16 de set de 2009

Corte da limpeza gera 3.274 demissões de garis

Por Bruno Ribeiro - Agora - 16-09-09

O corte nos serviços de limpeza pública é ainda maior do que os índices que estavam sendo divulgados desde a última semana, segundo o Selur (sindicato que representa as empresas de limpeza). A entidade apresentou ontem o primeiro balanço oficial sobre a redução dos serviços e disse que, desde o mês passado, as ruas tiveram redução de limpeza em 32% dos quilômetros varridos todos os dias.

O balanço diz ainda que 3.274 garis foram mandados embora desde 23 de agosto e que 280 caminhões usados na limpeza urbana deixaram de circular pelas ruas. Até 5 de agosto, a cidade tinha 8.153 garis. A redução é de 40,16% no número de funcionários. A prefeitura não reconhece os dados e diz que os cálculos do Selur estão incorretos. A maior parte dos demitidos (2.099 pessoas) trabalhava justamente nas equipes de varrição de ruas. O Selur diz que 2.500 toneladas de lixo da varrição deixaram de ser recolhidas neste mês.

"Estou perdendo o emprego, mas a situação de quem fica é muito ruim. Já tinha pouca gente para fazer o serviço, imagina como vai ser", disse o gari Sérgio, 28 anos, que cumpre aviso-prévio. Ele conta que antes varria a região da 25 de Março com outras três pessoas e que agora só tem um colega.

Fora a redução dos serviços, viadutos, corredores e vias de tráfico intenso deixaram de ser varridos. As cinco equipes que faziam esse serviço usando vassouras mecânicas (grandes aspiradores) foram dispensadas. O sindicato afirma que a redução no orçamento da varrição, que foi de 20%, significou cortes maiores para as empresas, porque a redução foi aplicada sobre uma relação entre os valores pagos no ano passado e no primeiro semestre deste ano. "Da maneira como o corte foi praticado, reflete nos contratos em percentuais entre 35% a 40%, dependendo do valor praticado em 2008 pela empresa", afirma o Selur.

Já no que se refere à remoção de entulhos, o sindicato afirma que, das 78 mil toneladas recolhidas, em média, por mês, só 14 mil toneladas serão coletadas agora.

O sindicato admite que o serviço não será mais prestado da mesma forma como era feito antes do corte. Algumas ruas deixarão de ser varridas e outras terão menos varrições por dia.

Um comentário:

RLocatelli Digital disse...

É muito educativo observar a diferença de atitudes entre o Governo Federal e a Prefeitura de São Paulo. Enquanto o Brasil criou mais de 240.000 empregos em agosto, pois a economia está bombando novamente, o poste de Serra que administra a cidade demite milhares de trabalhadores humildes, que ganham salário mínimo, alegando que é por causa da crise. Ainda bem que Lula venceu as eleições. Se fosse o Serra no Planalto, o Brasil estaria bem encrencado.