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17 de jun. de 2012

Leia a carta de Lula para a Arena Socioambiental da Rio+20

Ao lado do ex-presidente de Gana John Agyekum Kufuor, Lula afirmou que o combate à fome é a verdadeira guerra que deve ser travada pelos governantes. O discurso foi feito no dia seguinte (out.2011) à entrega do World Food Prize, um prêmio em reconhecimento às políticas sociais do governo Lula do combate a fome (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)
Sobre a Rio+20, o futuro da Humanidade e do Planeta Terra, precisamos estar atentos aos poucos que detém a produção de alimentos, daqueles que concentram as riquezas em apropriações das terras e da economia, desabrigando milhares de pessoas. Não podemos perder nossas vistas ao mundo capitalista, que é a destruição do ser humano, das emissões de poluentes, devastação das florestas (e assassinatos de protetores ambientais ou mesmo dos trabalhadores seringueiros, extrativistas etc). Vemos ai tanta miséria, moradores de rua e fome pelo mundo, tantas guerras.
Leia a carta de Lula, ele sabe do egoísmo de alguns que estão por trás do grande evento na cidade carioca.
A Cúpula dos povos propôs uma intervenção em contraponto a Rio+20, no aterro do Flamengo, a ideia foi colocada por Lula em 2007.
Fiquem atentos, o futuro está em nossas mãos. Não sejamos manipulados e enganados (leia abaixo os links da Cúpula dos Povos e opiniões sobre a Rio+20).
Márcia Brasil 
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O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva enviou uma carta para a abertura da Arena Socioambiental da Rio + 20, que aconteceu na manhã deste sábado (16), no Rio de Janeiro. Lula estava na programação original do evento mas, atendendo a recomendações médicas, cancelou sua viagem ao Rio neste sábado. Durante a semana que vem, com uma agenda reduzida, Lula participará da Conferência Rio + 20.

Em sua mensagem, Lula destaca que “o mundo vive o momento de discutir e resolver a equação de como crescer, incluir marginalizados do sistema e da sociedade de consumo, e preservar o planeta. Esse é o desafio do nosso tempo, o legado que temos de deixar para as gerações futuras.”

Leia abaixo a íntegra da carta:
“Cara ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campelo;
Cara ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira;
Caro ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas,

Amigas e amigos,

O mundo vive o momento de discutir e resolver a equação de como crescer, incluir marginalizados do sistema e da sociedade de consumo, e preservar o planeta.

Esse é o desafio do nosso tempo, o legado que temos de deixar para as gerações futuras.

A Rio+20 tem autonomia, poder e credibilidade para enfrentar estes desafios e construir uma agenda de desenvolvimento sustentável.

A Arena Socioambiental, inaugurada hoje, vai ser um espaço importante de discussão de políticas entre governos, movimentos sociais e as organizações da sociedade civil. Esses setores têm um papel fundamental na construção dessa sustentabilidade. Têm o papel de educar pessoas e estimular a vontade política de governantes para trabalhar em favor de toda a humanidade.

O ponto zero dessa ação deve ser a preservação da nossa biodiversidade, e o reconhecimento de que o acesso aos recursos naturais do planeta e aos alimentos nele produzidos é um direito de cada um dos que aqui habitam.

Tenho a convicção de que justiça é a palavra-chave dessa equação. O único futuro possível para a humanidade é o proporcionado pela justiça. E, por justiça, todas as bocas do mundo devem ter alimentos suficientes. Por justiça, todos os homens e mulheres do planeta devem usufruir dos recursos naturais disponíveis sem degradar o ambiente e comprometer o futuro de filhos e netos.

A crise financeira mundial que se arrasta desde 2008 está fazendo um grande estrago e levando uma boa parte da população mundial para uma pobreza que o mundo desenvolvido já havia se esquecido como era. É uma situação dramática, mas que tem um lado revelador.

A crise atual expõe um mundo fragilizado pela enorme concentração de renda nas mãos de poucos países e poucas pessoas, e por uma ordem em que poucos consomem muitos recursos naturais e muitos pagam o preço da degradação do meio ambiente.

A modernidade é vista como a era do consumo, mas esse estereótipo esconde uma realidade dura. Não são todos os que consomem.

A realidade dos últimos 30 anos é cruel: 10% da população global detêm 57% da renda global. É esse décimo da humanidade que é responsável por metade das emissões globais de carbono.

O avanço científico e tecnológico conquistado pelo mundo é suficiente para acabar com a fome, para recuperar as áreas degradas e para tomar medidas para prevenir a maior deterioração do meio ambiente. Para isso, no entanto, é preciso de vontade política.

Eu acredito que a maior carência do mundo hoje é a de vontade política dos governantes.

A vontade política, no entanto, é um imperativo. Graças a ela, já contamos às dezenas os países que encontraram a via do desenvolvimento. Na África, na América Latina e na Ásia,nas regiões que durante muito tempo foram vistas meramente como fornecedoras de matérias primas para o mundo desenvolvido, centenas de milhões de pessoas começam a ter uma vida melhor. Mas ainda falta muito.

O Brasil tem exemplos a dar nessa Conferência que reúne governantes de países ricos, pobres e em desenvolvimento; técnicos, pesquisadores, educadores, instituições, entidades populares, sindicatos, associações, organizações não governamentais de todos os pontos do planeta. O país integrou suas agendas econômica, social e de preservação do meio ambiente.

No meu governo e no da presidenta Dilma Rousseff, 28 milhões de brasileiros saíram da pobreza e quase40 milhões entraram na classe média. Ao mesmo tempo em que faz esse esforço de inclusão social e crescimento econômico, o país assume sua responsabilidade frente às emissões de gases de efeito estufa.

Em 2009, na Conferência do Clima em Copenhagen, apresentamos metas voluntárias de redução da emissão de 36,1% e 36,9% até 2020. Até 2016, devemos cumprir a meta.

É indispensável que sejam construídos novos mecanismos e instrumentos de regulação para reverter as tendências atuais. E que todos os países deem a sua contribuição.

Para mudar esse modelo, é preciso construir um amplo acordo político e social. Esse é o momento.
Eu lamento não estar pessoalmente nesse Fórum. Infelizmente, ainda estou passando por um processo de recuperação de meu tratamento de saúde. Não poderei participar de todos os eventos que considero importantes na Rio mais 20.

Levo até vocês, todavia, por meio dessa carta, o meu compromisso com as causas da Rio mais 20,e minhas sinceras esperanças de que daqui saiam as novas luzes para a criação de um planeta solidário.

Essa é uma missão para toda a sociedade, suas instituições, suas organizações e suas lideranças. Em especial o crescente engajamento de amplos setores da sociedade, refletidos neste encontro, é o que efetivamente garantirá este avanço.

O governo brasileiro, comandado pela presidenta Dilma Rousseff, certamente fará a sua parte.”

Do Instituto Lula
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16 de jun. de 2012

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Mobilização e manifestação: evento da sociedade civil discute problemas ambientais, econômicos, sociais, religiosos e raciais 

A Cúpula dos Povos foi aberta nesta sexta-feira (15) no Rio como um contraponto às discussões oficiais da Rio+20.

4 de jun. de 2012

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Especialmente a economia verde opera o grande assalto ao último reduto da natureza: transformar em mercadoria e colocar preço àquilo que é comum, natural, vital e insubstituível para a vida

Por Leonardo Boff - Revista Fórum - 31.05.2012
 
O vazio básico do documento da ONU para a Rio+20 reside numa completa ausência de uma nova narrativa ou de uma nova cosmologia que poderia garantir a esperança de um "futuro que queremos” lema do grande encontro. Assim como está, nega qualquer futuro promissor.

Para seus formuladores, o futuro depende da economia, pouco importa o adjetivo que se lhe agregue: sustentável ou verde. Especialmente a economia verde opera o grande assalto ao último reduto da natureza: transformar em mercadoria e colocar preço àquilo que é comum, natural, vital e insubstituível para a vida como a água, solos, fertilidade, florestas, genes etc. O que pertence à vida é sagrado e não pode ir para o mercado dos negócios. Mas está indo, sob o imperativo categórico: apropria-te de tudo, faça comércio com tudo , especialmente com a natureza e com seus bens e serviços.

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5 de nov. de 2010

O Brasil e a questão ambiental


Delúbio Soares (*)

Num dos debates da campanha presidencial, Dilma Rousseff, então candidata petista, foi extremamente feliz ao dizer que existem duas grandes preocupações nos dias de hoje: o meio-ambiente e a paz mundial. E a questão ambiental, não por acaso, tomou lugar de importância no cenário político e na discussão dos grandes temas nacionais.
O balanço do governo Lula na área ambiental é sabidamente positivo: houve uma queda contínua e consistente do desmatamento na Amazônia, a maior queda nos últimos 20 anos, e foram criadas novas e grandes áreas de Unidades de Conservação, fazendo com que o Brasil se tornasse referência mundial na conservação e proteção ambiental.
Nenhum outro governante antes de Lula teve tanta sensibilidade para com a questão ambiental, tratando-a com respeito, competência e sincera devoção. O próprio presidente, homem antenado nas questões fundamentais do país e da humanidade, chamou a si a condução das políticas da área e comandou a luta por importantes conquistas para o Brasil e os brasileiros.
Durante o Governo Lula houve o fortalecimento e investimentos nos órgãos ambientais, dotando-os das condições necessárias para o desempenho de suas missões, o que possibilitou uma maior fiscalização bem como proteção das Unidades de Conservação e o permanente combate ao desmatamento.
Depois de importantes avanços na área ambiental, coroados pela participação singular do Brasil na Conferência de Copenhague, onde nossa delegação – chefiada pela então ministra Dilma Rousseff – apresentou as melhores e mais inovadoras propostas para a preservação do meio-ambiente e a luta contra o aquecimento global, existem pontos fundamentais a serem debatidos e políticas a serem implementadas na área.
Creio, por exemplo, ser fundamental ampliar os recursos materiais e aumentar as dotações orçamentárias a fim de propiciar as condições necessárias para a fiscalização de nossos parques e áreas prioritárias à conservação; investir em pesquisa de ponta para dominarmos o pleno conhecimento da nossa riquíssima biodiversidade e assim poder preservá-la da maneira mais correta e sustentável. Nossos biomas são de importância extraordinária, autênticas riquezas da humanidade.
Há uma jóia em nosso país, herança de iniciativa visionária de Dom João VI, que é o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Como estudioso do assunto e entusiasta da área, considero-o um dos melhores do gênero em todo o mundo e precisamos dotá-lo de mais recursos para que o mesmo possa realizar pesquisas, continuar suas atividades de preservação de diversas espécies de nossa flora nativa e persistir em sua missão na Cidade Maravilhosa.
É absolutamente necessária a manutenção doatual Código Florestal. A proposta de redução das APP’s (matas ciliares e morros) não tem o nosso apoio e será responsável por diminuir em grande parte os corredores de biodiversidade formada por estas áreas que dão abrigo e alimento à fauna e servem como banco genético para a flora. Não podemos permitir que esse crime contra o meio-ambiente, mas, principalmente, contra o futuro do planeta, seja perpetrado.
Defendemos, também a criação de lei de proteção ao meio-ambiente através de incentivos financeiros aos produtores rurais e ampliação de investimentos de pesquisa na EMBRAPA e outros órgãos de fomento para o aumento da produção rural, com novas tecnologias, melhoramento genético de sementes e criação de variedades mais adaptáveis às condições climáticas de cada região do Brasil. Desta forma aumentaremos a produtividade nas propriedades rurais sem que seja preciso desmatar áreas de proteção da fauna e flora, alavancando assim a produtividade e garantindo maior retorno financeiro aos produtores rurais. É possível, pode ser feito e a preservação ecológica não importa de forma alguma em qualquer tipo de sanção ou cerceamento à nossa pujante agroindústria.
Incentivar a agricultura familiar através da conversão da agricultura tradicional para a orgânica é uma maneira segura de aumentar a renda dos agricultores e diminuir a poluição dos rios, a contaminação do solo e a degradação ambiental. Além de diminuir o consumo de agrotóxicos pela população e gerar imensa economia na área da saúde, com a diminuição de doenças causadas pelo excessivo consumo destes através dos alimentos.
A instituição do “IPI Verde” para as empresas ecologicamente responsáveis será uma grande inovação na vida nacional. As empresas que investirem em novas tecnologias “limpas” e na preservação ambiental, terão redução progressiva das alíquotas do imposto, possibilitando assim que os empresários tenham melhores condições de competição ao assumirem, também, a agenda ambiental em seu sistema de produção. Os ganhos para o país serão evidentes: diminuição dos gastos da saúde pública em decorrência dos menores índices de poluição e conseqüente diminuição de doenças respiratórias, além de uma indústria responsável e competitiva.
O tema é palpitante e nosso interesse por ele é imenso. Os avanços do governo Lula serão certamente consolidados pela administração da presidenta Dilma e sua equipe. Ela já demonstrou sua sensibilidade para a questão do meio-ambiente e sua decisão de fazer mais e melhor.
O que está em jogo é, apenas e tão somente, o futuro do Brasil, do planeta terra, das gerações futuras.
(*) Delúbio Soares é professor
www.twitter.com/delubiosoares

Por Jussara Seixas - 05.11.2010