8 de jan de 2010

A 'Elite' cega e alienada se enquadra em que tipo de comportamento, principalmente em São Paulo?

Boris Casoy, o filho do Brasil - Por Paulo Guiraldelli - 01.01.10

Uma parte da nossa esquerda política imagina que os ricos não são brasileiros. Pensam que eles ainda são os filhos de uma elite que estudou na Europa e que, se o Brasil for mal, irá embora daqui. Imagina que são pessoas completamente por fora da vida cotidiana do Brasil. Essa visão da esquerda pouco ajuda. Enquanto não entendermos que um homem de direita como Boris Casoy é tão “filho do Brasil” quanto Lula, não vamos descrever o Brasil de um modo útil para os nossos propósitos de melhorá-lo.

Creio que o vídeo (aqui) que mostra Boris ridicularizando de maneira odiosa os garis, com o qual iniciamos o ano, deveria valer de uma vez por todas para compreendermos algo que, não raro, há vozes que querem negar: “o ódio de classe” permanece entre nós – sim, nós os brasileiros. Deveríamos levar em conta isso, sem medo, ao descrever o Brasil.


Quando Ciro Gomes, ao comentar algumas reações às políticas sociais, então vindas de determinados grupos da imprensa, disse que tal coisa era obra “da elite branca”, a reação da direita foi imediata. Um dos elementos mais à direita que temos na imprensa brasileira, Reinaldo de Azevedo, saiu rasgando o verbo. Primeiro, elogiou Patrícia Pillar, atriz mulher de Ciro, para não criar desafetos, e em seguida tratou o político como um bobalhão que teria falado de algo que não existe no Brasil. Ciro teria bebido demais em algum rortianismo, lá nos Estados Unidos, quando então fez curso arrumado por Mangabeira Unger. Voltando de lá mais à esquerda do que foi, estaria inventando divisões que aqui não existiriam. Reinaldo não é um jornalista sofisticado para escrever isso, mas o que disse, no meio de sua pouca cultura, queria transmitir essa idéia.


Mas quando ouvimos o que um Boris Casoy diz por detrás das câmeras, não temos como não admitir que Ciro está certo: existe uma “elite branca” no Brasil que sente profundo desprezo para com tudo que é do âmbito popular. Pode ser que vários membros dessa “elite branca” não sejam tão cruéis quanto Casoy. Pode ser, mesmo, que vários dos ricos que estão nessa “elite branca” se sintam desconfortáveis, perante os preceitos cristãos de humildade que dizem adotar, quando escutam isso que ouvimos de Boris Casoy. Todavia, o que Casoy falou  é o que se pode ouvir, entre um uísque e outro, nas festas antes organizadas pelo empresariado que amava da Ditadura Militar, e que hoje é feita para angariar fundos para o  PSDB, o partido que havia nascido com o propósito de não ser a direita política, mas que, agora, assume esse papel.

Não quero de modo algum, com esse artigo, provocar aqueles que, sempre pensando só de modo dual, logo dirão: “ah, mas a esquerda é blá, blá, blá”. Sou um homem de esquerda. Minha condição de filósofo me dá alguns instrumentos para analisar de onde venho. Podem ficar tranqüilos. Aliás, sou uma pessoa que adora a frase de Fernando Henrique Cardoso, quando ele disse, se referindo a ele mesmo por conta de acreditar que sua política econômica, ela própria, já era política social: “não é necessário ser burro para ser de esquerda”. Mas aqui, não quero falar da esquerda. Quero mostrar que gente como Boris Casoy não caiu no Brasil vindo de Plutão. Muito menos estudou na Europa. Gente como Boris Casoy estava no Mackenzie, fazendo curso superior, mais ou menos no tempo em que Lula deveria estar vendendo limão na rua. Isso não transforma o Lula em um bom homem e o Boris em um perverso. Mas isso dá, claramente, razão a Ciro Gomes: há sim uma “elite branca” que não respeita garis, que não os acham gente, e que transferem esse ódio ao Lula, principalmente quando olham para ele e o vêem sendo abraçado por um Sarkozi, na capa do Le Monde.


Sarkozi é o presidente da França. E não é de esquerda. Eis então que toda a direita no Brasil comemorou sua eleição. Todavia, Sarkozi aparece abraçado com Lula, sem o preconceito de classe que vários dos próprios brasileiros ainda possuem contra Lula, então, esse fato Lula-Sarkozi, deixa essa “elite branca” despeitada. Ela se pergunta, raivosa: “por que não FHC ou Serra?” Por que aquele “analfabeto”, por que ele, aquele … “gari”? Sim, a fala de Boris é o equivalente dessas frases que eram, até pouco tempo, restritas aos círculos da Ana Maria Braga, Regina Duarte, José Neumanne Pinto e Danusa Leão. Foram esses círculos que fingiram se espantar com o relato de César Benjamim, sobre Lula na prisão. (a história de que Lula teria tentado comer um garoto lá). Fingiram, sim, pois já haviam escutado isso em festinhas e riam disso, tratavam de fazer correr a fofoca, sendo ela verdadeira ou não.


Caso queiramos melhorar o Brasil, vamos ter de ver que os brasileiros – muitos – pensam como Boris Casoy. E atenção nisso: não vamos culpá-lo pelos seus cabelos brancos não! Mainardi, na Globo, ainda não tem cabelos brancos e pensa a mesma coisa. Na Band, vocês já viram o tipo de preconceito de classe contra pobres que aparece no CQC? Já viram o menino Danilo Gentili insultando os pobres, jogando comida para eles? Não? Pois saibam que isso ocorreu sim! Esse tipo de humor é necessário?



Estamos há duas décadas da “piada” de Chico Anísio contra Lula, dizendo que se Marisa fosse a primeira dama e fosse morar no Planalto, ficaria esgotada ao ver quantas janelas de vidro teria de limpar. Naquela época, a Globo fez Chico Anísio pedir desculpas em artigo na imprensa. E ele pediu! De lá para cá, o que mudou na TV brasileira? Ora, o vídeo de Boris Casoy nos diz que pouca coisa mudou. Que ainda precisamos de muito para evoluirmos. Temos uma longa caminhada pela frente no sentido de educar  aquele brasileiro que não consegue entender que o dia que um lixeiro parar, ele, o rico, vai ver todas as moscas botarem ovos no seu ânus, e quando ele acordar, ele terá sido devorado em vida pelos vermes. Estamos ainda precisando de uma forte pedagogia que entre nas escolas de modo a evitar que os brasileiros do futuro sejam os Casoys da vida.


As pessoas podem ser de direita, isso não deveria implicar em perder a capacidade de ver na condição social de concidadãos algo que não os desmerece (o bom exemplo não é, enfim, o próprio Sarkozi?). No Brasil, no entanto, a direita política não consegue apresentar um comportamento de brasileiros que gostaríamos que todos nós fôssemos, ou seja, pessoas capazes de ver em cada outro que lhe presta um serviço um homem digno.

Paulo Ghiraldelli Jr, filósofo.

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Âncoras do jornalismo brasileiro prega ódio e preconceito contra o pobre no Brasil 



Boris Casoy, da TV Bandeirantes, era do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) na década de 60.



17 comentários:

Anônimo disse...

esse traste tinha que queimar no fogo do inferno

Anônimo disse...

esse cara e um monstro, na minha casa não entrara mais sinal da band emquanto essa merda tiver por la.

Veja ai mais uma da turma do PIG.
Deputado estadual Miguel Sena, do PSDB, vice-presidente da Assembléia Legislativa de Rondônia e, entre os políticos do Estado, campeão absoluto de processos na justiça. Esta com bens broqueados pela justiça de RO.
Fonte: www.tudorondonia.com

Anônimo disse...

Que texto maravilhoso. Acho que a educação é a saída de qualquer alienação. Quanto mais pessoas bem educadas, de olho no seu papel social e no bem comum além de não deixar o lado crítico. Assim em um futuro próximo, qualquer atitude tanto política ou qualquer que seja, deveria ser muito bem pensada pois a sociedade não aceitaria e, de alguma forma, exigiria uma retratação, seja por passeata ou um boicote (ao sinal da Band nesse caso ridículo do Casoy).

Anônimo disse...

Se restar um pouco de dignidade ao Casoy, ele deveria sair de cena...definitivamente! Vou me utilizar do seu próprio bordão e lhe dizer, Casoy: isto é uma vergonha!

Anônimo disse...

Acabamos de descobrir a pólvora, LIXO não gosta nem de GARI nem de Vassouras.

Rosy disse...

O que me entristece é que as pessoas que tiveram acesso à educação, a cultura em geral, que deveriam ser a voz dessas pessoas fazem o contrário. Em um momento que o mundo luta contra a exclusão, Boris Casoy cria um “Apartheid” entre eles *que se dizem do alto escalão da classe trabalhadora* e nós.
Não é impossivel um gari desejar feliz ano novo de coração, estou vendo que o impossivel é você amar quem põe a mão no lixo, porque você Boris, os associou ao lixo que eles recolhem tão dignamente.
E se não tivesse vazado??? Seu coração continuaria o mesmo não??? Vocâ não esta arrependido, está apenas com vergonha de mostrar seu verdadeiro “eu”.
Me desculpe, eles não precisam das suas desculpas, eles precisam que gente como você não existam. Conhecimento se adquire, caráter é de formação. O microfone não falou por você, só amplificou a sua voz interior.
Vá se vestir de Gari como fez um jornalista um dia acompanhando os lixeiros que correm atrás dos caminhões, e vá varrer as ruas por um dia inteiro com eles, comer a marmitinha juntos e adquirir humildade, talvez assim eu acredite em você. Eu disse talvez!

Dina disse...

Não vou falar do Casoy não, quero falar de quem escreveu essa matéria, com o coração e gritando para que os brasileiros abram seus olhos. Paulo querido, uma hora de aplausos, em pé, para você MEU QUERIDO E VERDADEIRO BRASILEIRO.

José Geraldo disse...

Deplorável, mais uma vez, o comportamente deste senhor.
Fica claro, evidente, demonstrado de forma definitiva, o que ele pensa a respeito dos trabalhadores brasileiros.
Meus parabéns a todos os garis que todos os dias recolhem o lixo da residência deste senhor!
Vocês merecem o aplauso, de pé, de todos os brasileiros!
CLAP! CLAP! CLAP!

Anônimo disse...

http://img36.imageshack.us/img36/9695/boriscasoy.jpg

Anônimo disse...

O ato cometido pelo Boris Casoy foi terrivelmente lamentável, mas o texto acima não é de forma alguma diferente, estão usando um ato lamentável para tentar convencer o povo que os políticos sejam eles quais forem (lula, Ciro, Serra, etc.) se importam com a população mais pobre. É impressionante o grau de mesquinharia há que chegam essas pessoas. Sr. Paulo (que se diz filósofo) seu texto é tão repugnante como o ato que o Sr. Boris Casoy fez.

Alfredo disse...

Parabéns pelo belo texto. O Casoy apenas demonstrou ao vivo o que sempre foi.

João disse...

Em parte, eu até estou gostando do Governo Lula, mas isto sobre o Casoy, parodiando o próprio, é uma vergonha.

Mas esta discussão só serve para desviar de um mal ainda maior no Brasil e tanto a esquerda como a direita não querem nem saber. Só sabem olhar para o umbigo dos outros, nunca para o próprio.

Quando todos irão lutar contra a corrupção que tem neste país?
Quando irá acabar as notícias sobre dinheiro nas cuecas, meias e vai se saber onde mais?

É mais por isso que sou contra Lulla e o PT. Era um partido que se dizia ético e neste período de governo é quando se viu mais corrupção. Ele fala até que agora é que está sendo investigado e portanto aparece mais, mas e as condenações? Onde estão? Cadê o dinheiro de volta? Se alguém foi condenado, foi peixe pequeno que viu tanta corrupção e achou que podia também.

Quando eu vir estes vários colunista de esquerda querendo aparecer, porque viram falha de alguém, lutarem também contra o direito da esquerda poder roubar, aí sim eu irei respeitá-los. Por enquanto eu só estou vendo lutando para chegar ou continuar no poder para pegar o seu quinhão do dinheiro público. Só que isto também é meu e eu quero que isto seja revertido para mim e para minha família em saúde, educação e outros serviços básico que o Estado deve suprir e não ter que ficar 6 meses, 1 ano esperando por algum tipo de exame e quando chegar, o único exame que será necessário será o de necropsia. E isto também para os garis, catadores de lixo e outros que podem ser chamados da mais baixa escala de trabalho.

Todos estes da esquerda também não se importam com esta gente. Porque são estes que mais precisam de assistência do governo e não estou falando de bolsa-esmola e sim de serviços básicos para poder ter a chance de uma vida decente. Só se importam em chegar ao poder e pegar a parte que deveria vir para todos nós.

Anônimo disse...

Há na vida varias formas de aprender e a pedagogia é indiferente a maneira como ela se manifesta, tanto para causar admiração, quanto para causar a indignação, como no caso Casoy. Somos tudo isso junto e muitas vezes hipócritas cada qual no seu calibre e é bom que sempre nos olhemos por dentro para não sermos supreendidos. Não resta dúvidas que o Borys foi infeliz no seu comentário, mas foi pedagogo também aos mostrar aos indignos como ele, que a pior sujeira não é aquela que se manifesta fora dagente, mas aquela que vem de dentro, do coração... O seu pedido de perdão só seria válido, se ele realmente na sua verdade fosse capaz de admitir a verdade que lhe é contrária e se perdoasse por isso...

Anônimo disse...

Lamental as expressões usadas pelo Boris Casoy. Mas se fosse somente ele que desprezasse a camada mais humilde da população eu o crivaria de críticas. Mas não vou fazer porque além dele tem outros muito piores. Os nossos governantes que com a cara mais deslavada como o Lula diz que fez a opção pelos pobres (dividiu classes) lançando pesadas impostos sobre a classe média. Mas ele Lula não engana quem pode frequentar um banco escolar ao passo que maneja os menos favorecidos com o fito de alcançar seus planos maquiávelicos de se perpetuar no poder e tentar transformar nosso Pais numa republiqueta ao estilo Chaves.

fuggereurbem disse...

Vocês são um bando sem identidade tentando escrachar um jornalista que sempre demonstrou lisura e muita coragem, mostrando a cara na telinha. Anônimos indignados, menas... menas...
Duvido que vcs anônimos sejam capazes de dizer algo que valha a pena ser lido aqui. Vão cuidar de suas vidas medíocres e aprender a ler nas entrelinhas.

Anônimo disse...

aposto que a mãe dele fugiu com um gari,por isso o ódio sobre eles.

Andre disse...

Nao gosta de pobre, e ainda acredita em comunismo!!! que cara ultrapassado.