26 de jun de 2011

Graziano da Silva é eleito diretor-geral da FAO

Presidenta Dilma Rousseff e o candidato brasileiro eleito diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva. A eleição aconteceu neste domingo (26/6), em Roma, Itália. Foto: Roberto Stuckert Filho

O ex-ministro José Graziano da Silva foi eleito para o cargo de diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Graziano ganhou a disputa na segunda rodada com 92 votos contra 88 do candidato espanhol Miguel Ángel Moratinos. O candidato brasileiro recebeu apoio dos países africanos e reforçou o sucesso do Brasil no combate à fome e à exclusão social. No primeiro discurso, ele destacou a importância do Brasil no cenário internacional, em especial, como potência agrícola, e agradeceu também o apoio da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula.


Graziano da Silva assume o cargo de diretor-geral da FAO em 1º de janeiro de 2012 para um mandato de quatro anos. Para prestigiar o ex-ministro do governo Lula, o governo brasileiro enviou uma comitiva de quatro ministros e um secretário executivo, além de assessores, para a Itália. A eleição aconteceu neste domingo (26/6).
Graziano disputou com mais cinco candidatos: o ex-chanceler espanhol Miguel Ángel Moratinos, o vice-ministro do Bem-Estar Social da Indonésia, Indroyono Soesilo, o ministro da Agricultura da Áustria, Franz Fischle, o ex-representante do Irã na FAO Mohammed Saeid Noori-Naeini e o ex-ministro de Recursos Hídricos do Iraque Abdul Latif Jamal Rashid.

Quem é Graziano
O portal montado para a campanha traz a biografia completa do ex-ministro brasileiro. Diz o texto que Graziano da Silva, 61 anos de idade, é licenciado em Agronomia, Mestre em Economia e Sociologia Rural pela Universidade de São Paulo (USP) e Doutor em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Concluiu dois pós-doutorados, um sobre Estudos Latinoamericanos, pela University College de Londres, e outro em Estudos Ambientais, pela Universidade de Califórnia, Santa Cruz.
Desde o ano de 2006 ocupa o cargo de Subdiretor-Geral da FAO e Representante Regional para América Latina e Caribe.

Luta contra a fome
Desde 1977, Graziano da Silva tem se dedicado a temas relacionados ao desenvolvimento rural e luta contra a fome em âmbito acadêmico, político e sindical.
No ano de 2001, coordenou a elaboração do Programa Fome Zero e foi subsequentemente nomeado, pelo ex-presidente Lula, ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, assumindo a tarefa de implementar o Programa.
O Programa Fome Zero não somente representa a principal prioridade do governo do ex-presidente Lula, como significa também importante inovação em matéria de políticas públicas direcionadas ao combate à extrema pobreza. Vale ressaltar sua aproximação integral e sistêmica; abertura à participação da sociedade civil na formulação de programas, e alocação e controle de recursos; e seu enfoque de gênero, ao privilegiar a entrega de recursos às mulheres como forma de empoderamento e assegurar a melhor utilização da renda doméstica.
O Fome Zero contribuiu, em apenas cinco anos, para retirar 24 milhões de pessoas da pobreza e para a redução em 25% da subnutrição no Brasil.

Seu trabalho na FAO
Em 2006, José Graziano da Silva assume o cargo de Representante Regional da FAO para América Latina e Caribe e Subdiretor
No Escritório Regional, promove o fortalecimento da agricultura familiar e do desenvolvimento rural, considerados meios fundamentais para fortalecer a segurança alimentar. Destaque para seu papel como impulsor da Iniciativa América Latina e Caribe sem Fome, que levou os países da Região a se tornarem os primeiros a assumir, em nível mundial, o compromisso de erradicar a fome antes de 2025.
Adicionalmente, impulsiona uma substantiva agenda vinculada à problemática rural, por meio do fortalecimento da institucionalidade do setor e de políticas públicas orientadas ao desenvolvimento integral e inclusivo no campo, com ênfase no tema de empregos rurais. Nessa linha, se destacam três estudos realizados pelo Escritório Regional da FAO: Boom Agrícola e Persistência da Pobreza Rural, A Institucionalidade Agropecuária na América Latina, Estado Atual e Desafios, e Políticas de mercado de trabalho e pobreza rural na América Latina.
José Graziano da Silva promove de forma ativa o trabalho em parceria com outras agências do Sistema das Nações Unidas como CEPAL, PMA, PNUD e OIT, e organismos internacionais como IICA, OIE, além de impulsionar iniciativas de cooperação Sul-Sul.
Como representante regional, atuou de forma efetiva na materialização do processo de reforma interna da FAO. Destaque para o substantivo avanço na descentralização do organismo, potencializando o papel das instâncias nacionais e outorgando um maior protagonismo aos governos na definição de prioridades. Igualmente importante configura-se a abertura à sociedade civil, propiciando o envolvimento de diversos atores políticos, sociais e profissionais na atuação da FAO em cada país.

Destacada vida acadêmica
Graziano percorre uma longa e exitosa vida acadêmica entre os anos de 1978 e 2010, atuando como professor titular da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e coordenando o Programa de Mestrado e Doutorado em Desenvolvimento Econômico, Espaço e Meio Ambiente do Instituto de Economia da UNICAMP.
Como professor, Graziano da Silva é reconhecido por sua valiosa contribuição como formador de uma geração de jovens profissionais latino-americanos dedicados à problemática do desenvolvimento rural e segurança alimentar.
É autor de importantes publicações vinculadas aos temas de desenvolvimento rural, segurança alimentar e economia agrária. Entre seus 25 livros, se destacam O que é a questão agrária e De bóias frias a empregados rurais.

Antecedentes pessoais
José Graziano da Silva nasceu em 1949, de nacionalidades brasileira e italiana. Está casado com a jornalista Paola Ligasacchi, tem dois filhos e dois netos. Possui fluência nos idiomas inglês, espanhol e português.
Entre as numerosas condecorações e prêmios que recebeu, merecem destaque a Ordem do Rio Branco, outorgada pelo Presidente da República, a Medalha Paulista de Mérito Científico e Tecnológico, do Governo do Estado de São Paulo, e o Prêmio da Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER).

Fonte: Blog do Planalto - 26.06.2011

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