12 de jun de 2009

Sem a internet, Lula já teria caído

Lembro-me bem o que aconteceu quando deflagraram o escândalo do "mensalão". Nos primeiros momentos, só a oposição tinha voz na imprensa nacional, até porque, ao ser deflagrado o escândalo, os aliados do governo emudeceram. Alguns parlamentares do PT debandaram do partido na hora primeira. Os poucos que tentavam esboçar qualquer reação eram logo rechaçados por um turbilhão de informações cruzadas, ou, no mínimo, ridicularizados. Com o passar do tempo, algumas vozes foram se disseminando pela internet e muito se esclareceu sobre a verdade dos fatos. Se não existisse a internet, não tenho dúvida, o governo Lula teria sido golpeado, como Jango em 64.

A CPI da Petrobras, aprovada sexta-feira (15/5), foi arquitetada sob inspiração de matéria publicada pelo jornal O Globo, que acusa a diretoria da empresa de haver aplicado indevidamente, ou seja, com efeitos retroativos a 2008, as determinações de uma Medida Provisória que só teriam validade a partir do ano base 2009. A própria Miriam Leitão, pitonisa da ciência econômica a serviço das Organizações Globo, declarou em seu blog: "Hoje, a oposição numa manobra intalou [está grafado assim mesmo, portanto não sei se o erro de digitação deve ser atribuído à falta de "s" ou à troca de "e" por "i"] CPI para investigar a Petrobras, isso por causa da matéria do Globo, do último domingo, mostrando que a empresa deixou de pagar mais de R$ 4 bilhões por conta de uma manobra contábil". Essa é mais uma das provas irrefutáveis de que o grosso da imprensa brasileira se transformou no PIG, Partido da Imprensa Golpista, com poderes mais expressivos que os próprios partidos de oposição, pois é quem pauta suas decisões.

Alguma coisa com traços de soberania

O senador Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado, rebatendo críticas do governo à instalação da CPI da Petrobras, chamou o presidente Lula de autoritário. É o mesmo Arthur Virgílio que já chegou a dizer que daria uma surra no presidente da República. O Virgílio que, em uma única sessão da CPI dos Correios, chamou Lula de "idiota" por 17 vezes. "Volto a dizer que nós temos um presidente que é um completo idiota ou é um corrupto... O Brasil tem que ter muita atenção porque, no mínimo, estamos a ser governados por um idiota", concluiu Arthur Virgílio naquela reunião.

O senador amazonense, em 2005, se tornou porta-voz da oposição e brilhou (ofuscou?!) nas telas de TV a cada fanfarrice que arrotava. Os objetivos do neovestal Virgílio eram claros e indecorosos: defenestrar um governo democraticamente eleito sem que contra este pudesse ser provado qualquer ato de corrupção; de lambuja, gerar patrimônio eleitoral visando às eleições de 2006. Virgílio e seu parceiro Jorge Bornhausen (DEM-SC) chegaram a anunciar o fim da "raça petista". Resultado: Arthur Virgílio se candidatou ao governo do estado do Amazonas e teve 5% dos votos; Bornhausen anunciou que estava abandonando a vida política, declaração para inglês cego ouvir.

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Do Observatório da Imprensa

Por Fernando Soares - 19.05

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