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17 de jul. de 2009

Papa cai no banheiro e fratura o pulso durante as férias

Por Alessandro Garofalo- Reuters - 17.06.09

AOSTA, Itália (Reuters) - O papa Bento 16, com 82 anos, foi submetido a uma pequena cirurgia nesta sexta-feira depois de ter caído no banheiro e fraturado o pulso, quando passava férias na região da Aosta, no noroeste da Itália.

O Vaticano informou que a operação, a primeira vez que o papa é tratado num hospital desde sua eleição, em 2005, durou 20 minutos, com anestesia local, e o pontífice terá de usar gesso por cerca de um mês. .

Não ficou claro de imediato se o acidente trará consequências no longo prazo que possam afetar a habilidade do papa em tocar piano. Ele é um pianista de talento e normalmente relaxa tocando à noite.

Patrizio Polisca, o médico pessoal de Bento 16, enfatizou que a lesão foi causada por uma queda acidental e o papa não se sentia mal quando caiu.

Ele disse que o pontífice foi submetido a uma osteosíntese, um procedimento cirúrgico para estabilizar e unir mecanicamente as partes de ossos fraturados por meio de peças metálicas como pinos, placas, fios e parafusos.

Polisca declarou aos repórteres, no hospital de Aosta, esperar que a recuperação leve cerca de um mês, mas as férias do papa nas montanhas do norte do país, perto da fronteira com a França, vão continuar como planejadas.

"A condição geral do Santo Padre é boa", afirmou o médico, acrescentando que o papa retornará a sua residência nas montanhas no fim do dia.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, havia dito antes que o papa tinha escorregado no banheiro enquanto Polisca fez referência apenas a uma queda "em sua residência". Continuação...

16 de jul. de 2009

A falta que faz ao Papa um pouco de marxismo

De Leonardo Boff - 15.07.09

A nova encíclica de Bento XVI Caritas in Veritate de 7 de julho último é uma tomada de posição da Igreja face à crise atual. O complexo das crises, que atingem a humanidade e que comportam ameaças severas sobre o sistema da vida e seu futuro, demandaria um texto profético, carregado de urgência. Mas não é isso que recebemos senão uma longa e detalhada reflexão sobre a maioria dos problemas atuais que vão da crise econômica ao turismo, da biotecnologia à crise ambiental e projeções sobre um Governo mundial da Globalização. O gênero não é profético, o que suporia "uma análise concreta de uma situação concreta". Esta possibilitaria investir contra os problemas em tela na forma de denúncia-anúncio. Mas não é da natureza deste Papa ser profeta. Ele é um doutor e um mestre. Elabora o discurso oficial do Magistério, cuja perspectiva não é de baixo, da vida real e conflitiva, mas de cima, da doutrina ortodoxa que esfuma as contradições e minimaliza os conflitos. A tônica dominante não é a da análise, mas da ética, do dever-ser.


Como não faz análise da realidade atual, extremamente complexa, o discurso magisterial permanece principista, equilibrista e se define por sua indefinição. O subtexto do texto, ou o não-dito no dito, remete a uma inocência teórica que inconscientemente assume a ideologia funcional da sociedade dominante. Já se nota na abordagem do tema central - o desenvolvimento - hoje tão criticado por não tomar em conta os limites ecológicos da Terra. Disso a encíclica não fala nada. A visão é de que o sistema mundial se apresenta fundamentalmente correto. O que existe são disfunções e não contradições. Esse diagnóstico sugere a seguinte terapia, semelhante a do G-20: retificações e não mudanças, melhorias e não troca de paradigma, reformas e não libertações. É o imperativo do mestre: "correção", não a do profeta:"conversão".

Ao lermos o texto, longo e pesado, terminamos por pensar: como faria bem ao atual Papa um pouco de marxismo! Este, a partir dos oprimidos, tem o mérito de desmascarar as oposições presentes no sistema atual, pôr à luz os conflitos de poder e denunciar a voracidade incontida da sociedade de mercado, competitiva, consumista, nada cooperativa e injusta. Ela representa um pecado social e estrutural que sacrifica milhões no altar da produção para o consumo ilimitado. Isso caberia ao Papa profeticamente denunciar. Mas não o faz.

O texto do Magistério, olimpicamente fora e acima da situação conflitiva atual, não é ideologicamente "neutro"como pretende. É um discurso reprodutor do sistema imperante que faz sofrer a todos especialmente os pobres. Isso não é questão de Bento XVI querer ou não querer mas da lógica estrutural de seu tipo de discurso magisterial. Por renunciar a uma análise critica séria, paga um preço alto em ineficácia teórica e prática. Não inova, repete.

E ai perde uma enorme oportunidade de se dirigir à humanidade num momento dramático da história, a partir do capital simbólico de transformação e de esperança, contido na mensagem cristã. Esse Papa não valoriza o novo céu e a nova Terra, que podem ser antecipados pelas práticas humanas, apenas conhece essa vida decadente e, por si mesma insustentável (seu pessimismo cultural) e a vida eterna e o céu que ainda virão. Afasta-se assim da grande mensagem bíblica que possui consequências políticas revolucionárias ao afirmar que a utopia terminal do Reino da justiça, do amor e da liberdade só será real na medida em que se construírem e anteciparem, nos limites do espaço e do tempo histórico, tais bens entre nós.

Curiosamente, abstraindo de laivos fideístas recorrentes ("só através da caridade cristã é possível o desenvolvimento integral"), quando se "esquece" do tom magisterial, na parte final da encíclica, introduz coisas sensatas como a reforma da ONU, a nova arquitetura econômico-financeira internacional, o conceito do Bem Comum do Globo e a inclusão relacional da família humana.

Parafraseando Nietzsche: "quanto de análise crítica o Magistério da Igreja é capaz de incorporar"?

[Leonardo Boff é autor de Igreja:carisma e poder, Record 2005].

Teólogo, filósofo e escritor

Fonte: Adital