12 de jul de 2009

Serra e o "Prêmio Mico": dona Deise cobrou? governador enganou a fé pública?

Por Azenha - 12.07.09

Nos últimos meses o governador José Serra sofreu alguns revéses no seu currículo na área de saúde -- o seu principal ponto de venda na corrida presidencial, em 2010.

Serra se apresenta na propaganda eleitoral como o criador do melhor programa de aids de aids. O Viomundo provou que é mentira.

Serra se apresenta, também na propaganda eleitoral, como o "Pai dos Genéricos", outra inverdade. O verdadeiro "Pai dos Genéricos", como demonstrou o Viomundo, é o médico Jamil Haddad.

A propaganda de Serra e do PSDB diz que Serra foi o melhor ministro da Saúde que o Brasil já teve. A atuação do atual ministro da Saúde, José Gomes Temporão, deve estar tirando o sono do governador de São Paulo. Afinal, Temporão é do ramo e está fazendo uma gestão competente.

O "Prêmio Mico", recebido essa semana em Genebra, compensaria os revéses e returbinaria o currículo de Serra na área de Saúde. A prova são as mensagens no twitter.

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Serra talvez achasse que todo mundo fosse engolir a informação passada por sua assessoria de imprensa e divulgada por alguns veículos da mídia corporativa.

A nota da Agência Estado -- Serra ganha prêmio internacional por atuação em Saúde -, no dia 8 de julho, dizia:

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), recebeu hoje um prêmio da Organização Mundial da Família (WFO, da sigla em inglês), em Genebra, na Suíça, por seu trabalho a frente do Ministério da Saúde. A WFO é vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU)

O Eduardo Guimarães, do Cidadania.com, foi o primeiro a farejar que havia algo estranho no dito prêmio. Foi no finalzinho da tarde do dia 9:

Fui pesquisar quem é a World Family Organization (WFO). Nem consta verbete na Wikipédia. Quase não há referências à organização na internet. É apenas uma das milhares de ONGs ligadas à ONU espalhadas pelo planeta.

Apesar de a notícia do Estadão induzir o leitor a acreditar que o governador paulista foi premiado pelas Nações Unidas, não é nada disso. A premiação é de exclusiva responsabilidade da ONG.

Luis Nassif,na virada do dia 8 para 9, publicou o primeiro de alguns posts sobre o tema. Título: Um prêmio para o comendador Serra.

Na Mooca, onde José Serra foi criado, havia o hábito de se conferir “comendas” a torto e a direito. O sujeito enricava um pouco (termo da épóca), aparecia alguma aventureiro, criava uma “comenda” e fazia do sujeito um “comendador”.

Aparentemente Serra se apegou aos hábitos da infância.


No dia 9, logo cedo, se descobriu que o currículo da dona da ONG responsável pela indicação de José Serra está mais ficha policial.

Depois, que a solenidade não foi no plenário do Conselho Geral da ONU, como próprio Serra alardeou pelo twitter. Foi numa sala emprestada, segundo O Estado.

Em seguida, a própria ONU tratou de esclarecer que não tem qualquer relação com a ONG World Family Organization (WFO, Organização Mundial da Família)que agraciou Serra com o tal prêmio. A ONG amiga é presidida no Brasil por Deisi Noeli Weber Kustra, uma curitibana da gema, que tem problemas com a Justiça em Curitiba e Aracaju.

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Deisi Noeli Weber Kustra: problemas com a Justiça do Paraná e Sergipe

Para acabar o dia 9, o "inesquecível" discurso de agradecimento pelo prêmio, no portal do Governo do Estado de São Paulo: Serra agradece homenagem na sede da ONU, em Genebra.

Cúmulo do ridículo. Para rivalizar com o discurso, só a ausência das outras ganhadoras à cerimônia de entrega do prêmio princesa do Kuwait, Sheikha Al-Sabah, e a coordenadora da Fundação Cherie Blair pelas Mulheres, Cherie Blair. Aliás, até agora, nenhuma foto da cerimônia. Será que o gato da dona Deise comeu? Talvez o gato da charge de Edidelson Silva, mais adiante, tenha a resposta.

Resultado:o prêmio de emergência, para aplacar a inveja do governador em relação ao prêmio recebido pelo presidente Lula da Unesco, virou "Prêmio Mico" do ano.

Constatação: Serra faltou com a verdade. Desde o início ele sabia que o prêmio não tinha a ver com ONU nenhuma. Se disser que não sabia dessa e de outras inverdades já desmascaradas, é achar que todo mundo é otário.

Neste sábado, nos debruçamos um pouco mais sobre os problemas já revelados de dona Deise com a "dona Justa". O jornalista Cláudio Nunes, de Aracaju, tem tratado do assunto no seu blog, pois a dona Deise andou por lá também.

Em post do dia 9 de julho, Cláudio Nunes diz:

Sem duvida nenhuma o povo sergipano é hospitaleiro até demais. Recebe a todos que chegam aqui não só de braços abertos, mas abre seu coração numa característica impar em todo país. Porém, por conta deste jeito sem maldade e com uma certa ingenuidade, algumas pessoas – principalmente ditas “autoridades” chegam aqui e tentam passar a perna não só nos sergipanos, mas nos recursos públicos. É o caso da senhora Deisi Noeli Kustra, responsável pela ONG, Organização Mundial da Família – OMF. Na semana passada auditoria da Controladoria Geral do Estado – CGE, descobriu que dos recursos repassados para a OMF, pelo governo passado, para construir a maternidade Nossa Senhora de Lourdes, cerca de R$ 6 milhões foram aplicados irregularmente. Ou seja, a CGE, defende que esses recursos sejam devolvidos aos cofres públicos, corrigidos monetariamente.

Foi essa senhora que anunciou ao governo passado, que tinha cerca de R$ 1 bilhão (US$ 470 milhões)para erradicar a miséria em Sergipe através do programa “Via Rápida”, da ONU. O então candidato João Alves Filho, fez deste R$ 1 bilhão uma de suas principais metas de campanha. A coluna fez um questionamento no final de setembro ao Centro de Informações da ONU e recebeu a informação de que a Organização Mundial da Família, OMF, é uma ONG, que não pertence ao sistema das Nações Unidas. Ou seja, contra fatos não há argumentos.

Deisi fez a mesma coisa com hospital em Curitiba

O ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca tem até hoje problemas com a justiça por conta de um convênio que fez com a ONG de Deisi Noeli, sem licitação. Lá, o Ministério Público pediu até suspensão de direitos políticos de Rafael Greca.

A obra questionada é o Hospital Comunitário do Bairro Novo construído através de convênio com a Associação de Proteção à Maternidade e à Infância Saza Lattes.

A Saza Lattes recebeu do município um total de R$ 3,6 milhões para construir o hospital e logo em seguida devolver o bem ao município. O hospital foi construído em associação com a Beacon Medical International, empresa norte-americana, e com equipamentos doados pela Union Internationale Des Organismes Familiaux (Uiof), que possuía a concepção do modelo tecnológico da construção do hospital, sendo que a representante no Brasil dessa entidade (Deisi Noeli Weber Kusztra) era também diretora da Saza Lattes. Ou seja, a Deise embolsou a grama e os americanos contruiram de graça o hospital.

Deisi Noeli Weber Kusztra dirigiu a entidade filantrópica de 1987 até 2000 vai ter que prestar contas do período em que foi diretora geral da Associação Sazza Lates

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Charge: Edidelson Silva


João Alves Filho é do DEM-SE. Foi governador de Sergipe à época em que Noeli esteve por lá. A sede da ONG de Noeli fica Bairro Ahu, a três quadras de onde até algum tempo funcionava um escritório do DEM em Curitiba.

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Sede da ONG da dona Deise, em Curitiba

Considerando o passado de dona Deise,que é acusada de garfar o vil metal proveniente de cofres públicos, duas perguntas não querem calar: a dona Deise cobrou pelo prêmio com que a sua ONG agraciou José Serra? O governador enganou a fé pública, já que o prêmio nem sequer foi na ONU?

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