15 de jan de 2011

MORADORES DESCREVEM CLIMA "SOMBRIO" DE TERESÓPOLIS: "PESSOAS PARECEM ANESTESIADAS"

Daniel Milazzo*
Enviado do UOL Notícias
Em Teresópolis (RJ)
No dia seguinte à maior tragédia de Teresópolis, na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, a cidade tenta se refazer do golpe, mas a volta à rotina ainda é imperceptível para quem circula pelas ruas do centro.
Imagem: R7/Notícias
A chuva, que não parou desde o princípio da manhã desta quinta-feira (13), afastou os pedestres da avenida Feliciano Sodré, uma das principais da cidade. O fluxo de carros acontece sem dificuldade. Às vezes, caminhões e retroescavadeiras são vistos seguindo em direção às áreas destruídas pela chuva. A maior parte do comércio está aberta, o que não significa que a cidade opera em seu ritmo normal.

Cláudio Pacheco, 40, funcionário de uma loja de autopeças conta que seis funcionários do estabelecimento não puderam ir trabalhar desde ontem, pois estão ajudando na busca e auxílio de familiares prejudicados. Destes seis, cinco são moradores do bairro do Caleme, uma das áreas mais prejudicadas de Teresópolis. “O movimento está bem fraco. Os poucos clientes que vem parecem anestesiados. Nem sei como trabalhamos ontem. Víamos caminhões passando cheio de corpos, e isso fazia muito mal”, relata Cláudio.

Nívea Beatriz Leal, 33, funcionária de uma lavanderia, conta que não pode fazer muito já que praticamente não há água. “Estamos só passando [roupa] e dizendo para os clientes que ligam que não vai dar pra pegar mais pedido até o final da semana”, diz ela, com o semblante abalado.

Na mesma lavanderia, Ana Carolina Mateus, 21, foi trabalhar nesta quinta apenas porque conseguiu um lugar seguro para passar a noite. Ela também é moradora do Caleme. “A gente sai sem saber quando vai voltar. Muita gente já saiu e quem ainda não saiu está procurando lugar”, diz.
Numa das farmácias do Centro, o movimento é praticamente nulo. “É um começo de 2011 muito triste”, lamenta Carlos Alexandre Garcia, 22, funcionário. Seu colega Gedeon Pereira, 40, que saiu de Vitória (ES) e mora em Teresópolis há 3 anos está revoltado com a situação.

“Nunca vi uma cidade tão abandonada. O problema é que Teresópolis está nas mãos de alguns poucos que controlam tudo e não fazem o bem pelo coletivo. É uma cidade com muito potencial, mas tudo aqui está muito precário. E com essa tragédia, o clima ficou horrível”, desabafa o capixaba.

“A cidade está com o clima sombrio, prefiro ir para o Rio de Janeiro”, diz o médico Lúcio Portugal Vasconcelos, 70, que possui casa nos dois municípios fluminenses. “Além da desolação, tem a revolta pela incapacidade dos políticos de adotar medidas preventivas ao invés de corretivas”, protesta.

Lúcio ainda lamenta as consequências que a catástrofe trará para a cidade. “Teresópolis terá um prejuízo grande, pois a cidade depende do turismo. E ainda tem a desvalorização imobiliária e as pessoas que vão deixar a cidade, o que vai gerar desemprego aqui”, teme o médico.
“Estávamos como zumbis, cobertos de lama, no escuro, cavando, cavando”, contou Geisa Carvalho em declarações à agência AP, após os deslizamentos da madrugada.
O barulho acordou Geisa e sua mãe, Vânia Ramos, enquanto toneladas de lama deslizavam sobre seu bairro. Mesmo sem eletricidade, só com flashes de luz, elas conseguiram ver uma correnteza de lama e água descendo a apenas alguns metros de distância de sua casa.
“Eu nem tenho palavras para descrever o que eu vi”, diz Vânia. “Muitos de nossos amigos estão mortos ou desaparecidos.”
Geisa e Vânia contam que deixaram a casa momentos depois do deslizamento e começaram a ajudar os vizinhos na busca por sobreviventes, cavando com as próprias mãos e com pedaços de pau.
Elas chegaram a localizar uma família de quatro pessoas que morreram sob os escombros da casa e contam que um bebê de dois meses de outra vizinha foi levado pela água em seu berço e ainda não tinha sido encontrado.
Quase todas as casas no bairro do Caleme desabaram até partes mais baixas do morro, algumas parecem ter virado de cabeça para baixo. Em meio a um cenário de lama, roupas espalhadas pelo chão e pedaços de árvores, uma chuva fina continua caindo nesta quinta-feira.
Moradores relatam que falta comida, água e medicamentos, e muito tentam chegar a pé ao centro de Teresópolis em busca de ajuda.
Sobreviventes podem ser vistos em meio à água suja, carregando os pertences que conseguem levar, em busca de áreas mais altas. As pessoas ainda tentam entrar em contato com parentes, embora o serviço telefônico na região esteja falhando.
“Há tantos desaparecidos – e tantos que provavelmente nunca serão encontrados”, afirma Ângela Marina de Carvalho Silva, uma moradora de Teresópolis, que teme ter perdido 15 parentes.
“Não havia nada que pudéssemos fazer. Era o inferno”, ela declarou por telefone à AP.
Ela se refugiou na casa de um parente com seu marido e sua filha, e viu a chuva torrencial levar carros, árvores e animais.
“Acabou. Não sobrou nada. A água veio e levou tudo embora”, descreve seu marido, Sidney Silva.
Uol Notícias - 14.01.2011
Por Enéas - 14.01.2011

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Blog da Dilma também ficou chocado com a tragédia do Rio.


Não podemos colocar a culpa na presidenta Dilma, como vem faze
ndo a Rede Globo, Veja, Estadão, Folha de São Paulo, O DIA, SBT, RedeTV. Sabemos que centenas de vidas foram perdidas, famílias inteiras morrem soterradas. Por que acontenceu novamente? Podemos resumir em uma só palavra: negligência política. Prefeitos juntamente com o Governador do Estado do Rio de Janeiro não aprenderam com a tragédia de 2010, nada fizeram. O Governo Lula no ano passado enviou milhões de reais para o Estado do Rio de Janeiro. Nada foi feito, e vidas foram ceifadas.






Por Daniel Pearl -  Blog da Dilma - 15.01.2011
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TRAGÉDIAS DE VERÃO

 É PRECISO ESTADO. E O ESTADO PRECISA FUNCIONAR .

"Não é necessário sofrer assim. Há uma escolha (a ser feita), e a escolha é planejar" (Margareta Wahlström, subsecretária-geral da ONU para a Redução de Riscos de Desastres,via BBC)
Na Austrália, cidades importantes estão submersas;  populações foram alertadas  com dias de antecedência; regiões inteiras foram evacuadas. O número de vítimas (17 até agora) é residual diante da magnitude das inundações. No Brasil, uma tromba d'agua (imprevisível?)  matou cerca de 500 pessoas na região serrana do Rio em praticamente 24 horas. Em SP, um temporal de 54 mm (30 vezes inferior à incidência verificada no Rio)  dissolveu a gestão tucana na enxurrada . Em todo o país, o
mapeamento das áreas de risco  está desatualizado e ações preventivas são pontuais. Não há sistemas de alarme dignos de respeito: em Franco da Rocha, SP, a Sabesp, empresa modelo da gestão tucana, abriu as comportas de uma represa e inundou a cidade sem qualquer aviso prévio ou  procedimento de retirada das populações residentes no caminho das águas.  Sem planejamento, a administração  pública bóia  na enxurrada como saco de lixo à deriva. Centenas de vidas se perdem.  

(Carta Maior; Sexta-feira, 14/01/2011. Para doações às cidades devastadas 
Defesa Civil do RJ, CEF -conta 2011-0, agência 0199, operação 006)

Um comentário:

Blog disse...

Vale reforçar que a abertura das comportas das represas e a liberação de maior vazão de água foi inevitável em virtude do volume de chuvas. Como chega muito mais água aos reservatórios do que é liberada, a represa funcionou, na verdade, como uma espécie de piscinão, retendo água e evitando maiores inundações. Caso a Sabesp não liberasse maior quantidade de água das represas, poderia ter acontecido uma catástrofe incontrolável, de dimensões difíceis de imaginar, com o rompimento da barragem e um enorme potencial de destruição.

Entendam melhor o caso no Blog da Sabesp: http://bit.ly/hwWwHu

Obrigado.

Equipe do blog da Sabesp