganhos com a manutenção do esforço fiscal e pagar os juros e o aumento da Selic.

Desolador é ver que setores da esquerda debatendo o Ministério da Cultura e a verdadeira luta de classes se perpetua nas medidas econômicas. Focar a nossa luta e a disputa político-ideológica é a maior tarefa militante, discutir as questões secundárias é o caminho de perder as oportunidades do debate mais central e decisivo.
    
Por Arnobio Rocha - 11.02.2011

Do Teia Livre

10 de fev. de 2011

PT, 31 anos de bom combate

Imagem: lucimarbueno.blogspot
 
O PT chega aos 31 anos neste dia 10 de fevereiro com bons motivos para comemorar. Nascido da luta operária do ABC paulista por melhores salários e condições de trabalho, no bojo da redemocratização do Brasil e ascensão dos movimentos populares, o PT cresceu embalado no sonho que uniu trabalhadores, classe média, estudantes e intelectuais de transformar o Brasil na terra da oportunidade para todos. 

O caminho não foi fácil. Vencer os obstáculos só foi possível pela força da nossa militância. Os petistas nunca tiveram medo nem preguiça para sair às ruas, seja para pedir voto, vender uma camiseta, um boton ou defender uma concepção de sociedade, protestar, gritar por democracia. 

A força da militância foi um símbolo do PT na defesa das eleições diretas para presidente da República, na democratização do poder com a participação popular, direitos iguais para negros, mulheres, homossexuais, entre tantas outras. Plantamos sementes em todo o Brasil e ajudamos a consolidar a jovem democracia do País. 

Hoje, o sonho de fazer política em benefício de todos é uma realidade. Depois de administrar pequenos e grandes municípios, incluindo capitais como São Paulo, e governar estados com novos conceitos de gestão, o PT chegou à Presidência da República. A vitória do metalúrgico Luís Inácio Lula da Silva foi, também, mais uma demonstração da força e da perseverança de um homem obstinado e de um partido sustentado pelo desmedido comprometimento de sua militância com um projeto de desenvolvimento nacional. 

Em oito anos de governo Lula, o PT criou programas e projetos que estão mudando significativamente a "cara do Brasil". Tanto que a própria oposição reconhece os avanços. O PT soube aliar equilíbrio financeiro com ampliação da oferta de serviços públicos à população e, ao mesmo tempo, pôr em prática uma política de investimentos que tirou do discurso o potencial econômico do país sem descuidar do respeito ao meio ambiente. O Brasil não é mais o país do futuro, ele é o país do presente. 

Mesmo os críticos não podem negar a geração de mais de 16 milhões de empregos com carteira assinada, a retirada de mais de 24 milhões de pessoas da miséria, os investimentos em infraestrutura por meio do PAC, entre outros. 

Nesta quinta-feira, o PT homenageia o ex-presidente Lula, agora, presidente de honra do partido. Nada mais justo, por tudo que Lula representa. Um retirante nordestino que enfrentou e venceu a miséria e o preconceito para se transformar num dos principais líderes políticos mundiais. Alguém que, sem formação acadêmica, deu uma lição de como governar, mostrando que é possível ao país crescer distribuindo renda e reduzindo as desigualdades sociais. 

O próprio Lula, entretanto, sabe que ainda há muito que fazer, a começar pelas reformas política e tributária. Assim, já se colocou a campo na defesa dessas mudanças tão importantes para que o país siga avançando e se consolide como uma nova potência mundial na qual a população viva satisfeita e feliz. 

A presidenta Dilma Roussef compartilha desse entendimento e vem trabalhando para garantir as reformas no Congresso. O PT pode ser um formulador de novas bandeiras, do resgate da simbologia e dos valores do socialismo, para mostrar ao mundo que é possível gerar riquezas respeitando o meio ambiente, os trabalhadores, e erradicando a miséria. É utopia? Não sei. Mas foi pelas utopias que o PT combateu o bom combate. 

Edinho Silva - Presidente do PT do estado de São Paulo, deputado estadual e ex-prefeito de Araraquara (2001-2008).
Autor: Por Edinho Silva, Presidente do PT do Estado de São Paulo, deputado estadual e ex-prefeito de Araraquara
Fonte: Jus Brasil  - 09.02.2011

13 de jan. de 2010

LEITURAS DA MÍDIA PELO PROF. SÍRIO POSSENTI

Sírio Possenti

De Campinas (SP)

Andei lendo e ouvindo coisas sobre o tal decreto do governo que promoveria uma revisão da lei da anistia e atacaria a democracia em diversas outras frentes (liberdade de imprensa, direito à justiça etc.). Não sou jurista, nem historiador, nem militante ativo da causa, nem fui preso durante a ditadura. 
Então estava um pouco por fora. Por mais que desconfie de nossa mídia  ”profundamente democrática” – ela apoiou a ditadura enquanto deu, às vezes emprestando caminhões para fazer o trabalho dos camburões -, como só lia textos desancando o programa, estava achando que desta vez Lula e Vanucchi, principalmente, tinham botado os pés pelas mãos. Ouvia o Boris, lia a Dora Kramer mas, no máximo, ficava desconfiado,  afinal, não à toa ambos são o que são.

Juro que não me ocorreu o óbvio, ou não me ocorreu nenhuma de duas seguintes obviedades: ir ao site da Secretaria dos Direitos Humanos (o documento deveria estar lá – só fui ler depois dos eventos que narrarei abaixo); b) se nenhum jornalão publicou o decreto, talvez fosse para evitar que os leitores tivessem acesso a ele, o que desmentiria facilmente as análises parciais.

Até que no sábado, dia 9 de janeiro, lendo página inteira do Estadão sobre os vícios do Programa (o jornal apoiou o golpe de 64, mesmo depois de seus donos terem penado com a ditadura de Getúlio; há coisas que nem os Mesquita aprendem ou não é um problema de aprendizado!), deparei com um box modesto, que dava voz a Paulo Sérgio Pinheiro, militante da causa dos direitos humanos mundialmente reconhecido e que foi titular da Secretaria dos Direitos Humanos durante o governo FHC (sim, FHC). 
O que dizia Pinheiro? Duas coisas: defendia o programa, como era de esperar de um militante da causa; mas, principalmente, que ele não tem novidade, que tudo o que está nele, a rigor, vem do governo e dos programas anteriores.

Aí tem coisa, eu pensei. Se o Programa vem de um governo anterior (depois soube que é o terceiro) e se está sendo tão criticado agora, então tem dente de coelho. A mídia  - nem todos os jornalistas, mas a grande maioria dos que cobriram o tema ou opinaram sobre ele – transferiu para o programa inteiro as características criticáveis, segundo um certo viés, ainda mais discutível do que o Programa, de algumas passagens.

No domingo à noite, assisti ao PAINEL, programa coordenado por Wiliam Waak, num canal de TV. Lá estava o ex-ministro da Justiça de FHC (sim, de FHC) José Gregori, e foi uma bênção poder ouvir um homem decente, cujas intervenções podem ser assim resumidas: trata-se de um programa geral, que prevê a criação de uma comissão cuja função é preparar propostas a serem examinadas pelo Congresso sobre cada um dos itens do Decreto (e o Boris Casoy dizendo que o governo quer, sozinho, sem ouvir ninguém, implantar um projeto ditatorial – disse isso no jornal da Band de segunda-feira. É mentira, Boris! Uma vergonha!).

Para o leitor ter uma idéia de quão mentirosa é a posição de Boris Casoy – e de outros, às vezes menos raivosos -, basta ver a seguinte passagem do texto, exatamente no que se refere ao que foi tratado como revisão da lei da anistia (contesto a afirmação de Boris de que o governo quer fazer sozinho):

a) Designar Grupo de Trabalho composto por representantes da Casa Civil, do Ministério da Justiça, do Ministério da Defesa e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, para elaborar, até abril de 2010, Projeto de Lei que institua COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE, composta de forma plural e suprapartidária, com mandato e prazo definidos, para examinar as violações de Direitos Humanos praticadas no contexto da repressão política no período mencionado, observado o seguinte:

Se o Decreto diz que se criará um Grupo de Trabalho que preparará um Projeto de Lei para criar uma Comissão da Verdade, é óbvio que, qualquer que seja a decisão dos legisladores ¿ e sobre ela se pode ter a opinião que se quiser, como é óbvio – não há como dizer, sendo minimamente honesto, que o governo quer fazer sozinho.

Você acha que o Boris é burro, que não sabe ler? Eu não acho. Acho que ele é um problema de outro tipo (de certa forma, revelado em sua fala sobre os garis).

Por falar em gente que não é burra, a atuação de William Waak no PAINEL, que ele sempre entorta, foi uma vergonha! Ainda bem que lá estavam Sepúlveda Pertence, que não só é do ramo, como trabalhou com Teotônio Vilela exatamente nas negociações do projeto de anistia, em 1979, e o ex-ministro José Gregori, de cuja atuação já falei.

*** Os leitores de Borges conhecem seu “Pierre Menard, autor de Quxote”, conto célebre por muitas razões, mas especialmente porque propõe de forma genial o problema do sentido dos textos. Uma das passagens é a seguinte:

‘Constitui uma revelação cotejar o Dom Quixote de Menard com o de Cervantes. Este, por exemplo, escreveu (“Dom Quixote, primeira parte, nono capítulo):

…a verdade, cuja mãe é a história, êmula do tempo, depósito de ações, testemunha do passado, exemplo e aviso do presente, advertência do futuro.

Redigida no século dezessete, redigida pelo ‘engenho leigo’ de Cervantes, esta enumeração é um mero elogio retórico da história. Menard, em compensação, escreveu:

…a verdade, cuja mãe é a história, êmula do tempo, depósito de ações, testemunha do passado, exemplo e aviso do presente, advertência do futuro. A história, mãe da verdade: a ideia é espantosa. Menard, contemporâneo de William James, não define a história como indagação da realidade, mas como sua origem. A verdade histórica, para ele, não é o que sucedeu; é o que pensamos que sucedeu. As cláusulas finais – exemplo e aviso do presente, advertência do futuro ‘são descaradamente pragmáticas’.

O que isso significa? Que um mesmo texto pode ter mais de um sentido. Para o narrador de Borges, os sentidos mudam com o passar do tempo. Mas, no caso do decreto de que estou falando, o sentido muda conforme a posição ideológica do leitor (à exceção de gente para quem a decência está acima do interesse político, como é o caso de Gregori).

Para mostrar isso mais claramente, concluo com a citação de trecho da coluna de Fernando Rodrigues na Folha de 11/01/2010 (aliás, no dia 12 ele publicou longa comparação do Programa atual com os anteriores, e as conclusões são óbvias: não há nada de marcantemente novo).

“Como a idade e a honestidade intelectual me obrigam (sic!) a lembrar o que já vi, eis a seguir dois trechos de outro PNDH mais antigo (cito trechos do que ele citou Folha de  S.P.):

1) Apoiar o controle democrático das concessões de rádio e TV, regulamentar o uso dos meios de comunicação social e coibir práticas contrárias aos direitos humanos;

2) Adotar medidas destinadas a coibir práticas de violência contra movimentos sociais que lutam pelo acesso à terra.

Essas propostas não saíram de uma mente chavista ou subperonista. São do PNDH de 13 de maio de 2002, assinado por Fernando H. Cardoso. (…). Mas os tempos mudam. Mudam então as análises (grifo meu)”.

Ele citou trechos sobre esses dois temas porque são dois dos condenados por estarem no decreto assinado por Lula. Eles imporiam a censura à imprensa e não defenderiam o direito de propriedade, especialmente no campo (ah, e defenderia o MST).

Frequentemente, discordo das avaliações de Fernando Rodrigues. Mas reconheço que ter mostrado esses FATOS em sua coluna é outra mostra de decência. No meio de tanta bandalheira, ele e Gregori foram um consolo.

Sírio Possenti é professor associado do Departamento de Linguística da Unicamp e autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, Os humores da língua, Os limites do discurso, Questões para analistas de discurso e Língua na Mídia.

Fora Boris Casoy!

Por Professor Leandro - Liberdade é Aqui - 13.01.10