16 de fev de 2012

Kassab deu um baile político no PT e no PSDB, diz senador petista

Para Jorge Viana, prefeito de São Paulo conseguiu deixar siglas em ‘crise existencial’ e tirou DEM do mapa

Foto: Ed Ferreira/AE
Senador Jorge Viana avalia atuação de Kassab no jogo político

Vera Rosa - AE/Brasília

Amigo do ex-presidente Lula, o senador Jorge Viana (PT-AC) diz que o prefeito Gilberto Kassab (PSD) jogou os petistas numa “crise existencial” por causa da oferta de apoio à candidatura de Fernando Haddad. “Kassab nos deixou numa sinuca. Esse prefeito está dando um baile de política tanto no PT como no PSDB.” Ex-governador do Acre, eleito pela primeira vez graças a uma aliança com o PSDB, Viana sempre comprou briga com o PT por seu pragmatismo. Agora, porém, não tira a razão da senadora Marta Suplicy (PT-SP), para quem a parceria com Kassab – que esteve ontem com a presidente Dilma Rousseff – virou um pesadelo.



Kassab foi vaiado na comemoração de 32 anos do PT. Não é contraditório Fernando Haddad aliar-se ao PSD de Kassab?
Não vejo problema nas vaias, que são parte da democracia interna. Agora, Kassab está se configurando como um dos maiores jogadores da política. Nunca tinha visto alguém terminando um mal governo com tanta força. Esse prefeito está dando um baile de política tanto no PT como no PSDB. Faz os dois viverem crises existenciais, além de tirar o DEM do mapa.



É um erro o PT aliar-se a ele? 
A maior prioridade nossa, hoje, é ganhar São Paulo. Como o PT, que está no terceiro mandato no governo federal, fica fora das administrações de São Paulo, Belo Horizonte e Rio? O problema é que, se a aliança com o PSD ocorrer, será em cima de um pragmatismo que não é bom para a história do PT nem para a política. Boa parte da base que sustenta o prefeito não nos apoiará. Kassab nos deixou numa sinuca. Pode ser que ele não seja a melhor alternativa.



O sr. compartilha da opinião da senadora Marta Suplicy (PT-SP), para quem seria um pesadelo acordar de mãos dadas com Kassab no palanque?
A Marta fez um dos gestos mais interessantes, ao abrir mão da candidatura para apoiar Haddad. Ela já deu uma contribuição importante e tem autoridade para fazer qualquer comentário. Nesse ambiente político em que a gente vive temos de passar noites maldormidas.



A aliança entre o PT e o PMDB vive momentos difíceis por causa da briga por cargos. Essa parceria deve prosseguir?
Deve, claro. Fizemos um casamento de papel passado com o PMDB e temos de assumir. O PT tem se sacrificado e eu concordo com isso. Acho que, depois de um ano, esse casamento está indo melhor do que muitos que eu conheço por aí.



O PT mudou o discurso e agora aplaude os leilões de concessão dos aeroportos. O partido errou quando criticava as privatizações do governo Fernando Henrique? 
Em setores estratégicos temos de manter o controle público, mas não vejo sentido em deixarmos determinadas áreas nas mãos do Estado. O que o PT faz hoje é uma privatização seletiva. Há grande diferença com aquilo que foi feito quando FHC era presidente. O PSDB meteu os pés pelas mãos.



O julgamento dos réus do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal, num ano eleitoral, não constrange os candidatos do PT?
Está passando da hora de nós, do PT, enfrentarmos esse problema. Acredito que os juízes terão de se manifestar com base em provas. O julgamento feito até aqui foi injusto com o PT, foi parcial. Essa crise nos deixou cicatrizes muito grandes. São marcas que nunca vão sair.



Qual é, hoje, o maior desafio do partido?
O PT tem de se cuidar para não virar refém do poder que conquistou. Isso vale para a esfera federal, estadual e municipal. O Acre, por exemplo, é o governo mais longevo do PT, que administra o Estado há 14 anos. Aprender a lidar com o poder é lembrar que temos dia e hora para sair e ceder o lugar a outro.



O senhor, então, é contra a reeleição da presidente Dilma?
Sou a favorável à reeleição. Podemos ter 20 anos no poder, mas não podemos ter cegueira situacional.

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